Check Behind com Iniciativa no Flop
1. Índice
2. Introdução
- 2.1 Porque deves querer fazer check behind?
- 2.2 Princípio teórico do jogo check behind
- 2.3 A matemática e os factos concretos/possíveis
- 2.4 Aspectos psicológicos do check behind
3. Mudança de Equity
- 3.1 O que significa a mudança de equity?
- 3.2 Implicações da mudança de equity para a estratégia check behind
4. Diferentes tipos de mãos para o jogo check behind
- 4.1 Mãos feitas fortes
- 4.2 Mãos feitas fracas
- 4.3 Bons Draws
- 4.4 Draws fracos
- 4.5 Mãos fracas com pouco valor de showdown
- 4.6 Ar
5. Quando é mau fazer check behind?
- 5.1 Mãos feitas fortes
- 5.2 Mãos lixo
- 5.3 Quando a c-bet faz com que o resto da mão seja fácil de jogar
- 5.4 Mãos que precisam de três barris
- 5.5 Quando a estrutura do flop cria boa fold equity
6. Conclusão
- 6.1 Fazer check behind em ring games
- 6.2 Aspecto "Meta-Psicológico"
- 6.3 Evitar o piloto automático
- 6.4 Fazer outplay aos teus oponentes
- 6.5 Finalmente...
Os Autores
Kobeyard
| Kobeyard |
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Kobeyard é um dos jogadores on-line mais conhecidos na Comunidade Alemã. Muitas vezes é possível vê-lo jogar os limites máximos de FL e é um dos nossos melhores produtores de vídeo e treinadores.
É também um dos nossos membros mais antigos, estando registado na PokerStrategy.com desde 2006. No seu tempo livre adora jogar basketball.
Faz a sua estreia como autor com este artigo para a PokerStrategy.com. Talvez muitos já o conheçam pelo seu blog (em alemão) ou os seus vídeos.
Byron Jacobs
| Byron Jacobs |
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Byron Jacobs é um editor e autor especializado em jogos e lazer. Tal como acontece com muitos jogadores de Poker, o seu entusiasmo por jogos tem origem no xadrez, onde detém o título de mestre internacional e é o autor de muitos livros de xadrez populares.
Já voltou também a sua atenção para o Poker e tornou-se num jogador on-line Limit Hold’em de sucesso.
Ele é o autor de "How Good is your Limit Hold'em", que foi um dos primeiros livros de poker para esclarecer processos de pensamento na mesa. Também tem escrito para a Card Player Magazine e para o site online de publicação 2+2.
2. Introdução
Fazer check behind com iniciativa no flop em jogos de limite é o que poderia ser chamado de invenção "moderna", no sentido de que os melhores jogadores começaram a usar esta jogada de forma séria apenas no ano passado. Quase toda a literatura que lida com esta situação recomenda que uma c-bet deve ser automática, uma vez que dá boas odds devido à fold equity imediata.
Contudo, como os jogadores short-handed (especificamente os de heads up) se tornaram mais sofisticados, o valor desta fold equity diminuiu drasticamente e uma c-bet deve deixar de ser considerada a jogada padrão.
A ideia do check behind aplica-se melhor ao limite heads up, em oposição a uma situação HU pós-flop decorrentes de uma blind/steal (o cenário de defesa num jogo short-handed). Isto ocorre porque os leques de mãos são muito mais amplos em heads up e muitos jogadores farão open raise (e defender) com até 85% das suas mãos. Ver jogadores a jogar perto de 100% dos seus leques de mãos não é de todo incomum. É claro que haverá muitas ocasiões nas quais a Big Blind faz re-raise pré-flop (tomar a iniciativa), mas não vamos considerar esses cenários aqui.
Tipicamente, a estratégia da Big Blind poderia ser fazer re-raise com as melhores 20% das mãos e fazer fold com as piores 10%. Isto dá-lhes um leque de call de cerca de 70%, que compreende as seguintes mãos:
| Leque de Mãos de 70% | |||||
| 44-22, A7s-A2s, K8s-K2s, Q9s-Q2s, J2s+, T2s+, 92s+, 82s+, 72s+, 63s+, 53s+, 43s, A6o-A2o, K9o-K2o, Q2o+, J2o+, T2o+, 92o+, 84o+, 74o+, 64o+, 54o |
|||||
Leque de Call de 70%
Quando neste artigo nos referimos a um leque de mãos de 70% para a big blind, isto (acima) é a selecção de mãos que estamos a considerar. Naturalmente, os jogadores terão diferentes leques de mãos para este jogo em particular mas, com base na experiência, pode-se dizer que isto é um padrão razoável para trabalhar.
Se tentarmos analisar vários leques de mãos que podem ser usados para todas as diferentes situações, a análise torna-se demasiado complicada, por isso estamos contentes por trabalhar com este leque: um leque de mãos de defesa típico na Big Blind para muitos jogadores heads up. Contudo, devemos notar que o check behind torna-se uma arma ainda mais eficaz contra os jogadores que desempenham um estilo não-reraise pré-flop (e como tal fazem raise a muitos flops), já que estão a receber muito menos valor das suas mãos fortes.
Para além disso, quando os jogadores fazem re-raise frequentemente, deves fazer menos check behind no flop se eles fizerem call, porque o leque de mãos deles é agora muito mais fraco para que possas ter melhor pot equity e fold equity. Antes de lançar uma análise detalhada do jogo check behind, queremos considerar alguns pontos introdutórios sobre este tipo de jogo.
2.1 Porque deves querer fazer check behind?
A razão fundamental para jogar check behind é um conceito emprestado do jogo NL : pot control. Em NL o pote pode aumentar de forma alarmante, e os jogadores que acertaram no flop mas não de forma brilhante (digamos top pair, sem kicker) vão muitas vezes jogar check behind com o objectivo de ganhar um pote médio, sem correrem o risco de ficarem comprometidos no pote se a board ficar feia ou se se deparam com um monstro.
Em jogos de Limite, o pote não pode de repente tornar-se tão grande como pode em NL, mas aplica-se o mesmo princípio. Depois de um raise e call pré-flop o pote é de 2BBs. Se o teu oponente faz check no flop e tu fazes check behind, vais ver o turn num pote de 2BBs. Se, ao invés, fazes bet, recebes raise e dás call, vais estar a jogar um pote de 4BBs.
Vai acontecer muitas vezes teres uma mão que queres jogar, mas que preferirias jogar num pote de apenas 2BBs em vez de jogar a mão num pote mais considerável de 4BBs. Há muitas razões para isto e vamos abordá-las ao longo do artigo.
Há também um princípio básico matemático que podes aplicar a estas situações, para decidir se um check behind é considerado uma jogada adequada. Sempre que calcules (ou o teu instinto te diga) que tens menos de 50% de equity contra o leque de mãos do teu oponente, e também penses que tens muito pouca fold equity para uma bet no flop, deves considerar o check behind.
Como a c-bet no flop é um movimento tão previsível (e quase pode já considerar-se parte de uma sequência de apostas fixas), a fold equity desta jogada pode ser muito marginal. Muitos oponentes, na verdade a maioria deles, vão pelo menos dar call com qualquer mão ou em qualquer flop. Mas há um ponto ainda mais importante a considerar...
Os oponentes inteligentes vão entender que se estiveres a fazer c-bet a todas as tuas mãos, podes não ter nada no flop na metade das vezes; por isso vão atacar-te. Vão dar-se conta que quando estás a fazer c-bet a 100% dos flops, o teu próprio leque de mãos é geralmente tão fraco que estás a fazer fold cerca de 70% das vezes em algum ponto na mão. Contudo, se só fazes c-bet digamos a 60% das mãos no flop, só tens de fazer fold cerca de 30 a 40% das vezes. Agora é muito difícil para eles atacarem-te, porque a sua fold equity diminuiu substancialmente.
2.2 Princípio teórico do jogo check behind
Há uma boa base teórica para jogar check behind no jogo HU, especialmente contra bons oponentes. Considera o facto de que a maior parte do tempo os leques de mãos para ti e para o teu oponente são cerca de 85-90%. Se tens a sorte de teres oponentes que fazem sempre fold no flop quando não têm mãos, sem nenhum valor de showdown e nenhum draw, há menos justificação para fazer check behind (embora o movimento também tenha as suas vantagens em determinadas situações para maximizar o teu valor, como verás mais adiante).
Contudo, muito poucos oponentes farão isto e a seguir à tua aposta no flop têm muitas possíveis linhas de acção: fazer check-raise com mãos feitas decentes, bons draws ou lixo total; dar call com todos os tipos de mãos feitas e draws, e também com air como um float (quando se pretende um movimento tardio na mão). Um oponente decente terá jogadas equilibradas depois de fazeres bet no flop, sendo assim, se estiveres a fazer esta jogada 100% das vezes, podes muito bem encontrar-te a jogar num pote de 3 ou 4BBs sem teres uma ideia clara de onde estás. Em tais circunstâncias, pode parecer preferível fazer um pouco de pot control e ver o turn num pote de 2BBs.
