	{"id":22905,"date":"2009-11-12T08:26:00","date_gmt":"2009-11-12T08:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/pt\/strategy\/teorema-fundamental-do-poker\/"},"modified":"2026-07-07T08:06:09","modified_gmt":"2026-07-07T08:06:09","slug":"teorema-fundamental-do-poker","status":"publish","type":"strategy","link":"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/pt\/strategy\/fixed-limit\/teorema-fundamental-do-poker\/","title":{"rendered":"Teorema Fundamental do Poker"},"content":{"rendered":"<?xml encoding=\"utf-8\" ?><h1>Teorema Fundamental do Poker<\/h1><h1>1. Introdu&ccedil;&atilde;o<\/h1><p> O famoso jogador americano, te&oacute;rico e reconhecido autor de livros de poker David Slansky formulou, o que era, na sua opini&atilde;o, a considera&ccedil;&atilde;o mais importante para o jogo do poker, o seu Teorema Fundamental do Poker (TFdP).<\/p><div align=\"center\">\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"2\">\n<tbody>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#e9f47b\">Sempre que jogarem uma m&atilde;o de uma maneira distinta daquela que jogariam se tivessem o conhecimento das cartas do advers&aacute;rio, ele ganha; por outro lado, sempre que jogarem da mesma forma como se tivessem o conhecimento das cartas do advers&aacute;rio, ele perde.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div><p> Pela l&oacute;gica inversa, sempre que vosso advers&aacute;rio jogasse as suas m&atilde;os de uma forma diferente daquela que jogou caso tivesse o conhecimento das vossas cartas, voc&ecirc;s ganham; por outro lado, sempre que ele jogar as suas m&atilde;os da mesma forma como  se tivesse conhecimento das vossas cartas, voc&ecirc;s perdem.<\/p><p> Este artigo aborda as implica&ccedil;&otilde;es e as conclus&otilde;es  do TFdP de Slansky e demonstra os seus efeitos  concretos no jogo e na escolha individual do estilo ou abordagem ao poker por cada jogador. S&atilde;o ainda analisadas com maior pormenor  algumas situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas como o semi-bluff ou o raise no flop com o objectivo de obter uma freecard no turn, explicando a relev&acirc;ncia e aplica&ccedil;&atilde;o do TFdP nestes casos em particular.<\/p><h1>2. A Relev&acirc;ncia do TFdP para o jogo em concreto<\/h1><p>Quando li o teorema de Slansky pela primeira vez, ocorreram-me duas ideias: a primeira foi a d&uacute;vida quanto &agrave; signific&acirc;ncia real deste teorema para o jogo do poker, j&aacute; que se trata essencialmente de um jogo de informa&ccedil;&atilde;o incompleta e portanto o TFdP n&atilde;o poder&aacute; nunca ser aplicado directamente em situa&ccedil;&otilde;es de jogo espec&iacute;ficas. Na realidade, eu via este teorema como uma elabora&ccedil;&atilde;o essencialmente te&oacute;rica sem grande aplicabilidade pr&aacute;tica. Al&eacute;m disso, considerei o conte&uacute;do deste teorema t&atilde;o trivial e &oacute;bvio que pod&ecirc;-lo-ia ter elaborado eu mesmo.<\/p><p> S&oacute; bem mais tarde &eacute; que compreendi que a minha abordagem n&atilde;o tinha ainda atingido o &acirc;mago do problema. N&atilde;o se trata de se aplicar sempre o teorema em situa&ccedil;&otilde;es concretas. Pelo contr&aacute;rio, por vezes um indiv&iacute;duo &eacute; obrigado a violar os preceitos do teorema devido &agrave;s probabilidade consideradas numa situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. Se todas as cartas estivessem expostas, n&atilde;o se trataria  de poker! Uma pessoa poderia ent&atilde;o, desta forma, calcular o EV de cada m&atilde;o de uma forma precisa e exacta com o aux&iacute;lio de instrumentos matem&aacute;ticos e prosseguir sempre uma forma de jogar ideal. Se um jogador se desviasse um pouco dessa forma de jogo estaria a diminuir o seu EV e consequentemente a aumentar o do seu advers&aacute;rio.<\/p><p> Normalmente uma pessoa n&atilde;o possui a informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rio para actuar de uma forma totalmente exacta ou ideal, tendo de se basear no c&aacute;lculo de probabilidades. &Eacute; por isso que, por vezes, se torna imposs&iacute;vel n&atilde;o violar o TFdP. Vejamos um exemplo que ilucidar&aacute; o que quero dizer. Se num determinado momento do jogo a nossa m&atilde;o for KK, deveremos, naturalmente, fazer um raise pr&eacute;-flop. No entanto, se a m&atilde;o de um advers&aacute;rio for AA, teremos jogado esta m&atilde;o de uma forma que muito possivelmente n&atilde;o nos ser&aacute; lucrativa. Por essa ordem de raz&atilde;o, se soubessemos a m&atilde;o do nosso advers&aacute;rio, ter&iacute;amos feito o fold. Por outras palavras, ter&iacute;amos jogado a m&atilde;o de forma diferente caso soubessemos com total certeza a m&atilde;o do nosso oponente.<\/p><p> N&atilde;o obstante, a abordagem &agrave; jogada foi a adequada. Tendo em conta as probabilidades existentes, sabemos que efectuar um raise com KK &eacute; decididamente rent&aacute;vel. Isto quer dizer que seguir o teorema em quest&atilde;o poder&aacute; contrariar a forma mais adequada de abordar uma determinada situa&ccedil;&atilde;o de jogo. Com efeito, como poderemos constatar mais adiante no texto, sob determinadas condi&ccedil;&otilde;es de jogo &eacute; vantajoso ou mesmo quase obrigat&oacute;rio violar o FTdP de maneira a obter vantagens estrat&eacute;gicas. Slansky n&atilde;o formulou este teorema com o objectivo de classificar formas de jogar como correctas ou n&atilde;o. Pelo contr&aacute;rio, na verdade, este teorema encerra em si a ess&ecirc;ncia de in&uacute;meras teorias sobre o jogo do Poker. O TFdP &eacute; o resumo, a base comum ou mesmo a superstrutura de conceitos como o bluff, semi-bluff, leitura de m&atilde;os, value bet no river, etc. O objectivo deste artigo &eacute; real&ccedil;ar as rela&ccedil;&otilde;es e interliga&ccedil;&otilde;es entre estes conceitos, demonstrando que o FTdP &eacute; o elo de conex&atilde;o comum a todos eles. Teremos a oportunidade de ver que o FTdP &eacute; o fio condutor para cada decis&atilde;o a tomar no jogo do Poker.