Atualizado em 07 Jul 26 por

Como jogar em situações de unraised pots

Introdução

Neste artigo

  • A indução do bluff tem precedência sobre a protecção
  • As abordagens possíveis em HU com ou sem posição
  • Jogando em pots com 3 jogadores

Sendo jogadores TAG, desejarão, praticamente sempre, entrar no pot com um raise. Não obstante, ainda encontrarão algumas situações de unraised pots,  porque mesmo nos limites mais elevados, existem jogadores que fazem limps iniciais ou overlimps. Nestes casos, poderão conseguir uma freeplay na big blind, ou até poderá ser lucrativo fazer limp após o limp de outros 2 jogadores ou, simplesmente, completar a aposta em SB.

Na secção de bronze, este tema foi introduzido no artigo Pós-Flop: Estilos de jogo padrão contra um oponente. A linha standard em HU perante um unraised pot é apostar sempre, independentemente da mesa. Só então consoante a textura da mesa e a utilidade das vossas cartas,  deveriam largar a mão ou apostar novamente no turn.

A justificação subjacente remete-nos para o facto de que o vosso bluff só necessitar funcionar aproximadamente 1/3 das vezes para se tornar rentável (a percentagem exacta depende da estrutura das blinds e se estão ou não na SB). Existe uma grande probabilidade do adversário ter falhado o board, portanto esta fold equity é considerada bastante realista.

Jogar desta forma tem EV+, no entanto, na procura da perfeição, esta não é, necessariamente, a forma que maximiza o EV. De forma a optimizar o vosso jogo nestas situações, vocês deverão ser capazes de reconhecer quando uma abordagem alternativa é mais adequada e mais rentável.

Neste artigo, considerararemos todas as hipóteses significativas na abordagem de situações de unraised pots. Aqui, aprenderão a escolher a solução que maximiza o vosso EV consoante o adversário, o board e a força da vossa mão. Vocês acabarão por perceber que estas linhas de jogos alternativas são tão bem balanceadas que o vosso adversário não conseguirá discernir a real força da vossa mão.

Como jogar heads up?

Tendo em conta que não farão o open limp (a não ser que estejam a jogar contra um fish passivo), só se encontrarão diante de unraised pots em HU quando estiverem na BB. Dependendo da possibilidade do limper se encontrar entre as posições UTG e BU, ou se ele for a SB, vocês poder-se-ão encontrar out of position (OOP) ou in position (IP) respectivamente.

Estando out of position em heads-up

Check/fold no flop

A bet "automática" OOP, como referido atrás, é lucrativa, bastando que o oponente faça fold em apenas 1/3 dos casos. Em média, isto poderá ocorrer praticamente contra todos os possíveis adversários, mas existem jogadores que não querem saber para nada de pot odds, odds ou outs e que raramente largarão uma mão no flop. Contra estes jogadores, não faz qualquer sentido colocar dinheiro adicional no pot pois estaremos como que a financiar a sua má jogada.

Para terem um read apropriado, o indicador Went to Showdown é bastante útil. É, no entanto, algo limitado, já que nos transmite apenas a regularidade com que o adversário vai a um showdown após ter visto o flop, ao invés da sua tendência em dar fold no flop, turn ou river.

Ainda assim, contra oponentes com um WTS elevado, vocês deverão tender mais para o check/fold.

Uma outra estatística interessante e específica do Pokerace é o Fold to Flopbet. Tal como no WTS, necessitamos de uma amostra considerável para tomar este valor como significativo ou fiável. Com a ressalva adicional deste indicador não fazer qualquer distinção entre raised ou unraised pots. Pode, assim, acontecer que o adversário seja frágil contra raises em pots em que tenha sido demonstrada uma maior dinâmica mas, por outro lado, dê sempre call em situações de unraised pots.

Tal como o WTS, um reduzido valor no indicador Fold to Flopbet (p. ex. menor que 25) será uma boa razão para fazer check/fold. A maioria dos TAGs demonstrará um valor em torno dos 30-35%.

Mais importante do que a análise de estatísticas (já que a maioria das vezes a amostra não será assim tão grande), é tentar conseguir um read efectivo na mesa, tentando perceber como este jogador tende a reagir a estas situações.

Além da averiguação do tipo de adversário, a mesa é também um importantíssimo factor a considerar na tentativa de estimativa da vossa fold equity. Quanto mais baixas forem as cartas na mesa e mais possibilidades de draws esta permitir, menos provável será o fold do adversário, porque geralmente eles tendem a ter overcards. Em boards secos com apenas uma carta alta, o oponente tenderá a fazer o fold mais facilmente.

  SUMÁRIO: MOTIVOS PARA DAR CHECK/FOLD NO FLOP
  • Um elevado valor de WTS do adversário
  • Um reduzido valor do Fold-to-Flopbet do oponente
  • Uma mesa que possibilite muitos draws
  • Uma mesa composta apenas por cartas baixas
EXEMPLO

Vilão: 40/10/1.5/45 (VP$IP / PFR / AF / WTS)

Preflop: Hero é BB com J 2
UTG dá call, e Hero faz check.

Flop: 3 , 5 , 7 (2,5SB)
Hero dá check, UTG faz uma bet, Hero dá o fold.