Muitas vezes terás uma mão marginal que tem menos de 50% de equity contra o leque de mãos do teu oponente, mas que no entanto, é ainda uma mão que tens que levar até ao river. Nota que perderás um pouco em cada aposta que fazes pós-flop, assim, ao limitar o número de apostas, estás a poupar dinheiro.
Há uma outra característica desta jogada que é digna de nota. Ao fazer o jogo check behind limitas o "espaço" de apostas do teu oponente. Quando apostas nesta situação (e 'reabres' as apostas), eles têm a opção de fazer raise: uma opção que os jogadores agressivos usarão constantemente, especialmente se são o tipo de jogadores que não fazem muito 3bet pré-flop mas que gostam de fazer raise a muitos flops.
Há muitos jogadores que gostam deste estilo de jogo, e há algo a dizer sobre isso. É mais enganoso se optares por tomar a iniciativa com um raise no flop, em vez de pré-flop, já que seria mais difícil para o teu oponente distinguir o teu leque de mãos. Contudo, contra este tipo de jogador, o check behind é uma arma muito forte porque quando têm uma boa mão, terás frequentemente chegado ao turn com um pote de 2BBs em vez de um de 4BBs.
Além disso, em vez de terem três situações onde podem fazer uma jogada bet/raise, estão agora restritos a apenas duas, e também sabem que agora é possível para ti chegares a showdown só dando call a duas bets. Finalmente, quando decides ir a showdown, terás visto 80% das cartas da board. Esta é uma característica fundamental do jogo: limitas o "espaço" do teu oponente para fazer jogadas. Alguns não são capazes de suportar esta restrição e vão começar a desperdiçar bets no turn e no river por pura frustração. Vamos examinar este conceito a fundo adiante.
Tem também em conta o aspecto psicológico desta jogada contra este tipo de jogador. Quando ele se perceber que não consegue receber apostas suficientes nas streets iniciais com as suas mãos fortes, ele pode sentir-se obrigado a adoptar uma estratégia de 3bet pré-flop, talvez com 20 a 25% do melhor das suas mãos. Agora manipulaste-o para te dar uma ideia mais clara do seu leque de mãos no jogo pré-flop, e forçaste-o a sair da sua zona de comforto; ele agora está mais propenso a cometer erros.
2.3 A matemática e os factos concretos/possíveis
Neste artigo vamos tentar, sempre que possível, analisar jogadas sugeridas numa base matemática. Muitas jogadas podem ser justificadas com estes parâmetros. Por exemplo, se queres fazer call down com uma mão meia feita moderada OOP, e tens uma ideia clara do leque de mãos do teu oponente, esta situação pode ser analisada de forma bastante detalhada numa base puramente matemática. De facto, há muitas análises em outros lugares no nosso site. Este tipo de análise, e os conselhos resultantes para a jogada, levam ao que pode ser descrito como "factos concretos" (indiscutíveis). Tal recomendação é baseada numa análise clara e lógica e deve ser reconhecida como "jogada correcta". Contudo, a jogada check behind nem sempre se presta a uma abordagem meramente matemática.
Quando estás a fazer check behind no flop, há ainda uma série de acções que podem surgir no turn: ele faz check, tu fazes check behind novamente; ele faz check, tu fazes bet; ele faz bet, tu fazes call; ele faz bet, tu fazes raise; ele faz bet, talvez faças fold. E isto apenas no turn. Depois, há a complicação adicional da jogada no river a considerar. Quando consideras todos estes detalhes, é óbvio que uma abordagem puramente matemática, com base em leques de mãos, pode acabar por se complicar tanto que perde qualquer valor prático.
Por isso, muitas das jogadas sugeridas no artigo serão baseadas no que pode ser denominado de "factos possíveis" (discutíveis), que são difíceis de justificar por meio da análise matemática rigorosa. Contudo, se podes entender como o teu oponente gosta de jogar e em que situações está mais propenso a cometer erros, então estes "factos possíveis" podem levar à "jogada correcta".
Ao considerar o check behind, o meta-jogo e os aspectos psicológicos do jogo tornam-se muito mais importantes, especialmente quando enfrentas jogadores que gostam de jogar o estilo LAG ou TAG.
O que este artigo não pode fazer é fornecer-te respostas completamente claras e "correctas" sobre o jogo check behind. Vamos mostrar-te como o jogo check behind pode ser uma poderosa arma para ter no teu arsenal e sugerir situações em que pode ser usado de forma produtiva. Cabe a ti decidir como este jogo pode ser melhor incorporado no teu próprio jogo.
Há também muitos casos em que não é possível analisar com clareza a jogada no turn depois do check behind no flop. Como continuar no turn (depois de um check ou bet do oponente) é altamente dependente do jogador. Isto será muitas vezes uma situação em que tens de usar a tua habilidade de poker para decidir sobre a melhor linha de acção.
2.4 Aspectos psicológicos do check behind
Há uma forte razão psicológica para querer jogar check behind, que é especialmente importante quando o oponente está a fazer check-raise com todos os tipos de mãos. Quando fazes bet no flop, recebes raise e call, não só estás a jogar num pote de 4BBs, mas também perdeste a iniciativa. Quando te limitas a fazer check behind, estás a jogar para um pote mais pequeno e não desistes da iniciativa.
Embora seja verdade que perder a iniciativa não tem implicações no EV em termos puramente matemáticos, no jogo prático certamente que as tem. Isto é porque é muito mais fácil para o jogador com iniciativa fazer bluff para o pote já que só precisa de fazer uma c-bet. O jogador sem iniciativa tem de fazer raise a esta bet e, psicologicamente, isto é mais difícil fazer.
Se só jogaste check behind com a intenção de fazer call down com mãos moderadas ou desistir no turn, a jogada seria potencialmente explorável porque qualquer oponente vagamente atento rapidamente se adaptaria e entenderia que tipo de leque de mãos tens quando fazes esta jogada. Contudo, embora grande parte do tempo (quase sempre) vais estar a fazer esta jogada com mãos moderadamente fortes, às vezes vais jogar check behind com uma mão feita forte. Quando o teu oponente faz bet no turn, irás naturalmente fazer raise e ele provavelmente pagará a mão. Depois disto acontecer algumas vezes, ele tornar-se-á um pouco mais cuidadoso nos teus futuros check behinds. Isto será muito mais vantajoso por várias razões:
1) Ele pode começar por só fazer bet no turn quando na verdade tem uma mão que considera estar à frente do teu leque de mãos. Obrigaste-o a ser honesto sobre a sua mão e manipulaste-o a comportar-se de maneira previsível. Criaste um erro no jogo do teu oponente do nada!
2) Por estar mais cauteloso com o teu check behind, podes apanhar muitas cartas grátis. Como estás, em geral, a fazer o jogo com cartas moderadas a fracas, estas cartas grátis vão ajudar-te muito. Se tens uma mão má com 6 outs, receber cartas grátis no turn (não é estritamente verdade, mas um check behind evita um imediato raise no flop) e no river vale mais ou menos 25% do pote em termos de equity.
3) Podes dar calls inteligentes com mãos muito fracas e acabar por fazer lucro com mãos que seriam muito difíceis de jogar de forma lucrativa num "pote contestado". Aqui está um exemplo típico: tens
e o teu oponente
. O flop é
e fazes check behind. Imediatamente o teu oponente fica desapontado porque tem um open ended straight draw e estava a jogar para te fazer check raise no flop. Se tivesses feito bet no flop e recebesses raise quando o turn não te ajudou, seria muito difícil continuares até ao river, já que normalmente isto é improvável de ser uma linha rentável.
Agora no turn aparece e porque o teu oponente não pode estar completamente certo do que significa o teu check behind, ele pode fazer de novo check (nota que ele não quer enfrentar um raise e acabar por pagar 2BBs nada económicas para tentar acertar o seu draw de 8 outs num pote de 2BBs). Também fazes check e o river mostra
. Neste ponto, ele não pode continuar com a mão.
Ele sabe que não pode ganhar um showdown e visto que não mostraste qualquer força, ele faz bet como um bluff desesperado. Mesmo apenas com Dama carta mais alta, é um call fácil. Se dás ao teu oponente um leque de mãos de 85% para o seu call pré-flop, tens 26% de equity, enquanto que o pote te oferece 3 para 1. Contudo, a situação é realmente muito mais favorável para ti por duas razões:
a) Ele pode muito bem estar a jogar o leque de mãos de 70% que determinamos, na qual a tua equity aumenta para 31%.
b) Tens de considerar com que mãos ele fará bet no river. O seu leque de mãos aqui é provável que seja altamente polarizado. Claramente, vai fazer bet a todos os pares e provavelmente a muitas mãos mortas. É bastante improvável que ele aposte com as suas mãos com K-high e Q-high. Se eliminarmos estas mãos, a nossa equity na realidade aumenta para uns notáveis 40%!
Manipulaste o teu oponente para que tomasse más decisões em todas as streets e a fazer bet no momento mais impróprio. Qualquer pessoa familiarizada com a teoria fundamental do poker pode ver que triunfo esta mão foi!
