Atualizado em 07 Jul 26 por

Como devemos jogar pares médios e underpairs?

Introdução

Neste artigo

  • Quando podemos levar a nossa mão a showdown
  • Quais são as boards indicadas para um eventual bluff
  • Quando não devemos fazer bluff

Quando jogamos pares de mão (com excepção feita ao par de Áses) iremos por vezes deparar-nos com overcards no flop, segurando um par médio ou mesmo um underpair. A questão é, quando deveremos continuar a jogar a nossa mão nesta situação? Quão forte é o par médio? Podemos continuar a jogar mesmo com um underpair? A que coisas deveremos dar atenção?

Este artigo mostrar-nos-á as coisas que deveremos ter em atenção pós-flop para evitar erros desnecessários com pares médios ou underpairs.

Começaremos por dar uma olhadela sobre a probabilidade de segurar um par médio ou um underpair no flop. A seguinte tabela mostra-nos essas probablidades para pares de 22 a KK:

Probabilidades de ver overcards no flop

Mão 22 33 44 55 66 77 88 99 TT JJ QQ KK
Overcards 88,25 88,22 87,96 87,12 85,39 82,43 77,92 71,53 62,94 51,82 37,84 20,67
Uma Overcard 0,00 1,35 5,71 12,12 19,59 27,14 33,80 38,57 40,49 38,57 31,84 19,31
Par na Board 0,00 1,35 2,45 3,31 3,92 4,27 4,41 4,29 3,92 3,31 2,45 1,35
Sem pares na Board 0,00 0,00 3,27 8,82 15,67 22,86 29,39 34,29 36,57 35,27 29,39 17,96
Duas Overcards 0,00 19,31 31,84 38,57 40,49 38,57 33,80 27,14 19,59 12,12 5,71 1,35
Par na Board 0,00 1,35 2,45 3,31 3,92 4,29 4,41 4,29 3,92 3,31 2,45 1,35
Sem pares na Board 0,00 17,96 29,39 35,27 36,57 34,29 29,39 22,86 15,67 8,82 3,27 0,00
Três Overcards 88,25 67,57 50,41 36,42 25,31 16,71 10,33 5,82 2,86 1,12 0,29 0,02
Par na Board 16,16 13,47 11,02 8,82 6,86 5,14 3,67 2,45 1,47 0,73 0,24 0,00
Sem pares na Board 71,84 53,88 39,18 27,43 18,79 11,43 6,53 3,27 1,31 0,33 0,00 0,00
Para Full House 0,24 0,22 0,20 0,18 0,16 0,14 0,12 0,10 0,08 0,06 0,04 0,02

(Todos os valores em %)

Esta tabela mostra-nos exactamente qual a probabilidade de ver uma, duas, ou três overcards no flop sem termos melhorado a nossa mão para trio nem para poker.

De notar que irá bater pelo menos uma overcard no flop em 50% das vezes em que jogamos com JJ pré-flop. Saber disto pode fazer com que tomemos uma posição diferente pré-flop ao jogar contra um determinado jogador e podemos não saber em que situação estamos se ele tiver um par médio ou baixo no flop.

Mas este artigo não é dedicado ao jogo pré-flop com pares de mão; iremos sim aprender o que fazer com pares médios ou underpairs quando estão overcards no flop.

Após o flop, se pensamos que seguramos um par médio ou um underpair, o próximo passo é saber quais os pontos fortes e fracos deste tipo de mãos após o flop.

Pontos fortes dos pares médios e underpairs

Como anti-bluffs

O nosso oponente irá, regra geral, falhar o flop quando não tem um par de mão. Nós não temos um par forte, mas podemos bater um A ou K high em showdown. Se estivermos frente a um adversário agressivo que gosta de fazer bluff ou semi-bluff, podemos jogar o nosso par de forma passiva e aproveitar a mesma para bater o possível bluff.

Quando damos call a uma aposta de um oponente com um par médio ou um underpair, a única mão que conseguimos realmente bater é um bluff puro. Mas este tipo de mãos pode ser muito lucrativo contra adversários com muita agressividade.

Continuation bets no flop

Se fizermos um open raise com um par em pré-flop e recebermos um call, e depois virmos uma overcard no flop, temos então aqui uma boa situação para fazer a contibet. Podemos pensar que devemos fazer a contibet por valor e para proteger a nossa mão quando temos uma mão forte e que de vez em quando devemos apostar com mãos mais fracas e sem pares para equilibrar as nossas contibets no flop.

