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Copa do Mundo - Uma outra visão

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brunogalvao81
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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
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http://www.cartacapital.com.br/sociedade/copa-do-mundo-e-olimpiada-investimento-publico-lucro-privado/

Copa do Mundo e Olimpíada: investimento público, lucro privado

Nesta conversa,Gaffney critica a organização da Copa do Mundo 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 pelas entidades brasileiras responsáveis. “O planejamento urbano está sendo dirigido pelos grandes eventos e não usando os grandes eventos para melhorar as cidades. É uma oportunidade única de usar um investimento federal imenso mas que está sendo mal pensado e mal usado”, afirma.

Spoiler

CartaCapital: Quando começou a estudar o impacto urbano da Copa do Mundo?
Christopher Gaffney: Eu comecei a pensar nisso quando vi que construírem 20 estádios para a Copa do Mundo de 2002, na Coreia do Sul e no Japão. A utilidade deles hoje é quase zero. No Japão, apenas dois dos dez estádios estão sendo utilizados regularmente. O futebol lá segue ainda com muito menos público que o beisebol. E foram construídos em uma época de crise econômica asiática. Isso marcou uma nova fase da Fifa, para trazer a Copa para novas fronteiras e acelerar o processo de lucro da entidade. Começou-se a usar os grandes eventos esportivos financiados com dinheiro público para lucros privados: o governo assume o risco e os patrocinadores é que vão receber os benefícios. Aí estudei todas as copas e olimpíadas, pesquisei a história dos dois eventos.

CC: Os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, são considerados um marco nos lucros da cidade-sede, não?
CG: Exatamente. Em 1984 só tinha uma cidade candidata a sediar os jogos, porque até então era certeza que a cidade só perderia dinheiro com o evento. Em Los Angeles, não se usou dinheiro público e não se construiu nada, foram empreendimentos públicos usados com patrocinadores privados. Deu um lucro tremendo. Já em 1988, em Seul, a coisa mais marcante foi que não houve muitas mudanças de infra-estrutura urbana, mas o marketing subsidiado pelo governo para Hyundai, Daewoo lançarem-se mundialmente. E houve forte relutância de estudantes contra o governo (que havia deixado de ser uma ditadura militar em 1987). Nos anos anteriores, a ditadura usava a organização da olimpíada para reprimir o movimento estudantil em nome da segurança pública. Esse papel de transformação da olimpíada que tem hoje foi cada vez mais marcante para a cidade desde 1984, culminando com a transformação da cidade de Barcelona com os Jogos de 1992.

CC: Barcelona é considerado o exemplo mais bem sucedido de adequação da através dos Jogos Olímpicos. É um exemplo a ser seguido?
CG: Depende do critério. A olimpíada ajudou a cidade a se transformar num dos principais centros turísticos do mundo, com 55 milhões de visitantes por ano. E era uma cidade pequena, em 1992 tinha 1 milhão de habitantes, o que facilita a transformação. Mas é preciso lembrar que Barcelona tinha um plano diretor desde o início dos anos 1980 e a olimpíada fez parte dessa transformação de 20 anos. Os jogos foram pensados como parte do processo, mas não foram o fator determinante para essa transformação.

CC: Então Barcelona melhorou mas não foi só por causa dos jogos, mas sim por conta do plano diretor que envolvia a olimpíada para melhorar a cidade.
CG: Exatamente. Mas tem o outro lado: com a olimpíada, o aluguel explodiu na região central da cidade e expulsou as classes mais baixas, recém-imigrantes e população estudantil. Mudou a cultura da cidade. Quem pode viver no centro da cidade é classe média alta e alta, gente que tem lá casa de veraneio. Isso mudou para sempre a cultura da cidade. O (geógrafo britânico) David Harvey declarou que gostava muito da Barcelona de 1991, mas que já não reconhecia a cidade em 1993. Ela perdeu sua essência histórica. Hoje é menos para ser vivida e mais para ser apreciada, fotografada.

