Floats (1) - Teoria I
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Floats (1) - Teoria I
por MiiWiin
Na coluna de hoje, vais aprender um pouco mais sobre floats. Eles são principalmente entendidos como "bluffs no turn", mas existem muitas excepções a isso. O movimento em si traz muitos benefícios se for utilizado contra os adversários correctos.
Estás prestes a descobrir a razão pela qual um float pode ser rentável e contra que tipo de adversários é que o deves utilizar. Ao longo desta coluna vamos falar-te de seis aspectos importantes, mas no artigo de hoje vamos focar a nossa atenção nos três primeiros.
O que é um float?
Em primeiro lugar, vamos olhar para o que diz no glossário:
"O float é um movimento onde um agressor é pago de modo que um jogador retoma a iniciativa nas rodadas seguintes, desde que o agressor original permita isso. É um termo bastante amplo. Igualar a aposta no flop pode significar um bluff, esconder a força da mão ou para controlar o pote. O termo normalmente é usado no sentido de bluff."
A definição descreve muito bem o propósito de um float, porque hoje em dia já não é apenas considerado como um bluff puro. Como tal, a jogada "call flop/aposta turn" conta como um float, mesmo que o jogador tenha uma boa mão feita.
Para quê arriscar um float?
Um float envolve todas as considerações que um bom jogador deve ter sempre em mente:
- Jogar com um valor esperado positivo
- Tamanhos das apostas / Matemática
- Semi-bluffs / Jogo em draw
- Controlo de pote / Indução de bluff
- Balanceamento / Indução ao erro
- Extracção de valor
Podemos subdividir estes aspectos em duas secções. Os primeiros três lidam somente com o teu próprio jogo e analisam a situação de um ponto de vista isolado: Tens fold equity suficiente, o tamanho da tua aposta é correcto, como é que jogas o teu draw?
Os outros três aspectos lidam principalmente com o teu jogo em geral: Que visão têm os teus adversários dos teus floats e como é que tens que ajustar o teu jogo nas rondas seguintes se utilizares muito o float e fores descoberto (ou não fores descoberto)?
Como tal, o movimento já pode ser +EV se o teu adversário desistir muitas vezes no turn, mas se fizer continuation bets em muitos flops.
Raramente é uma boa ideia tentar um float puro, isto é, um call no flop sem qualquer tipo de outs, somente com a esperança de que o Vilão faça check no turn e tu consigas ganhar o pote imediatamente com uma aposta.
Na maioria dos casos, deves certificar-te de que tens outs, e é por isso que o teu jogo em draw geral também é importante. Como é que jogas as tuas overcards e/ou 8 e 9 outs? Apesar dos floats serem muitas vezes planeados com antecedência, ainda tens a opção de ver uma carta gratuita a qualquer altura.
Também é óbvio que estás a fazer controlo de pote se fizeres call no flop e com isso induzires bluff no turn de vez em quando. Não gostas muito disso quando tens um float puro, contudo é um factor importante em termos de balanceamento. Se fizeres muitos floats, quando tiveres uma mão forte os teus adversários não acreditarão em ti.
Neste contexto, a extracção de valor é um factor importante, apesar de não poderes ser capaz de o fazer até às últimas mãos. Como tal, não é assim tão mau se os teus floats de vez em quando forem confrontados com um call - tens apenas que certificar-te que nas próximas rondas consegues extrair valor. Os adversários vão dar-te muito menos crédito.
Vamos olhar para o primeiro ponto. Quando é que podes efectuar um float rentável?
Os adversários que são mais adequados para isto podem variar, mas é claro que um jogador passivo que gosta de fazer muitos calldowns não é a vítima perfeita. Os que melhor se adequam são os jogadores tight que fazem muitas continuation bets, mas que raramente disparam um segundo barril.
Tu aqui matas dois coelhos com uma cajadada: Por um lado estás a defender-te contra as suas frequentes continuation bets, contra as quais de outro modo terias que fazer muitas vezes fold. Por outro lado, vais muitas vezes criar tanta fold equity que o movimento em si já terá um valor esperado positivo.
