Batalhas de Blinds - jogando desde a Big Blind
Introdução
Neste artigo abordar-se-á...
- ... como se deve reagir a jogadores que completaram a SB ou fizeram open-raise
- ... como jogar num unraised pot
- ... como jogar contra jogadores agressivos
Além da situação normal de defesa de blinds contra jogadores fora das blinds, há uma ocasião especial que difere de todas as outras numa mesa short-handed ou full ring, e que é em si mesmo um assunto muito abrangente: a batalha de blinds.
A batalha de blinds acontece quando mais nenhum jogador pôs dinheiro no pote e a Small Blind tem a oportunidade de agir primeiro e de abrir as hostilidades.
Este artigo irá apresentar o jogo na perspectiva da Big Blind, ensinando-vos a melhor maneira de se adaptarem ao vosso oponente.
Quais são as especificidades da situação BB vs. SB?
Naturalmente têm que se questionar porque é que a batalha de blinds é tão especial e como é que se podem adaptar a ela. Têm que considerar as dinâmicas especiais de uma situação heads-up, dado que a batalha de blinds é pouco mais do que um jogo de heads-up numa mesa short-handed ou full ring.
Para vocês isto significa que o vosso jogo é muito dependente do tipo de jogo do vosso oponente, e que têm que prestar atenção às suas tendências de jogo, considerando formas de as explorar. Não há então nenhuma maneira standard de jogar que vocês possam usar e que tenham a certeza de que é +EV.
O aspecto psicológico é primordial, mas vocês não conseguem avaliar isto tão facilmente como poderiam num heads up standard, pois o tempo entre as batalhas de blinds pode ser grande, particularmente em mesas cujo jogo é muito agressivo. Isto significa que é pouco provável que os vossos oponentes se lembrem do que aconteceu nas batalhas de blinds anteriores. Podem sempre contar que o vosso call down ou float anterior permaneçam na memória do adversário.
Se ele estiver a jogar em várias mesas, ou estiver a fazer mais coisas no computador para além de jogar poker, ele facilmente esquecerá a situação. Isto nunca acontecerá num jogo heads up standard, dado que os jogadores vão estar a tentar adaptar-se aos seus oponentes.
Além da peculiaridade psicológica, há mais um factor a ter em conta. Dado que agora estão numa situação heads up, a força das mãos envolvidas mudou dramaticamente. É pouco provável que ambos os jogadores tenham atingido o flop.
Estando na Big Blind, vocês têm sempre posição sobre os oponentes e estarão mais predispostos a ir ao showdown com mãos de força média como um midpair / top kicker ou top pair / no kicker e ainda assim vencerem a melhor mão. Contudo, a maneira como jogam estas mãos depende muito do vosso oponente, pois contra alguns vocês podem desistir de top pair / no kicker se encontrarem resistência, enquanto que contra outros podem fazer call down 3 de barrels com bottom pair.
A coragem necessária para se seguir os reads e agir de acordo com estes é muito importante nesta situação. A maneira como se devem adaptar aos vossos reads é estudada mais tarde, primeiro irão lidar com algumas questões fundamentais.
Qual é a diferença entre uma batalha de blinds da Big Blind em comparação com a Small Blind?
A questão é, qual a diferença entre jogar a Small Blind ou a Big Blind numa batalha de blinds? Porque é que há dois artigos sobre isto, em vez de apenas um? Não se pode jogar de maneira quase idêntica, caso se tenha pago a Small Blind ou a Big Blind? Afinal, as situações de jogo são praticamente iguais.
Contudo, deve ser dito que apesar de uma batalha de blinds descrever sempre a situação de jogo, esta situação pode ser interpretada de dois pontos de vista completamente diferentes. Esta diferença de perspectivas resulta practicamente da diferença de posição em que se joga.
Jogando da Big Blind, vocês têm sempre uma vantagem de conhecimento sobre os adversários, tanto pré-flop como pós-flop. Dada esta vantagem, vocês estão em posição para jogar um range de mãos maior de forma proveitosa. Assim, este também o vosso objectivo na Big Blind. Vocês querem usar a vossa vantagem de posição pós-flop para levar os vossos oponentes a situações -EV.
Nesta situação, até podem jogar mãos marginais de maneira proveitosa, pois têm tanta vantagem de conhecimento como possibilidade de um maior controlo sobre o tamanho do pote. Tendo estas vantagens sobre a Small Blind significa que ele estará menos inclinado a meter-se em situações marginais.
Como reagir à Small Blind que completa?
Muitos jogadores jogam de maneira um pouco agressiva na Small Blind e apenas completam, esperando encontrar um flop favoravel. As odds directas para se completar são sempre suficientes, pois são de 3:1, apenas exigindo uma equity no pré-flop de 25% de maneira a dar origem a um call +EV. Como já sabem, no
Texas Hold'em, têm sempre pelo menos 30% de equity com um range qualquer de um oponente.
Se apenas for considerada a acção pré-flop, o SB não estaria a cometer um erro ao completar. Dado que o vosso objectivo é forçar os oponentes a cometer erros, coisas que normalmente se consegue com agressividade, agora é a melhor altura para começarem. Um raise, aqui, é uma boa forma de o punirem por completar, dado que eliminam o bom preço para se ver o flop.
Durante o jogo pós-flop, vocês terão sempre a vantagem da posição e não terão problemas ao jogar para um pote ligeiramente maior. Ao fazerem um raise pré-flop irão levar o oponente a fazer mais erros pós-flop, pois ele será confrontado com maiores apostas.
Agressividade contra alguém que completou, apenas tem beneficios de longo termo para vocês. Será que aqui devem fazer raise em todas as mãos?
Não se pode responder a esta questão de maneira completamente positiva ou negativa. Pois está dependente das vossas qualidades pós-flop e das tendências do vosso oponente. Há mãos que estão mais adequadas para um raise aqui, mas também outras em que apenas queremos ver o flop.
Neste range encontram-se todos os pocket pairs, Áses grandes e médios e todas as broadway hands.
Com estas mãos, a vossa tendência é de fazer raise pré-flop, pois tiram valor directamente da mão. Com frequência terão a melhor mão no flop e às vezes terão o oponente parcialmente dominado. Aqui devem tentar e tirar o máximo proveito da vossa mão tanto pré-flop como pós-flop.
Adicionalmente, os pocket pairs baixos que não melhorem com o flop podem revelar-se particularmente complicados de jogar quando não se tem a iniciativa. Ao fazerem raise pré-flop, vocês ganham a vantagem da iniciativa e a oportunidade de levarem o pote sem irem a showdown. Também inflacionaram o pote, no caso de atingirem um trio, onde de outra forma seria dificil conseguir o stack off com apenas 2 BB no pote.
Este range contém todas as connected hands, assim como as medium suited e two gappers.
Estas mãos estão no limite entre um raise e um check. Por outro lado, vocês não atingirão um flop perfeito com muita frequência, enquanto que por outro lado estas cartas são adequadas para um semi-bluff pós-flop, caso em que é mais fácil para o oponente desistir das suas más mãos num unraised pot.
A favor do check está o facto de que dado que não esperam vencer no showdown com uma mão para draw, a não ser que o draw realmente se concretize, vocês não querem investir muito mais dinheiro no pote.