Neste caso o adversário com quase toda a certeza terá um gutshot ou overcards, isto se ele não conseguiu um par já no flop. Por essa ordem de razão, será raro o caso em que este jogador largará a sua mão directamente, já que ele estimará que tem pelo menos 6 outs. Uma bet no flop teria uma fold equity demasiado baixa e nós deveremos simplesmente largar a mão.

 O Check/Raise no flop

Por razões de balanceamento de jogo, tendo já analisado a abordagem check/fold, também devemos considerar a hipótese de fazer check/raise. Caso contrário, será sempre lucrativo ao adversário fazer raise no flop após o nosso check, pois ele saberá que nós largamos sempre a nossa mão sem luta.

Pelo menos em termos teóricos - na realidade, sabemos que adversários que fazem openlimp, geralmente, não deverão ser capazes de ajustar o seu jogo e explorar as nossas falhas. Não obstante, há ainda situações de jogo em que um check/raise é a melhor opção.

Tal como qualquer TAG, existem muitos outros jogadores IP que apostam sem pensar muito após verem check no flop do adversário. Vocês poderão explorar esta constatação, fazendo check/raise.

Se, efectivamente, o oponente faz esta jogada com todo o seu range de mãos,  e depois faz fold perante qualquer check/raise, então este movimento será lucrativo com qualquer mão.

Uma bet automática nossa pode resultar em que soframos um bluff (ainda que seja por um simples call), por isso mesmo nós ganharemos um pot bem maior se o check/raise for bem sucedido e correndo um menor risco de um bluff adversário porque um check/raise é mais respeitado do que uma bet standard que pode ser percebida como uma simples autobet.

Como é evidente, as mesas mais aconselháveis para executar este movimento serão aquelas em que, provavelmente, nenhum jogador conseguiu um par nem disponha de muitos outs, ou seja existem poucos draws possíveis e existe pelo menos uma carta alta.

Mais do que executar um bluff, o maior objectivo com C/R no flop é, como é óbvio, criar valor. Podemos assim descrever ambas as nossas intenções:

  • Vocês fazem C/R para tentar obter uma SB extra do oponente, quer quando estão num bluff, ou quando têm uma mão feita e desejam que ele dê o call.
  • Vocês fazem check no flop, não só para induzir um bluff adversário mas para que ele, efectivamente, consiga uma mão que não bata a vossa, aumentando o vosso lucro. Além disso, o C/R pode ser usado contra adversários com menor valia técnica que até poderão não tentar um bluff.

Como o pot é pequeno, o valor de uma SB extra no flop quando se está a aplicar um bluff, ou o valor de 2BB quando o oponente dá call até ao turn quando vocês dispõem de uma mão, compensa o risco de darem uma freecard.

Se fizerem o C/R no flop com uma mão feita, geralmente deverão apostar no turn, já que deverão assumir que são favoritos a ganharem o pot.

Com bluffs, terão de avaliar, baseado na composição da mesa, se vale a pena fazerem uma aposta ou então abdicar da mão. Se o oponente dá call com um board que oferece poucos gutshots ou overcards, muitas vezes, eles terão dado o call com alguma mão, e dificilmente a largam no turn (devido ao reduzido tamanho do pot, o adversário não dará call a qualquer raise no flop).

Se existirem muitos draws fracos e mãos com overcards, vocês deverão tender a apostar novamente no turn pois o outro jogador poderá ter dado call ao vosso checkraise no flop simplesmente devido às pot odds.

SUMÁRIO: RAZÕES PARA FAZER CHECK/RAISE NO FLOP

Com um (semi-) bluff:

  • O adversário costuma apostar perante qualquer check contrário.
  • O oponente não tem ido muitas vezes ao showdown.
  • A mesa, aparentemente, afasta-se do range de mãos do adversário.

Com mãos feitas:

  • Face a qualquer board, se o oponente costuma fazer a autobet.
  • Em mesas secas com apenas uma carta alta, que provavelmente não ajudou o adversário e este aparentar ser de um nível inferior.
EXEMPLO 1:

Vilão: 35/13/2.2/36

Preflop: Hero é BB com J2
UTG dá call, o Hero faz check.

Flop: Q , 5 , 7 (2,5SB)
Hero dá check, UTG faz uma bet e Hero faz um raise.

O Vilão costuma fazer uma bet automática quando encontra unraised pots e as cartas na mesa, muito provavelmente não o ajudaram. Este jogador não costuma ir muitas vezes ao showdown e poderemos afastá-lo vezes suficientes do pot com um C/R para tornar este movimento lucrativo. Se ele der call ao C/R, será melhor largar a mão no turn, a não ser que surja um J. Caso ele dê call ao C/R no flop, muito dificilmente ele largará a sua mão no turn.

EXEMPLO 2:

Vilão: 35/13/2.2/36

Preflop: Hero é BB com J2
UTG dá call, Hero faz check.

Flop: 4 , 6 , J (2,5SB)
Hero dá check, UTG aposta, Hero faz um raise.

Tendo em conta que este adversário faz sempre uma aposta nestas situações, poderão fazer o C/R com uma mão feita. O risco de uma freecard é reduzido, já que se ele der o check no flop, normalmente ele só terá 3 outs capazes de vos bater, porque muito provavelmente ele não terá 2 overcards.

