Atualizado em 07 Jul 26 por

Elementos de leitura de mãos

» COLUNA

 

Elementos de leitura de mãos

 

por
firsttsunami


O
Poker é um jogo de informações incompletas. Em algumas variantes de poker vocês
têm mais informações (por exemplo nas versões mais standard) e noutras têm
menos.

Fazendo
uma comparação, o Hold’em é um dos tipos de poker onde existem menos
informações. Esta insuficiência de informação leva a que haja mais suspense nas
mesas de poker. A curiosidade humana de descobrir novas coisas que ainda não
tenham sido descobertas, e o procurar de soluções para determinados problemas
podem ser colocados muito bem em prática numa mesa de poker .

Quando
falamos de informações incompletas, estamos essencialmente a falar das cartas
dos adversários. Também não conseguimos ver as cartas comunitárias antes do
flop, mas as cartas dos adversários não vão estar visíveis durante todo o jogo.
Se soubéssemos as cartas dos nossos adversários, poderíamos jogar sem cometer
erros. Veríamos o showdown se tivéssemos a melhor mão e poderíamos sempre fazer
fold correctamente se o adversário tivesse uma mão melhor.

Também
seria bom se existisse um programa que tornasse as cartas dos adversários
visíveis. Contudo, e porque isto não é possível e porque o jogo perderia toda a
sua atracção, temos que encontrar outras formas de saber essas informações acerca
das mãos dos nossos adversários.

Outras
variáveis como a posição, textura da board e padrões de apostas (sequências de
apostas) permitem-nos tirar conclusões acerca das mãos que os nossos
adversários podem ter (range de mãos). Só podemos obter informação acerca da
mão que o adversário pode ter se estivermos sistematicamente a analisar estas
informações.

Quantas
mais cartas comunitárias forem reveladas e quantas mais acções os vossos
adversários tenham efectuado, menos défice de informação têm e como tal mais
fácil será colocar os vossos adversários num determinado range de mãos. Obter
esta informação é também conhecido como leitura de mãos.

Temos
que tentar perceber (ler) o nosso adversário e a sua mão para que assim
possamos ter uma vantagem em termos de informação. Isto irá-nos ajudar a tomar
melhores decisões e a criar situações que podem ser lucrativas. O nosso
objectivo é o de alcançar o maior número possível de decisões com um value
esperado positivo. Os elementos que são importantes para que se possa começar a
tentar fazer leitura de mãos, ou, para ser mais preciso, colocar o nosso
adversário num determinado range, vão será abordados ao longo deste artigo.

 

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COISAS
GERAIS

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A abordagem sistemática é muito lógica e nada difícil
de se compreender.
O
nosso ponto de partida é o pré-flop. Recebemos alguma informação acerca dos
nossos adversários através da forma como actuam.

Normalmente
um adversário ou faz raise ou fold. Considerando a posição do adversário, as
suas stats e um chart, p.e. o chart de open raise, podemos chegar a uma
conclusão inicial acerca do seu range.

Vamos receber o último
pedaço de informação no river através da última carta e do comportamento do
adversário. Vamos também tomar nesta altura a nossa última decisão. Será que
devemos seguir até ao showdown ou não? Durante o desenrolar da mão, desde o
pré-flop até ao river, temos que abordar todas as variáveis necessárias (que
são interdependentes), por forma a conseguir reunir o máximo de informação
possível.

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AS
VARIÁVEIS MAIS IMPORTANTES

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Existem várias variáveis no poker. A arte e a
dificuldade é a de conseguir colocar estas variáveis em perspectiva para
conseguir pintar um quadro completo da situação, em vez de estar a analisar as
diferentes variáveis de forma independente.

1) A vossa mão (range). Por
exemplo
A9

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2) A vossa posição

3) A textura da board / a board (draw heavy, connected)

4)
A posição do vosso adversário

5)
Os padrões de apostasy do adversário durante a mão

6)
Padrões gerais de aposta do adversário

7)
História (mãos antigas contra um ou mais adversários e reads que se
desenvolveram devido a isso)

8)
Range da mão do adversário no pré-flop, medida através das stats

IMPORTANTE: O range do vosso
adversário vai influenciar significativamente a nossa equity. Por outro lado,
isto diz-nos se uma acção é +EV ou –EV. Como já foi mencionado na introdução,
só queremos tomar decisões que tenham um value esperado positivo.

