Atualizado em 07 Jul 26 por

Tipos de apostas - a Continuation Bet

Introdução

Neste artigo

  • O objectivo das continuation bets
  • O papel da posição
  • Continuation bets no turn

Quando não tens um par de mão, só em 1/3 das ocasiões é que vais conseguir acertar no flop numa mão feita (par ou melhor) ou num draw forte. Normalmente, quando o teu raise pré-flop recebe call, tu não tens uma mão com a qual podes continuar a jogar no flop.

Por outro lado, os teus adversários estão na mesma situação. Os casos em que ninguém tem uma mão que valha a pena mostrar acontecem muito raramente. É aqui que o facto de obtém uma vantagem decisiva ao ser-se o agressor no pré-flop: A tua aposta/raise antes do flop foi um sinal de força dado aos teus adversários.

Isso permite-te representar uma mão forte. Isso pode ser suficiente para afugentar adversários com mãos marginais, como por exemplo pequenos pares de mão e top pairs fracos, as quais te derrotariam. Os adversários ficam tão intimidados com a tua acção no pré-flop que se sentem obrigados a abandonar as suas mãos marginais, apesar de nessa altura terem a melhor mão.

Podes ganhar muitos potes sem acertar no flop se deres continuidade à tua agressão no pré-flop. Esta aposta que pretende dar continuidade à tua história do pré-flop e ganhar o pote imediatamente é a denominada continuation bet, ou contibet abreviado.

Este artigo vai-te apresentar os factores que determinam se a tua continuation bet vai ser ou não rentável. Vais aprender a matemática por detrás deste movimento e as condições que esta deve cumprir para que alcance o sucesso prometido. Também vais aprender sobre continuation bets retardadas (quando esperas pelo turn para dar continuidade à tua agressão pré-flop) e segundos barris (quando utilizas uma segunda continuation bet no turn depois de receberes call no flop).

A Teoria

O princípio das continuation bets

A continuation bet é uma aposta no ou a seguir ao flop do mesmo jogador que fez o último raise na ronda pré-flop. O nome exprime bem a finalidade desta aposta: o agressor do pré-flop continua a sua agressão no flop e aposta (com a intenção de ganhar a mão com a sua aposta), apesar de não ter acertado em nada.

Uma aposta é uma continuation bet quando:

  • A aposta é feita pelo agressor pré-flop, o que significa que ele fez raise antes do flop e tem a iniciativa (o que significa que ele também foi o último jogador a fazer raise no pré-flop).
  • É permitido ao agressor pré-flop apostar no flop, ou seja, a sua aposta não é um raise.
  • O jogador que efectua a contibet falhou o flop, o que significa que não tem nem uma mão feita, nem um draw forte.

Portanto, utilizámos uma continuation bet quando fomos o agressor no pré-flop e não acertámos nada no flop, mas pensámos que temos boas hipóteses de ganhar a mão com uma aposta.

Tiras partido do facto dos teus adversários falharem o flop muitas vezes e utilizas a tua imagem forte que criaste no pré-flop para ganhar o pote com um bluff.

A demonstração de força com o teu raise no pré-flop muitas vezes é o suficiente para intimidar os teus adversários e ajudar a continuation bet a ter sucesso..

A matemática

Tal como com todos os outros bluffs, o tamanho da aposta e a probabilidade de sucesso estão em relação próxima um com o outro quando se trata de determinar o EV.

Exemplo:

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$50) (10 handed)

Hero ($51.00)
SB ($48.00)

 

Pre-flop: Hero is CO with K, A .
6 folds, Hero raises to $2.00, 1 folds, SB calls $1.75, 1 folds.

Flop: ($4.50) T , 2, 9 (2 players)
SB checks, Hero?;

Todos os factores acima mencionados e que definem uma continuation bet entram aqui em jogo. Resta-nos saber quantas vezes teremos que ganhar aqui o pote com esta aposta por bluff para que seja um movimento +EV?

CENÁRIO A:

Fazes uma continuation bet de $1,50 (um terço do tamanho do pote). Isto corresponde a pot odds de 3:1. Portanto, tens que ganhar o pote em mais de 25% dos casos para obter lucro.

CENÁRIO B:

Fazes uma continuation bet de $2,25 (meio pote) para ganhar $4,50. Isto corresponde a pot odds de 2:1. Portanto, terás que ganhar o pote em mais de 33% dos casos para obter lucro.

CENÁRIO C:

Fazes uma continuation bet de $3 (dois terços do pote) para ganhar $4,50. Isto corresponde a pot odds de 1.5:1. Portanto, terás que ganhar o pote em mais de 40% dos casos para obter lucro.

CENÁRIO D:

Fazes uma continuation bet de $4,50 (do tamanho do pote) para ganhar $4,50. Isto corresponde a pot odds de 1:1. Portanto, terás que ganhar o pote em mais de 50% dos casos para obter lucro.

Consegues ver a lógica:

Quanto maior for a tua continuation bet, mais vezes terá de ter sucesso para que se torne rentável.

Outs adicionais

Agora há situações como no exemplo acima, em que temos alguns outs adicionais, com os quais também podemos ganhar a mão, se o adversário fizer call à continuation bet no flop.

