Atualizado em 07 Jul 26 por

Planeamento de uma mão

Introdução

Neste artigo

  • Porque precisas de um plano
  • Como planear a mão correctamente
  • Do planeamento controlado a controlo planeado
  • Análise da tua abordagem


  • Este artigo vai mostrar-te a importância de planeares as tuas mãos. Vai explicar como delinear um plano além de enfatizar os factores mais importantes que deves ter em linha de conta. Finalmente, vais ter a possibilidade de conhecer uma série de diferentes tipos de planeamento e vais poder perceber o potencial que a tua actual abordagem ao jogo ainda esconde.

Porque precisas de um plano?

Esta questão, aparentemente simples, tem de ser respondida para compreender a perspectiva mais geral sobre poker. A grande vantagem de ter sempre um plano reside, essencialmente, no suporte teórico do jogo do Poker.

Analiticamente falando, o No-Limit Hold'em não é mais do que um jogo de cartas onde tu, o jogador, enfrentas uma série de situações e perante as mesmas tens de tomar decisões. Estas decisões não podem ser tomadas de forma independente umas das outras.

Quando planeias uma mão é fundamental que que todas as decisões sejam baseadas umas nas outras. A não sincronização das tuas decisões tornar-se-á uma vantagem para os teus adversários. Além disso, com toda a certeza irias cometer mais erros contra jogadores desconhecidos.

O planeamento de uma mão vai, em primeiro lugar, ajudar-te a compreender melhor a tua abordagem total ao jogo e vai também permitir-te eliminar eventuais falhas que tenhas para te tornares num melhor jogador de poker.

Na secção seguinte, vais perceber em que medida as diferentes abordagens ao planeamento de mãos por jogadores distintos pode ser agrupado de forma conjunta. Esta secção vai mostrar ainda os estágios de desenvolvimento que cada bom jogador de poker deve seguir de forma a melhorar o seu jogo. 

O jogador desorientado

Qualquer pessoa que comece a jogar as suas primeiras mãos no No-Limit Hold'em não tem nenhuma ideia sobre os diferentes conceitos do jogo. Essa pessoa passa a maioria do seu tempo a seguir regras e a olhar para as fichas do jogo. Somente em situações muito raras é que um jogador analisa a teoria do jogo antes de jogar as suas primeiras mãos.

O conhecimento padrão deste tipo de jogador é muito limitado. Ele sabe que um flush vence uma sequência, que AA é uma das melhores mãos iniciais e que o AK se chama de Anna Kournikova (tem bom aspecto, mas não costuma ganhar). Este jogador não sabe nada sobre o jogo e literalmente tropeça de decisão em decisão. Ele raramente pensa no que quer fazer na próxima situação, quanto mais na próxima street.

Ele não sabe o que significa uma linha de jogo. A piada é que embora ele seja o jogador mais fraco na mesa de poker é um dos oponentes mais difíceis. Dele tens que esperar o inesperado. Ele pode fazer check behind com o nuts no river, jogar três streets c/c com bottom pair no kicker, ou no river, quando uma carta inútil aparece, ir de repente all-in com uma aposta cinco vezes o tamanho do pote depois de duas streets check/call.

O jogador que não sabe o que está a fazer não procura uma estratégia melhor do que a do seu oponente para ganhar o seu dinheiro a longo prazo. Ele apenas gosta de apostar - as fichas coloridas, a emoção de ir all-in, a possibilidade de se descontrair na mesa - para depois voltar à sua vida normal.

O jogador que procura lucro

Este tipo de jogador é muito parecido com o jogador que não sabe o que está a fazer. Ele geralmente não sabe o que significam termos como EV, variância, leques de mão polarizados, decepção, fusão e dominação etc..

No entanto, ele tem uma vantagem grande. Ele está consciente do facto de que existem jogadores profissionais que ganham a vida a jogar poker. E como o poker é apenas um simples jogo de cartas ele também quer ganhar algum dinheiro fácil. Deste modo, ele procura estratégias para o conseguir também. Ele até pode ser o tipo de jogador que chega a jogador profissional, apesar de ainda não saber o que é que significa jogar poker.

