Atualizado em 07 Jul 26 por

No turn - Teoria

Introdução

Neste artigo

  • Quais as possibilidades ao vosso dispor no turn
  • Porquê continuar com a execução do vosso plano
  • Planear a acção para o river

Neste artigo, vão aprender algumas coisas importantes sobre o jogo no turn. Primeiro que tudo, devem compreender o que o turn é, quais os principais erros a evitar e quais os objectivos que devem perseguir nesta ronda de apostas.

Os artigos relativos ao jogo no flop pré-requisitos importantes pois já devem conhecer a importância de ter um plano bem estabelecido para uma determinada mão, o qual devem seguir mesmo no turn.

O problemático Turn

Muitos jogadores têm bastantes problemas no turn, e vêm a 3a street como um grave problema. Geralmente não sabem o que fazer, e deixam-se envolver em situações nada lucrativas. Porquê?

O Hold'em vive essencialmente de dois factores:

  • Qual é a mão do vosso adversário, ou quais as cartas que a podem ajudar?
  • Qual a dimensão do pote, e quanto têm de pagar para se aproximarem do showdown, ou para melhorarem a vossa mão?

Em primeiro lugar e mais importante que tudo o resto,  há que ter uma mão apresentável e querer ganhar dinheiro com ela; ou se tiverem uma mão fraca e fazer com que o adversário faça o fold.  As mãos envolvidas tal como os adversários são sempre relevantes, assim como os preços que tiverem de pagar para se manterem activos na mão.

Em todas as outras streets, as circunstâncias são geralmente mais óbvias. Pré-flop e após o flop, dificilmente têm informação suficiente sobre a mão adversária dado o dinheiro investido ser demasiado reduzido. Um raise pré-flop geralmente custa 4 BB, uma continuation bet 6 BB. Como sabem o que podem obter com estas apostas, elas revelam-se bastante valiosas, mas em comparação com a vossa stack de 100 BB, elas não se revelam particularmente caras nem ricas em variância.

No river, a situação já muda de figura. Neste momento já obtiveram bastantes peças de informação sobre a mão do adversário, e para além do mais, não vai surgir qualquer outra carta. Ou estão à frente ou atrás do oponente. Naturalmente, isto não implica que a situação seja particularmente simples. Têm de se questionar se a vossa mão é suficientemente boa para vencer um  showdown. Terão de avaliar se a vossa mão justifica uma value bet, ou se é tão má que devem abdicar dela, ou pelo menos averiguar se o bluff  ainda é possível. Na realidade, o river é certamente a street mais cara de todas, simplesmente por apostarem (ou fazerem o call) dependendo do valor do pote, e o pote será com toda a certeza maior no river.

O turn surge exactamente no meio de todo este processo, e infelizmente traz dois problemas de uma vez só. Ainda não sabem exactamente como está a vossa mão e os draws ainda são possíveis (para ambos os lados) já que ainda falta sair uma carta. Por vezes, o pote já atingiu um tal valor que qualquer decisão já envolve bastante dinheiro. Com efeito, já sabem de antemão que se aproxima o river que é, geralmente, a ronda mais cara de todas

Tendo em conta estes problemas, é natural que surjam aqui muitos erros. Eis o mais frequente: Tornarem-se demasiado passivos. Apercebem-se que podem inflacionar o pote se apostarem no turn, e por isso mesmo uma aposta de 2/3 do pote no river size será duas vezes maior do que se tivessem feito check na ronda anterior ao river.

Muitos jogadores acabam por optar por uma abordagem do jogo mais passiva. Não por considerarem fazer mais sentido de um ponto de vista estratégico, mas porque receiam jogar um pote sobrevalorizado com uma mão, eventualmente, marginal. Naturalmente, estes resultados resultam numa fraqueza que pode ser explorada pelos oponentes já que eles podem acabar por levar o pote sendo agressivos. Além disso, não nos esqueçamos do facto de que com esta postura, acabam por permitir free cards, permitindo assim que os adversários joguem draws de forma barata.

