Entrevista no EPT: Lee Jones e Andy Black
Lee Jones (criador e anfitrião do EPT) e Andy Black (profissional de Poker – Irlandês) responderam a algumas das nossas perguntas durante o EPT de Dublin:
Breve entrevista com Andy Black:
Andrew Black nasceu em Belfast na Irlanda do Norte, tem 42 anos e actualmente vive em Dublin. No $10,000 Main Event das WSOP de 1997 fez a sua primeira aparição internacional. Ele foi eliminado desse torneio pela lenda do poker Stu Ungar (que faleceu em Novembro de 1998), terminando num honroso 14ºLugar.
PokerStrategy: Qual foi a sensação de jogar contra Stu Ungar, talvez o melhor jogador de poker do mundo?
Andy: Jogar contra o Stu Ungar foi fantástico. Existem rumores de que eu tinha (A-K) enquanto o Stu tinha (A-Q) – mas isso não é verdade. O Stu simplesmente jogou melhor do que eu.
Stu Ungar tinha uma maneira muito especial e rápida de jogar, enquanto os outros jogadores geralmente pensavam durante muito tempo.
No ano seguinte voltou novamente ás WSOP, mas o seu sonho de ganhar não se concretizou. Black então fez um recolhimento de 5 anos e tornou-se um monge Budista.
PokerStrategy: Que efeito é que tiveram aqueles 5 anos no teu nível de jogo de poker?
Andy: A religião Budista tornou-me mais sensual e paradoxalmente mais perceptivo.
Em 2005 retornou à profissão de poker com enorme sucesso: Depois de ter conseguido chegar aos lugares de dinheiro em 2 torneios nas WSOP ele começou a preparar o ataque ao Main Event. Entretanto ele foi um dominante chip leader na mesa final, acabando por perder na 5ªPosição e ganho com isso $1,750,000. Desde aí ele já ganhou mais 1.5 milhões de dólares através de participações em vários torneios em todo o mundo, como por exemplo as WSOP (World Series of Poker), EPT (European Poker Tour) e o Aussie Millions.
PokerStrategy: Viajas muito. Qual é a sensação de jogar na tua terra natal?
Andy: Eu adoro jogar na minha terra natal e só vivo a cerca de uma milha de distância daqui. É maravilhoso conseguir ir dormir na minha própria cama depois dos jogos. Eu adoro Dublin porque é uma cidade calma e relaxante.
Já depois de ter conseguido a passagem para o segundo dia do Evento, ele veio fazer uma visita com o seu filho Zack. Andy Black vai ter que jogar hoje outra vez: no início ele estava na 18ª posição com 45,675 fichas.

Entrevista com Lee Jones:
Lee Jones é o autor do livro “Winning Low Limit Hold’em”, que foi provavelmente lido por todos os jogadores de poker interessados em estratégia e limites fixos.
PokerStrategy: Lee, o teu livro “Winning Low Limit Hold’em” foi a base para muitos jogadores no seu processo de aprendizagem do poker. Sabia exactamente o quanto bom seria o seu livro?
Lee Jones: Eu sinto-me honrado pelo meu livro ter uma reputação tão boa e não consigo realmente acreditar que serviu de base para muitos jogadores. Nessa altura eu queria escrever um livro que os principiantes conseguissem perceber mais facilmente do que os livros que já existiam nessa altura.
PokerStrategy: Que livros leu na altura para conseguir escrever o seu WLLH?
Lee: Provavelmente o livro mais importante para mim foi “Hold’em Poker for Advanced Players” do David Sklansky e Mason Malmuth. Essas estratégias e teorias eram muito boas e ensinaram-me muito. Contudo, considero que os livros do Sklansky são muito difíceis de ler. No que diz respeito ao seu conteúdo eles eram muito bons, mas não eram percebidos por todas as pessoas que estavam interessadas nesses tópicos.
A contribuir para isto estava o facto de que o livro era destinado a jogadores de níveis avançados e por isso estava escrito numa forma muito detalhada. Além disso as teorias não eram aplicáveis nos limites mais baixos porque as dinâmicas são completamente diferentes.
PokerStrategy: Isto quer dizer que estava a ganhar facilmente nos limites baixos e por isso decidiu registar todos os seus conhecimentos?
Lee: Não, eu jogava bem e fui tornando-me melhor continuadamente, mas penso que a minha skill não foi o factor crucial. Penso que foi o facto de eu ter a capacidade de explicar mais facilmente o jogo aos outros jogadores do que a generalidade dos professores.
A minha paixão era a música e por isso eu tentei aprender a tocar uma guitarra específica nos Estados Unidos da América. Eu fui ter com muitos guitarristas de topo querendo que eles me ensinassem. Muitos desses guitarristas eram grandes artistas mas eles não eram assim tão bons no que diz respeito a ensinar como é que se tocava correctamente. Eu penso que essa era a minha grande vantagem para conseguir sempre utilizar as palavras correctas, apesar de eu não ser um dos melhores jogadores.
PokerStrategy: Já notou alguma diferença no mundo do poker desde que publicou o seu livro?
Lee: Sim, definitivamente! Os jogadores em média hoje em dia são muito mais novos. Quando comecei a jogar poker à aproximadamente 20 anos atrás, não haviam jogadores com idades entre os 18 e 19 anos que conseguissem ganhar milhares de dólares por mês. Hoje em dia, existem muitos jogadores que ainda vão para a escola ou estudam em universidades e ganham já mais do que alguns directores de negócios.
