Artigo de opinião: O segredo para não levar com bad beats (2ª Parte)
Depois de passada uma semana, aqui temos o que toda a gente estava à espera - o final da aventura da busca pelo segredo das bad beats. Será que Shark Vader revelará o verdadeiro segredo? Conseguirá o mundo do poker lidar com toda a verdade? Leiam com atenção...
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NOTA: Podes ler aqui a primeira parte desta fantástica aventura...
Acordei no dia seguinte cheio de suores e arrepios, pois as palavras de Shark Vader continuavam a assombrar os meus pensamentos: "começava a desconfiar que nunca o irias conseguir descobrir". Que sonho tão real, pensei enquanto olhava para o relógio para ver as horas - 7:20h. 7:20? Como é que já podem ser 7:20 e o sol ainda não nasceu? Impossível, devia estar avariado como quase tudo em minha casa. Sentei-me na cama e depois de me espreguiçar, fui até à cozinha para comer alguma coisa. Decidi que o melhor a fazer era beber um café bem forte para esquecer este sonho da busca do segredo das bad beats, uma vez que Shark Vader não passava de um sonho - uma invenção do meu subconsciente para responder a todo o desespero que se começava a apoderar de mim devido ao downswing pelo qual estava a passar.
Peguei numa das várias taças que estavam amontoadas na minha cozinha e enchi-a de água. Quando a ia colocar no microondas reparei mais uma vez na hora - 7:20. Estranho, pensei, o céu ainda deve estar muito nublado. Coloquei a água a aquecer durante um minuto para fazer o café, mas quando ia tirar a taça reparei novamente no relõgio e a hora continuava a ser a mesma - 7:20. Com certeza que era de novo o meu subconsciente a pregar-me uma partida, recriando imagens para me transmitir uma certa tranquilidade, isto é, queria que eu acreditasse que existe realmente um segredo para as bad beats e que era o Shark Vader que estava a intervir.
Liguei a luz da sala e sentei-me no meu sofá de leitura. Decidi atribuir esse nome ao sofá, porque sempre que leio alguma coisa sento-me nele. Na altura em que o comprei ainda vivia com a minha namorada e a primeira coisa que ela me disse quando o viu foi: "parece uma sanita". "De facto, essa foi a razão pelo qual o comprei, pois gosto da sensação de sentir que estou na casa-de-banho quando quero ler aquelas revistas tontas sem significado, pois só na casa-de-banho é que temos "permissão" para ler esse tipo de revistas", respondi com um sorriso na cara;
Acomodei-me no sofá e peguei numa dessas revistas tontas para começar a ler, mas a primeira página que abro tem um artigo que me chama a atenção "Articulação do pensamento moderno dentro do contexto sociocultural das galinhas em Veneza" - what? quem é que se lembra destas coisas? Enquanto lia o artigo reparei num pequeno som que vinha do meu telefone. Levantei-me para inspeccionar e foi quando reparei que o atendedor de chamadas com o qual havia sonhado estava com a luz a piscar debaixo das minhas revistas. Aproximei-me e pressionei o botão para ouvir as mensagens: "Você tem setenta e duas mensagens não ouvidas. Para ouvir as novas mensagens pressione o botão 1...", disse uma voz robotizada - "Olá Jony, não sabia que tinhas comprado um atendedor de chamadas. Telefona-me assim que chegares, um beijo...", era a voz da Gabriela no atendedor.
Passei para a mensagem seguinte: "Olá, esqueci-me de te dizer que já esotu em casa. Gostei do tempo que passei contigo...", outra vez a Gabriela. Mensagem seguinte: "Olá, estás aí? Já deves ter chegado a casa..", a Gabriela de novo. "Joooonnyyyyy, sei que estás aí, porque é que não atendes? passa-se alguma coisa?" - adivinhem quem era!? Seguinte: "Estás chateado comigo? Telefona-me!". Nova mensagem: "Sniff. Não posso querer, não podes ser assim tão insensível, sniff, odeio-te!".
Gabriela na primeira, Gabriela na segunda, Gabriela na terceira. Começava a perceber agora porque é que o meu amigo a tinha deixado.
Setenta mensagens da Gabriela e todavia continuava com esperança que o Shark Vader ainda pudesse aparecer numa delas. Mensagem 71: "Vem ter comigo, pois o segredo para deixares de ter bad beats está à tua espera. Vou estar aqui apenas um mês por isso tens que ser rápido. Ah! É verdade! Quase que me esquecia, estou no --", fim de mensagem. Maldição! Contudo, ainda faltava uma mensagem, poderia ser a continuação ... "Jony, diz-me por favor que não estás com raiva de mim. Amo-te muito!", a Gabriela outra vez; não podia ser: outra Bad Beat.
