Pré-flop: Quando podemos fazer um cold call ou um over limp
Introdução
Neste artigo ...
- O cold call pré-flop
- Como tudo depende das pot odds
- Quando podemos fazer um over limp
Por cold call entende-se fazer call a mais que uma aposta sem fazermos re-raise.
Exemplo: MP3 faz raise, CO faz call, Botão call, SB call, BB call
Nesta situação, os jogadores no CO e no Botão fizeram um cold call. Mesmo a SB fez também um cold call. O jogador da BB, no entanto, como só pagou uma aposta, não pode ser considerado um cold call de acordo com a definição.
Quando um jogador faz call, depois de todos os outros terem feito call, é chamado um over limp. Completar a SB não é considerado over limp.
Exemplo: MP3 faz call, CO call, Botão call
Nesta situação, o MP3 faz um open limp, enquanto que tanto o CO como o Botão fazem over limp.
O cold call e o over limp a um limper, em conjunto com o open limp pré-flop, são normalmente jogadas de fish's ou jogadores sem experiência. Regra geral devemos seguir o princípio do jogo pré-flop em que ou fazemos fold-raise perante um limper, ou um fold-3-bet perante um raise.
Nalgumas situações no entanto, pode ser inteligente da nossa parte um over limp pré-flop, ou um cold call a um raise em vez da 3-bet. Podemos fazer isto com mãos que não são suficientemente fortes para a 3-bet, mas que têm potencial suficiente para se tornarem numa mão vencedora de grandes potes depois de vermos o flop. Este artigo irá ensinar-nos as regras básicas para o uso correcto do cold call e do over limp numa mesa de poker.
Quando e com que mão podemos fazer o cold call?
A maioria dos cold calls são feitos por oponentes fracos. Como jogadores TAG nós normalmente só optamos por fazer este movimento depois do flop. Geralmente jogamos de uma de duas formas: ou a nossa mão é forte o suficiente para uma 3-bet, e nesse caso fazemos um raise para tentar isolar um só jogador e gerar dead money fazendo com que os jogadores nas blinds façam um fold, ou a nossa mão é fraca e fazemos um fold pré-flop. Mesmo assim, quanto mais dinheiro for parar à mesa pré-flop maior poderá ser o lucro, assim sendo, um cold call pode ser uma jogada inteligente se for feita na situação ideal. Os aspectos chave envolvidos nesta decisão são as "odds implícitas" e a "equity pós-flop".
Regra geral, só devemos fazer um cold call quando pelo menos mais um jogador está envolvido na mão após o flop. Existem excepções, que abordaremos no final do capítulo.
Os factores decisivos para um cold call são:
- Com que mãos podemos potencialmente fazer um cold call?
- Sob que condições podemos na realidade fazer o cold call com essas mãos?
O cold call dá geralmente origem a potes multi-way, uma vez que quando o fazemos é natural termos dois ou mais jogadores envolvidos na mão pós-flop. Leva também a que os jogadores nas blinds fiquem com boas pot odds. Não é de estranhar que numa jogada deste tipo tenhamos quatro ou cinco jogadores envolvidos na mão pós-flop.
Neste tipo de situação iremos querer uma mão jogável num pote multi-way, tal como pares de mão, suited connectors, ou suited one-gappers (duas cartas do mesmo naipe com intervalo de uma carta entre elas). Basicamente não existem excepções para a seguite regra:
O factor de decisão: Que pot odds teremos com um call? De forma a calcular as pot odds, teremos de saber quantos jogadores irão ver o flop e quão grande será o tamanho do pote. Ao calcular a estimativa do número de jogadores envolvidos não interessa se alquém fez limp e um oponente fez raise ou se alguém fez raise e alguém fez depois o cold call, é indiferente.
