Atualizado em 07 Jul 26 por

No Flop - Conceitos Básicos

Introdução

Neste artigo

  • Que problemas considerar no flop
  • Como avaliar a mesa
  • Jogo agressivo vs. jogo passivo

Após o jogo pré-flop e a primeira das quatro rondas, toma-se a próxima decisão no flop. Como jogar a vossa mão agora? Quais os factores que afectam a vossa decisão e que devem ser tomados em conta? Quais são os erros mais comuns e que devem ser evitados a todo o custo? Este artigo vai abordar todas estas questões.

Quais as situações possíveis no Flop?

As situações com que se deparam no 
flop é resultado das vossas acções pré-flop. Teoricamente, existem quatro cenários possíveis:

  • um non-raised pot com posição
  • um non-raised pot sem posição
  • um raised pot com posição
  • um raised pot sem posição

Existem situações em que fizeram limp pré-flop numa mesa FR, e nenhum outro jogador além das blinds entrou na mão. Estas situações podem ser evitadas, mas acabam por ocorrer de vez em quando. Nesta situação, encontram-se num non-raised com posição.

Se estiverem nas blinds e não têm uma grande mão, tendo apenas completado a small blind, ou simplesmente feito check na big blind, encontram-se geralmente num unraised-pot sem posição.

A vossa prioridade é jogar no flop quando já foi demonstrada agressividade pré-flop. Não só alguém sinalizou que tem uma boa mão, mas também o pot se tornou maior e portanto mais apetecível, logo a decisão de envolvimento num pot deste tipo implica maiores custos que em unraised pots.

Naturalmente, existem também aqui dois cenários possíveis: Estar envolvido num raised pot com posição ou fora de posição.

QUEM É O AGRESSOR?

No caso de se tratar de um raised pot, teremos ainda de diferenciar outras situações:

Foram o último agressor pré-flop e por isso têm a iniciativa? Ou simplesmente se limitaram a dar call passivamente para poderem ver o flop? Quem poderá roubar o pote com uma aposta no flop
(continuation bet)?

Se interiorizaram as questões sobre o jogo pré-flop, então ser-vos-á óbvia qual a situação preferencial:

Encontrar-se num raised pot, preferivelmente com posição, tendo sido o agressor pré-flop, pois claro. Nesta situação poderão conseguir roubar o pot com uma continuation bet, ou então gerar valor adicional com uma value bet quando têm uma mão realmente forte.

Questões no Flop

Voltem a dar uma vista de olhos nas questões mais relevantes que se colocam ao jogo no flop:

  • Encontram-se num raised ou num non-raised pot?
  • Têm vantagem posicional?
  • Quem foi o agressor pré-flop?
  • Estão num heads-up contra um único oponente, ou é um pot com múltiplos adversários?
Factores relacionados com as mãos em jogo

Após esta breve avaliação, têm de determinar em que tipo de situação se colocaram no flop. Para o conseguirem fazer, têm de levar em conta alguns factores:

  • Qual é a vossa mão?
  • Atingiram algo na mesa?
  • O board permite draws, ou é seco?
  • Em que mãos colocam os vossos adversários?
  • Que tipo de adversários enfrentam?
QUAL A VOSSA MÃO? / ATINGIRAM ALGO NA MESA?

A questão sobre a vossa mão já influenciou bastante a vossa decisão pré-flop. Então, no flop, têm de se perguntar: Como pode esta mão ser avaliada de acordo com o flop?

Especialmente no caso de terem uma mão marginal, podem-se deparar com uma situação em que não sabem exactamente qual o real valor da vossa mão. Naturalmente, estarão muito bem com ases como um overpair, mas no caso de terem um middle pair a situação é bem mais difícil de avaliar.

O BOARD PERMITE MUITOS DRAWS, OU É RELATIVAMENTE SECO?

Já todos sabemos de artigos anteriores qual a diferença entre um flop que permite muitos draws e boards secos.

Flop com muitos draws (escorregadio): 6 7 8

Seco: K 9 3

No entanto,devem tentar avaliar não só a composição da mesa como seca ou escorregadia, mas devem analisar a possibilidade de os vossos adversários estarem ou não num draw.