No exemplo em cima tens um draw fraco com overcards. Portanto, restam-nos em heads up cerca de 4 outs descontados, caso o adversário faça call e não venças a mão com a contibet. Também temos de ter em conta esta possibilidade ao fazer os cálculos.

Se assumirmos ganhar mais $10 do adversário em média se ele fizer call no flop e acertarmos um dos nossos 4 outs vencedores, temos os seguintes possíveis desfechos da mão:

CENÁRIO A:

O adversário faz fold no flop contra a continuation bet e ganhamos os $4,50.

CENÁRIO B:

O adversário faz call à continuation bet. Temos uma probabilidade de cerca de 8.5% de acertar um dos nossos 4 outs no turn e ganhar mais $10. A probabilidade de não acertar nenhum dos outs é portanto 91.5% e se for o caso fazemos fold e perdemos os $2,50 que apostámos no flop. Em média perdemos então no caso de ele fazer call: 0.085 * $10 + 0.915 * (-$2.5) = -$1.4375

Agora podemos calcular o número de vezes que o adversário terá de fazer fold para que esta jogada acabe pelo menos break even, ou seja +/- 0.

0 = Pfold * $4.5 + (1 – Pfold) * -$1.4375

resulta em: Pfold = 0.24

Portanto, mesmo tendo em conta os outs adicionais para acertar uma das overcards, o adversário terá de fazer fold em mais de 24% dos casos contra a nossa continuation bet para que esta jogada tenha um +EV (valor esperado positivo).

É claro que esta conta aqui está muito simplificada. O número exacto de outs e também o lucro extra se acertarmos um dos outs é só uma estimativa.

No entanto deve ter ficado claro como os outs adicionais mudam a percentagem de sucesso que temos de ter com a continuation bet. Parecido com esta situação em cima são também os gutshot straight draws. Normalmente: quanto mais o adversário gosta de pagar apostas, melhor se torna a existência de outs adicionais.

Factores importantes quando se utiliza a continuation bet

Como sabes, as continuation bets têm o objectivo de ganhar o pote directamente. A sua probabilidade de sucesso depende fortemente dos seguintes factores:

  • A textura da board - É provável que o teu adversário tenha acertado numa mão feita ou num bom draw?
  • A textura da board - Podes representar uma mão feita forte?
  • O número de adversários na mão e qual a probabilidade de fazerem call.
A textura da board

A textura da board é determinada por 3 factores:

  • O tamanho das cartas
  • Conectividade
  • Naipes (suitedness)

Quanto mais podemos ligar a board a um destes factores, maior a probabilidade de um adversário ter acertado algo e menor, portanto, a probabilidade de sucesso da continuation bet.

EXEMPLO 1:

O flop é Q J T.

Este flop é muito perigoso, pois é bem possível o(s) adversário(s) ter(em) acertado alguma coisa. Três cartas relativamente altas com um alto grau de conectividade e suitedness são um bom argumento contra uma continuation bet.

EXEMPLO 2:

O flop é K 7 2.

Neste flop é bem menos provável o(s) adversário(s) ter(em) acertado alguma coisa. Apenas uma carta alta, pouca conectividade e suitedness – uma boa razão para fazer a continuation bet.

EXEMPLO 3:

O flop é 7 6 3.

Também neste flop é pouco provável o(s) adversário(s) ter(em) acertado alguma coisa. Não há cartas altas e nenhuma do mesmo naipe. E pelas cartas serem todas tão baixas, o alto grau de conectividade também é pouco importante. Aqui pode-se fazer uma continuation bet. No entanto esta board traz consigo um outro problema: com a excepção de um overpair, não podemos representar a posse de nenhuma mão forte.

EXEMPLO 4:

O flop é J J 4.

Este tipo de flop também é bom para uma continuation bet. Não há conectividade nem naipes iguais. Os dois valetes provavelmente são tão medonhos para o(s) adversário(s) como para nós. A probabilidade de estar um outro valete em jogo é bastante pequena, pois já estão dois dos quatro na mesa. Mas também aqui temos o problema de só poder representar ou um overpair ou um trio. Muitos dos adversários não vão acreditar na aposta.

EXEMPLO 5:

O flop é A T 5.

Nenhuma do mesmo naipe, relativamente pouca conectividade e duas cartas na playing zone. Este flop também é bom para uma continuation bet. O ás muitas vezes mete tanto medo aos adversários como a nós, sendo então possível usá-lo para representar uma mão feita forte.

Como acabámos de ver, a textura do board não fornece a probabilidade de sucesso de uma continuation bet apenas pela probabilidade de um adversário ter acertado algo, mas também pela credibilidade que temos ao querer representar algo que não temos. Os bluffs, incluindo a continuation bet, funcionam tanto melhor, quanto mais credível for a “história” que estamos a querer contar.

Adversários: Tipo e número

Quanto mais adversários temos nas rondas a seguir ao flop, maior a probabilidade em dependência da textura do flop, de pelo menos um dos adversários ter acertado alguma coisa com a qual não fará fold contra uma simples continuation bet.

Contra apenas um adversário a continuation bet de certeza que deve ser utilizada em quase todos os flops. Contra dois adversários já devemos ser mais cuidadosos e escolher apenas boards boas para continuation bets e ter em conta a posição relativa aos adversários. Contra mais do que dois adversários a probabilidade de alguém ter acertado já é tão grande, que uma continuation bet, em princípio, já não é rentável.

