Atualizado em 07 Jul 26 por

Como Maria Konnikova se tornou uma campeã de poker em 10 meses

Estivemos à conversa com a autora que ganhou o Campeonato Nacional PCA em menos de um ano após começar a jogar, sob a orientação de Erik Seidel.





Maria Konnikova at the PCA
Maria Konnikova

Parabéns por sua grande vitória. Quando começou esse projeto (aprender a jodar poker para documentar essa experiência no livro The Biggest Bluff) há menos de um ano você tinha a esperança que algo como isto seria o capítulo final?

Maria Konnikova: Essa era a ideia, não sabia se ia ter sucesso, mas decidi dar tudo o que tinha. Basicamente, trabalhei no duro o ano inteiro e estudei 24/7. Trabalhei todos os dias, colocando cinco e seis horas do meu tempo para estudar poker, então me sinto muito recompensada com essa conquista.

Como eram essas seis horas de estudo por dia?

Maria Konnikova: Fiz uma grande variedade de coisas, que mudavam dependendo que estava trabalhando no momento. Parte disso foram revisões de mãos que eu tomava nota durante os torneios e depois eu e o Erik fazíamos essa revisão juntos. Também aprendi com Phil Galfond sobre como revisar coisas do meu jogo online. Assisti a outras pessoas jogarem, assisti muitas transmissões ao vivo com jogadores de elite. Trablhei com softwares de poker como o PioSolver, li muitos livros e assisti muito vídeos de treinamento. Também tenho muita sorte de ter acesso a muitos treinadores para poder fazer perguntas.

"Há um ano não sabia as regras"

Maria Konnikova and Erik Seidel
Maria com seu coach Erik Seidel

Qual era sua percepção do poker antes deste projeto?

Maria Konnikova: Antes desse projeto não sabia nada sobre poker ou jogadores de poker, zero mesmo. Não sabia como se jogava, não sabia as regras, não sabia que havia diferentes formatos de poker, estava tão distante desse mundo que nem achava divertido.

No início, comecei a jogar torneios com buy-ins muito baxios - uma das coisas que Erik me ensinou foi uma boa gestão de bankroll, então nunca joguei acima do meu bankroll nem acima das minhas habilidades – então comecei a jogar eventos paralelos de $60. Erik me disse que enquanto não ganhasse esses torneios não poderia subir de nível. Os jogadores nesse nível eram horríveis, fui assediada muitas vezes, era um ambiente bem ruim, no entanto, quando subi de nível aprendi que havia muitas pessoas talentosas e sempre disposta a ajudar. Os caras dos Super High Roller têm classe, são mentes brilhantes que podem ser bem sucedidas em qualquer coisa, e foram muito simpáticos, agradáveis, solidários e interessantes.

Na maioria das vezes, quando um autor termina um livro, passa logo para o próximo. Você ainda continuará jogando poker quando o projeto terminar?

Maria Konnikova: Desenvolvi uma verdadeira paixão pelo jogo, consigo definitivamente me ver continuando a jogar, mas eu sou uma escritora e nunca vou deixar de escrever. Se continuar a ter sucesso provavelmente vou encontrar um equilíbrio para a escrita e para viajar para jogar poker, mas não tanto como agora pois tenho um calendário muito preenchido. Se jogar mais ou menos um evento por mês aí dá para consiliar as duas coisas.

Existe uma percepção no poker que os dias de glória acabaram e que agora o jogo é muito difícil para os novos jogadores conseguirem ter lucro, o que você acha disso?

Maria Konnikova: Como nunca tinha jogado antes não faço ideia como era antigamente, isto é tudo o que sei. Consegui chegar consistentemente nas posições premiadas, mas isso foi fruto do meu trabalho. Volto a repetir que é preciso muito trabalho, muito trabalho mesmo. Tenho trabalhado duro no poker como já não trabalhava duro em outra coisa há muito tempo. Acho que as pessoas não estão dispostas a trabalhar duro porque acham que é apenas um jogo, e é claro que é um jogo, mas também é um trabalho e você tem que trabalhar realmente muito duro. Se você tem essa mentalidade e está disposto a colocar as horas, há toneladas de recursos lá fora e muitos deles são gratuitos.

"Cada mesa de poker é um microcosmo da vida"

Maria Konnikova PCA
Look out for Maria at the $25,000 PSPC next year

Escrever dois livros deve ter sido uma vantagem em seu estudo de poker, considerando o quão duro e longo pode ser o processo de pesquisa?

Maria Konnikova: Com certeza, como escritor você precisa desenvolver paciência e habilidades de pesquisa, você precisa colocar as horas porque escrever implica muito trabalho.Também me ajuda no poker ao vivo, porque eu sou boa em ficar quieta observando as pessoas, porque é o que eu faço como jornalista quando estou tentando capturar personalidades das pessoas e descobrir quem elas são.

Seus dois livros anteriores são Mastermind: How to Think Like Sherlock Holmes e The Confidence Game – as lições que você aprendeu neles também te ajudaram nas mesas de poker?

Maria Konnikova: Absolutamente, o primeiro livro é muito centrado na atenção plena, prestar atenção e observação. O segundo fala sobre percepção e por que as pessoas acreditam nas coisas, o que aumentou minha capacidade de ler as pessoas se eles estivessem fortes ou tentando me blefar.

O que o poker te ensinou além do próprio jogo?

Maria Konnikova: Esse é o núcleo do meu livro, demoraria horas para responder. Em geral, ajuda você a analisar situações e tomar decisões em tudo, desde relacionamentos pessoais até decisões empresariais. Cada mesa de poker é como um microcosmo da vida e como as pessoas se relacionam entre si. O poker traz para fora quem você é como pessoa, aprendi algumas coisas sobre mim que nem eu sabia.

Por último, a cereja no topo do bolo de toda esta experiência deve ter sido também ganhar o Platinum Pass de $30.000?

Maria Konnikova: Fiquei muito contente com o Platinum Pass, porque nunca na vida poderia jogar um evento de $25K. Esse vai ser meu torneio mais caro de sempre. Estou muito entusiasmada por poder participar e acho que vai ser um evento incrível.

Maria Konnikova é uma escritora e embaixadora do PokerStars. Seu livro de poker The Biggest Bluff será lançado em 2019 mas até lá você pode acompanhá-la no seu website.