Atualizado em 07 Jul 26 por

Resumo do seminário para profisionais Pokerstrategy Alemanha, realizado em Bona

Introdução

Neste artigo

  • Seminário para profissionais PokerStrategy-Alemanha realizado em Bona

Orador: Dominik Kofert conhecido como Korn

Tópico 1: O papel do dead money na tentativa de isolamento de um agressor pré-flop

Base: estratégia pré-flop avançada.

Quando falamos de equity, estamos sempre a referir-nos da equity da nossa mão face ao range de mãos possíveis do nosso oponente. Isto quer então dizer que a equity varia conforme o adversário.

Todos já devem ter presenciado uma situação parecida: encontram-se no botão, todos fazem fold até ao cutoff que executa um raise. Geralmente uma 3-bet seria adequada com mãos com uma equity de pelo menos 50%, tendo em conta o range do adversário.

Este método, no entanto, ignora algo muito importante: as blinds. Devido às blinds, já existe dinheiro no pote. É bastante provável que as blinds façam fold devido à nossa aposta. Existiriam assim 0,75 SB como “dead money” no pote. Este dinheiro é partilhado igualmente entre vocês e o jogador que fez o raise inicial pré-flop.

Tendo isso em conta, vocês poderão aligeirar um pouco o range necessário para a vossa 3-bet, pois, na realidade, necessitam um pouco menos de 50% de equity face ao jogador que fez o raise inicialmente. A questão será então quão menos abaixo de 50%.

A abordagem

Em primeiro lugar teremos de estimar quanto planejamos investir em toda a mão, em média. Como não estamos all-in pré-flop, não é suficiente incluirmos apenas as 3 SB que vocês necessitam para a 3-bet. A mão irá continuar no flop, turn e muito possivelmente no river também.

O valor irá oscilar consoante o adversário que enfrentamos. O rock geralmente irá largar a sua mão quando vir a vossa aposta no flop. Vocês podem, caso aconteça, fazer fold ao seu
check / raise no flop. Os potes geralmente são pequenos quando enfrentam um rock. O que é precisamente o contrário do que acontece quando enfrentam um maníaco.

Penso que a estimativa de 6 SB como investimento nesta mão será bastante realista. Juntando esse valor ao dead money (1,5 SB) e às 6 SB do vosso adversário obtém-se um pote de 14.5 SB. Quanto deste pote nos pertencerá, em percentagem, de maneira a que o nosso investimento de 6 SB seja lucrativo se ambas as blinds largarem a sua mão?

Seja D o investimento médio na mão.
Seja X a equity necessária para a 3-bet.
Seja M o valor do dead money.

Fórmula para cálculo da equity

O seguinte aplica-se: X = D / (2D + M)

Aplicando esta fórmula ao nosso exemplo conseguimos o seguinte resultado:
X ~= 44,5%

Só precisamos de uma equity de aproximadamente 45% contra um adversário médio se ambas as blinds desistirem da mão. O que deveremos fazer se as blinds não desistirem? Isso vai depender do nível de jogo dos jogadores nas blinds. Por exemplo, se a BB nunca larga as suas mãos, nunca terão dead money, mas obterão muito valor se ele fizer o call com mãos como T8o. A big blind que seja demasiadamente loose não terá muito importância. Existe uma exceção que ocorre quando a vossa mão é muito forte em heads-up, mas perde valor numa situação com 3 jogadores. Isto acontece com mãos como Ax, mas não à pocket pairs, como muitos poderiam pensar.

Jogadores que não joguem demasiado loose, mas corretamente, são perigosos. Estes jogadores só defenderão a sua blind se tiverem uma boa mão. Eles não vos irão dar matematicamente a totalidade das 1,5 SB como dead money. Este valor reduz-se para 0,75 SB se estiverem a enfrentar
blinds muito fortes.

Neste caso, precisariam de X ~= 47% para que a vossa 3-bet fosse ainda correta.

Como muda a situação se o agressor no cutoff for muito tight pós-flop? Nesta situação não necessitamos de investir 6 SB cada vez mas algo como
5 SB. Se calcularmos o X quando enfrentamos um jogador tight e blinds fracas: X ~= 43,55%.

