No River - Teoria
Introdução
Neste artigo
- Quais as vossas possibilidades de acção no river
- Quão forte é a vossa mão
- Qual a importância da vossa posição
Para chegar ao showdown de uma mão, têm de percorrer as quatro rondas de apostas do jogo – cada uma com a sua dinâmica e problemas específicos. Entre estas quatro rondas, o river destaca-se por ser uma ronda de aposta particularmente complicada.
Este artigo tenta expor as especificidades do jogo no river e os factores a que devem estar atentos. O próximo artigo vai ter inúmeros exemplos de diferentes situações e adversários que serão analisados tendo em conta as diferentes posições que podem ocupar nas mãos.
Quais os problemas que podem enfrentar no river?
Tal como foi mencionado atrás, todas as rondas têm os seus próprios problemas característicos, mas o river, por vezes, acaba por ser subestimado em termos de importância. É como se tratasse de um rio (river) real - se não tiverem muito cuidado, acabam por serem arrastados pela corrente.
Adquirir a sensibilidade adequada para jogar o river pode ser bastante difícil. O cérebro humano costuma lembrar-se melhor das situações mais padronizadas e acaba por tentar enquadrar situações específicas em estruturas gerais. Como jogadores de poker, devem saber quão perigoso isso se pode tornar. Consequentemente, devem tentar analisar as vossas mãos de forma individualizada em vez de tentá-las enquadrar em experiências anteriores ou numa situação padrão. No final de cada sessão, podem dar-se como satisfeitos se vierem a perceber que o vosso estilo de jogo gerou um valor esperado positivo.
Este tipo de aprendizagem claramente é muito importante, mas só usufruirão dele se racionalizarem ao máximo as vossas decisões, de forma que aprendam com elas para as mãos futuras. À medida que desenvolvem e melhoram o vosso processo de análise, acabarão por tomar as decisões correctas bem mais frequentemente. É necessária muita prática e experiência de forma a aperfeiçoar esta habilidade.
Quando olham para as diferentes rondas, vão, com toda a certeza, ver que muitas das decisões que tomam no poker ocorrem pré-flop. Como resultado, as vossas habilidades e estratégias pré-flop contra diversos adversários já são bastante fortes, e ao longo do tempo começaram a cometer bem menos erros.
Só chegamos ao river na fase final de uma mão. É lógico que a última ronda seja menos vezes jogada do que as anteriores. Quando olham para o vosso VPIP e para o valor "went to showdown", vão-se aperceber que raramente têm de tomar grandes decisões no river (de facto, geralmente, apenas uma em cada 25 mãos). Por outras palavras, acabam por ganhar pouca experiência nessa fase de jogo.
Este facto acaba por se tornar algo lamentável, considerando que as decisões mais caras são, normalmente, tomadas no river. Até ao river o pote torna-se maior, já que as apostas no No Limit Hold'em são feitas tendo em conta o valor do pote.
Com efeito, existe uma grande diferença entre o river e todas as outras rondas: As mãos já estão completas e não vão surgir mais cartas comunitárias. Existem pelo menos duas mãos a confrontarem-se, uma das quais é mais forte que a outra e por isso vai ter a oportunidade a levar o pote. No entanto, ainda não está claro que a melhor mão levará ou não o pote.
Geralmente encaram a mão como acabada no river, faltando apenas chegar ao showdown. Se colocarem o vosso adversário num draw, então ou ele o concretizou e, portanto, têm de ter muito cuidado, ou então ele falhou e provavelmente estarão à frente. Nesse caso, já devem ter decidido no turn se querem induzir um blefe no river ou então fazer uma aposta por valor. Por outro lado, muitas pessoas acabam por perder o seu enfoque e concentração até à real conclusão da mão.
Naturalmente, as odds também se alteram. Na primeira ronda, as odds são normalmente encaradas no sentido de, "qual a probabilidade que um dos meus outs apareça numa das rondas seguintes?" É como se assumissem que estão atrás do adversário, mas matematicamente podem estimar de forma relativamente fidedigna a probabilidade de uma das próximas cartas vos dar a melhor mão. Portanto, com pot
odds, odds implícitas, e muita experiência
podem determinar se um call com, por exemplo, um draw no flop tem ou não uma expectativa positiva no longo prazo.
No river, também têm odds quando um adversário aposta, mas não se poderão limitar a uma análise meramente matemática para guiar a vossa decisão.