Um limper fará call a um raise em 99,9% das vezes e se não o fizer nós deveremos agradecer-lhe por adicionar dead money ao pote. Como princípio básico, quanto maiores as pot odds, mais fracas serão as mãos com que faremos o cold call. Estaremos a especular e esperamos acertar um monstro, de outra forma nem sequer devemos pensar em fazer o call. Também quereremos que estejam envolvidos o maior número possível de oponentes na mão, assim as nossas odds implícitas aumentam. Para além disso, boas pot odds reduzem os custos relativos.
- MP3 faz limp, CO raise, Hero no Botão???
- MP3 faz raise, CO cold call, Hero no Botão???
Em ambos os casos vamos ter concerteza mais que um oponente na mão depois do flop. No primeiro caso o limper fará quase sempre call ao raise. A BB também fará o call na maioria das vezes em casos destes.
Vejamos quais as nossas pot odds quando fazemos o call: pagamos 2 SB e podemos esperar um pote entre 7.5 - 8.5 SBs (dependendo de quando a BB faz ou não o call) após o flop num jogo com estrutura 1/2 SB. Se assumirmos que o pote será de 8 SBs, 1/4 do pote serão as nossas fichas, dando-nos umas pot odds de 3:1.
Se, em vez de estarmos no Botão estivessemos na SB, pagaríamos só 1,5 SB das 8 SB esperadas no pote. Isto dar-nos-ía umas pot odds de 4,3:1, mas estaríamos agora a jogar fora de posição.
Não deveremos assumir que a SB fará o call no cálculo das pot odds; na maioria dos casos irá fazer fold. Podemos até conseguir fazer uma boa leitura do oponente, se por exemplo o mesmo tiver umas estatisticas de VP$IP de 70 não perderá esta oportunidade de ir a jogo e estar envolvido num pote grande. Neste caso poderíamos abrir uma excepção e assumir que a SB faria o call e incluir o valor no cálculo das pot odds.
Muito cuidado. Não deveremos ser demasiado optimistas e inflacionar de forma artificial as pot odds.
Podemos regra geral fazer o call com pares de mão baixos e jogar para set value. Queremos acertar o set e ganhar um pote grande. Todavia, a probabilidade de acertar o set é de 7,5:1. Uma vez que não temos estas odds, necessitamos agora de ter odds implícitas por forma a compensar as odds que faltam antes de fazer o cold call com um par de mão baixo.
É normal em muitos fóruns lerem coisas sobre a regra 5:1. Quer isto dizer que deveremos fazer um cold call com um par baixo de mão quando as nossas pot odds forem de 5:1, isto porque assumimos que as restantes 2,5 BB são odds implícitas se acertarmos o set.
Ao pôr esta regra em prática, estaremos na verdade a ser uns jogadores muito tight. De acordo com a regra, só deveremos fazer o cold call estando no mínimo 5 jogadores envolvidos no pote ou 4 no caso de sermos a SB. No entanto, a regra negligencia o facto de não estarmos necessariamente atrás após o flop mesmo no caso de não acertar o set. Em muitos casos, mesmo não acertando o set poderemos continuar a jogar a nossa mão.
Pré-flop: Hero SB com 55
CO faz raise, Butão faz cold call, Hero cold call, BB fold
Flop: 972 rainbow
Leque de mãos assumido
- CO: 55+, A2s+, K7s+, Q9s+, JTs, A5o+, K9o+, QTo+
- Bu: 33-66, A7s-A2s, K9s-K2s, Q3s+, J7s+, T8s+, A9o-A2o, KJo-K3o, Q7o+, J8o+, T9o
Neste exemplo temos ainda 45% de equity pós-flop mesmo não tendo acertado o set. Isto dá-nos uma margem de manobra considerável contra apenas dois oponentes. Seria desastroso jogar este tipo de mãos só no caso de acertar o set e fazer fold caso não acertemos. Isto justifica o porquê de se poder fazer o cold call com um par de mão baixo sem ter necessariamente pot odds de 5:1.
A regra 3:1 é baseada em dados recolhidos de muitos jogadores experientes. Esta diz-nos que podemos considerar fazer um cold call com pares de mão baixos desde que as pot odds sejam no mínimo de 3:1 (pelo menos mais um oponente terá de fazer o call).
