Atualizado em 07 Jul 26 por

Bases Teóricas para o Jogo Pós-Flop No-Limit

Como já foi descrito no artigos das bases teóricas pré-flop, No-Limit Hold'em é um jogo em que a melhor acção depende muito da situação. É praticamente impossível dar regras fixas para o que fazer nas diferentes situações, pois os adversários têm muitas possibilidades em como agir (em comparação com fixed limit em que eles só podem fazer fold ou call ou raise). Em no-limit o tamanho da aposta é variável, de maneira que possamos ser confrontados com as demais variadas situações – uma vez somos confrontados com um bet mínimo e uma outra vez com um all-in.

As seguintes directivas orientam-se então pela força da nossa mão e irão mostrar conceitos com os quais será possível maximizar os lucros e minimizar as perdas.

Devem ler e compreender sem falta o artigo “Bases Teóricas do Jogo Pré-Flop” e os conceitos apresentados sob o ponto número 1. É neles que irá basear este artigo.

Conceitos Básicos

Protecção e tamanho das apostas

No que toca a protecção , são 2 os pontos cruciais:

  • Reduzir o número de adversários para aumentar a probabilidade de ganharmos a mão.

  • Escolher o tamanho do bet de forma a dar odds (implícitas) incorrectas ao adversário.

Só devemos tentar proteger a mão quando é provável termos a melhor mão. Não faz sentido proteger uma mão que não seja a melhor.

Para melhor ilustrar isto vamos antes de mais mostrar os efeitos dos diferentes tamanhos de apostas. Como sabem, em NL podem escolher livremente o tamanho das das apostas. Vamos então ver na tabela seguinte as pot odds que o adversário estaria a receber para um call nas diferentes situações.

 

Bet Size

Pot Odds que o adversário recebe

1/3 Pot

1:4

1/2

1:3

2/3

1:2,5

1 Pot

1:2

Mais do que o pote

Pot Odds piores que 1:2.

Temos de escolher o tamanho do bet dependendo do que o adversário poderia ter. Mais acerca disto nos seguintes capítulos.

Pot Control

Em No-Limit Hold'em é muito importante manter o pote pequeno quando temos mãos fracas que, no entanto, queremos levar até ao showdown. Isto é importante para não arriscarmos o stack completo, pois se o fizéssemos cada vez que tivéssemos qualquer mão feita iríamos inevitavelmente perder dinheiro a longo prazo.

Em No-Limit é rara a situação em que faz sentido fazer um calldown, pois geralmente saem-nos caros, tal como o seguinte exemplo irá demonstrar:

Stacks: Hero e Villain cada um 100BB´s.

Preflop Raise: 4 BB´s + 1,5 BB´s das Blinds.
Pote no Flop: 9,5 BB´s.
Bet seguido de call no Flop: cada um 7 BB´s.
Pote no Turn: 23,5 BB´s.
Bet seguido de call no Turn: cada um 20 BB´s.
Pote no River: 63,5 BB´s.
Bet seguido de call no River: cada um 45 BB´s.
Pot no Showdown: 153,5 BB´s.

Investimos 76 BB's até ao showdown, o que corresponde a cerca de ¾ do nosso stack inteiro.

Para manter o pot o mais pequeno possível com mãos fracas que no entanto têm valor de showdown (mãos com as quais temos hipóteses realistas de ganhar no showdown) temos as seguintes possibilidades:

  • Escolher uma sequência de apostas própria (iremos especificar mais em “categorias de mãos”).

  • Adaptar o tamanho da aposta. Um bet de pot size faz o pote crescer depressa, agora com um bet de ½ pote as coisas já são diferentes.

Este conceito é o completo oposto da protecção. Não é possível manter o pote pequeno enquanto damos más odds aos adversários.

Qual dos conceitos devemos aplicar depende muito da situação em que estamos e não existe uma resposta geral.

Continuation Bets

Um continuation bet é um bluff do agressor da ronda pré-flop (aquele que fez o último raise na ronda pré-flop), com a intenção de ganhar o pote já no flop, apesar de não ter acertado nada. É relativamente comum não acertarmos nada no flop, mas com os adversários não é diferente. No entanto como agressor pré-flop temos a vantagem de já ter sinalizado a posse de uma mão forte, de maneira que este continuation bet resulta muitas vezes, ganhando o pote já no flop.

Tamanho do continuation bet:
Temos de encontrar um tamanho que nos dê uma relação ideal entre custo e lucro.

Por um lado queremos sinalizar ao adversário uma mão forte, mas pelo outro queremos que este continuation bet nos saia barato caso dê para o torto.

Um bom valo empírico para este continuation bet é metade do pote. Para que façamos lucro com um continuation bet deste tamanho só é preciso que o adversário faça fold uma em três tentativas. Pelo outro lado um bet de ½ pote já sinaliza que temos uma boa mão.

Eu recomendo aos principiantes jogar segundo o princípio “fit or fold”, manter o número dos continuation bets baixo e se contra mais do que um adversário não os fazer de todo.

Só poucos adversários tomam realmente atenção ao que se passa na mesa, de maneira que poucos irão notar que só jogamos mãos fortes no flop. Com o passar do tempo irão aprender contra que adversários vale a pena fazer um continuation bet e contra quais a tentativa é fútil. Poderão então aplicar os continuation bets com mais frequência.

Para determinar o sucesso dos continuation bets existem dois factores fundamentais: Ter uma ideia de quanto o adversário gosta de fazer calls e a textura do flop. Este segundo factor é capaz de nos dar uma boa ideia sobre a probabilidade do nosso adversário ter acertado uma mão viável ou não. Um flop com T T 2 é bastante melhor para aplicar um continuation bet do que um flop com J 9 8

 

Bases teóricas gerais no jogo pós-flop em No-Limit

Pra já vamos explicar as bases teóricas gerais, e nos parágrafos seguintes iremos demonstrar a aplicação na prática.

Quando devo apostar?

