Como Jogar Antes do Flop?
Introdução
Neste artigo
- Como utilizar as Tabelas das mãos iniciais .
- O que são roubos de blinds e re-raises para roubo.
- Como dominar a fase final dos torneios.
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Já sabem que um Sit & Go tem três fases de jogo distintas: fase inicial em que as blinds são reduzidas e pouco significativas em relação às stacks médias, a fase intermédia em que as dimensões das blinds já são substancialmente maiores e a fase final onde as blinds já são muito grandes face às stacks dos jogadores.
Como o principal objetivo de um Sit & Go é manterem-se vivos o máximo tempo possível, tudo o que fazem até está alinhado para a fase final. Conquistarem muitas fichas ou a eliminação do máximo número de adversários não é propriamente o vosso objetivo principal.
Neste artigo, vão encontrar as chamadas tabelas de mãos iniciais para as fases inicial e intermédia. Estas tabelas são uma orientação para as mãos que podem ser jogadas nas diferentes fases dos SnG e são resultado de análises matemáticas e computacionais aliada à experiência dos maiores jogadores de torneios.
Quando chega a última fase, existe um treino específico através de um software que a PokerStrategy fornece para vos ensinar a estratégia mais otimizada. O programa é gratuito e está disponível no link seguinte:
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Como jogar pré-flop?
A fase inicial distingue-se pelas pequenas blinds. As stacks são grandes em relação à dimensão das blinds. Devem-se lembrar sempre disto: a fase inicial termina quando a vossa stack se torna inferior a 24 blinds.
Em princípio, a vossa estratégia está focada em entrarem apenas em situações nas quais têm grande probabilidade de terem a melhor mão. Pode dizer-se também: "Sem decisões complicadas!". Isto quer dizer que só vão entrar em ação com mãos que manterão fortes ou têm grandes probabilidades de tornar a melhor mão após todas as cartas comunitárias terem saído, permitindo que vocês joguem as diversas rondas de apostas sem grande stress ou dores de cabeça.
Podem ver a Tabela das mãos iniciais/starting hand chart (SHC) para a fase inicial abaixo. Vão encontrar todas as mãos que estatisticamente mostraram ser lucrativas nesta fase, além da forma como as devem jogar.
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Tabela para as mãos iniciais de torneios
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Como ler as tabelas
No lado esquerdo, veem todas as mãos possíveis listadas. Qualquer mão que não esteja nesta lista não deverá ser jogada - pois poder-vos-á causar problemas de maior.
Cada carta está designada com uma simples letra ou dígito. A letra deriva do nome da carta em inglês, como Q para a dama (Queen), por exemplo.
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Designações das cartas
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Se tiverem uma mão jogável, a vossa ação ainda vai depender do que os outros jogadores fizeram antes da vossa vez. Alguém fez raise ou ninguém atacou o pote?
É por isso que a segunda coluna da tabela esclarece a ação prévia nas diferentes possibilidades. Dependendo de alguém ter feito o raise antes de vocês, a nossa recomendação pode ser encontrada nas colunas correspondentes debaixo dessa informação. Encontrarão aqui a decisão que devem tomar: call, raise ou fold.
Depois das vossas cartas e da ação por parte dos outros jogadores, entra em cena um terceiro fator: a posição.
No poker, a posição é outra palavra para a vossa vez de agirem na ronda de apostas. Como a sequência da ação numa ronda de apostas depende do lugar do dealer, a posição também vai depender deste fator.
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A posição numa mesa de poker SB BB UTG1 UTG2 UTG3 MP1 MP2 MP3 CO BU
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A posição das blinds: SB e BB
Os dois jogadores que pagam a small e a big blind são chamados de SB e de BB respetivamente. Existe uma rotação no sentido dos ponteiros do relógio, eles situam-se à esquerda do dealer.
As três posições iniciais: UTG1, UTG2 e UTG3
Tratam-se dos jogadores que se seguem às blinds, no sentido dos ponteiros do relógio e estão nas posições iniciais. Eles são designados UTG1, UTG2 e UTG3, que deriva de under the gun - estas posições iniciais são unanimemente consideradas como as piores, então foi convencionada a designação figurativa de under the gun/sob ameaça de revólver.
As três posições médias: MP1, MP2 e MP3
Tratam-se dos três jogadores nas posições intermédias.
As duas últimas posições: CO e BU
É o jogador que está à antes do dealer e também o card dealer que determina o fim da ronda de apostas. Chamam-se CO (cut-off) e BU (button). O último marca a posição do dealer das cartas.
