Atualizado em 07 Jul 26 por

Batalhas de blinds - jogando desde a small blind

Introdução

Neste artigo

  • Qual é o range com que devem jogar
  • Como é que se devem adaptar a diferentes dimensões de  stacks
  • Como jogar contra jogadores passivos ou agressivos
  • Como jogar contra jogadores padrão

Para além da situação normal de defesa de blinds contra jogadores que estejam fora da posição de  blinds, existe uma situação especial que se diferencia de todas as outras que podem ocorrer numa mesa short-hand ou full ring que se apresenta como um tema bastante dinâmico e interessante: a batalha das blinds.

A batalha das blinds é uma situação na qual nenhum outro jogador colocou dinheiro voluntariamente no pote e que a small blind tem a clara possibilidade de agir com iniciativa e abrir as hostilidades.

Este artigo vai abordar esta situação pela perspectiva da small blind - como agir e como se adaptar aos estilos de jogo dos adversários.

Quais as características do jogo SB vs. BB?

Naturalmente, a primeira questão que se coloca é saber porque é este confronto entre a small e big blind é tão especial e a razão porque devemos saber como nos ajustar a esta situação. Devemos sublinhar a dinâmica especial de uma situação de heads up numa mesa short-hand ou full-ring. Para vocês, isto deverá quer dizer que a vossa abordagem dependerá do tipo de jogo do oponente e que devem tomar extrema atenção às suas tendências de jogo de forma a que possam explorar as suas lacunas e erros. É por essa mesma razão que não existe forma de jogar padrão em que haja um +EV garantido.

O aspecto psioclógico é o factor primordial do jogo, mas não podem avaliar as situações como se estivesse num heads up comum,  já que a frequência de ocorrência das batalhas entre blinds é diminuta, especialmente em mesas agressivas. Isto quer dizer que os oponentes tenderão a ter maiores dificuldades de se recordarem do que ocorreu em situações similares passadas. Não podem contar que o vosso anterior call down ou float permaneça fresco e vivo na memória desse adversário.

Se ele estiver a jogar em diversas mesas ou se estiver a fazer outras coisas além de jogar poker online, possivelmente, ele até já será olvidado dessa situação. Isto raramente acontece em jogos normais de heads up, em que os jogadores vão estar constantemente a tentar adaptar-se ao jogo do  adversário.

Para além da especificidade psicológica, existe outro factor a levar em conta. Dado estarmos numa situação heads up, a força relativa das mãos envolvidas muda drasticamente. Torna-se bem mais complicado largar um top pair, middle kicker contra a linha de jogo "raise flop / bet turn" do adversário e num board seco, do que seria um fold fácil numa mesa 6-hand.

Além disso, dificilmente podem dizer que fazer o call down com top pair seja uma jogada normal nesta situação. Apesar de ser bastante difícil que ambos os jogaores tenham atingido de forma clara o flop, a forma de jogar do adversário é tão relevante que terão de se adaptar constantemente.

Nestes confrontos entre blinds, é necessário ter a coragem de confiar nas suas próprias reads, por exemplo, o caso de fazer-se um call down com mid-pair sem kicker relevante contra um "raise no flop / bet no turn / bet no river"-oriundo de um jogador bem agressivo com o objectivo de apanhar um bluff. Estes ajustes específicos serão abordados mais posteriormente no artigo. Primeiramente vamos começar pelos conceitos mais básicos e simples.

Qual é a diferença da batalha de blinds para a small blind em relação à big blind?

A questão é, qual a diferença de ser a small blind ou big blind no contexto da batalha de blinds? Qual a razão de existirem dois artigos em vez de apenas um? Não poderemos jogar praticamente de forma idêntica, quer se seja a small blind ou a big blind? Afinal é basicamente a mesma situação de jogo para ambos os casos.

Tem de se considerar, que uma batalha de blinds descreve sempre a mesma situação de jogo, e que esta situação pode ser sempre analisada de 2 perspectivas totalmente distintas.  As diferenças resultam essencialmente das diferentes posições que os jogadores ocupam.

Jogando desde a small blind, acabam por ter sempre uma desvantagem posicional pois têm de ser os primeiros a jogar em cada ronda de apostas. Isto quer dizer o oponente tem uma vantagem em termos de informação. Nunca serão capazes de acabar uma destas batalhas e terão sempre pouco controlo sobre o valor do  pote. A qualquer momento, poderão ter de lidar com um raise do oponente e por isso seriam forçados a jogar um pote demasiado grande fora de posição  com uma mão marginal. Isto seria extremamente inconveniente, dado que acabariam por se envolver em situações complicadas com mãos bastante marginais, o que, contra jogadores de maior valia técnica, seria muito desvantajoso e na melhor das hipóteses se traduziria num EV nulo.

A vossa preocupação principal deve ser minimizar as perdas de dinheiro nestas situações. Obviamente que isto requer uma abordagem ao jogo particular e distinta dos adversários.

Open-raise ou completar a small blind?

Primeiro que tudo devemos tentar responder à questão: Quais as mãos com que devem fazer raise e quais é que se devem limitar a completar a SB?

Não existe uma resposta uniforme e universal para esta questão. A vossa decisão - de fazer raise ou completar a SB - depende não só da vossa mão, como da forma de jogar do oponente.

Analisando esta questão de uma perspectiva matemática, é óbvio que têm sempre de ter as pot odds ajustadas para justificar completar a SB. Têm odds de 3:1 por completarem a SB e necessitam apenas de 25% equity para que essa decisão tenha +EV. Desta perspectiva, qualquer mão tem EV(Call) > EV(Fold). No entanto, é também claro que esta perspectiva tão simplista pode deturpar um pouco a análise.

Quando se analisa esta situação de uma perspectiva inteiramente matemática, está-se a negligenciar o facto de que completar a SB não é o fim da ronda de apostas e que o oponente pode ainda fazer raise, forçando-vos a pagar um preço mais elevado para poderem ver o flop. Também se devem lembrar de que completar/ fazer call deixa-vos a jogar sem posição após o flop e sem iniciativa face a um jogador que, basicamente, pode ter qualquer mão.