Se tivermos exactamente odds de 3:1 é aconselhável fazer fold com 22 e 33. O par de 33 dar-nos-á somente 40% de equity no exemplo mencionado anteriormente. Os pares de 22 e 33 são geralmente muito fracos, pois quase não têm potencial para sequência e não têm quase hipótese nenhuma de dominar uma mão. Pelo menos o 55 pode dominar um A2-A5.
Estas regras foram simplificadas, pois pode tornar-se difícil fazer rapidamente o cálculo das pot odds, especialmente estando na SB.
- Podemos fazer cold call com qualquer par de mão se pelo menos 2 jogadores já pagaram o raise antes de nós.
- Podemos fazer cold call com 55+ (44+ se estivermos na SB) se pelo menos um oponente já tiver feito call ao raise antes de nós.
- Se ainda ninguém pagou o raise, ou fazemos uma 3-bet ou fazemos fold.
Uma vez que teremos sempre SD value com pares de mão, queremos melhorar as nossas hipóteses de ganhar mesmo não melhorando a nossa mão. Quer isto dizer que poderemos tentar forçar os nossos oponentes a fazer fold e gerar dead money no pote.
De notar que as blinds não entram nesse cálculo.
Exemplo: Hero está na SB com 33
- MP2 faz call, MP3 call, CO raise, Hero call
Temos dois oponentes para além do raiser e fazemos call com o par de mão baixo.
- MP2 faz raise, CO call, Hero fold
Neste caso já só temos um oponente para além do raiser e fazemos fold com o nosso 33. Poderíamos fazer call com 44 ou 55.
Suited connectors, bem como os suited one-gapper (e em situações especiais 2 ou 3 gappers), tal como os pares de mão, podem ganhar grandes potes. Apostamos esperando acertar numa sequência ou num flush.
Podemos fazer um cold call com suited connectors da mesma forma que com os pares baixos de mão. A grande diferença entre estes dois jogos é o SD value, que só teremos com no caso dos pares. Estes últimos podem até ganhar a mão mesmo sem melhorar, enquanto que uma mão T9s precisará sempre de ajuda na board para poder vencer. Isto irá influenciar a nossa forma de jogar contra os jogadores sólidos e será abordado no final do capítulo.
Necessitamos de ter uma mão que seja fraca para fazer a 3-bet, mas que ao mesmo tempo tenha potencial para ganhar um grande pote multi-way no pós-flop. Não esquecer que se acertarmos "só" o top pair não estamos necessariamente atrás dos outros oponentes. JTs é uma mão muito mais forte que um 56s numa rainbow bord T62, a não ser que acabemos contra uma sequência ou straigh flush. Um flush maior que o nosso é também menos provável se segurarmos JTs de que 56s.
Tal como os pares de mão, o número de oponentes envolvidos no pote e as pot odds são a nossa chave para o call. Quanto mais oponentes estiverem envolvidos mais provável será o nosso cold call.
- Contra um raiser e pelo menos mais 2 oponentes: 98s-QJs, KJs, KTs, T8s, J9s, QTs e Q9s. Se formos a SB adicionamos também J8s, 87s, 76s, 65s e 97s.
- Contra um raiser e pelo menos mais um oponente: T9s-QJs, QTs, KJs, KTs. Se formos a SB adicionamos também 98s, 87s e J9s.
KQs é um caso à parte. Esta mão é regra geral forte o suficiente para fazer uma 3-bet. A nossa decisão depende de quando achamos que o raiser inicial tem ou não um leque de mãos de raise mais apertado que o nosso.
Exemplo: Hero está na SB com KQs
- MP2 (22/15/1.9/42) (VP$IP / PFR / AF / WTS) faz raise, MP3 call, Hero cold call…
Com esta mão raramente estaremos à frente de um jogador tight como é o caso do MP2 e deveremos fazer somente o cold call. É também imprevisível se iremos ou não conseguir fazer com que ele largue a melhor mão após o flop.