(no seguinte podem também substituir sempre bet com raise)

Esta, claro, é a pergunta decisiva. Algumas directivas para nos ajudar a decidir se devemos fazer bet (raise):

  • Existe uma hipótese realista do meu adversário fazer fold contra um bet?
    Esta questão só é relevante quando queremos fazer um bluff ou semi-bluff. Ao princípio não nos devemos aventurar em tentativas de bluff, com a excepção dos acima mencionados continuation bets. Semi-bluffs serão explicados no 4º capítulo sob o ponto “drawing hands”.

  • Existe a possibilidade do adversário ter uma mão pior do que a nossa com a qual ele fará um call?
    Se esta possibilidade não existir o bet é inútil (a não ser como um bluff, mas repito: bluffs nos limites baixos não são recomendáveis!).

 

Em que situação devemos apostar quanto?

Também aqui devemos pensar no seguinte em primeiro lugar:

  • Queremos que o adversário faça call ou fold?
    A tendência deve ser: quanto mais queremos que ele faça call, mais pequeno deve ser o nosso bet.

  • São possíveis muitos draws? Podemo-nos permitir dar boas pot odds / odds implícitas ao adversário?

    Quanto maior o perigo de draws, maior terá de ser o bet para proteger a nossa mão devidamente.

  • Se fizermos um bet: será que estaremos pot commited, de maneira que teremos de fazer call de um raise assim como assim?
    Se for o caso podemos ser nós mesmos a fazer o bet de maneira a meter o nosso adversário ou nós próprios all-in.

  • O adversário é daqueles que gosta de fazer calls? É daqueles que faz calls de apostas grandes com mãos medíocres?
    Quanto mais ele gosta de fazer calls, maior podemos fazer os nossos bets para tirar o valor máximo das nossas mãos boas.

Infelizmente não é possível dizer quando exactamente é ideal fazer qual aposta. Isto depende de demasiados factores como a mão, o board, adversários e situação em geral.

Só irei dar directivas gerais em como nos devemos comportar ao princípio. Com estes conhecimentos poderemos então desenvolver-nos mais tarde.

Directivas:

  • Fazemos os bets no mínimo à altura de meio pote. Bets mais pequenos dão odds demasiado boas ao adversário. Especialmente nos limites baixos em que temos muitos adversários a fazer calls de demasiado dinheiro com mãos demasiado fracas.

  • Quanto maior o perigo de draws, maior deverá ser o nosso bet, para darmos ao adversário piores odds para um call com um draw.

    Neste caso devemos variar o tamanho do bet (dependendo do grau de perigo de draws) entre meio pote e pote inteiro.

O que significa quando somos confrontados com um bet do adversário?

Também isto depende muito da situação e do adversário, de maneira a ser difícil seguir uma regra geral. Mas uma boa directiva geral seria: Quanto maior o seu bet, melhor a sua mão!

Isto pode parecer trivial, no entanto há muita gente – especialmente entre principiantes- que pensa ao contrário.

O pensamento deles é o seguinte: “quanto maior o bet do meu adversário maior a probabilidade de ele estar a fazer bluff. Quanto menor o bet, mais ele quer que eu faça call.”.

Este pensamento até pode estar certo em certas situações, as em geral está definitivamente errado.

Quando devemos fazer fold?

É claro que o importante aqui não é a força da nossa mão em si, mas a força da nossa mão relativamente às mãos possíveis dos nossos adversários. Teremos de ter uma vista geral sobre os seguintes aspectos:

  • Qual foi o decorrer da mão em pré-flop e nas rondas anteriores? O nosso adversário já demonstrou alguma força?
    Basicamente vale: quanto mais força ele demonstrou, mais forte será a sua mão. (nos limites baixos não há muitos bluffs).

  • Qual é a textura do board? Será provável o adversário ter acertado alguma coisa?
    Quanto maior a probabilidade de ele ter acertado alguma coisa, mais devemos pensar em fazer fold, claro.

  • Quais as pot odds que recebo para um possível call?
    Quanto piores as pot odds, maior terá de ser a probabilidade de estarmos à frente para o call ser rentável. Em outras palavras: Quanto piores as pot odds, mais razão temos para fazer fold com uma mão que não seja assim tão forte.

  • Se temos uma mão com a qual gostaríamos de ir até ao showdown: Quanto nos irá custar ir até ao showdown?
    Um calldown em NL pode-se tornar muito caro. Não serve de nada fazermos um call de um bet relativamente grande numa ronda se partimos do princípio que na próxima ronda seremos confrontados com mais um bet, do qual não iremos fazer call. Podemos fazer fold logo contra o primeiro bet e poupar dinheiro.

Se realmente devemos fazer fold ou não depende de pensarmos ter uma mão melhor do que a do adversário ou não. Devido aos altos custos de um calldown em NL não é possível ir até ao showdown depressa e por pouco dinheiro com uma mão pouco forte. Portanto devemos tender sempre para fold com estas mãos assim que um dos adversários mostrar alguma força (independentemente dele demonstrar força com um raise ou com um simples call).

Mas trataremos deste assunto mais detalhadamente nos capítulos à frente em que discutimos as diferentes mãos.

Categorização das mãos

Para saber como agir nas diferentes situações temos antes de mais saber que mão temos e como categorizá-la. Vamos subdividir os diferentes tipos de mãos em categorias, sem que no entanto seja possível fazer cada mão corresponder a uma única categoria (a força de uma mão pode variar de uma ronda para a outra). Em diferentes situações a mesma mão pode ter de ser categorizada diferentemente.

Os factores para categorizar uma mão são os seguintes:

  • tipo de mão (Set, Pair, Draw, etc.)

  • textura do board (3-suited / 3 do mesmo naipe, 4-connected / 4 cartas de valor adjacente, etc.)

