Como Conduzir uma Revisão de Sessão
Introdução
Neste artigo
- Porque é que a revisão de sessão é tão importante para o teu desenvolvimento enquanto jogador de poker?
- Tipos de revisão e ferramentas
- Metodologia - Como abordar uma revisão e o que é que precisas de saber?
Porque é que a revisão de sessão é tão importante para o teu desenvolvimento enquanto jogador de poker?
A revisão descreve o processo de analisar em retrospectiva as mãos jogadas ou o histórico de mãos. Esta é uma ferramenta necessária para qualquer jogador de poker de sucesso. No longo prazo, o teu lucro advém da tomada das melhores decisões possíveis na mesa. Conseguir tomar esse tipo de decisões no poker não é nada fácil e requer muitos conhecimentos e habilidade. Trocar ideias sobre linhas, movimentos, padrões, tamanhos de apostas, selecção de mãos, escolha de situações, selecção de mesas e muitos outros tópicos, são coisas que vão tornar-te no longo prazo num jogador ganhador em poker.
É por isso que deves lembrar-te do seguinte: se queres aumentar a tua win rate, tens que estar disposto a trabalhar no duro em ti mesmo e no teu jogo. Isso inclui aspectos como uma boa gestão do tempo, muita disciplina e oportunidades de treino/formação.
Os fóruns de avaliação de mãos da PokerStrategy.com oferecem-te a possibilidade de teres as tuas mãos analisadas por avaliadores de mãos profissionais. Além disso, é importante que estejas constantemente a analisar, a pensar e possivelmente a reavaliar as tuas mãos, as tuas decisões e acima de tudo o porquê de teres jogado de determinada forma.
Especialmente se tiveres entrado no mundo do poker recentemente, deves agendar sempre um pouco do teu tempo para treinos. A quantidade de tempo que vais gastar a jogar e a treinar fica logicamente a teu cargo. No que diz respeito à fase de aprendizagem, recomendámos uma divisão grosseira de 60% para a fase de jogo e 40% para a fase de treino. Afinal, também é suposto que estejas a pensar, a aprender e a progredir continuadamente à medida que vais jogando. Por exemplo, podes jogar sessões e focar a tua atenção em coisas específicas (tópicos em foco) que tenham desempenhado um papel importante aquando do teu último treino. Ao fazeres isso, podes aplicar o que aprendeste ou, pelo menos, aumentar a tua consciência sobre estes problemas de tópicos específicos.
Tipos de revisão e ferramentas
Normalmente, existem os seguintes tipos de revisão: Revisão de mão, revisão de histórico de mãos, revisão de sessão (vídeo).
Revisão de mão:
- Discussão profunda sobre uma mão e todos os seus detalhes, especialmente no que diz respeito às linhas jogadas e ao tamanho das apostas, tendo em conta todas as informações disponíveis sobre os tipos de adversários, leques de mãos dos adversários e tendências de jogo dos adversários
- Foco em decisões específicas para detectar falhas estruturais no jogo do Herói
Revisão de histórico de mãos:
- Análise detalhada de várias mãos que foram jogadas consecutivamente numa mesa em particular, tendo em conta o histórico de curto prazo
- Recolha e tomada de notas sobre as jogadas específicas dos adversários (construção de uma leitura)
Revisão de sessão:
- Análise completa do desenvolvimento de uma sessão em particular
- Foco nas mãos decisivas (momentos chave)
- Identificação constante de falhas em situações aparentemente sem importância (padrão)
Revisão em vídeo:
- Análise completa e detalhada (são possíveis intervalos) de todos os aspectos do jogo
- Foco nos timing tells (Herói e Vilão)
- Identificação de inseguranças relacionadas com os tamanhos de apostas e selecção de linhas (observação do cursor do rato)
- Análise de situações multi-table (com o mesmo adversário em várias mesas ao mesmo tempo, possivelmente enquanto envolvido numa mão com ele)
Apesar da grande parte das considerações neste artigo poderem ser aplicadas a todos os formatos de revisão, o foco principal vai estar centrado na revisão de mãos. Para esse tipo de revisão precisas de um certo número de ferramentas com as quais tens que te familiarizar, pois só assim serás capaz de as utilizar de forma estratégica nas tuas análises. Aqui está o que precisas:
- uma calculadora para os cálculos necessários nas tuas análises das mãos
- uma ferramenta de monitorização (p.ex. PokerStrategy.com Elephant, Hold'em Manager) para as estatísticas sobre o teu adversário e visualização das mãos (Hold'em Manager Hand Replayer)
- software equilator (p.ex. PokerStrategy.com Equilator, PokerStove)
- software de processamento de palavras (p.ex. Editor Notepad, OpenOffice) para documentar as tuas análises, bem como as suposições sobre os leques de mãos e hipóteses de trabalho
- para revisão em vídeo: uma ferramenta de gravação (p.ex. Camtasia Studio, Fraps)
Metodologia – Como abordar uma revisão e o que é que precisas de saber?
A coisa mais importante que precisas para uma revisão (para além das ferramentas já mencionadas acima) é um objectivo. Mas onde é que podes encontrar esse objectivo? Como é que sabes o que precisas de fazer durante o processo de revisão? A secção que se segue vai fornecer uma resposta a esta questão.