CC: O senhor acompanhou a preparação para os Jogos Panamericanos de 2007 no Rio de Janeiro. Como avalia o legado que ficou para a cidade?
CG: O Comitê Organizador para a Copa e para os Jogos Olímpicos diz que não houve nenhum legado urbanístico do Pan. O legado maior foi que essas mesmas pessoas que organizaram o Pan se credenciaram para sediar a Olimpíada. Só que a preparação para o Pan foi uma desorganização total, houve fortes indícios de superfaturamento e tudo foi orçado em 400 milhões e no fim acabou custando 4 bilhões de reais. Dez vez mais e sem legado, portanto. A vila do Pan (onde os atletas se hospedaram) tem uma taxa de ocupação de 35% agora. Fizeram dois leilões para vender apartamentos. Não conseguiram. O (centro de natação) Maria Lenk não é adequado para os Jogos Olímpicos, a Arena HSBC arena é só usada para shows grandes e no estádio do Engenhão toda hora falta luz. O estádio era pra ter custado 120 milhões de reais, e custou 430 milhões. Desorganização, falta de transparência.

CC: Em São Paulo, o Corinthians e a Odebrecht, construtora responsável por erguer o Itaquerão, receberam isenção fiscal para erguer o estádio porque ele traria benesses para a Zona Leste, região mais pobre da cidade. Faz sentido esse argumento?
CG: Não conheço nenhum caso em que isso tenha ocorrido. Conheço um caso em Baltmore (EUA) em que algo parecido talvez tenha ocorrido, mas o fato é que a maioria das pessoas não querem morar perto de um estádio. Significa que por volta de 60 vezes por ano há 40 mil pessoas chegando e fazendo barulho, às vezes com confusão. O comércio no entorno do Engenhão, por exemplo, segue igual, não houve melhoria nas ruas nem na vida das pessoas. Não existem exemplos, muito menos no Brasil, de estádio que traz benefícios para o entorno. A cultura de ir ao estádio, sobretudo a brasileira, é o cara que quer ir de carro, pará-lo dentro do estádio e depois ir embora após o jogo. Não existe essa coisa de o sujeito que passa o dia na região fazendo compras pra só depois ver a partida. Qual exatamente seria a vantagem de se abrir, por exemplo, um bar ou restaurante em volta do Engenhão se a possibilidade de lucro só ocorre 60 dias por ano? A lógica econômica dessa afirmação simplesmente não existe. Na maior parte do tempo o estádio está fechado.

CC: Sobre a Copa do Mundo 2014, é possível fazer uma comparação entre ela a a da África do Sul, que são países com economia e sociedade em níveis similares. Pelo que você viu na África, foi uma boa experiência?
CG: Pesando na balança, vou dizer que sim. Foi boa culturalmente para os sul-africanos, para reconhecer suas diferenças, para quebrar um pouco as barragens sociais que ainda são muito fortes por lá. Houve melhorias de transporte em Joanesburgo, por exemplo. Mas a dívida sul-africana com as obras do Mundial eram de 4 bilhões de dólares para sediar a Copa, a mesma quantia que a Fifa anunciou como lucro. Foi uma transferência direta de dinheiro público sul-african o para a Fifa. E nove dos dez estádios não estão sendo utilizados. O de Bloemfontein é o único regularmente utilizado por um clube.

CC: Então acabou sendo para a África do Sul porque passou uma mensagem para o mundo diferente daquela do apartheid, historicamente associado ao país. Mas financeiramente foi ruim.
CG: Exato. Abriu uma nova perspectiva para o país, mas são números bem significativos, gastou-se muito para um país que tem tanta carência que foi transferido para uma empresa privada como é a Fifa. Se você gasta 4 bilhões de dólares, deveria ter 8 bilhões de lucro.