<\/p><p> O Poker &eacute; um jogo de soma nula. Os ganhos de uns s&atilde;o as perdas de outros. Esta &eacute; a premissa b&aacute;sica para qualquer considera&ccedil;&atilde;o sobre este jogo. Se todos jogassem de uma forma perfeita ou ideal, ningu&eacute;m ganharia no longo prazo (exceptuando as casas de apostas ou casinos). Isto quer dizer ent&atilde;o que s&oacute; se pode ganhar no poker quando os advers&aacute;rios cometem erros, com uma magnitude e em n&uacute;mero suficiente que permita existir um lucro ap&oacute;s descontada a rake devida ao casino. Por este ponto de vista, o teorema de Slansky elabora uma importante infer&ecirc;ncia: <i>Evita cometer erros mas induz o teu advers&aacute;rio a comet&ecirc;-los.<\/i><\/p><p> Isto parece ser demasiado &oacute;bvio mas na realidade os ganhos no poker n&atilde;o poder&atilde;o nunca ser conseguidos de nenhuma outra forma. Tentaremos agora abordar as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para colocar esta &uacute;ltima conclus&atilde;o de Slansky em pr&aacute;tica<i>.<\/i> Alguma da informa&ccedil;&atilde;o ser&aacute; muitas vezes considerada em m&uacute;ltiplas perspectivas, o que &eacute; inevit&aacute;vel j&aacute; que todos os conceitos a abordar est&atilde;o umbilicalmente ligados ao FTdP.<\/p><h1>3. Leitura de m&atilde;os<\/h1><p><i>Evita cometer erros<\/i><i>,<\/i> significa tentar avaliar da forma mais correcta a m&atilde;o do advers&aacute;rio e implica reagir da forma mais adequada. Primeiro que tudo, existe a a oposi&ccedil;&atilde;o entre a nossa m&atilde;o e restantes poss&iacute;veis face &agrave; composi&ccedil;&atilde;o da mesa. Na literatura do poker, existem muitos exemplos em que uma m&atilde;o advers&aacute;ria &eacute; determinada de uma forma exacta (e.g. Sklansky, Hold'em Poker, p. 89 et seq.). Como &eacute; l&oacute;gico, na vida real, isto n&atilde;o &eacute; geralmente poss&iacute;vel, mas por outro lado, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio. &Eacute; muito &uacute;til a capacidade de limitar o leque de m&atilde;os que o nosso adves&aacute;rio poder&aacute; estar a jogar de uma determinada forma, o que &eacute; uma habilidade muito complexa mas que pode ser aperfei&ccedil;oada praticamente sem limite. Se o vosso conhecimento do leque de m&atilde;os poss&iacute;veis de um advers&aacute;rio influencia a vossa maneira de jogar, ent&atilde;o poder&atilde;o, no m&iacute;nimo, tentar aproximares-se do FTdP. Se o conseguirem fazer, ent&atilde;o ser&atilde;o  excelentes jogadores. Atente-se no exemplo seguinte que ajudar&aacute; a ilustrar este conceito:<\/p><h2>3.1. Primeiro exemplo de reac&ccedil;&atilde;o conforme a avalia&ccedil;&atilde;o do estilo de jogo do advers&aacute;rio<\/h2><p>O advers&aacute;rio n&atilde;o demonstrou nenhuma for&ccedil;a em particular, mas apostou quer no turn quer no river. Se tiverem uma m&atilde;o marginal, poder&atilde;o dar call quando a mesa apresentou alguns draws poss&iacute;veis. O advers&aacute;rio poder&aacute; ter estado num draw que n&atilde;o se concretizou mas ter decidido fazer um bluff no river.<\/p><p> Se n&atilde;o existiam draws poss&iacute;veis no turn, ter&atilde;o de assumir que o  advers&aacute;rio tentou fazer um bluff no turn assim como no river. No primeiro caso,  um bluff &eacute; mais prov&aacute;vel, enquanto que um semi-bluff &eacute; bem mais f&aacute;cil de descortinar. Se pensam que &eacute; poss&iacute;vel que o vosso advers&aacute;rio esteja a fazer um bluff no river com um draw incompleto baseado em anteriores experi&ecirc;ncias com esse jogador em particular (seja pela observa&ccedil;&atilde;o do seu estilo de jogo directamente, an&aacute;lise de informa&ccedil;&atilde;o anteriormente recolhida ou mesmo atrav&eacute;s de reads espec&iacute;ficos  deste oponente). poder&atilde;o dar call, mais facilmente do que se no turn n&atilde;o houvesse a possibilidade de algum draw.<\/p><p> Se estiverem 5 BB no pot, s&oacute; ter&atilde;o de vencer uma em cada 5 situa&ccedil;&otilde;es para terem um EV positivo (jogando uma  situa&ccedil;&atilde;o semelhante cinco vezes,  colocar&atilde;o 5 BB no pot mas ganhar&atilde;o uma vez 6 BB, logo 0,02 BB em m&eacute;dia por m&atilde;o; se estiverem &agrave; frente do advers&aacute;rio um em cada 6 casos, n&atilde;o interessa se d&atilde;o call ou n&atilde;o; se acreditarem que estar&atilde;o &agrave; frente  menos vezes, ent&atilde;o a jogada correcta &eacute; dar o fold j&aacute; que ter&atilde;o um EV negativo).<\/p><p> Desta forma se acreditarem que o vosso advers&aacute;rio faz uma bet com draw falhado em 20% dos casos, ent&atilde;o n&atilde;o interessa estat&iacute;sticamente se ele tem efectivamente uma boa m&atilde;o ou n&atilde;o, j&aacute; que o lucro m&eacute;dio desta jogada &eacute; na mesma 0,2 BB. Se perderem, ter&atilde;o violado o FTdP, no entanto dar call &eacute; rent&aacute;vel no longo prazo j&aacute; que o poss&iacute;vel lucro iguala as eventuais perdas caso  o oponente esteja a efectuar um bluff. A assump&ccedil;&atilde;o de uma m&atilde;o advers&aacute;ria como um poss&iacute;vel draw no turn que falha o river &eacute; muitas vezes errado e impreciso, mas esta tentativa de limitar o leque de m&atilde;os poss&iacute;veis do jogador contr&aacute;rio &eacute; consideravelmente mais desej&aacute;vel do que a hip&oacute;tese de simplesmente ignorar essa possibilidade.