Atualizado em 07 Jul 26 por

Estatísticas (2) - Interpretação

Introdução

Neste artigo

  • Como interpretar correctamente as estatísticas
  • Porque é que as estatísticas precisam ser vistas em determinado contexto 
  • Os perigos do tamanho da amostra

Na primeira parte, aprendeste o que era o sistema de pirâmide e agora já sabes como as estatísticas se relacionam umas com as outras. Também foi explicada a importância do tamanho da amostra nas estatísticas e o princípio por trás da interpretação de uma estatística.

Nesta segunda parte, vais ganhar um conhecimento mais profundo sobre as estatísticas e vais aprender como interpretá-las e como lidar com o tamanho da amostra. Também te será apresentado o conceito de uma cadeia de interpretação.

No final do artigo, vais compreender porque é que determinadas estatísticas com o mesmo valor podem levar a diferentes conclusões sobre um Vilão. Dependendo do contexto, podes interpretar o valor de uma forma ou de outra. Outros aspectos importantes que influenciam a tua decisão, como por exemplo a textura do board, histórico de mãos e leituras, não vão ser especificamente examinados nos exemplos.

Precisas de te familiarizar com o processo de pensamento, isto é, precisas de entender as fórmulas em vez de aprenderes quase automaticamente certos resultados.

Interpretação em dois níveis

Para interpretar uma estatística numa situação específica, precisas de formar uma complexa cadeia de interpretações. Isso significa que fazes uma série de interpretações em cada street, onde cada uma dessas séries tem dois níveis. O primeiro nível é examinar a estatística em relação a outras estatísticas relevantes.

No segundo nível, interpretas os resultados com base na actual situação de jogo. Isso pressupõe ter em conta todas as séries de interpretações anteriores, incluindo as futuras streets. Como tal, o segundo nível de uma série é a interpretação actual das conclusões que obtiveste sobre uma estatística, incluindo os contextos, ao mesmo tempo que não deixas de lado todas as influências específicas que variam dependendo da situação, como por exemplo a textura da board, histórico de mãos, dinâmica da mesa, leituras, metagame, etc.

  • Primeiro nível: formar uma cadeia de contexto

Examinas um número isolado de estatísticas e olhas para elas em relação a estatísticas relevantes para a mesma street ou outras streets.

  • Segundo nível: interpretar a cadeia de contexto numa situação actual de jogo

Tudo somado, isto vai dar-te o nó de uma cadeia de interpretações para uma street.

É claro que baseias as tuas considerações no flop nas tuas considerações pré-flop. No turn baseias as tuas considerações nas tuas considerações pré-flop e flop, etc. Isto por seu lado forma uma cadeia complexa: a cadeia de interpretação.

A imagem seguinte ilustra a estrutura de uma cadeia de interpretação. Podes ver que cada nó está ligado a todos os outros. Isso indica que não deves ter apenas em conta as conclusões das streets anteriores, mas também deves incluir as estatísticas das futuras streets nas tuas considerações.

Na realidade, porque é que as estatísticas são interpretadas? Será necessário?

O poker é e sempre será um jogo onde nunca terás toda a informação, mesmo tendo em conta todas as estatísticas à tua disposição. A forma dos jogadores no dia, o tilt, distracções e outros factores similares podem fazer com que um jogador de repente adopte um estilo de jogo muito diferente do habitual. Dependendo do tipo de jogador, é bastante perigoso reduzir um Vilão a nada mais do que as suas estatísticas.

Por isso, não só a distribuição e sucessão das cartas são objecto da variância, mas também o estilo de jogo de um Vilão durante todas as sessões.

As estatísticas têm uma forma única de tratar esta variação no estilo de jogo de um jogador como uma média estatística...

Os jogadores experientes conseguem obter leituras exactas sobre os seus adversários ao observá-los atentamente. Eles percebem a determinação de um Vilão em correr riscos em qualquer altura, se está ou não em tilt, se existe um histórico na mesa entre ele e os outros jogadores, se está numa boa ou má forma e outras observações do género.

Estes factores metagame têm que ser tidos em conta na interpretação, se o teu estilo de jogo ou limite assim o permitirem.

Então, como podes ver, as estatísticas têm que ser ajustadas de diferentes formas quando estás numa mão com um Vilão. Este princípio básico é tanto mais importante quanto mais fortes forem os teus adversários e quanto mais te desviares do jogo básico de poker.