CC: E como vê a organização da Copa do Mundo pelo Brasil?
São cinco ou seis pessoas comandando, e todos são ligados diretamente ao Ricardo Teixeira. A filha dele (Joana Havelange) é secretária geral do comitê. E é a primeira vez da história da Copa do Mundo que o presidente da federação nacional é também o presidente do comitê organizador local. E a estrutura permite que ninguém assuma responsabilidades: quando há um problema, o COL joga para o Ministério do Esporte, que pode jogar para a Infraero, que joga para a CBF, que diz que não tem nada com isso porque diz que os contratos são com as cidades, que pode jogar para o Estado, que pode jogar para a CBF. Não existe uma estrutura centralizada da Copa. E se você procura informações sobre a organização na internet, você chega só nas páginas da Fifa. Não há informações. E depois, quando apertar, a responsabilidade vai cair no colo do governo federal, como houve no Pan e na Olimpíada. Quando foi o Rio foi eleita a cidade-sede dos Jogos de 2016, Lula assinou um cheque em branco de 29 bilhões de reais ao assinar o contrato com o COI. Na hora do aperto, o poder público vai ter que arcar com os custos.

CC: E a seleção das cidades-sede? Há cidades como Natal e Cuiabá que nem têm como absorver o uso dos estádios que estão construindo…
CG: Cuiabá, Manaus, Brasília, Natal e Fortaleza. Em Recife, os três clubes têm seus estádios, não vão querer jogar em São Lourenço da Mata (cidade-satélite de Recife, onde está sendo construída a nova arena). O que há são jogos políticos, o Lula queria dar presentes para alguns políticos, como, por exemplo, o Blairo Maggi no Mato Grosso. Com o pretexto de aumentar o turismo no Pantanal, fazem um estádio para 40 mil pessoas em Cuiabá com uma nova linha de monotrilho urbano. É um investimento absurdo. E lembrando que estamos derrubando estádios que poderiam ser reformados.

CC: Você vê algo de bom na organização da Copa no Brasil?
CG: Estou vendo como uma oportunidade perdida. Um dos grandes problemas é o que vai ser entregue como transporte nas cidades. Em vez de entregar uma coisa faraônica como o trem bala, por que não estamos pensando para a Copa sobre o que o Brasil vai precisar daqui a 50 anos em termos de transporte público? Por que não construir uma malha ferroviária nacional em vez de ligar Campinas ao Rio de Janeiro com trem bala? O mesmo dinheiro pode ligar boa parte do Brasil com ferrovia convencional. Mas estamos tentando construir aeroportos para atender a demanda de 2014 no lugar de preparar as demandas de 2050. É tudo pensado a curto prazo. O planejamento urbano está sendo dirigido pelos grandes eventos e não usando os grandes eventos para melhorar as cidades. É uma oportunidade única de usar um investimento federal imenso mas que está sendo mal pensado e mal usado.

CC: E as Olimpíadas do Rio em 2016 estão no mesmo caminho?
CG: Absolutamente. Se você ver o mapa da região metropolitana do Rio e comparar com o mapa olímpico você vai ver que este último atinge só um pedacinho da região metropolitana: a Barra da Tijuca. E todo o sistema de transporte pensado está em um raio de cinco quilômetros de lá. Estamos privilegiando uma zona da cidade já privilegiada, estimulando ainda um aumento histórico da especulação imobiliária. De quem são os interesses por trás disso? O (prefeito) Eduardo Paes foi subprefeito da Barra e todos os interesses econômicos da reigão estão por trás dele. Faz parte do jogo político, inclusive da Copa. Todo megaevento traz especulação imobiliária. E no Rio de Janeiro, a Copa está sendo uma justificativa para retomar algumas partes da cidade que ficaram longes do poder público por muito tempo e tornar, por exemplo, a zona portuária, como uma espécie de Puerto Madero, em Buenos Aires, para se ter um padrão de consumo de classe internacional de turista que não pertence ao Rio de Janeiro.