Tal como já foi explicado acima, normalmente tens a opção de analisar uma mão por completo. Quando fazes isso, tentas descobrir e, se possível, avaliar aspectos específicos (linhas, tamanhos de apostas, etc.) da mão a partir da tua própria perspectiva, tendo em consideração todas as informações que tens disponíveis. Uma vez que é coberto tudo relacionado com este tópico, esta "revisão aberta" oferece-te o máximo de efeitos de aprendizagem, uma vez que podem surgir na discussão muitos aspectos diferentes. Existem pedaços de informação importantes sobre o(s) adversário(s) numa dada mão que tens que ter em conta:
- tipo de jogador/ imagem do adversário
- o seu leque de mão pré-flop
- o seu nível geral de agressividade pós-flop (como é que ele joga draws? como é que ele joga bottom ou top pairs em boards carregadas de draws? Ele é capaz de fazer bluff e se sim, qual é o seu tamanho de aposta?)
- leituras específicas (estimativas sobre tendências de jogadas: quantas vezes é que costuma fazer float ou check-raise?) que são relevantes para a situação
- a estrutura da board
- tamanho das stacks
- a tua própria imagem
- aspectos relacionados com o histórico de mãos
O poker é um jogo complexo e cada mão incorpora condições únicas. Contudo, sendo tu um bom jogador, tens que ser capaz de reconhecer elementos estruturais em cada mão e relacioná-los ao máximo com estas condições específicas. Por isso, é importante estabelecer um reportório de elementos estruturantes, os quais são os pilares da tua compreensão do jogo. Esta estrutura do teu sistema de jogo vai ser constantemente refinada e o teu entendimento sobre outros sistemas de jogo também vai melhorando com o tempo, o que faz com que a forma como tu próprio as aplicas em mãos individuais se torne cada vez melhor e melhor ajustada. É por isso que o treino é essencial, especialmente o treino afastado das mesas de poker, uma vez que tu aqui serás capaz de prestar mais atenção aos comportamentos dos teus adversários e às explicações das falhas.
Para uma revisão aberta, recomendámos que encontres um parceiro de revisão para discutir as tuas suposições. O teu parceiro de discussão normalmente contribui com novas ideias sobre uma dada mão, o que contribuirá para o teu próprio progresso estrutural. O que é aqui importante é que estejas aberto a outras opiniões sobre este tópico e que não insistas na tua própria compreensão da mão, uma vez que estarás a desperdiçar oportunidades de aprendizagem valiosas. O poker tem um número de aspectos interessantes: um constante "e se..." deve dominar as tuas sessões de treino. O que é particularmente importante é o seguinte: Nesta situação, tens tempo mais do que suficiente para fazer uma análise completa e detalhada, por forma a que quando chegares à mesa, tenhas uma vantagem no que diz respeito à tua própria preparação (p.ex. uma vantagem em tempo e habilidade).
O teu objectivo na chamada revisão aberta não está determinado desde o início. Vai evoluindo a partir das circunstâncias específicas de determinada mão. O foco aqui está na melhoria absoluta da tua compreensão dos aspectos básicos do poker, p.ex. a tua própria força de jogo geral. Esta pode incluir correlações matemáticas (Que equity tenho contra o leque de mãos x ou y? Quantas vezes o Vilão tem top pair?), ou questões complexas, tais como a dinâmica geral (frequência de float ou check-raise) ou tendências de jogo (com que mãos ele faz call e com que mãos faz raise? Tamanhos de apostas?).
Uma revisão que aborde um tópico "fechado" é essencialmente diferente. Este tipo de revisão examina um tópico específico e todas as mãos (o ideal é que tenham sido escolhidas para isto antecipadamente) são analisadas em relação a esse tópico. Durante este processo, determinados argumentos padrão (comparar o termo: "elementos estruturais") são continuadamente trocados e, em seguida, relacionados uns com os outros. A vantagem é que quando te encontrares perante uma situação similar numa mesa vais poder avaliar os argumentos mais rapidamente, uma vez que já os conheces e isso normalmente permitirá que tomes decisões mais acertadas. Os tópicos mais populares neste tipo de revisão são "batalha das blinds", "PFA em boards com um par", "pares de mão em boards carregadas de draws com uma/duas overcards", "não agressor pré-flop contra LAGs e maníacos em posição", "potes 3-bet fora de posição" e muitos mais. Aqui não existem limites para a tua imaginação. Tecnicamente deves escolher tópicos que sejam relevantes em muitas situações que possas encontrar nas mesas, para que possas lucrar com isso o máximo possível.
A terceira variante de revisão é provavelmente aquela que deves utilizar mais quando estás a dar os primeiros passos. É uma revisão orientada para questões específicas. A preparação para ela é fácil: Destacas uma mão na tua ferramenta de monitorização em que tenhas tido dúvidas, onde estejas interessado num aspecto em particular ou que simplesmente gostarias de analisar mais uma vez. Depois escreves a questão que pretendes ver esclarecida sobre essa mão e dás início à revisão.