Uma estratégia básica, é por isso recomendada, fazer simplesmente raise ou fold, pelo menos para se começar.  Isto também tornará a forma de jogar do oponente mais evidente. Qual a razão de se fazer raise ou fold? O motivo é bastante simples. Fazendo raise, conquistam a iniciativa e simplificam o jogo pós-flop contra um jogador normal ao mesmo tempo que o pressionam e o forçam a cometer erros. Além disso, ganham informação imediata acerca da predisposição de jogo pré-flop adersário ao jogarem agressivamente.

O que sucede se ele fizer fold frequentemente a estes raises? Desta feita isso seria positivo- queria dizer que poderão continuar a jogar agressivamente lucrando directamente dessa situação. Se, por outro, ele tender a fazer call dos vossos raises ou a fazer 3-bet, então também poderão ajustar o vosso jogo a essa realidade.

Se não começarem a jogar agressivamente, então estarão a desperdiçar esta informação sobre o oponente e não o poderão avaliar directamennte. Para além disso, não conseguem qualquer informação sobre o range contrário completando a SB e ele poderia facilmente ter um monster em qualquer flop. Se as vossas capacidades de leitura de mãos não estiverem ainda muito desenvolvidas, então poderão encontrar-se em situações pós-flop tremendamente complicadas se se limitarem a completar a SB e por isso serão mais propensos a cometer mais erros. Para poderem jogar bom poker e conseguirem bons lucros terão de minimizar os vossos erros.

Qual deve ser o vosso raise pré-flop?

Em princípio, poder-se-á dizer que a diferença entre a dimensão da aposta não é muito significativa. No entanto, existe uma pequena diferença. A questão é: com 100 BB de stacks efectivas deveremos fazer raise de 3 BB ou 4 BB desde a small blind?

Existem bons argumentos que suportam ambas as hipóteses. A vantagem de um raise maior é o facto de gerar maior fold equity e por isso permitir que joguemos menos vezes fora de posição no pós-flop.

Em relação ao raise mais pequeno, surge o facto de que estarão sempre a jogar por um pote menor no pós-flop caso recebam o call. Deverão considerar as vantagens de cada hipótese e escolher adequadamente consoante o vosso estilo de jogo.

As diferenças que existem terão sempre consequências a nível individual, e poderão ser adversas para um determinado jogador, mas poderão ter benefícios perante outros. É necessário que encontrem a 'resposta certa' que seja mais adequada para cada situação. O raise de 3,5 BB também poderá ser útil. Acaba sempre por depender do vosso estilo e perspectiva sobre o jogo.

Qual é o range de open raise desde a small blind?

É frequente, quando alguém pergunta por um range de raise standard que se esteja à espera de uma tabela de mãos específicas a que se possam agarrar. Poder-se-ia construir uma tabela de referência para open raise contra adversários desconhecidos com stacks de 100 BB.

De maneira a colmatar-se rapidamente essa questão, poderiamos utilizar o range seguinte, por exemplo: 22+, A2s+, K9s+, QTs+, T8s+, 95s+, 65s+, A2o+, KTo+, QTo+, 87o+

Não existe qualquer problema em utilizar-se este range como base para jogar contra oponentes desconhecidos, e posteriormente adaptá-lo quando os começarem a conhecer algo melhor. Tenham em atenção o range atentamente e verifiquem que de facto não é um mau ponto de partida para definição de um range de raise. Existem algumas falhas que poderiam ser tentados a ignorar.

Particularmente com ases com maus kickers, teremos de ter algumas restricções já que acabam por ser dominados muito facilmente. É muito complicado jogar uma mão que tende a ser dominada, ainda mais fora de posição. Numa batalha de blinds blind, estarão a jogar os ases com odds implícitas inversas e portanto devem estar bem cientes deste facto.

Sendo assim devem ignorar os ases mais frágeis e portanto o raise só é justificado com A8o+.

Para suited aces, aplica-se o mesmo princípio, mas existe a possibilidade adicional de atingirem um flush draw, que se for jogado agressivamente, tem odds implícitas bastante aprazíveis. Na realidade, não se costuma fazer uma redução do range tão drástica como em relação aos ases off-suited. Dependendo do vosso próprio estilo de jogo, poderão fazer raise com todos os suited aces ou mesmo omitir uma parcela menor deles.

Outra mão em debate podem ser os pocket-pairs baixos. Muitos jogadores jogam quaisquer pocket pairs desde qualquer posição. Numa batalha de blinds, deve-se ter em conta que um pocket-pair que não melhore e fora de posição, acaba por se tornar um bluff com poucas hipóteses de melhoria. Se não atingirem o vosso trio, vão ter de jogar esta mão como bet/fold no flop, bet/fold no turn ou check/fold no turn, check/fold no river.

Portanto, se estiverem a jogar contra um oponente que tende a fazer call das vossas apostas pós-flop e que coloca os vossos pocket pairs baixos em situações gradualmente mais complicadas, talvez seja sensato retirarem estas mãos do vosso range, já que dificilmente elas terão grandes hipóteses de vencerem um showdown sem terem melhorado após sofrerem um call da vossa continuation bet.  A partir de 66 e 77, começam a ter maiores possibilidades de ganharem um showdown contra mãos que fizeram call no flop por terem atingido um par baixo no flop.

Contra um adversário desconhecido, podem introduzir os pocket pairs baixos no vosso range, se considerarem que conseguem gerir a situação pós-flop. No entanto, começarem a ter problemas em pós-flop após terem feito a  continuation bet, talvez seja melhor começarem a abdicar do open raise com estes pares.

Em suma, o vosso range de mãos deverá consistir de dois tipos diferentes de mãos:

  • Mãos com boas possibilidades de atingirem o top pair no flop
  • Mãos com boa jogabilidade e bom potencial

Para ambos os tipos de mãos, existem excepções à regra, tal como foi sublinhado acima. Apesar de A4 poder ter uma boa equity contra o calling range de um adversário, com a possibilidade de atingir o top pair, tem oddsb implícitas inversas bastante desfavoráveis. A decisão cabem em última instância ao jogador em questão e cabe-lhe a ele definir os seus procedimentos de jogo. É importante evitar-se em pré-flop, situações que depois não conseguem gerir em pós-flop.