 

Como sempre, para além do número de adversários, temos também de ter em conta o tipo de adversários e saber identificá-los (rock, maníaco, TAG; etc.). Temos de calcular a probabilidade do adversário fazer call da continuation bet com mãos fracas e até a probabilidade de fazer raise.

Neste artigo vamos catalogar os adversários de acordo com a base dos dados do Pokertracker. Se não tens este programa (ou um parecido) terás de te basear nas tuas leituras em geral.

 

Regra geral: Quanto mais agressivo um adversário e quanto mais ele vai até ao showdown, menor a probabilidade de sucesso de uma continuation bet.

WEAK TIGHT

Os adversários weak tight só jogam poucas mãos iniciais e também no flop só continuam em jogo se acertarem alguma mão forte. Estes jogadores são as vítimas ideais para as nossas continuation bets, porque fazem logo fold se não tiverem nenhuma mão forte. Portanto, podemos fazer continuation bets contra este tipo de adversários mesmo em boards perigosas. Se temos acesso às estatísticas do Pokertracker, reconhecemos este tipo de jogadores através de valores VP$IP, PFR e Went to Showdown baixos, mas com um factor de agressividade bastante alto.

TIGHT AGRESSIVO

Também contra este tipo de adversários podemos fazer continuation bets. Eles também só continuam em jogo a partir do flop se tiverem mãos boas, e farão muitas vezes fold contra uma continuation bet. Jogadores tight agressivos geralmente são calculáveis. A medida da sua agressividade é proporcional à força da sua mão. E por eles nos terem deixado tomar a iniciativa no pré-flop, já podemos assumir que não têm uma mão muito forte. No entanto, se este tipo de jogador mostrar algum tipo de resistência, temos de o levar a sério. Jogadores tight agressivos têm stats do Pokertracker parecidas com as nossas.

TIGHT PASSIVO

Os jogadores tight passivos também só jogam poucas mãos iniciais, no entanto jogam-nas muito passivamente, mesmo que sejam mãos fortes. Também podemos fazer boas continuation bets contra eles, no entanto temos de ter cuidado se eles fizerem call, pois teremos de partir do princípio que têm uma mão forte e geralmente desistir da mão. Os valores de VP$IP, PFR, agression e went to showdown destes jogadores são normalmente baixos.

LOOSE PASSIVO

Estes jogadores jogam muitas mãos, mas quase nunca agressivamente. Pagam demasiado com as suas mãos marginais e draws, e raramente fazem fold quando acertam algo no flop, por menos valioso que seja. Bottom pair já lhes chega para pagar e ver se o adversário agressivo não estará a fazer um bluff. Contra este tipo de adversário as continuation bets têm pouco sucesso, pois o importante para o sucesso destes apostas é que os adversários sejam capazes de fazer fold de mãos marginais como bottom pair ou gutshot straight draws. Estes adversários geralmente não cumprem estas condições. Reconhecemos estes calling stations através dos valores VP$IP e went to showdown altos, e PFR e Agression baixos.

LOOSE AGRESSIVO

Contra jogadores loose agressivos também temos poucas hipóteses de sucesso com uma continuation bet. Estes jogadores não só pagam demasiado com as suas mãos fracas, tal como os calling stations, como também gostam de fazer bluffs e semi bluffs com estas mãos, de maneira que somos muitas vezes confrontados com um raise após termos feito uma continuation bet (óbvio). Contra os jogadores mais extremos deste grupo, os chamados “maníacos”, não devemos sequer tentar uma continuation bet, e em vez disso esperar pelas mãos fortes. Estes adversários não vêm as continuation bets como sendo uma ameaça, mas muito mais como sendo um desafio a tentar obrigar o agressor ao fold com um bluff. Reconhecemos estes adversários através dos valores de VP$IP, PFR, agression factor e went to showdown demasiado altos.

Tendo em conta todos estes factores, número de adversários, tipo de adversários e textura da board, todos juntos, podemos calcular mais ou menos a probabilidade de sucesso de uma continuation bet numa dada situação. Teremos exemplos práticos nos capítulos mais à frente, mas primeiro temos que terminar com a teoria.

O tamanho "certo" das continuation bets

Como já foi dito, quando fazemos um bluff queremos parecer bem convincentes. Portanto, o tamanho da continuation bet terá de corresponder à mão que estamos a querer representar. Se fazemos uma aposta do tamanho do pote com uma mão forte que queremos proteger contra draws numa board perigosa, a continuation bet numa board parecida terá de ser mais ou menos igual.

Por isso, o tamanho das continuation bets terá de ser sempre do mesmo tamanho daquele que escolhemos para fazer uma aposta normal por valor ou para protecção – algures entre meio pote e pote inteiro, dependendo da situação.

 

Mas isto só é válido para situações e mesas com adversários atentos, que observam com atenção o jogo e o tamanho das apostas. Contra jogadores fracos não atentos isto não é válido. Eles não observam o decorrer do jogo e preocupam-se muito mais com o avaliar da própria mão. A maneira típica de estes adversários fracos pensar é: uma aposta grande significa uma mão forte, e uma aposta pequena significa uma mão fraca.