Para esse tipo de avaliação, os dois últimos pontos são bastante interessantes:

  • Que tipo de oponentes estão ainda activos?
  • Em que mãos colocam os vossos adversários?

Tendo por base estas ideias, terão de avaliar se:

  • o vosso oponente atingiu algo na mesa
  • o vosso adversário está num draw forte/fraco
  • o vosso oponente consegue largar mãos marginais ou draws
  • ainda estarão à frente dos vossos adversários.
Exemplos: Board perigoso, ou não?

Teremos agora em atenção algumas mãos e tentaremos avaliar se classificar a composição da mesa como potencialmente perigosa ou não. Terão uma boa mão e acesso a estatísticas VPIP/PFR e AF dos vossos adversários:

EXEMPLO 1

PartyPoker $25 NL Hold'em (6-handed)

Stacks & Stats
BU ($25) (13/10/2.1) [VPIP/PFR/AF]
MP ($25)
UTG ($25)
BB ($25)
Hero ($25)
CO ($25)

Pré-flop: Hero é SB com Q , Q
3 folds, BU faz o raise para $1.00, Hero faz um novo raise para $3.50, 1 fold, BU dá call $3.50

Flop: ($2.10) 4, 5, 8 (2 jogadores)

EXEMPLO 2

PartyPoker $25 NL Hold'em (6-handed)

Stacks & Stats
BU ($25)
MP ($25)
UTG ($25) (20/2/0.4) [VPIP/PFR/AF]
BB ($25)
Hero ($25)
CO ($25)

Pre-flop: Hero é SB com Q , Q
UTG faz o call 0.25$ 3 folds, Hero executa raise para $1.50, 1 fold, UTG dá call $1.50

Flop: ($2.10) 4, 5, 8 (2 jogadores)

EXEMPLO 3

PartyPoker $25 NL Hold'em (6-handed)

Stacks & Stats
BU ($25)
MP ($25)
UTG ($25)
BB ($25) (67/21/5.4) [VPIP/PFR/AF]
Hero ($25)
CO ($25)

Pre-flop: Hero é SB com Q , Q
4 folds, Hero faz raise para $1.00, BB dá call $1.00

Flop: ($2.10) 4, 5, 8 (2 jogadores)

Em três situações distintas, atingem o mesmo board. À primeira vista o board parece ser incrivelmente perigoso, e certamente terão de o classificar como algo escorregadio.

No entanto, a questão que têm de se colocar a vós próprios é em que medida poderá o adversário estar num draw nesta situação. Se tiverem a mesa em atenção, vão-se aperceber que só existem dois draws possíveis, um dos quais um é bastante inofensivo:

O draw para flush é bastante óbvio. No entanto, um draw para sequência só seria realmente perigoso se o adversário tivesse 23. Mãos como 6X e 7X não são mais que um gutshot, com 4 outs.

No exemplo 1, estão num pot com uma 3-bet. O vosso adversário é muito tight, e o seu range pode ser estimado entre pares médios a altos e broadways. Suited connectors são bastante improváveis, e este adversário nuca teria algo como 23o/s. Como têm  Q, no máximo a mão A K terá um draw aqui. Este board não é tão perigoso como inicialmente poderia parecer.

Pelo contrário, nos exemplos 2 e 3, a situação é algo diferente. Ambos os jogadores não podem ser bem avaliados, e dificilmente conseguem descortinar com que mão o calling station no exemplo 2 está a fazer limp/call, nem a mão com a qual a big blind muito loose no exemplo 3 está a dar call ao vosso open-raise na SB. Neste caso trata-se de um board bastante perigoso, já que não poderiam excluir por completo a mão 23s. Mãos muio perigosas seriam, por exemplo, A 6 ou 5 7, que teriam muitos outs contra vocês, e que definitivamente estariam nos ranges destes adversários.

Como vêem, o "perigo" depende essencialmente do adversário que enfrentamos e do seu estilo de jogo. A questão é crucial pois têm de decidir se desejam proteger ao máximo a vossa mão ou não.

Delineando um plano de acção

Após terem terem avaliado a força relativa da vossa mão, e tentado verificar se estão à frente ou não dos vossos adversários - baseado na mesa, na vossa mão e no estilo de jogo dos vossos oponentes - agora a prioridade máxima é estabelecer um plano de acção.

