Vou tentar explicar conceitos de poker com as mãos exemplares que vou postando de vez em quando. Tentarei também fazer claras as diferenças que se dão ao mudar ligeiramente a nossa mão ou a estrutura do board, tal como o faço também na alnálise de mãos que vocês postam...
Achei esta mão bastante interessante, e apropriada para usar como mão exemplar didactica.
O meu adversário nesta mão já me era conhecido, e eu designaria-o como sendo um TAG jogando em mesas de 6max. Ele tem um VPIP de 29%, faz raise em pré-flop com cerca de 21% das mãos e tem um went to showdown de 42%, não pertecendo portanto à categoria de jogadores que são fáceis de bluffar. Dos jogadores em 20/40 ele pertence aos mais passivos tendo um agression factor de 1.4, 1.1, e 1 (flop, turn, river).
Para além disso ele faz muitos check-raises. Nesta mão isso não é de grande importância, mas mesmo assim isso já demonstra a sua maneira de jogar tricky.
Veremos então a mão que vou explicar ronda por ronda:
Estou a jogar 20/40 limit hold'em e faço um raise com K:c Q:c do CO. O adversário faz-me um reraise do BU. Eu tenho uma imagem bastante loose à mesa e dou portanto uma range de 44+, A5s+, A8o+, KTs+, KJo+, QTs+, JTs, QJo ao meu adversário para ele fazer esta 3-bet.
Eu faço call e vemos ambos um flop com A:d, 6:c, 4:c e já 3,75 BB's no pote.
Se fizer um cálculo com o equilator, este diz-me que tenho pouco mais de 50% de equity contra o leque de mãos do meu adversário. Com o meu flushdraw é claro que eu vou ver o river e decidir então se vale ou não a pena ir também até ao showdown.
O adversário faz um conti-bet neste flop com 100% da sua range se eu fizer aqui um check. E neste flop é mais correco eu jogar check/call, pois um bluff não serviria de nada, já que ele nunca faria fold de um par, pelo menos enquanto não chegar o flush. Significa isto que ele nunca faria fold de uma mão melhor, faltando-nos então a única razão que temos para fazer um bluff.
Se estivermos à frente, ele tem poucos outs contra nós por causa do nosso flushdraw.. Para além disso um check/call dá ar de termos ou um monstro de mão ou uma mão tipo KQ/KJ com a qual queremos ver o turn o mais barato possível na tentativa de fazer um par.
Mas se eu tivesse aqui T:c 9:c já seria correcto fazer um check-raise no flop, pois existem muitas mãos melhores que a minha (J-high ou Q-high) a fazer fold no flop ou o mais tardar no turn se não melhorarem.
No turn temos então 4,75 BB's no pote e aparece a Q:d. Põe um segundo flushdraw na mesa e a minha equity sobe para 56%. Eu faço check com a intenção de pagar um bet. Por causa da equity alta que temos poderíamos fazer uma tentativa de check/raise aqui, mas como temos o segundo melhor par e são possíveis muitos draws, o adversário nunca faria fold de uma mão melhor. na minha opinião, um check/raise só faria sentido se aparecesse por exemplo um J de naipe neutro. A razão disto é que o check/raise não seria caro, se tivermos em conta a sua taxa de sucesso e a quantidade de outs que temos a nosso favor caso o adversário faça call. Sem o segundo fluahdraw e tendo em conta que nós fizémos call no flop, o adversário era bem capaz de fazer aqui fold de um par pequeno.
No entanto o adversário também faz check na mão, o que me leva claramente a pensar que ele tem uma mão tipo gutshot ou 1 par.
No river aparece o T:s. Eu aposto porque tenho vezes suficientes a melhor mão, e porque o adversário faria uma value bet com ma mão melhor se eu fizer check. Se ele fizer raise, no entanto, terei uma decisão difícil, pois é plausível que ele tenha uma mão tipo KJ ou TT. No entanto ele faz apenas um call e mostra AK, deixando-me um tanto intrigado por ter escapado desta mão com tão pouco dinheiro.
Fico contente com qualquer tipo de feedback. Já faz algum tempo desde que escrevi uma redacção deste tipo e espero que não esteja demasiado mal ![]()
Um abraço a todos!