Contra estes adversários temos um bom valor empírico para as continuation bets, estando este algures entre meio e 2/3 do pote. Desta maneira sinalizamos ao adversário a posse de uma boa mão da qual não queremos desistir assim sem mais nem menos. Mantemos assim a aposta relativamente baixa, de maneira que a continuation bet não tenha de funcionar muitas vezes para que tenhamos um lucro garantido.

Posição

Já tiveste a oportunidade de reparar na quantidade de diferentes factores que são precisos ter em conta para a tomada de decisão de utilizar ou não uma continuation bet. Vamos agora ver alguns exemplos para diferenciar entre “em posição” e “fora de posição” e como esse factor entre em jogo.

As stats que temos vindo a utilizar do Pokertracker vão dar uma ajuda adicional: VP$IP / PFR / Total agression postflop / Went to showdown.

EXEMPLO 1

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$50) (10 handed)

PT Stats:
SB – 35.3 / 0.9 / 0.6 / 15.0

Hero ($53.20)
SB ($51.25)

Pre-flop: Hero is MP1 with K, Q.
3 folds, Hero raises to $2.00, 4 folds, SB calls $ 1.75, 1 folds.

Flop: ($4.50) 8, 5, 5 (2 players)
SB checks, Hero?

Uma situação clássica para uma continuation bet: uma board pouco perigosa em que o adversário raramente acertou alguma coisa, sendo este loose e passivo, mas que joga mais tight em pós-flop. Temos bons outs adicionais com as duas overcards. Se tivéssemos AK em vez de KQ, já poderíamos quase falar de uma aposta por valor em vez de uma continuation bet, pois o adversário loose tem muitas vezes mãos bem piores. Mas como só temos KQ esta aposta não passa de uma continuation bet com o objectivo de ganhar o pote já no flop, e levar Ace High a fazer fold. Um bom tamanho de aposta aqui seria cerca de meio pote, ou seja cerca de $2,50.

EXEMPLO 2

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$50) (10 handed)

PT Stats:
SB – 5.3 / 0.7 / 1.6 / 17.1

Hero ($67.70)
SB ($41.25)

Pre-flop: Hero is MP1 with T, T.
3 folds, Hero raises to $2.00, 4 folds, SB calls $ 1.75, 1 folds.

Flop: ($4.50) A, K, Q (2 players)
SB checks, Hero?

 

Esta situação é muito imprópria para uma continuation bet. Um jogador muito tight passivo faz call na small blind, e é muito provável que tenha acertado alguma coisa neste flop. Podemos assumir estar atrás, portanto o melhor é abdicar da tentativa de bluff, e aceitar a free card na esperança de acertar o gutshot no turn.

EXEMPLO 3

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$50) (10 handed)

PT Stats:
UTG - 14.2 / 8.1 / 3.2 / 17.9
BB – 42.3 / 10.8 / 1.2 / 33,9

UTG ($27.22)
Hero ($79.30)
BB ($22.75)

Pre-flop: Hero is MP3 with A, K.
UTG raises to $1.50, 4 folds, Hero raises to $5.00, 3 folds, BB calls $4.50, UTG calls $3.50.

Flop: ($15.25) 9, T, 5 (3 players)
BB checks, UTG checks, Hero?

Nesta situação temos uma data de factores contra uma continuation bet: primeiro temos uma board que possibilita muitos draws. Em segundo lugar temos aqui dois adversários que ambos fizeram call a um re-raise pré-flop, sendo portanto possível que tenham uma boa mão como um par de mão médio a alto. Para além disso já estamos compometidos com o pote contra a BB e quase comprometidos com o pote contra o UTG se fizermos uma continuation bet que possa representar um overpair com credibilidade, portanto de pelo menos 2/3 do pote. Do jogador loose e agressivo com o shortstack, podemos até contar com um call ou mesmo raise de desespero.

São portanto muitos factores que falam claramente contra uma continuation bet. O fold equity é muito baixo, e uma continuation bet é capaz de nos meter numa situação muito pouco agradável. Como tal, podemos e devemos aproveitar a posição que temos e aceitar a free card.

EXEMPLO 4

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$50) (10 handed)

PT Stats:
MP2 - 14.2 / 8.1 / 3.2 / 17.9
MP3 – 17.3 / 10.8 / 1.3 / 19.8

MP2 ($45.45)
MP3 ($55.22)
Hero ($109.30)

Pre-flop: Hero is Button with Q, J.
4 folds, MP2 calls $0.50, MP3 calls $0.50, 1 folds, Hero raises to $3.00, 2 folds, MP2 calls $2.50, MP3 calls $2.50.

Scenario A:

Flop: ($9.75) 5, A, T (3 players)
MP2 checks, MP3 checks, Hero?

Neste cenário temos outra vez dois adversários. No entanto não podemos assumir que estes jogadores tight agressivos tenham uma mão forte depois de terem entrado em jogo com uma sequência limp/call no pré-flop. É muito mais provável que tenham uma mão especulativa ou um pequeno par de mão, que não tenha acertado neste flop. Esta board permite-nos representar um top pair com credibilidade. Para além disso, ainda temos 4 outs bons para acertar o straight, e talvez algus outs extra para a Q e o J se eles fizerem call. Ainda por cima podemos muitas vezes aproveitar uma free card no turn depois de uma aposta no flop. A vantagem da posição aqui é bem óbvia.