Aquilo que ele vai procurar são tabelas de poker que lhe garantam vitórias e geralmente vai encontrar estas promessas nos recantos mais longínquos da Internet. Ele tentará diferentes abordagens, mas na maioria das vezes o seu problema será o de não saber porque é que faz certas jogadas. Na maioria das vezes, ele também subestimará a variância e jogará com o lucro em mente.

Se ele perder algum dinheiro durante um período de tempo, então é sinal para ele que a tabela que usa não funciona e está na altura procurar uma nova que resulte. Infelizmente, na maior parte das vezes ele não se apercebe de que para vencer no No-Limit Hold'em nunca nos podemos guiar por estratégias estáticas e rígidas.

O jogador médio

O jogador médio conseguiu aceitar o facto de que o poker não é um jogo simples. Ele também sabe que não é uma maneira fácil de se ficar rico. O jogador médio já tem alguma experiência em jogar poker e, através da tentativa e erro, desenvolveu o seu jogo padrão no qual consegue tomar decisões de acordo com regras simples. Contudo, de uma perspectiva de planeamento, ele apenas consegue jogar de uma street para a próxima por causa da maneira como ele toma as suas decisões. Ele raramente vê a mão como um todo.

Por vezes ele ouviu falar de termos teóricos importantes do jogo mas não sabe como é que esses termos se relacionam entre eles. Ele geralmente não consegue pensar no jogo quando está fora da mesa de poker. Infelizmente ele ainda acha que aprendeu o suficiente sobre poker através de experiências de jogo simples, lendo sobre tópicos na Internet ou através de vídeos educacionais online. A sua convicção é a de que se conseguirá tornar num jogador de limites altos sem usar muito a sua inteligência.

Uma desvantagem adicional que este tipo de jogador tem é a de que ele ainda não compreendeu totalmente a magnitude da leitura de mãos. Assim, ele não consegue atribuir um leque de mãos ao seu oponente e na maior parte das vezes ele nem pensa na mão do oponente ou limita-se apenas a pô-lo numas poucas de mãos pré-determinadas.

O estratega

Durante as fases de desenvolvimento de um jogador de poker, ele chega a uma altura em que percebe que o poker é um simples jogo que pode ser abordado de forma matemática. E com ajuda dos equilíbrios de Nash, linhas de jogo equilibradas, leques de mãos equilibrados e consolidados e outras abordagens teóricas, ele tenta assim desenvolver uma estratégia óptima, com a qual irá vencer qualquer oponente em qualquer situação.

Felizmente, este tipo de jogador sabe que o sucesso no poker pode ser conseguido se existir suficiente tempo dedicado ao treino da teoria avançada. Ele também sabe que a sorte não aparece por acaso, mas que chega aos que trabalham o duro. Se o jogador se especializa na estratégia short stack, então a sua abordagem é especialmente útil para estabelecer uma estratégia para a maioria das situações e permite-lhe ganhar apostas médias e altas online.

O estratega sabe que uma mão consiste em várias streets e sabe também que é importante contar constantemente uma "história" aceitável enquanto se joga uma mão. Ele sabe que os leques de mãos se baseiam uns nos outros e que as abordagens estratégicas numa direcção costumam ter um impacto no jogo - com cartas diferentes em situações similares, assim como com as mesmas cartas em situações diferentes.

O maior problema para esse jogador é de que raramente incorpora o metajogo e a dinâmica geral do jogo no seu processo de tomada de decisões, e assim corre o risco de não encontrar uma estratégia perfeitamente equilibrada. A sua maior prioridade é de apenas encontrar uma estratégia standard que funciona de uma maneira teoricamente óptima para ganhos de longo termo sem incorporar o aspecto psicológico do poker.

O oportunista

Tal como se depreende pelo nome deste tipo de jogador, ele sabe que joga contra diferentes jogadores e tenta assim explorar os seus erros ou levá-los a cometer erros através de manipulação. Na maior parte do tempo ele sabe que nenhuma situação será igual à outra e é por isso que inclui sempre o metajogo na sua tomada de decisão.