A favor do check está também o facto de que vocês conseguem manter as vossas odds implicitas muito elevadas - assim que souberem que têm vantagem, podem-se concentrar em fazer entrar dinheiro na mesa. Contudo este argumento é parcialmente incorrecto dado que muitos jogadores adoptam a filosofia de "Não ir all-in num unraised pot".
Assim, um check não é necessariamente uma ajuda para aumentar as vossas odds implícitas pois a maioria dos jogadores vão estar relutantes em jogar para muito dinheiro num unraised pot.
Neste range, como o nome sugere, há Áses pequenos, Reis e Damas, que frequentemente formam top pair no kicker e assim são muitas vezes dominados.
Estas mãos costumam ter uma pequena vantagem em termos de equity pré-flop contra o range para completar a SB do oponente, contudo revelar-se-ão frequentemente difíceis de jogar pós-flop. Se jogarem estas mãos agressivamente e acabarem com um top pair, sem kicker, será complicado ter de desistir da mão contra um check-raise do oponente no flop. Assim que estiverem a jogar para um pote médio e não acabarem com dois pares ou melhor, há sempre o perigo de que jogarem a mão até ao showdown sejam levados a uma situação de derrota.
A frase "mãos pequenas, potes pequenos" aplica-se bem a estas cartas. Devem tentar assim, manter o pote pequeno e reduzir o perigo de serem dominados, enquanto que ao mesmo tempo tentam levar o vosso oponente a fazer uma aposta/bluff com mãos mais fracas, de modo a que as vossas mãos desmascarem tentativas de bluffs.
Com estas mãos, recomenda-se um check pré-flop de modo a que não acabem a jogar para potes de tamanho substancial, com mãos mediocres.
Estes ranges contêm as mãos inúteis que geralmente podem ser descartadas de qualquer posição.
Com estas mãos, praticamente não há hipóteses de se ganhar o showdown. Apenas muito raramente encontrarão mãos com top pair ou two pair (que ainda terão de se aguentar durante as streets seguintes). Se o pote é disputado aqui, as vossas hipoteses de vencer são muito reduzidas. Numa situação normal, podem fazer um fold automático com estas mãos. Ocasionalmente, numa batalha de blinds, podem fazer raise e tentar levar o pote pós-flop sem irem a showdown. Só se vocês jogarem agressivamente é que podem levar o adversário a fazer fold.
Para mais, podem criar um equilibrio entre raises com estas mãos e raises com a vossas boas mãos. Se o oponente vos viu a fazer raise com mãos muito fracas, pode ser-lhe dificil jogar complete/fold com mãos como K6o, pois ele não está seguro de que tem a pior mão. Maus jogadores serão levados a jogar com um range demasiado abrangente contra os vossos raises pré-flop.
Mesmo quando vocês acabam com uma péssima mão no flop, têm potencial para vencer com uma contination bet, exercendo mais pressão sobre o oponente. Por outro lado, alguns jogadores podem-se sentir tentados a fazer calls com as suas mãos dominadas, quando vocês estiverem a jogar para valor.
É claro que devem manter em mente o facto de que, por razões de equilibrio, devem jogar estas de forma agressiva quando fazem raises. Assim, nem sempre devem fazer raises, caso contrário estão a fazer raise com o vosso range todo demasiadas vezes e estão com frequência demais em desvantagem.
Agora já viram todas as mãos classificadas em 4 categorias e já conhecem a resposta adequada a cada caso em que a SB é completada. No entanto, convém salientar-se que não devem agir sempre da mesma maneira dada a mesma mão. Necessitam de uma certa imprevisibilidade associada ao vosso jogo, de tal maneira que possam fazer check a KQ ou AQ antes do flop de maneira a dar origem a situações pós-flop, em que o oponente acha que está em vantagem, mas que na realidade não tem nada.
1/2 No-Limit Hold'em (5 handed )
BB: 200$
Hero: 200$
Pré-flop: Hero em BB com A
, Q
3 folds, SB faz call a $1.00, Hero dá check.
Flop: ($4.00) A
, 7
, Q
(2 jogadores)
SB aposta $4.00, Hero faz call a $4.00.
Turn: ($12) 4
(2 jogadores)
SB aposta $10, Hero faz raise para $30, SB faz re-raise para $85, Hero faz re-raise para 194$ (All-In), SB faz call a $109 (All-In)
River: ($400) T
(2 jogadores)
SB revela 7
4
Hero vence.
Este é um caso extremo que ilustra uma situação mais tranquila para o oponente, mas ilustra também a força de alguns checks em pré-flop. Se vocês tivessem feito um raise pré-flop, teriam recebido muito pouco valor da vossa mão, pois o adversário provavelmente teria feito fold pré-flop (a não ser que esteja a jogar muito mal) e no flop teria feito fold a uma continuation bet.
A vantagem de checks pré-flop com Áses é obvia. Se ele tivesse um pior Ás, vocês provavelmente obteriam maior valor pós-flop de um check pré-flop do que se tivessem feito um raise... Com um raise, seria claro para o adversário que vocês frequêntemente têm High Ace e provavelmente têm-no dominado.
Como é que jogam contra uma Small Blind que faz frequentemente complete/3-bet?
O primeiro passo para se saber o que fazer é aperceberem-se que o oponente faz isto. Tomem nota se virem esta jogada da Small Blind.
Para além da informação de que ele faz re-raises depois de completar a SB, tomem nota ao tamanho da aposta e à mão do oponente, se o descobrirem.
Muitos jogadores usam a jogada complete/min-raise como uma armadilha, tentando assim construir um grande pote com a sua mão forte. Se vocês repararem que mãos fortes estão por detrás de tal jogada, o vosso calling range deverá ser muito tight, assegurando que não se envolvem em grandes potes com mãos potencialmente dominadas.
Quanto maior for o tamanho da stack, mais tranquilamente vocês podem fazer o call com mãos para draw, pois obtêm melhores odds implícitas. O oponente mostrou que tem uma mão forte, mão que terá relutância em largar pós-flop.
Oponentes agressivos usam o plano complete/raise de maneira a fazerem bluff, habitualmente tornando o seu re-raise um pouco maior, de maneira a desencorajar-vos de fazer constantemente raises pré-flop. Aqui podem fazer fazer call de maneira mais loose, com o objectivo claro de chegarem ao showdown com um pote médio, deixando-o fazer bluff pós-flop, pois assim há um risco menor de vocês serem dominados.
Se um oponente está a usar a jogada complete/raise como um "plano standard" para um range mais loose de mãos, contra os quais é dificil jogar pós-flop, vocês devem apertar o vosso range de raise enquanto seguram mãos medíocres, de maneira a protegerem-se destas situações.
O vosso objectivo contra tal jogador astucioso é o de deixarem a vossa pequena vantagem posicional, pós-flop, produzir efeito. Não é proveitoso fazer re-raises loose contra um plano de frequentes complete/raises, dado que vocês assim não deixam a vantagem posicional pós-flop fazer efeito. Devem continuar a fazer um jogo sólido.
Como é que jogam com um unraised pot pós-flop?