<\/p><h2>3.2. O jogo pr&eacute;-flop<\/h2><p>Geralmente, disp&otilde;e-se de mais informa&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m das reac&ccedil;&otilde;es dos advers&aacute;rios e a composi&ccedil;&atilde;o da mesa, via Poker Tracker ou pela observa&ccedil;&atilde;o comportamental real do oponente. Se <i>souberem<\/i> que um determinado advers&aacute;rio faz raise em 40% das suas m&atilde;os pr&eacute;-flop (por exemplo em situa&ccedil;&otilde;es de roubo), ent&atilde;o ter&atilde;o uma maior  equity por exemplo com 66 para um reraise decidido. Contra a maioria das suas m&atilde;os, estar&atilde;o na frente. Claro que &eacute; poss&iacute;vel que esbarrem contra um AA ou semelhante, mas &eacute; improvav&eacute;l. O leque de m&atilde;os conhecido com que o oponente faz raise sugere literalmente um reraise. A possibilidade de  voc&ecirc;s ou o vosso advers&aacute;rio terem violado o FTdP, est&aacute; por esclarecer. No entanto, gra&ccedil;as &agrave;s reads, ser&aacute; mais provav&eacute;l que tenha sido o vosso advers&aacute;rio que cometeu o erro.<\/p><p> Se, por outro lado, o vosso advers&aacute;rio faz raise apenas em 10% das ocasi&otilde;es das suas m&atilde;os pr&eacute;-flop, ent&atilde;o ter&atilde;o de necessariamente de fazer fold desta m&atilde;o. Como &eacute; &oacute;bvio poder&atilde;o existir algumas m&atilde;os do vosso advers&aacute;rio contra as quais ter&atilde;o uma maior equity edge, mas n&atilde;o muitas. N&atilde;o ser&aacute; ent&atilde;o rent&aacute;vel! A probabilidade de estarem a violar o FTdP seria demasiado elevada. Note-se que, na realidade, n&atilde;o se trata de se estar ou n&atilde;o a violar o FTdP no caso em concreto mas de avaliar qu&atilde;o grande &eacute; a probabilidade de o estarmos efectivamente a violar. O Poker &eacute;, e continuar&aacute; sempre a ser, um jogo de informa&ccedil;&atilde;o incompleta.<\/p><h2>3.3. A value bet no river<\/h2><p>A value bet no river tamb&eacute;m deve ser considerada neste contexto. Se um jogador mais loose, que geralmente prossegue at&eacute; ao showdown, ainda n&atilde;o demonstrou nenhuma for&ccedil;a em especial at&eacute; ao momento, dever&atilde;o considerar a possibilidade de efectuarem uma value bet mesmo que com uma m&atilde;o marginal por exemplo com TT num board J9643. Neste caso o advers&aacute;rio poderia ter um J ou mesmo um set. Mas as possibilidades de ter 9X, 6X, 88, 77, 55, 22 AXx tamb&eacute;m s&atilde;o plaus&iacute;veis. Como sabemos tratar-se de um jogador loose que vai geralmente ao showdown, ele ir&aacute; dar call com qualquer uma destas m&atilde;os. De acordo com a an&aacute;lise do vosso advers&aacute;rio, se chegarem &agrave; conclus&atilde;o que provavelmente est&atilde;o &agrave; frente do range poss&iacute;vel das suas m&atilde;os e que ele dar&aacute; call com uma das piores m&atilde;os desse range, ent&atilde;o consequentemente dever&atilde;o fazer uma value bet.<\/p><p> No entanto, se classificarem o vosso advers&aacute;rio como tight, ent&atilde;o o perigo de ele ter efectivamente um J &eacute; muito mais significativo. Ali&aacute;s, muito possivelmente ele j&aacute; n&atilde;o daria call com m&atilde;os como A6 no river. Isto quer dizer que uma aposta  tem uma probabilidade consideravelmente menor de ser bem sucedida, j&aacute; que provavelmente voc&ecirc;s estar&atilde;o atr&aacute;s, ou porque ele ir&aacute; largar a m&atilde;o de qualquer forma.<\/p><p> A regra b&aacute;sica &eacute;: Dever&atilde;o apenas efectuar uma bet no river quando est&atilde;o &agrave; frente em cerca de 55% dos casos em que o oponente dar&aacute; o call (50% n&atilde;o &eacute; suficiente porque nunca &eacute; descortin&aacute;vel quando um advers&aacute;rio tem um monster). A decis&atilde;o de apostar depende ent&atilde;o do range de m&atilde;os em que coloc&aacute;mos o nosso advers&aacute;rio.<\/p><h1>4. Provocar erros do advers&aacute;rio<\/h1><h2>4.1. Balanceamento da sequ&ecirc;ncia de apostas<\/h2><p><i>Induz o teu advers&aacute;rio a cometer erros <\/i>assume que voc&ecirc;s d&atilde;o margem para o vosso advers&aacute;rio errar. Desta forma, &eacute; necess&aacute;rio dissimular a for&ccedil;a da vossa m&atilde;o. Em princ&iacute;pio, existem duas possibilidades para isso:<\/p><blockquote>\n<ul>\n<li>Primeiro, jogando uma m&atilde;o muito forte dando a parecer que &eacute; fraca (slowplay)<\/li>\n<li>Jogando uma m&atilde;o fraca como se fosse forte (bluff).<\/li>\n<\/ul>\n<\/blockquote><p>&Eacute; extremamente importante incluir ambas as solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas no vosso jogo porque se apostarem apenas com m&atilde;os fortes e derem check com m&atilde;os fracas, voc&ecirc;s tornar-se-&atilde;o demasiado &oacute;bvios e transparentes para os vossos advers&aacute;rios. Neste caso os oponentes n&atilde;o ter&atilde;o qualquer problema em ajustar o seu jogo perante o vosso e raramente violar&atilde;o o FTdP convosco. Isto quer dizer que voc&ecirc;s perdem.<\/p><p> A forma como voc&ecirc;s utilizam estas ferramentas depender&aacute; do advers&aacute;rio em quest&atilde;o e do vosso pr&oacute;prio estilo de jogo. O factor decisivo &eacute; usarem-nas de uma forma alternada e n&atilde;o previs&iacute;vel. Assim as vossas sequ&ecirc;ncias de apostas tornar-se-&atilde;o amb&iacute;guas e difusas aos olhos do vosso advers&aacute;rio. Consequentemente o vosso oponente sentir-se-&aacute; perdido e ter&aacute; amplas oportunidades para violar o FTdP.<\/p><p> Exemplos para criar uma ambiguidade nas vossas sequ&ecirc;ncias de apostas poder&atilde;o ser encontradas nas recomenda&ccedil;&otilde;es para heads-up no flop. Podem fazer check-raise no flop com uma m&atilde;o j&aacute; feita ou ent&atilde;o com uma drawing hand. Neste momento o agressor do flop n&atilde;o saber&aacute; em que p&eacute; se encontra, se &agrave; frente ou se atr&aacute;s (para uma explica&ccedil;&atilde;o pormenorizada consultar semi-bluff no gloss&aacute;rio). Por outro lado, no papel de agressor, voc&ecirc;s s&oacute; dar&atilde;o call a um check-raise no flop com uma m&atilde;o forte para depois depois voltar a fazer raise no turn. Depois deste call o  jogador que fez check-raise estar&aacute;, com certeza, desorientado.