Podem assim verificar que é de  facto possível determinar um  range aproximado para este tipo de situações. Podem assim constatar que o vosso range standard deve tender a ser um pouco mais  tight já que a vossa posição é desfavorável no jogo pós-flop. Se posteriormente conseguirem reunir informação adicional sobre o vosso adversário, poderão ajustar o vosso range de uma forma mais adequada.

Como é que se devem ajustar a diferentes dimensões de stacks?

Grande parte dos jogadores negligencia o facto de que o seu jogo deve adaptar-se às diferentes dimenções de stacks. A secção seguinte aborda os ajustes que devem ser seguidos consoante as dimensões das stacks envolvidas.

Existem duas situações distintas a que efectivamente terão de saber adaptar-se - uma  em que a dimensão efectiva das stacks é superior a 100 BB e outra em que, pelo contrário, as dimensões efectivas das stacks são infeiores às 100 BB.

As stacks são consideravelmente maiores do que 120 BB

Quando temos stacks tão grandes, devemos ter em conta que a desvantagem posicional pós-flop envolve um enorme efeito negativo, já que um bom jogador  irá fazer call do vosso raise pré-flop mais frequentemente, sabendo que terá a vantagem posicional pós-flop do seu lado.

Tendo em conta esta possível forma de jogar, devem ajustar o vosso range para fazer open raise com mãos mais especulativas de forma a usufruirem das enormes odds implícitas. Alguns jogadores consideram top pair - top kicker uma mão premium no contexto de uma batalha de blinds sem considerarem as dimensões das stacks. Aplicando este range alterado (muda no sentido que fazem raise com mãos mais especulativas e menos com mãos potencialmente dominadas) poderão explorar o vosso adversário se ele não adaptar o seu jogo. Vão acabar por ter de decidir com que mãos jogam grandes potes fora de posição, mas devem reduzir a probabilidade de o fazerem com uma mão potencialmente dominada.

Numa situação deste tipo, devem então evitar fazer open raise com mãos como A6, K9 ou similar, com as quais ganham, normalmente potes pequenos, mas caso haja alguma resistência, existirá possivelmente a possibilidade de terem uma mão dominada que vos pode sair bem cara. A tentação é de chegarem a um showdown barato mas isso raramente acontecerá. A melhor forma de evitarem estes problemas, é aceitarem o fold pré-flop como a melhor solução!

Se estiverem a jogar contra um jogador que faça 3-bet muito frequentemente quando stacks maiores estão envolvidas, então não devem cair na tentação de fazer o call com muitas mãos fora de posição, simplesmente devido às odds implícitas, isto se pretenderem jogar o resto da mão da forma mais simples possível. As odds implícitas que podem considerar dependem muito da vossa posição. Como estão fora de posição, é bem mais complicado investirem toda a vossa stack em situações que vos sejam realmente favoráveis.  É por isso que não devem fazer call a demasiadas 3-bets com mãos especulativas.

Neste momento, cabe ao jogador perceber até que ponto o adversário está dispoto a ir pr-flop. Com uma 4-bet bem escolhida, podem questionar o vosso oponente se ele está realmente disponível para arriscar toda a sua stack ou se prefere fazer o fold. Dependendo do facto da disponibilidade do vosso oponente ir all-in com mãos como 88 ou AJ por 140bb pré-flop, devem tender a aplicar a 4-bet mais ou menos frequentemente (isto, se ele NÃO for capaz de ir all in com todas estas mãos!) caso contrário, devem restringir o vosso range para  open raise para que estejam numa posição em que sejam capazes de colocar todas as vossas fichas na mesa favoravelmente.

Outra resposta possível para a regular 3-bet é a seguinte ideia, que deve ser utilizada com bastante precaução. Podem começar a fazer call às 3-bets pré-flop. Neste caso não estamos a fazer call suportados nas odds implícitas. O nosso objectivo é ganhar alguns potes de valor médio com donk bets no flop e/ou no turn, utilizando uma aposta de 1/2 a 2/3 o valor do pote.

Quando considerarem fazer este ajuste ao vosso jogo, devem ter a noção sobre se o vosso oponente é capaz ou não de fazer bluff raise pós-flop. Se ele for capaz de aplicar um bluff raise numa 3-bet-pote contra estas donk bets, é como se estivessem a deitar dinheiro fora.

Se o vosso oponente for fraco e tiver um padrão de jogo óbvio,ele tenderá a fazer fold perante a vossa donk bet num pote que sofreu uma 3-bet , pelo menos com a grande maioria do seu range. Se continuarem a jogar no turn, acabarão por se comprometerem com o pote  por isso é que devem fazer esta jogada com um range bem balanceado de mãos, incluindo não só bluff mas também trios e nut-flush draws, dificultando ainda mais ao oponente a leitura do vosso jogo e a percepção das vossas intenções.

Jogadores tight que sejam fracos, em particular, vão ser propensos a fazer fold em vez de push perante potes de maior valor e por isso tornando esta jogada muito rentável contra eles, além de ter o efeito de lhes restringir o range para 3-bets pré-flop. Se fizerem esta jogada com um range bem balanceado e incluindo mãos como AA e KK no vosso range, podem ter a certeza que vão ter um +EV bastante grande de futuro.

No entanto, devem ter imensa cautela quando estiverem a ponderar aplicar esta jogada. Este é um movimento táctico de grande risco e se eles vos virem a fazê-lo muitas vezes, acabarão por não dar qualquer credibilidade às vossas donk bets e por isso começam a fazer mais bluff pushes.

Devem ter também imensa atenção em relação aos jogadores com que estão a jogar e à composição da mesa. Vão ter uma maior compreensão dos momentos mais adequados a esta jogada quando considerarem toda e qualquer abordagem possível quer vossa quer dos adversários tendo em conta o que sabem até ao momento.

Quando estão a jogar com deep stacks, é extremamente importante registar as tendências de jogo dos oponentes e ajustar o vosso range de acordo com as vossas ilações. Se continuarem a jogar com o vosso range padrão e sentirem que estão a ser batidos pelo adversário, então correm o risco de entrarem em tilt, o que pode ser devastador para a vossa win rate.