Uma vez que esta é a forma principal de treino específico, vais aprender na secção seguinte como é que deves documentar as tuas análises e respectivos resultados, isto é, como é que podes assegurar o teu progresso de aprendizagem para que fique gravado na tua memória e como é que o podes aplicar em situações futuras ao formular o teu progresso de uma forma precisa. Antes disso, é essencial que estejas familiarizado com determinadas bases matemáticas que são importantes para a revisão. Só assim é que conseguirás obter resultados correctos. Acima de tudo, vais aprender um método que te permitirá estimar matematicamente o leque de mãos do adversário. Com isso, serás capaz de fazer estimativas o mais precisas possível sobre o leque de mãos do teu adversário e da sua força, o que te ajudará muito com o teu processo de tomada de decisões.
Para a maioria das questões que tu queres saber especificamente sobre uma mão, existe uma resposta matemática. Discutir suposições em poker é algo que raramente levará a conclusões seguras. O que é decisivo para assegurar a fiabilidade máxima são as experiências que tiveste num determinado limite, idealmente com o adversário específico na mão.
Contudo, assim que tenhas feito uma suposição (hipótese de trabalho), podes trabalhar com ela e avaliar matematicamente o resultado. Para tal, precisas de estar familiarizado com algumas noções básicas de matemática. Aprende e melhora esse conhecimento básico através do estudo da seguinte série de artigos, a qual ilustra tudo o que precisas de saber:
Conceitos Matemáticos para No-Limit Hold'em (1)
Especialmente o cálculo e comparação dos valores esperados (EVs) de diferentes acções são factores importantes na revisão de uma mão, uma vez que a revisão é a única oportunidade que tens para fazer isto de forma completa e precisa. Não tens muito tempo para tal quando estás na mesa. À medida que vais ganhando experiência (treino), vais ficando cada vez mais preciso. É por isso que deves passar bastante tempo a aprender os conceitos mais relevantes, especialmente quando estás a dar os primeiros passos no poker.
O que vamos fazer a seguir é tentar determinar leques de mãos, isto é, dividi-los em componentes para que possas ter uma melhor e mais precisa compreensão deste tópico, que te ajudará em situações reais de jogo pós-flop. O fundamento matemático relevante é o princípio básico da análise combinatória das cartas em Hold'em: O jogo tem 52 cartas que podem formar um total de 1.326 combinações de mãos diferentes (abreviação. HC) (Mnemônico: "O leque de mãos completo acerta-te numa sexta-feira 13 (13), e fá-lo duas vezes (26)" = 13+26 = 1326.). Por exemplo, se combinares qualquer Ás com todos os outros Ases, sem permitir que qualquer combinação ocorra duas vezes, obténs precisamente 6 combinações de mãos. No que diz respeito a mãos do mesmo naipe, há exactamente 4 combinações possíveis para cada categoria de mãos (p.ex. AKs), enquanto que para as mãos de naipes diferentes existem 12 combinações de mãos. Uma visão geral de tudo isto é algo deste género:
- 100% = 1.326 HC
- destas, 5,88% = 78 HC (6 * 13 HC) são pares de mão.
- destas, 23,53% = 312 HC (4 * 78 HC) são mãos do mesmo naipe.
- destas, 70,59% = 936 HC (12 * 78 HC) são mãos de naipes diferentes.
Isto significa que só uma mão a cada vinte é um par, só uma mão a cada quatro é do mesmo naipe e perto de 70% das mãos são de naipes diferentes. Existem três vezes mais mãos de naipes diferentes do que mãos do mesmo naipe, e por cada catorze mãos de naipes diferentes há um par. Isto é muito importante para compreender como é que os leques de mãos dos teus adversários são constituídos. Normalmente, a ferramenta de monitorização exibe uma estatística específica (p.ex. VPIP, PFR, 3-bet, ATS). Assim sendo, enquanto jogador de poker, tens de ser capaz de atribuir a estes valores leques de mãos específicos com as mãos específicas (isto é, combinações de mãos) que contiverem. Alguns jogadores preferem mãos com Ax, enquanto que outros preferem suited connectors (SC). Aqui é importante lembrares-te que mãos com Ax são três vezes mais frequentes do que SC.
Para determinar metodicamente (ou dividir: "divisão de leques de mãos") os leques de mãos, tens que seguir estes passos:
- 1. Realças, a partir do topo, todos os pares de mão que pensas que possam estar no leque de mãos do Vilão ("que outros pares de mãos estão incluídos?", no exemplo seriam todos: 78 HC - 22+)
- 2. Realças todas as mãos do mesmo naipe que pensas que possam estar no leque de mãos do Vilão e vais avançando uma high card após a outra, começando com o Ás e indo desde o kicker mais fraco até ao mais forte de cada mão (no exemplo: 174 HC - 22+, A2s+, KTs+, QTs+, J9s+, T8s+, 98s, 87s, 76s).

- 3. Realças todas as mãos de naipes diferentes que pensas que possam estar no leque de mãos do Vilão e vais novamente avançando uma high card após a outra e um kicker após o outro (no exemplo: 306 HC - 22+, A2s+, KTs+, QTs+, J9s+, T8s+, 98s, 87s, 76s, A9o+, KTo+, QJo, JTo, T9o).