EXEMPLO 3:

Vilão: 40/10/0.3/35

Preflop: Hero está na BB com K2
UTG faz call, e Hero dá check.

Flop: K , 7 , 3 (2,5SB)
Hero dá check, UTG faz uma bet, Hero responde com um raise.

Este adversário é bem mais passivo e portanto, não costuma fazer uma aposta automática face a unraised pots. Consequentemente, na maioria dos casos, não deverão fazer C/R quando a protecção é possível já que é possível que o oponente tenha algum tipo de mão e, nesta eventualidade, estaremos a perder valor. Ainda assim, nós deveremos fazer C/R face a este board, porque a maioria das vezes o vilão não terá qualquer mão e fará fold à nossa aposta no flop.

Tendo em conta a composição do board e o tamanho do pot, a hipótese protecção pode ser assim negligenciada. Como primeira hipótese, deverão então considerar fazer check nesta situação com o vosso top pair como uma espécie de slowplay. No entanto, tenham em mente que, neste caso, não estamos a induzir um bluff mas a tentar que o adversário consiga atingir algum tipo de mão no turn mas ainda insuficiente para bater a nossa de forma a extrairmos mais valor da nossa mão. Se, inesperadamente, ele atingir algo no turn ou tentar um bluff, nós estaremos a fazer C/R para incrementar o valor da jogada e extrairemos, pelo menos, uma SB extra.

Bet no flop, check/raise no turn

A justificação para esta abordagem é, novamente, o balanceamento do estilo de jogo. A jogada padrão com mãos trash é fazer uma bet no flop, C/F no turn. Esta abordagem nós também aplicamos com relativa frequência. Logo não é lucrativo para um jogador, o seu oponente manter-se em jogo com qualquer mão (bluffcall), e depois vê-lo roubar o pot no turn após um check seu. Então teremos de vez em quando de fazer uma bet no flop e um checkraise no turn mesmo com estas mãos para adicionar uma imprevisibilidade ao nosso jogo. Este modo de jogar também pode ser aplicado para maximizar o valor de boas mãos.

O check/raise com iniciativa é adequado para situações de unraised pots por duas razões:

  • Faz um melhor balanceamento do nosso jogo (ver acima).
  • Dar uma freecard não é assim tão ruinoso porque, em potes de menor dimensão, a protecção não é assim tão importante e nós ainda poderemos conseguir lucrar se o adversário atingir uma mão até ao river menos forte que a nossa.

Acontece muitas vezes conseguir-se o máximo valor contra trash hands que teriam feito o fold no turn após uma reavaliação, e também acontece conseguir retirar o valor máximo contra mãos feitas mais fracas que já tinham planeado um direct calldown.

Quando temos um read sobre um adversário de que ele tende a fazer bluff-calls, podem utilizar isto contra ele com air hands ou mesmo draws. Em particular quando assumem que ele faz um raise directo no flop quando tem alguma mão.Este movimento também pode ser usado contra jogadores moderadamente agressivos com um valor WTS reduzido. Estes jogadores tendem a fazer bet/fold no turn com mãos feitas fracas. São, no entanto, uma excepção e como regra geral vocês não irão ter uma grande fold equity utilizando estes movimentos muito elaborados. Acima de tudo, deverão jogar as made hands desta forma.

Esta jogada é especialmente útil contra jogadores agressivos, que perceberão o vosso check no turn como fraqueza e apostarão. Quando o adversário não é fraco, o seu indicador WTS tem uma leitura bastante interessante porque eles já poderão ter uma mão quando chegarem ao turn.

Existe um outro tipo de jogador que apesar de raramente fazer raises, faz sempre apostas quando se encontra perante um check adversário. Estes oponentes não são traídos pela sua estatística AF, já que esta é calculada assim: (Bet% + Raise%) / Calls%. Para poderem identificar este tipo de adversários terão de ter uma read na mesa.

Apesar da protecção não ser especialmente interessante em pots de dimensão reduzida, vocês deverão optar por este movimento quando draws facos são improváveis e quando perceberem que o adversário dificilmente terá muitos outs.

SUMÁRIO: RAZÕES PARA UMA BET NO FLOP, CHECK/RAISE NO TURN

  Como um (semi-)bluff:

  • Adversário tende a dar bluff-calls.
  • Oponente é moderadamente agressivo com WTS baixo (TAGs fracos).

Com mãos feitas:

  • Oponente faz bluff-calls.
  • Jogador contrário não é fraco e tem um WTS reduzido.
  • Oponente é agressivo.
  • O Board permite poucos draws.
EXEMPLO 1:

VilÃO: 30/15/1.5/32

Preflop: Hero está na BB com T4
UTG dá call, Hero faz checks.

Flop: J , 7 , 3 (2,5SB)
Hero aposta, UTG dá call.

Turn: K (2,25BB)
Hero faz check, UTG aposta, Hero faz raise

Como regra, este oponente ou faz raise ou larga mãos com um K pré-flop UTG. Após o call num flop tão seco, muitas vezes ele poderá ter um par baixo. Dado o seu valor moderado de AF, ele muitas vezes apostará no turn mas largará a mão perante um raise, dada o seu valor de WTS. Como o K saiu no turn, nós poderemos representar ter atingido alguma coisa e estarmos a jogar para incrementar valor.