Se decidiram que era correcto apenas fazer check com a vossa mão pré-flop, devem agora tomar em consideração o que vem a seguir.
Se o oponente vos faz um check depois de completar pré-flop, vocês devem apostar quase 100% do vosso range. Façam esta aposta com pelo menos 3/4 do valor do pote.
A razão para fazerem esta jogada é muito clara. Se apostarem ¾
do tamanho do pote, o oponente deve fazer fold em 43% dos casos, de modo a que esta jogada seja +EV. Muitas vezes, quando o oponente completa a SB pré-flop ele não terá um par, assim só atingirá o flop apenas 1/3 das vezes.
Deste modo, vocês esperam um fold 2/3 das vezes, quando o oponente tenha falhado o flop. Mesmo que o oponente não faça check/fold quando falha o flop, vocês tiram algum lucro extra quando ele faz call sem pares, quando vocês tiverem atingido algo na mesa. Contudo, o vosso oponente pode estar a tentar extrair lucro com um check/call depois de ter atingido o flop.
Vocês devem-se sentir tentados a fazer call a apostas de jogadores agressivos no flop, num unraised pot, dado que geralmente eles podem apenas estar a tentar roubar o pote. Já que vocês têm vantagem de posição, podem fazer calls mais leves com mãos sem grande valor de showdown.
Se jogam num unraised pot, tenham consciencia de que têm muito pouca informação do range de mãos do adversário, pois ele não foi forçado a tomar decisões muito importantes. Tenham a certeza de que não se metem a disputar grandes potes nesta situação, pois o vosso oponente pode surpreender-vos com AA ou J2 numa mesa com AJ2.
Apenas raramente é que devem ir all-in para 100BBs a não ser que tenham o nuts, caso contrário é provável que o oponente é que tenha os nuts.
Como é que reagem a um open-raise da Small Blind?
Nesta situação, todas as opções estão em aberto. Vocês podem fazer fold, call ou raise com mãos como T8s. Com stacks de 100BBs, vocês podem usar a seguinte estratégia básica.
Com pocket pairs grandes (JJ+) vocês quase sempre devem fazer raise por valor. Euilibram o vosso portefólio de jogadas ao fazer raise com mãos inferiores e não devem ter problemas em irem all-in com QQ, nesta situação para 100BBs.
Com pares médios (66-99) vocês devem mover-se para um call. Com frequência terão a melhor mão, mas caso alguém faça call ao vosso re-raise e continuation bet no flop, o mais provável é que estejam batidos. Fazer re-raise com tais pares far-vos-á ganhar pequenos potes, mas perder potes médios. A unica forma de levarem um pote grande com estas mãos é atingindo um trio, o que acontece em apenas uma vez em oito.
Dado que middle pocket pair ainda tem um valor de showdown aceitável, vocês quererão tentar e levá-lo ao showdown, pois têm posição. Ao fazerem um raise minimizam a vossas hipóteses de vencer ao mostrar a melhor mão no showdown.
Com pares pequenos (22-55), a situação é de novo diferente. Com estes pares, vocês têm um valor de showdown muito pequeno se defrontarem com alguma acção pós-flop. Deste modo, faz pouco sentido tentar e ir a showdown com estas mãos. Adicionalmente, é extremamente complicado fazerem call a alguma aposta pós-flop, pois vocês enfrentam pelo menos duas overcards e devem recear ainda mais apostas. Quando as vossas mãos para draw têm dois outs, vocês nunca podem fazer call.
Nestas condições, é melhor fazerem re-raise, pré-flop, com estes pequenos pocket pairs. Isto simplifica a situação e protege-vos de lugares complicados no pós-flop. Vocês levarão, frequentemente, potes médios com a vossa 3-bet e para mais têm a opção de ter uma free card no flop.
Com pocket pairs pequenos, vocês têm grandes odds implícitos para obterem um trio. Podem atingir um trio pequeno escondido, enquanto que o oponente tem a oportunidade de obter uma mão top pair. Com pocket pairs maiores, a probabilidade de isto acontecer é menor, pois o oponente não irá atingir uma mão tão boa, tantas vezes.
Em suma, pode ser dito: tende-se a fazer raise com pequenos e grandes pocket pairs, mas geralmente devem fazer call se tiverem um pocket pair médio, de modo a que seja possivel jogar para as respectivas forças destas mãos e fazer um balanceamento do range.
Claro que nem sempre devem jogar a mesma mão da mesma maneira, mas as tendências de jogo foram descritas.
Para as mãos não emparelhadas, já não é tão simples. Para quase cada mão, cada escolha é possivelmente certa. Está para além deste artigo discutir todas as mãos possiveis em detalhe, pois o tipo de oponente é sempre um factor decisivo.
Ir-se-á então cobrir as vantagens e desvantagens de cada uma das acções possiveis. Baseados nas considerações anteriores, vocês podem decidir por vocês próprios quais as mãos que estão melhor adequadas para cada acção. Aqui, as categorias de mãos, previamente discutidas para um raise normal depois de se completar a SB, serão úteis para considerar.
Fold
Ao fazerem fold, o vosso objectivo é não perderem muito dinheiro ao investirem em situações em que o maximo que conseguem atingir é um middle pair, e assim não têm a capacidade de dar a volta a qualquer resistencia. Caso tenham este tipo de mão, esta é geralmente a melhor opção a tomar contra um bom jogador.
Folds pré-flop contra open raises da Small Blind são importantes, pois eles transmitem a mensagem ao oponente de que ele pode roubar as vossas blinds. Assim ele sentir-se-á tentado a fazer open raises ligeiros. Se vocês jogarem com qualquer mão desde a Big Blind depois de um open raise, a longo prazo irão encontrar muita agressividade (com razão), pois o vosso range incluirá muitas mãos fracas.
Raise (3-Bet)
Um raise sempre tem a vantagem de colocar um oponente sob pressão, e assim gerar fold equity. Com um raise vocês podem geralmente obter mãos com boa equity mas má jogabilidade (odds implícitas inversas pouco favoráveis) como Áses pequenos e Reis para fazer fold. Estas mão são muito pouco proveitosas para o vosso oponente jogar fora de posição.
O vosso raise tenderá a distorcer a situação. Ou o oponente faz fold com demasiadas mãos que poderiam ter equity suficiente contra o vosso range, ou ele faz call à vossa 3-bet demasiadas vezes e acaba por jogar cartas medíocres, fora de posição, para um pote de tamanho médio.
Exceptuando os valores standard de mãos, há mãos para draw que são boas candidatas para uma 3-bet pré-flop, dado que também contribuem para distorcer a situação. Com este raise, vocês não só ganham fold equity pré-flop, mas também continuam a dar uso à vossa vantagem posicional pós-flop com um pote ligeiramente maior, conseguindo assim manipular o seu tamanho.
Uma desvantagem significativa deste raise é de dão ao oponente a opção de fazer uma 4-bet. Isto diminui um pouco a vossa vantagem de posição, pois o vosso oponente está comprometido com o pote depois da 4-bet, e assim a posição relativa já não é um problema.