PartyPoker $25 NL Hold'em (6 handed)
Stacks & Stats
MP ($25)
CO ($25)
UTG ($25)
BB ($25)
SB ($25)
Hero ($25)
Pré-flop: Hero é Botão com A
, K
UTG aumenta para $1,00, 2 desistem da mão, Hero re-aumenta para $3,25, 2 desistem da mão, UTG iguala $2,25
Flop: ($6,35) K
, 3
, 4
(2 jogadores)
UTG passa a jogada, Hero aposta $4,50, UTG iguala $4,50
Turn: ($15,35) 5
(2 jogadores)
UTG passa a jogada, Hero passa a jogada
River: ($15,35) 6
(2 jogadores)
UTG aposta $7,50, Hero ???
Esta é uma mão perfeitamente normal até ao turn, quando decidiram fazer check
behind para induzir um blefe. Também poderiam ter feito bet / call no turn, já que estão num pote que verificou uma 3-bet, mas analisemos primeiro todas as opções disponíveis.
Neste caso, o oponente apostou. Têm de pagar $7,50 para poderem ganhar $22,85. Assim sendo, estão perante odds de, aproximadamente, 3 para 1, o que quer dizer que têm de estar à frente do adversário uma em cada 4 vezes para tornar o call lucrativo.
A utilização destas odds pode ser complicada. Estarão à frente uma em cada quatro ocasiões? À primeira vista verão que uma estimativa matemática rápida não será possível. São exatamente estas situações que requerem muita experiência, e por isso mesmo têm de ter muito cuidado, já que estas decisões acabam por tornar-se muito caras.
Não se podem limitar a utilizar o Equilator, dando um range ao adversário e então avaliar se estão à frente na maioria das vezes; devem evitar seguir linhas de pensamento padrão. A dimensão da aposta do adversário pode alterar completamente as odds, tornando a expectativa de um determinado call negativa.
O exemplo acima é claro: fizeram o check behind no turn para induzir um blefe, e devido à dimensão reduzida da aposta e da elevada probabilidade do oponente estar a tentar um blefe, este é um call obrigatório com top
pair/top kicker.
Não obstante, seria errado fazer check behind no turn e call no river independentemente das odds. Uma aposta com o valor do pote teria de ser bem mais ponderada, pois certamente não podem pagar cegamente um push.
O que pretendem conseguir no river?
De forma simplificada, existem quatro formas de jogar no river. As vossas opções são então:
-
Querem aplicar um blefe
Não consideram estar à frente no river, mas querem tentar colocar o vosso adversário para fora da mão. Além de saberem exactamente o que aconteceu até ao momento e como é que o board se desenvolveu, precisam ter algum conhecimento prévio do adversário e saber exactamente qual a vossa imagem na mesa. É óbvio que só podem tentar o blefe por já terem saído todas as cartas comunitárias.
O vosso objectivo: fazer com que o adversário descarte uma mão que, provavelmente, é melhor que a vossa.
-
Querem garantir um showdown barato
Se tiverem a oportunidade, devem tentar garantir um showdown o mais barato o possível. Isto se aplica quando estimarem que a vossa mão tem algum valor para o showdown, mas, por outro lado, não consideram estar suficientes vezes à frente e por isso não desejam investir muito mais dinheiro na mão.
O vosso objectivo: um showdown favorável.
-
Desejam extrair valor adicional
Estimam estar, na maioria das vezes, à frente do adversário, independentemente da carta do river. Toda a vossa atenção está focada em saber como extrair o máximo de dinheiro possível do oponente.
O vosso objectivo: obter o máximo de valor com uma mão forte.
-
Desistir da mão
Existe grande probabilidade de estarem atrás do oponente, e é bastante improvável que o oponente desista da sua mão. Por exemplo, falharam o vosso draw e não pensam que valha a pena fazer um blefe - podem agora abdicar tranquilamente da mão.
O vosso objectivo: desistir da mão sem investir qualquer dinheiro adicional.
A força da vossa mão é, claramente, um factor decisivo. Podem sempre categorizar a vossa mão numa das quatro seguintes categorias:
-
Mão fraca/Lixo
A vossa mão é fraca e praticamente não tem valor de showdown. Podem ser exemplos disso um draw não concretizado, simples overcards ou mesmo quando pagaram uma aposta com um par médio no flop e que acabou por se reduzir a nada, pois surgiram overcards no turn e river.
