06/16/2010
I - Objectivos propostos
O meu principal objectivo com esta candidatura à medalha de mérito é participar! Não tenho muita ambição de ganhar, especialmente porque - como verão mais adiante - não teria no momento imediato utilidade para dar à session review (mas se pudesse guardar para depois, aí já era bem bom!). Alguns dirão que se eu não tenho ambição de ganhar, então não deveria participar, mas eu achei que esta participação é absolutamente obrigatória pois vejo na medalha de mérito um projecto inestimável para os membros da pokerstrategy, em que nos estimulam a fazer um plano com pés e cabeça, a trabalhar bem para o conseguir, e por fim nos dão uma recompensa digna do esforço - a ajuda a evoluir como pretende quem aqui se candidata! Nada poderia ser melhor para um aprendiz sério, e então não podia deixar de dignificar tal iniciativa com o mínimo que posso oferecer - a minha participação.
Quanto ao poker propriamente dito também tenho um objectivo principal, que provavelmente é muito diferente da maioria dos que temos visto aqui em todo o fórum (não apenas dentro deste concurso, que tem pouca amostragem por enquanto), porque não se reveste de ambição de grandes ganhos, nem do desejo de obtenção de novos conhecimentos estratégicos. Estou numa fase mais Zen, porque o jogo tem muito de estratégia mas também tem muito de psicologia, disciplina e equilíbrio, que são os aspectos que mais preciso de trabalhar agora. Assim, o meu grande objectivo é relaxar, levar o poker com toda a calma, e conseguir colocá-lo numa posição adequada dentro da minha vida, sem o deixar ocupar o espaço dedicado às outras coisas. Pretendo conseguir, no fim deste desafio, conseguir sair de sessões das mais horríveis sem ficar rabugento o dia todo, pretendo conseguir maximizar os bónus que a FTP me oferece com o mínimo de stress, e pretendo sobretudo e acima de tudo, ser feliz.
Se conseguir alcançar o objectivo, espero conseguir resultados positivos "colaterais" para o meu jogo, que surgirão naturalmente: uma postura mais calma nas mesas permitirá pensar e avaliar melhor cada jogada que faço, um desprendimento maior dos resultados permitirá evitar a entrada no tilt, e uma atitude de humildade permitirá reflectir melhor sobre os erros que cometo, para os poder eliminar.
O desafio que tenho em mãos é puramente psicológico, e como tal não carece de uma estratégia específica nas mesas: desde que jogue com concentração, vontade e descontracção, os resultados não interessam. No entanto, fora das mesas, e na conjugação do poker com a restante vida, é importante gerir o tempo e definir regras. Assim,
1) Quando possível jogarei na happy hour, para rentabilizar para o dobro o ganho de FTPs. Se não for possível jogar na happy hour, não vou stressar quanto a isso e jogarei quando puder.
2) Jogarei apenas o suficiente por dia para alcançar os FTPs desejados com vista ao estatuto Iron Man, terminando a sessão assim que estes sejam alcançados independentemente de como esteja a correr. Esta é uma medida de disciplina, pois já sei que consigo jogar muito... mas será que consigo jogar pouco? NOTA: estou em época de exames cruciais na faculdade, e é essencial passar todos à primeira - bem difícil com bolonha. Isto também é um motivo para querer disciplinar-me em jogar POUCO, porque preciso de estudar MUITO.
3) Não irei dedicar tempo nenhum a estudo no poker. Neste momento preciso de aprender a controlar a componente emocional, e dedicar-me-ei a isso 100%. O facto de deixar o estudo avançado - com a promessa de lucros que aí reside - só para depois de controlar este aspecto é mais uma motivação para o conseguir. No entanto, ainda assim pretendo evoluir o meu jogo em termos técnicos, pois como já disse acima, almejo conseguir um jogo mais ponderado e com menos erros.
II - Análise do field
Isto pode parecer surpreendente, mas vou jogar principalmente RUSH POKER. Dirão que isso é contra-intuitivo, afinal se eu quero é jogar com calma o Rush é o oposto do que procuro! Contraponho com a seguinte explicação: a calma que eu procuro não é no jogo, mas sim em mim. Não interessa a velocidade a que jogo, mas a atitude com que o faço. Quero jogar Rush porque, precisamente por ser mais rápido e mais imprevisível, é mais difícil de manter uma atitude neutra e relaxada, o que o torna no campo de treino ideal - quanto mais exigente o professor, mais aprenderá o aluno!
Além disso, não vou usar nenhum programa auxiliar.
Essa é que é a gota de água, dirão, mas qual é que é a explicação para essa agora? Bem, a explicação é que os meus objectivos neste momento não são de maximização de lucros, mas sim de atitude enquanto jogador, o que torna a utilização ou não de estatísticas irrelevante - ou seja, poderia utilizar na mesma! Mas infelizmente, e por motivos informáticos, fiquei impossibilitado de usar esse tipo de programas e entretanto queria retomar o seu uso, mas isso exigiria um processo de aprendizagem e de saber lidar com as informações que recebo, com um output lógico em relação a elas, necessitando de estudo. E como disse antes, até que conclua esta fase da minha aprendizagem, não vou estudar. Por outro lado, ao jogar sem estatísticas estou perante uma situação de poker mais "puro", na medida em que quando um adversário faz alguma coisa, vou ter que puxar pela cabeça para perceber o porquê dessa coisa em vez de simplesmente consultar um número para decidir o que vem a seguir. Isto é mais um estímulo ao processo de reflexão que também pretendo melhorar!
