Conceitos: Semi-bluffs - Teoria e Prática
Introdução
Neste artigo
- Os conhecimentos matemáticos dos semi-bluffs
- A aplicação prática dos semi-bluffs
- Quando valem a pena, mesmo no river
Um semi-bluff, assim como a contraparte de um bluff puro, tem o objectivo de fazer com que o oponente faça fold com mãos melhores. Contudo, em contraste com o bluff puro, tens uma mão com possibilidades moderadas a boas de ser ainda a melhor, ou de poder tornar-se na melhor.
Com um semi-bluff, estamos a tentar maximizar o nosso lucro esperado ao combinar o fold equity e a força da mão.
Neste artigo vamos discutir os fundamentos matemáticos dos semi-bluffs usando exemplos, e explicar as condições onde são adequados numa mesa de poker.
Exemplo:
Preflop: Hero is MP2 with A
, Q
4 folds, Hero raises, 4 folds, BB calls
Flop: (4,5 SB) T
, 7
, 2
(2 players)
BB bets, Hero calls
Turn: (3,25 BB) J
(2 players)
BB bets, Hero raises …
Tens uma draw monstruosa: 9 outs para o flush, mais 3 para os reis (excluímos o rei de espadas) mais duas overcards, que podem contar como mais ~3 outs - faz um total de 15 outs. Tens uma boa possibilidade de ter a melhor mão no river, mas é pouco provável que tenhas a melhor mão no turn.
Decidiste fazer raise no turn porque sabes que há mãos melhores às quais o oponente pode fazer fold aqui. Com que frequência devem fazer fold a uma mão mais forte aqui a fim de tornar o nosso semi-bluff rentável? Como sabemos que um raise é melhor que um call? Como podemos avaliar se o oponente faz fold a mãos melhores as vezes suficientes? Estas e outras questões relativamente aos semi-bluffs vão ser discutidas na próxima secção.
A Matemática dos Semi-Bluffs
A Matemática por detrás dos semi-bluffs é muito complicada. Os cálculos clássicos do EV são difíceis de aplicar. Temos, portanto, de preocupar-nos em responder às seguintes perguntas:
Fazer raise no turn é melhor que fazer call? Quanto fold equity é necessário para fazer raise em vez de call?
Primeiro vamos olhar para os valores esperados de raise e call individualmente e compará-los para obter uma fórmula geral. Tal como acontece com todas as fórmulas primeiro esclarecemos a terminologia:
P = Tamanho do pote no início da ronda de apostas, sem contar as apostas dos oponentes - por exemplo, 5BBs são P = 5
V = Tamanho da aposta do Vilão (Oponente) - se ele apostar 1 BB, então V = 1
H = Tamanho da aposta do Hero (Tu) - um raise em fixed limit corresponde a H = 2, EQ = a tua equidade; Normalmente contamos isto em outs, mas isto pode ser facilmente convertido em: 1 Out representa uma equidade de cerca de 2,2% - com um simples flushdraw no turn a nossa equidade é aproximadamente 20% ou seja EQ = 20% = 0,2
P(F) = A probabilidade do oponente fazer fold a uma mão mais forte - se ele faz sempre call então P(F)=0; se ele faz sempre fold, P(F)=1
O poker é um jogo muito complexo. Uma fórmula exacta tendo em conta todos os factores seria muito longa e pesada. Há muitos factores incertos dos quais não podemos obter nenhum resultado útil. Temos, portanto, de ser um pouco abstractos. Os que consideram a possibilidade do vilão fazer 3-bet, ou os que tenham implícito odds no river, como insignificante.
Esperemos que estas imprecisões se equilibrem mutuamente, ou que sejam tão pequenas que não influenciem a nossa decisão final. Por causa da perfeição, assumimos que temos uma mão pior que os nossos oponentes.
Chega de detalhes pouco importantes - para o EV! Primeiro considera o call. O artigo sobre odds e outs fornece o conteúdo necessário.