As stacks são consideravelmente menores do que 100 big blinds

Se estiverem a jogar contra jogadores que tenham stacks com 95 BB ou 80 BB, não têm de alterar muito o vosso estilo de jogo. No caso de jogarem contra stacks de 50-BB ou mesmo short stacks com 25 BB ou mesmo menores, então já terão, efectivamente de adaptar a vossa forma de jogar.

Existem duas formas distintas de se adaptarem a estes factores, e mesmo estas podem ser combinadas.

Um dos ajustamentos possíveis é manterem o vosso range de mãos inalterado mas mudarem as dimensões das vossas apostas.

Outra possibilidade é alterarem o vosso range de mãos, mantendo a vossa estrutura de dimensões de apostas. O método a ser escolhido depende do oponente e mesmo do vosso estilo de jogo.

Um short stack numa batalha de blinds é perfeito para explorar  raises utilizando o seu range de re-steal alargado, por isso têm de ajustar o vosso próprio range para melhor jogarem com eles. Podem até ponderar um push all-in imediato, ou estruturarem o vosso range para terem uma decisãomais facilitada em termos de raise/fold ou raise/call. Ambas as abordagens têm as suas vantagens.

Utilizando um push, estão a explorar a vossa fold equity de forma praticamente perfeita, já que num caso, acaso fosse num torneio, o short stack é obrigado a fazer call apenas com mãos aceitáveis. Pelo outro lado, continuar a fazer raise normalmente permitir-vos-á enganar os vossos oponentes quando eles tentarem fazer push com mãos com equity bem inferior ao vosso range de raise/call.

Até podem considerar a seguinte hipótese: Se considerarem que o oponente é um short stack "profissional" devem optar por um push em vez de um raise normal, já que lhe é mais familiar com o seu range de re-steal range e por isso não pode estar muito o optimista sobre cometer erros neste tipo de situações.

Fazer o push directamente força-lo-á a avaliar a vossa mão e escolher entre fazer o call ou fold,o que será bastante complicado, ja que um short stack  "profissional" deverá jogar em várias mesas em simultâneo, tornando-lhe mais complicado ter boas reads. Quanto melhor for o short stack, mais se devem inclinar pelo push directo. Se estiverem a jogar contra um fish passivo que não utiliza a sua short stack, podem fazer o open raise normalmento, já que ainda conseguirão criar bastante fold-equity pós-flop.

Até ao momento, isto não soa nada mal, mas ainda não está claro quais das diferentes abordagens são adequadas a determinados tipos de adversários. Assim sendo vamos prosseguir a nossa análise suportada emalguns cálculos matemáticos.

O PUSH ALL-IN-DIRECTO

Para começar, listemos as variáveis mais relevantes nesta situação

S: Dimensão da stack do short stack após deduzirmos as blinds (medida em big blinds)
pH:O nosso range depush (expresso in %)
cH: O calling range do oponente (expresso in %)
E: Equity do nosso range de push vs. o calling range do oponente

Fold equity: f = 1 – cH

Existem, portanto, três cenários possíveis:

  • a) Fazem fold da small blind -> O short stack ganha 1,5 BB, vocês perdem 0,5 BB.
  • b) Fazem push e a short stack faz fold-> vocês ganham 1,5 BB, o short stack perde 1 BB.
  • c) Fazem o push e a short stack faz call -> a vossa equity determina quanto é que vocês ganham/perdem.

O próximo passo é estimar os valores esperados, um para cada caso, de forma a que os possamos agregar para definirmos o valor esperado da estratégia de push ou fold contra um short stack em particular

  • a) EV1 = (1-pH) * (-0, 5 BB)
  • b) EV2 = pH * (1-cH) * (+1,5 BB)
  • c) EV3 = pH * cH * [E * (S + 1,5 BB) – (1-E) * (S + 0,5 BB)]

EVtotal = EV1 + EV2 + EV3

Se agora introduzirmos as equações acima nesta última, poderemos simplificar este cálculo de forma significativa, mas as especificidades deste processo não interessam.

A equação final surge:

EVtotal = pH * [2 – 1,5*cH + cH * (2*E*S + 2*E – S –0,5)] – 0,5

Exemplo

A dimensão da stack após serem deduzidas as apostas das blinds S = 20 BB
Eis o calling range estimado para o adversário cH = 77+, A9s+, AJo+, KJs+, KQo
E o vosso range de push pH = 55+, A2s+, A2o+, K9s+, KTo+, QJ

Utilizando esta automatização, conseguimos assim o nosso EV.  Para o podermos fazer, utilizamos o Equilator para determinar a percentagem e a equity do nosso range de mãos.

cH = 9.35%
pH = 24.13%
E = 40.185%

Podem calcular todos os valores esperados e depois somá-los a todos, ou então usar a  fórmula condensada para o EV total. Para demonstrar que ambos os métodos resultam igualmente, apresentamos os cálculos abaixo.

EV1 = (1-0,2413) * (-0,5BB) = -0,37935BB
EV2 = 0,2413 * (1-0,0935) * (+1,5BB) = 0,328107675BB
EV3 = 0,2413 * 0,0935 * [0,40185 * (20BB + 1,5BB) – (1- 0,40185) * (20BB + 0,5BB)] = -0,081724702BB
EVGesamt = -0,37935BB + 0,32810BB – 0,08172BB = -0,132967BB

Ou

EVtotal = 0,2413 * [ 2- 1,5 * 0,0935 + 0,0935 *(2 * 0,40185 * 20 + 2 * 0,40185 – 20 –0,5)] –0,5 = -0,132967BB

Se a vossa estimativa do calling range adversário for correcto, então o vosso pushing range provavelmente não será perfeito, já que devem perder no longo prazo. O vosso pushing range não está completamente errado, já que ainda têm um EV maior do que alternativamente, fazerem fold 100% das vossas mãos (EVfold = -0.5BB).