Este plano deve incluir os objectivos que as acções que esperam tomar e, principalmente, definir os objectivos pretendidos com essas acções.

Certamente, este plano tem de levar em consideração as rondas de apostas seguintes. As decisões que tomam no flop terão impacto certo nas ocorrências de jogo do turn e river.

Como implementar o plano é apenas um lado da moeda? Não obstante, que plano poderão delinear? Quais são as abordagens possíveis?

Para podermos ir ao âmago deste tópico, teremos de esclarecer 8 conceitos distintos. Alguns deles destes conceitos extravasam-se, sendo bastante próximos entre si.

Vamos distinguir dois tipos de"planos":

  • O plano agressivo
  • O plano passivo
O PLANO AGRESSIVO

Primeiro que tudo, vejamos os 4 conceitos mais importantes para o plano agressivo:

  • Valor
  • Protecção
  • Bluff
  • Semi-bluff

Já aprenderam, em artigos sobre tipos de apostas, o que estes conceitos querem dizer e tiveram contacto com as ideias que lhes são subjacentes.

Valor e protecção andam lado a lado, no caso de considerarem estar à frente dos vossos adversários e desejarem extrair valor. Ao mesmo tempo, não querem permitir que os oponentes tenham acesso a free cards, ou deixar que eles concretizem os seus draws de uma forma barata.

Com bluffs e semi-bluffs, desejam lucrar com a vossa fold equity, com o semi-bluff até terão mais outs que permitam melhorar a vossa mão de maneira a poder ganhar num showdown.

A consequência lógica é óbvia: Apostar! Mas mais importante do que apostar, é saber a razão porquê apostar.

O que torna apostar tão importante?

Infelizmente, os vossos adversários não fazem sempre o que nós esperamos deles. Se apostarem as vossas mãos realmente fortes, desejam ser recompensados pelas mesmas. Quando apostam com mãos mais fracas dada a vossa fold equity, o vosso objectivo é fazer com que os adversários larguem a sua mão.

O PLANO PASSIVO

Primeiro, também convém ter em atenção alguns conceitos:

  • bem à frente/bem atrás
  • Pot control
  • Indução de bluff 
  • Jogo de draws passivo

O
Pot control tem como ideia básica manter o pot com um valor baixo e controlá-lo. Esta estratégia funciona melhor com posição.

A indução de bluff descreve uma jogada passiva que se faz quando se tem a intenção de enfrentar uma bluff bet numa das rondas seguintes. Certamente, têm de manter em mente que, por um lado, não podem existir draws perigosos na mesa quando decidem permitir uma free card aos adversários e, por outro lado, têm de estar certos do valor de showdown da vossa mão face às dos adversários.

'Bem à frente / bem atrás' descreve uma situação em que a vossa mão ou é claramente favorita ou então o inverso. Neste caso não há que ter qualquer receio de draws. A lógica da agressividade para efeitos de protecção perde, neste caso, qualquer fundamento e por isso podem permitir free cards. Como já se podem ter apercebido, a jogada "bem à frente/bem atrás" coloca em jogo os conceitos de pot control e de indução de bluff em acção de uma forma articulada e bem orquestrada.

Com um passivo check/call, mantêm o pot com pouco valor e irão enfrentar bluffs de mãos mais fracas. Desta forma, ganham o máximo de mãos mais fracas, e perdem o mínimo possível contra mãos mais fortes que a vossa.

Entretanto, jogar draws de forma passiva tem implicações evidentes. Em vez de jogarem um draw agressivamente em jeito de semi-bluff, jogam-no passivamente com a esperança de o concretizarem efectivamente numa das rondas seguintes.

Revisão

Aprenderam as ideias básicas que orientam o jogo no flop e viram quão importante é estabelecer um plano de jogo para a vossa mão. Um plano agressivo ou passivo pode ser mais conveniente consoante a vossa posição, o vosso adversário, a composição da mesa e, claro, da vossa mão.

Nos próximos dois artigos, vão aprender como é que podem conceber os planos já citados, e como trabalhá-los de forma autónoma de futuro.