Como devemos jogar pares médios e underpairs?
Introdução
Neste artigo
- Quando podemos levar a nossa mão a showdown
- Quais são as boards indicadas para um eventual bluff
- Quando não devemos fazer bluff
Quando jogamos pares de mão (com excepção feita ao par de Áses) iremos por vezes deparar-nos com overcards no flop, segurando um par médio ou mesmo um underpair. A questão é, quando deveremos continuar a jogar a nossa mão nesta situação? Quão forte é o par médio? Podemos continuar a jogar mesmo com um underpair? A que coisas deveremos dar atenção?
Este artigo mostrar-nos-á as coisas que deveremos ter em atenção pós-flop para evitar erros desnecessários com pares médios ou underpairs.
Começaremos por dar uma olhadela sobre a probabilidade de segurar um par médio ou um underpair no flop. A seguinte tabela mostra-nos essas probablidades para pares de 22 a KK:
Probabilidades de ver overcards no flop
| Mão | 22 | 33 | 44 | 55 | 66 | 77 | 88 | 99 | TT | JJ | KK | |
| Overcards | 88,25 | 88,22 | 87,96 | 87,12 | 85,39 | 82,43 | 77,92 | 71,53 | 62,94 | 51,82 | 37,84 | 20,67 |
| Uma Overcard | 0,00 | 1,35 | 5,71 | 12,12 | 19,59 | 27,14 | 33,80 | 38,57 | 40,49 | 38,57 | 31,84 | 19,31 |
| Par na Board | 0,00 | 1,35 | 2,45 | 3,31 | 3,92 | 4,27 | 4,41 | 4,29 | 3,92 | 3,31 | 2,45 | 1,35 |
| Sem pares na Board | 0,00 | 0,00 | 3,27 | 8,82 | 15,67 | 22,86 | 29,39 | 34,29 | 36,57 | 35,27 | 29,39 | 17,96 |
| Duas Overcards | 0,00 | 19,31 | 31,84 | 38,57 | 40,49 | 38,57 | 33,80 | 27,14 | 19,59 | 12,12 | 5,71 | 1,35 |
| Par na Board | 0,00 | 1,35 | 2,45 | 3,31 | 3,92 | 4,29 | 4,41 | 4,29 | 3,92 | 3,31 | 2,45 | 1,35 |
| Sem pares na Board | 0,00 | 17,96 | 29,39 | 35,27 | 36,57 | 34,29 | 29,39 | 22,86 | 15,67 | 8,82 | 3,27 | 0,00 |
| Três Overcards | 88,25 | 67,57 | 50,41 | 36,42 | 25,31 | 16,71 | 10,33 | 5,82 | 2,86 | 1,12 | 0,29 | 0,02 |
| Par na Board | 16,16 | 13,47 | 11,02 | 8,82 | 6,86 | 5,14 | 3,67 | 2,45 | 1,47 | 0,73 | 0,24 | 0,00 |
| Sem pares na Board | 71,84 | 53,88 | 39,18 | 27,43 | 18,79 | 11,43 | 6,53 | 3,27 | 1,31 | 0,33 | 0,00 | 0,00 |
| Para Full House | 0,24 | 0,22 | 0,20 | 0,18 | 0,16 | 0,14 | 0,12 | 0,10 | 0,08 | 0,06 | 0,04 | 0,02 |
(Todos os valores em %)
Esta tabela mostra-nos exactamente qual a probabilidade de ver uma, duas, ou três overcards no flop sem termos melhorado a nossa mão para trio nem para poker.
De notar que irá bater pelo menos uma overcard no flop em 50% das vezes em que jogamos com JJ pré-flop. Saber disto pode fazer com que tomemos uma posição diferente pré-flop ao jogar contra um determinado jogador e podemos não saber em que situação estamos se ele tiver um par médio ou baixo no flop.
Mas este artigo não é dedicado ao jogo pré-flop com pares de mão; iremos sim aprender o que fazer com pares médios ou underpairs quando estão overcards no flop.
Após o flop, se pensamos que seguramos um par médio ou um underpair, o próximo passo é saber quais os pontos fortes e fracos deste tipo de mãos após o flop.
Pontos fortes dos pares médios e underpairs
O nosso oponente irá, regra geral, falhar o flop quando não tem um par de mão. Nós não temos um par forte, mas podemos bater um A ou K high em showdown. Se estivermos frente a um adversário agressivo que gosta de fazer bluff ou semi-bluff, podemos jogar o nosso par de forma passiva e aproveitar a mesma para bater o possível bluff.