Se existirem apenas nove jogadores na mesa, abdica-se de uma posição inicial. Para 8 jogadores, só restará uma única posição inicial.
Por cada jogador que abandona a mesa, elimina-se outra posição, começando nas posições iniciais, passando para as posições intermédias e seguindo-se as posições finais.
Qual deverá ser a dimensão dos vossos raises?
Com algumas mãos, devem fazer o raise pré-flop. Sempre que o decidam fazer, devem seguir algumas regras quanto à dimensão dos mesmos.
- O vosso raise base são 4 big blinds. Devem executar um raise com estas dimensões sempre que o pote ainda não tenha sido atacado por nenhum jogador.
- Por cada call à blind que vos anteceda, devem adicionar uma big blind.
- Se tiver ocorrido um raise antes de vocês, devem fazer o raise para o triplo dessa quantia.
- Se tiverem ocorrido vários raises prévios, devem fazer o raise para o triplo do valor do último raise.
- Por cada jogador que fez call do raise que vos precedeu, devem adicionar o valor desse último raise ao vosso próprio raise.
- Se tiverem de colocar em risco mais de metade das vossas fichas para executar um raise, é melhor irem all-in imediatamente.
Estas regras já demonstraram a sua valia na prática, pois um raise nunca deve ser tão pequeno que permita aos vossos adversários enfrentarem um valor favorável para o seu call. No entanto, também não deverá ser tão grande que inviabilize por completo a manutenção de jogadores com mãos piores que a vossa em jogo.
- Ninguém executou um raise: 4 big blinds + 1 big blind por cada jogador que fez limp
- Alguém atacou o pote: 3 vezes o último raise + 1 adicional por cada jogador que tenha dado call a esse raise
- Se o vosso raise implica mais de metade das fichas da vossa stack: devem ir all-in imediatamente.
Não existem tantos cálculos como à partida poderia parecer. Com o tempo, estas regras vão-se tornar completamente naturais e instintivas para todos vocês.
1. A big blind são 10 fichas. Ninguém atacou ainda o pote. Então devem fazer um raise para 40 fichas.
2. A big blind são 10 fichas, mas já existem dois limpers. Devem então fazer o raise para 60 fichas (4 big blinds mais 1 big blind por jogador que tenha dado call).
3. Um jogador que vos precede fez um raise para 40 fichas. Devem fazer o raise, se tiverem as cartas adequadas, para 3 * 40 = 120 fichas, exatamente o triplo do raise adversário.
4. Um jogador fez um raise para 40 fichas, mas já existem 2 jogadores que fizeram call a este raise. Neste caso, devem fazer raise para 3 vezes 40 + 2 vezes 40 = 200 fichas, o triplo do raise original acrescentado de um raise original adicional por cada jogador que tenha dado call.
Exemplos para praticar
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Estão em MP1
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Neste caso, encontram-se na primeira posição intermédia (MP1) e têm um pequeno par de quatros. O quadro resumo de mãos iniciais diz que podem fazer call com qualquer par de 99 a 22, desde que ninguém tenha feito raise. Dado tratar-se deste caso aqui, podem fazer o call para ver o flop na esperança de atingirem o set.
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Estão em MP3
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Esta é uma típica situação que normalmente causa problemas aos jogadores menos experientes. Têm um ás com uma carta do mesmo naipe e ninguém atacou o pote antes da vossa vez de jogar. Não poderiam dar call e esperar para ver o que o flop trará?
O problema é que ainda existem jogadores que ainda não agiram, e que poderiam perfeitamente fazer o raise. As mãos que vocês podem atingir no flop podem criar-vos uma ameaça ainda maior. Se atingirem um par de quatros, não vale muito. Se atingirem o par de ases, por outro lado, podem estar com problemas se encontrarem oposição. Nesse caso o vosso par não vale muito pois têm um kicker realmente fraco.
Raramente vão concretizar o vosso flush. É bem mais provável que o flop traga apenas duas copas adicionais, faltando apenas uma para a conclusão do flush - flush draw. Poderão atingir o flush no turn ou no river mas, muitas vezes, terão de investir muitas fichas para aqui chegarem, violando assim a regra número 1: não arriscar fichas desnecessariamente.
Não têm qualquer motivo em desperdiçarem fichas em mãos especulativas. Dificilmente terão qualquer hipótese de conseguirem um proveito com uma mão como A4s no flop, percebe-se que já deveriam ter largado a mão pré-flop. Podem perceber esta evidência facilmente no decurso da ação já que esta mão não é sequer referida na tabela das mãos iniciais.