Explorar um oponente também significa levá-lo a um mau estado de espírito através de todas as maneiras possíveis. É exactamente isto o que o oportunista está a tentar fazer. Ele também pensa em abordagens psicológicas que não têm a ver directamente com o poker para atingir o seu objectivo.

No que toca ao seu conhecimento teórico do jogo, o oportunista não é muito diferente do estratega. No entanto, ele tenta ter uma estratégia mais oportunista do que óptima. Esta é a maior diferença entre ele e os tipos de jogadores anteriores.

O herói

Se chegares a este tipo de abordagem, e se tiveres suficiente experiência, paixão e tempo para jogar o jogo, pouca coisa te impedirá que te tornes num dos melhores jogadores de poker. Sabes que tanto o estratega como o oportunista encontrarão formas de tirar proveito a longo termo do jogo de poker. No entanto nenhum considera o perigo de se fixarem em apenas um tipo de forma de jogo. A chave do sucesso reside em pensar fora dos moldes habituais.

O jogo do herói depende nos seus oponentes e do seu metajogo. Ele consegue ver cada situação de forma independente, mas nunca perde de vista o panorama geral. Costuma-se considerar este tipo de jogador pior do que realmente é. Isto porque de um ponto de vista exterior, parece à primeira vista que ele está a jogar mal as suas mãos.

A sua vantagem é de que ele tem sempre uma razão por detrás de cada jogada e tem sempre em consideração tanto o aspecto teórico como o aspecto psicológico para jogar não só as suas próximas mãos, mas também as próximas sessões. Ele sabe quando consegue manipular os seus oponentes e mantém sempre debaixo de olho o seu próprio jogo de maneira a não ser facilmente explorado.

O conceito de planeamento controlado e de controlo planeado

Depois de examinares os diferentes tipos de jogador notarás que há uma certa progressão no seu desenvolvimento. No início, o objectivo é ter uma forma estática de planear a mão. Quer seja com a ajuda de uma tabela contendo diferentes mãos iniciais ou diferentes linhas de jogo pós-flop, apenas a complexidade muda. É único importante ter um plano ao qual recorrer.

Especialmente para iniciantes isto é uma boa forma de se protegerem contra grandes perdas e dessa forma conseguem também jogar um poker aceitável desde o início. Nalgum ponto durante o desenvolvimento de um jogador de poker - um jogador que apenas "joga o jogo" e o outro que percebe o poker e pensa em função disso - ele perceberá que planeamento controlado forçado pode é suficiente para se vencer os níveis mais altos a longo termo. Uma abordagem mais promissora é o controlo planeado.

Uma parte importante do controlo planeado é conseguires chegar a situações controladas, que são situações com EV bastante marginal para o jogador médio. Saber que consegues tomar as melhores decisões na mesa, mesmo em situações como esta, ou só saber que consegues aprender com o erro marginal que cometeste, é uma vantagem. Este tipo de jogador difere drasticamente dos outros. Ele não só joga o jogo, mas joga com o oponente. Ele tem a habilidade de controlar o fluxo de jogo e consegue desenvolver um pensamento de alto nível.

Planeamento de uma mão na prática

Que consequências têm as tuas decisões, no que diz respeito a esta mão, nas próximas streets?

EXEMPLO 1:

$0.50/$1.00 No-Limit Hold'em (6 handed)

Stacks & Stats
Hero (BB) $100
Villain (CO) $100

Preflop: Hero is Big Blind with 4, 7
2 folds, CO calls $1, 2 folds, Hero checks

Flop: ($2.50) 4, 8, Q (2 players)
Hero ...

Antes de tomares uma decisão é aconselhável que penses em todas as possíveis linhas de jogo, de forma a que consigas decidir qual será a mais promissora.

Check/call no flop, re-avaliar no turn

Com esta linha de jogo, não ganhas qualquer informação sobre a força da mão do oponente no flop, o que fará com que seja muito difícil planeares as tuas acções com a ajuda das diferentes cartas do turn. Para além da falta de informação, o teu oponente tem agora uma melhor ideia do teu leque de mãos depois do teu call. Ele sabe que raramente irias fazer check/call a um trio aqui, e tu vais fazer check de novo no turn.

