Sequência de Semi-Blefes - Atacando os Pontos Fracos
Introdução
Neste artigo
- Semi-blefes em um alto nível
- O custo real de um semi-blefe
- Seqüências de semi-blefes
Este artigo lida com o semi-blefe no mais alto nível.
Tradicionalmente, um semi-blefe é uma aposta ou raise com uma mão marginal que tem outs, em uma situação que é possível que o oponente descarte sua mão.
No entanto, essa definição é muito restritiva e não é suficiente para dominar o semi-blefe.
Definição estendida do Semi-Blefe
Um semi-blefe é uma seqüência de aposta que pode englobar o flop, turn e river, com uma mão que provavelmente não está na frente ainda, mas tem outs.
Essa definição deixa claro que a ação no Hold´em nas diferentes rodadas de apostas está amarrada. Uma aposta no turn após um check / raise no flop tem uma fold equity muito mais alta do que uma donkbet no turn após um call no flop.
O custo real de um semi-blefe
Um semi-blefe custa menos do que um blefe puro. A razão para isso é que em muitos casos você recebe de volta as apostas que você faz semi-blefando quando você acerta os seus outs.
O custo real C de um semi-blefe resulta do tamanho da aposta (B), da quantidade de callers esperados + você (N) e a chance de você acertar um dos seus outs descontados (P).
C = B * (1 - N * P)
Agora tenha em mente o seguinte: Se fizermos um semi-blefe no flop com um flush draw, com certeza chegaremos ao river de uma maneira ou de outra. Logo, nesse caso, a chance P de acertar uma carta do flush até o river é 35%. Mas em casos nos quais planejamos gastar apenas o semi-blefe do flop, a nossa chance P é só a de acertarmos um dos nossos outs no turn.
Um exemplo: Digamos que estamos heads-up no flop contra um oponente. Apostamos um flush draw semi-blefando e planejamos levá-lo ao river. Isso significa:
C = 1 * (1 - 2 * 0,35) = 0,3
Se apostarmos agora, quão alta é a chance de ele aumentar a nossa aposta? Vamos chamar essa chance de R. Se o oponente der raise, o custo para o nosso semi-blefe dobra.
Logo, nossos custos reais são:
C* = 0,3 + R * 0,3
Vamos dizer agora que o pote no flop tem 4 SB. Simplificado, o nosso semi-blefe é +EV se o oponente descartar a sua mão em (0,3 + R * 0,3) / 4 % dos casos.
Vamos supor que o nosso oponente é um TAG e dá raise em 20% dos casos. Então o nosso semi-blefe é +EV quando ele descarta a sua mão após a nossa aposta em 0,36 / 4, então um pouco mais do que 9% dos casos. Vamos supor que o nosso oponente é um LAG que dá raise em 50% das vezes. Então precisaríamos uma fold equity de pelo menos 0.45 / 4 = 11.25% - o que ainda é bem pouco.
Aqui podemos notar as nossas descobertas: Com draws fortes você deve semi-blefar até mesmo contra LAGs.
Seqüências de Semi-Blefe
Os jogadores avançados entre vocês certamente já se perguntaram muitas vezes o seguinte: Imagine que você dá raise first-in no button e quer roubar as blinds. O SB descarta a sua mão e o BB dá uma 3-bet. No flop, o BB aposta novamente. Você agora tem uma mão com alguns outs e quer semi-blefar. A questão é: call flop, bet / raise turn ou raise flop, bet turn?
Esse problema pode ser resolvido metodicamente. Primeiramente você calcula os custos de ambas as seqüências. Digamos que temos um flush draw igualmente ao exemplo anterior.
Então, uma aposta no flop nos custa apenas 0.3 SB efetivamente. Se o flush não bater no turn, nossa equidade diminui para aproximadamente 20%, logo uma aposta no turn custa 0.6 BB. No entanto, o flush poderia bater no turn em 20% dos casos, então temos que subtrair 20% dos 0.6 BB, então uma aposta no turn (a partir do flop) custa apenas 0.48 BB efetivamente.
Vamos supor que o nosso oponente sempre aposta o turn após uma aposta no flop. Além disso, não existe o risco R do nosso oponente dar re-raise se o flush não bater no turn.
Então, o custo para call flop, raise turn é: 0,3 SB + (2 - PNB) * 0,48 BB +
R * 0,48
PNB designa a chance do oponente apostar no flop, mas só dar check no turn.
Então, o custo para raise flop, bet turn é: 0,6 SB + (1 - FF) (0,48 BB) + R' = 0,3 + (1 - FF) (0,48)
+ R'
R' designa o custo extra que ocorre quando o oponente dá raise no turn ou dá 3-bet no flop. Calculá-los exatamente seria difícil, pois eventualmente iremos desistir do nosso semi-blefe no caso de uma 3-bet no flop. FF designa a chance do nosso oponente descartar sua mão no flop.