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Estão na MP2
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Um par de reis é sempre uma visão agradável. Provavelmente já sabem isto, mas se precisarem, a tabela das mãos iniciais transmite esta mesma ideia pois o objetivo é acumular o número máximo de fichas o possível pré-flop. Isto quer dizer que devem fazer o raise. Agora resta saber: raise de quanto?
A big blind são 20 fichas. 2 jogadores deram o call. O vosso raise, se alguém já tiver dado call, é composto por 4 big blinds mais uma big blind por jogador que tenha entrado na mão. No final de contas, isto traduz-se em 6 big blinds ou 120 fichas, na situação em concreto.
Como jogar a fase intermédia
A fase intermédia começa quando a vossa stack de fichas se torna inferior a 24 big blinds e termina quando esta se reduz para 13 big blinds ou menos, colocando-vos na fase de push ou fold.
Nesta fase, a vossa estratégia envolve jogar menos mãos que anteriormente, mas complementando com duas jogadas adicionais: os roubos de blinds e o re-roubo dos roubos.
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Tabela para as mãos iniciais na fase intermédia de um torneio
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Como devem ter reparado, livramo-nos dos pares baixos. A razão é que já não podem jogá-los lucrativamente fazendo apenas call pré-flop. Se tiverem de os jogar, terão de o fazer agressivamente no contexto de um roubo de blinds ou um re-raise de roubo, como veremos mais adiante.
O que é o roubo de blinds?
No Texas Hold’em, existem dois jogadores que a cada turno têm de pagar obrigatoriamente um montante predeterminado independentemente da sua mão, as blinds, de forma a permitir criar o pote de fichas logo no início da mão. Na fase intermédia de um Sit & Go, acabam por atingir dimensões em que se torna lucrativo correr um risco adicional para ganhar o pote desta maneira.
Um roubo de blinds, consiste ameaçar os outros jogadores com um raise pré-flop para que eles façam fold e vocês possam recolher as blinds. Esta ação está bem mais facilitada nas posições finais, como é óbvio, e apenas nos casos em que todos os outros jogadores que vos precederam abandonaram a mão.
É por isso que aplicamos as seguintes regras para orientar os roubos de blinds:
- Todos os jogadores à vossa frente largaram a sua mão.
- Estão numa das posições finais (CO ou BU) ou na small blind (SB).
- O vosso objetivo é forçar os adversários a desistirem e não jogar um pote demasiado valioso contra eles.
Isto quer dizer que: se todos os jogadores à vossa frente fizerem fold e vocês estiverem em posições final ou na small blind, devem fazer raise. No entanto, não podem roubar as blinds com quaisquer cartas. Elas deverão ser mais fracas do que as mãos com que costumam fazer raise, mas devem ter alguma possibilidade de efetivamente ganharem, no caso do roubo não funcionar e algum jogador decidir fazer call ao vosso raise.
O guia abaixo pode servir como guia para as tentativas de roubo de blinds.
Façam o download das versões para impressão das tabelas (Adobe Reader PDF-Format)
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Resumo de todas as mãos passíveis de se tentar um roubo de blinds
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Não há grande problema se um jogador fizer call ao vosso raise. Continuarão a jogar normalmente, como se tivessem feito o raise normalmente, seguindo os preceitos definidos no próximo artigo desta série que aborda a forma de jogar pós-flop.
Na realidade, torna-se bem mais problemático quando um jogador decide fazer-vos o re-raise. Neste caso, terão de fazer fold de todas as mãos para roubo de blinds. Por vezes podem pensar que estão comprometidos com o pote. Tentem resistir a este sentimento, mantenham-se fiéis à estratégia e façam fold!
O que é um re-raise para roubo?
Já aprenderam que um raise na fase intermédia não significa necessariamente que enfrentam uma mão especialmente forte. Esta evidência abre a oportunidade para outra jogada: o re-raise de roubo
O re-raise para roubo é uma jogada bastante simples. Se um único jogador tiver feito raise à vossa frente e ninguém tenha dado call, vão all-in de imediato, tentando roubar o pote.
Esta jogada funciona no longo prazo se seguirem estas três regras:
- Apenas um adversário fez raise.
- Nenhum outro além do agressor está envolvido no pote.
- O re-raise para roubo implica sempre ir all-in imediatamente, arriscando todas as vossas fichas.
Se alguém tiver entrado na disputa do pote à frente do raise ou se alguém tiver feito call ao mesmo, a situação simplesmente não é adequada para se executar um re-raise para roubo.