EV(Call) = (P + V + V) * EQ - V
O termo entre parênteses representa o tamanho do pote no fim da ronda de apostas, nomeadamente „o pote no início" mais „a aposta do oponente" mais „o nosso call", naturalmente, cada um destes tamanhos de apostas é o mesmo que um raise do oponente.
Nós ganhamos esta quantia com probabilidade EQ. Logicamente falando, a equidade é nada mais que a nossa probabilidade de ganhar. Agora temos o nosso lucro e precisamos de deduzir os nossos custos. O valor que nos resta é o valor esperado de um call.
De acordo com este princípio - o valor a ser ganho vezes a probabilidade de ganhar menos os custos - podemos calcular o valor de um raise:
EV(Raise) = P(F) * ( P + V ) + ( 1 - P(F) ) * ( ( P + 2 * H ) * EQ - H )
Neste caso temos de incluir a possibilidade do oponente fazer call ou fazer fold. Há duas possibilidades, assim calculamos separadamente e pesamos de acordo com a sua probabilidade:
Se o vilão faz fold [P(F)], então ganhas o pote [(P+V)]. Também „ganhas" o teu raise, de modo a que isto anule ter sido um custo. Acabámos a primeira parte.
Se o oponente faz call contudo, então P, V, H (o teu raise) e H-V (o call do oponente, no qual ele já pôs algum dinheiro) estão no pote final. Simplificado, isto torna-se em ( P + 2 * H ).
Agora ganhas a proporcionalidade do teu EQ. O custo da nossa acção é o tamanho do nosso raise, H. A probabilidade de um call é o complemento da probabilidade de um fold, uma vez que excluímos a possibilidade de uma 3-bet. O oponente faz fold se ele não fizer call e faz call se ele não fizer fold. A possibilidade de um call é portanto 1 - P(F).
A pergunta original era se um raise era melhor que um call e quanto fold equity precisamos. Obtemos esta resposta observando o EV(Raise) > EV(Call) para um determinado valor de P(F). Isto é principalmente papelada e alguma aritmética simples:
|
|||
|
|||
|
- [ ( P + 2 * H ) * EQ – H ] | ||
|
: [ P + V + H – EQ * ( P + 2 * H ) ] | ||
|
Esta fórmula tem sido muito geral até agora. Uma vez que só estamos interessados em fixed limit, podemos ser mais concretos e usar tamanhos de apostas fixas [ V = 1, H = 2] para obter:
Exemplo de Aplicação: Vamos aplicar as nossas conclusões no primeiro exemplo - A
Q
. Recapitulando:
Preflop: Hero is MP2 with A
, Q
4 folds, Hero raises, 4 folds, BB calls
Flop: (4,5 SB) T
, 7
, 2
(2 players)
BB bets, Hero calls
Turn: (3,25 BB) J
(2 players)
BB bets, Hero raises …
P é 3,25 e a nossa equidade é cerca de 34%. Com a nossa fórmula obtemos um mínimo P(F) valor de ( 1 - 2 * 0.34 ) / ( 3,25 + 3 - 0.34 * ( 3,25 + 4 ) = 0,32 / 3.785 = 0.0845.
O oponente tem de fazer fold a uma mão melhor apenas ~8% das vezes, como Q
2
para fazer um raise melhor que um call. Quem teria imaginado?!
A formula sozinha não nos vai dar a solução para todas as situações - a experiência muitas vezes ajuda mais do que mil números. Aqui usamos a nossa equação, supondo que P = 3,25 para derivar o gráfico que mostre o fold equity necessário para vários tamanhos do pote. Os pontos na área cinzenta aconselham um raise, considerando que um raise é desaconselhável para as situações na área azul clara.
Olhámos para a equidade necessária no nosso exemplo AsQs , e seguindo as setas pretas de 0,34 EQ acabámos com 0.0845 para P(fold).

Neste ponto estaríamos quase perdidos, se não fosse o botão fold. Esta opção pode ser a melhor escolha pelo que temos de comparar as duas alternativas. O valor esperado para fold é 0 já que não podemos ganhar nada e não investimos nada. Isto torna muito fácil a comparação, uma vez que temos os três valores do EV.