Aviso: Como o pot é de reduzido valor, este movimento é caro e necessita funcionar muitas vezes para ser rentável

EXEMPLO 2:

Vilão: 40/10/3/38

Preflop: Hero está na BB com K2
UTG dá call, Hero faz check.

Flop: K , 7 , 3 (2,5SB)
Hero faz uma bet, UTG dá call.

Turn: 6 (2,25BB)
Hero faz check, UTG aposta, Hero faz raise

Este adversário é loose, agressivo e gosta de ir ao showdown. Geralmente, ele tentará reagir a um check prosseguindo num calldown com qualquer par, logo nós extrairemos o máximo com pares e air hands. Se a vosa mão for suficientemente forte para uma bet/3bet, então, aqui, será preferível apostar no turn.

Bet no flop, bet no turn

Esta é a abordagem normal para mãos feitas e draws e deve ser utilizada na maioria dos casos. Com trash hands, no entanto, terão de abdicar do vosso bluff no turn. Por vezes é adequado lançar um second barrel no turn como mero bluff. Isto assim é, novamente, por efeitos de  dissimulação do vosso jogo.

Este movimento é particularmente bom contra adversários que dão call no flop e não têm um valor WTS demasiado elevado. Este read é particularmente complicado de se obter. Um bom indicador será o valor de Folded to Turnbet - do Poker Tracker. Se for elevado (por exemplo >35%), costuma valer a pena apostar no turn.

Um valor de Went to Showdown reduzido com um nível de agressividade moderado é, geralmente, uma ponto a favor do second barrel. Estes oponentes teriam, com grande probabilidade, feito uma aposta no flop caso tivesem uma boa mão.

Nas situações em que tentaram um bluff no flop, onde existem possibilidades de muitas overcards e gutshot draws, vocês deverão inclinar-se para uma nova aposta no turn. Estes flops, geralmente, atraem calls bastante loose por mãos que são facilmente largadas mal apareça uma carta alta.

SUMÁRIO: RAZÕES PARA FAZER BET FLOP SEGUIDO DE  BET NO TURN

Como um bluff:

  • O oponente dá calls bastante loose.
  • O jogador contrário apresenta um valor de Fold to Turnbet- elevado.
  • O adversário é agressivo e tem um valor WTS baixo.
  • O flop só trouxe cartas baixas mas no turn surge uma alta.
EXEMPLO:

Vilão: 30/15/1.5/37

Preflop: Hero está na BB com T8
UTG dá call, Hero faz check.

Flop: 4 , 7 , 3 (2,5SB)
Hero aposta, UTG faz o call.

Turn: K (2,25BB)
Hero faz uma nova bet

O adversário poderá ter feito o call no flop com um range de mãos extremamente alargado. Muitas vezes acontece ele estar num gutshot ou ter overcards. Nestes casos, existem muitas mãos que serão abandonadas mal se veja um rei ou algo parecido no turn, e é por isso que devemos atacar o pot novamente.

Bet no flop, check/call  no turn 

Esta abordagem é utilizada com mãos feitas marginais. Com este tipo de mãos vocês farão, muitas vezes, check/fold no turn, portanto existe uma boa probabilidade de induzirem um bluff adversário que teria largado a mão se enfrentasse um second barrel. Uma outra vantagem desta jogada é evitarem um raise que nos deixaria perante uma decisão complicada. Isto assim é porque vocês nem querem investir 2BB adicionais num pot pequeno como esse, nem desejam largar uma mão que poderá ser a melhor.

Como a protecção perde relevância nestes casos, vocês poderão seguir esta linha de pensamento quando as mãos contrárias podem ter vários outs mas o board é seco e vocês têm pelo menos um middle pair.

Idealmente, o adversário deverá ser o mais agressivo possível, na medida em que sabemos que ele costuma apostar com mãos fracas após dois checks vossos e também, possivelmente, até com air hands.

Para seguir esta abordagem, vocês nunca saberão ao certo se existirá uma value bet no turn ou no river. Adicionalmente, vocês devem compreender que possivelmente induziram um bluff. O medo de fazer raise não deve ser o único argumento, já que muitas vezes terão perdido algum valor no turn. Se não se reunirem estas condições, então fazer bet/fold contra jogadores passivos ou bet/calldown contra um muito agressivo, serão, geralmente, mais aconselháveis.

Quando fazem check/call no turn com iniciativa e não melhoram a vossa mão no turn,  é necessário avaliar, se o adversário fará ou não um bluff no river, ou se será melhor fazer check/call ou check/fold.

SUMÁRIO: RAZÕES PARA UMA BET NO FLOP, CHECK/CALL NO TURN

Com mãos feitas marginais:

  • Não existe evidência que têm uma second value bet.
  • Vocês enfrentariam um dilema caso o adversário faça raise.
  • O oponente é aggressivo (indução de bluff) e faz value bets intensas.
  • O adversário tende a fazer bluffcall.
EXEMPLO:

Vilão: 50/10/2/35

Preflop: Hero está na BB com 83
UTG dá call, Hero faz check.

Flop: 8, 2 , J (2,5SB)
Hero aposta, UTG dá call.

Turn: A (2,25BB)
Hero faz checks, UTG faz bet, Hero dá call.