Aconteceu um milagre: em vez de perderes 2BBs ao fazer bet no flop e ser forçado a sair do pote, acabaste por ganhar 2BBs com uma mão muito fraca. Naturalmente, esta não é a história toda. A mão podia ter sido jogada de outras maneiras, mas esta é uma sequência muito credível, o que aconteceu a ambos os autores em muitas ocasiões. Esperamos que este exemplo te tenha convencido que jogar check behind pode ser uma linha muito poderosa e que pode ser extremamente frustrante para os adversários.
3. Mudança de Equity - Uma componente chave da estratégia check behind
Esta é uma componente muito importante da estratégia check behind. Em primeiro lugar, temos de explicar precisamente o que queremos dizer com o termo mudança de equity.
3.1 O que significa a mudança de equity?
Muitas vezes tens uma situação no flop onde é improvável que a carta do turn afecte a equity da tua mão. Vejamos alguns exemplos.
Tens:
Flop:
Este é obviamente um flop muito bom e contra um leque de mãos de 70% a tua equity é de 90%. Contudo, não é provável que mude muito seja qual for a carta no turn. Por exemplo, mesmo as cartas que parecem más (ou seja, Valetes e Seis) apenas reduzem a tua equity para 87% enquanto que uma blank, como um Dois, aumenta para apenas 91%. A tua equity oscila por apenas 3-4%.
Tens:
Flop:
A tua equity contra um leque de mãos de 70% é de 50%. Vamos analisar o efeito de algumas cartas no turn:
- queda de 45%
- aumento de 51%
- queda de 44%
Mesmo um Ás é uma carta algo vantajosa (o seu leque de mãos de 70% exclui muitas mãos Ax) que vai aumentar a equity em 53%. Em geral, a tua equity é provável que caia ligeiramente no turn (já que sabemos que é difícil melhorar quando tens 2-2), mas não por mais do que cerca de 5-6%.
Estas situações não são vulneráveis a uma mudança de equity. Contudo, mesmo em algumas ocasiões em que se sente que a tua equity podia mudar muito no turn, são na realidade situações muito "estáticas". Por exemplo:
Tens:
Flop:
A tua equity contra um leque de mãos de 70% é de 57%. Como podes acertar as tuas overcards, parece que o turn pode ser bastante importante, mas será verdade? Vejamos:
(carta formidável: top pair) - aumento de 91%
(carta segura: overcards) - aumento de 62%
(carta má: overcards mais draw) - queda de 53%
(carta má: overcards) - quede de 48%
Com a excepção de acertar a overcard letal, a flutuação do leque de mãos da tua equityé cerca de 13-14%. Isto é mais do que nos exemplos anteriores mas ainda não é dramático.
Se decidires fazer bet no flop nestas situações, e o oponente de seguida faz call ou raise, terás de reavaliar a tua percepção do seu leque de mãos. Contudo, para se definir o que se entende por mudança de equity, estamos a discutir a situação de um ponto de vista puramente teórico.
Agora, vamos considerar algumas mãos diferentes:
Tens:
Flop:
Agora tens uma equity muito pobre de 42% contra o leque de mãos standard de 70% do nosso oponente. Contudo, como tens overcards e muitos backdoor draws, a tua equity pode mudar dramaticamente com o turn. Vejamos:
-
(carta formidável: top pair) - aumento de 86%
(carta boa: draw enorme) - aumento de 57%
(carta decente: draw moderado) - queda de 38%
(carta decente: draw moderado) - aumento de 44%
(carta má: draw fraco) - queda de 38%
(carta horrível: sem mão) - queda de 22%
Talvez seja surpreendente, mas agora a tua equity está sujeita a enormes flutuações. Uma boa carta pode impulsioná-lo em 44% enquanto que uma carta horrível pode reduzi-la em 20%: no geral, um potencial swing de 64% com uma série de possibilidades intermédias. Note-se que nestas "situações backdoor draw" há também muitas cartas que criam uma grande quantidade de "energia" para a tua mão. Cartas que te dão draws com mais de 12 outs podem muito bem ser boas o suficiente para gerar jogadas semi-bluff rentáveis no turn.
Tens:
Flop:
A tua equity contra um leque de mãos de 70% é de 34%. Contudo, tens um gutshot e backdoor draws mas há muitas cartas que te darão uma equity terrível depois do turn:
(carta terrível: sem mão) - queda de 16%
(carta formidável: par e gutshot) - aumento de 59%
(carta decente: flush draw) - equidade inalterada em 35%
(carta terrível: sem mão) - queda de 17%
Mesmo que não tenhas valor de showdown, esta é uma situação ideal para fazer check behind. Se vais ou não apostar no turn na sequência de um novo check do teu oponente (assumindo que acertas uma blank), será muito dependente do jogador. Deves tomar esta decisão usando o teu conhecimento das suas tendências.
Um ponto importante a salientar é que devido ao flop abranger razoavelmente o leque de mãos médio, vai (talvez vagamente) ligar com muitas cartas do teu oponente no leque de mãos de 70%. Uma bet no flop não tem realmente muita fold equity. Mesmo mãos muito fracas como ou
darão (pelo menos) call, porque muitas cartas no turn podem abrir draws, e mãos com espadas altas também têm backdoor flush draw. É realmente muito difícil encontrar uma mão à qual um LAG ou TAG faça fold aqui (talvez algo como
).
Compara isto com um flop como . Agora se tens na mesma
, a tua equity é um pouco pobre (30%), mas deves estar mais inclinado a fazer bet porque ainda tens alguns backdoor draws. A board seca também significa que podes ter folds de algumas mãos fracas mas melhores, como Q6, J7. Além disso, este é o tipo de board que pode ver muitos calls mas muito poucos raises de um leque de mãos de 70%, como há pouco este oponente podia ter. Portanto, uma bet no flop podia muito bem ser suficiente para chegares ao river. O raise no flop é improvável assim como a donk no turn.
Tens:
Flop:
A tua equity contra um leque de mãos de 70% é de 52%. Tens um bottom pair fraco numa board com muitos draws e o turn mais uma vez tem potencial para mudar a tua equity de forma radical:
(carta terrível) - queda de 36%
(carta terrível) - queda de 35%
(carta boa) - aumento de 58%
(carta formidável) - aumento de 79%
O argumento aqui é que não queres dar cartas grátis. Contudo, se analisarmos a situação com cuidado, não há assim tantas mãos mais fracas que beneficiem de uma carta grátis. Mãos A-x e K-x apenas têm 3 outs; mãos Q-x beneficiam um pouco mas mãos 9-x não estão assim tão atrás (ou seja, tem uma equity de 45% e
chega a 50%). A pequena desvantagem de dar cartas grátis é compensada pelo facto de ser improvável que o teu oponente pense que a tua mão pode ser tão "forte" como um 8-6. É mais provável que pense que tens um A-x, ou mesmo um draw fraco como K-7. Se o turn é uma blank e ele não consegue encontrar uma bet, podes fazer bet e ele podia pagar-te com uma mão tão fraca como um Ás alto.
3.2 Implicações da mudança de equity para a estratégia check behind
Avaliar o potencial da mudança de equity no flop pode dar-te uma indicação muito boa se estás numa boa situação para fazer check behind. Quando o valor da mudança de equity (vamos chamar a isto ESV - Equity Shift Value) é alto, deves certamente considerar fazer check behind. Quando o ESV é baixo, não é tão importante considerar outros factores tais como a protecção, ou se sentes que o teu oponente te permitirá jogar melhor a mão se fazes bet, entram em jogo. Vejamos alguns exemplos, com base no material considerado acima.
Tens:
Flop:
Isto é apenas uma recapitulação do que foi dito. Como já viste anteriormente, tens uma equity de apenas 42% contra o leque de mãos standard de 70% do teu oponente. Se temos um oponente que é bastante agressivo e com tendência de chegar ao showdown, isto torna-se uma situação muito boa para fazer check behind. Como antes, terás que usar as tuas habilidades de poker para decidir a melhor linha de acção no turn. Isto é novamente dependente do jogador e não é um cenário onde se possa dar uma clara jogada "correcta". Isto encaixa-se perfeitamente com a nossa premissa básica que muitas vezes é uma boa ideia para fazer check behind quando a equity contra o leque de mãos do teu oponente é inferior a 50%; o perigo de um raise é grande e a fold equity é quase inexistente.
Tens:
Flop:
Muitas vezes pode ser boa ideia fazer check behind mesmo com algumas mãos que são muito fortes (têm mais de 50% de equity) mas são vulneráveis à mudança de equity. Aqui tens uma equity muito boa (62%) contra o leque de mãos de 70%, por isso fazer check behind parece ser errado. Contudo, nesta situação estás vulnerável a uma "mudança de equity inversa" visto que há um número de cartas más que podem aparecer no turn.
No entanto, esta é uma situação em que vais querer ir ao river e fazer check behind permite-te fazê-lo enquanto jogas por pot control. É fácil ver que esta ideia vai ser polémica e é natural supor que muitos jogadores ao ler isto vão abanar com a cabeça dizendo que não é possível diminuir a bet quando jogas IP e tens 62% de equity contra o leque de mãos do teu oponente.
Intuitivamente, isto parece um movimento muito -EV. Contudo, é importante notar que não estamos limitados a jogar uma simples estratégia call down. Se a carta no turn é boa para ti (carta baixa aleatória), é provável que o teu oponente faça bet a qualquer carta moderada (não fizeste bet no flop, então por que deve esta carta ajudar-te?); podes fazer raise agora. Se ele tem uma mão como 7-5, ganhaste uma bet baixa (e é mais provável ele ter jogado check/call no flop).