CC: Então pode ocorrer no Rio de Janeiro o que houve em Barcelona?
CG: Com certeza. Estudantes e famílias de classe média baixa têm que ir para a Tijuca, São Cristovão ou Niterói, onde não existe melhoria de transporte com as Olimpíadas. Na teoria, a ideia de se sediar os Jogos é de se laçar uma malha de transporte por toda a cidade, mas na prática está isolando comunidades e cortando a cidade em pedaços talvez para sempre. Há três linhas de Bus Rapid Transit (que, aliás, foi pensada para os anos 80 e o Rio a usa atualmente). Elas saem do Galeão, Santa Cruz e Teodoro, todas em direção à Barra. É onde menos precisaria. Nenhuma linha vai para o Centro, ou Niteroi, ou Baixada Fluminense. Os fluxos atuais de tráfego não estão sendo atendidos pelas novas linhas que estão sendo criadas.


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/1069576-apos-dois-anos-africa-do-sul-ainda-paga-conta-de-estadios.shtml

Após dois anos, África do Sul ainda paga conta de estádios

Spoiler

Quase dois anos depois da Copa do Mundo de 2010, a África do Sul ainda não sabe o que fazer para tornar viável parte de seus estádios.

Os "elefantes brancos", como têm sido chamados, ainda dependem de dinheiro público para se manterem.

O estádio da Cidade do Cabo, que custou R$ 1 bilhão, ainda precisa da ajuda da prefeitura para manter o gramado verde. O custo de manutenção é de R$ 15 milhões por ano. "Temos mais de um evento por mês. Não é suficiente", lamenta Lesley de Reuck, diretor do estádio Cape Town.

Outro exemplo de "elefante branco" é o estádio Mbombela, que fica na cidade de Nelspruit, a 350 km de Johannesburgo.

A infraestrutura, cuja construção custou pouco mais de R$ 236 milhões, consome R$ 236 mil por mês em manutenção.

"Não temos grandes times de futebol na cidade. Mas temos muito mais do que jogos. Temos uma média de 40 eventos por ano", explica o gerente do estádio Roelf Kotze, contabilizando até mesmo casamentos e pequenos eventos realizados na área do estacionamento.

Jatos de água funcionam o dia todo para manter verde o gramado. Mas a água não chega na torneira da casa do aposentado Joseph Ndlovu, que do outro lado da rua. "Prometeram que, se construíssem o estádio, iriam construir casas boas e uma universidade aqui perto. Dez anos já se passaram e ainda estamos esperando".

O custo total dos estádios foi de R$ 5 bilhões. "Disseram que custaria R$ 600 milhões. É um aumento de 1.700%. Agora estamos subsidiando de novo para tentar tornar isso sustentável. Isso não é um bom investimento", critica Dale T. McKinley, coautor de "South Africa's World Cup: A Legacy for Whom?" (Copa da África do Sul: Um Legado para Quem?, em tradução livre).

PROMESSAS

"Quando a África do Sul marcou seu primeiro gol, corri até o bar porque disseram: 'quando a África do Sul marcar seu primeiro gol, cada um vai ganhar uma cerveja grátis'. Isso é o que me restou da Copa do Mundo", conta a desempregada Jo-Ann Bonita Cupido, exibindo um copo de plástico rachado e desbotado.

Segundo Jo-Ann, ela e outros 280 moradores de rua foram retirados da região do estádio da Cidade do Cabo e levados à Blikkiesdorp, conhecida como "favela de lata", antes da Copa do Mundo.

"A polícia nos tirou das ruas. Não queríamos vir, mas nos forçaram porque estrangeiros chegavam para a Copa.", explica Veronica Allie, também desempregada.

Os moradores de Blikkiesdorp, a 30 km da cidade, afirmam que a prefeitura prometeu construir casas para eles. "Era melhor ter ficado nas ruas do que ter vindo para cá. Algumas noites durmo sem comida", diz Veronica que não consegue mais mendigar nas ruas da cidade por causa da distância.

Além da fome, os moradores de Blikkiesdorp reclamam da violência. "Estupraram uma mulher no meu quintal. Eles vêm até a sua porta no meio da noite. Eles querem estuprar", conta a Nasieba Ramadaan, que na ausência do marido, que está preso, dorme com uma faca na mão para se proteger. Os mordores também relatam que há homicídios na área.