Vamos fornecer exemplos estereotipados de leques de mãos SH pré-flop para três tipos de jogadores comuns (Nit, LAG, TAG). Compara as relações entre as categorias de mãos dentro dos leques de mãos. Isso permitirá tirar conclusões importantes e relevantes para o teu jogo pós-flop:
- Que percentagem do leque de mãos são pares de mão?
- Que percentagem do leque de mãos são mãos com Ax?
- Que percentagem do leque de mãos são exclusivamente cartas broadway?
- Que percentagem do leque de mãos são exclusivamente suited connectors?
- Que percentagem do leque de mãos são exclusivamente offsuit connectors?
| Leque de mãos de um Nit | |
| Leque completo |
6,18% 82HC (TT+, AJs+, KQs, AQo+, KQo) |
| Pares de mão | TT+: 30HC |
| A-high | AJs+, AQo+: 36HC (12HC + 24HC) |
| K-high | KQs, KQo: 16HC (4HC + 12HC) |
| Categorias | |
| Pares de mão | 37% (30HC/82HC) |
| Ax | 44% (36HC/82HC) |
| Broadways | 100% (82HC/82HC) |
| Só SCs | 0% |
| Offsuit connectors | 0% |
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|
| Leque de mãos de um LAG | |
| Leque completo |
28,81% 382HC (22+, A2s+, K9s+, Q9s+, J9s+, T8s+, 97s+, 86s+, 75s+, 65s, 54s, A7o+, K9o+, QTo+, JTo, T9o) |
| Pares de mão | 22+: 78HC |
| A-high | A2s+, A7o+: 132HC (48HC + 84HC) |
| K-high | K9s+, K9o+: 64HC (16HC + 48HC) |
| Q-high | Q9s+, QTo+: 36HC (12HC + 24HC) |
| J-high | J9s+, JTo+: 20HC (8HC + 12HC) |
| T-high | T8s+, T9o+: 20HC (8HC + 12HC) |
| 9-high | 97s+: 8HC |
| 8-high | 86s+: 8HC |
| 7-high | 75s+: 8HC |
| 6-high | 65s: 4HC |
| 5-high | 54s: 4HC |
| Categorias | |
| Pares de mão | 20% (78HC/382HC) |
| Ax | 35% (132HC/382HC) |
| Broadways | 50% (190HC/382HC) |
| Só SCs | 14% (52HC/382HC) |
| Offsuit connectors | 6% (24HC/382HC) |
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|
| Leque de mãos de um TAG | |
| Leque completo |
16,89% 224HC (55+, A7s+, KTs+, QTs+, JTs, T9s, 98s, 87s, 76s, ATo+, KJo+, QJo, JTo) |
| Pares de mão | 55+: 60HC |
| A-high | A7s+, ATo+: 76HC (28HC + 48HC) |
| K-high | KTs+, KJo+: 36HC (12HC + 24HC) |
| Q-high | QTs+, QJo+: 20HC (8HC + 12HC) |
| J-high | JTs, JTo: 16HC (4HC + 12HC) |
| T-high | T9s: 4HC |
| 9-high | 98s: 4HC |
| 8-high | 87s: 4HC |
| 7-high | 76s: 4HC |
| Categorias | |
| Pares de mão | 26,7% (60HC/224HC) |
| Ax | 33,9% (76HC/224HC) |
| Broadways | 74,1% (166HC/224HC) |
| Só SCs | 7,1% (16HC/224HC) |
| Offsuit connectors | 0% |
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|
Neste exemplo ficaste a saber como determinados leques de mãos são constituídos. Cada jogador tem leques de mãos modificados que dependem da situação em si. Para a tua análise, tens que tentar fazer estimativas sobre essas modificações e que sejam o mais precisas possíveis. As tuas estatísticas de monitorização (posição específica do PFR / estatística 3-bet, etc.) juntamente com a imagem geral que tens do teu adversário, deve ser suficiente para fazeres aproximações. Se tiveres uma leitura precisa sobre ele, isso é ainda melhor. O que é importante nesta forma matemática de divisão dos leques de mãos (comparar leitura de mãos) é que devido a alguns princípios metodológicos, é impossível que uma mão que não esteja no leque de mãos do Vilão pré-flop esteja no leque de mãos do Vilão pós-flop. Como tal, a regra é a seguinte:
"No decorrer de uma mão, o leque de mãos do Vilão vai ficando cada vez mais pequeno com cada acção, mas nunca maior!"
Para analisar ainda mais a situação matematicamente, podes ver como é que o leque de mãos do Vilão acertou na board (a denominada análise "caso acerte") para determinar a sua força relativa. Num vácuo (sem uma mão tua) é recomendada a utilização de um top pair com um bom kicker como ponto de referência. Se tiveres uma mão específica, é claro que utilizas essa mão como o teu ponto de referência. As questões que deves colocar a ti próprio no que diz respeito à força de um leque de mãos são as seguintes:
- Que percentagem do leque de mãos é melhor do que um top pair? (Parte do nuts)
- Que percentagem do leque de mãos é um par? (Parte dos pares)
- Que percentagem do leque de mãos tem quatro ou mais outs em relação a um top pair? (Equity restante)
- Que percentagem do leque de mãos é dominada pelo resto? (Parte do lixo)
Dependendo da estrutura da board e da situação, pode ser sensato (especialmente no que diz respeito a fazer estimativas sobre apostas por valor) perguntar na tua análise mais questões específicas:
- Que percentagem do leque de mãos tem um flush draw?