Vocês não deverem ver exclusivamente um tamanho maior do pote como uma vantagem, pois apenas tendo mãos com força moderada, estão em piso escorregadio... Com estas mão devem ser cuidadosos e tentar jogar para apenas potes pequenos. Ao inflacionar o pote, mesmo que façam check behind no flop, o oponente ainda pode colocar um parte substancial do seu stack na mesa, forçando-vos a tomar decisões dificeis.
Call
A maior vantagem do call é bastante clara. Vocês conseguem jogar a mão em posição, e podem jogar mãos com base apenas nas vossas odds implícitas. Comparado com um unraised pot, vocês não têm o problema de um pote com um tamanho negligenciável e assim conseguem jogar para um pote médio pós-flop. Com um call, têm uma grande oportunidade de armar uma cilada a oponentes agressivos. Eles podem interpretar o vosso call como sinal de fraqueza e tentar fazer-vos desistir da vossa mão com bluffs, ou continuar a fazer apostas pequenas para valor até ao river com mãos top pair/no kicker.
Para mais, vocês todas as opções em aberto depois de um call pré-flop. Podem-se facilmente separar da vossa mão, fazer bluff com raise no flop, ou float no turn, enquanto seguram alguns outs que podem cair no river. Isto dá-vos muita flexibilidade e permite-vos evitar situações marginais.
Contudo há uma desvantagem. Mãos que têm boas hipoteses de ter uma pequena vantagem de fold equity contra o range de oponentes, não são totalmente aproveitadas e correm o perigo de serem ultrapassadas no flop por piores mãos. Fazer call frequentemente pode também conduzir-vos a situações pós-flop potencialmente difíceis para potes médios, o que pode ser especialmente caro para jogadores a quem falta experiência pós-flop.
Devem tomar as vossas decisões com base nas vossas qualidades pós-flop. Se ainda não estão confiantes no vosso jogo pós-flop, devem fazer menos menos calls depois do flop. Se não se sentem confiantes quando jogam 3-bet pots, pois o tamanho maior do pote torna dificil a tomada de decisões, vocês devem ter contenção em fazer 3-bets.
Isto, no entanto, não cobre todas as jogadas possiveis com mãos não emparelhadas. No final desta secção vocês também ganham ideias de como jogar algumas mãos dificeis como Áses e Reis. Talvez achem que mãos como AK, AQ, A7 e K6 não são problemáticas, mas este não é necessáriamente o caso.
Muitos jogadores jogam estas mãos de maneira simples, parcialmente fazendo folds e fazendo calls com Áses fracos e Reis e fazendo 3-bets com mãos mais fortes. Isto não é necessariamente mau, mas também procurar explorar diferentes estilos que podem não ser tão obvios para muitos.
Com estas mãos, nem sempre têm que fazer 3-bets simples pré-flop, com o objectivo de ganhar o pote directamente, ou com uma continuation bet no flop, no evento de alguém fazer call. Ás vezes, claro que vocês atingirão e tentarão ganhar um pote médio no showdown.
Contudo, especialmente os grandes Áses e Reis são particularmente adequados para um call pré-flop depois de um raise da Small Blind. Fazer call aqui põe-vos numa situação em que podem, potêncialmente, tirar muitos chips do oponente. Se se depararem com acção no flop e atingirem a vossa mão, terão frequêntemente o oponente dominado e ele não esperará isso. Muitos jogadores dão pouca atenção à dominação nesta situação, pois acham que um bom TAG tem de fazer re-raise com mãos como: AK, AQ ou KQ pré-flop.
Podem retirar valor desta situação com as jogadas call flop/raise turn ou call flop/call turn/call river ou call flop/call turn/min-raise river, dado que o oponente irá frequentemente tentar levar-vos a desistir da vossa mão com bluffs, ou apostar para valores pequenos pensando que tem vantagem...
Deve ser claro que mãos como AK, AQ, AJ, KQ são mais adequadas para isto do que A5, K8 ou QT. Com estas últimas mãos, correm o risco de estarem dominadas. Mesmo que não o sejam, o oponente terá um small kicker de tal maneira pequeno que acaba por jogar passivamente, ou vocês acabam por dividir o pote.
Estas são mãos, como,por exemplo, Ases pequenos, que em geral são demasiado fracos para se fazer 3-bet, e são demasiado fortes para se fazer fold e quando vocês fazem call com elas tendem a ganhar pequenos potes e a perder grandes. Com estas mãos necessitam sempre de as jogar de acordo com o oponente que têm, pois declarações como "Devem sempre fazer fold com estas mãos, pois apenas vos causam problemas" acabam por se revelar inapropriadas.
Mais à frente, neste artigo, vai-se abordar a questão sobre tipos de jogadores especificos e como se podem adaptar a eles.
Qual o papel que o tamanho do raise do oponente desempenha?
Até agora, o tamanho dos raises pré-flop e a maneira como afectam as vossas decisões, tem sido negligenciado. Há dois aspectos a considerar - o tamanho do raise e o tamanho efectivo da stack. Devem estar conscientes da relação entre os dois. Não podem dizer que se pode fazer call a qualquer mini-raise, a não ser que saibam o tamanho exacto efectivo da stack.
Em baixo encontrarão várias adaptações de jogo sugeridas quando têm uma stack efectiva de 100 BBs. Depois sigam as modificações que têm que fazer quando o tamanho das stacks varia.
Pode-se resumir isto facilmente:
Quanto maior a vantagem posicional pós-flop da vossa mão, mais inclinados se devem sentir a fazer call.
Esta frase explica-se a si mesma. Com uma aposta pequena, as vossas mãos são naturamente mais proveitosas para jogar e como tal, podem fazer call com mãos mais fracas com base no facto de poderem extrair mais valor se atingirem. Quanto maior for o tamanho da aposta, menores sãos vossas odds implícitas, e assim a jogabilidade das vossas mãos têm de ser maior para um call ser justificável.
Quando maior for o raise do oponente, maior deve ser a vossa inclinação a fazer 3-bet.
Esta afirmação requer uma explicação mais pormenorizada, pois pode parecer um pouco confusa à primeira vista. Está fundada em duas ideias básicas. Por uma mão, vocês não necessitam de tanta fold equity para fazer um bluff-raise, dado que há mais dinheiro que já foi colocado no pote quando os oponentes estão a fazer raises maiores.
Terão é claro que escolher uma aposta maior para uma 3-bet dado que não conseguem usar o mesmo re-raise contra oponentes que fazem raise de 2.5BBs como contra oponentes que usam 5BBs para o seu open raise. Dado que vocês estão a fazer mais raises, o vosso re-raise parece muito mais sério aos adversários, obrigando-os a pensar duas vezes sobre colocar em risco a sua stacks.
A segunda ideia por detrás de fazerem re-raises com maior frequência contra um oponente que faz open raises maiores do que o normal, é de que vocês não querem que o oponente vos empurre para um papel passivo em que vocês apenas fazem call, deixando-o ver qualquer flop que queira, apeas porque está a investir um pouco mais do que o normal pré-flop.
Os sempre populares mini-raises são estudados aqui de um modo isolado, pois as vossas adaptações para estes são muito dependentes do tipo de oponente. Muitos jogadores (tanto bons como maus) têm agendas diferentes para o seu mini-raise.