<\/p><h2>4.2. O raise com o objectivo de obter uma Free-Card<\/h2><p>O raise com o objectivo de obter uma free car tamb&eacute;m se pode incluir neste mapa conceptual. O movimento consiste em fazer raise no flop com um draw - que geralmente n&atilde;o ser&aacute; suficiente para vencer a m&atilde;o - na esperan&ccedil;a de que o oponente fa&ccedil;a check no turn de maneira a - caso o draw n&atilde;o se concretize no turn - ver o river de gra&ccedil;a.<\/p><p> Como se pode ver, o raise &eacute; um movimento (no m&iacute;nimo) amb&iacute;guo. Na perspectiva do advers&aacute;rio este movimento pode parecer justificado para obten&ccedil;&atilde;o de valor com uma m&atilde;o forte ou muito forte ou, por outro lado, com o objectivo de jogar um draw agressivamente. A an&aacute;lise te&oacute;rica do ponto de vista do agressor &eacute; particularmente interessante. Num primeiro ponto, ele viola o FTdP, investindo uma SB adicional contra o call advers&aacute;rio. Se o advers&aacute;rio sabe que este movimento tem o objectivo de obter uma free card, ele ir&aacute;, como &eacute; l&oacute;gico, fazer um reraise - que seria, &agrave; partida, a melhor defesa contra esta jogada. No entanto, poder&atilde;o haver bons motivos para dar um simples call - como por exemplo ele j&aacute; ter violado o FTdP  n&atilde;o tendo efectuado um raise anteriormente.<\/p><p> Recebendo uma free card, ter&atilde;o poupado 1 SB no turn (1 BB - 1 Sb que tinha sido investida anteriormente). Se o advers&aacute;rio fizer um raise, esta jogada torna-se demasiado dispendiosa. Consequentemente, &eacute; necess&aacute;rio avaliar muito bem com que tipo de advers&aacute;rio estamos a lidar para tentarmos esta jogada. Gra&ccedil;as a este simples exemplo o princ&iacute;pio fundamental torna-se bastante claro: Voc&ecirc;s est&atilde;o a investir um pequeno valor para induzir o vosso advers&aacute;rio a cometer um grande erro. A possibilidade desta tentativa falhar acaba, em princ&iacute;pio, por n&atilde;o pesar em demasia. O jogador contr&aacute;rio &eacute; colocado sob press&atilde;o e, portanto, est&aacute; sujeito a cometer erros. Afinal, porque no fim de contas o raise poder&aacute; significar uma m&atilde;o forte e ter o simples objectivo de criar valor. Nesse caso o reraise seria um erro e iria ser ainda mais penalizador.<\/p><h2>4.3. Slowplaying<\/h2><p>Raramente existem oportunidades perfeitamente adequadas para slowplay, j&aacute; que este s&oacute; &eacute; justificado (ainda que dependendo do n&uacute;mero e tipo de jogadores, tamanho do pot e da composi&ccedil;&atilde;o da mesa) com m&atilde;os extremamente fortes. Teremos de manter em mente, que estamos a dar a possibilidade aos advers&aacute;rios de jogarem os seus draws de uma forma muito barata. Isto s&oacute; far&aacute; sentido quando os advers&aacute;rios s&oacute; t&ecirc;m draws para m&atilde;os mais fracas que venceremos mesmo que esses draws se completem. Se os vossos advers&aacute;rios jogarem os seus draws de qualquer forma, eles estar&atilde;o violando o FTdP porque eles n&atilde;o o teriam feito se soubessem a vossa real m&atilde;o. A protec&ccedil;&atilde;o &eacute;, de certa forma, uma estrat&eacute;gia paradoxal (veja-se o ponto 5.2).<\/p><h2>4.4. Bluffs<\/h2><p>A segunda possibilidade para dificultar a leitura do vosso jogo &eacute; fazer bluffs, o que especificando melhor implicar&aacute; realizar apostas com m&atilde;os marginais face &agrave;s possibilidades vis&iacute;veis no board. O Slowplaying e os semi-bluffs tamb&eacute;m s&atilde;o bluffs num sentido mais lacto mas n&atilde;o est&atilde;o inclu&iacute;dos neste leque de jogadas. &Eacute; necess&aacute;rio incluir bluffs puros no jogo de qualquer jogador.<\/p><p> Novamente: Se apostarem ou fizerem raises apenas com m&atilde;os que o justificam realmente (aquelas com as quais voc&ecirc;s certamente jogariam contra os vossos advers&aacute;rios mesmo se soubessem as m&atilde;os dos jogadores contr&aacute;rios), ent&atilde;o os vossos advers&aacute;rios adaptar-se-&atilde;o facilmente ao vosso jogo. Assim n&atilde;o ganhar&atilde;o muito mas eventualmente poder&atilde;o perder bastante mais do que ganham. &Eacute; como se jogassem com as vossas m&atilde;os expostas na mesa, impossibilitando que os vossos advers&aacute;rios violem o FTdP e portanto, o lucro deles advir&atilde;o das vossas perdas.<\/p><p> Se forem <i>apanhados<\/i> a fazer bluffs perdem dinheiro, mas tamb&eacute;m est&atilde;o a criar uma inseguran&ccedil;a nos advers&aacute;rios. Os oponentes deixar&atilde;o de interpretar as vossas apostas de uma forma meramente linear, tornando-se amb&iacute;guas aos olhos deles, e induzindo-os em erro e possibilitando que eles cometam mais erros e que violem o FTdP mais frequentemente.<\/p><p> Fazer um bluff &eacute; complexo de v&aacute;rias formas e em diversos contextos. O j&aacute; referido free card raise tamb&eacute;m se pode incluir neste leque de movimentos. Agora abordaremos outros movimentos poss&iacute;veis.