Resumindo, também aqui se pode utilizar uma continuation bet contra dois adversários. Nesta board que possibilita poucos draws, uma aposta de meio a 2/3 do pote (cerca de $6) deveria ser o suficiente.

Cenário B:

Flop: ($9.75) 8, 2, 7 (3 players)
MP2 checks, MP3 checks, Hero …

Mesma situação, flop diferente. Neste flop é bem mais provável que um dos adversários com uma mão especulativa (tipo suited connectors ou pequenos pares de mão) tenha acertado. Para além disso temos muito menos hipóteses de representar uma mão feita forte nesta board. Ainda por cima faltam-nos os outs adicionais que temos para completar o straight. Só nos restam os outs para as overcards, que no entanto terão de ser bem descontados, pois já existem muitas mãos contra as quais podemos estar atrás (dois pares, set...) mesmo que acertemos um destes outs, especialmente porque o J completaria um possível straight e qualquer ouro o flush.

Nesta situação tens muito menos fold equity e é mais provável que estejas atrás contra mãos superiores. As probabilidades de ganhar com um bluff são baixas. Aqui é melhor fazer um check behind e ver a próxima carta de borla.

EXEMPLO 5

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$50) (10 handed)

PT Stats:

MP2 - 24.2 / 5.1 / 1.2 / 19.9
BB – 27.4 / 10.8 / 2.3 / 22.6

MP2 ($65.50)
BB ($45.22)
Hero ($48.27)

Preflop: Hero is Button with A, J.
4 folds, MP2 calls $0.50, 2 folds, Hero raises to $2.50, 1 folds, BB calls $2.00, MP2 calls $2.00.

Flop: ($7.75) Q, Q, 5 (3 players)
BB checks, MP2 checks, Hero …

À primeira vista parece uma board assustadora. Mas para os adversários também. Se nenhum dos adversários tiver uma Q ou tiver feito slowplay com um par de mão alto em pré-flop, é bem provável que ganhemos o pote já no flop com uma continuation bet mesmo contra dois adversários. Os adversários também não são muito agressivos, de maneira que não temos de recear um check-raise como bluff. Portanto, a continuation bet é uma boa escolha aqui. O tamanho não tem de ser muito maior do que metade do pote, para poder representar a Q ou um par de mã alto. $4 seriam aqui uma aposta apropriada para esta situação.

Fora de Posição

A grande diferença entre uma continuation bet fora de posição e em posição é a possibilidade de tomar uma freecard em vez de fazer a continuation bet. A falta desta possibilidade quando fora de posição é que torna por vezes a continuation bet na melhor escolha perante situações em que não o teríamos feito se em posição. E às vezes é melhor fazer um check quando estamos fora de posição pois com a continuation bet não é possível “comprar” uma freecard para a ronda seguinte.

EXEMPLO 1

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$50) (10 handed)

PT Stats:

MP2 – 35.3 / 0.9 / 0.6 / 15.0

Hero ($53.20)
MP2 ($51.25)

Preflop: Hero is MP1 with K, Q.
3 folds, Hero raises to $2.00, MP2 calls $ 1.75, 5 folds.

Flop: ($4.75) 8, 5, 5 (2 players)
Hero …

A mesma situação da secção anterior. Neste exemplo, o facto de não termos posição não muda nada. Uma board pouco perigosa, na qual é pouco provável o adversário que faz poucos calls ter acertado alguma coisa. Portanto uma continuation bet é uma boa opção. Um bom tamanho seria também aqui cerca de meio pote, ou seja $2,50.

EXEMPLO 2

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$50) (10 handed)

PT Stats:

Button - 14.2 / 8.1 / 3.2 / 17.9
BB – 17.3 / 10.8 / 1.3 / 19.8

Button ($45.45)
BB ($55.22)
Hero ($109.30)

Preflop: Hero is CO with Q, J.
6 folds, Hero raises to $2.00, Button calls $2.00, 1 folds, BB calls $1.50.

Flop: ($6.25) 5, A, T (3 players)
BB checks, Hero …

Nesta situação (parecida com a 4ª mão do capítulo anterior) deveríamos fazer uma continuation bet se tivéssemos posição. Mas fora de posição temos aqui uma grande desvantagem: com a continuation bet não podemos tomar uma freecard na ronda do turn, caso o adversário no botão faça call. Para além disso, a sequência de apostas em pré-flop é diferente, de maneira que é bem possível que pelo menos um dos adversários tenha acertado alguma coisa e este faça então um call, raise ou check-raise. A posição má que temos e o flop em que eles podem ter acertado fala contra uma continuation bet.

EXEMPLO 3

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$50) (10 handed)

PT Stats:

MP2 - 24.2 / 4.2 / 2.6 / 21.8
Button – 17.3 / 10.8 / 1.3 / 19.8

MP2 ($45.45)
Button ($55.22)
Hero ($109.30)

Preflop: Hero is BB with K, Q.
4 folds, MP2 calls $0.50, 2 folds, Button calls $0.50, 1 folds, Hero raises to $3.00, MP2 calls $2.50, Button calls $2.50.