CONSELHO

Para Lesley de Reuck, que foi diretor de operações da Cidade do Cabo durante a Copa, a África do Sul errou ao não focar em programas de desenvolvimento social para o pós-Copa. "O Brasil tem os mesmos problemas sociais, então é algo que deveria ser pensado antes do evento", afirma.

"Outra lição que o Brasil pode aprender é que deve-se haver o máximo de transparência nos acordos com a Fifa. Não deixe seu amor pelo futebol, sua paixão pelo jogo, ofuscar o debate racional que deve ocorrer sobre como o dinheiro é gasto", aconselha McKinley.


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Orochimaro
Membro desde: 09.05.2008
Elite Grinder

Todo mundo pra onde vai todo este dinheiro! E não é pro Phill Ivey


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MthNogueira
Membro desde: 03.11.2012
PokerStrategist

Original de brunogalvao81
http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/1069576-apos-dois-anos-africa-do-sul-ainda-paga-conta-de-estadios.shtml

Após dois anos, África do Sul ainda paga conta de estádios

Spoiler

Quase dois anos depois da Copa do Mundo de 2010, a África do Sul ainda não sabe o que fazer para tornar viável parte de seus estádios.

Os "elefantes brancos", como têm sido chamados, ainda dependem de dinheiro público para se manterem.

O estádio da Cidade do Cabo, que custou R$ 1 bilhão, ainda precisa da ajuda da prefeitura para manter o gramado verde. O custo de manutenção é de R$ 15 milhões por ano. "Temos mais de um evento por mês. Não é suficiente", lamenta Lesley de Reuck, diretor do estádio Cape Town.

Outro exemplo de "elefante branco" é o estádio Mbombela, que fica na cidade de Nelspruit, a 350 km de Johannesburgo.

A infraestrutura, cuja construção custou pouco mais de R$ 236 milhões, consome R$ 236 mil por mês em manutenção.

"Não temos grandes times de futebol na cidade. Mas temos muito mais do que jogos. Temos uma média de 40 eventos por ano", explica o gerente do estádio Roelf Kotze, contabilizando até mesmo casamentos e pequenos eventos realizados na área do estacionamento.

Jatos de água funcionam o dia todo para manter verde o gramado. Mas a água não chega na torneira da casa do aposentado Joseph Ndlovu, que do outro lado da rua. "Prometeram que, se construíssem o estádio, iriam construir casas boas e uma universidade aqui perto. Dez anos já se passaram e ainda estamos esperando".

O custo total dos estádios foi de R$ 5 bilhões. "Disseram que custaria R$ 600 milhões. É um aumento de 1.700%. Agora estamos subsidiando de novo para tentar tornar isso sustentável. Isso não é um bom investimento", critica Dale T. McKinley, coautor de "South Africa's World Cup: A Legacy for Whom?" (Copa da África do Sul: Um Legado para Quem?, em tradução livre).

PROMESSAS

"Quando a África do Sul marcou seu primeiro gol, corri até o bar porque disseram: 'quando a África do Sul marcar seu primeiro gol, cada um vai ganhar uma cerveja grátis'. Isso é o que me restou da Copa do Mundo", conta a desempregada Jo-Ann Bonita Cupido, exibindo um copo de plástico rachado e desbotado.

Segundo Jo-Ann, ela e outros 280 moradores de rua foram retirados da região do estádio da Cidade do Cabo e levados à Blikkiesdorp, conhecida como "favela de lata", antes da Copa do Mundo.

"A polícia nos tirou das ruas. Não queríamos vir, mas nos forçaram porque estrangeiros chegavam para a Copa.", explica Veronica Allie, também desempregada.

Os moradores de Blikkiesdorp, a 30 km da cidade, afirmam que a prefeitura prometeu construir casas para eles. "Era melhor ter ficado nas ruas do que ter vindo para cá. Algumas noites durmo sem comida", diz Veronica que não consegue mais mendigar nas ruas da cidade por causa da distância.