Quando damos call a uma aposta de um oponente com um par médio ou um underpair, a única mão que conseguimos realmente bater é um bluff puro. Mas este tipo de mãos pode ser muito lucrativo contra adversários com muita agressividade.
Se fizermos um open raise com um par em pré-flop e recebermos um call, e depois virmos uma overcard no flop, temos então aqui uma boa situação para fazer a contibet. Podemos pensar que devemos fazer a contibet por valor e para proteger a nossa mão quando temos uma mão forte e que de vez em quando devemos apostar com mãos mais fracas e sem pares para equilibrar as nossas contibets no flop.
Podemos também preferir ver um showdown barato com um par médio, uma vez que o mesmo tem algum valor no showdown e não queremos que a nossa mão pareça um bluff ao fazer a contibet.
Essas podem ser boas formas de jogar contra oponentes passivos, mas devemos ter em conta que não queremos jogar contra um leque de mãos polarizado após a nossa contibet no flop. Se estivermos a jogar contra um oponente que gosta de tentar a sorte no flop, é regra geral melhor fazermos uma contibet no flop quando temos um par médio e não existem muitas cartas que nos possam bater. Temos um sem número de vantagens após termos feito esta contibet:
Se surgir uma carta inofensiva no turn e estamos fora de posição, podemos sempre provocar um float e usar a força da nossa mão para bater um possível bluff. E mesmo que o nosso oponente faça check behind e opte por ver uma carta gratuita não estaremos em má posição. Somos capazes de controlar o pote estando fora de posição e continuar a estar numa boa situação no river. Podemos aqui, dependendo da textura da board, fazer uma value bet, ou usar a linha de check/call novamente para induzir um bluff. O nosso oponente pode cometer um erro pensando que tem uma mão com valor no showdown.
Fazer a contibet não nos permite só induzir ao float no turn, também nos permite jogar a mão de uma forma mais lucrativa. Se o nosso oponente dá o call e bate uma overcard (no melhor dos cenários, a maior carta possível) no turn, podemos usar esse facto para disparar a segunda aposta, pois esta pode ser uma carta assustadora para o nosso oponente.
Estamos a representar uma mão muito mais forte do que a que realmente temos ao disparar este 2º barril. Podemos depois, regra geral, jogar em check/fold o resto da mão. Esta linha de 2º barril/fold ajuda-nos, de forma a que não temos de nos preocupar com perder com TPTK no turn ou mesmo ter acção quando temos overpairs, trios, etc. quando jogamos contra os oponentes correctos.
Vejamos o seguinte exemplo para ter uma melhor ideia do que isto quer dizer:
0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)
Stacks & Stats
Hero (MP) 100$
Villain (BU) 100$
Pre-flop: Hero is MP with 9
, 9
UTG folds, Hero bets 4$, CO folds, BU calls 4$, 2folds.
Flop: (9,5$) Q
, 5
, 8
(2 players)
Hero bets 8$, BU calls 8$.
Turn 1: (25,5$) 5
(2 players)
Hero checks
Esta é uma boa situação para induzir um oponente agressivo ao float fazendo check/call no turn. Isto mantém o pote pequeno e nós mantemos ainda a hipótese de vencer em showdown. Se estamos a jogar contra um oponente mais passivo, que pode muito bem segurar um flush/straight draw, então é melhor disparar um 2º barril para protecção.
Turn 2: (25,5$) A
(2 jogadores)
Hero aposta 20$
Desta vez o turn não é uma carta branca. Este Ás encaixa na perfeição no nosso leque de mãos após termos feito um raise em MP e uma contibet no flop. Estamos agora numa excelente posição para transformar o nosso par médio num bluff e forçar o nosso oponente a fazer fold com draws, a Q, ou mesmo pares maiores como (TT, JJ).Se ele se mantiver na acção, podemos depois fazer fold sabendo que não temos a melhor mão.
Se fizermos check no turn, estamos a criar um grande problema a nós mesmos: Não saberemos em que situação nos encontramos e estamos a pôr o nosso oponente numa excelente situação para extrair o máximo de valor da sua mão. Se disparar-mos o 2º barril e o nosso oponente der o call no turn, podemos ainda tentar com que ele faça fold de uma Q ou mesmo de um Ás fraco com um bluff, disparando o 3º barril.