  • número de adversários

  • acção que houve na ronda pré-flop (Hand Range / possíveis mãos dos adversários)

Com as diferentes categorias de mãos temos diferentes objectivos (próximo parágrafo). Antes de mais as 5 categorias:

Strong Made Hands/Mãos feitas fortes

Com mãos feitas fortes referimos-nos àquelas mãos com as quais podemos quase sempre partir do princípio estar à frente.

Pertencem a este grupo especialmente “sets” (trio com pocket pair), straights ou flushes, mas também mãos como top pair (naturalmente em consideração dos pontos acima mencionados).

Alguns exemplos:

Flop: Q, 8, 2

Hero segura: Q, Q

Aqui Hero tem as nuts (set queens). Não há qualquer mão possível que seja melhor.


Hero segura: 2, 2

Aqui Hero tem as terceiras nuts (set deuces). Só pode perder contra um set de queens ou de oitos. Mas apesar de não ter a melhor mão possível, pode contá-la como sendo uma mão feita forte, pois é improvável o adversário ter um set melhor (situações de set-over-set são possíveis, claro, mas tão raras que não é vergonha nenhuma perder o stack completo se realmente acontecer).


Flop: Q, J, T

Hero segura: Q, Q

Neste exemplo Hero tem de novo um set de queens. No entanto aqui não tem as nuts. Este flop possibilita straights e flushes. Portanto a mão terá de ser avaliada tendo em consideração o número de adversários e a acção à mesa. Contra um único adversário Hero está quase sempre à frente. Mas se estiver contra 6 adversários já não pode contar a mão como sendo uma mão feita forte. A probabilidade de alguém já ter uma straight ou um flush feitos é simplesmente grande de mais.

Medium Made Hands/Mãos feitas médias

Com mãos feitas médias referimos-nos àquelas mãos que por um lado têm valor para ir até ao showdown, mas que pelo outro lado não são o suficiente para arriscar o stack completo. O argumento que fala contra é:

Simplesmente não existem suficientes mãos piores do que a nossa que o adversário possa ter com as quais ele também arriscaria o seu stack completo. Com estas mãos ganhamos um pote pequeno se o adversário fizer fold e perdemos um pote grande se ele fizer call.

Como pertencentes a esta categoria contam especialmente mãos como top pair/top kicker (ou bom kicker) ou mesmo dois pares fracos. Também sets ou top two pair em boards extremamente perigosos, tal como no último exemplo das mãos feitas fortes.

Alguns exemplos:

Flop: K, Q, 3

Hero segura: A, K
Hero tem aqui top pair top kicker (TPTK). É bastante provável estar à frente, no entanto existem mãos que o batem, tais como sets ou dois pares.

Hero segura: Q, 3

Hero tem dois pares. Também aqui está quase sempre à frente. No entanto reparem que comparando com a primeira situação, existe apenas uma mão extra contra a qual ele ganha, nomeadamente AK. Ele perderá contra todas as mãos contra as quais também perderia no primeiro exemplo. Portanto dois pares fracos não são muito mais fortes do que TPTK.

Marginal Made Hands/Mãos feitas marginais

Com mãos feitas marginais referimos-nos àquelas mãos que apesar de valerem como mão feita não têm qualquer valor para showdown assim que um adversário mostrar qualquer interesse em querer ficar em jogo.

Contam como pertencentes a este grupo todos os pares (com excepção de top pair com um bom kicker) e mãos feitas médias em boards perigosos.

Alguns exemplos:


Flop: Q, T, 4

Hero segura: T, 9

Hero tem aqui middle pair com um kicker bastante mau. Com uma mão destas não temos praticamente qualquer valor de showdown, pois quase que não existem mãos piores que o pagariam.

Flop: T, 9, 8

Hero segura: T, K

Aqui Hero tem top pair com o segundo melhor kicker, no entanto este board possibilita straights e flushes e para além disso a probabilidade de two pair é bastante grande. Hero só está à frente contra mãos de um par (no caso de um par de T só com kicker mais fraco que K).

Drawing Hands

Drawing hands são aquelas que momentaneamente ainda não têm qualquer valor de showdown, mas que com o aparecer de uma (ou mais) certas cartas se pode tornar numa mão muito forte. São elas principalmente os draws para straights e flushes.

As drawing hands fortes são aquelas que têm no mínimo 8 outs limpos como por exemplo open ended straight draws (OESD, 8 outs) ou flush draws (9 outs).

Drawing hands fracas são aquelas com menos de 8 outs, como por exemplo gutshot straight draw (4 outs).

Alguns exemplos:

Flop: A, 6, 3

Hero segura: 5, 4

Neste caso Hero tem um OESD. Se aparecer qualquer 2 ou qualquer 7 passará a ter a nut straight (portanto 8 outs para as nuts).

Hero segura: 2, 4

Aqui Hero tem um gutshot straight draw. Só se aparecer um 5 fará a sua straight. Tem portanto 4 outs.


Flop: A, 8, 3

Hero segura:. K, 2

Aqui Hero tem o nut flush draw e portanto 9 outs.

Trash Hands

Trash hands são aquelas que na ronda actual não têm valor de showdown, e para além disso poucas hipóteses têm de vir a melhorar nas próximas rondas.

Alguns exemplos:

Flop: A, T, 2

Hero segura: K, 5

Hero não tem nada e poucas possibilidades de vir a melhorar a mão nas próximas rondas (mesmo que apareça o K, poderá não ter hipóteses contra um A que já esteja em jogo) – é portanto uma trash hand.

Hero segura: 8, 3

O mesmo que no primeiro caso - lixo!

Objectivos do jogo pós-flop e a sua realização

Todas as categorias de mãos têm uma coisa em comum. Com qualquer uma perseguimos o mesmo objectivo: maximizar o lucro quando temos a melhor mão e minimizar a perda quando temos a pior mão.
A prioridade varia de categoria para categoria. Quanto mais forte é a mão, menos importante se torna a minimização das perdas e mais importante se torna a maximização do lucro. E vice-versa quanto mais fraca a nossa mão.