Além da fome, os moradores de Blikkiesdorp reclamam da violência. "Estupraram uma mulher no meu quintal. Eles vêm até a sua porta no meio da noite. Eles querem estuprar", conta a Nasieba Ramadaan, que na ausência do marido, que está preso, dorme com uma faca na mão para se proteger. Os mordores também relatam que há homicídios na área.

CONSELHO

Para Lesley de Reuck, que foi diretor de operações da Cidade do Cabo durante a Copa, a África do Sul errou ao não focar em programas de desenvolvimento social para o pós-Copa. "O Brasil tem os mesmos problemas sociais, então é algo que deveria ser pensado antes do evento", afirma.

"Outra lição que o Brasil pode aprender é que deve-se haver o máximo de transparência nos acordos com a Fifa. Não deixe seu amor pelo futebol, sua paixão pelo jogo, ofuscar o debate racional que deve ocorrer sobre como o dinheiro é gasto", aconselha McKinley.

Não creio que no Brasil será diferente.


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okiedokkie
Membro desde: 28.12.2009
PokerStrategist

CUIABÁ ESTÁ UM CAAAOS!!


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RAimi
Membro desde: 25.12.2007
PokerStrategist

Com certeza, boa parte dos investimentos não vai ser aproveitados.

Estes problemas acontecem devido ao formato que a política é hoje: "Se o partido tal apoiar o governo tal iremos oferecer o ministério tal", virando uma bagunça generalizada. A meu ver, quem deve assumir tais funções devem ser pessoas qualificadas para o cargo que saibam analisar e fazer a função a ele designada, e não por interesses políticos como é feito hoje.


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Original de RAimi
Com certeza, boa parte dos investimentos não vai ser aproveitados.

Estes problemas acontecem devido ao formato que a política é hoje: "Se o partido tal apoiar o governo tal iremos oferecer o ministério tal", virando uma bagunça generalizada. A meu ver, quem deve assumir tais funções devem ser pessoas qualificadas para o cargo que saibam analisar e fazer a função a ele designada, e não por interesses políticos como é feito hoje.

Em parte é verdade, mas o grande problema são as exigências que a FIFA faz. Eles acabam mandando mais que o governo. Não viu que tiveram que liberar a venda de bebida alcoolica no Brasil depois dela ter sido banida dos Estádios?

Eles querem isenção de impostos, investimento feito com dinheiro público, se mandar com os lucros e deixar a gente pra se virar depois.


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RAimi
Membro desde: 25.12.2007
PokerStrategist

Original de brunogalvao81

Original de RAimi
Com certeza, boa parte dos investimentos não vai ser aproveitados.

Estes problemas acontecem devido ao formato que a política é hoje: "Se o partido tal apoiar o governo tal iremos oferecer o ministério tal", virando uma bagunça generalizada. A meu ver, quem deve assumir tais funções devem ser pessoas qualificadas para o cargo que saibam analisar e fazer a função a ele designada, e não por interesses políticos como é feito hoje.

Em parte é verdade, mas o grande problema são as exigências que a FIFA faz. Eles acabam mandando mais que o governo. Não viu que tiveram que liberar a venda de bebida alcoolica no Brasil depois dela ter sido banida dos Estádios?

Eles querem isenção de impostos, investimento feito com dinheiro público, se mandar com os lucros e deixar a gente pra se virar depois.

Concordo, estas exigências são praticamente um absurdo, a unica coisa que ela divide é o lucro. Pelo que eu li a algum tempo atrás o governo (povo) vai ter que garantir o investimento, ou seja, injetar dinheiro para o negocio andar.

Depois se não tiver um bom plano de gestão vai virar "elefante branco" mesmo. O que é o caso de estádios onde não existem times grandes ou publico para eventos periódicos.