Flop: ($7.75) 5, A, T (3 players)
Hero …

Uma situação parecida com a anterior. Mas aqui a força da própria mão é bastante maior. Dois adversários que não mostraram força em pré-flop, portanto, dada esta sequência de apostas, podemos assumir que tenham apenas mãos especulativas sem ter acertado nada neste flop. Temos outs para um gutshot straight draw e um backdoor flush, o que nos deixa numa situação bastante boa. Mesmo os outs para acertar o K ou Q serão muitas vezes bons. Com a mão fraca que pensamos que ele tem e os outs adicionais que nós temos, para o caso de ele fazer call, podemos fazer uma continuation bet mesmo sem ter posição. Devemos mostrar força, portanto a aposta deve ter pelo menos 2/3 do pote para representarmos bem um top pair. A continuation bet deveria ser portanto cerca de $6.

Continuation Bets Retardadas

Uma continuation bet retardada é uma continuation bet que fazemos no turn em vez do flop. Há situações que nos são tão suspeitas no flop que fazemos apenas um check. Esperamos conseguir juntar mais informações a respeito da força da mão adversária antes de investirmos dinheiro numa situação duvidosa.

Uma situação duvidosa pode ser:

  • Defrontar dois ou mais adversários no flop.
  • Uma board muito perigosa.
  • Temos uma má imagem na mesa devido ao facto de termos vindo a jogar muito agressivamente.
  • O(s) teu(s) adversário(s) gosta de fazer call ou é muito agressivo.

Se geralmente somos agressivos e de repente fazemos um check em vez de uma continuation bet, os adversários por sua vez também podem começar a suspeitar de alguma armadilha do tipo slowplay com um monstro e por isso muitas vezes também fazem check. Desta maneira recebemos uma freecard e para além disso a probabilidade de sucesso de uma continuation bet no turn é bem maior. O adversário já demonstrou fraqueza e se ele tiver um draw, as pot odds que ele recebe com a continuation bet no turn são bem piores do que se o fizéssemos já no flop.

A desvantagem desta teoria é que estamos também a dar uma freecard ao adversário. Mas uma vantagem é que os adversários fazem muito menos bluff e semi-bluff no turn. Especialmente os semi-bluffs com mãos em draw que no turn são pouco aconselháveis, pois as odds de acertar um dos outs até ao showdown são bastante piores do que no flop.

 

Ao jogar contra adversários atentos é claro que só podemos fazer esta jogada da continuation bet retardada se também fazemos a mesma jogada de vez em quando com mãos fortes. Caso contrário, teremos pouco sucesso com este bluff contra os jogadores mais atentos.

Contra jogadores menos atentos e mais fracos, esta jogada raramente funciona. Estes seguem demasiado o esquema de pensamento: aposta grande = mão forte, aposta pequena = mão fraca, check = mão muito fraca. Por isso, estes jogadores irão fazer muitas tentativas de roubar o pote com um bluff assim que fizermos check no flop. Este facto torna esta jogada inútil nos limites mais baixos.

A continuation bet retardada é portanto um instrumento para desagravar um pouco situações perigosas e manter o pote pequeno.

EXEMPLO 1:

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$400) (6 handed)

PT Stats:

Botão – 23.7 / 16.8 / 8.3 / 19.5 (um jogador loose-agressivo regular neste limite. Fez muitos calls ou raises das tuas continuation bets)
BB - 35.9 / 5.3 / 1.4 / 27.1 (Um jogador mais loose-passivo, mau. Perdeu metade dum buy-in na mão anterior em que fez calldown com middle pair contra top pair)

Hero ($449.25)
Button ($646.75)
BB (218.77)

Preflop: Hero is CO with K, J.
2 folds, Hero raises to $14.00, Button calls $14.00, 1 folds, BB calls $10.

Flop: ($44) A, T, 8 (3 players)
BB checks, Hero …

Esta é uma boa situação para tentar a continuation bet retardada. O botão é um jogador muito atento e que raramente faz fold contra uma única continuation bet (óbvio), como já demonstrou nas rondas anteriores.

Mas como fizeste algumas tentativas de continuation bets em mãos recentes, desistindo então delas no turn sem posição após um call, este adversário irá provavelmente ter mais cuidado neste board com o A se tu optares de repente por um check. A BB é mais passiva, o que quer dizer que raramente teremos de recear um aposta dela sem uma mão forte no turn, isto se o botão também fizer check no fop. Para além disso temos boas hipóteses de receber uma freecard se fizermos check, tendo assim a possibilidade de acertar o nosso gutshot straight draw. De resto, esta board não possibilita muitos draws, de maneira que uma freecard para os adversários não será muito perigosa.

A mão decorre então da seguinte maneira:

Cenário A:

Flop: ($44) A, T, 8 (3 players)
BB checks, Hero checks, Button checks.

Turn: ($44) 3 (3 players)
BB checks, Hero …

Nenhum dos adversários mostrou força. No turn aparece uma blank, uma carta que provavelmente não ajudou ninguém. Podemos portanto tornar o nosso plano efectivo, e fazemos uma aposta de cerca de 2/3 do pote, ou seja $30.