<\/p><h2>4.4.1. Bluff puro<\/h2><p>O<i> bluff puro<\/i> &ndash; ou meramente bluff &ndash; consiste basicamente em apostar com uma m&atilde;o que, provavelmente n&atilde;o &eacute; a mais forte e muito dificilmente o ser&aacute; at&eacute; ao final. Se o advers&aacute;rio der call, perder&atilde;o. Ali&aacute;s, &eacute; necess&aacute;rio avaliar, de forma precisa, se o oponente larga a m&atilde;o vezes suficientes para tornal o bluff rent&aacute;vel j&aacute; que o lucro deste movimento &eacute; potencialmente maior do que a inseguran&ccedil;a do advers&aacute;rio. Contra jogadores fracos, \"pol&iacute;cias\" ou man&iacute;acos de controlo que tentam fazer check a toda a hora, o bluff &eacute; in&uacute;til! No entanto, este tipo de advers&aacute;rios viola constantemente o FTdP j&aacute; que ir&aacute; dar calls em praticamente qualquer jogada e por isso ser&aacute; previs&iacute;vel. Na sec&ccedil;&atilde;o <i>3.3 A Value bet no River<\/i> j&aacute; foi abordado como agir contra este tipo de advers&aacute;rios.<\/p><p> &Agrave; primeira vista, o bluff &eacute;, aparentemente, uma clara viola&ccedil;&atilde;o do FTdP. Surpreentemente, fazer bluff com a frequ&ecirc;ncia adequada &eacute; bastante rent&aacute;vel de acordo com a teoria dos jogos. O r&aacute;cio de apostas com m&atilde;os feitas ou meros bluffs ter&aacute; de ser equivalente &agrave;s pot odds do oponente. Calculemos isto mesmo atrav&eacute;s de um exemplo  que possa ser facilmente generalizado:<\/p><p> O pot cont&eacute;m 8 BB, o jogador A apostou e o jogador B s&oacute; consegue bater um bluff. O jogador B tem agora pot odds de 9:1, porque foi adicionada outra BB ao pot. Se o jogador A faz bluffs 1 em cada 10 vezes (ent&atilde;o 9:1, a frequ&ecirc;ncia de bluffs corresponderia &agrave;s pot odds do advers&aacute;rio), n&atilde;o importa se o jogador B faz fold ou call j&aacute; que ter&aacute; sempre um EV nulo.<\/p><blockquote><p><b>1&ordm; caso, o jogador B faz sempre fold da sua m&atilde;o:<\/b><br> Isto leva ao seguinte lucro do jogador A: ele investe 10 vezes 1 BB (-10BB) e ganha 10 vezes 9BB (+90BB), o que se traduz num lucro de 80BB.<\/p>\n<p> <b>2&ordm; caso, o jogador B d&aacute; sempre call:<\/b><br> Isto leva a que o jogador A tenha o seguinte lucro: ele investe dez vezes 1BB e ganha nove vezes 10BB, no c&ocirc;mputo geral ele ganha 80BB assim como no caso anterior.<\/p><\/blockquote><p>Se o jogador A nunca faz bluffs (s&oacute; aposta com m&atilde;os fortes e faz check\/fold a sua m&atilde;o quando atr&aacute;s do advers&aacute;rio) e se o jogador B soubesse disto mesmo, ent&atilde;o o jogador A s&oacute; ganharia o pot com 8BB em 9 de 10 casos, o que se traduziria num lucro de 72BB. Se o jogador A utilizasse bluffs, mas com uma frequ&ecirc;ncia menor que as pot odds do seu advers&aacute;rio, ele ganharia entre 72BB e 80BB. Por outro lado, se o jogador A utilizasse os movimentos de bluff com maior frequ&ecirc;ncia, isto causaria uma redu&ccedil;ao do seu valor esperado. Esta mesma ideia pode ser facilmente calculada. A frequ&ecirc;ncia ideal de bluffs corresponde sempre &agrave;s pot odds do oponente, tornando o jogador B incapaz de alterar esta situa&ccedil;&atilde;o. Na realidade, o jogador A at&eacute; poderia confessar-lhe a sua estrat&eacute;gia de aplica&ccedil;&atilde;o de bluffs que a fragilidade do jogador B manter-se-ia. O princ&iacute;pio fundamental &eacute; que o jogador A tem necessariamente de aplicar bluffs de uma forma totalmente aleat&oacute;ria, o que impediria o jogador B de detectar o padr&atilde;o de apostas do seu advers&aacute;rio.<\/p><h2>4.4.2. Semi-Bluff<\/h2><p>O semi-bluff &eacute; a aposta ou raise com uma m&atilde;o que muito provavelmente n&atilde;o &eacute; actualmente a melhor m&atilde;o, mas tem muitos outs para se tornar a melhor m&atilde;o de todas ainda em jogo. Como &eacute; &oacute;bvio, &eacute;, de certo modo, um <i>erro<\/i> darem a oportunidade aos vossos advers&aacute;rios de fazerem um raise, coisa que ele com certeza faria se soubesse todas as cartas em jogo. A vossa aposta lev&aacute;-lo-&aacute; a acreditar que a vossa m&atilde;o &eacute; melhor do que na realidade &eacute;, e por isso mesmo dever&aacute; ser por isso que o vosso oponente provavelmente se limitar&aacute; a dar call (ver defesa contra semi-bluff mais abaixo no texto).<\/p><p> N&atilde;o fazer um raise e limitar-se a fazer call &eacute; um erro de acordo com o FTdP. O Fold seria um erro ainda mais crasso! A aposta de uma determinada quantia, relativamente pequena tem o objectivo de induzir o advers&aacute;rio a violar os preceitos do FTdP. Como temos v&aacute;rios outs com um semi-bluff, poderemos ainda concretizar a nossa m&atilde;o forte, mesmo que o advers&aacute;rio n&atilde;o fa&ccedil;a fold perante a nossa aposta, os custos s&atilde;o portanto, de acordo com o princ&iacute;pio de equity, inferiores ao valor da aposta imediata.<\/p><p> Por exemplo: voc&ecirc;s t&ecirc;m 12 puts no turn e existem 8 BB no pot, voc&ecirc;s s&atilde;o underdog com odds de 3:1 para vencerem e de acordo com o princ&iacute;pio de equity, 25% do pot <i>pertence-vos<\/i> (em m&eacute;dia, voc&ecirc;s ganham 1 em cada 4 ocasi&otilde;es semelhantes), portanto 2 BB s&atilde;o \"vossas\". Dar o call tem, claramente, um EV positivo. Com o semi bluff voc&ecirc;s come&ccedil;am o ataque &agrave;s 6 BB remanescentes (tamanho do pot - equity) atrav&eacute;s de uma nova aposta. Claro que 25% da vossa aposta e 25% da do vosso oponente j&aacute; vos <i>pertence<\/i> de acordo com o princ&iacute;pio j&aacute; citado.Se ele largar a m&atilde;o, voc&ecirc;s poder&atilde;o ficar contentes de qualquer forma. Dando call, o investimento necess&aacute;rio para esta jogada ser&atilde;o apenas metade da aposta paga.<\/p><p> Na pr&aacute;tica, os custos reais desta jogada s&atilde;o ligeiramente superiores j&aacute; que existe a possibilidade de um raise advers&aacute;rio. Na eventualidade de um oponente dar call, voc&ecirc;s est&atilde;o a investir &frac12; BB para ganhar 6 BB. O r&aacute;cio investimento\/lucro &eacute; 0.5:6 = 1:12. O que quer dizer que o advers&aacute;rio s&oacute; tem de fazer fold em 8% dos casos para que o semi-bluff ter um EV+. (1:12 quer dizer que, em m&eacute;dia, voc&ecirc;s ganham uma em cada 13 ocorr&ecirc;ncias. A probabilidade de ganhar &eacute; ent&atilde;o 1\/13. 