Podemos também preferir ver um showdown barato com um par médio, uma vez que o mesmo tem algum valor no showdown e não queremos que a nossa mão pareça um bluff ao fazer a contibet.

Essas podem ser boas formas de jogar contra oponentes passivos, mas devemos ter em conta que não queremos jogar contra um leque de mãos polarizado após a nossa contibet no flop. Se estivermos a jogar contra um oponente que gosta de tentar a sorte no flop, é regra geral melhor fazermos uma contibet no flop quando temos um par médio e não existem muitas cartas que nos possam bater. Temos um sem número de vantagens após termos feito esta contibet:

Se surgir uma carta inofensiva no turn e estamos fora de posição, podemos sempre provocar um float e usar a força da nossa mão para bater um possível bluff. E mesmo que o nosso oponente faça check behind e opte por ver uma carta gratuita não estaremos em má posição. Somos capazes de controlar o pote estando fora de posição e continuar a estar numa boa situação no river. Podemos aqui, dependendo da textura da board, fazer uma value bet, ou usar a linha de check/call novamente para induzir um bluff. O nosso oponente pode cometer um erro pensando que tem uma mão com valor no showdown.

Fazer a contibet não nos permite só induzir ao float no turn, também nos permite jogar a mão de uma forma mais lucrativa. Se o nosso oponente dá o call e bate uma overcard (no melhor dos cenários, a maior carta possível) no turn, podemos usar esse facto para disparar a segunda aposta, pois esta pode ser uma carta assustadora para o nosso oponente.

Estamos a representar uma mão muito mais forte do que a que realmente temos ao disparar este 2º barril. Podemos depois, regra geral, jogar em check/fold o resto da mão. Esta linha de 2º barril/fold ajuda-nos, de forma a que não temos de nos preocupar com perder com TPTK no turn ou mesmo ter acção quando temos overpairs, trios, etc. quando jogamos contra os oponentes correctos.

Vejamos o seguinte exemplo para ter uma melhor ideia do que isto quer dizer:

EXEMPLO 1:

0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)

Stacks & Stats
Hero (MP) 100$
Villain (BU) 100$

Pre-flop: Hero is MP with 9, 9
UTG folds, Hero bets 4$, CO folds, BU calls 4$, 2folds.

Flop: (9,5$) Q, 5, 8 (2 players)
Hero bets 8$, BU calls 8$.

Turn 1: (25,5$) 5 (2 players)
Hero checks

Esta é uma boa situação para induzir um oponente agressivo ao float fazendo check/call no turn. Isto mantém o pote pequeno e nós mantemos ainda a hipótese de vencer em showdown. Se estamos a jogar contra um oponente mais passivo, que pode muito bem segurar um flush/straight draw, então é melhor disparar um 2º barril para protecção.

Turn 2: (25,5$) A (2 jogadores)
Hero aposta 20$

Desta vez o turn não é uma carta branca. Este Ás encaixa na perfeição no nosso leque de mãos após termos feito um raise em MP e uma contibet no flop. Estamos agora numa excelente posição para transformar o nosso par médio num bluff e forçar o nosso oponente a fazer fold com draws, a Q, ou mesmo pares maiores como (TT, JJ).Se ele se mantiver na acção, podemos depois fazer fold sabendo que não temos a melhor mão.

Se fizermos check no turn, estamos a criar um grande problema a nós mesmos: Não saberemos em que situação nos encontramos e estamos a pôr o nosso oponente numa excelente situação para extrair o máximo de valor da sua mão. Se disparar-mos o 2º barril e o nosso oponente der o call no turn, podemos ainda tentar com que ele faça fold de uma Q ou mesmo de um Ás fraco com um bluff, disparando o 3º barril.

Pontos fracos dos pares médios ou underpairs

A força da nossa mão

Em algumas alturas iremos ter dificuldades em saber qual a força da nossa mão. Contra alguns oponentes, não poderemos saber se estamos atrás com o nosso par médio só porque ele nos dau call à contibet.