Um raise é melhor que um fold se:
- EV(Raise) > EV(Fold)
- P(F) * ( P + V ) + ( 1 – P(F) ) * ( ( P + 2 * H ) * EQ – H ) > 0
| P(F) > |
(H – EQ * ( P + 2 * H ))
( P + V + H – EQ * ( P + 2 * H )) |
E um call é melhor que um fold quando as odds e outs sugerem:
- EV(Call) > EV(Fold)
- (P + V + V) * EQ - V >0
| EQ > |
V
( P + 2 *V ) |
Podemos aplicar esta fórmula para Fixed Limit mais uma vez, supondo que P = 3,25, e inseri-la no nosso gráfico antigo. A nova área castanha clara representa quando um fold é a melhor opção.

A decisão entre fazer call e fazer fold é de interesse marginal para nós num artigo de semi-bluff uma vez que quase sempre vais ter odds para fazer o call. O importante aqui é a linha entre a área cinzenta e a área azul, e não apenas para P = 3,25. A figura 3 combina as áreas rentáveis para fazer semi-bluff para diferentes valores de P.
Com um gutshot no turn tens uma equidade estimada de 10% e se o tamanho do pote no início da ronda de apostas são 9 BBs então é rentável fazer raise se o villain fizer fold 7,5% das vezes. Se o tamanho do pote são 7 BBs, contudo, então precisámos de 10% de fold equity, e com um pote de apenas 3 BBs, precisamos que os oponentes façam fold 25% das vezes.
A matemática por detrás dos semi-bluffs é bastante complicada porque os vários resultados das nossas acções devem ser tomados em conta, resultando em algumas fórmulas bastante complexas. Só com a ajuda de gráficos, que proporcionam um resultado claro, podemos aplicar a nossa análise.
Mesmo que o fold equity contra o nosso oponente nunca é determinado com precisão, podemos ter uma boa sensação de quanto fold equity precisámos para fazer um semi-bluff rentável com ajuda dos gráficos e das nossas análises.
Agora vamos explorar os semi-bluffs usando algumas situações de jogo específicas. Aqui também vamos mostrar-te como podes determinar a quantidade de fold equity que actualmente tens.
Aplicações Práticas dos Semi-Bluffs
Naturalmente, há muitas oportunidades para usar os semi-bluffs. Em contraste com o bluff puro, há algumas situações onde um semi-bluff é um movimento standard. Os semi-bluffs são basicamente mais eficazes, visto que também temos algumas outs. Pode-se mesmo dizer que com draws fortes como OESDs e flushdraws, um semi-bluff é quase sempre +EV.
Contudo, isto não quer dizer que um semi-bluff é sempre a melhor maneira de jogar com um draw. Com posição, e heads up é geralmente melhor fazer um raise no turn, uma vez que as apostas grandes vão dar-te um maior fold equity. Em potes com vários jogadores com posição, deves fazer raise no flop, para manter as tuas opções em aberto, tais como:
- Value raise battle
- Tentar ganhar o pote sem ir a showdown ao aplicar pressão
- Sem resistência, há a opção free card no turn
Sem posição, deves tentar reter a iniciativa no flop, para que haja a possibilidade do oponente fazer fold à sua (normalmente melhor) mão no flop ou no turn.
Como mencionado, uma parte importante dos semi-bluffs é desenvolver a tua habilidade de estimar o fold equity que tens contra um oponente. Mesmo que isto possa parecer muito abstracto para quantificar, existem formas e recursos para fazer uma aproximação.
Quando considerares fazer um semi-bluff, deves fazer a seguinte pergunta: Especificamente que mãos melhores podem fazer fold a um raise?
