Atualizado em 07 Jul 26 por

Quando Vale a Pena o 2º ou 3º Barrel?

Introdução

Neste artigo

  • Quanto mais loose um adversário for, mais absurdo torna-se o uso dos múltiplos barrels.
  • Contra adversários passivos, um check é a melhor opção
  • As estatísticas do Elephant / PokerTracker e os Timing Tells podem ajudar
  • Cartas assustadoras podem ser usadas ao nosso favor

Já aconteceu com todos: você faz raise antes do flop com uma boa mão, recebe um call e não acerta nada no flop. E agora? Uma continuation bet, é claro! Mas também recebe call da continuation bet e o turn não ajuda. Na maioria das vezes, esta mão que era forte antes do flop deve ser descartada.

No entanto, existem algumas exceções, situações na qual você pode fazer com que o seu oponente desista da mão com o chamado segundo barrel ou até mesmo um terceiro barrel, isto é, mais uma ou duas continuation bets. Encontrar o momento certo para isso é difícil. Este artigo mostrará as indicações de quando os múltiplos barrels faz sentido.

Diferentes tipos de adversários

Você pode ter uma idéia concreta das coisas ao analisar seus adversários. Como regra base: quanto mais loose for o adversário, mais calma devem ter ao disparar um segundo barrel.

LOOSE PASSIVO - CALLING STATIONS

Os múltipos barrels são inapropriados para este tipo de adversários. Eles farão call com mãos marginais e muito dificilmente conseguirão fazer com que ele abandone a sua mão. Contra este tipo de adversários façam apostas por valor, mas não blefes; os múltiplos barrels não servem para nada contra eles.

MANÍACOS

Estes também não são boas vitimas para continuarmos a utilizar as continuation bets. O maníaco não vai desistir da sua mão e provavelmente irá tentar fazer com que nós desistimos de nossa mão utilizando blefe-raises. Se a continuation bet receber um call no flop, devem tentar chegar até ao showdown o mais barato possível caso tenha mãos marginais como bottom pair ou mesmo ace high. É algo que vale a pena, dependendo da board, fazer check-behind no turn seguido de um call no river, desde que tenham posição na mesa.

TIGHT AGGRESSIVO - LOOSE AGGRESSIVE

Vão encontrar estes tipos muitas vezes nos limites mais altos. Estes jogadores fortes sabem quando desistir da mão, e nunca nos pagam se tiverem mãos fracas. Os múltiplos barrels são apropriados contra eles em muitas situações, especialmente em posição, uma vez que mãos como TPGK, par médio ou mesmo um bom draw são difíceis de jogar fora de posição. Ele normalmente fará call no flop, mas desistirá contra outra aposta no turn.

WEAK TIGHT - ROCKS

Não é preciso fazer muita coisa para que estes adversários desistam da mão. Eles são os alvos ideais para utilizar os múltiplos barrels. Outra vantagem é que eles jogam a maioria dos draws de forma passiva, e não nos obrigarão a desistir de nossa mão utilizando raises.

DESCONHECIDOS

Infelizmente, por vezes damos por nós em situações desagradáveis, de ter que jogar contra um adversário desconhecido. É muito difícil de dizer se outro barrel faz algum sentido ou não. Nos limites mais baixos, o adversário normal vai fazer call muito mais vezes, e por essa razão, recomendo que abandonem o segundo e o terceiro barrel contra adversários desconhecidos nestes limites.

FLOATER

O adversário vai normalmente fazer call da nossa aposta no flop, apesar de ele não ter acertado em nada no flop. Ele faz isto com a esperança de que nós façamos check / fold na resposta, e ele depois ganharia o pote com uma aposta simples. Isto é o que se chama de floating. A maioria das pessoas só faz float quando está em posição, mas existem exceções.

Como sempre: fiquem em alerta, tomem notas e prestem atenção a que situações é que o adversário vai fazer floating. Contra estes adversários, uma aposta no turn é normalmente +EV, se acreditarmos que eles fizeram um “bluff call” no flop. Um blefe check / raise pode ser ainda melhor contra estes adversários. As timing tells (dicas / padrões que observamos nos adversários) também podem nos dar informações se o adversário esta a fazer floating ou se tem uma mão forte. Este tipo de jogada pode ser visto muitas vezes nas guerras das blinds entre a small blind e a big blind.