Cenário B:

Flop: ($44) A, T, 8 (3 players)
BB checks, Hero checks, Button checks.

Turn: ($44) 9 (3 players)
BB bets $40, Hero …

O adversário passivo na BB faz uma aposta no turn de quase o tamanho do pote inteiro. A carta do turn completou dois straight draws, e para além disso tornou possível alguém ter 2 pares com 98 ou T9 na mão. Portanto temos de fazer aqui um fold.

Com este decorrer da mão podemos pensar que a continuation bet no flop teria sido melhor. Mas não é o caso. Tudo o que assumimos sobre o botão continua a ser válido. E para além disso, temos de ver que a BB já deve ter acertado alguma coisa no flop. E este adversário, sabêmo-lo de observações prévias, não faz fold muitas vezes quando tem alguma coisa por mais pequena que seja. Portanto, só teríamos perdido dinheiro com a continuation bet no flop.

O factor que no exemplo acima mais nos impede de fazer uma continuation bet é a má posição, por um lado entre dois adversários, e por outro sem posição relativa ao jogador agressivo. Mas se mudarmos um pouco os parâmetros deste exemplo, dá-se uma situação diferente:

EXEMPLO 2

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$400) (6 handed)

PT Stats:

CO – 23.7 / 6.8 / 2.3 / 19.5 (um adversário semi-loose e passivo. Não temos mais reads em especial)
BB - 35.9 / 5.3 / 1.4 / 27.1 (Um jogador mais loose-passivo, mau. Perdeu metade dum buy-in na mão anterior em que fez calldown com middle pair contra top pair).

Hero ($449.25)
CO ($646.75)
BB (218.77)

Preflop: Hero is Button with K, J.
2 folds, CO calls $4.00, Hero raises to $16.00, 1 folds, BB calls $12, CO calls $12.

Flop: ($50) A, T, 8 (3 players)
BB checks, CO checks, Hero …

Mudámos a situação no seguinte: o jogador agressivo tornou-se bastante mais passivo. Temos posição relativamente a ambos os adversários. Temos outs adicionais por causa do backdoor flush draw. Estes factores agora mudados já nos possibilitam mais a continuation bet no flop. Contra dois jogadores mais para o fraco temos bastante mais fold equity. Se algum deles fizer call, podemos muitas vezes tomar a freecard no turn depois da nossa continuation bet no flop, aumentando assim a possibilidade de acertar um dos outs que temos e de ganhar a mão.

Como acabámos de ver, a aplicação de continuation bets retardadas depende muito dos adversários e da situação. E como já foi dito, precisamos também de conseguir criar suspeitas nos adversários para que realmente tenhamos a possibilidade de apostar no turn. Se os adversários não estiverem a prestar atenção aos acontecimentos irão interpretar esta tentativa de bluff com um check no flop como sendo exactamente o que ela é: fraqueza. Sendo assim esta jogada não tem qualquer valor.

Nota também que a continuation bet retardada é muito mais efectiva quando temos posição. Isto deve-se ao simples facto de que quando temos posição relativamente ao adversário ele já terá mostrado duas vezes fraqueza com um check no momento que fazemos este bluff. Se não temos posição é impossível ver este segundo sinal de fraqueza antes de agirmos. Geralmente temos simplesmente de ter mais cuidado ao jogar sem posição contra o adversário, e isto também é válido para as continuation bets.

O Segundo Barril

Se um adversário fizer um call à nossa continuation bet no flop, pode, por vezes, ser lucrativo fazer mais uma aposta no turn, mesmo sem ter acertado nada. Este bluff chama-se “Disparar o Segundo Barril” ou “Bluff de Dois Barris”, derivando o nome do facto de termos de “disparar” duas vezes contra o adversário antes dele finalmente desistir da mão.

Se o adversário fizer call da nossa continuation bet no flop, está-nos a mostrar que acertou alguma coisa e que pensa que irá ganhar vezes suficientes a mão para que se justifique continuar em jogo. Uma outra possibilidade é que ele pense estar a ser confrontado com uma continuation bet, podendo ganhar a mão depois no turn com um bluff. Chama-se a isto “to float” (flutuar de uma ronda para a outra). Em ambos os casos o adversário está convencido de que temos uma mão fraca. E para o convencer do contrário iremos precisar de uma situação favorável.

Os factores que determinam se mais um bluff no turn é ou não lucrativo são os mesmos que determinam se uma continuation bet “normal” é ou não lucrativa: a textura da board, outs adicionais, número e tipo de adversários, a própria imagem. Tal como o fazemos para determinar a probabilidade de sucesso de uma continuation bet, também aqui avaliámos o conjunto destes factores.

EXEMPLO 1

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$200) (5 handed)

PT Stats:

Botão – 23.7 / 8.8 / 1.8 / 24.5 (um adversário semi-loose e passivo. Não temos mais reads em especial)

Hero ($222.21)
Button ($146.95)

Preflop: Hero is MP with A, Q.
1 folds, Hero raises to $7.00, Button calls $7, 2 folds.

Flop: ($17) 2, 8, 6 (2 players)
Hero bets $10, Button calls $10.