Para responder a isto, deves fazer uma estimativa do leque de mãos do teu oponente. Para te ajudar com isto, podes usar as estatísticas do oponente, tomar nota da board e da tua história com este oponente. Então deves considerar quais destas mãos ele poderia potencialmente fazer fold. Depois estimas quão provável é que ele tenha uma mão no seu leque de mãos que fará fold a fim de obter uma aproximação do teu fold equity.
Também pode ser bom para ti se o oponente fizer fold a uma mão pior, porque muitas vezes vai ter outs. Um argumento contra isto é a possibilidade do bluff induzido. Uma aposta extra para bluff conseguida pode compensar quaisquer perdas potenciais através da possibilidade do teu oponente acertar uma out. Em geral, vais querer mãos piores para fazer fold se tiverem as pot odds correctas para um call.
Preflop: Hero is Button with Q
, 9
3 folds, Hero raises, SB 3-bets, 1 fold, Hero calls
Flop: (7 SB) 3
, 6
, J
(2 players)
SB bets, Hero calls
Turn: (4,5 BB) T
(2 players)
BB bets, Hero raises ...
Agora queremos fazer uma análise precisa. Temos que primeiro fazer as seguintes perguntas:
- 1) Quantas outs temos?
- 2) Qual é o leque de mãos do oponente?
- 3) Quanto fold equity precisamos de uma mão melhor para fazer EV(Raise) > EV(Call)?
- 4) Especificamente que melhores mãos pode o vilão foldar? É o potencial fold equity mais do que o necessário para fazer um semi-bluff rentável?
1) É evidente que temos 8 outs do OESD, mas quantas outs podemos atribuir a nós mesmos para a Q ou o 9? O cálculo exacto para estas outs está fora do alcance deste artigo, contudo. Esta questão é abordada no artigo de platina:
Heads-up no flop Flop OOP: C/C Flop sem Iniciativa - sem valor de Showdown
Nós estimamos um pouco pessimamente e damos-te 2 para a Q e o 9, fazendo um total de 10.
2) O leque de mãos do oponente. Uma vez que não temos informação precisa, supomos as 3-bet standard de um TAG. O seu leque de mãos deve ser como este:
33+, A2s+, KTs+, QTs+, JTs, T9s, A5o+, KTo+
Como o oponente fez 3-bet pré-flop da SB, podemos presumir que ele vai apostar no flop e no turn com todo o seu leque de mãos.
3) O teu fold equity exigido. Podemos, naturalmente, ler do gráfico correspondente para obter o fold equity exigido. Na prática, contudo, faremos os cálculos obrigatórios. Vais ver que com um pouco de prática não é tão difícil. Como mostrámos anteriormente, aplicámos as fórmulas para um raise semi-bluff em fixed limit:
EV(Raise) > EV(Call), quando P(F) > ( 1 - 2 * EQ ) / ( P + 3 - EQ * ( P + 4 ) )
P = o tamanho do pote no início da ronda de apostas, sem as apostas dos oponentes - por exemplo com 5BBs, P = 5
EQ = a tua equidade; normalmente contamos as nossas outs, mas isto pode ser facilmente convertido: 1 out representa cerca de 2,2% de equidade - com um simples flush draw no turn isto dá aproximadamente EQ = 20%, ou EQ = 0,2
P(F) = probabilidade do oponente fazer fold a uma mão mais forte - se fazem sempre call, então P(F)=0; se fazem sempre fold, P(F)=1
Agora vamos substituir as variáveis pelos parâmetros conhecidos para obter P(F):
- P = 4,5 BBs
- EQ = 10 Outs x 2,2% = 22% = 0,22
- P(F) > (1 - 2 x 0,22) / (4,5 + 3 - 0,22 * (4,5 + 4)
P(F) > 0,56 / 5,63 = 0,099 ~ 10%
Neste exemplo, mostramos que precisamos de 10% de mãos melhores para fazer fold a um raise para fazer EV(Raise) > EV(Call).
4) O cálculo do que o teu oponente faz fold, é claro, nunca é preciso porque não sabemos o quanto estão dispostos para fazer fold, mas podemos imaginar o que faríamos se fossemos eles.