Por causa disso, estás numa situação em que até mesmo um jogador médio te pode vencer no turn e river graças à quantidade de informação sobre o leque de mãos que mostraste ter, à tua posição relativa e à iniciativa da tua aposta. Deste modo não deves escolher uma linha de jogo como esta como a tua linha padrão, pois isso pode conduzir-te a uma falha que se vai revelar muito cara no teu jogo.

Aposta no flop, aposta no turn, aposta no river

Com esta linha estás a forçar o teu oponente a ter uma mão aceitável de modo a que possa fazer call às tuas apostas. Para mais, estás a revelar um leque de mãos bastante abrangente, que pode conter tanto bluffs como monstros. Se estiveres a jogar contra um jogador bastante fraco, esta pode ser a estratégia a seguir. Contra calling stations puros, será um bocado mais difícil ter, na maior parte das vezes, a melhor mão no river com bottom pair no kicker.

Check/fold no flop

Este deve ser com frequência uma das tuas linhas padrão nesta situação. Com esta jogada consegues sair de uma situação pós-flop bastante marginal, na qual terias de jogar fora de posição. Devido ao facto de que este é apenas um pote que teve origem num limp, não é assim tão importante venceres a qualquer custo.

Check/raise no flop, re-avaliar no turn

Com esta linha no flop, forças de novo o oponente a ter uma boa mão para poder fazer call ao teu raise. Especialmente contra oponentes algo agressivos, farão frequentemente fold pois estavam só a tentar roubar o pote no flop.

Uma desvantagem bastante grande desta linha é de que é facilmente explorada. Se o teu oponente está a prestar atenção ao teu leque de mãos, ele irá notar que este tipo de check/raise no flop é provavelmente um (semi-) bluff e muito raramente um monstro.

Só ilustrando as diferentes opções, vais-te aperceber que há muitas mais possiblidades de jogar esta mão, em vez da linha de jogo standard de check/fold no flop. Teres reads no teu oponente é a tua maior vantagem porque então consegues escolher a melhor linha de jogo para tirar o maior proveito possível do teu oponente.
 
De vez em quando, encontrar-te-ás em difíceis situações pós-flop através de linhas menos conhecidas. Contudo, isto é uma forma muito boa de melhorar a tua compreensão do jogo assim como as tuas competências pós-flop. O número de vezes que vences vai aumentar a longo prazo se conseguires tomar a decisão certa nestas situações marginais, o que vai fazer com que tenhas uma vantagem no pós-flop sobre os teus oponentes. É fundamental no entanto que te apercebas que diferentes linhas contra diferentes oponentes terão resultados diferentes.

Em geral contudo, não podes esperar que haja uma solução certa para esta ou qualquer outra mão, pois o teu plano geral de jogo, que está subjacente na tua mente, irá na maioria das vezes determinar como abordar estas situações. Considerar esta mão de acordo com diferentes linhas é contudo uma excelente forma de reparares em distintos erros  no teu próprio jogo e descobrires jogadas exploráveis.

Pode ser que tenhas reparado em duas coisas com esta mão e com a discussão que já tivemos:

  • 1) Só começas a pensar no teu plano no flop, e parece como se não estivesses a considerar o pré-flop de todo.
    Isto costuma ser verdade porque durante uma jogada grátis pensas sem considerar a Big Bling: "Vamos só ver o flop primeiro. Talvez seja um 774r.". Aqui não deves cometer o erro de "planear" - não penses em todas as possíveis texturas do flop para saberes exactamente como vais reagir a diferentes texturas da mesa.
  • 2) O plano de "re-avaliar o turn" é muito fraco porque apenas te diz como jogar no flop.
    O problema aqui reside de novo no facto de que não podes cometer o erro de planear em antecipação, pensando em linhas completas de jogo para casos especiais. A re-avaliação do turn depois da tua acção é muito importante para a tua abordagem, pois durante a maior parte da tua acção no flop apenas terás uma pequena selecção de possibilidades para o turn na maioria das vezes. As acções que escolhes devem estar tanto em sintonia com a textura da mesa como com o fluxo de jogo.