Um objectivo do mini-raise pode ser de verem um flop barato contra um presumível range fraco, dado que a Big Blind pode fazer call com qualquer mão. Outro objectivo, similar ao da jogada complete/raise é de provocar uma 3-bet de modo a que os oponentes possam fazer re-raise, pondo-vos sob pressão.
Estes são os objectivos que podem ser tomados em conta pré-flop e cujo sucesso vocês querem evitar. Especialmente contra adversários mais manhosos não devem fazer 3-bets loose, pois serão forçados a fazer fold a uma 4-bet. Se o oponente frequentemente faz fold a 3-bets ou simplesmente faz-lhes call, então vocês podem fazer 3-bets com as vossas boas mãos para valor.
Também devem prestar atenção à maneira como o oponente jogar pós-flop. Há alguns maus jogadores que tipicamente fazem mini-raise e fazem call a 3-bets, seguido por um call ligeiro no flop.
Se estiverem a jogar contra tal oponente, tenham a certeza que não fazem tilt e tentem leva-los a desistir do pote. Seria um erro fácil tornar o pote grande pré-flop com mãos de força média e mãos fracas, se o oponente não é capaz de largar bottom pair pós-flop. Aqui o melhor a fazer optarem por um poker sólid, indo a flops baratos e fazendo apostas ligeiras para valor.
Lembrem-se, devem recorrer a jogo sólido quando defrontam um jogador esperto, ou contra um que não consiga desistir dos seus pares pós-flop, fazendo calls pré-flop e usando a vantagem posicional de modo a manipularem o tamanho do pote.
Como é que se ajustam a diferentes tamanhos de stack?
Muitos jogadores esquecem-se de se adaptar a diferentes tamanhos de stack. Os ajustes são estudados na seguinte secção.
Há duas situações básicas além do standard stack de 100 BBS - stacks muito mais pequenas do que 100 BBs e stacks muito maiores.
Quanto maior for o tamanho efectivo da stack, mais útil vos é a vantagem posicional. Podem forçar o vosso oponente a tomar decisões mais difíceis. A vossa posição funciona para vossa vantagem através de um maior jogo pós-flop. É importante manter em mente que vocês têm de ser capazes de jogar para um pote suficientemente grande.
Ajuda-vos estar num un-raised pot com um tamanho de stack de 170 BBs, dado que não terão disponível a opção de acrescentar 170 BBs na mesa, numa situação vantajosa. Devem ter sempre cuidado com estes deep stacks e notar que o vosso oponente pode arriscar todo o seu stack em jogo em qualquer altura.
Não é possível pensar linhas de jogo precisas aqui. Simplesmente tenham a noção de que quando jogam deep stacked, as vossas qualidades pós-flop são ainda mais importantes. Devem aprender a avaliar as várias texturas da mesa, saber quando usar controlo sobre o pote e quando devem proteger a vossa mão. Devem também saber reconhecer boas alturas para fazer bluff, escolher tamanhos de apostas ideais, e sempre verificar quando é que podem apostar para valor de forma proveitosa.
Se estiverem a jogar contra um jogador com uma stack de 95 BBs ou 80 BBs, isto alterará pouco o vosso jogo, pois a diferença é minima. Mas se estiverem a jogar contra alguém com 50 BBs ou até mesmo 25 BBs ou menos, a situação fica mais interessante e são necessários ajustes tácticos.
Se o oponente joga com uma stack de aproximadamente 50 BBs, vocês devem ser cuidadosos de maneira a não fazerem 3-bets demasiado ligeiros, pois o seu stack é perfeitamente adequado para um re-steal push ao qual vocês só podem fazer call com as vossas mãos mais fortes. Dado que querem que a vantagem pós-flop funcione, não se devem apressar a acabar a mão pré-flop.
Mas qual a razão deste tamanho de stack ser bom para trabalharem a vossa vantagem de posição? Isto acontece porque a maioria das mãos com que se defrontarem serão one pair hands, que não são muito adequadas para jogadas com potes grandes. Com uma stack de 50 BBs vocês podem jogar para o controlo do pote e ganhar um pote médio no showdown. Quanto maior a stack se torna, maior a necessidade de terem o cuidado de não dar oportunidades ao oponente de vos forçar a desistir da mão com um raise. Nem sempre podem jogar de maneira mais agressiva. Quando as stacks ficam mais pequenas do que 50 BBs, o vosso problema torna-se menor e assim podem ir all-in com pares mais facilmente.
Para mais, com estas stacks encontrarão alguns bons lugares para fazer float no turn ou fazer semi-bluff. Vocês dão origem a muito fold equity com esta jogada pois o oponente terá que escolher se vale a pena investir todo o seu stack.
Se estão a jogar contra um short stack, chegarão rapidamente a um ponto em que podem ir all-in com mãos marginais. Aqui devem recolher naturalmente o maior número de informações sobre o short stack. Se ele é um "fish", que está a usar os seus últimos cêntimos, vocês devem jogar de maneira conservadora e tentar levar esse dinheiro pós-flop. Se ele for um short stack "profissional", terão que lidar com bem mais problemas. Agora não mais escolhas a não também perseguir uma estratégia short stack óptima. Contudo, sendo a big stack nunca terão tanta familiaridade com os melhores pushing ranges.
Uma boa short stack tem duas jogadas no seu inventório - ou são os primeiros no push, ou fazem um ataque à vossa blind com um raise normal.
Depois do oponente fazer push, apenas duas opções estão disponveis - o call ou fold. Dependendo das vossas suposições sobre o pushing range do vosso oponente, têm agora tentar determinar se um call é +EV.
O problema, reside claro em fazer a suposição correcta sobre o seu pushing range. Será que ele fazer sempre push aqui, ou será que fará um raise de vez em quando? Qual a influência que a sua stack tem sobre o seu pushing range?
Cabe-vos estimar o pushing range do adversário. Se vocês tiverem AA, então o seu range não interessa, mas nem sempre isso acontece.
Se conseguirem fazer uma boa estimativa do seu pushing range, então sigam estes passos para descobrirem se têm ou não +EV.
- Determinem o tamanho da stack do oponente (em BBs)
- Estimem a equity das vossas mãos contra range proposto, usando o Equilator
- Coloquem os dois valores na formula em baixo para determinar o EV de um call
S :Tamanho do stack do oponente em BBs
E : Equity da vossa mãos vs pushing range do oponente
EV = E * (S+1) – [(1-E) * (S-1)]
Se tiverem um valor positivo, façam call, caso contrário façam fold.
Exemplo
Pushing range estimado do oponente: 22+, A8o+, A5s+, KT+, QT+
1/2 No-Limit Hold'em (5 handed )
BB: 30$
Hero: 200$
Pré-flop: Hero em BB com A
, 9
3 folds, SB faz raise para $30 (All-In), Hero ???
A vossa equity é 44,39%.
O seu stack é 15 BB.
Assim, temos o seguinte resultado:
E = 0,4439
S = 15
EV = E * (S+1) – [(1-E) * (S-1)]
EV = 0,4439 * (15+1) – [(1- 0,4439) * (15-1)]
EV = 7,1024 – 7,7854
EV = -0,683
Destas premissas resulta que um call é -EV, logo vocês devem fazer fold.