MULTITABLER

Muitos jogadores TAG jogam em várias mesas ao mesmo tempo nos limites mais baixos. A maioria deles são jogadores vitoriosos, mas mesmo assim eles são vítimas perfeitas para segundos e terceiros barrels. Uma vez que a atenção deles está repartida por várias mesas, eles normalmente optam por seguir as stats dos adversários e não a imagem de mesa dos jogadores. Por isso, eles ainda vão demorar um bom tempo até perceberem que estamos a fazer blefes. Se por acaso tivermos acabado de ser apanhados por um jogador quando estávamos a fazer blefe, é normal que eles nem sequer tenham reparado nisso, e por isso podemos continuar a jogar contra ele da mesma forma.

Como as estatísticas do Elephant / PokerTracker podem nos ajudar?

Nem todos os adversários podem ser colocados numa caixa e rotulados de algo, cada um deles tem as suas próprias particularidades que não podem ser catalogados, particularmente no que diz respeito a padrões de apostas. Especialmente quando se pergunta se faz sentido utilizar um segundo e terceiro barrel, os vossos próprios apontamentos sobre os adversários nas mais variadas situações são insubstituíveis.

Mesmo assim, alguns valores do Elephant podem ajudar:

  • Went to Showdown: Normalmente não devem utilizar um segundo e terceiro barrel contra adversários com elevado WTS, uma vez que eles normalmente fazem call.
  • Folded to Turn / Riverbet:
    Muitos adversários fazem call a uma aposta no flop se tiverem um flush draw, mas depois desistem da mão frente a uma aposta no turn, ou então fazem call com top pair tanto no flop como no turn, mas depois desistem da mão frente a uma aposta no river. Podem obter estas leituras dos adversários ao estarem atentos quando estão na mesa a jogar, mas os valores do Elephant já são um bom ponto de partida. Geralmente: quanto maior for o valor, mais barrels devem disparar.
  • Coldcall %:
    Normalmente, os adversários que fazem demasiados cold calls têm na mão cartas conectadas de mesmo naipe ou ases fracos. Estas mãos normalmente acertam em algo como TPWK ou um par médio no flop. É claro que estes são vulneráveis aos múltiplos barrels. Quanto mais um adversário fizer cold calls, mais barrels devem disparar contra ele.

Note: Os valores de folded to turn / Riverbet precisam particularmente de ter grandes tamanhos de amostras para terem algum significado. Devem por isso, confiar mais no vosso próprio instinto, e apenas utilizar as estatísticas do Elephant / PokerTracker para os adversários dos quais já tenham recolhido muitas mãos.

Guia para decisões futuras

RANGE DO ADVERSÁRIO

Depois que os adversários igualam nossa aposta no flop, os nossos pensamentos devem-se concentrar primeiro no leque de mãos (range) possível do adversário, para assim perceber com que mãos ele faria call a um raise no pré-flop e a uma aposta no flop. As estatísticas do Elephant e a classificação do vosso adversário podem vos dar limites para o jogo em pré-flop.

Que grupo de mãos está ele preparado para igualar uma aposta no flop dependente do próprio flop. Se existirem mãos suficientes com as quais ele desista da mão frente a uma segunda ou terceira aposta, então devem fazer a aposta normalmente. O que isso quer dizer exatamente vai ser esclarecido nos exemplos de mãos. Primeiro, gostaria de mencionar os fatores que ajudam a fazer uma estimativa do possível leque de mãos (range).

TIMING TELLS

O chamado “instacall”: Um adversário vai normalmente fazer call à nossa aposta imediatamente e sem qualquer tipo de consideração. Isto costuma ser um sinal de fraqueza, uma vez que ele consideraria um raise com uma mão forte. Tomem nota que isto é válido para quando os adversários têm a vantagem da posição, uma vez que já podem ter preparado um check / call. Aqui também, é do vosso interesse tomar apontamentos de que mãos os adversários fazem instacall, e depois considerar se eles irão desistir da mão frente a mais apostas ou não.