Devem evitar este erro. No turn, têm de tentar jogar da forma mais correcta, e tomando atenção ao controlo do pote sempre que a situação de jogo assim o exija. Devem tornar-se num bom jogador que não tem receio de jogar com as suas 100 big blinds na mesa, e que as sabe utilizar estrategicamente se assim for necessário.

Devem ser melhores que o oponente médio, portanto vão querer tomar as decisões mais caras e complicadas no turn assim como no river quando assim a situação o requerer. Dado estarem à frente do adversário  na maioria das situações, também irão ganhar mais nos potes de maior valor no longo prazo.

A continuação do plano estabelecido no Flop: Representem a vossa história

Nos artigos que abordam o jogo no flop, aprenderam que devem estabelecer um plano de várias formas. Nos exemplos de mãos apresentados, a forma como jogar no turn foi tomada em conta, para além das naturais questões da avaliação da vossa mão no contexto da jogada e objectivo a concretizar  com uma aposta, ou com uma postura mais passiva.

Neste momento, este ponto é crucial, e portanto muito importante. Tem tudo a ver com a continuação da "história" que começaram no flop, agora já no turn, e de forma credível, obviamente. Naturalmente, a carta do turn é necessariamente relevante, de qualquer forma a vossa forma de acção no turn tem, geralmente, origem e explicação na vossa jogada no flop.

Por esta ordem de razão, apresentamos novamente um exemplo retirado dos artigos do flop:

PartyPoker $25 NL Hold'em (6-handed)

Stacks & Stats
MP ($25)
CO ($25) (16/13/2.5/21/456) [VPIP/PFR/AF/WTS/Hands]
Hero ($25)
BB ($25)
SB ($25)
BU ($25)

Pré-flop: Hero é UTG com A , K
Hero faz o raise para $1.00, 1 fold, CO dá call $1.00, 3 folds

Flop: ($2.35) K, 7, 6 (2 jogadores)
Hero aposta $1.50, ...

Estes pontos foram retirados da análise da mão:

  • "O vosso problema é que estão agora a actuar fora de posição,e por isso o check no turn no caso de se verificar um call."
  • "A vossa abordagem deve ser bet/fold, no flop assim como no turn."

As vossas decisões no flop já consideram a jogada a ser realizada no turn. A primeira citação tem  a ver com a situação de enfrentarem um raise no flop. Neste caso, muitas vezes excluir-se-ia o call pois ficariam diante de uma situação particularmente complicada no turn.

No segundo caso, só avançam com esta hipótese assumindo que existe um call. Aqui também é claro que irão apostar novamente no turn. Este plano de acção é realizado no flop, e tem apenas de ser implementado no turn.

Seguindo este procedimento, a carta do turn é relativamente desinteressante. Existem poucas cartas que possam afectar esta situação. Se o flush draw se concretizar, ainda teriam hipótese de redraw com o vosso K. Neste momento, o check também seria possível em teoria, já que a questão da protecção já não seria colocada (agora iam-se proteger de quê?). No entanto, neste caso a aposta também poderia fazer algum sentido, já que teriam a hipótese de (re-)draw no final de contas, mas também têm um top pair / top kicker, e, geralmente, desejam ser recompensados com esta mão.

É importante realmente compreenderem que mão estão a representar, e se o vosso  adversário acredita nela ou não. Por este motivo, devem manter-se fiéis ao plano de acção que desenvolveram no flop.

Olhar para o futuro

Olhar para o futuro e tentar antecipar o que ele nos reserva é tão importante como analisar o passado. Devem saber o que podem esperar no river. Isto é especialmente verdade se jogaram passivamente, e por isso as vossas acções dependem essencialmente das odds. Se considerarem ter odds implícitas suficientes para um call relativamente marginal, por vezes têm de se questionar se as conseguem realmente obter no river.