Também não podem executar esta jogada com quaisquer mãos, tal como ocorria com o roubo de blinds. A vossa mão deve ser pelo menos boa o suficiente para terem alguma hipótese mesmo que o vosso adversário dê call ao vosso all-in.
Até agora, também tem sido importante levar em conta a vossa posição. Para um re-raise de roubo, o que é mais importante é a posição do adversário. Existe uma razão simples para explicar isto: apesar de muitos jogadores conhecerem o valor da posição, um jogador tenderá a fazer raises com mãos mais fortes nas posições iniciais.
O resumo abaixo demonstra as várias situações possíveis nas quais podem reagir com um raise all-in. Por motivo de simplicidade, também inclui todas as mãos com as quais colocariam todas as vossas fichas em risco de qualquer forma, como por exemplo, um par de ases.
Façam o download das versões para impressão das tabelas (Adobe Reader PDF-Format)
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Resumo de todas as mãos com as quais é possível o re-raise para roubo
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Exemplos para praticar
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Estão no CO
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Eis outra mão que parece boa mas não deve ser jogada nesta situação. Existem jogadores que já entraram no pote à vossa frente, o quer dizer que não é ideal para um roubo de blinds. Pelo contrário, devem jogar consoante a tabela das mãos iniciais, que não inclui ás dez (AT) de todo. Isto quer dizer que devem largar a mão e fazer fold. Não vale a pena jogar esta mão - por melhor que possa parecer.
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Estão na SB
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Neste caso, deparamos-nos com uma situação clássica de roubo de blinds. Todos os jogadores à vossa frente fizeram fold das suas mãos e vocês estão na small blind (SB). O resumo confirma que dama dez (QT) está incluída nas mãos com as quais podem tentar um roubo de blinds desde a small blind, e portanto fazem o raise.
O vosso objetivo é provocar o fold do jogador que está na big blind (BB) de forma a recolherem pacificamente o pote. Se isto não funcionar e a BB fizer call do vosso raise, continuem a jogar normalmente, como se tivessem feito o raise normalmente, seguindo os preceitos definidos no próximo artigo desta série que aborda a forma de jogar pós-flop.
Pelo contrário, se o vosso adversário decidir fazer raise, a mão deve acabar logo aqui. Deverão então fazer o fold imediatamente. QT pode ser uma boa mão para roubo de blinds mas nada mais para além disso.
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Vocês estão no BU
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Tal como podem ver, um jogador fez raise à vossa frente e mais nenhum jogador entrou na mão a seguir. Devem então reconhecer a possibilidade que o re-raise para roubo encerra neste caso específico. Na realidade, o que têm mesmo de fazer é avaliar se a vossa própria mão preenche os requisitos do contexto.
De acordo com o quadro resumo das mãos iniciais para a fase intermédia, não conseguiriam jogar de forma rentável um par de dez (TT) face um raise. Isto quer dizer que normalmente fariam o fold, por exemplo no caso de outros jogadores estarem envolvidos no pote.
Como este é um caso especial, a tabela de mãos iniciais não é considerada. No entanto, utilizamos a tabela dos re-raises para roubos. O vosso adversário fez o raise da segunda posição média (MP2). Consultem isso mesmo na tabela e verificam que este permite fazer o re-raise para efeitos de roubo com TT se o vosso adversário tiver feito o raise de uma posição média, o quer dizer que podem ir all-in.
Como jogar a fase final
A fase final também é conhecida como fase do push-ou-fold. Só enfrentam uma situação de push-ou-fold quando ...
- ... têm 13 ou menos big blinds ...
- ... ou então quando todos os jogadores atrás de vocês e todos os jogadores que entraram na mão têm 13 ou menos big blinds.
Se não se aplicar nenhuma das situações, então utilizar-se-ão as estratégias para a fase intermédia. Existe uma forma bastante simples para resumir ambas as regras: se puderem ganhar/perder mais do que 13 big blinds numa única ronda de jogo, então não estão na fase de push-ou-fold.
Na fase de push-ou-fold, só têm duas decisões plausíveis à vossa disposição. Ou vão all-in pré-flop (push) ou largam a mão (fold). Isto parece ser bastante fácil, mas pode ser bastante complicado, porque esta decisão vai ser muito influenciada pela dimensão da vossa stack; dependendo da situação, podem ir all-in com um número bastante alargado de mãos.
- Quão mais final for a vossa posição, maior o número de mãos com as quais podem ir all-in.
- Se alguém já tiver entrado na mão ou tiver feito o raise, só podem ir all-in com um número bem mais restrito de mãos.
- Quanto menor for a vossa stack ou menor for a stack dos adversários que atuam atrás de vocês, maior o número de mãos com que vão all-in.