Nesta situação é muito importante saber se o teu oponente é capaz de fazer uma donk bet no turn. Sabendo que isto é crucial para decidir um plano para jogar estas mãos. É natural querer fazer bet no flop (tens a vantagem da equity) mas reserva a possibilidade de jogar check behind com cartas incómodas no turn. Se voltares ao exemplo acima, entendes melhor esta ideia.
Ao ter esperado, vamos certamente querer ver um showdown. Contudo, dependendo do turn, a nossa mão pode não ser suficientemente forte para uma aposta por valor em cada street. Assim, existem duas maneiras de jogar:
- a) podemos fazer c-bet no flop, planear fazer check behind num turn incómodo ou
- b) podemos fazer check behind no flop. Vamos considerar uma de cada vez:
a) Fazemos c-bet no flop e recebemos call.
Se o turn é uma blank fazemos novamente bet, mas há muitas cartas incómodas pelo que podemos preferir fazer check behind, ou seja qualquer 6, 9, Valete, talvez Setes e copas. Se o teu oponente é passivo, podes chegar ao river por apenas 0,5BBs. Contudo, se o teu oponente é capaz de fazer uma donk bet no turn quando uma carta má bate e não podes fazer fold de forma confortavel a esta bet, chegar ao river custarte-ia 1,5BBs.
Os jogadores mais fortes certamente terão esta donkbet no seu arsenal e farão donkbet no turn depois de um call no flop em situações como estas: quando têm 6-7 e no turn vem 10-8-7-6, ou têm 7-9 e no turn vem novamente 10-8-7-6. Isto é particularmente perigoso se lidas com um jogador forte que consegue equilibrar as suas donkbets. Ele podia, por exemplo, fazer também esta jogada com uma mão como quando no turn vem
, dando-lhe o nut flush draw. Não é fácil fazer call a esta donkbet mas fazer fold seria um erro terrível.
b) Se fazemos check behind no flop em vez da c-bet...
Temos muito mais controle e evitamos o problema da donkbet. Isto não é estritamente verdadeiro porque o nosso oponente pode fazê-la (fizemos check behind no flop, então se isto é tecnicamente uma donkbet é uma questão aberta), mas podemos fazer call e chegar ao river por 1BB. Isto é uma melhoria em relação a 1,5BBs que tivemos que investir no cenário "a".
Estamos também mais susceptíveis de gerar EV ao fazer bluff induzido se enveredarmos pela opção "b". Se fazemos check behind neste flop perigoso, é natural que o nosso oponente assuma que não temos nada substancial e, na melhor das hipóteses, fazer call down com Ás alto. Portanto, quando no turn vem um Seis ou um Valete, o seu leque de mãos de bet será muito amplo e incluirá uma grande quantidade de Ar bem como muitas mãos fracas feitas que poderemos vencer. Neste caso, é rentável jogar (pelo menos) check/call down até ao river.
4. Diferentes tipos de mãos para o jogo check behind
É possível fazer o jogo check behind com qualquer tipo de mão, variando entre poderosas mãos feitas como two pairs e sets, para Ar . Nesta secção queremos considerar os diferentes tipos de mãos que podes jogar no flop, e, em seguida, decidir quando estas oferecem uma boa oportunidade para jogar check behind. Naturalmente, temos que analisar isto no contexto dos vários diferentes tipos de flops, que vão desde muito secos a flops com muitos draws. Vamos considerar seis tipos de mãos e, em seguida, analisar uma de cada vez.
Quando jogas contra jogadores mais inteligentes, uma parte importante do teu jogo deve ser manter o teu jogo equilibrado. Portanto, se fazes sempre bet no flop quando tens uma mão feita forte ou draw e check behind com os outros tipos, a tua acção no flop permitirá ao teu oponente restringir o teu leque de mãos com bastante facilidade. Contudo, é perfeitamente possível equilibrar o teu jogo por ambas as bets e check behinds com todos os tipos de mãos. Devido a isto, podes usar o teu jogo no flop para aproveitar as tendências que observaste no jogo do teu oponente, mantendo o teu próprio jogo equilibrado.
É importante notar que na maioria das situações, equilibrar irá geralmente custar um pouco EV. Portanto, se o teu oponente não é sofisticado o suficiente para explorar jogo desequilibrado, podes simplesmente concentrar-te em fazer o máximo de jogadas EV. Os seis tipos de mãos são os seguintes:
1) Mãos feitas fortes
Visto que provavelmente estaremos a jogar heads up, uma mão forte feita seria um top pair ou segundo par, bom kicker. São exemplos J-5 numa board J-7-4, K-8 numa board Q-8-3 ou 8-8 numa board A-7-5.
2) Mãos feitas fracas
Aqui temos mãos típicas heads up como bottom pairs ou bons Ases em boards bastante secas. São exemplos: 3-3 numa board Q-9-4, 6-5 numa board K-8-6, A-J numa board Q-7-2 ou A-5 numa board J-J-4. Estas mãos normalmente terão 55% de equity contra o leque de mãos de 70% do nosso oponente.
3) Bons Draws
Um bom draw pode ser classificado como uma mão que quase não tem valor de showdown mas é provável que tenha pelo menos 9 outs para ficar melhor. São exemplos: numa board
, 9-7 numa board K-8-6,
numa board
. O último exemplo é menos claro do que os outros, já que só há 4 outs contra Q-x. Os 10 outs contra mãos 8-x e 7-x são enfraquecidos pela combinação draw 8-7. Contudo, o backdoor flush compensa isto.
4) Draws fracos
Draws fracos são improváveis de terem mais do que 4 outs se a mão está atrás, ou seja, 5-6 numa board K-9-8. O potencial de alguns outs está também estragado, tal como 8-6 numa board 9-10-J, ou numa board
.
5) Mãos fracas com pouco valor de showdown
Quando os teus oponentes estão a jogar leques de mãos de 85% e superiores, mesmo mãos muito más podem obviamente ter algum valor de showdown. São exemplos K-4 numa board 10-8-3 ou Q-J numa board 7-5-3. Estas são mãos que têm fraca equity, normalmente cerca de 35% contra o leque de mãos médio do oponente e são vulneráveis a uma grande pressão por mãos mais fracas.
6) Ar
Tudo o resto vem sem mão, sem draw e sem valor de showdown. São exemplos: 7-5 numa board K-10-3, 8-6 numa board K-Q-10.
4.1 Mãos feitas fortes
É claro que podes perder EV se não fazes bet com uma mão feita forte, mas isto não é a história completa. Se o teu oponente não tem nada, ou muito pouco, ele pode fazer fold a uma bet (lembra-te que o facto de teres uma mão forte faz com que seja menos provável que ele tenha alguma coisa). Depois de fazeres check, ele pode ter uma nova visão do que tem e dar-lhe um pouco mais de valor do que realmente a mão tem.
Isto pode levá-lo a contribuir com bets para o pote quando tem uma equity terrível. Por exemplo, tens Q-J e ele tem K-9 num flop Q-7-4. Fazes então check behind como uma jogada de equilíbrio. Se no turn vem uma blank, ele faz check novamente e tu bet. Ele pode muito bem decidir que estás a tentar roubar o pote (afinal, ele já fez check duas vezes) e sentir-se obrigado a fazer um call down com o seu Rei carta alta. A sua vontade é mais de fazer call down com uma mão Ás-rag, ou quem sabe, até pode fazer raise com tais mãos.
Isto acontece mais se te viu a jogar check behind com mãos que não prestam em outras ocasiões. Podes ter omitido uma SB no flop, mas podias ter pago 2BBs no turn e no river porque ele leu mal a tua mão.
Vamos dizer que ele tem uma mão feita fraca como 5-4. Esta é uma mão com que provavelmente fará check/call em todas as streets. Contudo, depois de teres feito check no flop e o turn é uma blank, ele provavelmente fará bet para proteger a sua mão. Se fazes raise e ele paga, tens 3BBs em vez de 2,5BBs quando estava a jogar check/call.
O check/behind também pode ser usado como slowplay. Com o aumento da agressividade que se tornou comum no jogo, fica um pouco fora de moda fazer slowplay a mãos, já que a percepção é de desistir do valor ao fazer isto.
Contudo, se considerares cuidadosamente os leques de mãos que o teu oponente jogará contra a tua mão, vês que embora tenhas desistido de um pouco de EV contra uma pequena parte do leque de mãos do teu oponente, podes ganhar muito EV em troca contra uma parte muito maior do seu leque de mãos, levando a um lucro global. A fim de demonstrar o que queremos dizer com isto, vamos ter em conta um exemplo extremo.
Tens AA e o flop mostra A-2-2. A menos que o teu oponente seja um jogador que faz muitas vezes bluff-raises, não há razão para fazer bet aqui. A parte do seu leque de mãos que te dará qualquer tipo de acção inclui apenas mãos A-x, mãos 2-x e pares (embora possa estar a fazer call down com o seu Rei e Dama altos).