Vamos agora olhar com mais atenção para uma forma estruturada de adoptar os processos de pensamento necessários: a cadeia de interpretação.

A cadeia de interpretação e o leque de mãos do Vilão

O que é uma cadeia de interpretação?

Depois de na primeira parte termos olhado para as estatísticas de um ponto de vista predominantemente isolado, vamos agora aprender como é que as estatísticas estão ligadas entre si.

Não pode ser dada uma definição precisa às cadeias de interpretação. Essa definição tem que ser sempre formada individualmente de acordo com o Vilão, situação e o tamanho de amostra disponível. Os exemplos apresentados aqui servem para clarificar o processo, permitindo assim que na próxima vez que fores jogar nas mesas sejas capaz de formar uma cadeia de interpretação por ti próprio.

A cadeia de interpretação vai não só ajudar-te a tirar conclusões sobre a street em que estás num determinado momento, mas também te ajudará a formar um plano para a tua mãos nas futuras streets.

A regra aqui é focar a atenção na acção de jogo anterior do Vilão quando tens posição e, quando estás fora de posição, ter em conta a possível reacção do Vilão.

As estatísticas num contexto

Colocar as estatísticas num contexto significa que tens em conta outras estatísticas relevantes e as consideras em relação a às demais estatísticas.

I VPIP e I PFR são bons exemplos de estatísticas que estão intimamente relacionadas, as quais te dão uma impressão muito boa do estilo de jogo pré-flop do Vilão e do leque de mãos do Vilão no flop quando tens um tamanho de amostra suficientemente grande. A diferença entre os dois também serve para indicar o leque de mãos do Vilão para call pré-flop.

É impossível elaborar uma tabela definitiva. Foi por isso que criámos um número de exemplos que devem ilustrar estas ligações.

EXEMPLO 1:

Pré-flop: I VPIP – I PFR – I calling range

Considerações:

Quanto menor for a diferença (por exemplo, Vilão com 18/16) …

  • …mais agressivamente o Vilão joga as suas mãos pré-flop.
  • …mais vezes o Vilão tem a iniciativa no flop.
  • …menos vezes o Vilão fará calls passivos no pré-flop e mais pequeno se torna o seu leque de mãos para call.

Quanto maior for a diferença (por exemplo, Vilão B com 20/10) …

  • …mais passivamente o Vilão joga pré-flop.
  • …menos vezes o Vilão tem iniciativa no flop.
  • …mais vezes o Vilão fará calls passivos no pré-flop e maior se tornará o seu leque de mãos para call.

Este exemplo mostra como estas estatísticas estão directamente ligadas entre si, e que tipo de conclusões gerais podes tirar sobre o leque de mãos pré-flop do Vilão.

Estas ligações são um aspecto importante quando se analisa uma estatística num contexto. Dá origem a uma longa cadeia de ligações, as quais podem ser todas interpretadas de forma diferente, isto é, permite um desvio nas conclusões quando o valor da estatística é idêntico, dependendo das interpretações feitas anteriormente. Este é o princípio básico por trás da tua cadeia de contexto.

Mas nunca te esqueças: o poker será sempre um jogo onde nunca terás toda a informação, mesmo tendo em conta todas as estatísticas.

Com base neste primeiro nível de interpretação das estatísticas pré-flop, este exemplo ilustra o segundo nível da cadeia de contexto, isto é, as estatísticas relevantes no flop.

Flop: II cbet – II fold to cbet – II raise cbet – AF - WTS

Considerações:

  • Quanto mais agressivamente um Vilão jogar pré-flop, mais vezes ele ficará perante uma situação onde pode jogar uma II cbet no flop.
  • Quanto mais passivamente um Vilão jogar pré-flop, mais vezes ele ficará perante uma situação onde será confrontado com uma II cbet no flop.
  • Quanto mais agressivamente o Vilão jogar (AF), mais vezes ele apostará no flop.
  • Quanto mais passivamente o Vilão jogar (AF), menos vezes ele apostará no flop.
  • Quanto maior for o WTS do Vilão, menos vezes ele fará fold no flop.
  • Quanto menor for o WTS do Vilão, mais vezes ele fará fold no flop.

Estes princípios básicos não devem ser nada de novo para ti. Mas, em ligação com a cadeia de interpretação, já podes tirar aqui algumas conclusões bastante complexas no flop. Muitos jogadores têm um estilo de jogo do qual muito raramente se desviam. Quanto mais fraco for um jogador, mais ele se mantém fiel ao seu estilo de jogo. Por isso, é sempre visível quando um jogador faz um movimento que parece contradizer o seu estilo de jogo.