Em retrospectiva, pelo menos podem calcular se um call é uma boa decisão. Quando estão na mesa isto não é possível.
Podem-se preparar para tal situação usando números Sklansky-Chubukov, uma tabela que vos dá o range de calls adequado contra um push de uma short stack. É claro que isto funciona no máximo das suas capacidades se o oponente está a fazer pushs de acordo com o gráfico
Sklansky-Chubukov. Com alguma diligencia e com o Equilator, vocês terão maior facilidade em lidar com esta situação.
Para mais informações sobre este tópico, consultem o seguinte artigo: Números Sklansky Chubukov e pushes Pré-flop
Neste caso não só têm opções de fazer fold ou call, mas também podem decidir fazer um re-raise. Com um re-raise ficam comprometidos com o pote e acabam por ver todas as 5 cartas se o oponente levar a mão mais longe. Devem então fazer um push directo contra uma short stack, pois a stack iria entrar em jogo de qualquer maneira.
Caso 1: Vocês decidem tentar o re-steal
Nesta situação é importante saberem como a short stack joga. Será que vai fazer fold a um re-raise algumas vezes, ou será que se compromete sempre com a mão depois de fazer um raise normal? Será que vocês têm algum fold equity ou devem confiar inteiramente na força da vossa mão?
Se estimarem que não têm qualquer fold equity com um push, então precisam de mais informação sobre o range do oponente de maneira a poderem avaliar o vosso EV como da outra vez.
S: Dimensão da stack da short stack (em BBs)
E: A vossa equity contra o range de mãos do oponente
EV = E * (S+1) – [(1-E) * (S-1)]
Se acharem que o vosso push pode produzir alguma fold equity, então têm mais alguns passos para determinar o vosso EV. Primeiro devem fazer uma suposição sobre o calling range do oponente e só depois devem usar o Equilator de maneira a obterem a vossa equity.
Podem usar a seguinte desigualdade de maneira a calcula a fold equity necessária.
R : Tamanho do open-raise do oponente (em BBs)
S : Tamanho da stack da short stack (em BBs)
E : A vossa equity contra o range de mãos do oponente
0 < f * (r+1) + (1-f) * [E * (S+1) – (1-E) * (S-1)]
Com base neste valor e na vossa suposição sobre o calling range do adversário, podem agora calcular quão grande deve ser o raising range inicial do oponente para ele poder fazer fold de maneira a tornar um push +EV.
Exemplo
Calling range estimado do oponente: 22+, A8o+, A5s+, KT+, QT+ (20,06%)
SB: 30$
Hero: 200$
1/2 No-Limit Hold'em (5 handed )
Pré-flop: Hero em BB com A
, 9
3 folds, SB faz raise para $6, Hero faz re-raise para $30
A vossa equity é 44,39%.
A sua stack é 15BB.
E = 0,4439
S = 15
0 < f * (r+1) + (1-f) * [E * (S+1) – (1-E) * (S-1)]
0 < f * (3+1) + (1-f) * [0,4439 * (15+1) – (1- 0,4439) * (15-1)]
0 < 4f + (1-f) * [7,1024 – 7,7854]
0 < 4f + (1-f) * (-0,683)
0 < 4f –0,683 + 0,683f
4,683f > 0,683
f > 0,1458
f > 14,58%
Agora calculem quão grande é o range de open-raise do oponente.
oH = 0.2006 / (1 – 0.1458) = 0.2348
oH = 23.48%
Isto representa um range de open-raise de 22+,
A5o+, A2s+, KT+, QT+ e assim significa que o oponente faz fold com A5o-A7o and A2s-A4s contra o vosso push.
Se o oponente tiver o open-raising range maior do que o push calling range, então vocês obtêm um push +EV.
Isto parece algo muito matemático, mas isto irá ajudar-vos a tentar analisar o vosso jogo fora da mesa, e a fazer-vos notar se estão a fazer push de forma demasiado tight ou loose. Com esta analise, vocês ganham um bom pressentimento para os ranges certos e acabam por tomar as decisões correctas com frequência, nestas situações.
Aqui encontrarão um ficheiro Excel com tabelas que lidam com a maioria dos calculos: Gráfico Excel para jogar contra short stacks e 4-bets agressivos
O que não se devem esquecer é que um oponente pode fazer push com as suas mãos mais fracas, de acordo com os números Sklansky-Chubukov, mas fazer um raise normal com as suas mãos fortes de maneira a levar-vos a tentar um re-steal. Com um range de open-raise opositor tão tight, vocês não terão fold equity para justificar um push. Se souberem que oponente usa esta estratégia, então o vosso pushing range deve ser bem mais tight!
Caso 2: Vocês fazem call pré-flop
Em vez de fazerem re-steal, podem considerar fazer call e jogar jogar o flop em posição. Não há forma de usarem fórmulas matemáticas para explorar esta situação de forma mais detalhada. Têm que ter em conta o seguinte.
- Quando menor for a stack efectiva, mais fraca é a vossa vantagem posicional
Com uma stack pequena, uma aposta pode comprometer-vos ao pote, havendo assim menos opções de jogo. Podem então nem fazer float nem fazer bluffs com raises no flop pois não conseguem criar fold equity. Para mais, o controlo do pote com stacks pequenas não vale de nada. A vossa vantagem de posição já não toma grande importância, pois apenas têm que decidir ir all-in ou não.
- O oponente pode agir primeiro no flop
Quando as stacks são grandes, isto é uma vantagem para vocês, pois ganham informação sobre a mão do oponente. Com stacks pequenas isto é uma desvantagem pois o oponente não precisa de ter uma mão para fazer uma contination bet. Contudo, vocês precisam de uma para reagir de maneira agressiva. Nesta situação é recorrente que o primeiro a fazer uma aposta leva o pote, se ambos os jogadores falharem o flop. Assim oponente agora tem uma vantagem, pois tem a oportunidade de fazer a primeira aposta.
- Quando melhor for a short stack, mais consciente estará da dinamica da situação
Se jogam contra um jogador fraco que é passivo pós-flop, um call aqui pode ser uma boa jogada, pois podem acabar por ganhar o pote sem irem ao showdown. Quanto melhor for a short stack, mais provável é que esteja consciente de que tem algumas vantagens nesta situação e que as use em seu proveito. Contra um bom jogador, vocês não podem assumir que ele desistirá da sua mão pós-flop, após fazer uma continuation bet. No entanto isto pode ser o caso com um mau jogador.
Estejam atentos naquilo em que se estão a meter quando fazem um call pré-flop e escolhem o vosso range em conformidade. De maneira a fazer este call, vocês precisam de mãos ganham valor de showdown, e por isso devem evitar fazer call com suited connectors, por exemplo, pois já não há odds implícitos.
Como jogar contra um oponente que faz frequentemente 4-bets contra as vossas 3-bets?
Isto dependerá no tamanho das 4-bets. Será que o oponente se compromete à mão ou faz pequenas 4-bets, o que lhe deixa em aberto a oportunidade de fazer fold estando sob pressão?