Ao fazer check behind irás (possivelmente) desistir de algum EV contra este leque de mãos pequeno. Contudo, ao fazer check behind tens também uma oportunidade muito maior de aumentar o teu EV contra a grande parte do seu leque de mãos que não inclui estas mãos. Esta é uma daquelas situações que se baseia em factos possíveis. Não pode ser provada matematicamente, mas deve ser bastante claro que a grande maioria do seu leque de mãos será constituída por mãos como Q-5, 10-8 e 7-6 mãos, que não parecem ter (do ponto de vista do teu oponente) muita equity OOP no flop, mas podem parecer horríveis depois de uma carta útil no turn.
Além disso há muitos jogadores, especialmente em heads up, que simplesmente não podem abster-se de fazer bet quando mostraste fraqueza. Eles odeiam pensar que o seu 10 alto pode perder para o teu valete alto quando uma simples bet em algum momento teria forçado um fold. Assim, depois do tei check no flop, terás jogadores a fazer-te bet com bastante frequência no turn, quase que independentemente da carta.
Independentemente da linha que tenhas decidido tomar (talvez fazer raise imediatamente ou talvez atrasá-lo até ao river), é claro que tens projectado uma situação altamente lucrativa que era menos provável de ter surgido se tivesses feito bet no flop.
Equilíbrio
Dito tudo isto, deve ser ainda o teu jogo padrão fazer bet a todas as mãos fortes no flop. Os jogadores que estão muito interessados em equilibrar vão notar o perigo que surge se nunca fazes check behind com uma mão forte feita; os oponentes podem reduzir o teu leque de mãos e excluir mãos que têm forte valor bet no flop.
Isto não é muito importante, uma vez que, mesmo se o check behind é uma grande parte do teu jogo, deves na mesma fazer bet à maioria dos flops. Mãos fortes feitas são tão raras heads up, que estas bets serão bem disfarçadas. Em qualquer caso, irás fazer bet a muitos outros tipos de mãos no flop.
Dito isto, pode ocasionalmente (e isto é stressante por um boa razão) ser boa ideia fazer um jogo muito estranho heads up, porque ficará na cabeça do teu oponente por muito tempo. Por exemplo, podes fazer call down no início de uma sessão com uma mão muito fraca, digamos dama alta: uma jogada que certamente não é útil em termos de puro EV.
O teu oponente pode ter o prazer de ser pago por um par de big bets mas ele vai perceber que jogaste como um completo station e, porque esta é uma jogada estranha (não como fazer call down com ás alto), isto ficará na sua mente durante muito tempo. Ele pode passar as próximas 100 mãos a jogar muito bem, onde se concentra na procura de apostas de valor baixo e evitando por completo os bluffs. Naturalmente vais estar ciente disto e disposto a explorá-lo.
Assim, talvez ocasionalmente, é bom para o metagame fazer check behind com A-K num flop K-9-3 (nota: certifica-te de fazer raise no river se usares esta estratégia, e não no turn). Agora quando fizeres check behind, ele vai sentir-se obrigado a incluir mãos muito fortes no teu leque de mãos, o que será bom quando queres que ele fique quieto, de modo a beneficiares muito de cartas grátis.
4.2 Mãos feitas fracas
Protecção vz bluff induzido
Esta é uma parte muito importante da estratégia check behind e permite-te obter o valor máximo se o que tens é medíocre, especialmente contra jogadores muito tight e/ou agressivos. Isto pode acontecer quando fazes check behind com mãos moderadamente fortes que têm algum valor de showdown. Geralmente vais querer jogar estas mãos num pote de 2BBs e não num pote de 4BBs.
A desvantagem é não poderes proteger a tua mão quando estás à frente, mas visto que o pote é muito pequeno, isto não é uma consideração importante. Pelo lado positivo, vais achar que induziste muitos bluffs de mãos que apenas têm seis outs.
Tens:
Flop:
Por exemplo, se tens uma mão decente Ás alto numa board bastante descoordenada, este plano pode resultar. O teu oponente está no leque de mãos standard de 70%. Deves fazer bet ou check behind?
Como foi sugerido na introdução, tentar analisar matematicamente esta situação torna-se muito complicado, mas, porque este tipo de decisão é uma ocorrência tão comum no jogo heads up, vale a pena ver se podemos chegar a qualquer conclusão útil.
Aproximação Matemática
Antes de tentar a seguinte análise, deve salientar-se que está longe de ser uma avaliação completamente exacta de todas as possibilidades. Em vez disso, vamos fazer muitas aproximações (que podem ou não ser razoáveis) e estar cientes de que as estamos a fazer. Quando chegarmos a uma conclusão, vamos considerá-la à luz das hipóteses que fizemos. Se não conseguirmos dar uma resposta definitiva sobre o nosso jogo, iremos pelo menos ter uma ideia muito melhor dos factores que a afectam.
Em primeiro lugar, temos de decidir quais são as hipóteses de estarmos neste momento à frente contra o leque de mãos de 70%. Podemos seguramente assumir que apenas estamos atrás contra mãos K-x, 8-x e 3-x do leque de mãos de 70% (mas não contra mãos como A-K e 3-2. Depois de alguns cálculos, as hipóteses de estarmos à frente agora aumentam para 60% e o pote tem actualmente 2BBs. Existem agora duas possibilidades: ou estamos atrás ou estamos à frente.
Se estamos atrás é obviamente melhor para nós fazermos check, mas é muito difícil quantificar até que ponto esta é a melhor jogada. Isso depende muito de quanto vamos pagar quando o nosso oponente começa a fazer-nos bet. Contudo, é completamente claro que deve ser bom fazer check behind, embora não possamos ter certeza de que este jogo vale a pena.
Como podemos resolver o problema da avaliação do check behind quando estamos à frente? Vamos dividi-lo nos seguintes cenários e, em seguida, analisar um de cada vez.
- 1) Fazes bet e ele fold
- 2) Fazes bet e ele call
- 3) Fazes bet e ele raise
- 4) Fazes check e ele faz sempre bet no turn
- 5) Fazes check e ele nunca faz bet no turn
1) Fazes bet e ele fold
Vamos começar pela mais fácil. Tiras um pote de 2BBs pot por isso o valor do jogo é de 2BBs.
2) Fazes bet e ele call
Esta é mais complicada. O pote é de 3BBs e, por causa da simplicidade, vamos assumir que a jogada no turn é check/check, o que é bastante realista. Se ele faz bet agora, irás sempre dar call no river depois de mostrares sinais de fraqueza no turn. Ele deve fazer bet a um número considerável de mãos sem esperança. Contudo, ele pode ter melhorado no turn ou no river e estar simplesmente a fazer bet por valor. Se lhe damos uma mão aleatória como Q-7, as hipóteses de que ele te ultrapasse no river são cerca de 25%. Provavelmente fará bet com uma mão loose 25% das vezes e o resto do tempo passa a fazer check/check e tu ganhas.
Portanto, o nosso EV é:
0,25 * -1,5BBs (ele faz-nos outdraws e nós pagamos-lhe)
0,5 * 2,5BBs (não há mais bet - ganhamos o pote)
0,25 * 3,5BBs (ele faz bluff no river e nós apanhámo-lo)
No geral: (0,25 * -1,5BBs) + (0,5 * 2,5BBs) + (0,25 * 3,5BBs) = 1,75BBs
3) Fazes bet e ele raise
Isto seria muito complicado porque ele pode deitar fora muitas bets e podes fazer fold à melhor mão. Não vamos tentar calcular isto, em vez disso, vamos simplesmente lembrar que estamos a ignorar essa possibilidade.
4) Fazes check e ele faz sempre bet no turn
Agora tens de fazer call. O cálculo é similar ao usado no "2", excepto que o pote aqui é muito maior. Contudo, se ele está a ganhar no river, irá fazer bet novamente e pagaríamos o seu pote. Se ele está a perder, vamos assumir que ele faz bluff 25% das vezes.
Agora o nosso EV é :
0,25 * -2BBs (ele faz-nos outdraws e nós pagamos-lhe)
0,5 * 3BBs (ele faz bet no turn e depois desiste - ganhamos o pote)
0,25 * 4BBs (ele faz bluff no river e nós apanhámo-lo)
No geral: (0,25 * -2BBs) + (0,5 * 3BBs) + (0,25 * 4BBs) = 2BBs
5) Fazes check e ele nunca faz bet no turn
Se ele não consegue encontrar uma bet no turn depois do teu check no flop (vai querer proteger), na maioria das vezes farias bet e arrumavas a questão. Ocasionalmente, fará call à pior mão (A-2, Q-10) e isto prova muita rentabilidade porque é provável que só tenha seis outs. Ocasionalmente terá a melhor mão no turn (digamos 4-5), mas não fará bet. Estas possibilidades provavelmente anulam-se umas às outras, por isso é sensato supor que ganharíamos 2BBs aqui.
Resumo
Estamos à frente e fazemos bet no flop. Temos um EV de 2BBs se ele faz fold e 1,75BBs se ele faz call. Nós não calculamos o que acontece se ele fizer raise.
Estamos à frente e fazemos check. Temos equity de 2BBs se ele faz sempre bet no turn, e 2BBs se ele nunca faz bet no turn.