EXEMPLO 2:

Estás a jogar uma mão contra o Vilão A e o Vilão B. Em ambos os casos, os vilões são os primeiros a fazer raise a partir de MP, e tu fazes call com um par de mão a partir do BU. No flop e com posição, és confrontado com uma continuation bet de ambos. Agora precisas de interpretar esta continuation bet. Para tal, utilizas uma cadeia de contexto.

Vilão A (18/16) e Vilão B (20/10) têm ambos um valor de cbet de 75%. Agora, considera o que este valor idêntico diz sobre o leque de mãos do Vilão se te remeteres aos princípios básicos para o nível de interpretação no flop e o nível de interpretação pré-flop citados anteriormente.

  • Vilão A (18/16, 75% cbet)
  • Vilão B (20/10, 75% cbet)

Como o Vilão A joga mais agressivamente pré-flop e pode por isso utilizar uma cbet mais vezes, o leque de mãos que tem nesta situação não é assim tão limitado. O Vilão B é mais passivo pré-flop, o que significa que ele faz menos apostas e raises. Como tal, tem tendência para ter um leque de mãos mais forte do que o Vilão A no flop - compara aqui PFR 10% a PFR 16%. A cbet feita pelo Vilão B é menos vezes um bluff do que com o Vilão A, apesar dos seus valores idênticos.

Portanto, este simples exemplo deve ilustrar como é que estatísticas idênticas isoladas (aqui é o valor de cbet de 75%) são interpretadas diferentemente e como podem levar a diferentes conclusões no que diz respeito à força do leque de mãos do Vilão, se incluíres outras estatísticas nas tuas considerações.

É claro que não vais olhar apenas para o valor da II cbet, mas também para outros importantes valores do nível de interpretação no flop, pois só assim podes elaborar um plano para as futuras streets. Assim sendo, já pensaste como é que queres continuar a jogar a mão com a utilização das interpretações do flop.

  • Vilão A (18/16, 75% cbet, AF 3.0, WTS 35%)
  • Vilão B (20/10, 75% cbet, AF 1.5, WTS 50%)

O Vilão B neste exemplo é geralmente mais passivo, por isso verás menos acção por parte dele, como por exemplo semi-bluffs nas streets seguintes. Como o Vilão B normalmente tem um leque de mãos mais forte do que o Vilão A depois de uma cbet no flop, um segundo barril no turn deve ser considerado mais relevante do que um segundo barril no turn por parte do Vilão A.

Se continuares agora a interpretar o valor de cbet e também incluíres o AF e WTS, é mais provável que o Vilão B deixe sair a maioria da sua agressividade no flop quando tem um valor de cbet no flop de 75% mas apenas 1.5 AF.

O teu plano para o turn pode ser neste caso algo deste tipo: se o Vilão B produzir mais acção, tu por exemplo fazes fold com um par de mão, ou, em alternativa, fazes check behind em posição para ver uma carta de graça no river ou floating, apesar de isto nem sempre ser uma boa ideia quando tens pela frente um valor de 50% de WTS. Deve-se acrescentar aqui que estas considerações podem ser suportadas por outras estatísticas, como por exemplo a III turn cbet ou flop AF e turn AF.

Como já sabes, precisas de uma amostra de tamanho correspondente a cada nível de estatísticas seguinte. Se, por exemplo, quiseres incluir a III turn cbet, precisas de incorporar este importante princípio básico nas tuas considerações.

Estas considerações são baseadas puramente nas estatísticas do primeiro nível. Vamos explicar a seguir no segundo nível como interpretar estes pensamentos com uma situação de jogo real.

O AF e WTS são muito úteis no flop, tal como viste no exemplo, apesar de apenas representarem valores gerais, não sendo por isso dependentes do flop.

Normalmente, podes dizer que um alto valor de AF com um baixo valor de WTS e um baixo valor de AF com um alto valor de WTS estão interligados. Isso é porque os jogadores agressivos muitas vezes ganham as suas mãos com fold equity sem irem a showdown, o que diminui o seu valor de WTS.

Aqui é importante interpretar sempre o AF e WTS em ligação com os valores do primeiro nível de interpretação pré-flop (VPIP, PFR, calling range), uma vez que o WTS em particular é relativo ao leque de mãos no flop, tal como já aprendeste na primeira parte da série de estatísticas.