- MP3 (36/25/2.0/39) faz raise, CO call, Hero 3-bet…
Com esta mão estaremos muito provavelmente à frente do MP3 e seremos favoritos no pós-flop. Aqui jogamos a nossa equity e tentamos gerar dead money.
Se um oponente fez um raise e todos os outros fizeram fold até nós, a melhor opção será quase sempre uma 3-bet ou fold. Existem no entanto alguns casos específicos, em que será lógico fazer um cold call contra somente um oponente.
- O raiser é extremamente agressivo com tendências maníacas e poderá ir até ao fim a pagar.
- Não temos equity contra o leque de raise do oponente.
- O raiser gosta de ir até showdown e temos poucas hipóteses de fazer com que desista de uma mão melhor pós-flop.
Vejamos o seguinte exemplo: MP3 (59/41/1.9/42) faz raise, Hero no CO com T
9
Contra um leque de raise de 40% temos neste caso 41% de equity. Isto não é suficiente para uma 3-bet, mesmo trazendo dead money para os cálculos. Assumindo que teremos odds implícitas acima da média se acertarmos no flop, uma 3-bet seria até lucrativa; no entanto aumentamos a variância.
Por outro lado, não queremos fazer fold com uma mão como T9s somente contra um oponente. Esta é a razão pela qual o cold call é a melhor decisão nesta situação. A nossa mão é bastante jogável e estaremos a dar aos oponentes a seguir boas pot odds, o que pode levar a que estes se mantenham na luta pelo pote.
A nossa equity subirá após o flop. Obter um bocadinho mais de equity no pós-flop não é de todo o nosso objectivo frente a um maníaco. O objectivo príncipal é obter dele informação adicional no pós-flop, e se possível explorá-lo. Neste caso, estaremos em condição de usar a informação pois ele tem um EV mais elevado. Estar no meio termo dá-nos o EV mais alto; esqueçamos então o showdown e olhemos atentamente para o flop, antes de decidir começar a atirar dinheiro para o pote.
Podemos fazer este tipo de jogo com mãos como T9s, JTs, QTs e QJs. Mas temos de lembrar-nos que: uma 3-bet pode fazer mais sentido contra oponentes TAG com 25/19/2.2/38, pois temos boas hipóteses de conseguir com que ele faça fold no pós-flop.
Deveremos tentar isolar o maníaco quando a nossa mão nos dá SD value, mas não é muito jogável. Nesta situação é muito mais fácil jogar a mão com iniciativa. Temos de ter presente que estas excepções à regra, e o "3-bet ou fold" são a regra a seguir na maioria das situações que iremos encontrar.
Fazer um cold call num jogo com estrutura de 2/3 custa somente 2/3 BBs. Quer isto dizer que a defesa da mão custará só mais 1/6 BBs do que a defesa de uma BB regular que custa 1/2 BBs. Neste tipo de jogos poderá ser uma desisão bastante critica fazer cold call com mãos sem SD value quando estamos a jogar contra jogadores agressivos e que gostam de ir a showdown. Neste caso estamos fora de posição e estaremos a colocar-nos em situações embaraçosas se não acertarmos nada no flop.
Exemplo
CO (38/26/2,0/43) faz raise, Hero na SB com 9
8
No pior dos casos não vamos querer necessariamente isolar um LAG para no pós-flop ir com ele até showdown com 9 high. Aqui podemos fazer o cold call e olhar atentamente o flop, uma vez que os custos são pouco maiores do que o que nos custaria defender uma blind num jogo com estrutura 1/2 BBs.
Podemos fazer geralmente o cold call com 98s+, T8s, J9s, JTs bem como com QTs+ em algumas situações, especialmente quando duvidámos se iremos conseguir fazer com que o nosso oponente faça fold a um A high pós-flop.
O leque de mãos com que fazemos cold call raramente será equilibrado. Por outras palavras, como um cold caller não podemos representar um leque muito variado de mãos. Um oponente atento rapidamente perceberá que só fazemos cold call com pares de mão ou com suited connectors, e que não temos um Ás pois com esta mão ou faríamos 3-bet ou fold. No entanto esta será regra geral a única desvantagem que enfrentaremos ao jogar desta forma.