Com uma alta probabilidade,
R' < R * 0,6 BB, já que uma 3-bet no turn após call flop e raise turn acontece bem menos do que uma 3-bet no flop após raise flop, ou check / raise no turn após um raise flop e bet turn. Por outro lado, existem casos nos quais o oponente descarta sua mão direto no flop e não podem ocorrer custos extras no turn. Logo a seguinte exceção faz sentido: R * 0,6 = R'
Portanto, podemos dizer o seguinte:
Custos para call flop, raise turn = 0,15 + (2 -
PNB) * 0,48 + R'
Custos para raise flop, bet turn = 0,3 + (1 - FF) (0,48)
+ R'
Deliberação sobre Custo - Benefício
Agora temos que comparar os custos das seqüências de apostas com a fold equity gerada por elas. Isso é extremamente dependente dos oponentes e do board.
Alguns de você devem lembrar a sessão de coaching de Onkel Hotte na qual ele jogou contra um oponente chamado Baller6969. Esse jogador era extremamente tight, porém agressivo. A chance FF de ele descartar a mão contra um raise no flop provavelmente era algo em torno de 50%. A chance de ele apostar novamente após uma aposta no flop era bem alta, digamos 90%, então PNB = 10%.
Isso resulta em:
Custos para call flop, raise turn = 0,15 + 1,9 * 0,48 + R' ~=
0,9 + R'
Custos para raise flop, bet turn = 0,3 + 0,5 * 0,48 + R' ~=
0,54 + R'
Com esse oponente notamos o seguinte efeito: Apesar de apostarmos 2.5 BB com call flop e raise turn e 2 BB com raise flop, bet turn, os "custos efetivos" são consideravelmente menores. Na verdade, raise flop, bet turn custa aproximadamente 40% menos do que call flop, raise turn. Contra o Baller6969 não tínhamos uma fold equity proporcionalmente maior com call flop, raise turn. Logo, contra esse oponente, raise flop, bet turn é a melhor escolha.
Como pode? O flop é o chamado ponto fraco do Baller6969. Um ponto fraco é a situação mais cedo possível em uma mão na qual um jogador tem uma fold equity significante pela primeira vez.
Com muitos oponentes nos limites médios (20 / 40, 30 / 60), esse ponto fraco definitivamente é no turn. Em heads-up, a maioria dos jogadores usa o raise flop, bet turn com mãos como A high, enquanto eles descartam freqüentemente contra call flop, raise turn.
Isso também pode ser espelhado nas equações anteriores. Digamos que um oponente tem um valor de FF de 10% e um PNB de 10% na equação anterior. Isso seria típico para um semi-LAG da 20 / 40. Isso traz:
Custos para call flop, raise turn = 0,15 + 1,9 * 0,48 + R' ~= 0,9 + R'
Custos para raise flop, bet turn = 0,3 + 0,9 * 0,48 + R' ~= 0,73 + R'
Agora call flop, raise turn custa apenas 12% a mais do que raise flop, bet turn. Contra esse tipo de oponente supomos que a nossa fold equity com call flop, raise turn é aproximadamente 50% maior do que com raise flop, bet turn. Esse tipo de oponente só enfraquece com raises no turn. Raises no turn são o ponto fraco dele.
Tem mais? Existem oponentes que não tem um ponto fraco? Sim e isso acontece muitas vezes. Eles são os chamados maníacos, que dão 3-bet no turn com pouco ou até mesmo nada. Tais jogadores enfraquecem extremamente o cálculo do custo-benefício do semi-blefe. Vamos pegar um caso matematicamente limítrofe: Um oponente que só aposta e dá raises. Contra tal oponente você tem fold equity zero. Um semi-blefe com um flush draw sem uma carta alta é uma jogada perdedora com certeza. No geral, contra esses maníacos você joga o seu flush draw com um simples call flop, call turn, fold river (no caso de não acertar) todas as vezes.
Existem também tipos de oponentes (muito LAG, mas capazes de descartar suas mãos) e situações nas quais você não deve esperar até o river para o seu raise. Essas situações, no entanto, são muito raras.
Isso também explica o princípio de que quando mais LAG o seu oponente, menos você deve semi-blefar; e se você semi-blefar, você deve ter um draw forte.
O ponto fraco de um oponente não é constante. Existem boards que são tão assustadores que até um LAG descarta sua mão contra um raise no flop. Por outro lado, existem boards que são tão inofensivos que até mesmo jogadores weak-tight não irão dar muito crédito para o seu raise no flop. Você tem que ter isso em mente enquanto considerando a sua decisão.
O princípio geral do Semi-Blefe
Passo 1: Estimar os custos para uma seqüência de semi-blefe dependendo dos seus outs, do board e do tipo de oponente.
Passo 2: Estimar a vantagem de uma seqüência de semi-blefe, isso significa estimar a fold equity.
Passo 3: A escolha de uma seqüência de semi-blefe de acordo com os passos 1 e 2.
Regra geral: Encontre os pontos fracos dos oponentes e aposte ali. Tenha em mente que o ponto fraco é a situação mais cedo em uma mão onde o seu oponente oferece fold equity considerável. Tenha em mente também: Com boards especiais, o ponto fraco pode mudar.
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