James Akenhead: De Motorista de Comboios a Profissional de Poker
O Full Tilt Pro, membro da Hitsquad e November Niner do WSOP 2009, James Akenhead, teve que percorrer um longo caminho desde a altura em que era motorista de comboios. Nesta entrevista, o profissional britânico fala sobre os seus maiores sucessos e arrependimentos na sua carreira de poker.

PokerStrategy.com: Como é que entraste no mundo do poker?
James Akenhead: Eu costumava jogar muito pool e snooker. No clube em que jogava havia um grupo de rapazes, maioritariamente chineses, que realizavam jogos ao Sábado à noite no seu restaurante depois de fechar.
Eles convidaram-me uma noite e fiquei desde logo viciado. Sempre fui um gambler, mas isto era diferente, um jogo em que a capacidade do jogador está envolvida e do qual podemos fazer vida? O meu coração estava preso.
PokerStrategy.com: Quando é que percebeste pela primeira vez que podias viver à custa do jogo?
James Akenhead: Continuei a jogar o máximo possível, maioritariamente ao vivo no velho Gutshot Club em Londres e ocasionalmente online. Tinha acabado de arranjar emprego como motorista de comboios, por isso era difícil ter algum tempo livre, mas sempre que possível lá estava eu a jogar. No emprego tinha sempre um livro de poker no meu saco para ler durante o almoço ou em qualquer oportunidade que surgisse, e dei por mim a ter melhores resultados no poker.
Comecei a ganhar torneios, em vez de chegar apenas às fases finais. Em 2005 ganhei o evento de £250 no Gutshot passadas duas semanas de ter ganho o evento semanal de £100, o que me deixou com um pequena banca agradável. Muitas pessoas ganham alguns torneios e ficam desde logo a pensar que já sabem tudo e que podem fazer vida disso, apenas para descobrir mais tarde que é mais difícil do que aquilo que pensavam... Eu fui uma dessas pessoas.
PokerStrategy.com: Qual é a tua variante do jogo favorita?
James Akenhead: Estou sempre a ouvir dizerem que NLH é aborrecido de jogar, mas isso normalmente vem daqueles jogadores que acabaram de descobrir Pot Limit Omaha. PLO é acção pura, pois é um jogo jogado maioritariamente no pós-flop, onde muita gente não faz fold pré-flop e há muito gamble envolvido.
Adoro jogar PLO, apesar de não ser onde ganho a vida e ser mais gamble. Não concordo com as pessoas que dizem que NLH é aborrecido, adoro essa variante e penso que é espectacular, um jogo complexo e não sei se alguma vez ficarei farto dele.

PokerStrategy.com: Qual é a tua mão favorita que jogaste na tua carreira e porquê?
James Akenhead: A minha mão favorita, como é lógico, é o KQ da mesa final do Main Event do WSOP de 2009. Nessa altura tinha menos de 10 BB e fiz shove de abertura. O Steve Begleiter deu call e depois o Eric Buchman respondeu com um re-raise. Sabia que ia ter sérias dificuldades!
O Steve acabaria eventualmente por fazer fold e eu estava na luta pela sobrevivência no torneio com KQ vs. AK. Tinha lá todos os meus apoiantes, 60-70 fãs, a pedir a Dama. As coisas não pareciam estar a meu favor quando no flop surgiu J-3-2 e no turn veio um Rei. Lembro-me do Eric festejar como se a mão já tivesse terminado, mas na realidade essa carta não alterava nada.
Agora os meus apoiantes estavam a fazer barulho como nunca, faltava sair uma carta... Dama de Espadas no river - que sensação! Os meus apoiantes entraram em delírio. Pode ter sido o maior momento da minha vida.
PokerStrategy.com: Que adversários menos gostarias de ter ao teu lado numa mesa?
James Akenhead: Não tenho medo de ninguém quando estou a jogar. Tenho respeito por muitos jogadores e até gosto mais de jogar contra eles do que propriamente ter receio. Acho que o Phil Ivey é o melhor jogador do mundo, já jogamos muitas vezes juntos e foi sempre divertido.
PokerStrategy.com: Qual é o teu local preferido para jogar poker?
James Akenhead: Já viajei um pouco por todo o mundo para jogar torneios em quatro continentes diferentes, mas não há nada que se compare à atmosfera de Las Vegas, especialmente o Rio durante o WSOP. Vamos até lá no Verão durante dois meses e sim, o calor pode ser demasiado, mas estou sempre ansioso por voltar novamente.

PokerStrategy.com: Que regras tens no que diz respeito a gestão de banca?
James Akenhead: A gestão de banca é o factor mais importante para ser um profissional bem sucedido. Podes ser o melhor jogador do mundo e não interessaria se a tua gestão de banca fosse má.
Nunca deves ter mais do que 5% da tua banca investida num único jogo e menos é ainda melhor. Assim que passares a utilizar uma gestão de banca correcta, vais apreciar ainda mais as vitórias. A minha gestão de banca era bastante má quando comecei a jogar como profissional e arrependo-me muito disso.
PokerStrategy.com: Quais são os teus melhores amigos no poker? Gostas de jogar contra eles?
James Akenhead: Sou amigo de muitos jogadores do Reino Unido. Viajamos juntos, divertimo-nos e apreciamos a companhia uns dos outros.
Obviamente que preferia não me sentar na mesma mesa que eles, mas temos a vantagem de poder falar melhor sobre as mãos no intervalo ou no final do dia.
PokerStrategy.com: E finalmente, qual é o conselho mais importante que darias a alguém que esteja a pensar virar profissional?
James Akenhead: O meu melhor conselho para alguém que esteja a pensar abandonar o seu emprego para virar profissional de poker é que prepare muito bem a sua estrutura de gestão de banca. É mais fácil de o fazer se for um jogador de poker online, mas até mesmo para um profissional de poker ao vivo é muito importante registar tudo, quer sejam jogos a dinheiro ou torneios.
Só comecei a registar os meus próprios dados e resultados há dois anos e isso fez uma grande diferença. Agora, com a ajuda de gráficos posso ver onde estou a ganhar/perder mais, a quantidade que estou a jogar, e os meus ganhos e perdas para cada dia/semana/mês/ano. É uma grande recomendação.
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