Manter um olho na textura da board e no estilo de jogo em geral do nosso oponente é muito importante nestas situações. Alguns jogadores dão o call à contibet no flop com um draw ou um par de forma quase automática. Outros acabam por fazer fold com a grande maioria do seu leque de mãos quando confrontados com uma contibet. A força de um par médio ou underpair depende da textura da mesa; é mais provável estarmos atrás quando recebemos um call numa board inofensiva do que quando recebemos o call numa board perigosa.

Se optarmos por não fazer a contibet no flop, iremos ter muitos problemas para avaliar correctamente a força da nossa mão. Alguns oponentes irão depois apostar com quase 100% das suas mãos no turn, outros não o farão de todo. Mesmo assim, necessitamos de saber em que posição nos encontramos, não podemos dar call a um desconhecido nas duas streets se não tivermos uma boa leitura. Regra geral seremos batidos nessa situação.

Fazer a estimativa correcta do valor do nosso par médio ou underpair é o maior problema com que temos de lidar. Não podemos assumir que um underpair é automaticamente uma mão com menos força de que um par médio em duas situações idênticas. E assumir sempre que estaremos atrás quando seguramos um underpair é também errado.

Odds implícitas inversas

O problema seguinte, que resulta do facto de não sabermos em que posição nos encontramos com a nossa mão, é que regra geral iremos jogar com odds implícitas inversas após o flop quando jogamos de forma passiva. Só em casos excepcionais, e só se tivermos uma leitura fora do comum de um determinado oponente -  como sendo muito agressivo e que faça bluffs com um leque de mãos muito polarizado - podemos reduzir o factor das odds implícitas inversas ao usar o bluff induzido.

Não devemos ignorar este aspecto tanto em relação à nossa estratégia como em relação à estratégia do nosso oponente. Se detectarmos um jogador tentando resolver o problema de não saber onde se encontra com a sua mão usando a forma passiva de calling station, devemos tirar nota desse facto para futuramente podermos ajustar melhor o nosso leque de mãos ao jogar contra este mesmo oponente.

Reduzida equity para um semi-bluff

Nunca nos encontraremos numa situação lucrativa para fazer um semi-bluff quando seguramos um par médio ou um underpair. Não temos simplesmente equity suficiente para continuar a jogar de forma lucrativa o nosso semi-bluff se o nosso oponente não fizer o fold.

Devemos ter em conta que qualquer bluff que fizermos pós-flop não é um semi-bluff, mas um bluff puro, daí o porquê de um bluff all-in com par médio ou um underpair ser um grande erro. Teríamos de conseguir gerar uma quantidade de fold equity monstruosa para que o nosso bluff fosse +EV, uma vez que temos uma equity muito pequena se recebemos o call. Quase nunca conseguiremos gerar fold equity suficiente para justificar um all-in numa situação em que partimos atrás com 85/15.

Os conceitos mais importantes quando seguramos um par médio ou um underpair

Acção anterior

De maneira a podermos ter o maior valor possível de EV depois do flop com o nosso par médio/baixo, é muito importante não escolhermos a nossa estratégia com base em apenas na textura da mesa e no nosso oponente. Uma das questões mais importantes em tal situação é de como é que chegamos à presente situação. Há duas situações a diferenciar:

  • Nós fomos o agressor pré-flop e foi-nos feito call. Estamos agora no flop com um par médio/baixo e com iniciativa.
  • Apenas fizemos call/limp antes do flop e estavamos a jogar o nosso pocket pair em busca do trio.

As nossas opções pós-flop variam, às vezes bastante, dependendo em qual destes dois cenários estamos. Isto, em adição à nossa posição, é um aspecto muito importante a considerar quando começamos a analisar a nossa situação. Temos que nos recordar que não estamos a jogar par médio/baixo no flop, estamos a jogar todo o nosso range para essa situação.É por isso que podemos fazer uma contibet a um flop de vários naipes com KA2 com um par de Cincos na mão, como o UTG raise para equilibrar as nossas mão feitas boas e tirar proveito do crédito que o nosso oponente nos dá, devido à nossa posição e à acção pré-flop.

Um caso similar aparece quando fazemos cold call a um raise do MP, do BU com 33 para um trio e o flop é algo do género T52. Mesmo que o nosso oponente aposte, este não é um fold fácil, nem é um call fácil ou um raise fácil. Nesta situação, basicamente podemos escolher qualquer de um dos três rumos possíveis, o importante é sabermos porquê.