Com mãos feitas fortes

Com estas mãos o nosso objectivo primário é conseguir a maior quantidade de dinheiro possível para o pote. No entanto há que ter o cuidado de proteger a mão devidamente em boards perigosos.

Na melhor das hipóteses ganhamos o stack completo do adversário. Existem diferentes possibilidades:

  • Slowplay (A tentativa de sinalizar ao adversário a posse de uma mão fraca e portanto incentivá-lo a meter mais dinheiro no pote).

  • Jogar agressivamente de maneira a aumentar o pote.

No que toca o slowplay:
especialmente no limites baixos recomendo não fazer tentativas de slowplay. Por causa das seguintes razões:

  • os adversários pagam-nos assim como assim (caso tenham acertado qualquer coisa)

  • existe o perigo (bastante grande até) que o adversário não faça o que a gente quer e o pote fique pequeno.

  • Em boards perigosos temos de proteger assim como assim. Por termos uma mão forte, é claro que damos odds implícitas muito boas ao adversário (não podemos fazer fold simplesmente por um possível draw se ter completado).

Se queremos tirar valor dos nossos adversários é melhor fazer bets e raises. Normalmente é o suficiente apostar entre meio e inteiro pote, dependendo do que os adversários estão dispostos a pagar. Em boards mais perigosos podemos apostar entre 2/3 de pote a pote inteiro, para dar piores odds / odds implícitas aos adversários.

1ª Mão exemplar

No Limit Hold'em (Blinds: 0.5/1 Dollar)

SB ($99)
Hero ($99)
Villain (UTG) ($95)
CO ($135)
Button ($145)

Preflop: Hero is BB with Q, 4.
Villain (UTG) calls $1.00, 3 folds, Hero checks.

Flop: ($2.50) 5, T, 7 (2 players)
Hero bets $2.00, Villain (UTG) raises to $4.00, Hero raises to $15.00, Villain (UTG) calls $11.

Turn: ($32.50) 6 (2 players)
Hero bets $25.00, Villain (UTG) calls $25.00.

River: ($82.50) 9 (2 players)
Hero bets $58.00, Villain (UTG) calls $54.

Nesta mão Hero acerta um flush directamente no flop. Não tem as nuts (estas seriam um flush até ás), mas decerto que tem uma mão feita forte, pois é muito improvável estar atrás com esta mão.

A melhor coisa nesta situação seria conseguir ir all-in já no flop. Mas claro que não seria ideal fazer já o push de all-in, pois geralmente ninguém fará call com uma mão pior. Portanto apostamos cerca de 2/3 do pote, para aumentar o pote e, claro, para os protegermos contra alguém com o A ou K (mas também contra alguém que tenha um set que completaria um full house se aparecesse um par no board). Villain faz então um raise mínimo. Pelas mesmas razões que tínhamos para o nosso bet no flop (aumentar o pote e proteger a nossa mão) decidimos fazer um re-raise para cerca do tamanho do pote (neste caso estamos a dar a Villain odds de 1:2.1). Villain faz call.

No turn aparece uma carta que não muda a situação. É muito provável ainda estarmos à frente e fazemos mais um bet (mais uma vez pelas mesmas razões que tínhamos no flop).

No river o pote tem então $82,5 e ao Villain restam $54 no stack. Portanto fazemos o push para all-in. Uma alternativa decente seria fazer um value bet de cerca de $30 (da qual ele faria call com quase toda a certeza), mas especialmente nos limites baixos, a probabilidade do adversário fazer call do nosso all-in com uma mão pior é bastante grande.

2ª Mão exemplar

No Limit Hold'em (Blinds: 0.25/0.5 Dollar)

MP3 ($51)
Villain2 (CO) ($73)
Button ($51)
Villain1 (SB) ($56)
Hero ($50)
UTG ($86)
UTG+1 ($15)
UTG+2 ($75)
MP1 ($55)
MP2 ($75)

Preflop: Hero is BB with 9, 5. SB posts a blind of $0.25.
4 folds, MP2 calls $0.50, MP3 calls $0.50, Villain2 (CO) calls $0.50, 1 fold, Villain1 (SB) completes, Hero checks.

Flop: ($2.50) 8, 7, 6 (5 players)
Villain1 (SB) bets $2, Hero raises to $8, 2 folds, Villain2 (CO) calls $8, Villain1 (SB) calls $6.

Turn: ($26,50) 3 (3 players)
Villain1 (SB) checks, Hero bets $15, Villain2 (CO) raises to $65.50 (All-In), Villain1 (SB) folds, Hero calls $36 (All-In).

Nesta mão Hero acerta a segunda nut straight no flop (a nut seria T9). É muito provável que tenha a melhor mão, e portante decide fazer um bet de cerca de pot size. A razão principal para fazer este bet é de tirar valor do adversário com uma mão tão forte. Mais uma razão seria a protecção contra um possível 5 ou 9 a aparecer na próxima ronda. O problema com o 5 seria que o board estaria 4-connected e se tornaria demasiado óbvio alguém ter a straight (seria muito difícil tirar mais valor da mão). Com o 9 teríamos o mesmo problema, com a diferença que cada T na mão do adversário lhe daria uma straight melhor. Hero tem então dois callers e no turn aparece uma carta completamente inofensiva. Hero volta a apostar pelas mesmas razões cerca de 2/3 do pote (uma boa medida para equilibrar o valor que queremos tirar e a protecção devida), e faz call sem hesitar do push de Villain2

Com mãos feitas médias

Com estas mãos temos de encontrar uma boa mediania entre minimização das perdas (caso estejamos atrás) e maximização dos lucros (caso estejamos à frente).

O problema destas mãos é a característica que têm de muitas vezes ganhar potes pequenos ou perder potes grandes. Isto torna-se bastante claro quando respondemos à seguinte pergunta:

“Será que o meu adversário iria até ao showdown com uma mão pior do que a minha se eu mostrar força?”