Depois de beber mais um café, voltei à mensagem do Shark Vader para tentar encontrar um sentido em tudo isto. Depois de ouvir pela segunda vez a mensagem, atirei o atendedor ao chão, desiludido por não conseguir decifrar nada na mensagem. "Botão errado. Para ouvir novamente a mensagem pressione o 1, para apagar pressione o 2, para guardar pressione o 3, para obter mais informações pressione o 4 e para voltar a ouvir este ménu pressione o 9.." - Carreguei no botão 4 e a única informação que obtive foi um número de telefone: +72 727272. Corri rapidamente para o computador e procurei no google o indicativo 72 - "Rússia! o Shark Vader está na Rússia!", gritei de emoção, correndo como um louco por toda a casa. "Mas, se ele está na Rússia, tenho que ir até lá!!??". Passei rapidamente de um estado de completa euforia para um estado de profunda tristeza, pois não tinha meios financeiros suficientes para suportar uma viagem como essa. Pensei com alguma nostalgia nas palavras da minha amiga do bar "Quem o quer encontrar apenas tem que esperar, pois será ele a encontrar quem o procura ... acho que se intitula por Shark Vader". Senti um certo alívio e decidi ir dar uma volta para clarear as ideias.
Quando estava a abrir a porta de casa para sair, notei que alguém caminhava no passeio na minha direcção. Não liguei. Fechei a porta e comecei a minha caminhada, no entanto, aquela figura sombria continuou a caminhar na minha direcção e com uma voz atomorizante disse: "Deixa dormir os vizinhos, palhaço!" - É claro, era o meu vizinho, amável como sempre.
Fui então dar a minha voltinha para clarear as ideias e pensar no que é que havia de fazer para conseguir realizar a viagem na procura do Shark Vader. Quando dei a volta ao quarteirão, reparei que a porta de minha casa estava aberta: a minha casa. Sim, a minha casa estava aberta... a minha casa estava aberta ... A MINHA CASA ESTAVA ABERTA!! Fui roubado, de certeza. Calma João, pensa - chegaste ou não a fazer o seguro da casa? Não, não o fiz, perdi tudo: as minhas revistas, o meu sofá de leitura, o computador e com ele a minha base de dados com as quarenta e sete mãos em NL5.
"Nãããooo!", gritei, "não pode ser, filhos da ...... ----[censurado pela lei da protecção aos menores]-- ta!". Dei um pontapé na porta e deixei o meu pé marcado. Reparei então num papel que lá estava colado "AVISO DE DESPEJO". Foi então que me lembrei de todas as contas em atraso que não tinha pago. Isto não me pode estar a acontecer - Outra Bad Beat.
Triste, desolado e sem ilusões, deixei a minha casa para trás e fui directo ao casino caseiro "Aquário", apelidado assim pelo nível incrível dos jogadores que o frequentam, isto é, cheio de peixinhos. Coloquei os meus cinco dólares em cima da mesa e troquei por fichas, só tendo depois reparado que me tinhe sentado numa mesa de NL500. O azar continuava. Logo de entrada já estava all-in, o dealer dá as cartas e seis jogadores estão na corrida pelo pot. Quando olhei para a minha mão, cruzei os dedos a fazer figas, olhei para o céu e disse: "...". Bem, já não me lembro do que disse, mas a minha mão era um 7 de ouros e um 2 de espadas. Decidiram todos fazer check até ao river para roubar a minha blind:
As cartas comunitárias foram as seguintes:![]()
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O primeiro a mostrar as cartas foi um jogador que tinha na mão um par de reis, fazendo ao mesmo tempo um gesto como se fosse vencedor da mão; contudo, o jogador sentado ao lado dele tinha um par de ases e foi claro a dizer que o par de reis não chegavam. Mais à frente, um jogador tinha feito o limp com 7-8 de espadas, mostrou triunfante a sua mão, preparando-se para levar todas as fichas, mas eis que viro as minhas cartas em cima da mesa e ficam todos surpreendidos com o meu 2 de espadas, ganhando assim o pot de 35 dólares, que depois de retirada a comissão, ficava apenas com 20 dólares... sim, era um casino ladrão; eles justificavam essa taxa para pagar todos os comes e bebes dos clientes. Rapidamente saí da mesa e troquei as minha fichas por dólares, ficando agora com apenas 15 dólares, porque cinco dólares era a comissão para trocar fichas por dólares. Saí do casino com os mesmos 5 dólares com que tinha entrado, porque para sair era preciso pagar mais 10 dólares. Fiquei furioso por ter perdido sete minutos da minha vida na mesa para não ganhar nada e mais 37 minutos na porta do casino, até que estes confirmassem que já tinha pago todas as comissões.
Fui até uma roulote que estava ali perto e pedi uma cerveja. Ao mesmo tempo que o homem abria a cerveja, eu procurava freneticamente nos meus bolsos por um bilhete de bónus de uma cerveja que havia recebido na semana anterior,
mas que neste momento não o conseguia encontrar. Pensando que não me queria desfazer dos meus últimos cinco dólares, pensei em deixar o meu passaporte como garantia para pagar mais uma cerveja e um pão com salsicha, mas eis que ouço uma voz rouca, distorcida, como que respirando por um tubo, com um efeito de eco e em coro "em surround" a dizer o seguinte: "Eu sou o teu pai!". Virei-me e era ele em carne e osso - o Shark Vader; reconheci-o, porque por cima da máscara negra tinha um boné da PokerStars. Respondi: "...", nem me lembro do que respondi, mas ele continuou a falar "vim até aqui, porque ainda não conseguiste perceber que o número de telefone da Rússia era uma piada. Além disso, tive que vir aqui pessoalmente para te contar o segredo e colocar um ponto final nesta história. Não aguento mais estar tanto tempo sem te dizer a verdade..."
C O N T I N U A P A R A A S E M A N A . . .