- Que percentagem do leque de mãos tem um straight draw (OESDs, gut shots)?
- Que percentagem do leque de mãos consiste cada top, middle e bottom pairs?
Com estas questões, os números matemáticos vão ajudar-te rapidamente a desenvolver um feeling para descobrir que leques de mãos acertam em que boards, a frequência com que alguém pode continuar a jogar com eles e a frequência com que ele pode jogar para stacks inteiras. Isto é extremamente importante no que diz respeito à leitura de mãos. Lembra-te que tipo de leque de mãos tem o teu adversário e especifica-o durante o decorrer da mão com base nas suas acções, utilizando depois isso para justificar as tuas decisões na mesa.
Normalmente é importante ter especificações importantes (I) sobre a mão no início da documentação, o melhor seria até uma vista geral de todo o desenvolvimento da mão (link para a mão no PokerStrategy.com hand converter ou opcionalmente um screenshot do hand replayer com HUD stats); deves ter pelo menos toda a informação importante para a análise. Esta é normalmente a seguinte: a tua própria mão, detalhes da situação na mesa (a tua posição, a posição do Vilão, tamanho das stacks), estatísticas do HUD e notas sobre a tendência de jogo do Vilão.
Além disso, antes de iniciares a tua análise deves ter um objectivo ou pelo menos uma questão específica para a revisão - isto é definido como o assunto da análise (II). Assim que tenhas isso, podes iniciar a análise em si.
Durante o processo de análise (III), é importante que escrevas todas as suposições que fazes e, se possível, expressá-las também em termos matemáticos, como por exemplo ao escrever as tuas suposições sobre os leques de mãos (incluindo as percentagens dos leques de mãos ou combinações de mãos contidas nos leques de mãos). Lembra-te que qualquer acção do teu adversário é uma fonte de informação. Não deves tentar apenas descobrir com que leque de mãos ele apostará, mas também se podes remover algumas mãos do seu leque se ele fizer check, utilizando os princípios de leitura de mãos. Igualmente importante, no que diz respeito ao tamanho das apostas, são as suposições que fazes para te ajudar a diminuir ainda mais o leque de mãos do Vilão (na forma de: "com as mãos xyz, o Vilão faria apostas maiores ou menores, por isso é que as posso remover do seu leque de mãos").
Como tal, precisas de utilizar todos os pedaços de informação disponíveis para reduzir ao máximo o leque de mãos do teu adversário. Com base nessas suposições, tu depois podes legitimar, examinar e possivelmente descartar as tuas decisões de jogo. Aponta sempre os resultados preliminares como "demonstrações", as quais podes utilizar mais tarde na tua análise de conclusão. No desenrolar de uma mão, vais encontrar constantemente mais suposições de análise que, ou te ajudam a diminuir o leque de mãos do Vilão, ou contêm informação sobre equity (EQ) e fold equity (FE). Quando chega a altura de apontar estes componentes de análise, deves manter-te consistente. Por exemplo, para a equity ou fold equity necessária, podes utilizar *EQ e *FE (*= necessária). Juntamente com cada suposição deves anotar uma descrição (possivelmente na forma de um texto abreviado) e a razão pela qual fizeste essa suposição.
Por exemplo, fazes o seguinte para os leques de mãos em particular nas streets: "leque de mãos PFR: xyz", "leque de mãos para call no flop: xyz", "leque de mãos para check-raise no turn"; se quiseres, podes abreviar as streets:
- PF (pré-flop), F (flop), T (turn) e R (river).
- Além disso, também deves ser consistente no que diz respeito a escrever as acções dos jogadores: "bet" (b), "call" (c), "raise" (r), "fold" (f), "check behind" (cb), "check/fold" (c/f) "check-raise" (c/r), "check/call" (c/c), "cold call (cc)",
- ou para várias abreviaturas de análise importantes: "all-in" (AI, push), "small/big blind" (sb/bb), as posições (UTG, MP, CO, BU, SB, BB).
É claro que não tens que utilizar estas abreviaturas. Mas, o que é importante é que tenhas uma imagem geral clara e que saibas sempre o que significam as abreviaturas. O ideal seria que qualquer pessoa de fora compreende-se imediatamente o significado das abreviaturas. É por isso que o melhor seria utilizar estas abreviaturas já estabelecidas.
No final da tua documentação, chegas a uma conclusão (IV) sobre a mão com base nas suposições que fizeste e nas análises matemáticas. Esta conclusão refere-se à questão inicial da análise. Quanto mais complexa for a suposição sobre a mão, mais complexa será a conclusão, como por exemplo na forma de: "Se o Vilão xyz, então xyz. Contudo, se o Vilão yxz, então yxz, etc.". Isso significa que formulas resultados para as várias suposições. Se as suposições não forem claras, deves escrever aqui como é que elas influenciam a decisão na mão e o quão grande é a potencial influência (IV-A) no EV desta decisão.