Quando temos mãos feitas médias geralmente não é o caso. Se, por exemplo temos top pair top kicker (TPTK), o nosso adversário pode ter no máximo top pair com um kicker pior para podermos ganhar. No entanto top pair com um kicker fraco não é uma mão que se leve muitas vezes até ao showdown (ou se vá all-in) em no-limit (torna-se simplesmente demasiado caro ter que fazer calls de bets grandes em 3 rondas de apostas).

É nisto que baseia o seguinte ponto importante:

Raramente é correcto investir o stack inteiro com uma mão feita média!

Portanto, em geral, o que queremos é encontrar uma mediania entre tirar valor, protecção e controle do pote. O controlo do pote ainda não é muito importante nos limites mínimos (NL 1/2c até NL 0.15/0.25$). A razão é que nestes limites os adversários fazem muitos calls até ao showdown com mãos fracas. Mas à medida que vamos subindo de limite os adversários vão-se tornando melhor, e o controle do pote vai ganhando em importância.

Para manter o pote pequeno temos de usar diferentes sequências de apostas nas diferentes situações. Não posso falar de todas elas aqui, pois não se enquadraria com o propósito deste artigo. Mas darei dicas gerais e alguns exemplos.

Para começar, é claro que o pote pode ser mantido pequeno com tamanhos de apostas controlados. Porque é que deveríamos apostar pot size num board que não possibilita draws (ou seja em que não temos de proteger a nossa mão contra draws) se também podemos fazer um bet de meio pote. A vantagem de um bet mais pequeno é que também haverá mãos piores (que batemos) a fazer call. Mas mais importante ainda, é o facto de que ao mantermos o pote pequeno perdemos menos se realmente não temos a melhor mão.
Uma outra possibilidade que temos para manter o pote pequeno é a sequência de apostas que escolhemos. Irei demonstrar o que quero dizer nos exemplos em baixo.
Em geral podemos dizer que devemos fazer quase sempre bets no flop e no turn quando jogamos nos micro limits e temos uma mão feita média (pelo menos enquanto não tivermos um adversário a mostrar resistência). Por um lado para tirar valor, e pelo outro para proteger contra possíveis draws. O tamanho que devemos escolher para os bets depende muito do board. Quanto mais perigoso for (ou seja, quanto mais cartas existirem que não queremos ver a aparecer na próxima ronda), maior devem ser os bets, para protegermos devidamente contra possíveis draws. O tamanho do bet deve andar algures entre ½ – 1 pot size.
No river as coisas são algo diferentes. Antes de mais temos que pensar no seguinte:

Existirão mãos piores do que a nossa que farão ainda mais um call de um bet nosso?

Se for o caso podemos então fazer mais um value bet. Dependendo da quantidade de calls que o adversário faz podemos variar o tamanho do bet. Como sempre entre ½ e 1 pot size.
Se for improvável haver mãos piores a fazer call do nosso bet, não serve de nada fazê-lo. Temos então a escolha entre check/call e check/fold. Antes de continuar quero dar umas directivas sobre quando devemos jogar check/call e quando devemos jogar check/fold:

  • será possível terem-se completado alguns draws com a carta do river?
    Se for o caso estamos muitas vezes atrás e teremos de fazer fold contra um bet grande do adversário. Se não for o caso é bem possível que o adversário tenha um draw que não se tenha completado e devemos portanto tender mais para um call.

  • O adversário é muito agressivo?
    Quanto mais agressivo ele for mais bets fará, portanto deveríamos tender mais para um call.

  • Qual o tamanho do bet do adversário, que pot odds estou a receber para um call?
    Quanto maior o bet do adversário melhor será a sua mão. Se ele apostar meio pote temos de ganhar apenas uma em quatro vezes para que se renda fazer call. Mas se apostar o pote inteiro já temos de ganhar uma em três vezes para ter um call lucrativo.


Resumo:

  • Com mãos feitas médias devemos tentar encontrar um meio entre tirar valor, protecção e controle do pote; sendo este último ponto de menor importância nos micro limits.

  • Enquanto nenhum dos adversários mostrar força devemos continuar a fazer bets com mãos feitas médias para tirar valor e ao mesmo tempo protegê-la (tamanho dos bets entre ½ e 1,25 vezes o pote).

  • Raramente está certo investir o stack inteiro com uma mão feita média.

  • Se somos confrontados com uma decisão difícil, pelo menos ao princípio é melhor fazer fold do que call.

 

3ª Mão exemplar:

No Limit Hold'em (Blinds: 0.05/0.1 Dollar)

Button ($11)
SB ($16)
BB ($11)
UTG ($10)
Hero ($10)
Villain (CO) ($12)

Preflop: Hero is MP with A, Q.
1 fold, Hero raises to $0.4, Villain (CO) calls $0.40, 3 folds.

Flop: ($0.95) A, 6, 3 (2 players)
UTG checks, Hero bets $0.8, Villain (CO) calls $0.8, UTG folds.

Turn: ($2.55) 7 (2 players)
Hero bets $1.5, Villain (CO) calls $1.5.

River: ($5.55) 4 (2 players)
Hero checks, Villain (CO) bets $3, Hero calls $3.

Nesta mão temos AQo em MP e fazemos um raise para 4 BB's. No flop acertamos top pair com segundo melhor kicker. É muito provável termos aqui a melhor mão e fazemos, portanto, um bet entre 2/3 e pote inteiro (aqui temos que proteger devidamente contra flush draws). Villain faz call.

No turn temos uma situação parecida. Aparece um “rag” (uma carta que provavelmente não ajudou ninguém). Voltamos a apostar entre 2/3 do pote e pote inteiro, e ele faz mais um call. No river vem mais um rag. Estamos muitas vezes à frente nesta situação (especialmente nos limites baixos). Resta-nos saber se fazemos um value bet ou se jogamos check/call. O board permitia muitos draws e como o adversário jogou bastante passivamente, pode muito bem ser que ele não tenha mais do que um draw. Portanto decidimos fazer check e esperar o que acontece (explico o porquê no capítulo 4º). O adversário faz agora um bet de $3, de maneira a recebermos pot odds de 1:2.85 para um call. Isto quer dizer que temos de ganhar a mão apenas uma de quatro vezes (25%) para ter um call lucrativo. E como o adversário poderia ter tudo, entre um A fraco e um draw incompleto fazemos call.