O vosso objectivo deve ser não só bater a estratégia de 100%-fold com o vosso pushing range, mas maximizar o vosso EV em todas as situações. Para conseguirmos um resultado melhor, iremos trabalhar os vários ranges ae comparar os seus EV.

Se agora decidissem fazer o push com o top 50% de todas as mãos, conseguimos o seguinte EV:

pH = 49.32% = 22+, A2s+, K2s+, Q2s+, J6s+, T7s+, 98s, A2o+, K2o+, Q6o+, J7o+, T9o
E = 35.345%
EVtotal = +0.15684BB

Se fizerem push com qualquer mão (pH = 100%, E = 31,505%),conseguem o seguinte EV:

EVtotal = +0.6802BB

É provável que este seja o EV máximo que pode ser conseguido, já que devem certificar-se que não fazem demasiados open-folds contra short stacks. Devido aos menores valores envolvidos, podemos aceitar alguma redução da nossa equity e por isso é correcto alargar o nosso range. à medida que as stacks aumentam, atinge-se um ponto em que a perda de EV devido à menor equity é superior do que o poupariam por terem um range mais alargado.

Utilizando este método, podem experimentar diferentes pushing ranges contra oponentes com calling ranges distintos e diferentes dimensões de stacks de maneira a descobrirem quais é que geram um maior EV.

De maneira a simplificar o processo, fornecemos uma folha Excel para a vossa utilização: Excel-Quadro do EV dos Pushes first-in

Basta alterarem os  três valores na tabela e o EV vai alterar-se automaticamente. Com algum trabalho serão capazes de definir o melhor pushing range contra vários tipos de oponntes e consoante diferentes dimensões de stacks.

Par além deste método, que fornece alguns ranges aos adversários que são +EV por um push desde a small blind, existe também outro método que poderemos utilizar para estimar pushing ranges mais seguros contra todo o tipo de oponentes.

Estamos a referir-nos ao método dos números-de-Sklansky-Chubukov, que utilizamos para avaliar se devemos fazer ou não  push com uma determinada mão.

Este conceito e as suas derivações ultrapassam o âmbito deste artigo. Com efeito, existe um artigo que aborda exactamente esta matéria: Números de Sklansky-Chubukov e os Push Pré-flop

Ainda que tenha sido escrito na perspectiva da estratégia short stack, também pode ser utilizado por uma big stack quando formos o primeiro agir na small blind, por que as dimensões efectivas de stack significa essencialmente que estamos a jogar com uma short stack. 

No entanto, é ainda  interessante analisar a perspectiva matemática das abordagens raise/call e raise/fold.

AS ABORDAGENS RAISE/CALL E RAISE/FOLD

De novo, os parametros são listados,

S: Tamanho da stack da short stack depois de deduzidas as blinds (medida em BBs)
rH: Raising range do Hero (em %)
r: Tamanho do open-raise do Hero (em BBs)
cH: Calling range do oponente (em %)
pH: Pushing range do oponente (em %)
pcH: Push calling range do Hero (em %)
E: Equity com o vosso push calling range vs pushing range do oponente

Fold equity: f = 1 – cH – pH

Agora, para os vários resultados finais:

  • a) Vocês fazem fold à Small Blind -> a short stack ganham1.5 BBs. Vocês perdem 0.5 BBs.
  • b) Vocês fazem raise, a short stack faz fold -> vocês ganham 1.5 BBs. A short stack perde 1 BB.
  • c) Vocês fazem raise, a short stack faz um push, vocês fazem fold -> A short stack ganha 1BBs+r. Vocês perdem r.
  • d) Vocês fazem raise, a short stack faz push, vocês fazem call -> A vossa equity determina quanto ganham.
  • e) Vocês fazem raise, a short stack faz call -> Vocês não fazem ideia de quanto perdem ou ganham a longo prazo pós-flop e não tiram conclusões acerca disso.

Como podem ver há agora 5 diferentes possibilidades. Isto introduz um grande problema - dado que não podem calcular o EV para cada uma das diferentes possibilidades. A complexidade dos cenários pós-flop é demasiado grande sem se fazer suposições pouco razoáveis (tal como que os oponentes irão sempre jogar push-ou-fold da Big Blind) o que significa que vocês terão valores algo distorcidos.

Encontram-se assim perante um problema complicado. Na base destas suposições não podem tomar uma posição qualificada sobre o vosso valor esperado, mesmo que soubessem o range da mão do oponente, pois o jogo pós-flop é demasiado complicado para ser matemáticamente representado e resolvido.

Contudo, em geral, caso estejam nesta situação, tenham em mente que jogar sempre raise/fol com mãos como QTo or A6o é a abordagem errada, sem uma aproximação sobre o range de mãos e conhecimento de como eles podem jogar pós-flop. Antes de se lançarem em tais "empreitadas", avaliem bem o o potencial push calling range do vosso oponente e pensem num bom first-in pushing range para vocês mesmos. Para esta estratégia, têm agora uma boa preparação matemática.

Se a short stack for muito tight em relação ao seu pushing range e tender a fazer call pré-flop e a jogar "fit or fold"-poker pós-flop, vocês podem continuar a fazer open-raises normalmente, pois este oponente não irá forçar-vos a desistir da mão muitas vezes. Contra este oponente, vocês agora têm dois ajustes possiveis, que podem aplicar separadamente ou em conjunto.

  • Vocês alargam o vosso raising range
  • Vocês aumentam os vossos raises pré-flop

Ambas as abordagens têm o mesmo objectivo mas abordam-no de maneiras ligeiramente diferentes. Vocês querem punir o vosso oponente devido ao seu comportamento weak-tight, da melhor forma possivel forçando um fold quando ambos não atingirem nada, mas ele potencialmente pode ter a melhor mão e perder uma grande porção de pot equity.

A primeira opção permite-vos roubar mais potes. A segunda dá-vos a hipótese de roubar potes maiores.

No entanto, devem ter uma ideia aproximada da mão do vosso oponente nestas situações, e saber qual a situação da vossa equity no flop contra uma mão feita de maneira a não fazerem um mau "insta-fold" contra um fold oposto. Se as odds forem boas, então devem fazer call.

