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[Fechado] Comentários sobre VÍCIO no jogo

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BentoXVI Autor do tópico
BentoXVI
Membro desde: 27.08.2007
PokerStrategist

ENSAIO

RICHARD A. FRIEDMAN, M.D.

Vício: natureza ou hábito?

Por que alguns sobrevivem ao uso abusivo de drogas e álcool, enquanto outros sucumbem ao vício? Cientistas começaram a encontrar a resposta.
Segundo a Pesquisa Nacional sobre o Uso de Drogas e Saúde de 2008, 46% dos americanos experimentaram uma droga ilícita. Mas só 8% a utilizaram no último mês. Em comparação, 51% usaram álcool no último mês.

A maioria dos que experimentam drogas não se vicia, portanto. Então, quem corre o risco?

Os clínicos sabem que os pacientes com certos tipos de doenças psiquiátricas -incluindo distúrbios de humor, ansiedade e personalidade- têm maior probabilidade de se tornarem viciados. Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental, em seu Estudo Epidemiológico de Área de Atendimento, os pacientes com problemas de saúde mental apresentam quase três vezes mais chances de ter um distúrbio aditivo do que os que não têm.

Contrariamente, 60% das pessoas com distúrbio de abuso de substâncias também sofrem outra forma de doença mental. Ainda não está claro se o vício predispõe alguém à doença mental ou vice-versa.
Cientistas sabem que ter uma doença mental também aumenta significativamente o risco de dependência e vício. O senso comum é que a ligação representa uma forma de "automedicação" -isto é, as pessoas estão "medicando" seu sofrimento.

O álcool e as drogas afetam o humor e o comportamento ao ativar os mesmos circuitos cerebrais que sofrem distúrbios nas principais doenças psiquiátricas. Não é de surpreender, portanto, que pacientes deprimidos e ansiosos recorram ao álcool e a outros sedativos. Mas essas substâncias são antidepressivos terríveis que agravam o problema subjacente, levando a uma espiral descendente de depressão e vício.

Certos distúrbios de personalidade -pacientes narcisistas ou pessoas com transtorno de personalidade limítrofe- também têm maior probabilidade de abuso de drogas e álcool.

Mas novas evidências sugerem que o abuso de drogas também pode ser um distúrbio cerebral desenvolvimental, e que as pessoas que se tornam viciadas têm uma estrutura diferente daquelas que não se tornam.
A doutora Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas, demonstrou, em vários estudos, que os viciados em drogas têm menos receptores de dopamina nos caminhos de recompensa do cérebro do que os não viciados. A dopamina é crítica para a experiência do prazer e do desejo.

Quando ela comparou as reações de viciados e controles normais que receberam um estimulante, descobriu que os controles com grande número de receptores D2, um subtipo de receptores de dopamina, o achavam repulsivo, enquanto os viciados com níveis baixos de receptores o achavam agradável.

Isso sugere que os cérebros dos viciados podem ter sistemas de recompensa entorpecidos, e que os prazeres cotidianos não chegam perto da poderosa recompensa das drogas.

Mas as pessoas também são influenciadas pelo ambiente. A cantora Amy Winehouse, 27, cuja batalha com o vício amplamente noticiada parece ter tido papel importante em sua morte no mês passado, trafegava em um mundo aparentemente inundado por drogas ilícitas e álcool. Até as pessoas que não são predispostas ao vício podem se tornar dependentes de drogas e álcool com a exposição constante, como revelaram estudos.

Os primatas, que não são predispostos ao vício, tornam-se usuários compulsivos de cocaína conforme os receptores D2 declinam no cérebro, notou a doutora Volkow. E uma maneira de produzir esse declínio é colocar os animais em situações sociais estressantes, em que há fácil acesso às drogas. Parece que os humanos também, independentemente do risco genético, podem se tornar viciados nas circunstâncias certas.

Essa ideia tem profundas implicações para o tratamento. O uso de drogas em longo prazo geralmente começa na adolescência, quando o cérebro é mais maleável. Nas pessoas mais vulneráveis, o abuso de substâncias deve ser confrontado cedo.

Quem pode experimentar drogas sem maiores consequências e quem será destruído por elas resulta de uma interação complexa de genes, ambiente e psicologia. E de pura sorte.

http://www1.folha.uo...y1508201112.htm


delphino
Membro desde: 18.02.2008
PokerStrategist

Original de BentoXVI
Quem pode experimentar drogas sem maiores consequências e quem será destruído por elas resulta de uma interação complexa de genes, ambiente e psicologia. E de pura sorte.