PartyPoker $25 NL Hold'em (6-handed)

Stacks & Stats
MP ($25)
CO ($25) (16/13/2.5/21/456) [VPIP/PFR/AF/WTS/Hands]
Hero ($25)
BB ($25)
SB ($25)
BU ($25)

Pré-flop: Hero é UTG com A , K
Hero faz raise para $1.00, 1 fold, CO dá call $1.00, 3 folds

Flop: ($2.35) K, 7, 6 (2 jogadores)

Hero aposta $1.50, CO dá call $1.50

Turn: ($5.35) T (2 jogadores)
Hero faz check, CO aposta $4.00, Hero dá call $4.00

River: ($13.35) 2 (2 jogadores)
Hero aposta $9.00, CO faz fold

No turn, decidiram alterar o vosso plano e jogar passivamente. Na realidade a principal razão que justifica essa mudança é não quererem enfrentar um raise no turn apesar de terem uma mão bastante aceitável. O check/raise, apesar de teoricamente possível, também acaba por não ser considerado.

Neste caso, esta jogada é – dependendo do adersário – a menos má. No entanto, e se não tiverem um top pair, mas uma mão como p.ex. Q J? Também poderiam fazer check/call no turn na esperança de um flush draw. Para este call, precisariam de odds implícitas enormes. No entanto, dificilmente podem esperar ter as odds necessárias no river. O check/raise no river só deverá ser aplicado em raras ocasiões, já que na maioria das vezes o adversário ficará satisfeito com um showdown grátis. Assim sendo, por vezes terão de tentar a donk, revelando assim a vossa mão.

Neste caso, teriam obtido pouco valor com ambas as mãos. Jogaram de forma demasiadamente passiva com o vosso draw, não criando qualquer fold equity, e deram call com odds demasiado fracas, e portanto cometeram um erro.

Com AK, abdicaram de valor, e principalmente não estarão familiarizados como é que a vossa jogada no river tem de ser executada, isto na maioria das vezes. Como jogar no river após o check/call (no turn)? Como continuar a jogar após o check behind do vosso adversário? Na realidade, estarão à frente do oponente vezes suficientes para  tornar a abordagem agressiva rentável.

Trataremos exactamente destes assuntos no segundo artigo dedicado ao jogo no turn e também vai incluir muitos exemplos. Além das análises actuais, vão também aprender como estabelecer um plano de acção para o river, e saber avaliar se a mão que representaram ao longo das rondas anteriores, faz realmente sentido ou não.

Controlo do pote vs. Protecção

Esta é a questão com a que se vão ter de debater sempre que tiverem uma mão algo marginal. Desde que não tenham uma mão realmente forte, ou um draw, na maioria das vezes, não saberão exactamente como é que a vossa mão está, e acabam por enfrentar os problemas mencionados anteriormente. Eventuamente, acabam por renunciar à protecção demasiadas vezes, com o objectivo de manterem o pote pequeno de maneira a não serem confrontados com uma decisão cara no river.

Neste momento, teremos de adicionar um novo factor na análise de jogo no turn: A vossa posição.

Preferencialmente, vão querer jogar o máximo de potes com posição sobre os oponentes, e na maioria das vezes devem ter este facto em consideração mesmo nas rondas anteriores. No entanto, este factor não vai ser assim tão decisivo no turn pois em muitas ocasiões vão ter de decidir continuar a jogar mesmo sem posição. Naturalmente, é importante – como já foi  mencionado acima – saber qua nada mudará após o river. É com esta evidência que têm de conviver ao longo da mão.

Estão fora de posição

Não obstante o que foi dito atrás, é óbvio que enfrentarão cenários distintos consoante a vossa posição. Com posição, podem controlar o pote e também proteger a vossa mão mais frequentemente. Têm sempre a última palavra nessa ronda de apostas. Fora de posição, dependem sempre da resposta do vosso adversário.