-
Mão feita
Têm uma mão feita relativamente boa e com valor para showdown, mas pode não ser suficiente para ganhar o pote. Podem até ter overpairs ou mesmo top pair/top kicker. Para além destas, podem estar mãos que podem ter sido ultrapassadas; por
exemplo, um trio quando surge a possibilidade clara de existir uma sequência, ou dois pares num board todo do mesmo naipe. -
Mão feita forte
No river têm uma mão feita bastante forte. Com efeito, consideram estar, na maioria das vezes, à frente do adversário, e por isso querem ser recompensados. Têm o chamado nuts, ou algo muito próximo disso, e muito dificilmente o vosso adversário tem uma mão melhor.
Como podem ver, devem tentar o blefe com uma mão fraca, tentar chegar ao showdown com uma mão feita, e jogar por valor com uma mão feita forte. Só considerem abdicarem da vossa mão se ela realmente for fraca.
Não inflacionem o valor da mão com um raise quando tiverem uma mão feita mediana e apostem sempre com uma mão feita forte.
A indução ao blefe não concretiza os seus objectivos até às últimas rondas. Por vezs, podem tentar esta jogada no turn onde têm posição para fazer check behind de forma a induzirem um blefe no river.
Também pode ser utilizado da mesma forma, quando não têm posição no river. Muitas vezes, quando têm valor de showdown, vão acabar por tentar induzir um blefe, passando a jogada para aumentarem o vosso valor esperado de um um adversário cujo range inclua mãos com que ele goste de tentar o blefe neste tipo de situações.
Têm posição
Neste momento surge uma importante questão: qual é a melhor forma de concretizar cada um deste objectivos? Nesta secção, vamos abordar a forma como devemos jogar em posição e como atingir o vosso objectivo tendo em conta o tipo de adversário que estamos a enfrentar.
Independentemente da situação em que se encontrem, no No Limit Hold'em é sempre melhor estarem em posição.
Isto também se aplica no river. Se isto se verificar, vão ter mais informação sobre a força da mão da oposição, e por isso poderão tomar melhores decisões.
Quando têm posição, só têm de enfrentar dois cenários possíveis: ou o vosso oponente faz check no river ou ele aposta. Em qualquer dos casos, terão três formas distintas de reagir. Terão de decidir qual o mais adequado tendo em conta as ideias e critérios já mencionados anteriormente neste artigo.
No river é importante determinar onde se encontram na mão. Se considerarem estar atrás, então ou tentam o blefe ou abdicam da mão. Por outro lado, se pensarem encontrar-se numa situação do tipo bem à frente/bem atrás com uma mão feita mediana, então desejam atingir o showdown da forma o mais favorável possível, fazendo o call de uma aposta ou fazendo check behind. Por último, quando considerarem estar bem à frente do adversário, desejam extrair maior valor com a vossa mão e, portanto, apostam.
Terão uma decisão particularmente fácil se ele se decidir pelo check. Façam o check
behind padrão com uma mão suficientemente boa para showdown - por vezes poderão ganhar o pote, mas não podem esperar que o adversário iguale uma aposta se tiver uma mão mais fraca que a vossa. Apostem quando estiverem claramente à frente e tentem o blefe quando tiverem uma mão fraca, mas considerarem que o oponente pode fazer descartar a mão.
Terão de pensar um pouco mais se o oponente decidir apostar. Tal como mencionado anteriormente, agora têm vantagem posicional e a sua aposta fornece informação sobre a sua mão.
Podem ponderar fazer o call quando quiserem ir ao showdown. A questão é avaliar se esse movimento tem +EV. Infelizmente isso não pode ser respondido sem levar em consideração a dimensão da aposta, a carta do river e as acções anteriores do oponente. O mesmo se aplica para o blefe .
A única forma de ganhar com um blefe é fazendo raise (ou mesmo shove no caso de um raised pot). Obviamente, que esta jogada tem de ser eficaz com alguma frequência para poder ser bem sucedida no longo prazo; o vosso oponente está a representar uma mão bastante forte. Boas reads são decisivamente uma vantagem considerável quando estiverem a decidir se desiste da mão com a frequência adequada para que esta jogada funcione. Não arrisquem a vossa stack em jogadas demasiado arrojadas contra oponentes desconhecidos.