Aqui as estatísticas importantes são:
- Estatísticas gerais sobre o Vilão (VPIP/AF/AF/WTS/…)
- Continuation bet no flop e turn
- Fold perante aposta no turn
- Check-raise no turn
As estatísticas gerais são bastante auto-explicativas. Não queres fazer muitos bluffs contra um jogador 80/10 com um valor de WTS superior a 50, uma vez que não serás muitas vezes capaz de criar fold equity suficiente.
As estatísticas de continuation bets no flop e no turn são factores decisivos - a estatística de continuation bet no flop vai ser muitas vezes superior a 70 e a estatística de segundo barril inferior a 40. Isto diz-te que os jogadores não pensam muito no seu jogo; eles fazem continuation bets em quase todos os flops, mas deixam de lutar pelo pote se encontrarem resistência no turn.
Eles estão muitas vezes dispostos a fazer check/fold directamente e a deixar o pote para ti. Outro aspecto importante aqui pode ser a sua agressividade, a qual é demasiado elevada no flop, mas diminui significativamente no turn.
As estatísticas de fold perante aposta no turn e check-raise no turn, ajudam-te a evitar cair numa armadilha do teu adversário. Talvez estejas a avaliar mal o teu adversário, ele não joga check/fold no turn, mas tira partido da tua agressividade para fazer check-raise. É claro que isto não faz parte do teu plano.
O que interessa é o seguinte: Não é suficiente para ti descobrir qual a frequência de checks do teu adversário no turn, pois também queres saber a frequência dos seus check/folds!
PartyPoker $25 NL Hold'em (6-handed)
Stacks & Stats
MP ($25)
CO ($25)
UTG ($25) (17 / 14 / 5.0 / 1.6 / 72 / 39 / 50 / 2)
(VPIP / PFR / Flop-AF / Turn-AF / Cbet Flop / Cbet Turn / Fold-to-Turnbet / checkraise Turn)
BB ($25)
SB ($25)
Hero ($25)
Preflop: Hero is BU with 4
, 5
UTG raises $1.00, 2 folds, Hero calls $1.00, 2 folds
Flop: ($2.25) 8
, 8
, J
(2 players)
UTG bets $1.50, Hero calls $1.50
Turn: ($5.25) K
(2 players)
UTG checks, Hero bets $3.00, UTG folds
Neste exemplo, tens pela frente um adversário relativamente passivo. Contudo, ele costuma apostar uma vez no flop para depois desistir rapidamente durante o desenrolar da mão.
Ele faz fold perante apostas no turn em 50% dos casos, mas raramente faz check-raise. Como tal, podes assumir realisticamente que tens uma fold equity de pelo menos 50% e isso é claramente suficiente para fazer aqui um raise rentável.
Factores decisivos para o sucesso de um bluff são os tamanhos das apostas e, como resultado disso, a probabilidade necessária.
Contudo, isto normalmente não desempenha um papel importante no que diz respeito ao float. O pote num pote com raise normal terá normalmente entre 16-24BB no turn, dependendo do tamanho da continuation bet do Vilão, sobre a qual não tens qualquer influência.
O tamanho da aposta para um float deve ser normalmente à volta de 2/3 do tamanho do pote, por isso precisas de cerca de 40% de fold equity. Este valor pode variar um pouco, uma vez que o Vilão no Exemplo 1, por exemplo, normalmente fará check/fold. Bastaria aqui uma pequena aposta. Isto raramente afectará a fold equity, mas é claro que a aposta não teria que funcionar tantas vezes.
Ainda estamos a analisar uma determinada situação de um ponto de vista isolado. No cenário que segue, não terás absolutamente nada, tal como no Exemplo 1, mas ainda tens alguns outs:
PartyPoker $25 NL Hold'em (6-handed)
Stacks & Stats
MP ($25)
CO ($25)
UTG ($25) (17 / 14 / 5.0 / 1.6 / 72 / 39 / 50 / 2)
(VPIP / PFR / Flop-AF / Turn-AF / Cbet Flop / Cbet Turn / Fold-to-Turnbet / checkraise Turn)
BB ($25)
SB ($25)
Hero ($25)
Preflop: Hero is BU with 6
, 5
UTG raises $1.00, 2 folds, Hero calls $1.00, 2 folds
Flop: ($2.25) 7
, 4
, J
(2 players)
UTG bets $1.50, Hero calls $1.50
Turn: ($5.25) K
(2 players)
UTG checks, Hero...