Assim, o field que vou ter é mesas de rush sem informação sobre os adversários, ou seja, um mar ondulante de jogadores anónimos! Existirão regulares fracos e fortes, existirão donkeys normais ou com sortes, estarei frente a tudo. E aprenderei a lidar com tudo, mão por mão, passo a passo, sem stress e sem zangas ou frustração. Para já, é só o que quero, aprender a ser feliz. No futuro, quando tiver alcançado e evoluído nesta etapa, aí sim vou aprender a jogar para ganhar a sério, e querer session reviews! ♠_thumbsup:
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23/06/2010
III - Dificuldade e problemas encontrados
Bem, a componente emocional do poker é mesmo muito gira e traquinas. É curioso constatar como este objectivo de jogar com calma e sem deixar as emoções interferir é tão fácil quando se está a runnar bem... Pois é, eu estava aqui todo contente, posso mesmo dizer espantado, com os progressos a olhos vistos que tinha feito, quando a meio do mês estava a jogar com uma concentração de águia, com brilhantes capacidades dedutivas para fazer e caçar moves, a aproximar-me da minha maior winrate de sempre, e sair de todas as sessões conseguindo esquecer-me do poker até ao dia seguinte, fazendo a minha vidinha sem stress nem amarguras. Mas também, estive praticamente até essa altura sem uma má sessão que fosse!
Tudo mudou de figura quando comecei a runnar mal há 5 dias atrás e consegui perder nestes ditos 5 dias um pouco mais de 10BIs. Pois é, aqui é que a porca torce o rabo. Eu costumo dizer que resisto bem ao tilt, vou pensando no longo prazo e não guardo rancores sobre aquelas bad beats horrendas que tantas vezes vemos a ser contadas e voltadas a contar por quem as apanha. Tento ao máximo não modificar o meu jogo, e até achava que conseguia fazer isso bem. Mas agora após análise detalhada vejo que não é bem assim. É verdade que eu não me "passo dos cornos", não atiro objectos, não estrago a mobília, nem vou all-in com any2. Mas estou a reparar agora num detalhe: jogo mais depressa... clico mais rápido... Ora, eu sei que não jogo de forma abertamente diferente, não fico claramente maníaco (embora já tenha reparado antes numa tendência a abrir o range), mas a verdade é que o ritmo dos meus cliques fica mais rápido. Qual poderá ser o significado disto? Claramente, as minhas capacidades dedutivas não aumentam com a frustração, pelo que provavelmente este aumento de velocidade a jogar significa que penso menos. E mesmo assim quando digo que jogo igual, isso é verdade; sigo as mesmas estratégias, faço os mesmos moves. Mas então, porque é que em sessões como a de hoje, em que nem tive nenhum bad-beat significativo, perdi 2BIs? Porque é que as situações em que me envolvi correram sempre mal, nunca passou nenhum bluff, nunca extraí valor dos monstros? Algum azar talvez, mas vai daí a melhor justificação é mesmo o jogar depressa. Porque se eu jogo mais depressa porque penso menos, então é natural que, embora eu faça os mesmos moves e os mesmos hero calls, estes dêm torto. Porque são jogadas que precisam de ser pensadas, e sem pensar bem não se consegue ter a noção perfeita dos spots adequados para as realizar. Ora, o resultado de jogar à herói sem noção do timing é que afinal, se calhar - e ao contrário do que eu ostentava com orgulho - até fico um bocado maníaco. Lá se vai a resistência ao tilt.
IV - Descrição dos resultados
Pois bem, faltam 2 dias para alcançar a minha prata da praxe no Iron Man, e o que no dia 17 estava a ser o meu melhor mês de sempre em resultados brutos, leva agora um lucro tão marginal que nem sei se dá para o levantamento habitual do fim do mês. Isso em si pouco importa, mas importa o que aconteceu à minha psique em consquência: OBJECTIVO FALHADO. Embora já tenha alcançado uma certa capacidade de abstracção, ainda não consigo estar acima dos resultados. Este aspecto mantém-se, portanto, um work in progress. E hei de lá chegar um dia.
O outro objectivo (o muito fácil), está a 2 dias de ser cumprido. Upload de imagem quando o concluir.

V - Conclusões
Se, por um lado, falhei no meu objectivo principal, a verdade é que retirei um aspecto muito positivo deste desafio: auto-análise. Consegui analisar mais a fundo e reflectir mais profundamente sobre o meu estado de tilt, e perceber que afinal andei este tempo todo enganado e a verdade é que também sou muito vulnerável nesse aspecto. Como é que vou resolver isso? Ainda não sei. Acho que a estratégia que defini inicialmente para este desafio é, de momento, a melhor aproximação que tenho ao problema. E o facto de o ter identificado é meio caminho andado. Doravante vou ter mais atenção à velocidade dos meus tilt-cliques, e abrandar quando detectar anomalias.
De resto, também concluí que a runnar bem todos os santos ajudam, e não é com resultados de upswing que se avalia a nossa capacidade psicológica. É no vermelho que se aprende o auto-controlo!
Embora a amostra seja pequena, não vi (nem fiz...
) nenhum comentário aos participantes do mês passado. Mas como optei por uma abordagem tão unusual no meu desafio, gostaria de saber o que pensam disto tudo, podem também perguntar o que quiserem.