Pontos fracos dos pares médios ou underpairs
Em algumas alturas iremos ter dificuldades em saber qual a força da nossa mão. Contra alguns oponentes, não poderemos saber se estamos atrás com o nosso par médio só porque ele nos dau call à contibet.
Manter um olho na textura da board e no estilo de jogo em geral do nosso oponente é muito importante nestas situações. Alguns jogadores dão o call à contibet no flop com um draw ou um par de forma quase automática. Outros acabam por fazer fold com a grande maioria do seu leque de mãos quando confrontados com uma contibet. A força de um par médio ou underpair depende da textura da mesa; é mais provável estarmos atrás quando recebemos um call numa board inofensiva do que quando recebemos o call numa board perigosa.
Se optarmos por não fazer a contibet no flop, iremos ter muitos problemas para avaliar correctamente a força da nossa mão. Alguns oponentes irão depois apostar com quase 100% das suas mãos no turn, outros não o farão de todo. Mesmo assim, necessitamos de saber em que posição nos encontramos, não podemos dar call a um desconhecido nas duas streets se não tivermos uma boa leitura. Regra geral seremos batidos nessa situação.
Fazer a estimativa correcta do valor do nosso par médio ou underpair é o maior problema com que temos de lidar. Não podemos assumir que um underpair é automaticamente uma mão com menos força de que um par médio em duas situações idênticas. E assumir sempre que estaremos atrás quando seguramos um underpair é também errado.
O problema seguinte, que resulta do facto de não sabermos em que posição nos encontramos com a nossa mão, é que regra geral iremos jogar com odds implícitas inversas após o flop quando jogamos de forma passiva. Só em casos excepcionais, e só se tivermos uma leitura fora do comum de um determinado oponente - como sendo muito agressivo e que faça bluffs com um leque de mãos muito polarizado - podemos reduzir o factor das odds implícitas inversas ao usar o bluff induzido.
Não devemos ignorar este aspecto tanto em relação à nossa estratégia como em relação à estratégia do nosso oponente. Se detectarmos um jogador tentando resolver o problema de não saber onde se encontra com a sua mão usando a forma passiva de calling station, devemos tirar nota desse facto para futuramente podermos ajustar melhor o nosso leque de mãos ao jogar contra este mesmo oponente.
Nunca nos encontraremos numa situação lucrativa para fazer um semi-bluff quando seguramos um par médio ou um underpair. Não temos simplesmente equity suficiente para continuar a jogar de forma lucrativa o nosso semi-bluff se o nosso oponente não fizer o fold.
Devemos ter em conta que qualquer bluff que fizermos pós-flop não é um semi-bluff, mas um bluff puro, daí o porquê de um bluff all-in com par médio ou um underpair ser um grande erro. Teríamos de conseguir gerar uma quantidade de fold equity monstruosa para que o nosso bluff fosse +EV, uma vez que temos uma equity muito pequena se recebemos o call. Quase nunca conseguiremos gerar fold equity suficiente para justificar um all-in numa situação em que partimos atrás com 85/15.
Os conceitos mais importantes quando seguramos um par médio ou um underpair
De maneira a podermos ter o maior valor possível de EV depois do flop com o nosso par médio/baixo, é muito importante não escolhermos a nossa estratégia com base em apenas na textura da mesa e no nosso oponente. Uma das questões mais importantes em tal situação é de como é que chegamos à presente situação. Há duas situações a diferenciar:
- Nós fomos o agressor pré-flop e foi-nos feito call. Estamos agora no flop com um par médio/baixo e com iniciativa.
- Apenas fizemos call/limp antes do flop e estavamos a jogar o nosso pocket pair em busca do trio.
As nossas opções pós-flop variam, às vezes bastante, dependendo em qual destes dois cenários estamos. Isto, em adição à nossa posição, é um aspecto muito importante a considerar quando começamos a analisar a nossa situação. Temos que nos recordar que não estamos a jogar par médio/baixo no flop, estamos a jogar todo o nosso range para essa situação.É por isso que podemos fazer uma contibet a um flop de vários naipes com KA2 com um par de Cincos na mão, como o UTG raise para equilibrar as nossas mão feitas boas e tirar proveito do crédito que o nosso oponente nos dá, devido à nossa posição e à acção pré-flop.