Para além disso os jogadores tornaram-se muito mais agressivos. Antigamente os jogadores eram bastante relaxados e geralmente jogavam um jogo passivo. Hoje, vejo jogadores que fazem 3-bet no turn apenas com Ace High (Ás como carta mais alta, sem nenhum par).
Coisas como esta nunca aconteceriam nos dias de antigamente. Apesar de tudo, eu gosto da forma como os jovens jogadores se têm desenvolvido com novas maneiras de jogar e com isso vieram melhorar ainda mais o nosso desporto.
PokerStrategy: Em que limites joga actualmente?
Lee: Infelizmente tenho muito pouco tempo para conseguir jogar poker como realmente queria. Devido a isso não posso na verdade dizer que jogo muito poker ou quais os limites específicos. O desejo de jogar apodera-se de mim ocasionalmente sempre que encontro um casino. Eu frequentemente costumo sentar-me a uma mesa e divirto-me a jogar.
PokerStrategy: Então, é mais uma forma de ter rendimentos para si? 😉
Lee: (risos) Não, nem por isso, bem definitivamente não é garantido. Quando me sento a uma mesa tenho a sabedoria de tentar encontrar logo o fish (jogador mais fraco) nos primeiros 30 minutos e se por acaso não o encontrar até essa altura então é porque provavelmente somos nós. Por isso, no início eu jogo de forma conservadora, mantendo-me calmo enquanto tento perceber se tenho alguma vantagem. Existem três maneiras fundamentais para fazer isto: ou eles são todos jogadores fracos e posso começar a arranjar espaço na minha carteira ou existem alguns bons jogadores na mesa e é quando eu tenho que jogar com total concentração. Existe também a possibilidade de ter que sair da mesa para ir ver um filme. Todos os jogadores deveriam conseguir avaliar que limites conseguem vencer, e respectivamente que limites devem arriscar. Não interessa a quantidade de dinheiro que tenham na vossa conta, ninguém deve dar dinheiro facilmente. Devem ser suficientemente homens para abandonarem o limite e irem à procura de jogadores fracos.
PokerStrategy: Quando não joga poker, o que é que faz depois do trabalho?
Lee: Como já disse anteriormente, a música é a minha paixão. Eu toco guitarra, piano, baixo e de vez em quando tento tocar um instrumento novo. O meu sonho actual é conseguir formar uma banda para tocar em frente a um público. A última vez que tive uma banda foi no liceu e sinto o desejo de divertir-me a tocar novamente.
PokerStrategy: (na brincadeira) Já pensou em “America Got Talent?” 😉
Lee: (risos) Esse não seria o tipo de entretenimento que eu gostaria de realizar. Eu só quero compor música e actuar diante de uma assistência. Só quero fazer isso pelo divertimento, nem sequer é pelo dinheiro. Os Rolling Stones por exemplo já fizeram tanto dinheiro que se calhar nem seriam capazes de o gastar todo, mas mesmo assim eles continuam a subir ao palco e a actuar para muitas pessoas. A satisfação que tens quando alguém gosta da tua música e diverte-se a dançar com ela é inacreditável.
PokerStrategy: Existem algumas amostras da sua música?
Lee: (vemos na sua cara uma reacção de como quando se apanha um míudo pequeno a fazer asneiras) ehm.... bem.... foi no ano passado neste EPT. Estava a caminhar pela cidade com um grupo de amigos quando vimos 2 artistas de rua que estavam a tocar música realmente agradável. A seguir a eles terem terminado, perguntei-lhes se eles poderiam tocar um pouco de música folk americana. Nenhum deles estava confiante se conhecia alguma canção dessas. O músico com o mandolin começou a tocar algo que na realidade era uma música folk americana. Só o guitarrista não conhecia mesmo nada desse tipo de canções. Por isso fui ter com ele e ofereci-lhe 5€ para ele me emprestar a guitarra para eu tocar uma canção. De repente dei por mim sentado no centro de Dublin a tocar alegremente e acompanhado por um artista de rua. O único problema foi que um dos meus amigos pegou na sua câmara de filmar para gravar toda a cena... Agora devido à Web 2.0 podem encontrar a música na internet através do youtube.com
[Serviço editorial: Claro que tinhamos que investigar isto a fundo e encontrámos o seguinte:
http://www.youtube.com/watch?v=ul3v14UCB5o ]

Lee: Eu andava à procura de novos desafios e por isso estou actualmente a trabalhar para o EPT. Muitos Pensam que o EPT é propriedade da PokerStars; Contudo, o EPT é uma série de eventos totalmente independente que trabalha já à muito tempo com o patrocínio da PokerStars.
Os meus objectivos actualmente são sempre os mesmos: Quero que as pessoas se divirtam com o que estão a fazer. Quando a PokerStars entrou em contacto comigo anteriormente, eu tracei como objectivos fazer tudo ao meu alcance para que os jogadores se divertissem a jogar. Agora no EPT o meu objectivo é o de fazer com que os jogadores Live se divirtam a jogar e aproveitem os eventos.
PokerStrategy: Será que vamos ter outro livro depois do sucesso que teve com WLLH?
Lee: Eu teria grandes dificuldades. É um processo bastante stressante e difícil o de escrever um livro. WLLH demorou cerca de 8 meses de trabalho extremamente intenso até estar completo. Este ponto faz com que não queira escrever outro. Tenho sempre desejos de voltar a escrever algo, mas quando penso nas dificuldades que tive com WLLH a minha motivação diminui imediatamente.
PokerStrategy: Lee, muito obrigado pela disponibilidade e tempo que nos concedeu e desejámos que possa dar um pequeno concerto como parte de um programa social.