Aqui está um exemplo de uma situação em que não devem fazer fold demasiado depressa, quando sabem que o oponente está a jogar "fit or fold".

1/2 No-Limit Hold'em (5 handed )

BB: 35$, weak-tighter Shortstack
Hero: 200$

Pré-flop: Hero em SB com A , T
3 folds, Hero faz raise para $7.00, BB faz call a $5.00.

Flop: ($14.00) K , 8 , J (2 jogadores)
Hero aposta $10.00, BB faz raise para $28.00, Hero ???.

Devem fazer call a $18 de modo a poderem ganhar $52, assim estão a obter pot odds de 2.88:1 e precisam então de 25.7% de equity contra o range do oponente de maneira a poderem fazer disto um call +EV.

Dado que sabem que podem esperar que o oponente tenha apenas mãos feitas, o seu range deve ser:

  • Trios (JJ, 88)
  • Two pair (KJ, K8, J8)
  • Top pair (KQ, KT, K9)
  • Midpair (AJ, QJ, JT, J9)
  • Bottom pair (A8, T8, 98)
  • Medium pocket-pairs (TT, 99, 77)

A vossa equity total contra este range é de 30.1%. Um call aqui é +EV e assim não devem fazer fold!!

De vez em quando encontrarão um trio, mas isto não significa que o call foi incorrecto. Se a vossa suposição sobre todo o seu pushing range for precisa, uma call torna-se +EV.

Notem que não foram incluidos semi-bluffs neste range (ex. draws para sequência), contra os quais a vossa equity ainda seria maior.

Se estão a jogar contra um oponente com um stack à volta de 50 BBs, devem adaptar o vosso modo de jogar para as suas têndencias de pós-flop. Se o jogador sabe como ultizar o seu stack bem ao fazer float em posição, é-vos dificil proceder, pois qualquer jogada vossa pode obrigar-vos a investir todos os 50BBs. É recomendado então devem tornar o raising range mais tight e que não devem fazer continuation bets 100% do tempo quando atingem o flop.

Aqui é aceitável irem ao showdown com um pote médio/pequeno, dado que se atingirem algo ficam com uma boa oportunidade de vencer. Se o oponente está disponivel a pagar toda a sua stack sempre que atinge, contudo, vocês podem ir all-in contra ele com as vossas mãos top pair pois é vos favoravel vencer o showdown. Assim depende tanto no oponente como no que vocês devem fazer, mas estejam cientes que ele tem um tamanho de stack ideal para fazer semi-bluff pushes  pós-flop, devido ao seu largo fold equity.

Vocês tentarão proteger-se do vosso oponente que usa esta jogada contra vocês, ou até mesmo usá-la vocês mesmo, forçando-o a tomar um decisão entre um call all-in e a obterem a fold equity do vosso lado.

Como jogar contra calling stations que fazem call a cada flop e turn com mid-pair?

Se jogam contra alguém que faz muitos calls a raises pré-flop e não faz fold com as suas mãos feitas médias no flop ou turn, devem descobrir como é que ele joga quando lhe dão a iniciativa. Não faz sentido continuarem a jogar de maneira standard fazendo continuation bets se não têm nada antes de decidirem disparar um 2nd barrel no turn.

Devem então livrar-se temporariamente do vosso estilo de jogo agressivo e ver como é que ele reage quando lhe começam a fazer checks nos flops. Ele ou terá a tendência a tentar e roubar os potes, ou a tendência de fazer check behind. Ao fazer check no flop, vocês retiraram mais informações sobre o vosso oponente.

Dependendo de como o oponente responde ao vosso check, vocês podem adaptar o vosso jogo. Éum check informacional Se descobrirem que ele faz check behind frequentemente no flop, então descobriram um bom mecanismo para controlarem o pote quando tiverem mãos marginais e quiserem ir com elas ao showdown. Se o oponente aposta muitas vezes no flop, a possibilidade de fazer check raises aparece. Não só podem fazer check raise para valor, mas esta jogada tem um bom potêncial como bluff.

Se o vosso oponente é capaz de fazer call quando vocês jogam a linha - "check/raise flop, bet turn" com os seus middle pairs, vocês agora têm a linha ideal para tirarem o máximo valor possivel das vossas mãos top pair.

Se oponente ficar chateado com os vosso bluff raises no flop, ele pode começar a fazer check behind com as suas mãos de força média, o que também vos pode ser útil, pois torna-se mais facil ir a showdown de forma barata e fora de posição.

A ideia de jogarem check/call sendo o agressor pré-flop é um pouco perigoso, pois não ganham informação acerca da qualidade da mão do oponente e acabam com uma decisão dificil no turn. Esta linha de jogo não é a melhor contra este tipo de adversários, pois tem o maior valor de expectativa contra um (semi) bluff agressivo em que podem usar isto para induzir bluffs contra as vossas mãos de média força.

No entanto se reparem, a calling station não tem nenhum jogo pós-flop, assim podia tornar o vosso range pré-flop mais tightened de modo a que tenham frequentemente top pair hands com as quais podem fazer apostas para valor ligeiras. O vosso objetivo é apostar em todas as 3 streets por valor com apostas ligeiras de modo a que possam levar a que o oponente comece a fazer fold com mid pairs logo no flop ou turn.

Como lidar com um conhecido flop raiser ou turn floater?

Alguns adversários gostam de fazer call muitas vezes pré-flop, depois fazem frequentes semi-buffs ou bluff raises puros de maneira a roubar as vossas standard continuation bets. Aqui é valido devolver jogadas semelhantes ao oponente ou usar as vossas boas mãos como detectoras de bluff, se o oponente continua a atacar no turn.

Quanto mais inofensivo for a mesa para a vossa mão, maiores as razões para fazerem call ao flop-raise e para jogarem check/call no turn e river para descobrirem bluffs. Se a mesa se tornar muito perigosa para vocês no turn, então podem jogar check/raise e colocar a vossa stack no centro da mesa, dando a entender aos oponentes não conseguirão tirar lucro fácil das batalhas de blinds.

Se a mesa já permite muitos draws no flop e vocês têm um par de força média, contudo, o exemplo seguinte é relevante.