- Mantenham-se sempre atentos ao que se passa na mesa e constatem quais os jogadores que se podem tornar perigosos ou quem está a actuar sob pressão.
Existe um modelo matemático que descreve com bastante exatidão as mãos com que devem ir all-in. Não se limita a tomar em consideração as dimensões das stacks mas também analisa as possíveis implicações dos ganhos/perdas de fichas no vosso ranking no final do torneio e consequentemente nos vossos ganhos monetários. Não se joga um torneio para se conquistar fichas mas para se ficar nos lugares cimeiros e assim se poder ganhar dinheiro.
O nome deste modelo é "Independent Chip Model" (ICM). Seria muito complicado começar-se a trabalhar com ele de imediato, e provavelmente não devem estar com grande disponibilidade mental para uma aula de matemática bem pesada. Se desejam conhecer a fundamentação teórica do ICM, poderão encontrar artigos para jogadores avançados sobre ICM nas secções estratégicas mais avançadas. Podem, entre outras coisas, encontrar as tabelas para o jogo na fase final, baseado no ICM, na secção de bronze.
De maneira a dar-vos uma ideia de como funciona o ICM na prática, o departamento de software da PokerStrategy desenvolveu uma preciosa ferramenta de aprendizagem. Bastarão algumas lições para vos ensinar com que mãos se pode fazer ou não push e quais devem ser largadas.
O primeiro passo, como é óbvio, é fazer o download instalação do software.
Façam o download do software de aprendizagem para a fase final dos torneios aqui
Façam o download do software e executem o programa de configuração de maneira a instalarem a ferramenta de aprendizagem no vosso computador. Quando tiverem iniciado o ICM-Trainer, podem começar uma nova lição carregando no botão start lection - podem alterar a linguagem indo a Extras > Sprache > English.
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Lição Inicial |
O programa vai agora confrontar-vos com uma situação específica de jogo em que têm de optar entre o all-in (push) ou o fold. Vão ser sempre o jogador designado por Hero nestes cenários. Vão poder ver as vossas cartas e as acções dos jogadores à vossa frente.
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Quem são vocês? |
Vão também saber as dimensões das stacks. Dêem uma vista de olhos ao problema em concreto e tentem tomar a melhor decisão. Após decidirem, cliquem no botão Push para irem all-in ou Fold para largarem a vossa mão. Adicionalmente, vão receber dicas e conselhos no lado direito da janela.
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Tomando uma decisão |
O programa vai seguidamente mostrar-vos se a vossa decisão foi correcta ou não, assim como mostrar todas as mãos com as quais poderiam fazê-lo correctamente, e por isso seria lucrativo, irem com elas all-in. Vão ver uma listagem de todo um range de mãos. Por exemplo, no exemplo abaixo, deveriam ter ido all-in com qualquer par (22+), assim como com qualquer ás a partir de A8s (A8s+), e assim em diante.
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O resultado |
É óbvio que não se consegue aprender a estratégia óptima em meros 5 minutos. Se fosse fácil, os vossos adversários também o saberiam fazer. Invistam algum tempo de estudo para algumas lições, vale bem a pena.
Conclusão
Os conteúdos deste artigo são melhor compreendidos quando colocados em prática, então:
- Façam o download das tabelas, imprimam-nas e sigam as suas orientações quando estão a jogar.
- Façam o download do software de aprendizagem para fases finais de torneios e pratiquem com ele.
Cada uma das três fases distintas de um torneio tem a sua própria estratégia específica. A maior diferença entre os torneios e os outros formatos de poker é que o objectivo final não é obter o número máximo de fichas. Num cash game, estão sempre a tentar tomar a decisão que vos darão maior lucro na mão em questão. Num torneio, por outro lado, tentam tomar as decisões que vos coloquem mais acima no ranking. Muitas vezes acaba por se revelar ser um contraste - especialmente na fase inicial e na fase intermédia, a decisão correcta acaba por ser: largar a mão!
Esta é uma realidade que muitos jogadores demoram muito tempo a compreender. Eles têm uma boa mão, então fazem o push das suas fichas para o pote na esperança do melhor resultado. Num cash game, esta jogada até poderia ser correcta, mas pode ser desastrosa num torneio, pois não compreendem que os torneios são um formato diferente de poker, com as suas regras e estratégias específicas.
O terceiro e último artigo desta série abordará o jogo pós-flop. Vão aprender com que mãos devem pressionar os vossos adversários e as mãos com que devem jogar de forma passiva.
Consultem o próximo artigo: Como jogar pós-flop
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