Sendo assim, vamos agora ter em conta algumas opções que podem ter no turn, com posição ou sem ela:

O 2º BARREL

O 2º barrel é uma aposta no turn, após terem sido o agressor pré-flop e terem feito uma continuation bet no flop. Através do 2º barrel, continuam a representar uma mão forte. A questão que permanece é se o oponente acredita nisso.

As opções são claras: Se tiverem uma mão muito forte, a vossa jogada deve ser bet/3-bet. Com stacks de dimensão normal, isto normalmente quer dizer que já estão all-in com a  vossa 3-bet.

No entanto, se não tiverem qualquer mão e decidirem tentar o bluff, baseiam-se apenas na vossa fold equity, então a opção será bet/fold independentemente de tudo o resto.

Com efeito, o bet/fold no turn não se aplica apenas a bluffs. Também pode ser uma excelente escolha para averiguar como se situam no contexto da jogada com uma mão marginal.
Basicamente, isto aplica-se: Se têm intenções de fazer check/call numa determinada ronda, é melhor serem vocês a apostar. Terão maior fold equity, e na maioria das vezes, já terão informação sobre a força relativa da vossa mão após um raise. Além disso, estarão a extrair valor adicional de mãos mais fracas e de draws, e de futuro as vossas mãos mais fortes serão, tendencialmente, mais recompensadas pois os adversários terão maior dificuldade em perceber o motivo da vossa aposta.

Especialmente fora de posição, o bet/fold é a melhor escolha por este motivo. Pela simples razão que têm ao vosso dispor poucas ou nenhumas alternativas mais razoáveis. O check/call raramente será ideal, dado permitirem free cards e não aumentarem o pote. No Hold'em a agressividade é recompensada na maioria das vezes. Se tiverem alguma mão minimamente respeitável, deverão apostar.

Mesmo estando fora de posição, vão recolher informações bastante úteis: Se o vosso adversário fizer o raise, estarão atrás dele na maioria das vezes.

Numa mão específica, o raise é sempre categorizado como mais forte ou respeitável que uma simples aposta. Muitos jogadores podem fazer uma bluff-bet, mas é bastante difícil dominar o bluff-raise. Na realidade mesmo aqueles que são capazes de o fazer, geralmente escolhem as situações menos indicadas para isso.

Se este raise vier após um call pré-flop e após se ter negado a abdicar do pote no flop, então o raise no turn geralmente significa um monstro. Não é nenhuma vergonha fazer fold com top pair contra jogadores com um perfil de jogo normal, dado ser, na maioria das vezes, a solução mais aconselhável.

No entanto, se não vão considerar tentarem um 2º barrel fora de posição, só vos restam três opções:

  • Check/Fold

     A vossa mão é lixo fold e consideram que o adversário dificilmente faz fold, o que quer dizer que não esperam qualquer fold equity. Isto equivale a dizer que abdicam da mão.

  • Check/Call

    Com um check/call, entram nos parâmetros de uma situação bem à frente/ bem atrás que já conhecem do jogo no flop. É importante estar-se diante de um board que não permita muitos draws, assim como um adversário que, por vezes goste de tentar a bluff-bet (neste caso o "float") e que até seja capaz de fazer o bluff-raise no turn de vez em quando, mas que apenas faça o call down raramente. Neste caso, o check/call pode ser uma opção viável.

  • Check/Raise

    O check/raise é uma opção a ser considerada, especialmente contra jogadores muito agressivos e que potencialmente estejam a fazer um float. Se souberem de antemão que o oponente aposta no turn muito frequentemente, então devem sinalizar fraqueza com o check. Neste caso, este check/raise pode ser percepcionado pelas perspectivas valor- e de protecção.

    Uma outra vantagem: Como resultado desta acção, poderão balancear a vossa abordagem check/fold. Isto quer dizer que fazendo check no turn, os vossos adversários não saberão se vocês estão predispostos a abdicar da mão ou não. No entanto, se tiverem uma mão muito forte e o vosso adversário não apostar no turn, então estarão certamente a abdicar de algum valor.