Um caso similar aparece quando fazemos cold call a um raise do MP, do BU com 33 para um trio e o flop é algo do género T52. Mesmo que o nosso oponente aposte, este não é um fold fácil, nem é um call fácil ou um raise fácil. Nesta situação, basicamente podemos escolher qualquer de um dos três rumos possíveis, o importante é sabermos porquê.
O nosso oponente raramente irá ter um monster nesta mesa. A sua contibet pode facilmente ser qualquer coisa, desde um A High ou um 8 High, até um trio ou um overpair. E é este range alargado que nos torna cientes de quão fraco é o nosso par médio/baixo nesta situação.
Quase que não há formas de estimarmos com precisão a força da nossa mão. Na maioria das vezes teremos a vantagem, o que nos dá uma razão para o call. Também poderíamos discutir que provavelmente não poderemos fazer call duas apostas pós-flop devido às odds implícitas inversas e ao facto de que quase qualquer carta futura é um perigo para os nossos cincos.
Simplesmente fazer fold com tamanho range pode, por outro lado, provar ser algo demasiado fraco, pois nós estariamos a desistir de uma quantidade decente de equity que temos contra todo o range de mãos do oponente. Não queremos que o nosso range de mãos seja demasiado óbvio também. O nosso oponente não deve saber se temos um trio quando fazemos raise à sua contibet e um par médio/baixo quando fazemos call.
Isto faz com que o raise com um par médio/baixo seja uma boa alternativa em tais situações. Estamos, claro, a transformar a nossa mão num bluff e a desistir de qualquer valor showdown que possamos ter, mas permite-nos abrir o nosso range de mãos de maneira a incluir mais do que apenas trios.
Dado que as nossas opções pós-flop diferem de maneira tão grande, devemos ter uma ideia de como vamos jogar a nossa mão depois do flop assim como do range de mãos do oponente quando fizermos a nossa decisão pré-flop. Defender de forma passiva a nossa blind contra um LP stealer pode por-nos numa situação muito marginal.
Não perderemos muito dinheiro nestas alturas se jogarmos de forma fraca (e geralmente acabaremos por fazer fold a uma contibet), mas perdermos muito valor nestas situações se não tomarmos estes factores em consideração.
Se decidirmos não fazer fold ao nosso par médio/baixo assim que o nosso oponente mostra agressividade depois do flop, há alguns aspectos a que devemos prestar atenção:
- 1. Uma tentativa de induzir um bluff deve ter como base um read de um oponente. Simplesmente fazermos call porque não estamos seguros que temos a melhor a mão, não é a melhor ideia. Contudo, isto é uma boa estratégia a usar contra um oponente muito agressivo, capaz de fazer bluff, disparando um 2º barril e até um 3º barril.
- 2. A textura da mesa é muito importante. Quantas mais overcards/scare cards puderem aparecer, maior a probabilidade de nos encontrarmos numa situação de odds implícitas inversas e o nosso oponente tem a oportunidade de atingir os seus 3-6 outs e fazer uma aposta para valor no final da mão. O nosso par é raramente forte quando o intervalo entre o nosso par e a carta alta no flop é particularmente alto. Também não queremos acabar por fazer fold à melhor mão para uma scare card e também não queremos criar boas oportunidades para o oponente fazer bluff.
-
3. A nossa posição é também um aspecto importante quando tentamos induzir um bluff. Em geral, a indução de um bluff é melhor quando estamos em posição. Se estivermos fora dela, o nosso oponente irá geralmente fazer check behind se apanhar um draw ou completar uma mão feita média, tanto para levar uma carta grátis como para manter o pote pequeno. O problema é que raramente poderão fazer uma aposta para valor fora de posição com o vosso par médio/baixo.
Se fizermos check de novo, o nosso oponente irá normalmente fazer check behind com qualquer mão que tenha valor showdown, mas que seja mais fraca que o nosso par, enquanto que apostará melhores mãos e fará o bluff ocasional. O nosso problema é que obtemos muito pouco valor das suas mãos mais fracas/bluffs e pagamos as suas mãos boas demasiadas vezes.