Boards do tipo T
8
3
ou J
T
5
ou Q
9
3
dão-nos a oportunidade de representar dois pares, top-pair, par médio, e draws. Jogar de forma agressiva no pós-flop deixará o nosso oponente no desespero, sem saber se temos um par, um draw ou um monstro.
Não deveremos esquecer que uma board como A
K
9
não nos permite representar um top-pair ou um trio. Não deveremos ficar surpreendidos se um jogador com cabeça nos fizer o call com Q high quando tentamos fazer um semi-bluff com 8
7
.
Se estivermos face a jogadores maníacos (tal como no exemplo anterior do T
9
), não temos muito que nos preocupar com o equilibrio das mãos com que fazemos o cold call, os nossos adversários também não estarão certamente.
Quando e com que mãos podemos fazer um over limp?
Quando um jogador faz um call pré-flop, após outro já o ter feito também chama-se a este movimento um "Over Limp". Podemos encontrar uma tabela de mãos iniciais para over limp na secção Bronze: Tabelas Pré-flop
Regra geral este tipo de jogo também pode ser usado em short handed small stakes tipo $1/$2. No entanto, a estratégia dos artigos da secção bronze é especialmente direccionada para jogadores tight, a inexperiência de um jogador full ring em relação a short handed pode trazer erros caros no pós-flop. Conforme formos ganhando experiência, podemos começar a jogar mais loose e agressivos. A PokerStrategy continuará a dar-nos dicas para usar o over limp, dependendo da nossa posição.
Hero é o Botão com T
9
MP3 faz call, todos foldaram até ao Hero?
Nesta situação estaremos normalmente contra um jogador fraco, pois os TAGs e os LAGs que pensam não fazem open limp. Temos de perguntar a nós mesmos o seguinte:
As seguintes mãos geralmente fazem parte desse grupo: J9s, J8s, T9s, T8s, 98s, 87s.
Estas mãos podem ser jogadas de forma multi-way e podem ganhar grandes potes. Não temos de nos preocupar por agora com o que as blinds irão fazer. Se fizerem fold deveremos ficar contentes pelo dead money que deixaram no pote. Se fizerem o call estaremos em posição num pote multi-way. As duas situações são favoráveis e quereremos estar em qualquer uma delas.
Mãos como JTs, QTs são geralmente boas o suficiente para fazer um raise.
Antes de fazer um over limp, perguntemos a nós mesmos se não será melhor tentar isolar um oponente. Os raises de isolamento (isolation-raises) são, claro, outro aspecto, mas os dois andam de mãos dadas.
Temos de perguntar a nós mesmos, quando conseguimos ou não que o nosso oponente faça fold da melhor mão pós-flop. A estatística "WTSD - went to showdown" (indica qual a percentagem de mãos em que o nosso oponente foi até showdown) pode ser muito útil aqui. Se o nosso oponente tem uma WTSD de 40% ou mais, o mais certo será estarmos a correr contra uma parede e bater no seu A high.
Se por outro lado a sua WTSD for menor de 40%, podemos então considerar o raise de isolamento. Ao isolar o oponente não teremos de chegar necessariamente ao showdown, nem acertar obrigatoriamente o flop. Uma boa "scare card", tal como um Ás, pode ser o suficiente para que o nosso oponente faça fold de K ou Q high, ou mesmo de pares pequenos.