Têm posição

Com posição, definitivamente terão vantagem sobre o adversário. O adversário actuará primeiro e vocês vão poder decidir se querem manter o pote pequeno com um check-behind, ou um call; ou se, por outro lado, desejam aumentar o seu valor com uma aposta ou raise.

Com posição, os princípios do 2º barrel também são aplicáveis. No entanto, se o vosso adversário apostar, quer apostando no turn após uma donk-bet no flop, ou após ter feito check/call no flop, fizer a donk bet no turn, então as vossas opções serão mais limitadas.

O bluff-raise acaba por ser, na maioria das vezes, demasiado caro, além de ser muito difícil avaliar a fold equity nesta situação. Assim estariam praticamente a comprometer-se com o pote e teriam de dar call a um push mesmo tendo apenas uma mão marginal.

Nesta situação, terão de avaliar se estão à frente ou não do adversário, e assim sendo terão de estar dispostos a arriscar toda a vossa stack no river se assim for necessário. Tendo isto em conta, o call pode ser justificado (no caso da mesa não permitir muitos draws), jogando assim baseado no princípio bem à frente / bem atrás, ou então fazendo o raise ficando preso ao pote. Naturalmente, desta forma estar-se-iam a proteger contra draws.

Esta situação torna-se um pouco mais complicada após um check do adversário. Dependendo da força da vossa mão, do adversário e da composição da mesa, colocam-se as seguintes questões:

  • Apostar para garantir um showdown grátis?
  • Check-behind para induzir um bluff?

Se estiverem no turn com uma mão feita forte, terão normalmente estas duas opções. O problema reside que ambas as jogadas têm vantagens, e terão de ser aplicadas considerando o tipo de adversário que enfrentamos.

APOSTAR PARA GARANTIR UM SHOWDOWN GRÁTIS

Com uma aposta que tenha como objectivo um showdown grátis, vocês estão a assumir que o vosso oponente é capaz de fazer call a uma aposta adicional no turn com uma mão mais fraca ou um draw, mas geralmente faz check até ao river se mantiver a sua mão inalterada. Destaque-se que têm a opção de ter um showdown grátis bastando fazer o check-behind no river sem ter de fazer call a uma aposta adicional no river. É como se comprasse o showdown grátis no turn, por assim dizer.

Os factores seguintes influenciam o sucesso desta  jogada:

  • O vilão tem de ser capaz de fazer call com uma mão mais fraca, ou com um draw, no turn.
  • O vilão não deverá  tender a fazer check-raise no turn.
  • O vilão deverá ser considerado como um jogador passivo, idealmente um calling station.
  • Por vezes, colocarão o vilão num draw então terão de proteger de qualquer forma de maneira a não permitirem free cards.
  • Devem considerar ter valor de showdown meramente suficiente, por isso estarem algo inseguros que conseguem ganhar o pote no river após check-behind no turn.
  • Neste caso, não consideram poder fazer o call a uma grande aposta no river, já que o vosso adversário é algo passivo e só tenta o bluff puro no river muito raramente.
CHECK-BEHIND PARA INDUZIR UM BLUFF

O check-behind para indução de um bluff baseia-se numa outra condição. Devem considerar estar à frente do oponente na maioria das vezes, no entanto não podem pensar que o oponente tem um  draw assim tantas vezes. Alternativamente, a mesa não deve oferecer assim tantas possibilidades para draws, limitando assim a possibilidade de serem batidos por um draw no river.