1/2 No-Limit Hold'em (5 handed)

BB: 200$, pós-flop bluffer agressivo
Hero: 200$

Pré-flop: Hero em SB com A , T
3 folds, Hero faz raise para $7.00, BB faz call a $5.00.

Flop: ($14.00) T , 8 , 5 (2 jogadores)
Hero aposta $10.00, BB faz raise para $34.00, Hero ???.

Vocês devem tender a fazer uma 3-bet directa no flop. Dado que têm vantagem sobre qualquer draws, é melhor fazerem uma 3-bet normal em vez de fazerem push all-in. A vantagem aqui reside no facto de assim sugerirem ao oponente que ele ainda poderá ter alguma fold equity e assim irá fazer raise algumas vezes com draws. Se vocês fizerem push directo, ele pode fazer fold apenas alguns dos seu draws, nunca irá fazer fold com uma mão melhor do que a vossa.

Se vocês apenas tiverem um nut flush draw, nesta situação, devem agir da mesma maneira, pois podem assim levar algumas mãos potencialmente dominadas a irem all-in. Para mais, se o vosso oponente aperceber-se que jogam draws assim, vocês podem atrai-lo para um batalha pela sua stack com uma mão sólida enquando que ele apenas segura mid pair com um bom kicker, o que teria uma boa equity contra um draw, mas que na realidade está muito para trás.

É agora claro que vocês podem jogar bons draws e top pair hands rapidamente contra este tipo de oponentes. O que devem fazer com mãos de força média? O vosso objectivo devia ser irem ao showdown.

O exemplo seguinte ocorre numa situação contra um jogador que está feliz por fazer bluff raise no flop ou float no turn em posição.

1/2 No-Limit Hold'em (5 handed )

BB: 200$,  Pós-flop bluffer agressivo
Hero: 200$

Pré-flop: Hero em SB com K , J
3 folds, Hero faz raise para $7.00, BB faz call a $5.00.

Flop: ($14.00) Q , J , 5 (2 jogadores)
Hero dá check e faz call a flop bet.

Turn: ($X) 9 (2 jogadores)
Hero faz check and faz call a medium sized (e.g. ½ pot size bet) 2nd Barrel.

River: ($X) A (2 jogadores)
Hero dá check and faz a call a outra aposta.

Esta linha - "check/call all streets", que foi apresentada anteriormente não funciona contra calling stations mas é a melhor adequada para este tipo de oponentes. O objectivo aqui é manter o pote pequeno e irem ao showdown com o menor custo possivel. Contudo devem estar cientes de que esta situação não é comparavel com a situação call down no Fixed Limit Hold'em. Aqui é importante respeitar o tamanho das apostas do oponente, caso contrário o river poderá ser muito caro.

É também importante salientar a maneira como a mesa muda. Neste exemplo, o Ás no river é uma carta importante, pois é uma scare card para a vossa mão, e o oponente sabe disso. É assim, esta a melhor oportunidade para ele fazer bluff com mãos que não têm valor showdown.

Se a mão tivesse progredido de maneira a que o oponente tivesse feito check behind num street particular, vocês ainda não precisavam de tomar a iniciativa. Se apostarem em qualquer altura, não extrairão valor das mãos mais fracas e provavelmente terão que desistir da vossa ou terão que fazer uns calls demasiado caros, dado que o oponente demonstra uma enorme força com o seu raise. Nesta mesa, uma mão como Q8 seria jogada da mesma maneira, e teriam os mesmo problemas que teriam com KJ.

Se jogadorem contram um jogador agressivo e falharem no flop, devem-se preocupar em ter certeza se uma continuation bet é a melhor jogada a fazer. Não é um grande erro jogar check/fold depois de terem feito um raise pré-flop nesta situação se a vossa mão tem pouco potencial para crescer e não aguentará a demasiada restistencia.

Contra estes oponentes, o vosso objectivo é tornar a sua força em fraqueza. Eles não deviam estar a colecionar potes devido a apenas agressividade, quando possuem mão que apenas conseguem vencer com um bluff raise ou um float. Vocês também querem que façam bluff às vossas melhores mãos, de maneira a que vocês tenha lucro.

Devem então cortar nos vossos próprios bluffs. A opção de rebluff apenas deveria ser considerada se realizassem que o oponente não tem coragem de avançar com um turn-float contra um pequeno check-raise. Devem ser cuidadosos nestas situações de modo a não cometerem erros e a perder dinheiro a longo prazo.

Como é que devem jogar contra bons jogadores regulares numa batalha de blinds?

Bons jogadores regulares são caracterizados pelo sua capacidade de adaptação a qualquer situação. De facto, pode-se dizer que todos os conceitos de costumização do artigo Article to Blindbattle from the Big Blind aplicam-se. Contra tais oponente é especialmente dificil jogar fora de posição pós-flop pois é dificil fazer o read da mão de um jogador que se adapta facilmente. Devem então evitar confronto dado que podem acabar num situação pós-flop muito complicada...

Como sabem que não têm muita vantagem contra um bom jogador regular, devem tentar limitar as vossas perdas. Devem ter a certeza que o vosso range de open-raise range é muito tight nesta situação. Devem depois tentar jogar as vossas mãos fortes de maneira simples para valor, tentanto ficar break even desde a small blind. Esta possibilidade de ajuste é certamente a mais fácil de implementar e tem uma baixa variância quando têm que defrontar um jogador mais regular.

Contudo não devem cometer o erro de classificar todos os jogadores que jogam regularmente no vosso limite como bons regulares, e lançarem-se num modo standard de jogo. Aqui são descritos os dois tipos de regulares com que se devem familiarizar.

JOGADOR REGULAR QUE JOGA EM MULTI-TABLE

Um tipo de regular é aquele que joga 8 mesas ao mesmo tempo e usa uma estratégia agressiva tight. Vocês podem ter a certeza de que o jogador não está a dar a devida atenção a todas as mesas e que é provável que jogue de uma maneira simples numa batalha de blinds.

Há alguns tipos moderadamente bons de jogadores regulares, que devido ao seu mult-tabling não irão fazer call aos vossos open raises  pois não têm tempo de entrar num lugar tão marginal que pode levar a dificeis decisões pós-flop.