MP2 (60/13/1.8/41) (VP$IP / PFR / AF / WTS) faz call, Hero MP3 com J
9
É uma boa mão que pode conduzir-nos a um grande pote quando paga por calling stations, desde que acertemos algo no flop. Fazendo raise, quase sempre conseguiremos o isolamento, mas temos muito pouco SD value, o que torna o jogo pós-flop mais difícil para nós. Se o oponente fizer call à nossa cbet iremos provavelmente estar numa situação em que estaremos a gastar dinheiro desnecessário numa mão incompleta pós-flop e que terminará com um call down. Por outro lado, iremos muitas vezes fazer um check behind turn o que nos levará a perder contra K hight quando ele podia ter feito fold no turn. Temos de evitar correr riscos em situações marginais e esperar pelo flop antes de começar a atirar dinheiro para o pote. O call traz-nos uma situação mais confortável no pós-flop contra os fish da mesa e evita que terminemos a mão numa sequência fixa de apostas sem showdown value e com uma margem miníma de vitória, se é que existe margem ainda.
Se o nosso oponente tem as estatísticas 42/12/1.7/37, um raise de isolamento pode aqui ser tomado em consideração, pois temos uma boa hipótese de ganhar a mão sem necessidade de ir a showdown.
No exemplo anterior só poderíamos fazer o over limp com J9s ou T9s. Se no entanto estivéssemos no CO e não na MP3, poderiamos fazer over limp com J9s, J8s, T9s, T8s e 98s. Se estivéssemos no Botão ainda poderíamos incluír o 87s.
Temos de lembrar-nos que nem todos os limpers são iguais. Um pode ser por exemplo Tigh Passive com estatísticas 25/11/1.8/40, o outro poderá ser um Big Fish com estatísticas 70/4/0.8/40. Ambos têm uma WTSD igual, mas deveremos ter cuidado ao fazer over limp contra o tight, pois o seu leque de limp contém muitos pares e é um leque muito melhor que o do fish.
Isto quer dizer que poderemos esperar um grande lucro do oponente tight, se acertarmos no flop e acabarmos com a melhor mão. Se a nossa mão estiver na fronteira para o raise é melhor ser tight e fazer um over limp de que fazer o raise de isolamento.
O over limp não é um movimento tão equilibrado como o cold call. Um bom jogador rapidamente se aperceberá de que seguramos um par de mão ou suited connectors nesta situação. O over limp é normalmente encontrado em mesas soft, onde outros jogadores entram de open limp. Se tivermos um TAG com cabeça a seguir a nós, facilmente ele nos porá num leque de mãos específico de over limp.
Podemos jogar draws e sermos agressivos no flop, mas não poderemos representar uma grande variedade de mãos, especialmente quando existem cartas altas na board. Não temos qualquer hipótese de representar um Ás ou um Rei, logo temos de ter bastante cuidado quando fazemos semi-bluffs.
Devemos ter em consideração o seguinte quando fazemos over limp:
-
Se temos um jogador atento depois de nós, que em determinadas situações pode até ser melhor jogador que nós, é melhor não fazer o over limp, e optar pelo raise ou fold. Isto faz com que seja mais difícil para os nossos oponentes atribuír-nos um leque de mãos.
-
Se os jogadores a seguir a nós não são muito atentos, ou estão em várias mesas ao mesmo tempo ou até em piloto automático, podemos seguir as indicações anteriores para fazer o over limp.
-
Devemos ter sempre atenção aos jogadores que estão depois de nós. Se estamos na MP3 ou no CO, é importante ter em conta quando os jogadores entre nós e o Botão fazem ou não o cold call. Geralmente queremos estar em posição pós-flop quando fazemos um raise pré-flop. Se pensamos que não vamos ter posição no pós-flop, então é melhor optar pelo over limp em vez do raise. Devemos jogar com cuidado e não fazer do over limp um hábito. Um raise de isolamento é quase sempre melhor, pois teremos alguma fold equity no pós-flop quando existem muitos oponentes envolvidos.
Com dois callers antes de nós, vamos ter acção. Não podemos ser loosers com os nossos over limps, temos boas pot odds e queremos jogar contra estes dois oponentes claramente mais fracos.
Podemos fazer over limp contra dois limpers com as seguintes mãos: KJo, QTo+, JTo (só no BU), 76s+, Q9s, T8s+, J8s+.