O oponente é loose e agressivo. Ele pode dar call no flop com um range extremamente alargado de mãos. Tendo em conta a carta que o turn trouxe, dificilmente uma mão pior que a vossa dará call e vocês enfrentarão uma situação difícil face a um raise, já que o adversário até pode tentar um bluff. Além disso, tenha-se em conta o flush draw. Devido à scarecard, nós poderemos induzir um bluff. As vantagens desta abordagem compensam os problemas de deixar uma mão com muitos outs ter uma freecard.

Check/calldown no flop

Mesmo um calldown directo no flop pode ser lucrativo em algumas situações. Assim acontece, especialmente quando mãos piores têm poucos outs e o oponente, muito provavelmente falhou o board e este tende a fazer bluff.

Dependendo do range de mãos com que o adversário faz limp, existem muitos boards com que têm uma boa ideia que os terão falhado. Quando vocês têm um par mais alto e provavelmente o adversário está praticamente a drawing dead, uma aposta não vos trará nada. Na realidade, vocês querem dar a hipótese ao adversário de tentar um bluff ou conseguir uma mão pior que a vossa.

Esta abordagem é melhor que o C/R no flop se, considerando o board e o range dos adversários, existirem poucas mãos piores que farão o calldown após o checkraise, mas também não existem melhores que farão o fold.

Só no caso em que o outro jogador tem um valor WTS extremamente elevado é que vocês deverão apostar nesta situação, especialmente se souberem que ele faz calldown com cartas altas. Outra hipótese viável com mãos feitas fortes é fazer check/call no flop com a intenção de fazer um C/R no turn ou no river.

Se o adversário der check no flop, vocês devem fazer check novamente no turn para lhe darem uma nova oportunidade de tentar um bluff. Uma boa parcela de jogadores não resiste a tentar um bluff após esta segunda oportunidade.

SUMÁRIO: RAZÕES PARA UM CHECK/CALLDOWN NO FLOP

Com mãos feitas:

  • O oponente terá, provavelmente, muitos poucos outs contra vocês.
  • O adversário tem tendência a largar a mão quando enfrenta uma bet.
  • Este jogador tenta bluffs com regularidade.
  • O board é seco e é muito provável que não tenha ajudado as mãos no range de limp do adversário.
EXEMPLO:

Vilão: 40/20/2,6/36

Preflop: Hero está na BB com 2Q
MP dá call, Hero faz check.

Flop: 3, Q , A (2,5SB)
Hero dá check, MP aposta, Hero dá call.

Turn: 6 (2,25BB)
Hero faz novo check, MP faz uma bet, Hero dá call.

River: 9 (4,25BB)
Hero volta a fazer check, MP aposta, Hero dá call.

O adversário fará raise de pocket pairs e A como carta alta, e largará  mãos que contêm um 3. Portanto há uma boa probabilidade de ele ter falhado o board. Dado o seu WTS, ele tenderá a fazer o fold contra uma aposta, que não é o que nós desejamos, já que ele tem poucos outs contra nós. Neste caso, é melhor fazer calldown desde o flop de forma a induzirmos bluffs. Desta feita também perderão menos contra mãos melhores que a vossa.

Em heads-up estando "in position"

  Tendo em conta que provavelmente serão jogadores TAG, raramente farão o open-limp (excepto sendo estando em SB contra um BB passivo). Esta situação só poderá então ocorre se vocês estiverem na BB e a SB completar a sua aposta.

A abordagem padrão com mãos feitas é dar call no flop e fazer raise no turn. Esta jogada apresenta-se como correcta porque quando um jogador enfrenta um raise no flop e tem uma mão inútil, geralmente, ele largará a sua mão. Consequentemente, com as nossas boas mãos,  deveremos tentar esperar para apostar no turn ou river.

Raise no flop

Quando enfrentam uma situação de unraised pot estando IP e são confrontados com uma bet adversária, geralmente, trata-se de uma tentativa de bluff (que, obviamente, vocês também tentariam aplicar se estivessem na posição deles).

Mantendo isto em mente, a forma óptima de jogar draws e air hands, ou seja, quando têm mãos que não têm qualquer valor no showdown implica, necessariamente, procurar a forma de bluff mais eficiente em termos de custos.

Com um call no flop e um raise no turn, vocês estão a investir 2,5BB para ganhar um pot pequeno. Num unraised pot, não podemos assumir que o adversário vá apostar 100% das vezes após ter apostado no flop. A segunda bet pode mesmo querer dizer que ele tem uma mão realmente forte. O call no flop, raise no turn tem um rácio custo/FE bastante fraco. Muitas vezes acontece fazermos o raise no flopcom air hands ou com draws.

Naturalmente, tentarão adicionar um mix neste movimento com algumas mãos feitas, de forma a melhorar o balanceamnto do vosso jogo e a dificultar a leitura do vosso jogo.

De forma a averiguarmos se a bet adversária é na verdade um bluff, devemos comparar o range de mãos com que ele faz limp com a composição do board. Se for improvável que ele tenha atingido algo na mesa, deveremos passar ao ataque no flop.

A jogada seguinte no turn, é largamente baseada na estrutura do flop. Se o flop foi seco e continha uma carta alta, o adversário raramente largará a sua mão no turn pois, muitas vezes, ele terá um par. Com mãos que tenham outs contra um par vocês podem fazer o check behind. Desta forma, estão a fazer uma jogada que tem fold equity no flop mas também um raise que vos poderá garantir uma freecard no turn.