Avancemos um pouco mais: o oponente é muito tight pós-flop e as
blinds fazem call com qualquer coisa. Eles perdem assim 2 SB em vez das 1,5 SB, estando nas blinds. O X seria, neste caso, 41,5%

Como é que a situação muda se enfrentarmos um maníaco mas blinds com bastante valia técnica?
Assumimos o D como 8 e o M como 0,75 e obtemos um valor de X ~= 48%

Conclusão: Dependendo da força das blinds nós só precisaremos entre 42% a 48% para isolar um jogador que faça raise pré-flop. Contra um maníaco será mais adequado ter pelo menos uma equity de 48%. O valor padrão contra o jogador médio é uma equity de 46%.

Tópico 2: A defesa da Small blind

No tópico 1 calculamos em que medida podemos reduzir a equity abaixo de 50% de forma a isolar um agressor pré-flop. Foi assumido que faríamos apenas raise ou fold.

Esta situação é bastante semelhante à possibilidade de estarmos a jogar contra um raise da SB. Então poderemos utilizar, basicamente, a mesma fórmula.

Seja D o investimento médio na mão (as blinds são também contabilizadas).
Seja X a equity adequada para a 3-bet.
Seja M o valor do dead money.
Seja S o tamanho da small blind (normalmente S = 0,5).

Consequentemente o seguinte aplica-se: X = (D - 0,5) / (2D + M)

Em média, investimos 5,5 SB na mão após descontarmos a SB. Existe 1 SB como dead money se assumirmos que a BB larga a sua mão. O que resulta no valor de 42.5% para o X. Em média, isto é 3 p.p. abaixo do que se estivéssemos no button.

Novamente este valor altera-se se assumirmos que a BB joga melhor do que a média. Precisaremos uma maior equity jogando contra um maníaco do que se estivermos a enfrentar um rock.

Conclusão: geralmente faremos a 3-bet contra um open raise com mãos que tenham
equity de pelo menos 43% contra o range do nosso oponente. Este valor pode reduzir-se até aos 40% ou aumentar até os 46% dependendo do estilo de jogo e habilidade da BB. Precisaremos maior equity contra um maníaco do que enfrentando um rock.

Tópico 3: A defesa da big blind

Vamos assumir que o jogador que está no button faz o raise, o jogador na
SB desiste da mão e vocês estão na big blind. Obviamente que faremos a 3-bet com qualquer mão que tenha uma equity maior que 50%. Se tivermos menos que 50%, deveremos refletir se o call ou o fold será mais adequado. Poderemos utilizar uma abreviação da fórmula de há pouco:

Seja D o investimento médio na mão em SB (contabilizando as blinds também).
Seja X a equity necessária para uma 3-bet.
Seja M o valor do dead money, mais especificamente da SB.

O que resulta em:

X = (D - 1) / (2D +M)

D é logicamente mais pequena do que no caso considerado acima, pois nós faremos a 3-bet nessa situação. Neste caso só estamos a considerar fazer o call. Em média, faremos check / fold 60% das vezes no flop e check / raise no flop seguida de aposta no turn nos remanescentes 40% dos casos. Eu estimo, assim, o investimento médio nesta jogada, contra um adversário padrão, em 4 SB.

O que resulta num valor de X de 35%.

Como o flop é pequeno e nós fazemos check ao nosso adversário, não é muito significativo para nós sabermos se o adversário é rock ou maníaco, pois teremos vantagem de informação no flop – poderemos optar tranquilamente entre o check / raise ou o
check / fold.

Conclusão: precisamos de, no mínimo, uma equity de 35% para defender a nossa blind.

Tópico 4: SB vs BB pré-flop

Quando nos encontramos numa batalha entre blinds, teremos de fazer raise ou fold contra um jogador agressivo. As mãos apropriadas para o raise já estão discriminadas na ORC. Não faz qualquer sentido fazermos limp se podermos fazer o raise. Também não faz qualquer sentido fazer o limp e re-raise, pois abdicamos da hipótese do cap pré-flop.

Esta é forma de jogar contra um jogador passivo: só fazemos raise com mãos que tenham uma equity maior que 50% contra uma mão aleatória. Faremos limp com qualquer outra mão. Se o nosso adversário efetuar um raise após o nosso limp, largaremos a mão sempre que esta apresente menos de 35% de equity contra o range desse jogador. Isto implica que faremos limp / fold com mãos muito fracas. Se o adversário fizer o check, poderemos apostar no flop independentemente da nossa mão ser muito fraca. Ocasionalmente abriremos exceções com mãos fortes.

