Calculando o Leque de Mãos Adversárias
Introdução
Neste artigo
- Procedimentos básicos
- Ajustar o nosso leque aos adversários
Segundo o Independent Chip Model (ICM), uma das componentes fundamentais nas rondas de blinds elevadas em torneios é a capacidade de um jogador saber calcular bastante bem o leque de mãos possíveis do adversário. Melhor: a amplitude de possíveis mãos com que o adversário faz call de um all-in, ou com as quais ele próprio faz um all-in.
Mas como isto depende sempre muito do jogador em si e da situação em que se encontra, o fator mais importante é realmente a própria experiência que temos.
Procedimento Básico
Em princípio, o que devemos fazer para tentar calcular é meter-nos na situação do adversário que depende da situação em que ele se encontra. Fazemo-nos então a pergunta: qual seria o meu leque de mãos viáveis se eu fosse este adversário. Com que mãos faria um call? Com que mãos faria um push (all-in)? Qual seria o meu leque de mãos ideal para esta situação?
É claro que a maioria dos adversários não joga idealmente. Uns jogam demasiado tight, outros demasiado loose. Mas através das observações que fomos fazendo dos adversários deveremos ser capazes de fazer uma estimativa destes desvios do jogo ideal e incluí-los nos nossos cálculos. Para isso é de grande importância vermos bem o que os adversários tinham em caso de uma mão chegar até ao showdown.
Outros indicadores bons para o leque de call e de push dos adversários são as estatísticas que temos do Pokertracker dos oponentes, nomeadamente PFR e Attempt-to-steal, para o leque de mãos de push, e VPIP e defending-blinds, para o leque de mãos de call.
Com estas informações podemos calcular bem os leques de mãos dos adversários para as diferentes ações. Um bom instrumento de ajuda seria também o Equilator. Com ele podemos ir acrescentando mãos a um dado leque para mais tarde podermos deixar o programa calcular as percentagens ou a quantidade total de mãos iniciais que o adversário está disposto a jogar tendo os dados do Elephant que tem.
No geral podemos afirmar que os adversários nos limites de buy-ins baixos tendem para fazer calls mais loose e pushes mais tight do que seria o ideal. Pelo outro lado, nos limites mais altos os adversários tendem geralmente para fazer calls mais tight e pushes mais loose do que seria o ideal.
Leques de mãos frequentes
2.6% QQ+, AK
4.2% JJ+, AQ+
8.7% 99+, AT+ KQ+
18.6% 66+, A6+, KT+, QJ+
32.7% 44+, A2+, K6+, Q9+, JT+
40.9% 22+, A2+, K2+, Q8+, J9+
48.1% 22+, A2+, K2+, Q5+, J7+, T9+
Leques de 0% ou 100% são praticamente impossíveis.
Blinds (200/400), 4-handed
CO 100 Fichas
BU 3200 Fichas
SB 8000 Fichas
BB 1000 Fichas
CO folds, BU folds, SB ?
Aqui poderíamos assumir que a SB fará um push com 100% das suas mãos. Mas a experiência demonstrou que mesmo assim a SB muitas vezes descarta mãos como 32o ou 72o.
É claro que é impossível fazer um cálculo exato do leque de mãos. Mas os leques de 0% e 100% têm a característica de se poderem desviar apenas numa direção. Portanto devemos não assumir leques de 100% mas sim de 90%-95%
Calculamos bem o leque?
Por vezes acontece que pomos um adversário num dado leque de mãos, por exemplo: qualquer ás, qualquer rei, qualquer par, etc. Fazemos então um call do seu push porque pensamos ter uma mão melhor do que a média das dele. No entanto ele mostra AA. Muita gente fica frustrada pois pensa ter calculado mal o leque de mãos possíveis do adversário.
Mas o nome diz tudo, nós calculamos meramente um conjunto de mãos possíveis com as quais um dado adversário faz esta ou aquela jogada. Em casos específicos, a mão que ele tem pode muito bem estar no topo do conjunto, tal como pode por vezes ser a mais fraca de todas no conjunto. Se o adversário mostrar uma mão muito forte não significa que os cálculos que fizemos estão errados. Significa apenas que neste caso ele tem uma mão que se encontra no topo do seu leque de mãos possíveis. Mesmo assim a mão continua a ser parte do leque que calculamos, tal como as mãos mais fracas.
Só podemos ter a certeza de ter feito um cálculo errado se ele mostrar uma mão que não tínhamos incluído no leque de mãos daquele adversário. Continuando o exemplo de cima: se calculamos o leque de um dado adversário em sendo qualquer ás, qualquer rei e qualquer par para um call, e ele fizer call do nosso push com 84o, é óbvio que erramos no cálculo.
Ajustar o nosso leque aos adversários
Há casos em que é recomendável ajustar o nosso próprio leque ao dos adversários. Para este fim podemos mais uma vez usar a ajuda de PokerStove, com o qual podemos ver a performance de certas mãos iniciais contra um leque específico.
Hero está na SB
Vilão está na BB
Vilão tem um leque para call de 4.2% (JJ+, AQ+), é portanto um jogador muito tight.
ATo tem uma Equity de 26% contra todas estas mãos juntas.
Mas 87s tem uma Equity de 32.4%.
Isso nos diz que um push contra este tipo de jogador com 87s tem mais chances de sucesso do que um push contra o mesmo jogador com ATo.
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