O raise também é viável se tiverem uma mão realmente forte. Não seria errado questionar novamente a força real da vossa mão nesta situação. Será a mão assim tão forte (próxima do nuts)? Existirão mãos no range do adversário com que ele faça bet / call no river? Se assim for, então o raise é provavelmente uma boa ideia. Se tiverem algumas dúvidas, podem limitar-se a igualarem a aposta - já que ele está a representar uma mão realmente forte.
Nem é preciso dizer que a forma como o river é jogado é extremamente importante para vocês e para os adversários, pois ambos serão confrontados com os mesmos problemas.
É importante avaliar qual o tipo de oponente que enfrentam para poderem compreender a forma como ele joga.
-
O jogador padrão:
O jogador padrão normalmente joga uma mão com agressividade decrescente ao longo da mão e não mantém a pressão no máximo no river. Além disso, ele aposta frequentemente nas rondas anteriores, mas limita-se, na maior parte das ocasiões, a fazer check / call no river. Geralmente, estes tipos de jogadores são TAGs ou mesmo LAGs com mãos suficientemente fortes para ver o showdown. Quando enfrentarem ete tipo de jogador, têm de considerar se o blefe faz ou não sentido, tentando estimar a vossa fold equity. De qualquer forma, devem sempre apostar com uma mão feita forte.
-
O jogador weak-tight:
O jogador weak-tight (tight, mas fraco) costuma ficar bem tenso no river devido ao facto dos potes serem consideravelmente maiores. Mesmo que ele mostre alguns laivos de agressão no flop e no turn, ele não vai continuar no river. Neste momento, ele também vai entrar em modo check / call, o que já tinha acontecido a outros jogadores weak-tight em rondas anteriores. Normalmente este tipo de jogador é uma calling station ou um rock. Neste ponto é novamente importante avaliar se têm fold equity suficiente para tentarem o blefe . Estes jogadores costumam ter mãos fortes no river, e mesmo tendo um monster, ele poderá limitar-se a fazer check. Sendo assim, uma aposta destes adversários deve ser respeitada e significa que ele tem uma mão forte, portanto devem questionar-se se ir ao showdown com uma mão marginal terá mesmo +EV.
-
O jogador agressivo:
Os jogadores que causam maiores problemas nesta fase de jogo são os agressivos. Não só por provocarem decisões tipicamente mais caras, e por isso mais complicadas, mas também por ser difícil descortinar o significado da sua agressividade (terá ele uma mão realmente forte ou não?). O facto de ter um AF no river maior do que no turn é uma característica ímpar deste tipo de jogadores.
A agressividade no river pode significar uma de duas coisas: o adversário pode querer explorar a vossa fragilidade no river e empurrar-vos para fora da mão. Um blefe .
Ou por outro lado, o oponente podia querer induzir um blefe no turn, mas ter sido obrigado apostar no river para extrair alguma valor depois do vosso check behind. Um slowplay.
Esta questão deve ser clara. No primeiro caso, estão perante um blefe, no qual estão à frente com a maioria das mãos. Por outro lado, se ele estiver a fazer slowplay, geralmente espera-vos um monster que ainda não tinha apostado. Pode ser difícil distinguir qual a situação real que estão a enfrentar, e por isso terão de utilizar toda a informação disponível que têm sobre o oponente nessa jogada, para ver se conseguem tomar a melhor decisão.
Maníacos com um VPIP muito elevado que também tenham um PFR significativo tentam muitas vezes afastar-vos do pote, pois a força relativa da sua mão está bem atrás do vosso range. Dado a agressividade da maioria dos jogadores diminuir no river, é conveniente tentar identificar aqueles que tentam blefes realmente esquisitos. Um valor de "Went to Showdown" reduzido é um novo indicador da presença deste tipo de jogadores.
Os jogadores
maníacos que têm valores elevados de VPIP mas um baixo PFR tendem a ser calling stations. Um valor "Went to Showdown" mais elevado completa o figurino de uma pessoa cuja agressão pode ser em alguns casos largamente injustificada, ao contrário da eventual possibilidade de estarem a jogar contra um tipo de jogador que gosta de fazer slowplays com monsters.