É também muito importante não jogares uma mão em piloto automático até ao showdown, sem pensares de que forma podes representar e de que forma tens que avaliar o teu oponente nesta situação. Isto conduzir-te-á, por vezes, a pressionar botões sem pensar no que estás a fazer, em vez de realmente jogares poker.

Outro exemplo de como o plano para a tua própria mão pode dizer algo do plano do jogo em geral é uma simples situação pré-flop contra um short stack em que a selecção do tamanho de aposta ou a avaliação prévia do seu leque de mãos te permitem tomar a decisão sobre a mão.

Um exemplo rápido:

EXEMPLO 2:

$0.50/$1.00 No-Limit Hold'em (6 handed)

Stacks & Stats
Hero (Button) $100
Villain (BB) $17

Preflop: Hero is Button with A, 8
3 folds, Hero raises to $3.50, SB folds, BB raises to $17, Hero ...

Se ainda não pensaste no leque de push do teu oponente, então é porque andas à deriva. Contra alguns short stacks que apenas fazem re-roubos muito tight, fazer fold é o melhor. Contudo estarás em grande vantagem se tiveres uma resposta feita de como reagir ao seu raise mesmo antes dele fazer o push.

Se chegares à conclusão de que não consegues fazer call mas achas que o teu oponente fará sempre raise ou fold, então consegues pensar outra vez no tamanho da aposta do teu open raise.

Com a ajuda destes dois exemplos de mãos, já viste como é que podes planear uma mão individualmente desenhada para um oponente. Contudo, o mais provável é que não tenhas compreendido exactamente o conceito de como abordar o planeamento em si mesmo e no que é que deves ter em mente. Aqui está outra resposta à tua questão:

Como planear correctamente?

Geralmente podes dividir o processo de planeamento em várias fases:

  • Fase 1: Street individual
  • Fase 2: Linha individual
  • Fase 3: O teu plano de jogo individual
Fase 1

Aqui tens que restringir o teu plano à street actual, e decidir-te entre bet/fold no flop ou bet/3-bet no turn ou algo similar. Se a stack actual é suficientemente grande para que te comprometas, então este será o plano para a mão inteira, pois fazer bet/call no turn para fazeres fold no river com uma aposta de 1/20 do tamanho do pote não costuma ser uma abordagem vencedora.

Aqui já podes tomar nota de que tens mesmo que re-avaliar a street seguinte (tal como viste no primeiro exemplo). É assim que percebes que NÃO estás a pressionar botões automaticamente, mas sim que pensas rapidamente nas tuas possibilidades e que talvez prestas atenção aos timings dos tells ou ao fluxo do jogo. Frequentemente terás que confiar nos instintos que adquiriste durante a tua experiência de jogo, fazendo assim com que seja possível avaliares rapidamente a situação.

Fase 2

Com a tua linha individual de jogo tomas o passo em frente óbvio e já fazes um plano de como gostarias de jogar na street seguinte.

Também te desvias um bocado de jogares a tua mão exacta e começas a incorporar o teu próprio leque de mão inferido. Apenas podes planear a tua acção do turn em conjunto com a carta correspondente do turn depois de um check/raise no flop se souberes qual o tipo de leque de mãos representas.

Especialmente com um plano como bet no turn, check behind carta inútil no river é muito fácil para ti veres que estás a jogar realmente um leque de mãos completo e de que podes dividir isto pelo river e pela respectiva carta de maneira a extrair o máximo valor.

Fase 3

Agora na prática combinas o teu conhecimento da fase 2 com as tuas leituras do oponente individual. Isto significa que tentas planear a tua acção considerando as possíveis cartas na mesa e que também lhes tentas dar forma individualmente. Estás consciente de que se sobes o teu leque mais alto por valor no turn, depois do seu call, geralmente nunca acabas no river com uma mão que foi quase nuts.

Devido ao facto de conseguiste obter uma leitura do teu oponente, consegues agora avaliar se este tipo de equilíbrio é adequado ou se o teu oponente está apenas a jogar as suas próprias cartas, conduzindo-te a uma situação completamente desiquilibrada. Estás também ciente de que deves alterar as tuas decisões se o teu oponente fizer tilt e sabes quando é que tens que fazer uma jogada de alta variância para induzir ao tilt e quando não a fazer.