Em mesas em que pensarem que o adversário poderá reavaliar a sua mão e largá-la no turn, vocês poderão fazer um bluff. Este é o caso dos boards que permitem gut shots ou overcards.

Outra forma de fazer bluff é fazer o float no flop (bluffcall) e apostar no turn se o adversário fizer o check. Só devem escolher esta jogada se confrontados com um raise no flop, mas contra um adversário que raramente tente o second barrel no turn.

SUMÁRIO: RAZÕES PARA FAZER RAISE NO FLOP

  Com air/draws:

  • O oponente tenta fazer muitos bluffs (autobet).
  • O board, provavelmente, não terá ajudado de qualquer forma o vosso adversário.
EXEMPLO 1:

Vilão: 40/20/1.5/36

Preflop: Hero está na BB com 45
SB calls, Hero checks.

Flop: 3, K , A (2SB)
SB aposta, Hero faz o raise, SB dá calls.

Turn: K (3BB)
SB faz o check, Hero responde com check também.

Tendo em conta o range PFR do adversário, com grande probabilidade ele faria um raise pré-flop com um A ou K, por isso ele deverá estar a fazer um bluff. Com um raise no flop conseguirão que ele faça fold muitas vezes.

Se o adversário der call no flop, ainda que com um valor de WTS baixo, muito dificilmente conseguirão fazer o bluff no turn e por isso devem fazer o check behind. Esta opção permitir-vos-á tentar atingir um dos vossos 4 outs para completar o gutshot, ao invés de terem de largar a mão perante um raise.

EXEMPLO 2

Vilão: 40/20/1.5/36

Preflop: Hero está BB com 34
SB dá call, Hero faz o check.

Flop: 6, 8 , J (2SB)
SB faz uma bet, Hero faz o raise, SB dá call.

Turn: K (3BB)
SB dá check, Hero aposta.

Com um draw forte, necessitam de ainda menos fold equity do que com um mero bluff. Como terão, muitas vezes, uma boa fold equity em situações de unraised pots, neste caso não necessitam de esperar pelo turn. Mesmo que o adversário der call no flop, pode bem acontecer que ele dê fold no turn pois, potencialmente, ele tinha um range bastante alargado de mãos com draws mais fracos, por isso faz todo o sentido fazer uma segunda aposta.

Bluffcall no flop, bet no turn quando o oponente faz check

Por vezes não é necessario fazer o raise no flop para executar um bluff ao adversário. Quando pensarem que o adversário esteja a fazer um bluff no flop, mas que é possível que ele largue a sua mão no turn, vocês devem dar o call no flop com qualquer duas cartas com a a intenção de fazer uma bet no turn se ele der o check. Se o jogador contrário fizer uma outra aposta, será melhor largarem a vossa mão.

Para conseguir este read, as estatístiscas disponíveis serão, geralmente, insuficientes por isso será melhor basearem-se nas vossas observações na mesa (notas de jogadores).

Tal como o bluff-raise no flop, este movimento deverá ser utilizado em situações em que o range de limp adversário, provavelmente, terá falhado a mesa. A vantagem é que o custo, em média, é mais baixo do que o raise no flop, pois só investiram 1 SB no flop e, a maioria das vezes, após dar check no turn o vosso adversário largará a sua mão perante a vossa aposta.

SUMÁRIO: RAZÕES PARA DAR BLUFF-CALL NO FLOP, E FAZER BET NO TURN APÓS O CHECK ADVERSÁRIO

  Com air/draws:

  • O oponente tem tentado, muitas vezes, bluffs no flop (autobet), e provavelmente largará a sua mão no turn.
  • A composição da mesa, aparentemente, não o terá ajudado se tivermos em consideração o seu range de mãos para limp.
EXEMPLO 1:

VilÃO: 28/14/2/35

Preflop: Hero está na BB com 46
SB calls, Hero checks.

Flop: 3, 8, A (2SB)
SB aposta, Hero dá call.

Turn: 3 (2BB)
SB dá check, Hero faz uma bet

Quando tiverem um read de que o adversário não faz double barrels na tentativa de bluff, muito provavelmente, ele fará check/fold no turn se não tiver atingido nada no board.

Check behind no flop, raise no turn

Muitos jogadores, por exemplo alguns TAGs, tentam muitas vezes apostar perante um unraised pot, ou então fazem check/fold. Se vocês pensarem estar a enfrentar um jogador incapaz de fazer check/call ou check/raise, vocês poderão fazer slowplay com mãos feitas fortes, na esperança de que este jogador ou tente um bluff ou consiga uma mão no turn mas que seja mais fraca que a vossa. Esta jogada é especialmente útil perante boards secos em que atingingem um high pair, já que aí estarão menos vulneráveis aos outs adversários.

Nós estamos a atrasar os nossos raises e a fazer slowplay porque o tamanho do pot é pequeno em situações de unraised pots. Como foi dito atrás, a indução do bluff é mais importante que a protecção nestas situações. Quando o adversário tenta o bluff no turn, vocês até poderão querer esperar pelo river para fazer o raise, dependendo da vossa certeza de tratar-se ou não de um bluff.