4ª Mão exemplar:

No Limit Hold'em (Blinds: 0.10/0.25 Dollar)

UTG ($12)
UTG+1 ($42)
MP1 ($25)
MP2 ($25)
Villain (MP3) ($31)
CO ($7)
Button ($21)
SB ($24)
Hero ($45)

Preflop: Hero is BB with 9, J. SB posts a blind of $0.10.
UTG calls $0.25, 1 fold, MP1 calls $0.25, MP2 calls $0.25, MP3 calls $0.25, 3 folds, Hero checks.

Flop: ($1.35) J, 9, K (5 players)
Hero bets $1.2, UTG calls $1.2, MP1 folds, MP2 calls $1.2, Villain (MP3) raises to $5, Hero ...

Uma situação muito comum nos limites baixos. Estamos na BB, temos J9o e fazemos check após muitos limpers terem entrado em jogo. No flop acertamos bottom two pair, que como em cima descrevemos, não pode ser avaliado como muito mais forte do que TPTK. No entanto pode muito bem ser que estejamos à frente, e fazemos portanto um bet de quase pote inteiro. Temos dois a fazer call e um a fazer raise atrás de nós. Agora temos de tomar um decisão não tão fácil. Este flop possibilita straight draws, straights prontas, two pair melhores e mãos com apenas um par. É possível que ainda estejamos à frente, no entanto pouco provável por causa dos dois callers e um raiser (um raise destes após um bet e dois caller já demonstra muita força). Portanto fazemos o que melhor temos a fazer e desistimos da mão.

5ª Mão exemplar:

No Limit Hold'em (Blinds: 0.10/0.25 Dollar)

Villain (CO) ($31)
Button ($7)
SB ($24)
BB ($23)
UTG ($26)
Hero ($36)

Preflop: Hero is MP with A, Q.
1 fold, Hero raises to $1, Villain (CO) calls $1, 3 folds.

Flop: ($2.35) 9, J, Q (2 players)
Hero bets $2, Villain (CO) raises to $6, Hero folds.

Neste exemplo fazemos um raise first-in com AQs e temos um caller atrás de nós. No flop acertamos TPTK e decidimos fazer um bet perto de pot size para proteger a mão neste flop tão perigos no que toca possíveis draws. O adversário faz raise para $6. As mãos que ele pode ter aqui são: Straight (draw), flush draw, set, two pair, overpair, top pair, bluff.

Contra esta amplitude de mãos que ele pode ter ou estamos atrás ou temos odds implícitas revertidas muito más. Como ao princípio devemos fazer mais fold que call nestas situações difíceis, é o que fazemos aqui mesmo: fold. Não temos posição (OOP – out of position), não fazemos a mínima ideia de onde estamos nesta mão, e com um call só nos metemos numa alhada na ronda do turn, pois mais uma vez seríamos confrontados com uma decisão difícil de tomar.

6ª Mão exemplar:

No Limit Hold'em (Blinds: 0.02/0.04 Dollar)

MP3 ($6.06)
Hero ($4.60)
Button ($3)
SB ($2.04)
BB ($1.32)
UTG ($5.14)
UTG+1 ($5.20)
MP1 ($4.68)
MP2 ($8.90)

Preflop: Hero is CO with A, A. SB posts a blind of $0.02.
4 folds, MP3 calls $0.04, Hero raises to $0.2, Button calls $0.20, 2 folds, MP3 folds.

Flop: ($0.50) 9, 8, 8 (2 players)
Hero bets $0.25, Button raises to $0.75, Hero calls $0.50.

Turn: ($2) 6 (2 players)
Hero bets $2.05 (All-In), Button calls $2.05.

Temos aqui pocket aces e é claro que fazemos raise pré-flop. Temos um caller e no flop acertamos um overpair sobre um par aberto. Mãos contra as quais perdemos aqui são qualquer 8 ou pocket 9's, no entanto estas mãos são muito improváveis. Para além disso este board não possibilita muitos draws. Portanto não é um grande problema se distribuirmos freecards. No entanto como temos uma mão forte, fomos o agressor pré-flop e queremos tirar valor do nosso adversário, decidimos fazer um bet de cerca meio pote. Este bet é mais que suficiente, pois não há muitas cartas que receamos no turn (que carta poderá aparecer que mudará a situação?). Ainda por cima é claro que queremos que o nosso adversário faça call, para que possamos tirar mais valor dele.

Agora ele faz raise do nosso bet. Está então a querer mostrar-nos que tem uma mão viável. No entanto só perdemos contra as mãos que referi em cima, e há muitas mais mãos que ele poderia ter contra as quais ainda estamos à frente, como por exemplo qualquer outro pocket pair, excepto 88 e 99, ou até A9 ou se calhar apenas ace high, com o qual ele pensa estar à frente neste flop.

O que nos resta saber agora é como tirar o valor máximo do nosso adversário, só para o caso de estarmos à frente. Se fizermos re-raise já no flop provavelmente só o assustaríamos, pois estaríamos a demonstrar muita força. E como não temos de proteger muito neste board, decidimos fazer só call do bet dele, com a intenção de o pôr all-in no turn com o stack que nos resta (o que no turn corresponde a um bet de pot size).

7ª Mão exemplar:

No Limit Hold'em (Blinds: 0.10/0.25 Dollar)

Villain (CO) ($23)
Button ($23)
SB ($57)
BB ($25)
UTG ($15)
UTG+1 ($24)
UTG+2 ($12)
Hero ($25)
MP2 ($46)
MP3 ($27)

Preflop: Hero is MP1 with Q, A. SB posts a blind of $0.10.
2 folds, UTG+2 calls $0.25, Hero raises to $1.25, 2 folds, Villain (CO) calls $1.25, 3 folds, UTG+2 calls $1.