No entanto, se estivermos em posição, o nosso oponente terá menos opções pós-flop fora de posição. Ele irá apostar frequentemente no turn com um draw ou com uma mão A High. Se ele não melhorar no river, ainda se pode sentir tentado a disparar um 3º barril com o seu draw ou com a sua mão A High na esperança de nos fazer desistir de um par fraco (assumindo que ele é agressivo). Este é exactamente o tipo de situação em que a indução de um bluff é muito lucrativa.
Se o nosso oponente nos fizer check, podemos decidir entre um check behind para controlar o pote ou apostar para valor/protecção. Apenas temos que nos lembrar de pensar no range do oponente antes de agirmos, se ele nos fizer check no river.
Apostar com um par médio/baixo costuma ser um erro, pois o nosso oponente irá geralmente apenas fazer call com uma melhor mão e desistir das mãos que nós de qualquer maneira venceriamos no showdown. Um bluff pode ser +EV se conseguirmos gerar suficiente equity de fold, mas normalmente o check behind é melhor...
Vejamos alguns exemplos de maneira a ficarmos com uma melhor ideia das problemáticas envolvidas quando se segura um par médio/baixo.
0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)
Stacks & Stats
Hero (BB) 100$
Villain (UTG) 100$
Pré-flop: Hero em BB com 8
, 8
UTG aposta 4$, 4 folds, Hero faz call.
Flop: (8,5$) K
, 5
, 2
(2 jogadores)
Hero dá check, UTG aposta 7$, Hero faz call
Um oponente agressivo irá geralmente fazer uma contibet numa mesa que permite tão poucos draws, de maneira a levar-nos a fazer fold. Não temos que nos preocupar com demasiadas overcards e pensar por uma segundo em fazer bluff, mas sim decidir a simplesmente fazer call e tentar ver um showdown barato.
Turn: (22,5$) K
(2 jogadores)
Hero dá check, UTG dá check.
River: (22,5$) T
(2 jogadores)
Hero dá check, UTG dá check
Termos muitas dificuldades em jogar o nosso pocket pair no river. Será que o nosso oponente faria call com uma mão mais fraca? Provavelmente não, razão pela qual decidimos não fazer uma aposta para valor. O problema é, se o oponente apostar, nós estaremos sentados com um apanhador de bluffs, mas não podemos fazer um standard call, pois a aposta do nosso oponente não será muitas vezes bluff.
0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)
Stacks & Stats
Hero (Button) 100$
Villain (CO) 100$ (regular bastante agressivo)
Pré-flop: Hero em BU com 7
, 7
2 folds, CO aposta 4$, Hero faz call, 2 folds.
Flop: (8,5$) 8
, 5
, 3
(2 jogadores)
CO aposta 7$, Hero faz call.
Turn: (22,5$) 2
(2 jogadores)
CO aposta 17$, Hero faz call.
Fazemos call à aposta do turn simplesmente porque situamos o nosso oponente num range largo de overcards/flush draw/gutshot e assumimos que ele irá disparar um 2º barril com bastante frequência nesta situação.
River: (56,5$) K
(2 jogadores)
CO dá check, Hero dá check.
Já reparámos que nestes exemplos não defrontámos uma aposta no river. Isso foi feito com o propósito de mostrar que nessas alturas precisamos de um bom read. Qualquer exemplo de mão para essa situação com uma aposta no river requereria uma explicação da história da mesa e da dinâmica. Não há um conceito geral a seguir.
Como alternativa a jogarmos a nossa mão passivamente, podemos simplesmente jogar com a mesa. O nosso oponente terá que ter uma mão muito melhor do que o nosso par médio/baixo para vos dar qualquer acção. Segue-se um exemplo:
0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)
Stacks & Stats
Hero (BB) 100$
Villain (CO) 100$
Pré-flop: Hero em BB com 7
, 7
2 folds, CO aposta 4$, 2 folds, Hero faz call.
Flop: (8,5$) K
, T
, 3
(2 jogadores)
Hero aposta 7$
Poderiamos, claro, simplesmente fazer check/fold no flop, mas não seria a nossa única opção. Esta é uma boa situação para equilibrar-mos o nosso range para donks. O nosso oponente necessitará de ter pelo menos um high club para continuar na mão e não conseguirá estar muito tempo em acção com apenas um par.
Esta é também uma forma de se abrir uma porta para protegermos/apostarmos directamente para valor no flop, quando concretizam um flush directamente no flop, em vez de fazerem sempre check e verem o que acontece no turn.