Se vocês jogam contra um jogador agressivo pré-flop, contenham-se com as vossas mãos para draw e façam 3-bets com menor regularidade. Devem desviar o vosso range de maneira a obter igualdade ao adaptarem-se a esta agressividade.
Há duas maneiras de fazerem isto:
- Fazem menos 3-bets, de maneira a poderem responder a 4-bets loose com 5-bets.
- Fazem 3-bets com alguma regularidade, mas com um range ligeiramente diferente, de tal maneira a que possam fazer bluff com 5-bets vezes suficientes.
Podem combinar estas duas, fazendo menos 3-bets, mas também misturando com alguns bluffs usando 5-bets.
Para o primeiro ajuste, apenas tiram as vossas mãos para draw do vosso 3-betting range, e irão fazer automáticamente menos 3-bets. Podem usar este ajuste contra oponentes que se comprometem com uma 4-bet ou com uma 4-bet push all-in.
Para o segundo ajuste, devem considerar com que mãos querem fazer bluff com a 5-bet. Naturalmente estas são mãos que têm uma boa equity contra o calling range opositor, de maneira a que não acabam por ver o showdown com 72o, por exemplo. Assim, usam as vossas mãos problemáticas - Áses médios e pequenos (especialmente suited aces) para fazerem 3-bets de maneira a que possam fazer pushs com elas como bluff.
Uma mão dessas pode ser como o que se segue.
1/2 No-Limit Hold'em (5 handed )
SB: 215$, faz 4-bets frequentemente em batalhas de blinds
Hero: 200$
Preflop: Hero is BB with A
, 4
3 folds, SB faz raise para $7, Hero faz re-raise para $24, SB faz re-raise para 56$, Hero faz re-raise para 200$ (All-In)
Com a mão acima descrita, podem fazer uma análise matemática para ver se o (semi)
bluff com um push é +EV.
No seguinte calculo, convém referir-se que aumentar os vossos bluffs leva a um maior proveito para as vossas monster hands. Se o bluff também é +EV ou mesmo break também, podem ter a certeza que esta jogada é proveitosa dado o vosso maior payoff pelas vossas monster hands.
No inicio dos cálculos, vocês têm que assumir um determinado calling range do oponente. No exemplo analizam três tipos de oponente diferentes, que fariam call ao vosso push, com ranges diferentes.
- Oponente 1: QQ+, AK (2.6%)
- Oponente 2: TT+, AK (3.5%)
- Oponente 3: TT+, AQ+ (4.7%)
A vossa equity contra cada um dos três oponentes:
- vs. Oponente 1: 29.7%
- vs. Oponente 2: 30.7%
- vs. Oponente 3: 30.7%
Com quase nenhuma diferença nas equities, você chegam à conclusão de que o calling range dos oponentes não é relevante. O tamanho do calling range, tem claro influência sobre se esta jogada é ou não +EV.
O vosso próximo passo é o de descobrir quão grande deve ser a vossa fold equity para um push ser justificavel. Se estiverem familiarizados com estes cálculos, chegarão à conclusão de que a fold equity necessária contra cada um dos oponentes é quase identica.
Fold equity contra oponente 1:
0 < f *(24+56) + (1-f) * (0.297 * (200+24) – (1-0.297) * (200-24))
0 < 80*f + (1-f) * (66,528 – 123,728)
0 < 80 * f + (1-f) * (-57,2)
0 < 80f –57,2 + 57,2f
137,2f > 57,2
f > 0,4169
f > 41,69%
Fold equity contra oponentes 2 e 3:
0 < f*(24+56) + (1-f) * ( 0,307 * (200+24) – (1-0,307) * 200-24))
0 < 80f + (1-f) * (68,768 – 121,968)
0 < 80f + (1-f) * (-53,2)
0 < 80f – 53,2 + 53,2f
133,2f > 53,2
f > 0,3993
f > 39,93%
Com base nestas fold equities podem agora calcular o range minimo das 4-bets, destes oponentes, que tornam um push de um bluff através de uma 5-bet +EV.
Para isto, apenas precisam de três equações.
Oponente 1:
4-Bet-Range = 0,026 / (1- 0,4169) = 0,0445 = 4,45% (Range: TT+, AQ+)
Oponente 2:
4-Bet-Range = 0,035 / (1- 0,3993) = 0,0582 = 5,82% (Range: 88+, AQo+, AJs+)
Oponente 3:
4-Bet-Range = 0,047 / (1- 0,3993) = 0,0782 = 7,82% (Range: 77+, Ajo+, ATs+, KQs)
Com base nestes cálculos, podem agora calcular o range mínimo com que cada um dos oponentes tem que fazer 4-bets de maneira a que o vosso push seja +EV. Quanto maior for o seu 4-betting range, comparado com o minimo necessário, mais proveitoso é para vocês o push.
O link seguinte conduz-vos a um gráfico Excel que faz os calculos por vocês: Gráfico Excel para jogar contra short stacks e 4-bets agressivos
O vosso ajuste ao range ainda não está completo Dado que vão receber mais acção do oponente, ou se o oponente for simplesmente fraco, estão agora em posição de fazer pushes para valor mais ligeiros.
Assim, o vosso pushing range já não é apenas
QQ+, AK. Dado que estão a usar small suited aces como mãos para bluff em
particular, o oponente pode-se sentir tentado a fazer call com AQ ou mesmo AJ. Deste modo vocês podem relaxar os vosso requerimentos para fazer call com pocket pair, pois estes tiram enorme beneficio do calling range ajustado. A tabela seguinte mostra a equity para os diferentes ranges. Usem 88 como o pocket pair de referência.
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Equity de 88 contra vários ranges
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A vossa equity com pocket pairs aumenta no máximo para 9%. Isto é um aumento enorme. Na situação de cima, vocês precisam de 44% de equity de modo a poderem fazer push para valor, assumindo que o calling range oposto é igual ao do seu 4-betting range. Dado que os oponentes não vão fazer 4-bets de maneira tão tight como aqui na realidade, vocês terão alguma fold equity e podem assim fazer push para valor com alguns pocket pairs.
Deve ser claro que vocês podem reagir à enorme agressão com uma contra-agressão selectiva. Se o oponente se aperceber que nessas alturas vocês saiem cada vez mais favorecidos numa situação all-in, ele irá diminuir a sua agressividade. Se ele não se aperceber disto, vocês descobriram uma excelente maneira de extrair lucro adicional ao adaptarem-se à sua agressividade.
A outra opção é a de fazerem 3-bets tight e fazerem call com mais frequência, deixando que a vossa vantagem de posição vos permita explorar um jogador agressivo. O oponente teria então atingido parcialmente o seu objectivos. Tal como sugerido, vocês podem fazer call-downs nesta situação, com mãos de força média. Quanto melhor for o vosso jogo pós-flop, mais devem fazer isto enquanto que evitam fazer bluff pushes pré-flop.
Como é que jogam contra Small Blinds que gostam de fazer check-raise no flop?
Vocês não querem ver mini-raises. Aqui podem fazer menos continuation bets, tanto no caso em que atingem como no caso em que não atingem no flop, de modo a que o oponente tenha menos oportunidades para fazer check-raise. Depois de fazerem check behind no flop, têm duas opções à vossa escolha, com as quais muitos oponentes não estão familiarizados e terão dificuldade em adaptar-se.