TAMANHO DAS STACKS

É muito importante ter em atenção o tamanho da stack antes de disparar um segundo barrel, uma vez que a nossa fold equity está sustentada não na aposta do turn em si, mas sim no dinheiro que ainda temos para apostar. Se um adversário tiver TPWK, ele raramente irá desistir da mão para uma aposta do tamanho de 3/4 do pote se isso o colocar all-in, uma vez que ele tem a garantia de ir ver o showdown. Se as stacks forem bem grandes, então, ele normalmente fará fold com medo de ter que fazer call a uma grande aposta no river.

SUA PRÓPRIA IMAGEM

Quanto mais usamos múltiplos barrels, mais importante se torna termos conhecimento da nossa imagem na mesa. Se alguém nos tiver apanhado a fazer blefe recentemente, então devemos ser mais conservadores nas jogadas futuras e fazer apenas pequenas apostas por valor. Por outro lado, se a nossa imagem for sólida, então os múltiplos barrels são armas extremamente potentes.

Devemos também ter atenção em que limites e contra que adversários estamos a jogar. Nos limites mais baixos, os jogadores nunca estão com muita atenção e por isso podemos negligenciar os limites. O mesmo se aplica quando jogamos contra adversários que jogam em muitas mesas (multitablers). Contudo, nos limites mais elevados, a imagem na mesa ganha uma importância muito maior.

Utilizando cartas assustadoras (Scarecards)

Cartas como ás ou rei no turn ou no river, que podem estar muito bem dentro do nosso range como agressores no pré-flop, oferecem boas hipóteses de colocar o nosso adversário fora do pote com outra aposta. Isto é verdadeiro quando a carta assustadora não completar um draw que o adversário possa ter.

Por exemplo, se aparece um ás de ouros quando já havia duas cartas de ouros na mesa, e nós pensamos que o adversário fez call porque estava em flush draw, um timing tell pode ajudar. Se ele passar a jogada imediatamente sem considerar uma donkbet, é mais provável que ele não tenha um flush e assim devemos arriscar mais nas apostas do que quando ele demora algum tempo para pensar.

QUE MÃO VOCÊ ESTÁ REPRESENTANDO?

As cartas assustadoras nem sempre são boas para utilização dos barrels. O adversário saberá normalmente que temos tendência para jogar com check-behind em um board que não tem nenhum draw, se tivéssemos acertado na carta assustadora. Por isso, devemos saber exatamente quais os adversários que nos conhecem bem, e não disparar barrels contra eles quando as cartas assustadoras aparecem.

Nos limites mais elevados, com um pequeno grupo de jogadores, é aconselhado que variem o vosso jogo ainda mais, e apostem na carta assustadora somente se tiverem mesmo acertado em algo. Isto fará com que seja mais difícil perceberem o vosso jogo.

Mas em outros casos, também, quando aparecem cartas assustadoras, devemos parar e pensar por um momento qual mão a nossa aposta vai representar. Então será mais fácil dizer com quais mãos os nossos adversários descartarão. Se chegarmos à conclusão que é suficiente para apostar com um EV positivo, então devemos fazer isto na maioria das vezes.

O EV de um check

Mesmo que uma aposta no turn tenha um EV positivo, isso não quer dizer que a tenhamos de fazer. Muitas vezes, vamos chegar até ao showdown com ace high contra um adversário passivo, que não conseguiu completar o draw e com o qual não fará blefe, e nós vamos ganhar alguns destes (ou mesmo acertar um out).

Por isso, o EV de um check no turn é majoritariamente positivo. Em mãos com algum valor para o showdown, na altura do segundo barrel devemos ter cuidado na segunda aposta contra adversários passivos. O mesmo se aplica aos terceiros barrels no river. Se o adversário pode ter um draw ao qual podemos ganhar com um check-behind, então uma aposta no river normalmente é incorreta.

O EV de uma aposta em uma rodada pode ser calculado com a seguinte fórmula:

EV = P(Fold) * Tamanho do pote - (1-P(Fold)) * Tamanho da aposta

Exemplos de mãos

EXEMPLO 1A

O vilão é um TAG. Nós sabemos que ele normalmente joga em 9 mesas ao mesmo tempo, por isso ele não presta muita atenção nas mesas em que não está jogando. Não jogamos ainda muito contra ele, por isso ele só deve conhecer as nossas estatísticas.