Flop: ($4.10) 3, A, 9 (3 players)
UTG+2 checks, Hero bets $3, Villain (CO) calls $3, UTG+2 folds.

Turn: ($10.10) 4 (2 players)
Villain (CO) checks, Hero checks.

Nesta mão temos AQo em MP1 e fazemos um raise normal em pré-flop com dois callers atrás de nós. No flop acertamos top pair com segundo melhor kicker, e fazemos mais um bet normal de 2/3 pot size. Um adversário faz call.

No turn aparece uma carta que muito provavelmente não ajudou ninguém, e villain faz check até nós. Agora sim entra em vigor o conceito de “pot control”. A pergunta é: que mão pior do que a nossa fará call? O board no flop era muito seco (board que não possibilita draws), portanto o adversário só pode ter feito call com uma mão feita.

Se fizermos check behind, temos as seguintes vantagens:

  • Se o adversário tem uma mão fraca com a qual ele não teria feito call, não tiramos mais valor dele. Mas se fizermos check no turn, ele muitas vezes fará bet no river ou como bluff, ou como pequena value bet. Se for assim ainda tiramos um pouco de valor de uma mão fraca.

  • Não damos a possibilidade de ele nos fazer um check-raise se tiver uma mão forte. Se ele fizesse check-raise estaríamos diante uma decisão difícil; temos uma mão com valor de showdown (ou seja que até pode ser a melhor mão) mas podemos já estar a perder contra AK, dois pares um set ou melhor. Portanto com este check behind no turn mantemos o pote bem pequeno e poupamos uma possível decisão difícil no turn.

Ao fazermos check behind no turn, temos, claro, a intenção de fazer call de um bet adversário no river (mas também, só se for um bet normal. Se ele fizer push all-in fazemos fold na mesma). Uma boa directiva seria call de qualquer bet no river enquanto tivermos odds melhores do que 1:2 para um call, ou seja se tivermos que ganhar no máximo 1 em 3 vezes (33%) para que o call se renda.

Com mãos feitas marginais

Com estas mãos temos de dar maior importância à minimização das perdas. Estas mãos geralmente têm pouco valor de showdown, e portanto devemos fazer fold delas assim que um adversário mostrar algum interesse em ficar em jogo.

Basicamente podemos fazer bet com estas mãos no flop (só se não tivermos mais que três adversários) na esperança de ganhar o pote já aqui. Claro que também isto depende da textura do flop – quanto mais draws possibilitar e quantas mais cartas broadway lá estiverem, maior a probabilidade de algum dos adversários ter acertado uma mão decente, com a qual fará call.

8ª Mão exemplar:

No Limit Hold'em (Blinds: 0.25/0.5 Dollar)

MP3 ($51)
Villain2 (CO) ($73)
Button ($51)
SB ($56)
Hero ($50)
UTG ($86)
UTG+1 ($15)
UTG+2 ($75)
MP1 ($55)
MP2 ($75)

Preflop: Hero is BB with 9, T. SB posts a blind of $0.25.
4 folds, MP2 calls $0.50, MP3 calls $0.50, Villain2 (CO) calls $0.50, 1 fold, SB completes, Hero checks.

Flop: ($2.50) A, T, 3 (5 players)
Villain1 (SB) checks, Hero checks, ...

Temos aqui T9s e acertamos middle pair com kicker mau no flop. Temos ainda 4 adversários em jogo. É pouco provável estarmos à frente, especialmente por causa do A. Claro que perdemos contra qualquer A, mas também qualquer outro T com um kicker melhor bate a nossa mão. Portanto decidimos fazer check com a intenção de fold contra o primeiro bet.

9ª Mão exemplar:

No Limit Hold'em (Blinds: 0.02/0.04 Dollar)

MP3 ($8)
CO ($5)
Hero ($11)
SB ($3)
BB ($9)
UTG ($4)
UTG+1 ($5)
UTG+2 ($2)
MP1 ($13)
MP2 ($7)

Preflop: Hero is Button with Q, T. SB posts a blind of $0.25.
5 folds, MP3 calls $0.04, 1 fold, Hero calls $0.04, 1 fold, BB checks.

Flop: ($0.14) K, T, 3 (4 players)
SB checks, BB checks, Hero bets $0.08, SB fold, BB fold.

Temos QTs no button e acertamos middle pair no flop com kicker médio. Ambos os adversários fazem check, portanto decidimos tentar um bet, pois até é bem possível estarmos à frente. Neste caso ambos os adversários fazem logo fold.

Se um deles fizesse check-raise, é claro que faríamos fold directamente. Se alguém fizesse bet em vez de check, também teríamos de fazer fold. Mas como ambos os jogadores mostraram fraqueza com o check, e nós temos uma mão feita -mesmo que seja marginal- estamos muitas vezes à frente.

 

Com Drawing Hands

Drawing Hands Fracas

O que eu recomendo ao princípio é jogar simplesmente check/fold com drawing hands fracas. Com estas mãos não se tira muito valor, e se não sabemos bem o que estamos a fazer só perderemos um balúrdio.

Drawing Hands Fortes

Se devemos e como jogar drawing hands fortes depende muito da situação em geral e dos adversários. Basicamente temos a escolha entre fold, call e um semi-bluff raise. Antes de mais umas regras básicas para como jogar estas mãos:

semi-bluffs raises só rendem se a probabilidade dos adversários fizerem fold for grande. Especialmente quando temos draws muito fortes (com 12 ou mais outs), pois se for o caso ainda temos boas hipóteses de ganhar mesmo que alguém faça call. Um dos efeitos secundários bons do semi-bluff, é que em caso de termos um caller e acertarmos o nosso draw, já termos um pote bem maior e poderemos fazer value bets maiores.

Se a probabilidade do adversário fazer fold for pequena devemos fazer apenas call. Temos de ter em conta também as odds implícitas (o adversário provavelmente tem uma mão forte que nos pagará nas rondas posteriores caso completemos o nosso draw).