Tópico 5: O value check em heads-up no turn em posição

Vocês têm posição e a iniciativa no turn. O adversário faz check.

A questão é saber se devem apostar ou fazer o check behind no turn para dar call no river. É um problema bastante complexo!

Argumentos a favor do check behind

1. Evitam um indesejável check / raise. O check / raise é particularmente complicado de enfrentar quando não conseguem avaliar facilmente se o call ou o fold é o mais correto. Geralmente os jogadores agressivos mais habilidosos tendem a fazer estes check / raises extremamente complicados. Com efeito, o check / raise só é complicado se vocês não tiverem uma mão nem muito forte (easy call) nem uma muito fraca (easy fold). Matematicamente falando, estes check / raises complicados reduzem o vosso valor esperado para praticamente 0.

2. Induzem um blefe de uma mão fraca no river, que teria feito fold face a uma aposta no turn.

3. Induzem a um call fraco no river por parte de mãos que teriam sido largadas se enfrentassem uma aposta no turn.

Argumentos a favor de apostar

1. Pode provocar o fold de uma mão melhor que a nossa, o que é muito valioso.

2. Uma mão pior que a nossa pode dar call no turn assim como no river. Isto é especialmente interessante com mãos que tenham força suficiente para uma aposta no river.

3. Não permitem free cards a mãos que seriam largadas perante uma aposta no turn. Importante: quanto maior for o pote, mais perigoso é permitir free cards ao adversário.

4. Podem provocar o fold de mãos que na realidade tem outs suficientes para dar o call. Isto ocorre quando, por exemplo, o board é todo do mesmo naipe. Os adversários tendem a largar mãos com cartas baixas desse naipe.

Algumas diretivas de ajuda

Podemos deduzir algumas idéias mais ou menos exatas que vos podem ajudar, utilizando os fatores acima mencionados.

1) Um check behind no turn só é plausível se a probabilidade de estarmos atrás for elevada, mas ainda pudermos fazer o call a uma aposta no river mesmo sem melhorarmos a nossa mão.

2) Um check behind no turn não é adequado se a probabilidade de o adversário largar uma mão melhor existir.

3) Um check behind no turn está fora de questão se pudermos apostar por valor novamente no river, implicando que o adversário tenha dado call no turn. Isto significa que não devem fazer check behind no turn se estiverem convitos de que o vosso oponente faria calldown com mãos piores que a vossa até ao showdown.

4) Vocês não devem fazer o check behind no turn se pote for grande, pois quanto maior o pote, maior o custo potencial de dar free cards ao adversário que teria largado a sua mão perante uma aposta.

5) A capacidade de evitar estes check / raises complicados é uma das maiores vantagens do check behind no turn. Se existir uma forte probabilidade do jogador contrário tentar um check / raise que nos colocaria num dilema, o melhor mesmo será fazer o check behind.

Tipos de adversários

Podemos retirar alguns corolários das regras acima mencionadas:
Vocês devem fazer mais vezes o check behind contra jogadores agressivos e que considerem particularmente matreiros. Por outro lado, nunca devem fazer o check behind contra um jogador loose passivo.

Check behind, sim ou não? – checklist

Todos os argumentos até ao momento mencionados são apenas diretivas, logo não são regras absolutas. Pondo assim as coisas, cada fator acima considerado pode valer mais ou menos consoante a situação específica e o adversário em concreto envolvido na jogada. O estilo de jogo do adversário e a composição da mesa serão agora levados em conta para responder às questões seguintes.

1) Existe a possibilidade de que o adversário faça fold com uma mão melhor que a nossa no turn? +3 Pontos

2) Vocês sabem exatamente o que fazer se o adversário fizer check / raise, isto é, têm uma mão que vos permite fazer um easy-call ou easy-fold?
+2 Pontos

3) Vocês podem fazer uma aposta por valor no river se o vosso adversário der o call no turn à vossa aposta? +2 Pontos

4) O vosso oponente costuma fazer muitas vezes check / raise? Em caso afirmativo, vocês estarão perante uma decisão complicada se o oponente fizer um raise no turn ou uma donk bet no river porque gosta de usar blefes também? -2 Pontos

5) Se fizerem check behind no turn, existe a possibilidade do vosso adversário tentar um blefe no river mesmo que tenha uma mão pior que a vossa? -1 Ponto

Resultados:

0 ou mais pontos: APOSTEM
Menos de 0 pontos: FAÇAM CHECK

Tópico 6: Heads-up no flop com posição: call no flop, raise no turn ou raise no flop?