NL 100 6max


Stacks:

Hero: 130$
BB: 152$

Preflop: Hero é CO com 9, 8

2 folds
, Hero raises to 4$, 2 folds, BB calls.

Temos outra leitura de que o vilão defende sempre a sua BB contra steal-raises, com ases fortes, pocket pairs, suited connectors e suited broadways. Ele faria re-raise com AQ+, TT+. Suspeitamos que o seu range é o seguinte: AT, AJ, 65s-KQs, 22-99, KJs, QTs.

Flop: (8,5$) 3, 2, 2
BB checks, Hero bets 5$, BB calls.

Uma vez que ele faz call à nossa continuation bet, nós suspeitamos que ele tenha um pocket pair. Este flop teria falhado qualquer outra coisa. Draws no seu range não são possíveis. Ou ele tem um full house, ou então um overpair. Um call com AJ ou AT também não pode ser colocado de parte, porque ele pode acreditar que nestes casos pode ainda estar na frente.

Turn: (18,5$) A
BB checks, Hero bets 11$, BB folds.

O Ás é uma carta assustadora ideal que podemos aproveitar para usar um segundo barrel nesta situação. Vamos assumir que o nosso adversário fez call com AJ e AT, e check-raise com 22 ou 33. Uma vez que ele não faz sempre call ao flop com AJ e AT, podemos assumir que ele fará exatamente isso com metade das combinações AJ/AT possíveis. Além disso, 2 2 é possível e existem 3 combinações para 33.

Existem 6 combinações cada para 44 - 77 e 3 combinações cada para 88-99. Por isso, esperamos que ele desista da mão em 30 casos e em 24 não. Então, 55,55% das vezes ele irá desistir da mão, o que torna a nossa aposta +EV, visto que ele sempre desistirá da melhor mão.

Um cálculo:

EV = $0,5555 * $18,50 - $0,40 * $11,00 = $10,27 - $4,88 = $5,39

Por isso, em média esperamos ganhar $5,39 com esta aposta. O tamanho certo da aposta pode fazer com que se ganhe ainda mais nesta situação.

É claro que este cálculo tem de ser feito com calma, uma vez que utilizamos várias leituras do seu jogo para determinar o seu range de mãos tão precisamente. No entanto, fica claro que nesta situação devemos atirar o segundo barrel, visto que ele está a jogar em tantas mesas ao mesmo tempo e não nos conhece muito bem, podemos negligenciar a nossa imagem. Não nos temos que preocupar se a nossa aposta representa na verdade um ás, o que não é o caso no exemplo 1B.

EXEMPLO 1B

Mesma mão, limite diferente, e também adversários um tanto diferentes. O vilão continua a ser TAG, mas desta vez ele é alguém com quem já jogamos muitas vezes. Ele conhece bem a nossa forma de atuar, e joga apenas em 2-3 mesas e está atento. Nós vamos atribuir-lhe o mesmo range do exemplo 1A.

NL 1000 6max


Stacks:

Hero: 1300$
BB: 1520$

Preflop: Hero é CO com 9, 8

2 folds
, Hero raises to 40$, 2 folds, BB calls.

Flop: (85$) 3, 2, 2
BB checks, Hero bets 50$, BB calls.

Turn: (185$) A
BB checks, Hero?

Agora a questão que se coloca aqui é a de saber como jogaríamos se tivéssemos mesmo o ás. A board não apresenta nenhum draw preocupante, e podíamos facilmente fazer check-behind com o nosso ás para assim manter o pote pequeno. Uma vez que o nosso adversário já nos conhece, ele sabe que nós normalmente faríamos check-behind nestas circunstâncias, e por isso um segundo barrel não é o mais sensível. Iria despertar mais as suas suspeitas, o que faria com que ele fizesse o call com um par, ou poderia mesmo tentar um blefe check / raise.