Geralmente a nossa posição ao fazer este movimento deverá estar defenida entre o CO ou BU. Estar no Botão é muito mais vantajoso com mãos off suited, pois estas mãos não são particularmente boas no pós-flop contra 4-6 oponentes. Por esta razão é melhor fazer fold com mãos como QTo e JTo se estivermos no CO e só fazer o over limp se estamos no Botão.
É também muito importante manter um olho aberto nos over limpers que estão antes de nós.
Exemplo: MP2(Fish) faz limp, MP3(TAG) over limp, Hero no CO com 9
8
ou 8
7
Esta situação não é tão boa quanto parece ser. Podemos assumir que o TAG que fez over limp tem suited connectors. Ele pode acabar por nos dominar com um top-pair, por exemplo, J
9
vs. 9
8
ou no pior dos cenários pode até acabar com um flush superior ao nosso ou uma sequência maior que a nossa, pode segurar T
9
contra o nosso 8
7
.
Isto no entanto é extremamente raro. Na maioria dos casos podemos fazer over limp contra dois oponentes com suited connectors.
QJs e JTs têm uma equity ligeiramente superior em relação a limpers. Neste caso pode até ser melhor fazer raise. Geralmente não é errado fazer o raise e não existem dados que nos indiquem se é melhor fazer raise ou call com estas mãos.
Uma vantagem de fazer over limp é de que temos mais informação antes de por dinheiro no pote, o que reduz a variância, sem negligenciar a equity.
É melhor optar pelo raise contra jogadores que são normalmente tight no pós-flop, pois um Ás no flop dá-nos fold equity. Não devemos dar o nosso set por vencido numa situação de cbet contra três ou mais oponentes. Podemos desistir da nossa mão mas também podemos esperar que eles nos dêem uma carta gratuita no pós-flop numa board tipo 568.
Conclusão
O cold call e o over limp são normalmente movimentos de fish, mas como TAG podemos fazer estes movimentos nas situações correctas. Devemos ter em mente que não deveremos nunca atribuír um leque de mãos específico a estes movimentos tal como fazemos com outros na tabela de mãos iniciais. São simples dicas que nos ajudam a tomar a decisão correcta quando temos uma boa leitura dos nossos oponentes. O nosso sucesso com este tipo de movimentos dependerá muito da nossa forma de jogar no pós-flop.
Aqui fica um sumário para estar acessível enquanto jogamos. De lembrar a importância de observar os nossos oponentes e ajustar o nosso jogo de acordo com a forma de eles jogarem.
- Cold call com pares de mão
- Podemos fazer o cold call com pares de mão contra um raiser e pelo menos mais dois callers.
- Podemos fazer o cold call com 55+ (44+ se estivermos na SB) contra um raiser e pelo menos mais um caller.
- Contra um só raiser, devemos optar pela 3-bet ou pelo fold com pares de mão. O cold call nesta situação é quase sempre um erro.
- Cold call com suited connectors e suited um/dois gappers
- Contra um raiser e pelo menos mais dois oponentes podemos fazer o cold call com: 98s-QJs, KJs, KTs T8s, J9s, QTs e Q9s. Na SB também com: J8s, 87s, 76s, 65s e 97s.
- Contra um raiser e pelo menos mais um oponente com: T9s-QJs, QTs, KJs, KTs. Na SB também com:98s, 87s e J9s.
- Cold call a um único raiser
- O raiser é extremamente agressivo e com tendências maníacas.
- Não temos equity suficiente contra o seu leque de mãos de open raise.
- O raiser tem por hábito ir sempre a showdown e pensamos que não iremos conseguir fazer com que desista da melhor mão no pós-flop.
- Mãos tipicas para esta situação: T9s, JTs, QTs, QJs.
- Over limp contra um oponente
- As seguintes mãos fazem geralmente parte desta situação: J9s, J8s, T9s, T8s, 98s, 87s. De relembrar que os bons jogadores depois de nós, farão uma boa leitura da nossa mão no caso de fazermos over limp.
- Over limp contra dois oponentes
- KJo, QTo+, JTo (só no BU), 76s+, Q9s, T8s+, J8s+
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