Pode acontecer que após teres escrito a conclusão da tua análise, te apercebas que estás interessado numa suposição alternativa e que queres calcular a influência que essa suposição tem. Em vez de iniciares uma nova análise por completo, adicionas simplesmente a suposição B à tua análise e começas os cálculos desde início. Este ramo da análise pode ser adicionado à tua conclusão como parte B.
Outra característica geral da conclusão da análise é que fixa coisas importantes que aprendeste (IV-B) durante a revisão. Apontas aqui todas as coisas novas que reparaste durante a análise (destacando a compreensão do teu jogo). Há um número infinito de detalhes que podem ser incluídos aqui. Por exemplo, o facto de um determinado leque de mãos conter mãos com Ax mais vezes do que aquelas que tu tinhas anteriormente suposto; por isso, este leque de mãos acerta em determinadas boards menos frequentemente. Além disso, podes agora ver aqui como é que isto influencia os seus leques de mãos pós-flop, etc.
Não subestimes a documentação das coisas que aprendeste. É muito fácil esqueceres-te de informação que reparaste durante a análise; pode não ser essencial para a decisão numa determinada mão, mas extremamente importante para o teu desenvolvimento enquanto jogador de poker. É por isso que é tão importante gastar um pouco do teu tempo a apontar tudo o que seja novo para ti e que possa afectar as tuas decisões futuras no jogo.
Revisão de mão - Exemplos
Na secção 4, vamos agora dar-te dois exemplos de tal documentação, onde poderás ver qual é o aspecto de uma análise geral. Há um número infinito de exemplos de análise, mas como é lógico não os podemos discutir todos. Em vez disso, vamos olhar para dois exemplos relativamente orientados para a matemática, em que o segundo deles trabalha com suposições um pouco mais complexas para ilustrar os vários ramos de análise.
Texas Hold'em No Limit, Big Blind $0.50 (NL50)
Hero (CO) $54.83
Villain (BB) $9.25 VPIP 18, PFR 18, ATS 30, 3-bet 12.8, AF inf, Hands 2.4k, no notes
Preflop: Hero is CO with AJo
Hero raises to $1.50, 2 folds, BB raises to $9.25
As questões relevantes para esta mão são:
- 1. O call com AJo contra o all-in do short stack é correcto?
- 2. Já podes fazer call aqui com ATo?
- 3. Qual é o par mais pequeno com o qual podes fazer aqui call?
1. Determinar o leque de mãos do Vilão para push pré-flop:
- Uma vez que ele faz 3-bet contra um raise do CO, ele fará uma 3-bet ligeiramente mais tight do que aquela que faria contra um raise do botão, mas consideravelmente mais loose do que contra um raise de UTG ou MP. Estima-se que o seu leque de mãos seja de "12,22% - 162 HC" (22+, ATs+, KJs+, ATo+, KQo).
2. Determinar a equity necessária para o call planeado:
- Pote = "Raise de abertura" 3bb + "SB" 0,5bb + "Push" 18,5bb = 22bb
- Quantia para fazer call = "Push" 18,5bb - "Raise de abertura" 3bb = 15,5bb; Pote final: "Pote" 22bb + "quantia para fazer call" 15,5bb - "Rake" 1,8bb = 35,7bb
- Equity necessária (*EQ) = 15,5bb / 35,7bb = 0,4342
Precisas de uma equity de 43,42% para o call.
3. Determinar a equity de AJo contra o leque de mãos para push do Vilão:
- EQ(AJo, [22+, ATs+, KJs+, ATo+, KQo]) = 44,14%
AJo tem equity suficiente para o call, uma vez que 44,14% > 43,42%
4. Determinar a equity de ATo contra o leque de mãos para push do Vilão:
- EQ(ATo, [22+, ATs+, KJs+, ATo+, KQo]) = 39,53%
ATo não tem equity suficiente para o call, uma vez que 39,53% < 43,42%)
5. Determinar o par mais baixo com o qual podes fazer aqui call:
- EQ(55, [22+, ATs+, KJs+, ATo+, KQo]) = 44,64%
55 ainda pode dar call, uma vez que 44,64% > 43,42% - EQ(33, [22+, ATs+, KJs+, ATo+, KQo]) = 38,96%
33 não pode dar call, uma vez que 38,96% < 43,42% - EQ(44, [22+, ATs+, KJs+, ATo+, KQo]) = 41,80%
44 não pode dar call, uma vez que 41,80% < 44,42%
Demonstração: O par mais baixo com o qual podes fazer aqui call é 55.
Assumindo que o Vilão faz push com o seguinte leque de mãos: (22+, ATs+, KJs+, ATo+, KQo)...
- 1. ...o call com AJo é correcto.
- 2. ...o call com ATo não é correcto.
- 3. ...o par mais baixo com o qual podes fazer call é 55.