As coisas seriam diferentes se normalmente apostássemos no turn com mãos como AT - AK. Neste caso, o segundo barrel seria bem jogado. A nossa mão não tem qualquer valor para o showdown, e mesmo que conseguíssemos acertar num 8 ou num 9 no river, não poderíamos fazer call a uma aposta.

EXEMPLO 2

Neste exemplo, temos uma imagem na mesa muito sólida e sempre que fomos ao showdown tínhamos boas mãos. As nossas stats são 18 / 13 / 3.2 / 23.

NL 200 - 5 handed

Stacks:
Hero: 246,10$
SB: 269,67$

Preflop: Hero é BU com K, J

2 folds
, Hero raises to 7$, SB calls, BB folds.

Flop: (16$) 8, 5, 9
SB checks, Hero bets 12$, SB calls.

Turn: (40$) 5
SB checks, Hero bets 29$, SB calls.

River: (98$) A
SB checks, Hero bets 66$...

Vamos analisar o jogo contra 4 adversários diferentes:

  • a) 69 vpip / 24 pfr / 2 af / 35 wts - 100 hands
  • b) 21 vpip / 14 pfr / 3 af / 22 wts - 500 hands
  • c) 26 vpip / 18 pfr / 4 af / 23 wts - 400 hands
  • d) 14 vpip / 8 pfr / 1.5 af / 28 wts - 350 hands

O fato de que temos apenas as estatísticas dos adversários e mais nenhuma leitura torna a avaliação mais difícil. Mas por vezes as mãos que temos dos adversários estão minadas e por isso não conhecemos o seu estilo.

Caso A

Em minha opinião, podemos até discutir a continuation bet no flop, mas para os nossos propósitos, estamos interessados apenas no turn e no river. Ambos os valores do vilão VPIP e WtSD são enormes. É difícil acertar no seu range depois do call no flop, uma vez que ele poderia fazer isso com duas overcards.

O 5 no turn é uma carta miserável para um segundo barrel. O nosso adversário só faria fold de overcards. Ele podia fazer call com qualquer par. Por outro lado, podemos ainda estar na frente com o nosso Rei se ele estiver em um draw. Deveriamos fazer check-behind e esperar acertar num valete ou rei no river, ou ver um showdown de graça.

O ás no river parece ser à primeira vista uma boa carta para nós. Não apareceram draws e o ás entra no nosso range. No entanto, este adversário irá fazer call muitas das vezes com um 8 ou 9, e ele só vai desistir da mão com draws incompletos. Mesmo esses ele poderá por vezes acertar no ás, uma vez que ele faz call da SB com suited aces. Deveriamos aceitar o showdown de graça com o nosso rei high, porque ainda temos boas hipóteses de vencer se ele estiver a jogar um draw.

O EV de um check aqui é definitivamente positivo, enquanto que um EV de uma aposta é difícil de determinar, porque não conseguimos estimar o range do adversário que tem 70 VPIP e nenhuma leitura. A tendência, apesar de tudo, é que vamos ser pagos quase todas as mãos superiores.

Casos B e C

Vou analisar os casos B e C em conjunto, uma vez que o jogo pós-flop dos TAGs e LAGs é similar. Em contraste com o TAG, o LAG vai fazer mais vezes 3bet contra o nosso raise inicial. Não é tão fácil atribuir um range de mãos em pré-flop com que façam call, mas podemos adivinhar que se parece algo com isto:

  • b) TAG: 22-88, AJ, AT, KQ
  • c) LAG: 22-88, AJ, AT, Axs x

Muitos LAGs farão 3bet aqui com qualquer pocket pair ou suited connectors. O fato de termos vindo a jogar tight até agora torna isto menos provável de acontecer.

Com que mãos este adversário vai fazer call no flop? Na verdade apenas estas mãos são possíveis:

  • b) 55-88, A T, A J, K Q
  • c) 55-88, A T, A J, K Q, Q T, Q J, 65s - T9s (22-44 também poderia ser possível)

O nosso adversário não vai escolher a linha check / call flop com todas estas. Acima de tudo, ele irá jogar flush draws agressivamente neste board. Contudo, é difícil de dizer que mãos é que ele poderá ter em relação a outras sem termos nenhuma leitura dele.