Por um lado vocês podem jogar check-behind flop/raise no turn ou podem fazer check-behind flop/call no turn/re-avaliar no river.
Ambas as linhas protegem-vos do check-raise no flop, mas também vos permitem extrair lucro da vossa mão devido à vossa vantagem de posição.
Ambas as linhas têm os seus usos especiais. Irão agora ser discutidos os prós e os contras de cada.
Esta linha de acção é melhor contra oponentes agressivos "a uma dimensão", cujo objectivo em fazer check-raise no flop é de roubar, e que assim fazem frequentemente uma aposta no turn com o objetivo de levarem o pote.
Vocês estão agora em posição para roubar o pote ao fazerem um raise no turn. Não precisam necessáriamente de valor de showdown, dado que esta jogar costuma gerar fold equity suficiente. Outra vantagem desta táctica é de que vocês conseguem tirar muito lucro se conseguirem melhorar para uma monster hand no turn. Dois pares no turn é perfeito para levarem as stacks de um top pair oposto. Esta linha também é naturalmente adequada para abrandar um trio de topo, em que um oponente tem dificuldade em desistir do seu one pair.
Contra jogadores agressivos vocês podem passar por dois bluff-bets (incluindo um no river) e mesmo assim manter o pote relativamente pequeno com esta linha. Se tentarem actuar de maneira a descobrir bluffs depois de um check-raise no flop. têm a desvantagem de que o pote está inflacionado e o oponente têm mais dois streets para colocar a sua stack na mesa. Isto pode sair-vos muito caro se forem ao encontro de uma mão melhor, ou se a mão do oponente melhorar no turn ou no river.
Para poderem jogar esta linha de acção, deve ser claro que a vossa mão têm que ter algum valor de showdown ou, pelomenos, alguns outs, pois vocês não mostraram qualquer agressividade no flop ou turn.
Outra vantagem desta linha é que vocês ficam com a possibilidade de fazer bluff no river caso uma scare card apareça. Muitos jogadores não acham que um habitual fará bluff no river, pois classificam-no como um sólido jogador ABC. Deste modo vocês podem eliminar uma possível fuga com esta linha, e equilibrar algumas das vossas apostas no river com bluffs. Devem escolher as alturas para estes bluff-raises no river cuidadosamente, pois não faz sentido fazer bluff com uma scare card, quando jogam contra um "Showdown Monkey" agressivo que está predisposto a fazer call com um second pair, good kicker.
Há uma desvantagem obvia nesta linha também. Se o oponente aposta no turn e dá check no river, vocês deram origem a uma situação divertida. Se vocês seguram um draw que falhou, não sabem se devem fazer um bluff bet, dado que a linha oposta oposta parece um check/call para indução de bluff. Se tiverem uma mão feita, é difícil avaliar se devem apostar para valor, pois têm pouca informação sobre a mão do oponente. Agora precisam de encontrar o equilíbrio certo, não perdendo muito valor, jogando de forma demasiado passiva e não fazendo apostas por valor demasiado ligeiras.
Se estiverem a jogar contra oponentes matreiros que podem fazer check/raise no river, tanto como bluff como também aposta para valor, a vossa decisão ainda se torna mais difícil.
Ambas as linhas requerem qualidades pós-flop para serem bem implementadas, contudo agora vocês têm uma defesa contra o check-raise no flop. Se o oponente não aposta no turn, não é mau para vocês porque agora sabem mais sobre a sua mão, pois os seus dois checks e mãos fracas com valor de showdown (A high) conseguem chegar ao showdown mais facilmente. Para mais, vocês têm a oportunidade de fazerem uma continuation bet atrasada com mãos fracas, particularmente se uma carta alta aparece no turn (A ou K). Por fim, podem fazer apostas para valor em dois streets com as vossas mãos feitas.
O check-behind é assim uma arma bastante eficiente contra oponentes que jogarão check/minraise no flop para vos fazer desistir da mão.
Como é que jogam contra oponentes que renunciam à sua continuation bet no flop?
Esta situação depende muito dos vossos reads sobre os oponentes. Será que a oposição considera que vocês sejam um jogador forte ou fraco? Será que pensa que vocês são um TAG hiper agressivo e está a tentar tornar isso numa fraqueza?
Bons jogadores geralmente não fazem uma continuation bet no flop quando têm uma mão com valor de showdown, e não querem que o pote fique demasiado grande fora de posição. Tais jogadores raramente seguram mãos para draw nesta situação, e preferem apostar no flop com estas, de maneira a que possam jogar para valor quando elas atingirem.
Vocês devem então ter cuidado de forma a não caírem numa armadilha contra um jogador habitual, ao irem para um bluff puro com uma 3-barrel. Apesar disto ter sucesso contra jogadores fracos pós-flop, não faz sentido aqui porque ele geralmente terá feito check com uma mão feita média ou forte.
Se estão a jogar contra um jogadore bastante directo cujo check sugere que ele não tem nada aqui, podem tentar levar o pote sem terem atingido no flop. Vocês ganham a iniciativa e num pote não disputado, quando ambos os jogadores não têm nada, vocês aplicam pressão no outro jogador.
Se tiverem algo no flop, então devem jogar com maior cautela aqui, agindo de acordo com a força da vossa mão e com a textura do flop. Quantos mais draws forem possíveis com o flop, maior a vossa necessidade de proteger a vossa mão, mas se defrontarem com um raise não devem ter problemas em fazer fold. Se a mesa está seca e vocês têm uma mão forte, não precisam de apostar para a proteger, o que apenas vos poria numa situação perigosa em que um check-raise poderia resultar no fold da melhor mão. Vocês devem fazer check behind com a filosofia "Mão pequena, pote pequeno" em mente.
Se têm uma mão feita que costuma estar à frente no flop, mas há uma pequena hipotese de que já não esteja à frente no river (ex. bottom pair, no kicker), devem tentar protegê-la no flop.
Quais os erros que devem evitar numa batalha de blinds?
Há duas coisas a saber. A primeira é que devem evitar fazer demasiadas continuation bets, e criar oportunidades de check-raises que possam inflacionar excessivamente o pote.
O segundo erro comum numa batalha de blinds é estarem demasiado ansiosos para empurrar o oponente para fora do pote como resultado fazerem jogadas desajustadas. Vocês têm vantagem de posição e devem usa-la de acordo com a situação. Ainda há alguma exigência de jogadas sólidas. Simplesmente disparar contra o pote e esperar que o oponente desista da mão pois está fora de posição e o pote não é grande, é uma jogada fraca e consideravelmente -EV.
Conclusão
Depois de terem lido este artigo, assim como a sua contraparte Batalha de blinds: jogando na Small Blind
terão um conhecimento sólido sobre a situação de batalha de blinds. Com as ideias apresentadas nestes artigos, vocês têm mais técnicas disponiveis para vencerem uma batalha de blinds de modo a terem ainda mais lucro no longo prazo.
De novo é-vos apresentado o link para o ficheiro Excel, que podem usar para os calculos relativos a jogadas contra short stacks: Gráfico Excel para jogar contra short stacks e 4-betters agressivos
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