1\/13 extendido &agrave;s centenas &eacute; ~7.69\/100, logo perto de 8%. Tamb&eacute;m pode ser calculado de outra forma: em cada 100 jogos, voc&ecirc;s investem 100 BB e ganham +7.69*13 BB = ~100 BB)<br> Uma c&aacute;lculo mais preciso &eacute; muito dif&iacute;cil j&aacute; que s&oacute; sabendo exactamente a probabilidade de um oponente dar fold, raise, ou call &eacute; que seria poss&iacute;vel determinar se seria mais rent&aacute;vel o call ou o semi-bluff.<\/p><p> Neste contexto, um c&aacute;lculo muito mais rigoroso tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; decisivo.Este &uacute;ltimo exemplo demonstra que n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio que a probabilidade de um advers&aacute;rio largar a m&atilde;o seja demasiado elevada. Generalizando, verifica-se que quantos mais outs tivermos e quanto maior for o pot, menor ter&aacute; de ser a percentagem de folds do advers&aacute;rio.<\/p><p> Mantenham em mente que est&atilde;o a tentar induzir o vosso advers&aacute;rio num grande erro com um investimento francamente reduzido. Nesse sentido, ele n&atilde;o poder&aacute; defender-se contra esta jogada fazendo raise j&aacute; que ele tem de esperar uma m&atilde;o forte do vosso lado e n&atilde;o propriamente um semi-bluff. Novamente, est&aacute; demonstrada a necessidade de tornarmos o nosso estilo de jogo pouco previs&iacute;vel. O fold perante um semi-bluff &eacute;, por vezes, correcto j&aacute; que - pelo menos contra advers&aacute;rios mais fortes, capazes de largar m&atilde;os pouco rent&aacute;veis - um semi-bluff aumentar&aacute; o EV consideravelmente. Contra jogadores loose que d&atilde;o call com qualquer coisa, um semi-bluff &eacute;, naturalmente, n&atilde;o t&atilde;o lucrativo como no c&aacute;lculo anterior. O diferencial resulta ent&atilde;o do maior n&uacute;mero de folds considerados nos c&aacute;lculos anteriores.<\/p><p> Uma outra vantagem do semi-bluff, &eacute;, que no caso de atingirem alguma das cartas necess&aacute;rias, voc&ecirc;s conseguir&atilde;o extrair maior valor ao advers&aacute;rio j&aacute; que ele n&atilde;o reconhecer&aacute; que as cartas vos ajudaram. Por exemplo: Voc&ecirc;s desejam defender uma QT de um roubo, o flop vem K9X multicolor. Um check-raise no flop como semi-bluff ser&aacute;, certamente uma boa jogada aqui, j&aacute; que o oponente ter&aacute; de fazer o fold de diversas m&atilde;os que pdoeriam estar na origem da sua tentativa de roubo. Se ele tiver um K e o turn trouxer um J, ele n&atilde;o conseguir&aacute; discernir que est&aacute; batido. Neste caso ele teria de, necessariamente, violar o FTdP! Melhor imposs&iacute;vel.<\/p><p> Atrav&eacute;s do exemplo poderemos deduzir que: quanto maior for o pot, melhor ser&atilde;o as pot odds, o que quer dizer que os vossos advers&aacute;rios ter&atilde;o de fazer menos vezes fold para tornar o semi-bluff lucrativo. Sabe-se da teoria dos jogos que, quanto maior for o pot, menos vezes se dever&aacute; fazer o bluff, pelo menos contra jogadores de maior habilidade (comp 3.4.1). Na realidade, muitos jogadores n&atilde;o utilizam a sua estrat&eacute;gia de calls da forma mais adequada. Por isso mesmo os bluffs e os semi-bluffs ser&atilde;o mais rent&aacute;veis quanto maior for o pot.<\/p><p> A defesa contra o semi-bluff tamb&eacute;m poder&aacute; ser enquadrada como um aspecto do FTdP. S&oacute; dever&atilde;o ser considerados o fold ou o raise. Geralmente, dar o call n&atilde;o ser&aacute; t&atilde;o rent&aacute;vel como deixar o advers&aacute;rio ver uma carta de gra&ccedil;a. Como exemplo, utilizaremos o 3 bet como o nosso movimento stantard, estando out of position e detendo uma m&atilde;o forte contra apenas um advers&aacute;rio.<\/p><p> <b>Pre-flop:<\/b><\/p><p> Hero em UTG: <br> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/download\/content\/kartendeck\/as.jpg\" alt=\"\" hspace=\"2\" width=\"30\" height=\"40\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/download\/content\/kartendeck\/kh.jpg\" alt=\"\" hspace=\"2\" width=\"30\" height=\"40\">, <\/p><p> Hero faz o raise, e o BU d&aacute; call.<\/p><p> <b>Flop: <br> <\/b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/download\/content\/kartendeck\/kc.jpg\" alt=\"\" hspace=\"2\" width=\"30\" height=\"40\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/download\/content\/kartendeck\/6c.jpg\" alt=\"\" hspace=\"2\" width=\"30\" height=\"40\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/download\/content\/kartendeck\/2d.jpg\" alt=\"\" hspace=\"2\" width=\"30\" height=\"40\"><\/p><p> Hero aposta, BU faz o raise.<\/p><p> Neste caso, o Hero v&ecirc; a possibilidade de flush do advers&aacute;rio ou um K com pior kicker ou qualquer outra coisa que coloque o advers&aacute;rio atr&aacute;s e por isso faz a 3 bet para faz&ecirc;-lo pagar pelo seu draw. O advers&aacute;rio violou o FTdP e provavelmente vai sofrer as consequ&ecirc;ncias. O simples call seria um erro j&aacute; que exige muito pouco dele. No entanto, se o Hero <i>avaliou<\/i> mal a situa&ccedil;&atilde;o e o oponente tem um set, ou dois pares, ent&atilde;o foi o Hero que violou o FTdP e ir&aacute; ser penalizado por isso. Aqui novamente verifica-se a diferen&ccedil;a entre o estilo de jogo \"&uacute;til\" e <i>correcto<\/i> (de acordo com o FTdP). Como a probabilidade de o advers&aacute;rio estar num draw &eacute; muito maior, a 3 bet &eacute; adequada. Se o oponente tiver uma m&atilde;o melhor que a sua, o Hero, que est&aacute; a tentar seguir o FTdP, ser&aacute; apanhado numa armadilha e ser&aacute; literalmente for&ccedil;ado a violar o teorema. Afinal de contas, o Poker &eacute; inegavelmente um jogo de informa&ccedil;&atilde;o incompleta. &Eacute; tudo uma quest&atilde;o de probabilidades!