O 5 no turn não aparenta alterar nada à primeira vista. A nossa nova aposta representa um overpair ou full house. Outras mãos fortes muito dificilmente se enquadrariam no nosso range. Com que mãos poderá o nosso adversário desistir da mão frente a outra aposta?

  • b) 66, 77, A T, A J, K Q

Um TAG poderia fazer fold de todas estas mãos para uma aposta grande no turn. Ele vai ter odds fracas para fazer call, e pode também estar drawing dead. Além disso, ele normalmente fará fold de 66 e 77. Contudo, não podemos dizer com certeza se ele realmente fará fold numa aposta no turn. Se este for o caso, a aposta no turn é definitivamente boa, pois ele está à nossa frente com todas estas mãos.

  • c) 66, 77, A T, A J, K Q, Q T, Q J, 87s - T9s

Os mesmos argumentos podem ser utilizados para o LAG desistir da mão. O 98 enfraqueceu possíveis dois pares. A situação é similar. Um segundo barrel aqui parece também ser sensível, mesmo que seja certo que nem todos os LAGs façam fold de todas estas mãos.

Agora a questão no river: que mãos nos pagaram no turn mas não farão fold a uma aposta no river? 55 e 88 podem ser excluídas, uma vez que teriam feito raise no turn o mais tardar. A J e A T acertaram TPGK, mas é possível que fizessem fold para um terceiro barrel. 66 e 77 não fariam call novamente, e o mesmo se aplica a K Q.

O EV de um check pode ser considerado 0, porque não existe nenhuma mão que possamos ganhar no river com este range. A questão é se uma aposta de $66 tem um +EV. Isto é exatamente positivo quando o nosso adversário faz fold $66 / $44 ~ 0.4 ou mais de 40% do seu range.

Existem 6 combinações possíveis para cada pocket pair, por isso mesmo que ele faça call sempre com A J and A T ele continuará a fazer fold a 13 mãos das 15 possíveis. Isto é claramente mais do que os 40%. Mesmo que os cálculos não estejam corretos na sua reflexão da realidade por causa de erros ou leituras falhadas, um terceiro barrel é aconselhado neste caso porque o adversário fará fold de muitas mãos possíveis.

Caso D

Desta vez estamos a jogar contra um adversário muito tight. Ambos os valores de VPIP e PFR são mínimos. Além disso, ele é relativamente passivo com um valor alto de WtSD. Isto quer dizer que ele raramente irá fazer 3bet. Podemos dar-lhe um range com que vai fazer call nesta situação com base nas seguintes mãos: 22-JJ, AQ, AK.

Um segundo barrel no turn não é nada garantido contra este range. Com exceção de A K e A Q ele não vai desistir de nada e mesmo estas não são garantidas.

O mesmo cálculo pode ser efetuado no river como nas mãos anteriores. Ele tem que desistir da mão em 40% do seu range para fazer uma aposta com +EV. Os adversários normalmente terão um ás forte. O seu WtSD é alto, e o seu pequeno AF indica que ele prefere check / call flop, check / call turn para uma linha.

Apesar do alto valor de WtSD, vai ser difícil para ele fazer call com 66, 77, TT, JJ, que se encaixa bem no seu estilo de jogo. Estas mãos completam o tamanho do seu range. É difícil dizer somente baseados nas estatísticas se ele vai desistir de suas mãos muitas vezes. Aqui é uma decisão muito mais difícil do que nos casos B e C. Nesta situação os timings tells serão uma boa ajuda. Se virem um instacheck, eu aconselharia a apostarem porque é menos provável que ele tenha uma mão como A K.

Resumo

O uso correto dos segundos e terceiros barrels pode aumentar a vossa winrate, mas não é assim tão fácil encontrar as situações certas para os utilizar. É preciso ter experiência, mais do que tudo, e boas leituras para sabê-los utilizar corretamente.

Caso tenha a intenção de adicionar os blefes ao vosso repertório de jogadas, recomendo que não joguem em muitas mesas ao mesmo tempo, e prestem sempre atenção na forma de jogar dos vossos adversários. Como podemos ver nos exemplos, a decisão de disparar o segundo e o terceiro barrel depende fortemente dos vossos adversários.