E finalmente, devemos fazer fold se a probabilidade do adversário fazer fold contra um semi-bluff for pequena, e se para além disso não tivermos odds implícitas suficientes.

10ª Mão exemplar:

No Limit Hold'em (Blinds: 0.10/0.25 Dollar)

MP ($15)
CO ($25)
Villain 2 (Button) ($22)
Hero ($24)
Villain1 (BB) ($62)
UTG ($9)

Preflop: Hero is SB with T, K.
UTG calls $0.25, 1 folds, CO calls $0.25, Villain 2 (Button) calls $0.25, Hero calls $0.15, Villain1 (BB) raises to $0.75, 1 folds, CO calls $0.75, Button calls $0.75, Hero calls $0.75.

Flop: ($4.25) A, 2, 5 (4 players)
Hero checks, Villain1 (BB) bets $2.00, CO folds, Villain 2 (Button) raises to $4.00, Hero fold, ...

Nesta mão temos KTs na small blind e fazemos call devido às boas odds. No flop acertamos o second nut flush draw. No entanto temos 4 adversários, entre eles um agressor de pré-flop, e ainda por cima um A no flop. É portanto muito provável pelo menos um deles ter o A. É a razão pela qual um semi-bluff já não seria lucrativo pois quase que não temos fold equity. Portanto fazemos check. Atrás de nós villain1 faz um bet de cerca ½ pote e um raise mínimo de villain2. Fazermos raise aqui não serve de nada, pois a única razão seria para ganhar já o pote, o que depois de tanta força demonstrada é praticamente impossível. Um call também seria problemático, pois villain1 ainda irá reagir depois de nós e não queremos correr o risco de ficar encalhados na mão caso ele faça um re-raise demasiado grande. Portanto vamos pelo caminho seguro e fazemos fold.

11ª mão exemplar:

No Limit Hold'em (Blinds: 0.02/0.04 Dollar)

UTG+1 ($5)
Villain (MP1) ($6)
MP2 ($4)
MP3 ($4)
CO ($1)
Hero ($4)
SB ($5)
BB ($2)
UTG ($5)

Preflop: Hero is Button with J, Q.
2 folds, Villain (MP1) calls $0.04, 1 fold, MP3 calls $0.04, CO calls $0.04, Hero calls $0.04, 1 fold, BB checks.

Flop: ($0.22) K, 5, 7 (5 players)
BB checks, Villain (MP1) bets $0.08, MP3 calls $0.08, CO calls $0.08, Hero calls $0.08, BB folds.

Turn: ($0.54) T (3 players)
Villain (MP1) bets $0.5, MP3 folds, Hero raises to $1.5, ...

Temos aqui QJs e fazemos um call em pré-flop. No flop acertamos um flush draw bom, ou seja com 9 outs quase certos. Somos confrontados com um bet e dois callers. Por causa disto não convém fazer raise, pois a probabilidade de todos fazerem fold é minúscula. Mas como temos boas odds para um call, fazêmo-lo. Temos odds de 1:5.75. Isto quer dizer que nem temos de calcular as odds implícitas, pois já temos mais que suficiente para um call (precisamos de 1:4 com 9 outs).

No turn acertamos o flush e villain faz um bet de pot size, e como estamos praticamente sempre à frente com uma mão destas podemos fazer já raise.

12ª Mão exemplar:

No Limit Hold'em (Blinds: 0.10/0.25 Dollar)

Villain (BB) ($52.25)
UTG ($21.83)
MP ($26.20)
Button ($22.42)
Hero ($24.75)

Preflop: Hero is SB with 9, T. Hero posts a blind of $0.10.
UTG calls $0.25, 1 fold, Button calls $0.25, Hero (poster) completes, Villain (BB) checks.

Flop: ($1) 4, 6, 2(4 players)
Hero bets $1, Villain (BB) raises to $3, UTG folds, Button folds, Hero calls.

Nesta situação temos T9s na small blind e completamos em pré-flop. No flop acertamos um flush draw e decidimos fazer já um bet de pot size. No flop só estão cartas baixas e ninguém demonstrou força em pré-flop, portanto até é bastante provável ganharmos o pote já aqui. No entanto Villain faz um raise.

Para fazer call só temos pot odds de 1:2.5, mas precisaríamos de 1:4 para que fosse correcto. Mas ainda não calculámos as odds implícitas. Com o raise o adversário está-nos a querer dizer que tem uma mão forte. Isto quer dizer que caso acertemos o nosso flush, ainda somos bem capazes de tirar valor dele. Temos então odds implícitas mais altas do que as pot odds.

Partiremos do princípio que completamos o flush no turn e que seríamos capazes de tirar mais um bet de ½ pote do adversário. Estamos então a receber pot odds de 1:4.5 para o call no flop (para exemplos de como fazer o cálculo vejam em “outs, odds, odds implícitas e odds implícitas revertidas”), mas como só precisamos de 1:4 para um draw com 9 outs, podemos fazer um call.

 

Com Trash Hands

Ao princípio deveríamos jogar simplesmente check/fold com estas mãos. Bluffs não rendem nos limites baixos em que os adversários tanto gostam de fazer calls com o que quer que seja.

 

Contemplação e Perspectivas

Com este artigo deveriam ter adquirido as bases teóricas necessárias para o jogo pós-flop nos micro limits. Uma grande ajuda -e a meu ver imprescindível- é também ler e fazer posts no fórum de mãos que jogaram. Para além disso devem participar nas sessões de treino dedicadas ao limite em que estão actualmente. Isto tudo serve para melhor compreensão das diferentes sequências de apostas e também do jogo. E mais: muitas vezes encontramos erros, que sem ajuda externa no ficariam despercebidos.

Planeámos publicar artigos especiais para cada uma das categorias de mão que irão aprofundar a matéria e as diferentes situações muito mais do que o possível aqui neste artigo de principiantes.