Texas Hold'em No Limit 9-max, Big blind $0.50 (NL50)
MP2: VPIP 54, PFR 14, ATS 17, AF 3.7, fewer than 150 hands;
Note: has caught your attention with two A-high bluffs
Preflop: Hero is SB with ![]()
, Villain is MP2 with ![]()
![]()
MP2 calls, 2 folds, BU calls, Hero calls, BB checks
Flop: ($2) ![]()
![]()
(4 players)
Hero checks, BB checks, MP2 bets $1,50, BU calls, Hero calls, BB folds
Turn: ($6,50)
(3 players)
Hero checks, MP2 bets $5,50, BU folds, Hero raises $26,50 (All-In), MP2 calls
River: ($59,50)
(2 players)
MP2 wins
As questões nesta mão são as seguintes:
- 1. O semi-bluff check/raise all-in no turn é rentável?
- 2. Se sim, será o semi-bluff também rentável se o Herói e o Vilão tiverem na sua stack mais 5bb?
1. Determinar o leque de mãos pré-flop do Vilão para limp de abertura:
- Até agora, o Vilão aparenta ser um donkey que gosta de ver flops e que é capaz de fazer bluffs no pós-flop.
- Contudo, uma vez que o Vilão é capaz de fazer raises de abertura com uma determinada parte do seu leque de mãos, assumes que podes remover algumas partes do topo do leque.
- Uma vez que é provável que ele jogue partes alargadas do seu leque de mãos, mas não o leque máximo de MP, algumas partes do final do seu leque também vão ser excluídas.
- É por isso que assumes que o seu leque de mãos seja o seguinte: "36,95% - 490HC" (TT-22, AJs-A2s, K2s+, Q8s+, J8s+, T7s+, 97s+, 86s+, 76s, 65s, AJo-A2o, K7o+, Q9o+, J9o+, T8o+, 98o).
2. Determinar o leque de mãos do Vilão para aposta no flop:
- Uma vez que ele já demonstrou ser capaz de fazer bluffs, ele provavelmente não só fará muitos bluffs, mas como também apostará com muitas mãos marginais.
- Como tal, em comparação ao leque de mãos pré-flop, apenas podes limitar o seu leque de mãos para aposta com aquelas mãos que não acertaram mesmo em nada, isto é, todas as cartas médias que não acertaram e que não têm nenhum flush draw.
- Não podes ter a certeza se ele aposta ou não com qualquer par. Contudo, por razões metódicas, é sensato excluir apenas mãos do leque que sejam plausíveis. Neste caso, o Vilão é muito agressivo para os gostos de um donkey. É por isso que não seria sensato excluir pares.
- Além disso, assumes que ele apostará com a maioria das suas mãos com cartas altas (A-high e K-high), bem como mãos que tenham um OESD ou um gutshot.
- Por tudo isto, o leque de mãos do Vilão para aposta no flop é o seguinte: "29,79% - 395HC" (TT-22, AJs-ATs, As9s, As8s, As7s, A6s-A2s, K9s+, K4s-K3s, Q8s+, JsTs, Js9s, Js8s, Ts9s, Ts8s, Ts7s, 9s8s, 9s7s, 8s7s, 8s6s, 76s, 65s, AJo-A2o, K9o+, Q9o+, Jto).
3. Determinar o leque de mãos do Vilão para aposta no turn:
- Depois do turn não completar o flush draw, assumes que o Vilão continuará a apostar com grandes partes do seu leque de mãos.
- Assumes que o Herói no turn faz fold da maioria dos flush draws, bem como de muitos pares fracos.
- Também é provável que o Vilão aposte novamente por valor/protecção contra muitos draws e mãos feitas fracas.
- É possível que as únicas mãos com as quais o Vilão não apostará são aquelas que apenas têm um valor de showdown marginal e opta pela carta gratuita com os seus draws.
- Dos seus draws, ele apostará apenas os seus fortes flush draws e combinações de mãos do tipo 65s, as quais têm um par e um flush draw ou OESD.
- O seu leque de mãos estimado é o seguinte: "17,19% - 228HC" (TT-33, AJs-ATs, As9s, As8s, As7s, A6s-A2s, KQs, Q8s+, JsTs, Js9s, Js8s, Ts9s, Ts8s, Ts7s, 9s8s, 9s7s, 8s7s, 8s6s, 76s, 65s, A6o-A5o, KQo, Q9o+).
4. Elabora a fórmula EV para o check-raise push "EV=Pote*Pfold + (1-Pfold) * (Equity*Win – (1-Equity)*Loss)":
- "Win" representa o pote depois da aposta do Vilão mais a quantia que ele ainda tem que fazer call quando o Herói fez push, isto é, WIN = $12 + $21 = $33
- "Loss" representa a quantia que o Herói investe com o seu check-raise e que não recuperaria se perdesse, isto é, = $26,5
- EV(push) = Pfold * $11,5 + (1-Pfold) * (EQ*$33 - (1-EQ)* $26,5)
5. Determinar o leque de mãos do Vilão para call contra o push para que ficar a saber "Pfold" e "EQ":
- Uma vez que é provável que o Vilão vá até ao showdown muito loose, ele ainda fará call a algumas mãos. Para além dos sets, estas são particularmente top pairs e muitos pares com um draw.