Assim, a nossa inicial, e talvez surpreendente, conclusão é que fazer check não parece ser pior do que fazer bet no flop, mesmo se estivermos à frente. Quando combinamos isto com o facto de que fazer check é obviamente melhor quando estamos atrás, isto começa a parecer a melhor jogada.
Contudo, talvez tenhamos feito uma série de suposições forçadas sobre o decorrer do jogo. Quais são os factores que podiam afectar seriamente a nossa decisão?
Se não somos um jogador particularmente showdown-bound (talvez gostemos de jogar um jogo de variância baixa), é definitivamente melhor fazermos check. O problema de fazermos bet é que se recebemos raise de uma mão pior mas não vamos a showdown, fazer bet pode levar a resultados terríveis como fazer fold à melhor mão quando ele não têm muitos outs. Isto é muito -EV.
Mesmo que sejas um jogador showdown-bound, ainda é um bom jogo fazer check behind no flop, a menos que te sintas confortável a jogar contra este oponente depois de um raise no flop. Por exemplo, se ele faz check-raise no flop muitas vezes e desperdiça neste tipo de board, podia haver mais valor em provocar bluffs com uma bet.
Se o teu oponente é passivo e honesto (não encontrarás muitos oponentes como este acima de mesas de stack média baixa), uma bet pode ser melhor. Para que este seja o caso, ele deve ter a maioria das seguintes tendências: simplesmente fazer fold a mãos piores nesta board e raise com melhores; não fará bet no turn depois do teu check no flop com uma mão pior (o teu bluff torna-se nulo e estás simplesmente a dar cartas grátis).
Conclusão
Na maioria dos casos é melhor fazer check behind com este Ás alto em boards secas; especialmente em situações em que o leque de mãos do teu oponente é provável que seja mais de 50% mas não superior a 60%. Aqui, novamente, tens que usar o conhecimento das tendências do teu oponente. Quando os jogadores fazem float ao flop com muitas cartas loose, é melhor fazer bet flop e bet turn para o showdown grátis. Se estão propensos a que lhes façam bluff depois do teu check no flop, fazer check behind pode ser a melhor opção.
Consideração Metajogo
Há um outro ponto a considerar aqui. Se fazes check behind em tal situação, o teu oponente faz bet no turn, tu fazes call down e ganhas, tens de estar ciente do metajogo. Se isto acontece muitas vezes, não é provável que o teu oponente continue a presentear-te com dinheiro grátis. Em ocasiões futuras, quando ele fizer bet no turn, é mais provável ter uma mão que ganhe contra o teu Ás alto, por isso, podes começar a fazer bons folds.
4.3 Bons draws
Como todos nós sabemos, muitas vezes queremos fazer bet aos nossos draws para gerar fold equity. Além disso, porque frequentemente temos muitos outs, geralmente não estamos preocupados se nos fazem raise quando temos essas mãos. Assim, ao pensarmos jogar check behind com um draw bom (ou mesmo um draw fraco) parece errado.
Contudo, há um princípio básico que devemos considerar cuidadosamente. Os jogadores muitas vezes apaixonam-se por mãos draws fortes e fazem-lhes bet como se tivessem nuts. Contudo, às vezes este "draw mesmo bom" não nos dá tanta equity no pote como seria de esperar.
Considera que quando recebemos raise à nossa equity será provavelmente inferior a 50%. Isto não desmotiva muitos jogadores que depois felizmente fazem 3-bet, empilhando bets extras quando estão perdidos, com muito pouca fold equity para o curso da mão. Além disso, o oponente pode ver que é uma board draw e por isso uma 3-bet na street mais barata em posição não vai assustá-lo. Vejamos um exemplo típico.
Tens:
Flop:
Tens , dando-te duas overcards e um open straight draw.
Grande mão certo? Bem, a tua equity contra o leque de mãos standard de 70% é cerca de 56%. É bom, mas não é fantástico. Se tivesses para bottom pair sem kicker, a tua equity seria um leque de mãos de 54%. É difícil imaginar porque alguns jogadores ficam contentes com Q-J em tais boards e não ficam animados com 6-5, embora estas duas mãos estejam muito perto em valor.
Naturalmente, fazer bet com drawing hands é bom, mas só quando gera alguma fold equity. É quase impossível para as mãos fortes nesta board não verem o showdown. Qualquer par certamente vai chegar ao river e Ases altos provavelmente também farão call down, porque esperam que faças push a uma drawing hand, dando ao seu call down bom valor se o draw for apanhado.
Nunca te vais livrar de uma mão como 7-6, já que esta mão terá muitos outs até ao river. E mesmo que a board fique feia, o pote estará tão grande que um call será quase automático. As únicas mãos fortes que te podem dar alguma acção são K-8 e K-7, mas podem na mesma fazer fold.
Se jogas check behind, a tua mão será muito enganadora e é improvável que o teu oponente assuma tal draw como leque de mãos. Provavelmente irá supor que tens uma mão como A-x, ou um par baixo que não é suficientemente forte para enfrentar um possível raise semi-bluff nesta board draw. Isto é susceptível de ser um facto consumado na sua mente, já que te viu a fazer check behind precisamente com tais mãos em outras ocasiões. Nesta situação duas coisas boas podem acontecer...
Em primeiro lugar, se ele tem uma mão razoável irá fazer bet em qualquer turn, e se a tua mão melhora agora ou no river o teu raise provavelmente será pago, porque vai achar que é difícil adivinhar que tens uma mão forte a julgar pela sequência das tuas bets. Neste caso vais ganhar 3BBs pós-flop em vez de 2,5BBs que terias feito se tivesses feito bet/call o tempo todo. Além disso, se perdesses o teu draw só perderias o valor mínimo.
Em segundo lugar, se ele não têm uma boa mão, ele ainda pode pagar se melhorares, porque interpretou mal a tua mão. Digamos que ele têm 2-2. Faz check no flop e tu fazes check behind e o turn traz:
Flop:
Turn:
Se ele faz check e tu bet, ele pode muito bem pagar-te já que a sua percepção do teu leque de mãos incluirá muitas mãos A-x, K-x e Q-x.
Se tivesses feito bet no flop terias dado a impressão que este flop realmente encaixa nas tuas cartas, já que ele sabe que és bem capaz de fazer check behind com mãos que perderam. Como tal, quando o turn vem, ele pode decidir que é muito provável que isto tenha conectado com a tua mão e faria um bom fold com o seu par baixo.
Se o turn é uma blank e o teu oponente faz de novo check, é provavelmente melhor fazeres check behind mais uma vez. Após o teu check no flop não é tão provável que ele faça fold a uma mão melhor, especialmente um A-x, por isso uma bet no turn não terá muito fold equity contra mãos melhores.
O ponto principal aqui, e isto aplica-se em muitas situações onde tens um draw forte, é que podes estar a sacrificar uma pequena quantidade de fold equity ao fazer check behind, mas a decepção do jogo é tão poderosa que supera completamente este pequeno drawback. Os bons jogadores esperam que jogues draws, por isso, embora o contra-intuitivo, pode ser altamente rentável jogá-los de forma passiva porque vais ser muito bem pago quando acertas e evitas desperdiçar quando não tens. Sempre que tiveres um bom draw mas não vês muito fold equity, a linha passiva deve ser considerada.
4.4 Draws fracos
Muitas vezes pode ser um movimento produtivo fazer check behind com draws fracos, normalmente em situações onde tens overcards fracas numa board draw. Um exemplo standard seria J-8 numa board 6-5-3. Este é um flop muito mau para a tua mão, fazendo a tua equity contra o leque de mãos de 70% inferior a 33%. Neste artigo estamos a promover o jogo check behind, mas em muitos exemplos existem argumentos contrários em apoio à c-bet. Neste caso particular, contudo, não existem argumentos a favor da c-bet: o check behind é o melhor jogo.
O problema de fazer bet é ser uma jogada -EV que quase não tem upside em termos de fold equity, nem agora nem mais tarde na mão. Não há qualquer mão melhor que faça fold e muitas mãos fracas terão um draw e irão inclinar-se em ti. Mesmo que recebas call de uma mão como K-7, a única oportunidade de ganhares o pote é ao acertares os teus seis outs ou ao disparares o 3º Barril.
Se não fazes três-barrel (ou seja, fazes check no turn), qualquer jogador pensativo imaginaria que tens uma mão muito fraca e fará check/call no river, mesmo só com rei alto. Se estás preparado para disparar o 3º Barril , podes receber um fold no river. Contudo, ao disparares o 3º Barril neste pote, quando é mais provável que estejas atrás da grande maioria das mãos que farão call no flop e no turn, claramente não estás a fazer uma jogada +EV.
Neste cenário podias muito bem levar a tua carta grátis (não significa uma má jogada). Valetes e oitos são obviamente bons e setes dão-te um open-ender. Um bónus adicional é que o teu oponente pode, razoavelmente, interpretar o teu check behind como um Ás alto que ele cobrará no river. Se este for o caso, podes ter outra carta grátis no turn.