Muitos jogadores de poker têm um leak grande - eles não sabem quando devem proteger um par médio/baixo e quando é que devem pagar para valor de showdown. O seguinte exemplo ilustra este problema.
0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)
Stacks & Stats
Hero (CO) 100$
Villain (UTG) 100$
Pré-flop: Hero em CO com 7
, 7
UTG aposta 4$, 2 folds, Hero faz call, 2 folds.
Flop: (9,5$) J
, 5
, 2
(2 jogadores)
CO aposta 7$, Hero faz call.
Turn: (23,5$) T
(2 jogadores)
CO dá check, Hero dá check.
River: (23,5$) 8
(2 jogadores)
CO dá check, Hero dá check.
Alguns jogadores podem achar que nós preparamos uma boa situação para tentar um float. Mas de que maneira é que um float poderia ajudar nesta situação? Protecção? Equilibrando o nosso range de mãos?
Se apostarmos no turn depois do nosso oponente ter feito check, devemos perceber que estar a retirar 100% do valor showdown da nossa mão. A única maneira de vencermos a mão é levando o nosso oponente a fazer fold antes do showdown. Se o nosso oponente não fizer fold ao nosso float do turn (ou a mais uma aposta no river), é porque ele tem a certeza de ter a melhor mão.
Se fizermos check behind, podemos manter o pote pequeno e ainda termos uma hipotese de vencer o showdown contra um A High ou um par mais fraco. Nesta situação, claramente não há razão para protecção.
Mãos como TP (que também têm valor showdown suficiente para vencer, mesmo que o vosso oponente faça call), bluffs puros e semi-bluffs (mãos que não perdem valor de showdown ao apostar) são muito mais adequadas para se fazer float nesta situação.
0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)
Stacks & Stats
Hero (BU) 100$
Villain (MP) 100$
Pré-flop: Hero em BU com 8
, 8
UTG faz fold, MP aposta 4$, CO faz fold, Hero faz call, 2 folds.
Flop: (9,5$) 3
, T
, 2
(2 jogadores)
MP aposta 7$, Hero faz call.
Turn: (23,5$) 5
(2 jogadores)
CO dá check, Hero aposta 15$
Podemos fazer float com um par médio/baixo numa mesa que permite muitos draw, dado que não estaremos a retirar demasiado valor showdown à nossa mão ao apostarmos. O nosso oponente pode facilmente fazer check/call com uma mão para draw, e há bastante cartas que não desejamos ver no river, razão pela qual também queremos proteger a nossa mão.
Uma situação similar aparece quando somos o agressor no flop e temos que decidir entre disparar um 2º barril no turn ou fazer um check. Um exemplo:
0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)
Stacks & Stats
Hero (CO) 100$
Villain (BB) 100$ - TAG
Pré-flop: Hero em BU com J
, J
2 folds, Hero aposta 4$, 2 folds, BB faz call.
Flop: (8,5$) 3
, 3
, 2
(2 jogadores)
BB dá check, Hero aposta 7$, BB faz call.
Turn: (23,5$) K
(2 jogadores)
BB dá check, Hero aposta 15$, BB faz raise para 89$ (ALL-In)
Estamos a sobre-representar a nossa ao mão ao fazermos um 2º barril, e não podemos ficar na mão se o oponente começar mais acção. Em principio fazer check behind com os nossos pares é uma opção melhor contra a maioria dos oponentes que iremos enfrentar.
A nossa mão tem valor de showdown e o check dá ao nosso oponente a hipotese de apostar no river com um draw que não atinge (ou check/call com uma mão mais fraca). Disparar um 2º barril em posição costuma ser um erro nessa situação.
A decisão entre fazer check ou disparar um 2º barril é mais dificil quando estamos fora de posição. Em geral, teremos um EV maior para fazer check do que para disparar um2º barril e jogar para um pote demasiado grande em relação à força da nossa mão.
Conclusão
Devemos agora estar cientes dos pontos fortes e fracos, assim como da problemática geral que surge quando jogamos um par médio/baixo. Segue-se um pequeno sumário das coisas mais importantes que devemos reter deste artigo:
- As nossas opções pós-flop variam muito, dependendo da acção pré-flop.
- Pares médios/baixos nunca são adequados para o semi-bluff.
- A indução de um bluff depende muito do nosso oponente, da nossa posição e da mesa.
- Não devemos retirar o valor showdown da nossa mão com apostas desnecessárias.