Aqui muitas vezes não vês a tua mão de forma isolada, mas sabes que depois desta virão outras mãos, que agora consegues jogar de forma diferente da "standard" devido à tua imagem da mesa e ao fluxo de jogo.

Agora é uma boa altura de te ensinarmos como pôr isto em prática, com a ajuda de uma mão e de um plano.

EXEMPLO 3:

$1.00/$2.00 No-Limit Hold'em (6 handed)

Stacks & Stats
Hero (BB) $350
Villain (Button) $320

Preflop: Hero is Big Blind with K, Q
3 folds, Villain raises to $7, 1 fold, Hero ...

Nesta altura, já tens tens a leitura de que o teu oponente geralmente faz calls a 3-bets e de que também chamou a atenção com o seu jogo sólido. Anteriormente também fizeste de forma bastante activa alguns 3-bets pré-flop e é por isso que decides evitar uma complicada situação pós-flop fora de posição.

As tuas opções:

  • a) Fazer 3-bet pré-flop de maneira a tentares avaliar de forma correcta a tua mão pós-flop e de forma a reduzir a tua desvantagem de posição tanto quanto possível.
  • b) Fazer fold pré-flop, para geralmente evitares qualquer decisão pós-flop.
  • c) Fazer call pré-flop e, dependendo da textura do flop, ou sobre-representas a tua mão contra um jogo relativamente sólido do teu oponente, forçando-o assim a fazer um mau fold, ou sub-representas a tua mão de forma a aplicares controlo fora de posição sobre o pote.

Depois de muita deliberação decides fazer um call pois não te queres sentar fora de posição num pote com 3-bet. Também não queres dar ao oponente uma oportunidade demasiado fácil de roubo, pois KQo ainda tem alguma força de que gostarias de ter no teu range defensivo.

Flop: ($15) J, T, 3 (2 players)
Hero ...

É precisamente aqui que tens que começar a pensar e a desenvolver o teu plano. Devido ao facto de que o oponente está a jogar em várias mesas ao mesmo tempo e porque vai jogar o seu jogo sólido usual, apercebes-te que é uma excelente situação a explorar! Ele geralmente não vai reparar no que estás a fazer e irá categorizar qualquer situação como normal.

Vais incorporar o seguinte no teu plano:

  • O teu oponente está a jogar um poker básico mas sólido
  • O teu oponente não está preocupado se vai ser explorado numa "situação standard"
  • O teu oponente vai frequentemente aperceber-se de que está a jogar com uma stack demasiado grande apenas depois da tua acção e vai tentar avaliar o teu leque de mãos de acordo com isso

O teu plano: Fazes check/call no flop (estás à espera da sua habitual continuation bet padrão); para depois jogares de forma extremamente +EV no turn e no river. O vilão vai fazer check behind perante cada carta neutra no turn,  colocando-te numa mão feita marginal.

No entanto ele irá fazer frequentemente segundo barril com scare cards tais como 9, Q, K, A, o que em troca  significa que podes fazer call de novo quando um Q ou K ocorrer e de que podes fazer fazer check/raise com as tuas sequências muito bem.

Mas devido ao facto de que o teu oponente irá fazer check behind no turn bastantes vezes, também tens a possibilidade de fazer um float perfeito fora de posição. Caso ele faça check behind com o seu Ax ou o seu fraco T, poderás por vezes levar o pote sem alterações graças a uma aposta no river.

É impossível descrever NL Hold'em como um jogo estático. Se esse fosse o caso, conseguirias fazer dinheiro através de continuation bets excessivas e de 3-bets leves no pré-flop, sem que ninguém te surgisse no teu caminho. Por isso está sempre alerta a alterações de tendências e tenta re-avaliar uma mão e o plano que a acompanha, pois por vezes irás aperceber-te de que ainda tens um enorme potencial para melhorar.