Turn: ($37) K (2 players)
Hero …

Temos aqui uma boa situação para voltar a fazer um bluff no turn. O adversário não é nem demasiado loose, nem demasiado agressivo. Por causa do cold call em pré-flop é pouco provável que ele já tenha uma mão feita no flop. O mais provável aqui é ele ter overcards ou um pequeno par de mão. Se não tem um K na mão e se não estiver a fazer um slowplay duma mão forte, podemos com certeza representar aqui pelo menos top pair e “comprar o pote”. Se ele mesmo assim fizer call, ainda temos alguns outs que nos poderão salvar, tal como um A ou até uma Q. Uma aposta de 2/3 do pote, ou seja cerca de $25, deverá ser o suficiente.

As pot odds aqui seriam de 37:25, correspondente a 1.5:1. Teríamos então de ganhar em 40% dos casos para que esta jogada fosse lucrativa. Em princípio será possível nesta situação. E ainda nem contámos com os outs adicionais que temos. Também nem considerámos a hipótese de estarmos à frente contra mãos do tipo 97, por isso o resultado deveria até ser melhor.

Um “bluff de dois barris” é portanto um possível alargamento da continuation bet. Mas cuidado, pois este bluffs é apenas lucrativo em situações ideais como a acima descrita e contra um único adversário. Se após a continuation bet no flop continuarem 2 ou mais adversários em jogo, poderemos, na maioria dos casos, partir do princípio que pelo menos um dele tem uma mão forte, da qual ele não desistirá nem contra mais uma aposta no turn.

Vamos agora mostrar um exemplo em que não seria recomendável “disparar o segundo barril”.

EXEMPLO 2

Party Poker No-Limit Hold'em (NL$200) (5 handed)

PT Stats:

SB – 43.9 / 3.5 / 0.8 / 40.7

Hero ($222.21)
BB ($146.95)

Preflop: Hero is MP with A, Q.
1 folds, Hero raises to $7.00, 2 folds, BB calls $5.00.

Flop: ($15) 2, 8, 6 (2 players)
BB checks, Hero bets $10, BB calls $10.

Turn: ($37) J (2 players)
BB checks, Hero …

Contra um calling station típico como o que temos aqui, ainda podemos justificar a continuation bet no flop. Mas voltar a disparar no turn não faz sentido. O adversário mostrou ter acertado algo no flop, talvez tenha um pequeno par de mão e talvez um draw. O que nos interessa é que as hipóteses dele fazer fold são péssimas. Check behind e tomar a freecard é a melhor opção. Esperamos acertar um dos nossos outs ou então poder levar a mão até ao showdown sem ter de investir nem mais um tostão, e ganhar talvez com A-high contra um draw que não se materializou. No fundo, é um fold equity demasiado pequeno que nos impede de fazer o segundo bluff.

Quando a continuation bet se transforma em aposta por valor

Especialmente contra adversários fracos que jogam demasiadas mãos, acontece muito vezes estares à frente da mão, mesmo sem teres acertado nada no flop.

EXEMPLO

O Herói tem A K. O Vilão tem 8 9.
O flop é: Q 7 5.

Naturalmente que é uma situação clássica para fazer a continuation bet. Mas se o adversário fizer call para perseguir o seu gutshot straight draw, esta continuation bet torna-se numa aposta por valor comum. No flop somos um favorito claro de ganhar a mão de 2:1 (equity). A viabilidade da nossa mão não é a melhor para ser jogada para lá do flop, de maneira que nem sempre podemos ver as coisas de uma perspectiva tão optimista. Contudo, contra jogadores fracos e passivos neste tipo de situações, acabamos por ter algum valor que à primeira vista pode ser difícil de reconhecer.

Este assunto é mais para ser visto como um comentário à parte. Uma contemplação matemática mais profunda iria longe de mais – até a um ponto em que já nada teria a ver com o tema das continuation bets em si. Mesmo assim devemos ter consciência para o facto de que a passagem das continuation bets para apostas por valor é fluente. E que é especialmente contra jogadores fracos, demasiado loose e passivos que muitas vezes temos valor nas continuation bets.

Conclusão

No-Limit Hold'em é um jogo que necessita de uma análise e re-análise constante. O mesmo acontece quando decidimos se devemos ou não fazer uma continuation bet. Os factores decisivos são: a textura da board, a nossa imagem, a nossa posição, os nossos outs, como sempre, o número e tipo de adversário(s) e os respectivos leques de mãos.

Tal como em todas as outras variantes, também em No-Limit Hold'em é importantíssimo saber estimas os leques de mãos dos adversários e as suas possíveis reacções. Estas capacidades vêm apenas com o tempo e muita prática.

Se numa dada situação não temos bem a certeza sobre o tipo ou reacção provável do nosso adversário, é sempre melhor abdicar da continuation bet e analisar a situação mais tarde com mais calma (também com a ajuda do fórum de mãos exemplares). Desta maneira estamos melhor preparados da próxima vez que se der uma situação parecida ou igual.

Tal como com qualquer bluff ou outras formas de bluff – não exagerem! Um bom bluff é sempre irregular e portanto difícil de se reconhecer. Se fizerem as continuation bets em todos os flops, verão que os adversários aprenderão e depressa perceberão o que se passa, sendo então para eles fácil de vos ter sob controlo.