O nosso oponente raramente irá ter um monster nesta mesa. A sua contibet pode facilmente ser qualquer coisa, desde um A High ou um 8 High, até um trio ou um overpair. E é este range alargado que nos torna cientes de quão fraco é o nosso par médio/baixo nesta situação.

Quase que não há formas de estimarmos com precisão a força da nossa mão. Na maioria das vezes teremos a vantagem, o que nos dá uma razão para o call. Também poderíamos discutir que provavelmente não poderemos fazer call duas apostas pós-flop devido às odds implícitas inversas e ao facto de que quase qualquer carta futura é um perigo para os nossos cincos.

Simplesmente fazer fold com tamanho range pode, por outro lado, provar ser algo demasiado fraco, pois nós estariamos a desistir de uma quantidade decente de equity que temos contra todo o range de mãos do oponente. Não queremos que o nosso range de mãos seja demasiado óbvio também. O nosso oponente não deve saber se temos um trio quando fazemos raise à sua contibet e um par médio/baixo quando fazemos call.

Isto faz com que o raise com um par médio/baixo seja uma boa alternativa em tais situações. Estamos, claro, a transformar a nossa mão num bluff e a desistir de qualquer valor showdown que possamos ter, mas permite-nos abrir o nosso range de mãos de maneira a incluir mais do que apenas trios.

Dado que as nossas opções pós-flop diferem de maneira tão grande, devemos ter uma ideia de como vamos jogar a nossa mão depois do flop assim como do range de mãos do oponente quando fizermos a nossa decisão pré-flop. Defender de forma passiva a nossa blind contra um LP stealer pode por-nos numa situação muito marginal.

Não perderemos muito dinheiro nestas alturas se jogarmos de forma fraca (e geralmente acabaremos por fazer fold a uma contibet), mas perdermos muito valor nestas situações se não tomarmos estes factores em consideração.

Induzindo um bluff e textura de mesa

Se decidirmos não fazer fold ao nosso par médio/baixo assim que o nosso oponente mostra agressividade depois do flop, há alguns aspectos a que devemos prestar atenção:

  • 1. Uma tentativa de induzir um bluff deve ter como base um read de um oponente. Simplesmente fazermos call porque não estamos seguros que temos a melhor a mão, não é a melhor ideia. Contudo, isto é uma boa estratégia a usar contra um oponente muito agressivo, capaz de fazer bluff, disparando um 2º barril e até um 3º barril.
  • 2. A textura da mesa é muito importante. Quantas mais overcards/scare cards puderem aparecer, maior a probabilidade de nos encontrarmos numa situação de odds implícitas inversas e o nosso oponente tem a oportunidade de atingir os seus 3-6 outs e fazer uma aposta para valor no final da mão. O nosso par é raramente forte quando o intervalo entre o nosso par e a carta alta no flop é particularmente alto. Também não queremos acabar por fazer fold à melhor mão para uma scare card e também não queremos criar boas oportunidades para o oponente fazer bluff.
  • 3. A nossa posição é também um aspecto importante quando tentamos induzir um bluff. Em geral, a indução de um bluff é melhor quando estamos em posição. Se estivermos fora dela, o nosso oponente irá geralmente fazer check behind se apanhar um draw ou completar uma mão feita média, tanto para levar uma carta grátis como para manter o pote pequeno. O problema é que raramente poderão fazer uma aposta para valor fora de posição com o vosso par médio/baixo.

Se fizermos check de novo, o nosso oponente irá normalmente fazer check behind com qualquer mão que tenha valor showdown, mas que seja mais fraca que o nosso par, enquanto que apostará melhores mãos e fará o bluff ocasional. O nosso problema é que obtemos muito pouco valor das suas mãos mais fracas/bluffs e pagamos as suas mãos boas demasiadas vezes.

No entanto, se estivermos em posição, o nosso oponente terá menos opções pós-flop fora de posição. Ele irá apostar frequentemente no turn com um draw ou com uma mão A High. Se ele não melhorar no river, ainda se pode sentir tentado a disparar um 3º barril com o seu draw ou com a sua mão A High na esperança de nos fazer desistir de um par fraco (assumindo que ele é agressivo). Este é exactamente o tipo de situação em que a indução de um bluff é muito lucrativa.