REDUÇÃO DO RANGE

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O
objectivo da leitura das mãos não é o de colocar o adversário numa determinada
mão, mas sim o de conseguir reduzir o número de possíveis mãos através da
relação das diferentes variáveis que nos são colocadas à disposição ao longo da
mão.

 

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ASSUMPÇÕES
ATRAVÉS DAS LEITURAS

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Para
conseguirmos colocar um adversário num determinado range, temos que fazer
algumas assumpções enquanto mantemos ao mesmo tempo estas variáveis na mente. Isto
quer dizer o seguinte: Como é que o adversário joga determinadas mãos numa
determinada situação?

Podem
ser feitas excepções se tiverem alguma read especial num adversário. Assumpções
que tiramos das reads são muito baseadas em conceitos teóricos que aprendemos
ao ler artigos e livros.

Se
nãi tiverem qualquer tipo de informação acerca do vosso adversário, devem
imaginar que estão a jogar contra vós próprios e pensar que jogadas é que fazem
sentido em determinadas situações, tendo como base todos os conceitos teóricos.

Contudo,
é mais fácil se tiverem uma read do vosso adversário, que vos possa dizer algo
acerca das tendências dele. Podemos chegar a assumpções muito melhores se
estivermos a jogar contra um TAG, porque geralmente ele não tentará fazer um bluff
puro contra duas pessoas no river. É muito prático o facto de se conseguirem
colocar no lugar do vosso adversário para que possam assim obter reads dele.

Exemplo

5.00/10.00 Fixed-Limit Hold'em (6 handed)

Preflop: Hero is SB with A, J
MP2 raises, 3 folds, Hero 3-bets, BB folds, MP2 calls.

Flop: (7.00 SB) 3, 3, 2 (2 players)
Hero bets, MP2 raises.

Final Pot: 5.00 BB

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O
adversário é um TAG razoável com (22/18/2.4/36) de stats. Ele faz raise de UTG
e depois faz raise do flop em posição, isto depois de ter feito call à nossa
3bet antes do flop. Através do processo de eliminação e com base nas variáveis
4) e 8), podemos definitivamente dizer que ele não deve ter na mão um 3, porque
não existem combinações de mãos plausíveis com as quais ele fizesse raise UTG e
que incluísse um 3. O mesmo se aplica para o 2. Seguimos sempre a mesma linha
de pensamento em todas as mãos.

O
nosso objectivo é colocar o adversário num determinado range. Já eliminamos o 3
e o 2. Utilizando assumpções plausíveis, temos agora que definir o seu range de
mãos.

Ele
praticamente nunca tentará um bluff raise do flop, porque nós fizemos um 3bet
ao seu raise de abertura UTG, o que praticamente quer dizer que temos uma mão
forte como um pocket pair. Ele tem muito pouco fold equity, o que torna
qualquer bluff muito pouco lucrativo. Podemos por isso excluir todas as mãos
que não tenham um par.

O
adversário teria feito cap de um pocket pair como por exemplo JJ++. Contudo,
ele apenas fez call da 3bet. Ele só deve ter provavelmente um pocket pair de TT
no máximo. Isto sugere que os nossos outs para o J e para o A são normalmente
outs limpos.

A
síntese de todas estas assumpções é a de que ele provavelmente tem um pocket
pair do tipo 44, 55, 66, 77, 88, 99, TT.

Não temos que avaliar a
nossa equity nesta situação, porque não podemos ver um showdown sem
melhoramentos porque o adversário tem uma mão melhor. A questão que se coloca
nesta mão é se podemos ver o river tendo sempre em mente os conceitos de odds
& outs.