Supomos neste momento que o oponente aposta de novo no turn. Olhámos para a board e para o leque de mãos do vilão:
Preflop: Hero is Button with Q
, 9
3 folds, Hero raises, SB 3-bets, 1 fold, Hero calls
Flop: (7 SB) 3
, 6
, J
(2 players)
SB bets, Hero calls
Turn: (4,5 BB) T
(2 players)
SB bets, Hero raises ...
Vilão: 33+, A2s+, A5o+, KTs+, QTs+, JTs, T9s, KTo+
As seguintes mãos devem sem dúvida fazer fold a um raise no turn: A2s, A4s, A5, A7, A8, A9
Porque na board não há flushdraws, pode também ser o caso do A mais alto poder ter feito fold. Nem todos os oponentes vão jogar A-alto para o valor do showdown. Pagar 2BBs cada vez para o call-down é caro numa board que não é adequada para A-alto.
Além disso, mãos como 44, 55, A6 ou mesmo 77-88 podem-se fazer fold, mas primeiro temos de considerar aquelas que definitivamente vão fazer fold. Temos agora de responder à pergunta: Que percentagem do leque de mãos estas mãos abrangem? - A2s, A4s, A5, A7, A8, A9.
A fim de determinar isto, consideramos o número de combinações que cada mão pode formar. Um par de mão tem 6 combinações, uma mão off-suit tem 12 e uma mão suited tem 4 combinações.
Devemos ter em conta as cartas que estão na board e as que temos (cartas mortas). Uma mão como A9 tem teoricamente 16 combinações, mas neste exemplo apenas há 12, uma vez que temos 9, removendo 4 possibilidades. Devemos considerar este cenário para todas as mãos possíveis.
Aqui vamos tabular a nossa análise:
| Leque de mãos do Villain |
33+ | A2s+ | A5o+ | KTs+ | QTs+ | JTs | T9s | KTo+ | Soma |
| Combos | 72 | 48 | 108 | 12 | 8 | 4 | 4 | 36 | 292 |
| Dead | 18 | 6 | 15 | 3 | 3 | 2 | 2 | 9 | 58 |
| Total | 234 | ||||||||
| Foldable hands | A2s | A4s | A5 | A7 | A8 | A9 | Soma |
| Combos | 4 | 4 | 16 | 16 | 16 | 16 | 72 |
| Dead | 4 | 4 | |||||
| Total | 68 | ||||||
A nossa análise das possíveis combinações de mãos mostram que o vilão pode potencialmente fazer fold a 68 das 234 combinações de cartas = 29% de possíveis mãos para um raise no turn. Isto sem considerar que ele pode fazer fold com pares mais baixos.
Mostramos anteriormente que nesta situação apenas precisamos de 10% de fold-equity de modo a fazer raise aqui para ser uma jogada rentável. O nosso fold equity esperado está muito acima da quantidade necessária, defendendo que um raise é o movimento certo. Alguns jogadores, é claro, não vão fazer facilmente fold a um A alto no turn, mas certamente nem todos vão fazer call-down.
Podes ver que uma análise rigorosa é morosa, mas é certamente possível, visto que podemos estimar a quantidade abstracta de um fold equity. Lembra-te que o que acontece na média é que conta, e não há que ter vergonha em fazer call down com A7 e perder, por exemplo.
Se acontecer saberes que o oponente nunca vai fazer fold a um A alto neste momento, e assim o teu fold equity contra uma mão melhor no turn é 0, então um semi bluff não é certamente a melhor opção.
Preflop: Hero is BB with J
, 9
2 folds, MP2 calls, Button calls, SB completes, Hero checks
Flop: (4 SB) 3
, 4
, 8
(4 players)
SB (Semi-TAG) aposta, Hero faz raise e aposta em cada turn quando o MP2 e o Botão fazem fold
Parece muito provável que a SB tenha uma mão melhor que a tua. É questionável, contudo, se ele quer ir a showdown com uma mão como J
4
se encontrar resistência.