- É provável que ele apenas faça call com flush draws se também tiver um par ou aleatoriamente, razão pela qual tens que descontar alguns deles.
- Como tal, o leque de mãos estimado com o qual ele faz call ao all-in do Herói é o seguinte: "11,76% - 156 HC" (TT-33, As9s, As8s, As7s, A6s-A5s, KQs, Q8s+, JsTs, 9s7s, 8s7s, 8s6s, 65s, KQo, Q9o+).
- Calcular a fold equity: Pfold = (228HC - 156 HC) / 228 HC = 0,3158
O Herói tem 31,58% de fold equity - Calcular a equity com Ks5s contra o leque de mãos do Vilão para call contra o push: EQ = 0,3866
Se o Vilão fizer call, o Herói tem 38,66% de equity
6. Cálculo do EV: EV(push) = Pfold * $12 + (1-Pfold) * (EQ*$33 – (1-EQ)*$26,5)
- Insere os valores de Pfold e EQEV(push) = 0,3158 * $12 + (1-0,3158) * (0,3866*$33 – (1-0,3866)*$26,5)
- Resumo:
EV(push) = $3,7896 + 0,6842 * ($12,7578 – 0,5394*$26,5)
EV(push) = $3,7896 + 0,6842 * ($12,7578 - $14,2941)
EV(push) = $3,7896 + 0,6842 * (-1,5363)
EV(push) = $3,7896 - $1,0511
EV(push) = $2,74
O check-raise tem um valor esperado positivo de cerca de $2,74
7. Cálculo do EV se o Vilão tiver na stack mais 5bb (assumindo que os leques de mãos continuam a ser os mesmos):
- Curso da mão modificado:
Turn: ($6.50)



(3 players)
Hero checks, MP2 bets $5,50, BU folds, Hero raises $29 (All-In), MP2 callsRiver: ($64,50)




(2 Players)
MP2 wins pot $64.5 - Calculo do WIN e LOSS modificado:
Win = $12 + $23,5 = 35,5
Loss = $29 - Elaborando a fórmula de EV modificada: EV(push) = Pfold * $12 + (1-Pfold) * (EQ*$35,5 – (1-EQ)*$29)
- Insere os valores de Pfold e EQ: EV(push) = 0,3158 * $12 + (1-0,3158) * (0,3866*$35,5 – (1-0,3866)*$29)
- Resumo:
EV(push) = $3,7896 + 0,6842 * (13,7243 – 0,6134*$29)
EV(push) = $3,7896 + 0,6842 * (13,7243 - 17,7866)
EV(push) = $3,7896 + 0,6842 * (-$4,0623)
EV(push) = $3,7896 + (-$2,7794)
EV(push) = $1,0102 (
Apesar de a stack efectiva ter mais 5bb, a jogada tem um valor esperado positivo de $1,01)
Desde que as suposições sobre o leque de mãos do Vilão estejam correctas, o check-raise no turn é correcto e tem um valor esperado elevado. Até mesmo com um aumento de 5bb no tamanho das stacks efectivas as coisas não se alteraram muito, devido ao facto da equity contra o leque de mãos do Vilão para call no turn continuar a ser alta. Se os seus leques de mãos aí se tornarem muito mais tights, é provável que o valor esperado desça consideravelmente. Até que a mão seja jogada na realidade, apenas podes especular sobre as mãos do Vilão. Devido ao valor de equity elevado do K5s no turn, é provável que o EV nunca seja demasiado mau.
Conclusão
Neste artigo aprendeste sobre os diferentes tipos de revisão, que vantagens têm cada um deles e que ferramentas são necessárias para os utilizar. Na última secção com a análise através de exemplos de mãos, pudeste ver a melhor forma para abordar uma revisão de sessão. Uma vez que nem sempre tens tempo para documentar tudo em detalhe, faz sentido que faças apenas umas notas rápidas sobre os cálculos dos leques de mãos. Contudo, é importante saber como é que normalmente deves conduzir uma revisão sempre que tenhas alguma questão específica sobre uma determinada mão. Esta pode ser uma análise matemática ou uma discussão compreensiva de suposições.
O que é importante quando se estuda poker é que tenhas sempre tempo suficiente para conduzir uma revisão - quer seja por tua conta, com amigos, treinadores ou um grupo de outros jogadores de poker - ou que tenhas o teu jogo analisado pelo grande número de avaliadores de mãos na PokerStrategy.com. Utiliza estes recursos para melhorar o teu jogo no longo prazo. Durante ou depois das tuas sessões, realça as mãos sobre as quais queres ficar a saber um pouco mais, que precisem de clarificação ou discussão, e anota-as para uma revisão de sessão ou para as colocar em discussão no fórum. Podes utilizar a revisão para treinar, focando a atenção em determinadas questões teóricas relacionadas com o jogo e utilizando materiais específicos de mãos para ilustrações.
Independentemente do tipo de revisão que escolhas, é sempre importante trabalhar no teu jogo e implementar constantemente novas ideias e impulsos, isto é, interiorizar a estrutura dos processos de pensamento envolvidos no processo de tomada de decisões na mesa. Isto é como a água para os peixes. Lembra-te disso.
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