Flop: (7.00 SB) 3, 3, 2 (2 players)
Hero bets, MP2 raises, Hero calls.

Turn: (5.50 BB) 8 (2 players)
Hero checks, MP2 Bets, Hero?

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Apenas
fizemos call ao raise do flop. O pot tem neste momento 6.5 BB incluindo a
aposta do MP2 no turn. Como temos 6 outs contra todos os pocket pairs, podemos
assumir ter odds implícitas de pelo menos 1BB (provavelmente ainda mais numa
situação de check / raise / call).

Recebemos
6.5+1 = 1:7.5 para outro call. Só precisamos de 1:7 com 6 outs. Podemos por
isso fazer call ao turn. Devemos fazer donk se aparecer um ás e check-raise se
for um valete.

O
adversário pode ter conseguido acertar num set com pocket 88 e no caso de
conseguirmos melhorar a nossa mão, temos odds implícitas invertidas de pelo
menos -1BB, mas a probabilidade de ele fazer um set é muito baixa. A
probabilidade é 3/39 = 1:13. Existem 3 possibilidades de fazer um set e 39
combinações de cartas 44, 55, 66, 77, 88, 99, TT. Se não conseguirmos melhorar
até ao river, teríamos obviamente que fazer fold.

Vamos
assumir que poderíamos alterar uma variável. Não estávamos a jogar contra um
TAG razoável, mas antes contra um LAG (34/23,2.8/40). É óbvio que a ligação
entre causa e efeito vai mudar.

Diferentes adversários
=> diferentes assumpções => diferentes ranges de mãos => mudança de
equity => diferentes decisões

Flop: (7.00 SB) 3, 3, 2 (2 players)
Hero bets, MP2 raises, Hero calls.

Turn: (5.50 BB) 8 (2 players)
Hero checks, MP2 Bets, Hero?

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Temos
que enfrentar a mesma situação. Temos que colocar o LAG num determinado range e
decidir se podemos ou não ver um showdown.

No
exemplo de cima, assumimos que um TAG razoável praticamente nunca tentaria
fazer um bluff nesta situação. É claro que essa situação se altera se
estivermos a jogar contra um LAG. É muito mais provável que ele tente um bluff
para tentar ganhar o pot, com uma mão do tipo QTs, porque ele não é um jogador
muito razoável e pensa que nós também não temos nada e que faremos fold no turn
ou no river. Temos agora que determinar quantas vezes é que ele terá que
utilizar um 3barrel no seu bluff para que possamos ver um showdown.

Com
23% de PFR ele tem *0.75 (UTG-multiplicador) a partir de UTG - aproximadamente
17% PFR

99-33,AJs-A6s,K9s+,Q9s+,JTs,AJo-ATo,KTo+,QTo+
<- 213 combinações

O
seu range de raise/call é algo deste género

Pegamos
primeiro no range contra o qual estamos atrás e adicionamos o maior número de
bluffs puros precisos para que possamos fazer um call down lucrativamente.
Primeiro temos que saber quanto é que precisamos de equity do turn em diante:

EV(Call
down) > 0, se EQ > Perdas / (Lucro + Perdas)
Perdas = Investimento até ao showdown 2BB
Lucro = Pot no turn
EV(Call down) > 0, se EQ > 2 / 6.5 + 1BB + 2 = 21%

Na
pior das situações precisariamos de 21% de equity para sermos capazes de fazer
um call down.

Adicionamos agora algumas
mãos com as quais ele poderia fazer um bluff, porque ele pode pensar que nós
faríamos fold de uma carta alta melhor como por exemplo um Rei.
 

Board: 3, 3, 2, 8, K
Dead:

equity win tie pots won pots tied
Hand
0: 77.500% 77.50% 00.00% 31 0.00 { 99-33, QcTd, QcTh, QcTs, QdTc, QdTh,
QdTs, QhTc, QhTd, QhTs }
Hand 1: 22.500% 22.50% 00.00% 9 0.00 { AsJs }

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Adicionamos
75% de todos os QTo que ele pudesse ter. Mesmo que ele apenas faça bluff em 3
de cada 4 oportunidades até ao river, podemos ver o showdown. 12 combinações de
QTo são apenas 6% de 213 combinações. A probabilidade de ele fazer bluff não
tem que ser muito grande para fazer call ao river mesmo sem melhorar.