4.5 Mãos fracas com pouco valor de showdown
Muitas vezes no jogo heads up tens uma mão com pouco valor de showdown. Estas são tipicamente mãos tipo ás alto e rei alto, embora ocasionalmente pares baixos em boards coordenadas também podem entrar nesta categoria (ou seja, 2-2 numa board two-suited 10-8-7). Quando tens uma mão que realmente deveria ver um showdown barato, fazer check behind no flop é normalmente a melhor jogada.
Muitas vezes a board estará ligeiramente coordenada com algumas cartas menores, por isso se fazes bet e te fazem raise, vais querer fazer call no flop e provavelmente também no turn. Se também fazes call no river, o jogo pós-flop custou 3BBs e na maioria das vezes a tua mão não vai ser boa. Se em vez disso fazes check behind no flop, é garantido um showdown de 2BBs.
É natural a tua mão ainda não ser boa, mas quando o teu oponente começa a receber a mensagem de que, depois de fazer check behind, estás preparado para fazer call down com mãos bastante fracas, provavelmente começará a jogar "honestamente" no turn, apenas fazendo bet quando está à frente contra o teu "leque de mãos showdown fraco". Este é um bom exemplo do princípio discutido na introdução sobre "limitar o espaço de apostas do teu oponente".
Quando fazes bet no flop e um oponente faz raise, parece ser uma jogada forte para ele porque sabe que terá de fazer mais três calls para ver o showdown. É difícil fazer isto com uma mão showdown muito marginal, razão pela qual a agressão é muito poderosa no jogo heads up. Contudo, quando já estás no turn antes do teu oponente ter tido a chance de fazer qualquer tipo de bet positiva, ele sabe que apenas tens de fazer dois calls para ver o showdown e que ele ainda não tomou a iniciativa; esta situação não é ideal para ele.
Além disso, como é frequente o caso com o jogo check behind, tens a vantagem de ver 80% (em vez de 60%) da board final, antes de decidir comprometer quaisquer fichas pós-flop. Isto permite-te tomar decisões mais informadas a respeito de ser +EV para fazer call down.
Mãos típicas para este jogo seriam K-J num flop rainbow 9-7-3. Contra o leque de mãos standard de 85% do teu oponente, terias cerca de 45% de equity. Isto é demais para fazer fold, mas, visto que tens -EV, não vais querer fazer bet. Isto justifica o princípio fundamental discutido na introdução de que o check behind deve ser seriamente considerado sempre que o teu EV no flop é inferior a 50%.
Se o turn é uma blank e o teu oponente faz check, é provavelmente melhor fazer check behind novamente, especialmente no início de uma sessão. Irias ao river obter algumas informações úteis sobre como ele joga a mão. Esta é a melhor linha de acção do que jogar bet/fold quando não podes ter a certeza de ter feito a melhor jogada.
Este é também o caso em que é simplesmente impossível uma mão melhor fazer fold (se encontras um oponente que pode fazer fold a A-x aqui, então tens de acertar o jackpot para o jogo heads up; podes ignorar o conselho neste artigo, fazer bet em cada flop e ficar com todo o seu dinheiro). Não há nenhuma razão real para fazer bet como uma bet também é improvável que gere fold equity mais tarde na mão. Fazer check behind é a forma para obter o máximo valor da tua mão.
Há um outro ponto aqui de que se ele tem algo parecido a 7-6 e tu fazes bet no flop, é muito provável que ele faça raise com middle pair. Contudo, se fazes check behind e no turn vem uma carta assustadora, ou seja, 9-7-3-A, ele pode muito bem não fazer bet no turn, especialmente desde que o ás acerte uma grande parte do teu leque de mãos check behind. Agora começas a partir do flop até ao river por 0BBs o que é uma grande melhoria de pagar 2BBs.
O contra-argumento aqui é que se tivesses jogado bet/call no flop, o Ás podia travá-lo no turn, mas isto não é muito provável. Uma vez que fez raise no flop e tomaste a iniciativa, ele não pode jogar check/call no turn, já que estaria a extrair valor zero de mãos melhores embora pagando os seus oponentes com piores.
Parece bastante claro que fazer check behind é mais provável que minimize o teu lado negativo quando estás atrás, mas também deves notar que também pode maximizar o teu lucro com esta mão fraca. Se o teu oponente têm uma mão como Q-8 neste flop 9-7-3, é improvável que faça fold a uma bet no flop, especialmente se ele têm algum tipo de backdoor flush.
Se o turn é uma blank, ele faz check e tu check behind, a mão provavelmente será check down e ganharás 0.5BBs pós-flop. Contudo, quando fazes check behind é provável que ele faça bet a uma blank no turn e quando fazes call, a mão irá provavelmente ser check down. A diferença é que ganhas mais uma 1BB pós-flop.
Para resumir, se não há bet no flop e no turn e ele ainda faz check no river, podes (quase) fazer uma value bet com rei alto. Considerando a paralisia total de ambos os jogadores até ao momento das bets, podias muito bem receber call de um oponente "esperto" que percebe que o teu leque de mãos é realmente polarizado aqui.
4.6 Ar
Às vezes encontras-te com uma mão e estrutura de flop onde é melhor simplesmente desistir. Todos nós gostamos de jogar poker de forma agressiva e isto não é algo que realmente queremos fazer, mas tens de te lembrar que cada vez que salvas uma bet com uma losing hand é tão bom quanto ganhar um valor extra com uma mão vencedora: a defesa é tão importante quanto a agressão.
Aqui está um exemplo. Tens 10-5 e o flop da board é Q-9-7. Tens uma carta um pouco backdoor straight draws e nada mais. Contra alguns oponentes podes ter o suficiente fold equity para uma estratégia bet/fold no flop, mas contra oponentes que ficarão muito agressivos no flop e/ou turn, uma bet quase não têm valor.
Não podes dar call a um raise e não podes desaproveitar uma c-bet no turn (e mesmo que melhores com um cinco provavelmente não farás bet). O problema é que mãos melhores nunca farão fold nesta situação e mãos piores vão fazer bluff muitas vezes. Não há uma forma rentável para jogares com esta mão terrível.
Outro exemplo é quando tens J-3 e o flop da board é 8-6-4. Um grande número de mãos fariam raise a uma bet no flop aqui e o teu fold equity está perto de inexistente. Fazer três-barrell nunca será uma jogada +EV porque mãos como A-5 irão fazer-te call no river. Basta dizer não.
5. Quando é mau fazer check behind?
Tendo dado um forte argumento para o jogo check behind numa série de situações, precisamos agora de analisar cenários onde uma bet é claramente a melhor jogada.
5.1 Mãos feitas fortes
O primeiro destes casos envolve mãos fortes feitas, especialmente contra jogadores astutos. Mãos fortes feitas são algo raro no jogo heads up e assim fazer slowplay é inútil. Quando tens um oponente astuto que fará check raise no flop e bet no turn com todo o tipo de mãos (85+% das quais estarás à frente com a tua mão forte feita), é um mau movimento e é -EV fazer check. Depois de jogares bet/call no flop, podes fazer raise no turn e bet no river conseguindo 4BBs. Se fazes check no flop, o melhor que podes ganhar é 3BBs. Mesmo quando os oponentes querem fazer bluff e desistem se repetes, ainda é +1BB para jogar bet/call no flop. Os oponentes vão presumivelmente jogar bet/fold no turn.
Oponentes fracos que jogam straight forward pós-flop
Contra jogadores que fazem fold muitas vezes no turn, às vezes podes maximizar o teu EV fazer check behind a uma mão forte. Contudo, se estiveres a enfrentar o tipo de jogador que joga hit ou fold no flop no jogo heads up, estarias a matá-los ao apostar em praticamente todos os flops.
Podem esperar que faças check behind em flops muito draw tal como 8-7-5, mas uma vez que quebres a rotina ao fazer check behind com K-Q num flop K-9-4 eles vão ver isso de forma suspeita e é improvável que desperdissem bets com bluffs. É melhor para o metagame manter a bet porque se tiveres sorte e eles tiverem uma mão boa o suficiente para pagar-te, eles vão começar a dar ainda mais credibilidade a todas as tuas outras c-bets em flops secos.
5.2 Mãos lixo
Não há nenhuma boa razão para fazer check behind com mãos trash, mesmo se a fold equity para uma bet é baixa. Por exemplo se tens 6-4 numa board K-Q-9, fazer check behind é inútil. É melhor fazer bet/fold. Deves ter suficiente fold equity numa bet para justificar a jogada, especialmente se o teu oponente joga perto de 100% das mãos pré-flop. Outro exemplo é o seguinte:
Tens:
Flop:
Qc-4h num flop 9s-8s-7s. A tua equity de 22% é absolutamente patética e fazer check é de novo inútil. É muito melhor fazer bet porque podes ter oponentes com mãos trash rei alto e dama alto para fazer fold. Jogar OOP, alguns oponentes podem até fazer fold a pares baixos sem espadas e ás altos sem espadas visto que estas têm uma equity terrível neste flop, e não é incomum para eles estarem em draw com muito poucos outs se estiverem atrás.