Concordo. Isso que torna proibir uma atividade/droga algo bem mais complexo do que simplesmente argumentar que aquilo vicia ou não.


BentoXVI Autor do tópico
BentoXVI
Membro desde: 27.08.2007
PokerStrategist

Original de delphino

Original de BentoXVI
Quem pode experimentar drogas sem maiores consequências e quem será destruído por elas resulta de uma interação complexa de genes, ambiente e psicologia. E de pura sorte.

Concordo. Isso que torna proibir uma atividade/droga algo bem mais complexo do que simplesmente argumentar que aquilo vicia ou não.

Concordo plenamente, a discussão é complexa como o problema, então é importante discutir para que um dia se chegue numa melhor solução e continue melhorando.

Hoje nós temos uma corrente marjotária de estudos que dizem que a disponibilidade influência no vício, e alguns estudos mais modernos dizendo que não.

A disponibilidade, na minha opinião, influência na quantidade de pessoas viciadas por uma conclusão lógica, é só você raciocinar. Imagine a África, uma cidade pobre, que não tem internet: tem viciados em poker online nessa cidade? Não. Ou seja, não tem disponibilidade não tem como ter viciados.

Outra coisa é existir a disponibilidade e existir uma indústria funcionando. Veja a indústria do cigarro, tem mais gente fumando hoje, em que o preço é alto, não existem propagandas e é amplamente divulgado seus malefícios ou tinha mais gente fumando quando a indústria vendia a imagem que queria da droga e o preço era baixo, a aceitação social era grande e tudo mais? Para mim todos esse fatores são a disponibilidade.

Sabe a industria do poker hoje vende a imagem que quer do jogo para o jovem, vende a imagem do Daniel Negreanu descendo de um G6 e entrando num Cadillac e diz que você pode ser a próxima estrela, dai vc que não sabe ser um adicto entra em contato com o jogo e não consegue e nem quer mais parar, sua vida vai então de água abaixo, cabe a você usar suas forças pra se livrar do vício daí ou desistir de tudo e acabar se matando.

Ai você pode dizer, a se pessoa não vai ferrar a vida dela com o poker ela vai ferrar com outra coisa, ela é um adicto mesmo. Sim, pode ateh ser que a pessoa ferre a vida dela com outra coisa, mas com aquilo que ela não tem disponibilidade ela não ferrar. É uma desgraça a menos.

Se você não consegue comprar maconha você não vai fumar maconha.

Se você não tem acesso a internet você não vai jogar poquer online.

Para mim, de tudo que ja li e entrevistas de psiquiatras especilistas no assunto, disponibilidade é tudo, porque essas pessoas (adictas) só vão saber que são doentes quando entrarem em contato com aquilo que altera seu humor. Se ela nunca entrar em contato com o jogo ela nunca vai saber que é viciada, ela nunca vai ser uma adicta. Se ela nunca colocar uma gota de alcool na sua boca nunca vai saber que eh alcoolatra. Então com o jogo proibido muito menos pessoas entrarm em contato com ele do que com uma indústria funcionando. Concordam? Entederam o que eu quero dizer?

Dai vc pega estatística, 2% da população é adicta ao jogo. Então a conta é simples e lógica, de cada 100 pessoas que forem angariadas pelo programa tell a friend aqui da strategy 2(duas), no mínimo, vão ter sérios problemas. digo no minimo porque você vai achar adictos ao jogo mais frequentemente onde se fala de jogo, e onde se joga, ou seja aqui.

A porkerstrategy ateh cumpre seu papel com artigos sobre o vício e mais, mas as salas de poker não, tem muito pra melhorar ainda.


delphino
Membro desde: 18.02.2008
PokerStrategist

Original de BentoXVI
Se você não consegue comprar maconha você não vai fumar maconha.

O problema desse seu pensamento é que eu considero retrógrado. Até hoje se pensa assim, mas a verdade está cada vez se revelando bem diferente.

Se existe demanda suficiente, de um jeito ou de outro, virá a oferta. Não a toa a muitos países está abrandando as leis contra o consumo de maconha.

Proibir, ao invés de diminuir a oferta, acaba por desamparar os viciados e os não-viciados.


jukitas
Membro desde: 02.03.2010
PokerStrategist

Original de BentoXVI
Se você não consegue comprar maconha você não vai fumar maconha.

Não é assim.

Quem está viciado nisso, se não houver na zona onde vive, se for preciso fazer 400 klm para arranjar faz.