Podes tentar com que o teu oponente faça fold a mãos melhores no flop - as tuas possibilidades são boas. O pote não é muito grande, e unraised pots não são tão contestados.
É importante que quando faças isto continues a fazer bluff no turn. No flop, o vilão pode dar o call com odds de 7:1. No turn, ele vai ter apenas 4,5:1 e será mais lógicol fazer fold a um par mais pequeno. No river, não devemos fazer qualquer aposta, uma vez que é muito pouco provável que o vilão tenha um draw falhado nesta board. Um AQ para cor com carta mais alta seria previsível mas com esta mão ele teria apostado no flop .
A não ser que o oponente tenha jogado a mão passivamente, já não vai fazer fold a uma aposta no river se ele fizer call no turn. Além de assustar a SB com o teu raise, podemos forçar a saída de melhores mãos na posse do MP2 e do Botão atrás de ti. Com 2 SBs para pagar e pot odds de 3,5:1, mãos como 66 e A3 podem fazer fold. No caso da SB ter um draw como 56, podes comprar a melhor mão ao fazer raise no flop.
Além disso, podes comprar outs, se as mãos que dominaste fizeram fold, por exemplo K9 ou QT. Não deves simplesmente fazer call no flop porque estás à espera de melhores odds implícitas nas streets seguintes. Neste exemplo, tens uma oportunidade real de conseguir melhores mãos para fazer fold, por isso um semi-bluff é sempre a melhor alternativa!
Preflop: Hero is MP3 with T
, 9
1 fold, Hero raises, 3 folds, BB calls
Flop: (4,5 SB) 6
, 7
, J
(2 players)
BB bets, Hero calls
Turn: (3,25 BB) Q
(2 players)
BB bets, Hero raises ...
No flop vemos a tão querida donkbet do oponente. O teu gutshot, backdoor flushdraw, T e 9 valem 7-8 outs. Podes fazer um call loose à donkbet no flop. No turn não tens apenas um OESD, mas a chegada da overcard também contribui para o factor medo.
A BB é desconhecida aqui e naturalmente é difícil avaliar se ele vai fazer fold a um par. Não deves, de facto, ter muitas esperanças de que vai fazer fold a pares, mas esta board e desenvolvimento são bem suited para tal cenário.
O oponente pode fazer fold a mãos como 22-55, A6, 65 ou outras combinações compostas por pares baixos. Também existe o fish estranho que pode apostar duas vezes com uma mão como A3o e depois fazer fold a um raise. Em média, vais ter suficiente fold-equity contra mãos melhores, por isso um semi-bluff é o caminho certo a seguir.
Agora vamos ver uma situação ligeiramente modificada.
Preflop: Hero is MP3 with A
, K
1 fold, Hero raises, 3 folds, BB calls
Flop: (4,5 SB) 6
, T
, J
(2 players)
BB bets, Hero calls
Turn: (3,25 BB) 3
(2 players)
BB bets, Hero???
Estás mais uma vez confrontado com uma dupla donkbet. Agora tens um draw forte com um gutshot e 2 overcards, que te vão dar um top pair, top kicker. Os parâmetros são diferentes, contudo:
- O turn não é uma carta assustadora, mas antes uma branca total.
- A tua mão tem valor no showdown - bates bluffs patetas, como A4 e semi-bluffs como Q9 e 98.
Aqui, o leque de mãos melhores que vão fazer fold no turn é relativamente baixo, por isso um semi-bluff tem mais possibilidades de fazer sucesso, e só vamos ficar com mãos piores que a nossa para fazer fold.
No turn deves investir apenas 1 BB. Pode ser que o oponente faça check com uma mão mais forte no river mas não vai fazer fold a um raise no turn, por isso salvamos a BB. Além disso, podemos induzir um bluff com uma mão que de outra forma faríamos fold a um raise no turn (por exemplo A4).
O argumento principal contra um semi-bluff nesta mão é de teres a mão não par mais forte e é não é provável o villain fazer fold a uma mão (par) mais forte.