<\/p><p><\/p><h2>4.4.2. A Continuation Bet<\/h2><p>A continuation bet no flop tamb&eacute;m ter&aacute; de ser vista no contexto do FTdP. Se no flop n&atilde;o atingiram qualquer carta na mesa e mesmo que de momento n&atilde;o tenham a melhor m&atilde;o, podem tentar roubar o pot atrav&eacute;s de uma continuation bet em determinados contextos. Nesse sentido ser&aacute; um mero bluff (se praticamente n&atilde;o tiverem outs), ou por outro lado ser&aacute; um semi-bluff (caso tenham alguns outs).<\/p><p> Se n&atilde;o apostarem, o advers&aacute;rio tamb&eacute;m n&atilde;o poder&aacute; fazer fold. Neste caso espec&iacute;fico, a vossa viola&ccedil;&atilde;o do FTdP induz o vosso oponente num erro ainda maior que &eacute; dar o fold. A &uacute;nica coisa que o advers&aacute;rio sabe &eacute; que est&aacute; a enfrentar uma m&atilde;o (relativamente) forte e &eacute; colocado sob press&atilde;o pela nova aposta no flop. Aqui ele poder&aacute; facilmente errar j&aacute; que o pr&oacute;prio call poder&aacute; revelar-se um erro.<\/p><p> A situa&ccedil;&atilde;o no Turn &eacute; algo mais complexa. King Yao (p. 208) d&aacute; o seguinte exemplo:<\/p><p> <b>Pre-flop:<br> <\/b><br> Hero tem:<br> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/download\/content\/kartendeck\/ak.jpg\" alt=\"\" hspace=\"2\" width=\"30\" height=\"40\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/download\/content\/kartendeck\/qh.jpg\" alt=\"\" hspace=\"2\" width=\"30\" height=\"40\"> <\/p><p> Hero faz o open-raise mas um jogador loose na BB d&aacute; o call. <\/p><p> <b>Flop:<\/b> <br> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/download\/content\/kartendeck\/kc.jpg\" alt=\"\" hspace=\"2\" width=\"30\" height=\"40\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/download\/content\/kartendeck\/7s.jpg\" alt=\"\" hspace=\"2\" width=\"30\" height=\"40\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/download\/content\/kartendeck\/6h.jpg\" alt=\"\" hspace=\"2\" width=\"30\" height=\"40\"><\/p><p> Oponente d&aacute; check, o Hero aposta, e novamente o Oponente faz call, <\/p><p> <b>Turn: <br> <\/b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pokerstrategy.com\/download\/content\/kartendeck\/2d.jpg\" alt=\"\" hspace=\"2\" width=\"30\" height=\"40\"><\/p><p> Se o Hero apostar novamente, o oponente ir&aacute; dar call com qualquer par. N&atilde;o obstante, o Hero possibilita ver o River de gra&ccedil;a no caso de o oponente n&atilde;o ter qualquer par. Al&eacute;m disso, ele tem a possibilidade que o seu advers&aacute;rio mais loose d&ecirc; call ao seu gut shot aumentando o seu EV. Este problema torna-se ainda mais interessante se o virmos da perspectiva do advers&aacute;rio. Se ele segurar T9 ou T8, ele realmente n&atilde;o sabe quantos outs realmente disp&otilde;e. J&aacute; que se o Hero tiver por exemplo KQ e atingi-lo, ele ter&aacute; apenas 4 outs e um call seria ent&atilde;o penalizador. Se o Hero n&atilde;o tiver concretizado o seu draw (e nenhum pocket pair), ele ter&aacute; 10 outs e um call seria, desta forma, lucrativo. N&atilde;o sabendo se tem 4 ou 10 outs, se ele assumir 7 outs descontados, deix&aacute;-lo-ia sem as pot odds necess&aacute;rias. A continuation bet do Hero no turn estaria a dar-lhe uma nova oportunidade para errar e de tomar a decis&atilde;o incorrecta.<\/p><h1>5. Pot Odds e Odds Impl&iacute;citas<\/h1><h2>5.1. Liga&ccedil;&atilde;o ao Pote<\/h2><p>A mensagem do FTdP de Slansky que um advers&aacute;rio ganha quando tu te perdes, refere-se principalmente a situa&ccedil;&otilde;es de heads-up. Se estiverem envolvidos diversos jogadores, &eacute; poss&iacute;vel que percam um pouco para alguns jogadores mas tamb&eacute;m podem ganhar bem mais a  outros, tornando o vosso EV positivo. Este &eacute; o caso dos draws muito fortes ou m&atilde;os iniciais especulativas que, se completadas n&atilde;o dar&atilde;o praticamente qualquer hip&oacute;tese aos advers&aacute;rios. Com efeito no caso de serem concretizadas, estas m&atilde;os s&atilde;o t&atilde;o fortes que dar&atilde;o muito poucas hip&oacute;teses de redraw aos advers&aacute;rios. Desta forma consegue-se muitos ganhos com draws muito fortes ainda que seja exigido um investimento diminuto.<\/p><p> Slansky utiliza o exemplo de fazer um raise com A8s contra jogadores loose em que 5 jogadores fizeram limp anterioremente (HPFAP, p. 173). Como um programa de simula&ccedil;&atilde;o facilmente demonstra, a equity de um A8s &eacute; consideravelmente abaixo da m&eacute;dia. &Agrave; primeira vista, um raise parece ser absurdo. O ponto decisivo &eacute; que a vossa equity aumenta enormemente se atingirem 2 cartas de cor no flop. Nesse caso perto de 1\/3 do pot pertence-vos j&aacute; que perto de 1\/3 dos casos o flush ser&aacute; completado at&eacute; ao river (9\/47 + 38\/47*9\/46 = aproximadamente 0.35). Jogadores que tenham, por exemplo, um bottom pair, que ter&atilde;o agora, pelo menos, pot odds de 12:1, reduzem a equity de jogadores que tenham p.ex. top pair, porque esta m&atilde;o n&atilde;o &eacute; assim t&atilde;o forte e ainda pode perder.<\/p><p> No entanto, a nossa equity n&atilde;o vai ser muito afectada porque n&oacute;s, muito provavelmente, ganharemos se atingirmos algo no board. Gra&ccedil;as ao nosso raise pre-flop, n&oacute;s  <i>melhoramos<\/i> as pot odds por cada draw fraco no flop, mantendo outros jogadores na jogada. Se atingirmos a nossa m&atilde;o, &eacute; exacamente o que queremos: prendemos os jogadores loose &agrave; sua m&atilde;o e extrair-lhe-emos o seu dinheiro no caso da nossa m&atilde;o se completar. Este facto torna o raise pre-flop apetec&iacute;vel apesar de uma menor equity. &Eacute; como se cometessemos um <i>pequeno <\/i>erro pre-flop para posteriormente for&ccedil;ar os advers&aacute;rios a cometerem erros ainda maiores e penalizadores. Poder&aacute; ser feita a mesma jogada com suited connectors e pequenos pocket pairs assim como Axs.