Sem posição
Neste momento já devem saber que não ter posição é uma desvantagem enorme, e portanto devem tentar agir com posição o maior número de vezes possível. Não obstante, por vezes não se pode evitar esta situação, e devem ainda jogar as boas mãos agressivamente das posições iniciais.
Independentemente de como a mão se desenrolou até ao momento, vão-se deparar com uma decisão complicada no river se jogarem sem posição. Além de nos questionarmos sobre a possibilidade de conseguirmos aqueles blefes magníficos, vamos também aprender como extrair o máximo valor das mãos realmente fortes.
Têm duas opções mais usuais: passar a jogada ou apostar. No entanto, também existe uma terceira opção menos convencional. Em vez de fazerem uma aposta de 2/3 do pote (que pode variar na dimensão, já que no river já não é necessário proteger a vossa mão), podem utilizar a chamada block bet.
A block bet pode ter vários objectivos. Através da block
bet tentam anular a vossa desvantagem posicional enquanto adquirem alguma informação valiosa por um preço razoável (as block bets normalmente são menores que uma aposta normal). No entanto, para que funcione têm de estar certos que o adversário não faça bluff raise.
Devem adicionar a block bet ao vosso repertório de jogadas,
que já consistia de apostas de dimensão normal e de check, além de analisar cuidadosamente as situações para saberem quando a devem utilizar.
Assumem que não têm valor de showdown significativo e que estão atrás dos adversários no river. Além disso, consideram que dificilmente conseguem fazer com que o adversário desista da mão frente a vossa aposta. Lembrem-se que um blefe não faz qualquer sentido se não tiverem fold equity. Simplesmente abdicam da mão.
Quando fazem check / call entram numa situação parecida ao bem à frente/bem atrás. Não desejam recompensar as mãos mais fortes que a vossa, no entanto, quando possível, querem ver um showdown barato e que vos pode ser favorável. Esta situação é bastante rara no river, ao contrário do que acontece no flop e no turn, onde o check / call é bastante frequente.
Primeiro que tudo têm de estimar o valor relativo da vossa mão e avaliar se têm algum valor de showdown. Mesmo com valor para showdown, não existe qualquer necessidade de protecção da vossa mão, já que todas as cartas comunitárias já estão à vista na mesa. Ao contrário do que acontece no turn, o adversário vai tentar blefar com a frequência suficiente para justificar um call, dado existir +EV quando têm valor de showdown.
A composição da mesa é extremamente importante. Fazer check / call com uma mão como TPTK pode ser uma opção bastante proveitosa quando considerarem que o oponente está num draw incompleto, por exemplo. Um jogador agressivo pode interpretar o vosso check como fraqueza e tentar blefar, mesmo tendo apenas draw incompleto sem qualquer valor de showdown.
Um check / call também é possível quando tiverem uma mão muito marginal como top pair com um kicker fraco. Querem ver o showdown, e pensam que o adversário é capaz de apostar com uma mão mais fraca, mas dificilmente pagaria um raise.
Ao mesmo tempo, o check / call não é uma opção padrão, e depende largamente da dimensão da aposta e do valor do pote.
Existem situações em que podem facilmente igualar uma aposta de ½ pote, mas que desistir da mão é obrigatório se enfrentarem um push.
O check / raise é um instrumento que só deve ser utilizado se já o tiverem feito no flop ou turn.
As condições básicas para se poder aplicar um check / raise são ter uma mão muito forte e um adversário agressivo. Para o fazerem, devem ter a evidência ou a percepão de que o oponente é capaz de tentar um blefe no river e de pagar a um raise (na maioria dos casos um push all-in) com uma mão mais fraca. Este tipo de situações são bastante raras, e muitos jogadores têm imensas dificuldades em detectá-las (e jogá-las) correctamente.
O bet / fold deve ser realizado com bastante precaução. Têm de ter a perfeita noção do que pretendem atingir com esta jogada. Uma forte aposta no river é geralmente muito cara, e têm de estar preparados para abdcarem vossa mão se enfrentarem um raise.
Podem aplicar esta jogada quando estiverem certos que o oponente tem uma mão fraca com a qual não apostará, mas que quer levar a showdown. Terão também de assumir que têm uma mão pior que o oponente se ele aumentar a aposta.
Normalmente uma jogada como bet / fold adequa-se melhor a maus jogadores que sejam loose-passivos e calling
stations, que não irão aumentar a aposta com nada a não ser com o nuts.