O que deves considerar quando olhas para o WTS:

  • Quanto maior for o WTS, maior será o leque de mãos do Vilão no showdown.
  • Quanto menor for o leque de mãos do Vilão no flop, mais forte será o seu leque de mãos no showdown com um WTS idêntico.
  • Quanto maior for o leque de mãos do Vilão no flop, menos forte será o seu leque de mãos no showdown com um WTS idêntico.
  • Quanto maior o AF, menor o WTS.
  • Quanto menor o AF, maior o WTS.
Interpretação no segundo nível

Agora já viste considerações exemplares para o primeiro nível: o contexto. Provavelmente já pensaste um pouco sobre como também precisas de ter em consideração detalhes importantes, como por exemplo a textura da board, para formar um juízo sólido sobre o Vilão.

No segundo nível interpretas estes resultados ao analisar uma situação de jogo real. A textura da board, dinâmica da mesa, leituras, histórico de mãos e todo o tipo de outros factores desempenham aqui um papel importante.

O resultado é um nó de interpretações. Neste exemplo vamos olhar para um no flop.

O segundo nível de um nó de interpretações, isto é, interpretar efectivamente uma situação de jogo real, é muito complexo. Precisas de aplicar todos os princípios básicos que foram discutidos noutros artigos de estratégia e que não serão discutidos novamente neste artigo.

Este exemplo deve ter clarificado o quanto extensivas podem ser as tuas considerações, mesmo quando interpretas apenas uma estatística. Já viste que as estatísticas de outras streets podem ajudar-te a interpretar a street em que estás de momento.

Tamanho da amostra na cadeia de interpretação

Já estás familiarizado com o tamanho da amostra. Indica a quantidade de mãos do Vilão que tens na tua base de dados. Por esta altura também já sabes que esta estatística é muito importante para as tuas interpretações, uma vez que o valor de todas as outras estatísticas dependem directamente dela. Já te foi apresentado na primeira parte uma introdução a estes princípios básicos com a ajuda do sistema de pirâmide. 

Problemas com estatísticas e tamanhos de amostras

Tamanho da amostra demasiado pequeno: e agora?

Antes de interpretares qualquer estatística, deves olhar primeiro para o tamanho da amostra, para que tenhas uma base razoável para as tuas interpretações.

Se o tamanho da amostra for demasiado pequeno para o nível em que estás, por exemplo no turn, pode ajudar-te a ter em conta as estatísticas que precisam de um tamanho de amostra bastante mais pequeno. Estas são todas as estatísticas do primeiro nível, isto é, o VPIP e PFR em particular.

Mas é importante aqui que não tires conclusões a partir de estatísticas que necessitam de um tamanho de amostra maior. Se, por exemplo, tiveres apenas 50 mãos, não deves ter em consideração as estatísticas do turn, tais como o segundo barril ou o valor de 3-bet pré-flop do Vilão. Muitos programas de monitorização exibem estas, mesmo quando o teu tamanho de amostra total é demasiado pequeno.

Para não caíres na "armadilha de não ter tamanho de amostra suficiente", antes de olhares para qualquer outra estatística, precisas de criar o hábito de olhar automaticamente primeiro para o tamanho da amostra.

Se o tamanho da amostra não for suficientemente grande para colocar o teu adversário numa categoria de tipo de jogador, precisas de considerá-lo como um "jogador desconhecido".

O jogador desconhecido

Quem é o "jogador desconhecido" de que ouves falar tantas vezes? Quais são as considerações mais importantes que podes fazer sobre ele?

O jogador desconhecido depende muito da variante de jogo e das dinâmicas do limite. Por isso, um desconhecido de NL10 é visto de uma maneira muito diferente de um desconhecido de NL100.

Assumimos que um jogador desconhecido tem um nível médio de conhecimentos de poker no limite que estamos a jogar. Um jogador desconhecido também jogará em todas as streets numa forma que é típica desse limite. Como tal, num limite passivo também assumimos que vamos ver mais estilos de jogo passivos.

Então, deves olhar para um jogador desconhecido como alguém que joga como um regular normal no limite em questão. Não o consideras como um jogador excepcional e podes assumir que jogará um jogo basicamente lógico, típico desse limite.

Estatísticas em falta que tens que calcular a partir de estatísticas conhecidas - será possível?