Mesmo que esta abordagem vos pareça algo esquisita e que denuncie muito a possibilidade de slowplay, a verdade é que a maioria dos jogadores não costuma largar a sua mão quando têm algo no turn.

SUMÁRIO: RAZÕES PARA FAZER CHECK BEHIND NO FLOP, E  RAISE NO TURN

Com mãos feitas fortes:

  • O oponente costuma fazer bluffs (fazendo autobets após o vosso check no flop).
  • a composição do board não parece ter ajudado o adversário se tivermos em conta o seu limping range.
EXEMPLO:

Vilão: 30/13/1.8/35

Preflop: Hero está na BB com Q7
SB dá call, Hero faz check.

Flop: 3, Q , 7 (2SB)
SB dá checks, Hero faz o check behind.

Turn: J (1BB)
SB aposta, Hero faz o raise

O adversário geralmente aposta com qualquer par e raramente faz check/raise. Como vocês tem dois pares, é altamente improvável que ele tenha atingido algo. Este jogador raramente tem uma mão com a qual fará check/call ou check/raise. Como não temos nada de que nos protegermos, nós poderemos fazer o check behind no flop e ficarmos na expectativa que o oponente atinja algo no turn ou tente o bluff. Após o J no turn, o adversário pode ter atingido um par ou estar num draw, por isso mesmo temos de fazer o raise agora! Se tivesse saído uma carta baixa em vez do J, nós poderíamos até esperar pelo river para fazer o raise, já que neste caso, muito provavelmente, ele estará a tentar um bluff, e poderá tentar continuar a fazer bluff até no river.

Calldown desde o flop

Vocês estão numa posição ainda melhor do que em OOP para fazer um calldown, desde que tenham total controlo da mão e não corram o risco de estar a perder valor, dando freecards ao adversário. O fundamento desta abordagem é o mesmo que o dado no calldown OOP. O cenário é que vocês estarão ou muito à frente/ou muito atrás o que até nem é assim tão mau, porque apesar de ter muitos outs contra nós o pot é pequeno.

SUMÁRIO: RAZÕES PARA UM CALLDOWN DESDE O FLOP

Com mãos feitas:

  • O oponente aparenta ter poucos outs.
  • O adversário larga mãos fracas mas dá call com mãos melhores face a um raise.
  • O board é seco e , aparentemente, não terá ajudado o adversário tendo em conta o seu range de mãos com que faz limp.
EXEMPLO:

Preflop: Hero está na BB com K2
SB dá call, Hero faz o check.

Flop: A, K , 5 (2SB)
SB aposta, Hero faz call down.

O Vilão terá muitas vezes uma mão sem qualquer out contra nós e que largará contra um raise por isso damos-lhe a hipótese de tentar um bluff e fazemos o calldown directo até ao fim.

Como jogar num pot a 3?

Por vezes encontrar-se-ão numa situação de unraised pot com 3 jogadores activos. Esta situação ocorre, normamente, quando estão na BB e 2 outros jogadores fazer olimp, ou quando vocês completam a SB depois deum outro limp. Então vocês serão o primeiro ou segundo a actuar.

Bet no flop

Com mãos feitas vocês devem (quase sempre) apostar. Se não tiver havido qualquer raise pre-flop, vocês deverão estar na frente com um par. Apenas em OOP com o bottom pair, sem kicker e num board que facilmente terá atingido alguma carta dos vossos adversários, é que, provavelmente, será melhor abandonarem a mão.

Se um oponente fez check, vocês deverão apostar com qualquer mão que tenha valor no showdown. Isto inclui até o caso de carta alta A ou K, se se puder assumir perante a composição da mesa, que têm a melhor mão.

Num pot em ainda estejam activos 3 jogadores, uma aposta com air hands não é nada conveniente! Apesar de ao enfrentar um pote já de algum tamanho ser necessário menos fold equity (>25% para +EV), as hipóteses de ganhar o pote imadiatamente contra dois adversários são remotas. Só em algumas situações e condições muito específicas é que deveremos tentar um bluff. Apresentaremos agora essas situações.

Um bluff contra dois jogadores pode ser rentável se eles não tiverem o hábito de ir muitas vezes ao showdown e se o o board não permitir mãos com muitos outs. Um board seco que combine cartas baixas e altas também poderá ser ajustado para este movimento. Apesar deste movimento ser utilizado em OOP, a vossa fold equity é muito superior se um dos vossos adversários deu check inicialmente, pois eles teriam quase de certeza apostado se tivessem alguma mão. Isto aplica-se a oponentes agressivos sem elevados valores de WTS, por exemplo TAGs. Nesse caso, só teremos, efectivamente, um adversário no pot connosco e poderemos, mais facilmente, levar o pot com uma nova bet.

SUMÁRIO: RAZÕES PARA APOSTAR NO FLOP  COM 3 JOGADORES ACTIVOS

Com mãos feitas ou draws:

  • Em geral: Qualquer par ou draws fortes podem ser apostados independentemente do pot e dos adversários
  • Em geral: Mãos compostas por cartas altas em mesas que vos coloquem, provavelmente, à frente dos outros jogadores

Com air hands:

  • Os oponentes tem valores de WTS baixos.
  • Quando provavelmente os adversário falharam o board.
  • Se um adversário que que costuma apostar nas mãos jogáveis, deu check.
EXEMPLO 1:

Preflop: Hero está na BB com 6A
MP dá call, SB também, Hero faz check.