Turnplay: Hero dá call
Preflop: Hero is SB with A
, 9
6 folds, Hero raises, BB (26/17/2,3/34) calls
Flop: (4, SB) 5
, 7
, J
(2 players)
Hero bets, BB raises, Hero???
Estás numa guerra de blinds contra um TAG com um pequeno WTS e tens a iniciativa no flop, mas fizeram raise. Tens o nutflush draw e a questão é se dás call ou fazes 3-bet.
Mais uma vez temos de perguntar com que melhores mãos o oponente vai fazer fold. Tens A alto com um kicker razoável, e na ausência de uma 3-bet pré-flop, é pouco provável que o teu oponente tenha A alto melhor. Assim como as melhores mãos que queremos que desistam incluam pares baixos.
Quando o oponente tem tendência para fazer bluff, podemos continuar esta mão de forma passiva. Uma vez que temos flush draw, os oponentes muitas vezes só têm 4 outs neste caso, desde que estejamos à frente no flop.
É uma questão de saber se o teu oponente á capaz de fazer fold a um par. Há TAGs que vão jogar o chamado raise para informação no flop, e fazer fold a uma 3-bet agora, ou no turn, isto significa um custo relativamente baixo de 1-1,5 BBs em vez das 2,5 que normalmente custariam para um calldown. O baixo valor WTS sugere tal jogador.
No flop deves fazer o seguinte:
- Fazer 3-bet no flop, apostar no turn contra o oponente descrito aqui e todos os oponentes que descreverias como fracos.
- Fazer 3-bet no flop, apostar no turn contra o desconhecido. Em caso de dúvida tomar a abordagem agressiva. O teu draw aqui é forte com cerca de 12 outs.
- Faz call no flop, check/call no turn e check/fold no river contra passivos, que gostem de ver o showdown. Aqui o fold-equity contra mãos melhores é praticamente 0.
- Faz call no flop com intenção de ir a showdown contra LAGs agressivos, quando a board não é particularmente desagradável. Não queres fazer raise no turn mas sim construir o teu valor de showdown através do bluff induzido. Devido aos teus flushdraws, uma freecard não é muito má porque 1-2 das potenciais outs dos teus oponentes estão contaminadas.
Quando voltar a apostar, se o bluff não resultar
Esta é uma questão difícil, porque é complicado chegar a uma solução standard. Consideramos qualquer exemplo onde se tenha feito bluff ou semi-bluff, mas o oponente não tenha feito fold e estamos no river com uma mão fraca. Outro bluff? Talvez até faça fold no river, mas quem sabe?
Todavia, devemos tentar lançar alguma luz no escuro. Deves considerar o seguinte em tais situações.
- A board está estruturada de forma a que o próprio o vilão pode ter um draw batido com pouco valor de showdown, mas uma aposta tua não iria sugerir you were drawing yourself.
- No river há uma carta assustadora que completa muitas draws. Mesmo que a tua draw não venha, podes esperar que o oponente saia da mão ao acreditar que acabaste de fazer a tua.
- O oponente faz maus calls porque está apenas curioso para saber qual será a carta do river, por exemplo, num draw com dois pares com um par baixo ao qual vai fazer fold no river.
- O oponente tem um grande potencial para fold para uma aposta no river (e,g. > 40).
- Estás preso num draw que tem valor SD contra o draw preso do teu oponente.
- A board completa no draw, o vilão tem valor de showdown se fizer call e não é provável que faça fold a uma aposta.
- Temos uma leitura que o adversário quer sempre ver o showdown depois de ter feito call a um raise no turn.
Considera a análise do exemplo 1:
Preflop: Hero is Botão with Q
, 9
3 folds, Hero raises, SB 3-bets, 1 fold, Hero calls
Flop: (7 SB) 3
, 6
, J
(2 jogadores)
SB bets, Hero calls
Turn: (4,5 BB) T
(2 players)
SB bets, Hero raises, SB calls
River: (8,5 BB) 7
(2 players)
SB checks, Hero???