Se o nosso oponente nos fizer check, podemos decidir entre um check behind para controlar o pote ou apostar para valor/protecção. Apenas temos que nos lembrar de pensar no range do oponente antes de agirmos, se ele nos fizer check no river.

Apostar com um par médio/baixo costuma ser um erro, pois o nosso oponente irá geralmente apenas fazer call com uma melhor mão e desistir das mãos que nós de qualquer maneira venceriamos no showdown. Um bluff pode ser +EV se conseguirmos gerar suficiente equity de fold, mas normalmente o check behind é melhor...

Vejamos alguns exemplos de maneira a ficarmos com uma melhor ideia das problemáticas envolvidas quando se segura um par médio/baixo.

EXEMPLO 2: FORA DE POSIÇÃO

0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)

Stacks & Stats
Hero (BB) 100$
Villain (UTG) 100$

Pré-flop: Hero em BB com 8, 8
UTG aposta 4$, 4 folds, Hero faz call.

Flop: (8,5$) K, 5, 2 (2 jogadores)
Hero dá check, UTG aposta 7$, Hero faz call

Um oponente agressivo irá geralmente fazer uma contibet numa mesa que permite tão poucos draws, de maneira a levar-nos a fazer fold. Não temos que nos preocupar com demasiadas overcards e pensar por uma segundo em fazer bluff, mas sim decidir a simplesmente fazer call e tentar ver um showdown barato.

Turn: (22,5$) K (2 jogadores)
Hero dá check, UTG dá check.

River: (22,5$) T (2 jogadores)
Hero dá check, UTG dá check

Termos muitas dificuldades em jogar o nosso pocket pair no river. Será que o nosso oponente faria call com uma mão mais fraca? Provavelmente não, razão pela qual decidimos não fazer uma aposta para valor. O problema é, se o oponente apostar, nós estaremos sentados com um apanhador de bluffs, mas não podemos fazer um standard call, pois a aposta do nosso oponente não será muitas vezes bluff.

EXEMPLO 3: COM POSIÇÃO

0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)

Stacks & Stats
Hero (Button) 100$
Villain (CO) 100$ (regular bastante agressivo)

Pré-flop: Hero em BU com 7, 7
2 folds, CO aposta 4$, Hero faz call, 2 folds.

Flop: (8,5$) 8, 5, 3 (2 jogadores)
CO aposta 7$, Hero faz call.

Turn: (22,5$) 2 (2 jogadores)
CO aposta 17$, Hero faz call.

Fazemos call à aposta do turn simplesmente porque situamos o nosso oponente num range largo de overcards/flush draw/gutshot e assumimos que ele irá disparar um 2º barril com bastante frequência nesta situação.

River: (56,5$) K (2 jogadores)
CO dá check, Hero dá check.

Já reparámos que nestes exemplos não defrontámos uma aposta no river. Isso foi feito com o propósito de mostrar que nessas alturas precisamos de um bom read. Qualquer exemplo de mão para essa situação com uma aposta no river requereria uma explicação da história da mesa e da dinâmica. Não há um conceito geral a seguir.

Jogando na mesa

Como alternativa a jogarmos a nossa mão passivamente, podemos simplesmente jogar com a mesa. O nosso oponente terá que ter uma mão muito melhor do que o nosso par médio/baixo para vos dar qualquer acção. Segue-se um exemplo:

EXEMPLO 4:

0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)

Stacks & Stats
Hero (BB) 100$
Villain (CO) 100$

Pré-flop: Hero em BB com 7, 7
2 folds, CO aposta 4$, 2 folds, Hero faz call.

Flop: (8,5$) K, T, 3 (2 jogadores)
Hero aposta 7$

Poderiamos, claro, simplesmente fazer check/fold no flop, mas não seria a nossa única opção. Esta é uma boa situação para equilibrar-mos o nosso range para donks. O nosso oponente necessitará de ter pelo menos um high club para continuar na mão e não conseguirá estar muito tempo em acção com apenas um par.

Esta é também uma forma de se abrir uma porta para protegermos/apostarmos directamente para valor no flop, quando concretizam um flush directamente no flop, em vez de fazerem sempre check e verem o que acontece no turn.

Protecção vs. valor de showdown

Muitos jogadores de poker têm um leak grande - eles não sabem quando devem proteger um par médio/baixo e quando é que devem pagar para valor de showdown. O seguinte exemplo ilustra este problema.