Conclusão:
Apenas pequenas mudanças nas assumpções podem ter uma grande implicação na
nossa decisão. Apenas adicionamos ¾ de uma mão e já tínhamos equity suficiente
para fazer call ao river em vez do fold. Como podem ver aqui, uma parte
importante da leitura de mãos é conseguir aprender a estimar as probabilidades
correctamente!

O
que são exactamente as reads e como é que faço as assumpções com base nessas
reads? Reads não são nada mais do que uma característica do adversário. A soma
dessas características do adversário podem ser resumidas num perfil de um
adversário.

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COMO É
QUE CRIO UM PERFIL DO ADVERSÁRIO?

Nós fazemos uso de determinadas categorias quando estamos a criar o perfil de um adversário. Vamos categorizar um adversário numa categoria geral e depois criamos sub-categorias para cada uma. No modelo que podem encontrar mais abaixo, fazemos algumas perguntas que são essenciais para cada categoria para serem capazes de criar uma read sobre um adversário e determinar assim como é que devem actuar a seguir.

Categorias

  • Jogo Pré-flop
  • Jogo no Flop
  • Jogo no Turn
  • Jogo no River

Sub-categorias do jogo no pré-flop

  • A sua forma de jogar desvia das suas stats normais?
  • Ele costuma fazer cap para enganar?
  • Ele faz calls de 3bets em posição para enganar com mãos do tipo AA?

Sub-categorias do jogo no flop

  • Ele faz calls no flop looses?
  • Ele faz muitos raises como puros bluffs no flop?
  • Ele faz qualquer call-bluff?
  • Ele joga passivamente em posição para induzir um bluff ou joga agressivamente?
  • Com que tipo de mãos feitas ele costuma fazer raise no flop?

Sub-categorias no jogo no turn

  • Devem apostar novamente mesmo sem ter melhorado?
  • Ele faz raises no turn como puros bluffs?
  • Como é que eu actuo perante um raise?
  • Ele costuma fazer muitos raises no turn para ver o showdown de graça?
  • Ele faz apenas raise no turn de mãos fortes feitas ou também faz com mãos fracas?
  • Ele costuma fazer muitos semi-bluffs no turn ou ele joga os draws passivamente?
  • Será ele capaz de fazer fold de uma mão melhor no turn contra outra aposta?

Sub-categorias no jogo no river

  • O adversário joga passivamente as suas mãos fortes até ao river?
  • É ele capaz de fazer um bluff raise no river?
  • Quanto tight ou loose são os seus calls no river?
  • Ele tenta o bluff se eu fizer check para ele => Tenho que fazer um dificil check/fold?
  • O adversário costuma frequentemente fazer fold do seu ace high no river => Quão efectiva é uma terceira bluff bet?

Podem aprofundar ainda mais tudo isto sobre qualquer questão ou informação, mas na maioria das vezes apenas temos algumas informações limitadas acerca do adversário e não podemos por isso avaliar todas as questões, ou guardar todo e qualquer tipo de informação e depois lembrar de tudo rapidamente.

IMPORTÂNCIA DESTAS ASSUMPÇÕES EM EXEMPLOS DE MÃOS

Exemplo 1

5.00/10.00 Fixed-Limit Hold'em (6 handed)

Preflop: Hero is SB with 9, 8
4 folds, Hero raises, BB calls.

Flop: (4.00 SB) K, 4, 2 (2 players)
Hero bets, BB calls.

Turn: (3.00 BB) 7 (1 players)
Hero bets.

Final Pot: 4.00 BB

O adversário é um LAG (37/25/2.6/43). Temos a seguinte informação como nota do jogador:

  • faz raises de pequenos pares no flop
  • faz floating no flop
  • alto valor de  "fold to turn bet"
  • call flop, raise turn = top pair
  • gosta de fazer bluff raise unconnected e flops sem nada

Temos a iniciativa com 98s e apostamos no flop. Agora as assumpções entram em jogo. Olhamos para a nossa nota e reparamos que o adversário faz calls muito looses no flop.