Aqui temos de perguntar: De quanto fold-equity precisamos? Este caso é simples. É a fórmula dos Conceitos: Bluffs Puros.
Bluff é +EV quando: P(fold) > Bets/Pot
Apostas= o custo do bluff = 1BB Pot = o tamanho do pote depois do bluff = 9,5 BBs
Por isso: Bluff é +EV, quando P(fold) > 1 / 9,5 = 10,5%
O vilão faz fold a uma mão melhor em >10,5% dos casos? A que mãos melhores pode fazer call no turn mas fazer fold a uma aposta no river? Como um lembrete, o seu leque de mãos é o seguinte:
Vilão: 33+, A2s+, A5o+, KTs+, QTs+, JTs, T9s
Só há 3 mãos em questão às quais o vilão pode fazer fold nesta fase - AK, AQ e KQ. Ele poderá fazer fold a estas? Sim! Que mãos pode ganhar no river? Não há flushdraw no turn que poderia estar preso, o 7 completou um straightdraw de 98. Se o vilão fizer fold a AK, AQ e KQ no river, precisamos ver se estas 3 mãos incluem mais de 10,5% do seu leque de mãos.
No turn, o vilão tinha 234 combinações diferentes de cartas no seu leque de mãos. Supomos, contudo, que ele faria fold a A2s, A4s, A5, A7, A8, A9 no turn. Isto remove 68 das combinações. Além disso, o 7 no river significa que a mão 77 tem menos 3 combinações possíveis.
Além disso, temos de remover aquelas mãos às quais faria fold a uma 3-bet no turn, ou seja JJ, TT, 66, QQ-AA, JTs e AJ. Tendo em conta a board e a tua mão, isto são mais 38 possíveis combinações.
Por fim continuam a existir 234 - 68 - 3 - 38 = 125 combinações no river. Agora precisamos de saber quantas combinações compreendem AK, AQ e KQ. Devemos saber que nós mesmos temos uma Q. Há 12 combinações para cada AQ e KQ e 16 para AK, dando um total de 40.
Portanto: 40 combinações que se podem foldar / 125 combinações possíveis = 32%
Se estás numa posição onde o vilão vai fazer fold com AK, AQ e KQ no river nesta situação, então deves fazer um bluff final. Precisas >10,5% de fold-equity, e tens uns grandes 32%. Mesmo que KQ seja a única mão que o vilão vai fazer fold aqui, ainda tens 12/125 que é quase 10% de fold-equity que precisas para um bluff rentável.
Conclusão
Para a maioria dos semi-bluffs, necessitas de muito pouco fold-equity contra mãos mais fortes a fim de fazer um movimento rentável. Para boas draws é quase sempre <20%, e para draws muito boas precisas menos de 10%. Portanto não te deves incomodar se achas que os oponentes não fazem muitas vezes fold.
É inevitável que, por exemplo, 10 dos teus semi-bluffs recebam call, ou continuas a receber 3-bet. Isto não significa que o movimento não está correcto. Deves adaptar-te psicologicamente e lembrar que a percentagem das vezes que os semi-bluffs e bluffs falham é compensada pelos benefícios a longo prazo quando são bem sucedidos, de modo a estares a fazer movimentos que são matematicamente rentáveis a longo prazo.
Por outro lado, deves sempre certificar-te que são mãos melhores às quais estás a tentar fazer fold. Se fizeres um bluff às cegas com qualquer draw, sem pensar concretamente que melhores mãos o oponente possa jogar fora, podemos acabar por ficar com o nariz a sangrar .
Já viste que com um pouco de esforço podes estimar a variável de fold-equity. Com o conhecimento dos conceitos apresentados, agora tens as ferramentas ideais para analisar situações de semi-bluff. Deves fazer isto regularmente,uma vez que só depois de analisares muitas situações é que começas a ter um feeling por elas na mesa. Com a quantidade adequada de experiência, vais começar a reconhecer situações na mesa e a ser capaz de tomar boas situações intuitivamente.
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