Flop: 2, 3 , 8 (3SB)
SB faz check, Hero faz uma bet

Face a este board, o Hero é favorito na ausência de qualquer par, o que provavelmente aconteceu neste caso. Por isso mesmo, deverão apostar no flop para proteger a vossa mão e/ou ganhar o pot directamente.

EXEMPLO 2:

SB: TAG
MP: desconhecido

Preflop: Hero está na BB com 23
MP dá call, assim como o SB, Hero faz o check.

Flop: 4, 7 , K (3SB)
SB dá check, Hero aposta

Após um TAG não ter apostado no flop, muito provavelmente ele largará a sua mão perante uma aposta. Neste caso, têm de tirar o MP da jogada. Este board provavelmente não o ajudou e muito raramente ele terá uma overcard ou estará num draw. A vossa fold equity deve ser superior a 25% e por isso suficiente para tentarem um bluff.

Check/Raise no flop

Com alguns reads apropriados, a melhor forma de jogar um 3-handed flop pode ser fazer um check-raise. Este será o caso quando pensarem que o terceiro jogador a actuar fará uma aposta.  Existem jogadores que quando vêem dois jogadores a fazerem check,  apostam 100% das vezes. Pelo seu ponto de vista eles pensam ter uma fold equity extremamente elevada. Poderemos tentar usar isso contra eles.

Quando tiverem este read, ou se o oponente costuma ser agressivo, vocês podem fazer o C/R com mãos feitas, ocasionalmente com draws e até com air hands. No entanto, no caso das mãos feitas, vocês não devem ter medo de dar a freecard ao vosso adversário, p.ex. quando têm um high pair num board seco. Neste caso pode ser vantajoso, como na situação em HU, se eles derem o check behind, dando-lhes a hipótese de concretizarem uma mão que seja pior que a vossa pela qual terão de pagar 2-3BB.

Em boards que dificilmente terão ajudado os limpers, esta jogada também pode ser aplicada como um bluff. Vocês ganharão uma SB extra comparado à hipótese de terem apostado primeiro e também reduzem a hipótese de um re-bluff. É mais fácil fazer um bluff-raise do que uma 3-bet face a um check/raise, devido a uma questão de falta de coragem. Geralmente, vocês devem considerar esta opção num pot com 3 jogadores, dado este ser maior e os 2 oponentes combinados terem mais outs que vocês. A freecard é, assim, mais perigosa para a vossa mão e vocês devem ser muito cuidadosos de forma a não se prejudicarem com esta jogada.

SUMÁRIO: RAZÕES PARA UM CHECK/RAISE FLOP 3-handed

Com mãos feitas:

  • O oponente com posição costuma apostar.
  • O board permite poucos draws e poucas overcards.

Com air hands:

  • O adversário que fez check, provavelmente irá largar a mão perante uma aposta.
  • O jogador com posição costuma fazer bets mas não tem o hábito de ir até ao showdown.
  • O board não parece ter ajudado qualquer limper.
EXEMPLO 1:

MP: 35, 18, 2, 35
SB: TAG

Preflop: Hero está na BB with 7Q
MP dá call, SB completa, Hero faz check.

Flop:2, 5, Q (3SB)
SB faz check, assim como o Hero, MP aposta, SB faz fold, Hero faz um raise

O TAG certamente apostará se tiver qualquer par. O MP é agressivo e deverá apostar vendo os checks adversários. Portanto o check/raise, neste caso, permite extrair mais valor ao jogador contrário. Se fosse provável que o Tag tivesse uma par baixo ou médio, então seria adequada uma 3-bet, já que teríamos uma mão suficientemente forte para o fazer.

EXEMPLO 2:

Prá-flop: Hero está na BB com 89
MP calls, SB calls, Hero checks.

Flop: 2, 6, K (3SB)
SB dá check, Hero também faz check, MP faz uma bet, SB folds, Hero faz o raise

O limping range do MP dificilmente incluirá K ou 2, por isso dificilmente terá alguma coisa. Para além da possibilidade da bluff-bet, vocês podem fazer o check/raise, já que o MP tenderá a apostar frequentemente. Isto permitirá demonstrar mais força do que fazer a 3-bet padrão, já que temos uma mão suficientemente forte para isso.

Conclusão

Para além das abordagens standard, existem movimentos/jogadas alternativas que têm um valor esperado bem superior sob determinadas condições. Os reads dos adversários e o vosso historial com determinados jogadores são factores extremamente importantes para a vossa decisão. É também crucial que estejam perfeitamente conscientes do vosso real objectivo perante determinada mão e situação.

As diferenças em situações de unraised pot face às outras: Em primeiro lugar existe um pot bem mais pequeno. Isto quererá dizer que deveremos tentar induzir bluffs em vez de protegermos a nossa mão. A segunda é que os adversários tenderão muito mais a fazer bluffs, o que faz dos rebluffs uma opção muito viável. Com a ajuda deste artigo vocês poderão aperfeiçoar o vosso jogo em situações de unraised pots e escolher a melhor jogada em cada situação específica.