De maneira a podermos responder da melhor forma a esta questão, eu tentarei simplificá-la ao máximo. Consideraremos apenas dois casos distintos:

1) Temos a nuts ou uma mão imbatível. Desejamos extrair o máximo de valor.

2) Definitivamente temos uma mão com elevada probabilidade de perder. Queremos criar o máximo de fold
value
possível, investindo o mínimo de dinheiro concebível. Basicamente, tentaremos otimizar a relação entre o fold value e os custos. Não nos será permitido desistir da mão antes do river.

Caso 1) é a simplificação da hipótese de uma mão feita . Caso 2) simula a possibilidade de estarmos num draw com qual desejamos tentar um semi-blefe. Nem é preciso dizer que assumimos não estarmos a jogar com um maníaco total nem com um super calling station, porque nestes casos não devemos sequer considerar fazer semi-blefes contra estes jogadores.

Caso 1: Jogando com uma mão feita

Como mencionado acima, assumimos que a nossa mão é imbatível e desejamos extrair o máximo de valor.

Geralmente, devem dar call no flop e fazer o raise no turn com mãos feitas.
Conseguirão 3 SB extra a maioria das vezes. Se ele fizer o calldown até conseguirão 7 SB.

Se fizessemos o raise no flop e apostassemos no turn, só conseguiríamos 1 SB, ou 5 SB se ele fizesse o calldown.

Vocês deverão fazer o raise no flop imediatamente se o vosso oponente for muito agressivo ou se o board antecipar muita ação. Um jogador muito agressivo vai fazer a 3-bet no flop. Damos call à sua 3-bet e fazemos o raise no turn. Desta forma conseguimos 2 SB extra se o adversário fizer o calldown no flop e fazendo o raise no turn. Mesmo que o jogador agressivo só dê call ao nosso raise no flop, ele irá tentar o check / raise no turn muitas vezes, permitindo-nos fazer a 3-bet. Conseguimos 3 SB a mais fazendo desta forma do que conseguiríamos fazendo apenas call no flop e raise no turn.

Caso 2: Jogando draws

Base: o artigo que discute o ataque a pontos fracos do adversário da seção profissional (pokerstrategy.com).

Nós teremos sempre que assumir que estamos atrás e tentar que o adversário faça fold da forma mais custo-eficiente possível.

Temos duas hipóteses: tentarmos o raise no flop e apostarmos no turn ou fazermos call no flop e raise no turn.

No caso 1, vimos que um jogador loose-agressivo raramente faz fold perante um raise no flop. Ele fará muitas vezes a 3-bet seguindo-se uma aposta no turn. Ele também fará a 3-bet no turn bastantes vezes quando não o faz no flop.

No entanto, se fizermos call no flop e raise no turn, é comum fazerem
fold e raramente farão a 3-bet no turn. Dar call no flop e raise no turn é por isso a melhor opção como semi-blefe contra um LAG.

É importante avaliar a textura do board quando se enfrenta um jogador tight.

Duas coisas podem ocorrer quando o board for especialmente pesado: 1. O adversário terá outs contra vocês. 2. Outras vezes, ele colocar-vos-á num draw.

Estes dois fatores reduzem a eficácia de um raise no flop. Por isso mesmo devem fazer call no flop e raise no turn novamente.

O raise no flop contra um jogador tight terá maior probabilidade de ser bem sucedido se a mesa não permitir muitos draws, por exemplo K 5 2 rainbow.

Vocês teriam a possibilidade de levar o pote investindo apenas 2 SB. Neste caso, deveriam efetuar o raise no flop.

Vocês poderão levar isto um pouco mais longe se enfrentarem um jogador realmente muito tight. Por vezes é suficiente dar call no flop porque o oponente possivelmente irá fazer check / fold no turn. Eventualmente vocês serão capazes de aplicar um blefe bem sucedido por apenas 1 SB, se tiverem a indicação de que o adversário raramente faz raise no turn nestas situações.