Contra este tipo de jogador, não precisam de esperar antes de começarem a alargar o raising range. Este tipo de oponente não costuma ter tempo para ajustar bem e simplesmente usará uma estratégia  de raise-or fold, o que significa que ele irão desistir das suas blinds demasiadas vezes."

Desde que isso não se altere, podem ganhar o hábito de roubarem as suas blinds e retirando os potes no flop com continuation bets.

JOGADOR REGULAR ASTUCIOSO COM HISTÓRIA

As pessoas tendem a conhecer-vos muito bem se jogarem frequentemente com elas no mesmo limite. Há regulares com quem vocês podem criar uma história unica e contra quem o jogo tem uma dinâmica muito especial. Isto pode acontecer devido a informação obtida em pre-flop-3-bet e 4-bet-battles ou pós-flop (semi-) bluff-raises light.

Se jogarem contra uma tal pessoa da Small Blind, devem estar cientes da sua historia especial. Dado que jogam fora de posição, tanto pré-flop como pós-flop, devem começar por se conter, jogando de forma directa e tight, até saberem como se adaptar. A razão para isto deve-se ao facto de este oponente muito frequentemente fazer jogadas contra vocês, sendo assim a única resposta possível é um movimento vosso, mas devido aos seus reads especiais, ele geralmente conseguirá fazer um light call com uma mão feita.

Fazer bluff neste situação não será uma jogada proveitosa vezes suficientes. Se jogarem de forma tight, estarão com bastante frequência na posição em que seguram uma boa mão e não precisam fazer nenhuma das vossas jogadas, mas na qual podem apanhar o vosso oponente fazendo as suas jogadas. Geralmente, esse regular não perceberá que vocês estão a jogar de forma particularmente tight nesta situação e verá os vossos raises como bluffs que ele pode apanhar com o seu top pair no kicker.

Que erros devem evitar a todo o custo?

Esta parte é especialmente importante pois há dois erros standard que os TAGs fazem durante uma batalha de blinds na Small Blind.

O primeiro erro standard é chamado de "one bullet error". É aqui que fazem a continuation bet em cada flop, depois ou jogam check/fold ou check/call no turn. É uma boa ideia a Big Blind fazer call a uma continuation bet com um par fraco ou até mesmo um Ás alto, dado que esta mão tem valor showdown. Se apenas querem saber em que posição estão no turn, disparando uma continuation bet sem qualquer plano futuro (check/fold qualquer turn não é um plano), apenas estão a jogar um jogo que a longo termo vão perder na batalha de blinds.

As scare cards no river e turn são excelentes intrumentos para se aplicar pressão no oponente, enquanto que com mãos médias feitas vocês apenas querem controlar o tamanho do pote e chegar ao showdown.

Levem o vosso tempo, pensem na mão, na textura da mesa e no oponente, e não façam continuation bets para depois abandonarem a mão sem terem ganho nada. Se fizerem isto, o oponente saberá sempre se vocês atingiram algo.

O segundo erro fundamental é causado pela atitude do jogador em relação à batalha de blinds. Muitos TAGs sólidos começam por desistir do seu jogo sólidos e começam a agir de maneira muito agressiva. A ideia é frequentemente que eles têm muita fold equity contra um oponente e podem leva-los a desistir das suas mãos através de bluffs com mãos cada vez piores. Um modo de jogo agressivo não é errado, mas deve-se escolher as alturas com muito cuidado.

Se jogarem uma mão como um bluff, tenham a certeza de que a mão têm uma equity aceitavel contra o range do oponente, caso ele decida fazer call. A mão seguinte serve como um exemplo do que não se deve fazer.

1/2 No-Limit Hold'em (5 handed )

BB: 110$
Hero: 200$

Pré-flop: Hero em SB com K , J
3 folds, Hero faz raise para $7.00, BB faz call a $5.00.

Flop: ($14.00) Q , 7 , 3 (2 jogadores)
Hero aposta $10, BB faz call a $10.

Turn: ($34) A (2 jogadores)
Hero dá check, BB aposta 23$, Hero faz raise para 66$, BB calls 43$ (All-In)

Vocês acreditam ter alguma fold-equity nesta mão, mas caso o oponente faça call vocês ficam com uma grande desvantagem. Tal bluff é muito perigoso a longo prazo.

Se a mão mudar como se segue, o bluff já pode ser feito de maneira adequada.

1/2 No-Limit Hold'em (5 handed )

BB: 110$
Hero: 200$

Pré-flop: Hero em SB com K , J
3 folds, Hero faz raise para $7.00, BB faz call a $5.00.

Flop: ($14.00) Q , 7 , 3 (2 jogadores)
Hero aposta $10, BB faz call a $10.

Turn: ($34) A (2 jogadores)
Hero dá check, BB aposta 23$, Hero faz raise para 66$, BB faz call a 43$ (All-In)

Comparem ambas as situações e vejam como as equities diferem. No primeiro exemplo, a vossa equity contra estas mãos é:

  • Trio: 9%
  • 2pares: 9%
  • Um par(Ax, Qx): 12%

No segundo exemplo é:

  • Trio: 22.7%
  • 2 Pares: 22.7%
  • Um Par (Qx, Ax): 29,4%

Este é um salto enorme, porque no caso de um puro bluff vocês geralmente têm draws incompletos. Podem até ponderar tentar o bluff frequentemente numa batalha de blinds, mas devem certificar-se de não acabar sempre drawing dead caso enfrentem o call do adversário.

Conclusão

Este artigo ensinou-vos a lidar com batalhas de blinds desde a Small Blind. O que importa é que não façam jogadas standard, mas sim que se adaptem a circunstancias especiais e lidem com mãos particulares. O estilo do oponente é muito importante.

As jogadas numa batalha de blinds, em que jogam desde a Big Blind, são abrangidas no artigo: Batalhas de blinds - jogando desde a Big Blind

Aqui está um link para o ficheiro Excel que podem usar para fazerem os primeiros pushes: Excel- Gráfico para o EV de First-in Pushes