EXEMPLO 5:

0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)

Stacks & Stats
Hero (CO) 100$
Villain (UTG) 100$

Pré-flop: Hero em CO com 7, 7
UTG aposta 4$, 2 folds, Hero faz call, 2 folds.

Flop: (9,5$) J, 5, 2 (2 jogadores)
CO aposta 7$, Hero faz call.

Turn: (23,5$) T (2 jogadores)
CO dá check, Hero dá check.

River: (23,5$) 8 (2 jogadores)
CO dá check, Hero dá check.

Alguns jogadores podem achar que nós preparamos uma boa situação para tentar um float. Mas de que maneira é que um float poderia ajudar nesta situação? Protecção? Equilibrando o nosso range de mãos?

Se apostarmos no turn depois do nosso oponente ter feito check, devemos perceber que estar a retirar 100% do valor showdown da nossa mão. A única maneira de vencermos a mão é levando o nosso oponente a fazer fold antes do showdown. Se o nosso oponente não fizer fold ao nosso float do turn (ou a mais uma aposta no river), é porque ele tem a certeza de ter a melhor mão.

Se fizermos check behind, podemos manter o pote pequeno e ainda termos uma hipotese de vencer o showdown contra um A High ou um par mais fraco. Nesta situação, claramente não há razão para protecção.

Mãos como TP (que também têm valor showdown suficiente para vencer, mesmo que o vosso oponente faça call), bluffs puros e semi-bluffs (mãos que não perdem valor de showdown ao apostar) são muito mais adequadas para se fazer float nesta situação.

EXEMPLO 6:

0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)

Stacks & Stats
Hero (BU) 100$
Villain (MP) 100$

Pré-flop: Hero em BU com 8, 8
UTG faz fold, MP aposta 4$, CO faz fold, Hero faz call, 2 folds.

Flop: (9,5$) 3, T, 2 (2 jogadores)
MP aposta 7$, Hero faz call.

Turn: (23,5$) 5 (2 jogadores)
CO dá check, Hero aposta 15$

Podemos fazer float com um par médio/baixo numa mesa que permite muitos draw, dado que não estaremos a retirar demasiado valor showdown à nossa mão ao apostarmos. O nosso oponente pode facilmente fazer check/call com uma mão para draw, e há bastante cartas que não desejamos ver no river, razão pela qual também queremos proteger a nossa mão.

Uma situação similar aparece quando somos o agressor no flop e temos que decidir entre disparar um 2º barril no turn ou fazer um check. Um exemplo:

EXEMPLO 7:

0,50$/1,00$ No-Limit Hold’em (6 handed)

Stacks & Stats
Hero (CO) 100$
Villain (BB) 100$ - TAG

Pré-flop: Hero em BU com J, J
2 folds, Hero aposta 4$, 2 folds, BB faz call.

Flop: (8,5$) 3, 3, 2 (2 jogadores)
BB dá check, Hero aposta 7$, BB faz call.

Turn: (23,5$) K (2 jogadores)
BB dá check, Hero aposta 15$, BB faz raise para 89$ (ALL-In)

Estamos a sobre-representar a nossa ao mão ao fazermos um 2º barril, e não podemos ficar na mão se o oponente começar mais acção. Em principio fazer check behind com os nossos pares é uma opção melhor contra a maioria dos oponentes que iremos enfrentar.

A nossa mão tem valor de showdown e o check dá ao nosso oponente a hipotese de apostar no river com um draw que não atinge (ou check/call com uma mão mais fraca). Disparar um 2º barril em posição costuma ser um erro nessa situação.

A decisão entre fazer check ou disparar um 2º barril é mais dificil quando estamos fora de posição. Em geral, teremos um EV maior para fazer check do que para disparar um2º barril e jogar para um pote demasiado grande em relação à força da nossa mão.

Conclusão

Devemos agora estar cientes dos pontos fortes e fracos, assim como da problemática geral que surge quando jogamos um par médio/baixo. Segue-se um pequeno sumário das coisas mais importantes que devemos reter deste artigo:

  • As nossas opções pós-flop variam muito, dependendo da acção pré-flop.
  • Pares médios/baixos nunca são adequados para o semi-bluff.
  • A indução de um bluff depende muito do nosso oponente, da nossa posição e da mesa.
  • Não devemos retirar o valor showdown da nossa mão com apostas desnecessárias.