<\/p><h2>5.2. Protec&ccedil;&atilde;o<\/h2><p>O conceito estrat&eacute;gico de aumentar as pot odds dos oponentes para prend&ecirc;-los ao pot tamb&eacute;m pode ser revertido. Voc&ecirc;s poder&atilde;o diminuir as pot odds para afugent&aacute;-los da jogada. &Eacute; a chamada <i>protec&ccedil;&atilde;o<\/i>. Esta dever&aacute; ser utilizada quando acreditarem deter a m&atilde;o mais forte no momento mas quando &eacute; ainda vulner&aacute;vel, p. ex. top pair com um bom kicker numa mesa que permite draws. Tentaremos explicar o conceito, utilizando um exemplo facilmente generaliz&aacute;vel.<\/p><p> Se, por examplo, no flop existem j&aacute; 8 SB no pot e um oponente faz uma bet, um jogador que acredite deter neste momento a melhor m&atilde;o deveria fazer o raise. Os outros advers&aacute;rios que detenham draws fracos como um gut shot (necessitando 11:1 pot odds), e n&atilde;o tendo ainda feito o call, ter&atilde;o dificuldades em o fazer.<\/p><p> No entretanto, 8+1+2=11 SB dever&atilde;o j&aacute; estar no pot mas eles ter&atilde;o de pagar 2 SB, detendo portanto pot odds de 5.5:1. De acordo com o princ&iacute;pio de equity eles deveriam abandonar a m&atilde;o e desistir da \"sua\" parcela do pot. Se eles derem o call, estar&atilde;o a pagar excessivamente pelos seus draws. Para efeitos ilucidativos, comparem esta hip&oacute;tese com o caso em que o jogador que pensa estar &agrave; frente d&aacute; o simples call:<\/p><p> Agora est&atilde;o 10 SB no pot e os restantes jogadores s&oacute; t&ecirc;m de pagar 1SB, tendo pot odds de 10:1. Eles podem dar um call lucrativamente e manter a sua parcela de  equity tranquilamente. O raise leva o jogador &agrave; chamada win\/win situation. Ou ele rouba a parcela do pot que pertencia ao advers&aacute;rio, ou leva-o a um cometer um grave erro. Qualquer das situa&ccedil;&otilde;es seria vantajosa!<\/p><h2>5.3. Bad Beat<\/h2><p>Neste contexto, vamos adicionar uma nota acerca das poss&iacute;veis bad beats: S&oacute; pelo facto dos advers&aacute;rios cometerem erros &ndash; como visto no exemplo em que um jogador daria um call sem as pot odds necess&aacute;rias &ndash; n&atilde;o quer dizer que eles perder&atilde;o todas essas m&atilde;os, e adicionalmente, o facto de voc&ecirc;s pr&oacute;prios n&atilde;o cometerem erros n&atilde;o implica que ganhem no curto prazo.<\/p><p> Todos n&oacute;s j&aacute; pass&aacute;mos por aquelas situa&ccedil;&otilde;es em que t&iacute;nhamos a melhor m&atilde;o at&eacute; ao river, construindo um grande pot mas em que acab&aacute;mos por perd&ecirc;-lo pois o advers&aacute;rio acabou por atingir a sua carta milagrosa. A raiva &eacute;, como &eacute; &oacute;bvio, compreens&iacute;vel, mas, na realidade, desajustada. Se um advers&aacute;rio agiu assim sem as pot odds adequadas, ele cometeu um erro de acordo com o teorema de Slansky (ou ent&atilde;o n&atilde;o quer mesmo saber das probabilidades e &eacute; um fish). <\/p><p> &Eacute; f&aacute;cil calcular qu&atilde;o grande o erro foi, veja-se qu&atilde;o improv&aacute;vel era a vit&oacute;ria dele face &agrave; propor&ccedil;&atilde;o do pot. N&atilde;o obstante, ele ganhou-o. Isto quer dizer que este jogador ganhou uma vez &ndash;e n&oacute;s perdemos dinheiro ainda que jogando correctamente &ndash;, mas ele repetir&aacute; o seu erro tantas vezes que que lhe ganharemos dinheiro num horizonte de longo prazo. De facto, deviam estar era felizes de ter um jogador destes na mesa. Se se sentarem numa mesa em que n&atilde;o ocorrem bad beats, talvez seja melhor pensarem em abandon&aacute;-la pois os vossos advers&aacute;rios cometem poucos erros e isso n&atilde;o &eacute; lucrativo!<\/p><h1>6. Ideia Geral e Recapitula&ccedil;&atilde;o<\/h1><p>Este artigo dever&aacute; ser apenas um est&iacute;mulo a pensarem mais no FTdP e nas suas consequ&ecirc;ncias no jogo. Este t&oacute;pico pode ser estudado quase infinitamente. O estudo dos dados do Poker Tracker e a observa&ccedil;&atilde;o das sequ&ecirc;ncias de bets dos vossos advers&aacute;rios, por exemplo, levarvos-&aacute; a detectarem lacunas  nos seus jogos, falhas essas que dever&atilde;o explorar exaustivamente! <\/p><p> Algumas das abordagens com este objectivo j&aacute; tinham sido realizadas anteriormente. Mantenham em mente que qualquer abordagem ter&aacute; sempre a base comum do FTdP. Voc&ecirc;s sempre tentar&atilde;o provocar erros maiores nos advers&aacute;rios atrav&eacute;s das vossas pequenas viola&ccedil;&otilde;es do teorema, desviando-se da linha de jogo &oacute;ptima caso soubessem todas as cartas em jogo; ou ent&atilde;o tentar&atilde;o fazer o vosso advers&aacute;rio pagar caro pelos seus erros, tentando seguir a linha de jogo &oacute;ptima. &Eacute; &oacute;bvio que isto n&atilde;o pode funcionar a todo momento, j&aacute; que o poker &eacute; &ndash; como tem sido real&ccedil;ado ao longo de todo o artigo &ndash; um jogo de informa&ccedil;&atilde;o incompleta e principalmente de probabilidades, mas o esfor&ccedil;o para ter em conta estas ideias e conceitos  ajudar-vos-&aacute; a aperfei&ccedil;oarem habilidades t&eacute;cnicas e a melhorarem de uma forma significativa o vosso jogo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O famoso jogador americano, te\u00f3rico e reconhecido autor de livros de poker David Slansky formulou, o que era, na 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