Esta abordagem é interessante quando a sobreposição das tuas estatísticas não exibem determinadas estatísticas ou quando o teu tamanho de amostra não é suficiente para as estatísticas de níveis mais elevados(p.ex. no river).

Vamos assumir que estás no flop com um tamanho de amostra suficientemente grande para fazer interpretações sobre o teu adversário no segundo nível, cerca de 500 mãos, mas queres ser capaz de fazer uma boa estimativa sobre a probabilidade de um III 2nd barrel.

A base para esta dedução é o leque de mãos no flop como PFA do Vilão, isto é, o seu valor I PFR, o seu valor II continuation bet flop e as estatísticas gerais AF e WTS do Vilão.

Interpretar estas estatísticas permite-te tirar conclusões sobre a probabilidade de veres um III 2nd barrel no turn. Quando estás a jogar numa mesa, é claro que tens que ter em conta o metagame e outros factores importantes, como por exemplo a textura da board, posição, número de adversários, etc.

Por isso, precisas de ver as estatísticas deduzidas num contexto e interpretá-las adequadamente.

Como tal, quando houver estatísticas em falta, é possível trabalhar com as estatísticas que tens à tua disposição. A interpretação das estatísticas e o nó de interpretações fornecem-te padrões de pensamento úteis, para analisar com mais atenção o estilo do Vilão e para ver todas as estatísticas dentro do contexto completo. Podes medir o estilo de jogo com isto e pensar sobre como "uma estatística em falta" se encaixa no estilo de jogo do Vilão.

Mas é claro que a regra é aqui de novo que o tamanho da amostra é crucial.

Tamanho da amostra demasiado grande – Pode tornar-se num problema?

Isto pode acontecer frequentemente. O Vilão também desenvolve o seu jogo com maior ou menor sucesso, dependendo do limite. Por isso, os regulares que costumas ver nas mesas e dos quais tens um tamanho alto de amostras, com o passar do tempo vão ajustar o seu estilo de jogo e deixar de oferecer determinadas leaks.

Basta pensares no facto de que tu também és um regular no limite, e perguntares-te a ti próprio qual será o desvio no teu estilo de jogo actual em relação àquilo que era há uns mesas atrás.

Por isso, faz todo o sentido prestar mais atenção a um tamanho de amostra actual do que a um tamanho de amostra grande com muitas mãos, mas o qual já tem alguns meses. Contudo, quando em dúvida, muitas mãos é sempre melhor do que poucas.

Estatísticas e as suas tendências

Aqui a regra básica é: quanto menos específica for uma estatística, mais estável será o seu desenvolvimento. Os bons exemplos aqui são o I VPIP e I PFR.

As estatísticas que dependem de uma determinada situação têm tendência para oscilar mais. Como tal, um check-raise no turn depende mais de circunstâncias individuais quando tens que tomar uma decisão.

Podes reduzir um Vilão às suas estatísticas?

Já deves ser capaz de responder facilmente a esta questão. Sabes que as estatísticas são uma representação da média de estatísticas que têm que ser interpretadas a dois níveis, e que por isso não são particularmente significativas por si próprias.

O primeiro nível é a interpretação da média de estatísticas entre elas num contexto.

O segundo nível é a interpretação das considerações do primeiro nível durante uma situação específica de jogo numa mão, quando se tem em consideração ao mesmo tempo a textura da board, o histórico de mãos, a dinâmica da mesa, as leituras e todas as outras influências que variam dependendo da situação.

Se considerares as jogadas do Vilão como um todo, chegarás à conclusão que a soma de todas as estatísticas é um indicador muito melhor do seu estilo de jogo do que as cartas da sua mão.

Cada estatística deve ser para ti uma faceta do estilo de jogo do Vilão. Se aprenderes a interpretar essa facetas correctamente poderás chegar a muitas conclusões que te ajudarão a tomar as decisões no momento.

Conclusão

Neste artigo aprendeste que, apesar de todas as possibilidades que os programas de monitorização têm para te oferecer, continuas a ser tu a ter que gerir toda a informação recolhida.

Um valor tem que ser interpretado correctamente para que te possa servir de ajuda na tomada de uma decisão rentável no jogo. Um valor raramente está sozinho e deves sempre analisado no contexto relevante. A cadeia de interpretações ilustra até que ponto pode ser utilizada quando o fazes.

Se compreendeste os conteúdos deste artigo e tens noção dos perigos e das armadilhas, muito em breve será capaz de introduzir no teu jogo uma arma poderosa na luta pelas fichas.