Fazer calls looses no flop e um alto valor de "fold to
turn bet" estão de certa forma interligados. Podemos assumir que o adversário faria call nesta board com uma simples high card, bem como com mãos do tipo T-Q high.

Como ele terá menos frequentemente top pair do que uma combinação T-Q sem melhoramentos, nós devemos apostar novamente no turn e fazer fold perante um raise. Contudo, a read diz que ele costuma fazer raise de pequenos pares no flop, por isso podemos basicamente reduzir o seu range para top pair e ele muitas das vezes vai estar drawing dead e terá que fazer fold.

Exempo 2

5.00/10.00 Fixed-Limit Hold'em (6 handed)

Preflop: Hero is SB with A, T
2 folds, CO calls, BU folds, Hero raises, BB calls, CO calls.

Flop: (6.00 SB) 9, 5, 2 (3 players)
Hero bets, BB calls, CO calls.

Final Pot: 4.50 BB

Fizemos um raise de abertura com AT
e o LAG desta vez está na BB e decidiu apenas defender a sua blind. O CO fez limp pré-flop. Fazemos uma continuation bet no flop e o LAG faz call.

Olhamos novamente para a nossa nota e reparamos que ele normalmente teria feito raise com qualquer pocket pair. Podemos por isso assumir que ele não melhorou e apenas fez o call para ver se acerta num dos seus outs. Com tudo isto chegamos à conclusão de que ele muitas das vezes estará na frente com ace high e um bom kicker, porque ele teria feito raise de qualquer par no flop e teria feito 3bet antes do flop com ases melhores do tipo AT+.

COMO É QUE CHEGO ÀS ASSUMPÇÕES SEM TER READS CORRECTAS DO ADVERSÁRIO?

Não podem chegar a uma assumpção correcta sem uma read do adversário. Ele pode ser qualquer coisa entre um calling station e um maníaco em tilt. Podem apenas definir tendências quando não têm uma read correcta.

Não devem cometer o erro de avaliar o vosso adversário com base na vossa teoria correcta do jogo. Não podem dizer na verdade se o adversário no exemplo 2) acertou realmente no flop ou não. Podem apenas determinar de que é muito improvável que o adversário tenha acertado no flop, porque senão teria sido correcto efectuar um raise no flop. Para além disso, cartas pequenas do tipo 2, 5 e 9 podem apenas ser jogadas com outras poucas cartas do que com um ás.

Devem sempre pensar como é que teriam reagido se estivessem perante essa situação, mas apenas podem definir tendências em vez de fazer uma assumpção absoluta. Geralmente, podem dizer se um jogador é bom ou mau depois de jogar apenas uma mão.

Um indicador para isto é por exemplo uma sequência de apostas que não é muito lógica. Por exemplo: check/call check/call check/raise ou check/call check/raise num pot com múltiplo. Não devem tentar jogadas arriscadas contra desconhecidos e jogar sempre direito. Para além disso, não se devem envolver em situações marginais, ou fazer quaisquer laydowns dificeis, e devem tentar ver mais showdowns.

Contudo, no exemplo 2) se aparecer um duque no turn, que é basicamente uma carta em branco, e o adversário fizer raise da vossa aposta, isso não quer dizer necessariamente que ele esteja sempre a tentar o bluff, porque por aquilo que sabemos, ele deveria ter feito raise de um par no flop.

» CONCLUSÃO

Por vezes é muito difícil, ou mesmo impossível, criar um plano para uma mão específica sem sermos capazes ao mesmo tempo de atribuir certas características ao nosso adversário.

As dinâmicas e complexidades do poker limitam a capacidade de ler as mãos e por isso nunca podem jogar de uma forma absolutamente perfeita. O único objectivo pode passar por fazer menos erros do que os nossos adversários.