Até ao turn deves jogar como fizeste no Exemplo 1. Contudo, desta vez tens um bom draw. Para além do open-ended straight draw, também tens um backdoor flush draw no flop.
Como podes constatar aqui, já tens que começar a pensar num plano de float quando estás no flop. Tens também a opção de fazer (semi) bluff raise no flop. Se decidires fazer call, normalmente terás quatro opções no turn:
- Acertas, o Vilão aposta.
- Acertas, o Vilão não aposta.
- Não acertas, o Vilão aposta.
- Não acertas, o Vilão faz check.
Uma vez que normalmente podes esperar criar muita fold equity contra este jogador no turn, três destas opções no turn são do teu agrado. A única coisa que não faz realmente parte do teu plano seria levar com um segundo barril sem que tivesses melhorado.
Se acertares, podes jogar para valor puro. Se não acertares e o Vilão fizer check, podes fazer float ou ver a carta gratuita.
A decisão é clara contra este adversário: Apostar, mesmo sem outs, tem um valor esperado positivo (ver acima).
Como tal, o sucesso desta aposta não depende apenas da fold equity. Mesmo que sejas confrontado com um call, ainda tens alguma equity.
Deves jogar os teus draws agressivamente quando tens posição se achares que consegues gerar fold equity suficiente e que no turn surgirá uma carta boa (uma carta assustadora, como por exemplo uma overcard).
Boa equity não deve ser razão para não apostar. Porque é que haverias de queres uma carta gratuita se podes jogar com sucesso o teu semi-bluff?
Se, por exemplo, não podes esperar qualquer fold equity no turn contra adversários que gostam de fazer call, ou contra adversários que gostam de armadilhar ou fazer check-raise, a situação já é diferente.
Nota:
Calcular o sucesso geral de um float é relativamente complicado, uma vez que dificilmente serás capaz de estimar estes números enquanto estás a jogar. Podes saber por experiência própria a equity que tens contra um top pair, mas não esperas realmente que o Vilão faça check/fold de top pair nesta situação. Por isso, a tua equity geral contra o seu leque de mãos é difícil de calcular.
Contudo, se estás interessado neste tipo de jogos matemáticos, recomendamos o artigo do Sammy "O Floating" sobre este tópico.
Ele apoia a teoria com matemática. Vamos dar uma vista de olhos a dois exemplos rápidos:
-
1.) O EV de um float. A fórmula considera se o Vilão faz ou não check no turn.
-
EV = P(Turn check) * {P(Fold) * [Pot(Turn) - Call(Flop)] - [1 - P(Fold)] * [Bet(Turn) + Call(Flop)]} - [1 - P(Turn check)] * Call(Flop)
-
2.) O EV de um float. A fórmula considera que o Herói tem equity adicional.
-
EV = [1 - P(Draw hits)] * {P(Turn check) * {P(Fold) * [Pot(Turn) - Call(Flop)] - [1 - P(Fold)] * [Bet(Turn) + Call(Flop)]}- [1 - P(Turn check)] * Call(Flop)} + P(Draw hits) * {P(Turn check) * {P(Fold) * [Pot(Turn) - Call(Flop)] +[1 - P(Fold)] * [Pot(Turn) + Pot(Turn) * Implied Factor * 2/3 - Call(Flop)]}+ [1 - P(Turn check)] * [Pot(Turn) - Call(Flop) + Implied Factor * Pot(Turn)]}
Podes encontrar uma ilustração mais detalhada destes cálculos e considerações no artigo mencionado acima. Eles não serão mais analisados nesta coluna.
| » RESUMO |
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Nesta parte, olhamos para o float de um ponto de vista isolado. Quando e contra que adversários é que este movimento faz sentido, quantas vezes tem que funcionar e como é que implementas o teu jogo em draw em tudo isto? Não vamos analisar mais as bases matemáticas. Para mais informações relacionadas com isso, podes consultar o artigo do Sammy, o qual podes encontrar mais acima. O objectivo desta série está mais virado para a análise de considerações práticas sobre o tópico (mas é claro que a matemática não pode ser completamente excluída nesta abordagem). Na parte seguinte, vamos implementar o float no teu jogo. Por um lado, queres balancear o teu jogo geral no turn, mas por outro queres tentar ajustar o teu jogo por valor. |