5.3 Quando a c-bet faz com que o resto da mão seja fácil de jogar
Há ocasiões em que a c-bet é boa porque a resposta do teu oponente dá-te uma idéia muito clara de como jogar no turn e no river. Digamos, por exemplo, que tens A-2 num flop K-8-3 rainbow. O teu oponente é o tipo de jogador que faz check raise a todas as mãos feitas e a muitos draws, mas também faz call a mãos de cartas altas. Ele não faz bluff raises no flop. Este estilo é naturalmente explorável, mas também está longe de ser incomum. Se fazes check behind aqui, o turn traz K-8-3-10 e ele faz bet, não saberás o que fazer porque de repente há muitos draws. Embora também pudesse ter muitas mãos feitas.
No entanto, se fazes bet a este flop seco, deves ter uma óptima leitura da sua resposta. Um raise significará que estás atrás, um call é mais provável ser ás alto ou duas cartas do leque de mãos 9-Q se ele faz fold este é um resultado muito bom para o teu bottom pair sem kicker. Agora podes jogar a mão com bastante precisão e torna-se muito mais fácil jogar bet/fold no turn.
5.4 Mãos com que precisas de disparar três barris
Às vezes tens uma mão muito fraca com pouco espaço para melhorar. Normalmente isto seria um gutshot com cartas baixas, ou seja, 5-4 num flop K-7-3. Embora possas ser tentado a fazer check à procura da carta grátis, deves mesmo fazer bet porque tens zero valor de showdown e queres colocar pressão.
A tua fold equity nesta bet particular não é assim tão boa. A fold equity nas streets finais, contudo, é muito melhor porque muitas mãos não par farão call aqui mas provavelmente não verão o showdown se não melhorarem. Por exemplo, todas as duas combinações de cartas com 8, 9, 10, J e Q irão provavelmente fazer call, mas podem muito bem fazer fold se a board traz pares um 2 ou um ás. Além disso, se apanham um gutshot, podem dar call de novo mas farão fold no river se não melhorarem.
Fazer check behind aqui é muito fraco. O problema é que não serás capaz de dar call a uma bet no turn não melhorada, enquanto que se mantiveres a iniciativa, podes ter folds de mãos melhores que a tua.
Repara que o gutshot ajuda-te muito. Ter quatro outs multiplicados por 2 significa que vais fazer nuts cerca de 16,5% das vezes (uma em seis vezes) se chegares ao river. A tua equity neste flop K-7-3 é cerca de 30% enquanto que no flop K-9-3 cai para menos de 20% (como discutido anteriormente, aqui jogas bet/fold). Nota que sempre que disparas o 3º barril esta mão não melhora e consegue que um oponente faça fold, significa um enorme swing a teu favor.
A regra geral é que quando estás perto do nut baixo, é quase sempre uma boa ideia disparar o 3º barril porque a recompensa de um fold é muito grande.
5.5 Quando a estrutura do flop cria boa fold equity
Quando a board é muito seca, ou seja, 7-7-3, é claramente melhor fazer bet com um draw fraco como 5-4. Houve um exemplo semelhante na mudança de equity. Se o teu oponente tenta representar qualquer coisa aqui, não vai parecer muito convincente e ele deve antecipar que o resultado da mão pode simplesmente depender de quem teve as melhores cartas pré-flop. Naturalmente não vai fazer fold a mãos A-x e K-x mas, porque ele está out of position, ele não pode ver muito valor ao jogar com as mãos mais fracas como Q-x e J-x. Depois de teres mostrado alguma fraqueza nesta board ultra seca, um oponente esperto fará call down com absolutamente nada ou, em alternativa, atacar-te com a sua própria mão má.
6. Conclusão
6.1 Fazer check behind em ring games
Até agora neste artigo temos apenas considerado o check behind no jogo heads up mas vamos fazer uma breve menção de como pode ser usado efectivamente no jogo ring. As situações onde o jogo é eficaz no jogo ring são muito menos porque os leques de mãos são muito tight. A melhor maneira de implementar o jogo é usá-lo sempre em boards de estrutura específica que são claramente mais propensas a ter ajudado, digamos, uma big blind caller. Um exemplo típico é quando fazes open raise do cut-off com A-Q, recebes call da big blind e no flop vem 9-8-6. Esta é uma boa situação para fazer check behind porque o flop é muito provável que tenha acertado o leque de mãos call da big blind e não o teu leque de mãos open raise pré-flop. Além disso, podes equilibrar o teu jogo ao fazer sempre check a estas estruturas da board, mesmo que tenhas A-A ou 9-9 e o teu instinto diz-te para proteger
6.2 Aspecto "Meta-Psicológico"
Como já vimos, existem muito bons argumentos técnicos para justificar porque é importante incluir o jogo check behind como parte do teu arsenal de armas no jogo HU e short-handed. Contudo, há também outras razões, em parte psicológicas, que melhor o justificam.
6.3 Evitar o piloto automático
Mais cedo na vida, eu (Byron Jacobs) fui um forte jogador de xadrez. No xadrez, as sequências de movimentos de abertura standard foram jogadas e repetidas inúmeras vezes. Portanto, não é raro ver dois jogadores jogar os primeiros 15 movimentos de um jogo quase que instantaneamente. Só quando um novo, ou menos conhecido movimento é jogado, um dos jogadores parará de responder imediatamente e começar a pensar sobre a posição.
Quando o meu entendimento do jogo desenvolveu comecei a perceber que isto não é realmente uma coisa boa. É muito melhor jogar os teus movimentos de abertura um pouco mais devagar, lembrando a ti mesmo em cada ocasião o PORQUÊ de estares a jogar o movimento, em vez de o esmurrar como um macaco. Desta forma, quando chegar a hora em que tens de pensar muito sobre o que estás a fazer, o teu cérebro já está um pouco mais "aquecido" e pronto para analisar a situação de uma maneira lógica.
Acredito que um argumento similar pode ser aplicado no poker. Ficamos muito acostumados a fazer auto jogadas instantâneas porque aprendemos que um jogo em particular é "automático" e que não há nada para pensar (naturalmente, multi-tabling não ajuda neste respeito). Fazer bet behind com iniciativa é uma das jogadas que é feita em piloto automático por praticamente todos os jogadores em praticamente todas as situações. Na maioria das vezes é de facto a jogada correcta, mas há ocasiões em que o check behind pode ser uma linha melhor. Parar, só por um momento, e considerá-la mantém-te perspicaz.
6.4 Fazer outplay aos teus oponentes
Se me vais fazer a vontade por um momento eu (Byron Jacobs) gostaria de falar de uma outra analogia do xadrez que acredito que seja relevante para o poker. Frequentemente no xadrez encontrarás um jogador forte contra um oponente claramente mais fraco (mas, no entanto, competente). Alguns jogadores mais fortes são muito eficientes a derrotar estes jogadores mais fracos, enquanto que outros jogadores mais fortes parecem ganhar ocasionalmente, com muitos dos jogos resultando em draws. Porque é este o caso?
A razão é que os jogadores mais bem sucedidos percebem que para ganhar o jogo, têm de criar problemas para os oponentes, mesmo à custa de jogar um (pouco) jogo menos ideal. Se não criarem problemas para resolver (geralmente criando posições não standard um pouco complicadas), a sua maior habilidade no jogo não será recompensada.
A relevância disto para a linha check behind no poker é que se só fazes bet nesta posição, estás a deixar ir uma oportunidade para criar problemas para o(s) teu(s) oponente(s). Mesmo jogadores moderados serão razoavelmente competentes para equilibrar as suas respostas quando são confrontados com uma linha onde fazes bet 100% das vezes. Se misturas o jogo, irás criar situações (muitas vezes desconhecidas) em que podem começar a apresentar um comportamento previsível que podes começar a explorar.
6.5 Finalmente...
Neste artigo mostramos como o check behind pode ser uma ferramenta muito útil para ter no teu arsenal. Há uma série de situações, que identificamos, onde parecem ser claramente a melhor jogada em vez da c-bet. Contudo, há também muitas situações em que as duas jogadas são provavelmente mais ou menos iguais em valor e decidir qual linha é superior torna-se uma questão oponente-dependente.
Haverá ocasiões em que sentes que tens uma compreensão clara de onde estás após a resposta do teu oponente a uma c-bet. Nestes casos, deves inclinar-te a fazer uma bet. Reciprocamente, também haverá situações em que sentes que uma c-bet é improvável que traga qualquer vantagem e parece que a tua equity não pode ser superior a 50%. Nestes casos o check behind deve ser fortemente considerado.
O metagame também é importante para o movimento check behind. Tens uma idéia clara de como o teu oponente tende a responder no turn depois de fazeres check behind? Finalmente, se estás realmente inseguro quanto ao que é melhor jogar, podes simplesmente decidir sobre uma base de variância. Se preferes jogar um estilo de variância baixo faz simplesmente check behind. Se a variância não é um problema para ti e sentes-te preocupado por poderes ser empurrado para fora da mão se fazes check, então tende a fazer bet.
Esperamos ter-te convencido que o check behind pode ser uma arma poderosa e inesperada no jogo heads up. Talvez não seja tão surpreendente que pode ser usado para mãos ás alto que querem ir a showdown, mas também pode obter bons resultados em situações menos esperadas, como quando tens um draw forte. Isto permite-te equilibrar o jogo e tornar a tua estratégia mais eficaz.
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