Os factores seguintes influenciam o sucesso desta  jogada:

  • O vosso adversário deve ser reconhecidamente agressivo, tendendo a ser TAG, LAG ou mesmo Maniac.
  • Não acreditam que o vilão tenderá a fazer call com uma mão mais fraca no turn.
  • A composição da mesa não permite muitos draws.
  • Só raramente colocam o vilão num draw.
  • O adversário é algo agressivo e poderia mesmo fazer check-raise no turn, após o qual teriam de fazer fold.
  • Assumem que o oponente faz a bluff-bet com uma mão fraca no river vezes suficientes, eventualmente até mesmo com um draw falhado. Além disso, a vossa mão permite-vos dar call a uma aposta grande no river sem qualquer problema.
  • Eventualmente, ainda têm alguns outs que vos podem permitir obter a melhor mão.

Agora têm de ter em conta o adversário assim como a composição da mesa para considerar qual o movimento que vos permite obter maior valor da mão.

Basicamente, podem manter-se fiéis a estas linhas estratégicas:

  • Se tiverem uma mão relativamente forte num board particularmente perigoso, devem, na maioria da vezes, proteger a vossa mão e portanto apostar.
  • Contra oponentes agressivos, a bet/fold não é a única opção se considerarem que este jogador é capaz de jogar  draws muito agressivamente. A Bet/call com  top pair também é plausível contra jogadores agressivos.
  • A ideia básica deve ser: Apostar! Só quando estiverem certos que o check-behind poderá ter um maior valor esperado considerando sempre os pontos atrás referidos, é que devem jogar mais passivamente.
 JOGAR DRAWS:  ODDS E ODDS IMPLÍCITAS

Não queremos ter uma longa discussão sobre como jogar draws, já devem dominar bastante bem o conceito de odds implícitas.

Não importa se estão a jogar heads-up ou num pote com múltiplos adversários, se actuam com posição ou sem ela, nem mesmo o tipo de draw que têm, as mesmas regras aplicam-se sempre:

  • Qual é o tipo de draw que possuem?
  • Quantos outs têm?
  • Quantos outs descontados têm? Com quantos outs podem estar certos de terem a melhor mão? Quantos outs é que estão eventualmente sujos, para que o vosso draw consiga, na melhor das hipóteses, apenas a segunda melhor mão?
  • Quais são as odds para os vossos outs?
  • Têm estas odds na forma de pot odds?
  • Ainda conseguem esperar algumas odds implícitas no river?

Se tiverem em atenção estes pontos, não vos fará mal nenhum. É óbvio que ainda falta uma carta no turn, e que a vossa equity continua a decrescer. Se enfrentarem uma aposta de dimensão considerável, é hora de fazer alguns cálculos e estimativas. Porque tudo que se aproximar de 2/3 do valor do pote dificilmente poderá ser feito o call com um mero draw (8- or 9-outs geralmente). Além disso, as odds implícitas que ainda podem esperar no river já podem ser bem estimadas.

Neste momento, as odds implícitas dependem essencialmente ...

  • ... da vossa posição. Com posição, será bem mais fácil extrair valor. Poderão fazer o raise por valor. Fora de posição, arriscam um check-behind do adversário após o vosso check, e além disso com uma aposta sinalizam uma mão forte, ou que atingiram o draw efectivamente.
  • ... do número de adversários (quantos mais oponentes, maiores as odds implícitas).
  • ... da textura da mesa (quão mais óbvio for a concretização do vosso draw para os vossos adversário, menores as odds implícitas).

Se não incluirem na análise a questão das odds implícitas, então a forma de jogar draws no turn será meramente matemática (desde que estimem de forma adequada o vosso draw e o seu real valor).

BLUFFS: FLOAT

Se falarmos de bluffs no turn, na maioria das vezes referimo-nos ao float.

Naturalmente, o 2º barrel com air (a vossa mão não tem qualquer valor), que se baseia apenas na fold equity, é um bluff. Também poderiam fazer o bluff-donk no turn de vez em quando, mas que não é muito promissor no longo prazo (a maioria das vezes, esta aposta não é muito credível). Para este tipo de bluff-donks, necessitam de uma read realmente fiável do vosso adversário e uma scare card adequada no turn.