Farás grandes progressos usando a tua capacidade de planeamento para analisares o jogo depois de teres jogado a tua mão. Depois irás começar a pensar nas mãos que jogaste quando estiveres calmo assim como pensarás em todas as opções possíveis. Irás concluir que o teu planeamento pode transformar situações marginais -EV em situações +EV muito boas.

Iremos, claro, dar-te um exemplo de uma mão que irá ilustrar tal análise no pós-jogo.

EXEMPLO 4:

$1.00/$2.00 No-Limit Hold'em (6 handed)

Stacks & Stats
Hero (Button) $400
Villain (BB) $620

Preflop: Hero is Button with K, T
3 folds, Hero raises to $7, SB folds, Villain calls $5.

Flop: ($15) Q, 6, 5 (2 players)
Villain checks, Hero bets $11, Villain raises to $36, Hero ...

Durante o jogo tiveste a leitura de que o teu oponente costuma fazer check/raise no flop como um bluff. Contudo, o teu oponente não contava que tentasses avaliar o seu leque de mão de check/raise. Na maioria da vezes ele terá o nuts ou até nada.

Devido ao facto de mãos por valor só conterem 55, 66, 56, AQ, KQ e devido ao facto de apenas teres o read de que o teu oponente faz check/raise muitas vezes, podes assumir que ele terá air na maior das vezes. Assim, decidiste fazer um float e fizeste call ao check/raise.

Turn: ($87) J
Villain bets $60, Hero ...

A carta do turn é muito boa para a tua mão actual, pois agora ficaste com mais um par de outs. Para além da tua posição, agora também tens excelentes odds implícitos através desta carta, caso o teu oponente segure uma carta de valor contra todas as expectativas.

Tu realmente planeaste receber o pote agora, depois de o teu oponente desistir do seu bluff. Mas devido às altas odds implicitas, não vês nada contra um call.

River: ($207) K
Villain bets $170, Hero ...

Esta carta do river em conjunto com a aposta do oponente é algo de muito interessante. Devido ao tamanho da aposta do teu oponente, podes assumir que tens um bluff catcher puro. O vilão raramente apostará com uma mão como AQ para um valor tão alto. Ele ou tem um trio, dois bons pares ou um bluff. Como pensas que o vilão irá fazer bluff neste river para te afastar de mãos fracas como Qx hands, optaste por fazer o call desta aposta.

Na tua análise pós-jogo, vais rever de novo a tua mão inteira e vais examinar a qualidade da tua linha contra a do teu oponente. Ao dar um olhar mais pormenorizado, vais perceber que a tua linha de jogo não era exactamente perfeita. O teu call no river só é bom se o oponente continuar a fazer bluff no flop e não desiste depois do seu check/raise. Quando fazes call ao river, significa que o teu oponente ainda está a tentar fazer bluff depois do turn.

O teu float no flop não é assim tão bom porque só o fizeste com a intenção de segurar um bluff catcher no river. Contudo, contra um oponente que faz segundos barris no turn com demasiada frequência, um float não é melhor do que um pequeno bluff com 3-bet no flop. O float força-te a melhorar contra o leque muito extenso de mãos do teu oponente no river, enquanto que o bluff com 3-bet no flop tem impacto directo contra o bluff do oponente. Os bluffs irão geralmente fazer fold nesta situação.

De futuro apenas jogarás uma linha coerente contra os teus oponentes agressivos neste tipo de situação e com uma mão como esta. Se o oponente faz de novo muitas vezes bluff no turn, irás fazer directamente um 3-bet no flop. Se o oponente desiste demasiadas vezes, consegues jogar um float, mas nesse caso não deves também usar o call no river como bluff catcher.

Conclusão

Este artigo ensinou-te como planear a tua mão assim como toda a tua estratégia. Foi-te mostrado que um planeamento estruturado da tua mão permite sempre a possibilidade de jogadas criativas em aberto. Adaptas-te ao teu oponente e aumentas o teu número de vitórias. O planeamento estrutural da tua mão dá-te muitas oportunidades de encontares varíos leaks na tua análise pós-jogo. Também te dá a oportunidade de ver situações que a maioria dos regulares ainda não reparam.