Bet / call é uma das opções mais fáceis. Se tiverem uma mão muito forte com a qual estão dispostos a ir all-in, devem apostar contra qualquer adversário em vez de fazer o check / raise (o que provavelmente seria contraditória com as vossas acções anteriores ).
Se, por exemplo, virem que um flush draw não foi concretizado, o check / call pode ser uma melhor opção. Ao utilizá-lo, estarão a induzir um blefe. Lembrem-se que a decisão de pagar uma aposta só pode ser executada depois de as pot odds serem analisadas ao pormenor.
No entanto, considerem a situação na qual um eventual draw se terá completado. Têm uma mão como top pair/top kicker, ou dois pares fracos, mas não consideram estar à frente. O check / call deixou de ser lucrativo, porque raramente estarão vezes suficientes à frente para justificar pagar uma aposta de 2/3
do pote. Além disso, não estão interessados em induzir um blefe , já que consideram estar atrás da maioria das mãos no range do oponente.
Em suma, nao querem recompensar mãos mais fortes que a vossa; e ao mesmo tempo, não querem simplesmente desistir da mão. A vossa solução: block
bet.
Esta decisão é suportada pelo facto de o oponente tentar o bluff raise menos frequentemente do que a bluff bet. Se ele tiver a intenção de tentar o blefe com uma mão fraca no river, então possivelmente ele tenderá a largar a mão perante uma block bet. Se efectivamente ele fizer o raise, geralmente será sinal de que ele tem uma mão mais forte que a vossa e o melhor será mesmo largar a mão.
Infelizmente isto não funciona contra todos os jogadores. Devem fazê-lo contra maus jogadores, independentemente de como os categorizarem. O adversário não deverá ser capaz de interpretar a vossa intenção com a block bet. Por exemplo, poderão extrair valor de mãos mais fracas dos calling stations que são conhecidos por levar mãos fracas ao showdown. Também vão conseguir impedir que alguns jogadores agressivos apliquem blefes.
A block bet é uma arma bastante interessante para o vosso arsenal técnico. Por um lado podem aumentar o valor da vossa mão, pelo outro podem pelo menos descobrir a força relativa da vossa mão se forem defrontados com um raise do adversário.
A
block bet / call pode ser considerada uma opção, mas que necessita de bastante estudo até ser plenamente compreendida. Em primeiro lugar, até pode parecer estranho dado que a definição de block bet sustenta que têm de descartar vossa mão perante um raise (porque se assim não fosse tratar-se-ia de uma value bet).
Não obstante, existem duas situações em que isto se pode aplicar:
- Existem situações em que a vossa block bet é contrariada por um mini-raise. Tal como já foi mencionado, as odds ainda são importantes no river. Se enfrentam odds convidativas contra um mini-raise, e tendo em conta que uma block bet é normalmente algo como 1/4~3/4 do pote, ainda podem pagar se pensarem que o adversário está a tentar um blefe rebuscado.
-
Por vezes também podem deparar-se com uma reverse block bet contra um jogador mais experiente e matreiro. Quando se sabe que o oponente conhece o conceito das block bets e sabe que vocês são capazes de as aplicar, ele pode considerar fazer o blefe raise com uma mão qualquer. Assim sendo, por vezes pode fazer sentido representar uma block bet com uma mão muito forte de forma a induzir um blefe para posteriormente fazerem o call. No entanto, para esta jogada ser rentável, têm de ter reads bastante concretas e precisas sobre o adversário.
Conclusão
Com toda a certeza vão ter de tomar decisões muito complicadas e dispendiosas no river. Tendo em conta a força relativa da vossa mão, a forma como a mesa evoluiu assim como as reads que têm do vosso adversário e a forma como a acção se desenrolou; terão de decidir quais as opções apropriadas para cada situação.
A posição é também crucial. Tal como foi discutido, ter posição traz várias vantagens: entre outras coisas, permite-vos decidir se veem o showdown pelo preço proposto pelo oponente ou se, por outro lado, preferem apostar por valor (ou então tentar o blefe).
As coisas são bem mais difíceis sem posição; o vosso oponente terá última palavra. Por essa ordem de razão devem sempre manter estes conceitos em mente e tentar definir exactamente o vosso objectivo com cada check ou aposta.
No próximo artigo vamos analisar alguns exemplos concretos de como jogar no river.
| LINKS | |||||
|
|||||