O bluff-raise também é possívell tal como foi mencionado no início desta secção “Com posição”, é uma variante mais cara e complexa que não devem incluir no vosso portfólio de jogadas até terem a experiência e o conhecimento suficientes.

Por isso, voltemos ao float, que é um bluff no turn bastante barato e que geralmente costuma ser bastante credível.

A sua execução é bastante simples: No flop – idealmente com posição – fazem apenas call de uma aposta. Na maioria das vezes, o vosso adversário foi o agressor pré-flop e fez uma conti-bet. No entanto,  também é possível terem sido vocês o agressor pré-flop, e o vosso oponente ter feito uma donk-bet.

Após o call no flop, anseiam por um check do vosso adversário no turn, para que possam apostar. O oponente  tenderá a fazer fold na grande maioria do seu range.

Tendo sido APF, ocorrem muitas continuation bets, mas o check no turn é semelhante a uma desistência.

  • A donk-bet no flop normalmente representa uma mão fraca que deseja fazer bet/fold. Também neste caso, poderão levar o pote no turn.

O valor esperado é bastante elevado e principalmente, têm a enorme vantagem de balancear a vossa forma de jogar, tornando as vossas futuras mãos fortes mais rentáveis. Se tiverem uma mão forte no flop com posição, não querem fazer sempre o raise imediato. No entanto, no turn têm de apostar. Portanto acabampor ter a vantagem de jogaremos bluffs e as vossasmãos realmente fortes exactamente da mesma forma, tornando assim a vossa extremamente difícil de ler.

A que devem tomar atenção quando tencionam fazer o float?

  • Têm um draw no flop e por isso têm a vantagem de poderem ganhar tanto com o float, ou se concretizarem o draw no turn.
  • Se tiverem muitos outs no turn e pensarem que o adversário é capaz de fazer o check-raise, então o check-behind deve ser a escolha mais prudente.
  • Devem esperar uma taxa de sucesso superior com o float  do que com o raise directo no flop
  • Estimam ter bastante fold equity.
  • Devem ter uma mão sem grande valor para o showdown. O objectivo do bluff é conseguir que uma mão melhor do que a vossa faça o fold. Se pensarem estar à frente do adversário, o check-behind com o objectivo de induzir um bluff pode voltar a ser equacionado. Com efeito, não querem transformar uma mão mais forte num bluff.
  • A carta do turn é assustadora para o oponenete, mas não para vocês. Se pensarem que o adversário pode ter atingido algo com esta carta (p.ex. um draw pode ter sido concretizado), então talvez seja melhor abdicar do bluff. Na realidade, muitos jogadores agressivos gostam de fazer check-raise no turn.

Resumo

Por um lado, já viram as razões que, por vezes, fazem do turn algo bastante problemático. No entanto, por outro lado, também tiveram a oportunidade de aprender as possibilidades que têm ao vosso dispor.

É sempre importante manter em mente o plano do flop, devem tentar usá-lo da melhor forma. Se querem fazer um bluff, então devem continuar a representação dessa mão de uma forma lógica e credível (p.ex. float, 2º barrel). Se pensarem que estão à frente do adversário, então terão de proteger a vossa mão. Se não sabem exactamente como está a vossa mão, e tiverem posição sobre o oponente, terão de avaliar bem as opções consoante cada contexto específico, quer desejem apostar para garantir um showdown ou fazer o check-behind para induzir um bluff.

Naturalmente, já têm de pensar no river, e tentar prever na situação que vão enfrentar nessa ronda de apostas. Após a jogada no turn, devem já ter bem planeada a vossa acção no river. É extremamente importante concentrarem-se na jogada no turn e trabalharem-na da melhor forma.

Para treinarem melhor estes conceitos, poderão encontrar alguns exemplos adicionais que vão explicar melhor a abordagem teórica que aqui foi introduzida.