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

:(

http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/03/06/alagamentos-no-maracana-e-entorno-podem-envergonhar-o-rio-na-copa/

Alagamentos no Maracanã e entorno podem envergonhar o Rio na Copa

Spoiler

Entra ano, sai ano e quando chove forte no Rio de Janeiro a cidade não consegue escapar do cenário de caos. As ruas alagam, os carros boiam em meio às piscinas que se formam nas ruas, a população fica ilhada e a volta do trabalho para casa se torna impossível. Com o transbordamento de rios sobretudo na região da Grande Tijuca - que engloba entre outros bairros a Praça da Bandeira, Tijuca e Maracanã - o carioca se vê exposto ao lixo e a doenças. Não por acaso, a região da Bacia da Grande Tijuca é a mesma onde fica o estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, que sediará a final da Copa do Mundo de 2014 e competições de futebol na Olimpíada de 2016.

A visita marcada nesta quarta-feira pela delegação da Fifa para vistoriar as obras do Maracanã, por sinal, teve de ser adiada. O estádio virou uma grande lagoa e até agora não há notícias sobre os prejuízos, sobretudo dos equipamentos para a execução das obras, já bastante atrasadas, que não deve ter sido nada pequeno.

Para o professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Adacto Otoni, a repetição de desordem em período de chuvas - sobretudo no verão - é "vergonhosa" e "completamente evitável" pela Prefeitura do Rio.

"Não é que a cidade não esteja preparada para a chuva forte como a de terça-feira. É que a cidade não está preparada para chuva nenhuma. Chuvas intensas são normais no verão do Rio de Janeiro. O que assusta é que todo ano acontecem as mesmas coisas. Chove, alaga, transborda, morre gente e a Prefeitura não muda sua atuação", critica o engenheiro. "A Prefeitura precisa de intervenções mais eficazes nas bacias hidrográficas, mas a única coisa que tem feito é construir piscinões para escoar a água. Se piscinão resolvesse problema, São Paulo não vivia alagado", completou.

Depois da grande confusão que se viu na cidade ontem à noite, o prefeito Eduardo Paes voltou a dizer nesta quarta-feira que até meados de 2014 haverá a conclusão dos cinco piscinões que serão construídos na Grande Tijuca, além do desvio do curso do Rio Joana. Se a obra continuar atrasada como está, pode não ficar pronta a tempo da Copa de 2014, que começa já em junho do ano que vem.

"Os piscinões só resolvem o problema em caso de transbordamento de rios. Ou seja, a medida adotada pelo prefeito só atua na consequência do problema e não na causa. Nada muda de um ano para o outro. O Rio é uma cidade entre o mar e as montanhas. Isto agrava a concentração das nuvens e aumenta a precipitação. Há necessidade de intervenções mais amplas que os piscinões, como a barragem dos rios", defende o estudioso.

O pesquisador listou ainda uma série de medidas que, juntas, podem evitar novos episódios de transbordamento de rios e o alagamento das ruas. Entre as ações estão o saneamento de rios e lixo, e a adoção de coleta seletiva nas comunidades.

"Piscinões só são eficazes em caso de saneamento do esgoto. Se o esgoto não é saneado, os piscinões podem ser entupidos por causa dos detritos. Além disso, se a Bacia hidrográfica fosse reflorestada, 70 a 80% da água da chuva seria infiltrada, evitando o desequilíbrio que se vê hoje na cidade"


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
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http://www.cartacapital.com.br/sociedade/romario-quer-investigacao-sobre-papel-de-marin-na-ditadura/

Romário quer investigação sobre papel de Marin na ditadura

Spoiler

O deputado federal Romário (PSB-RJ), presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, fez nesta quinta-feira 14 um discurso no plenário da Casa no qual pediu investigações parlamentares a respeito do papel do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, na ditadura (1964-1985).
Romário quer que a Comissão da Verdade, responsável por apurar abusos ocorridos durante o regime, passe a investigar também os efeitos da ditadura sobre o esporte. Romário prometeu realizar uma audiência pública conjunta entre a Comissão de Desporto e a Comissão Memória, Verdade e Justiça com o tema “futebol e ditadura”. Ele pediu que a Comissão da Verdade acompanhe a audiência e lembrou que atletas como Afonsinho (colunista de CartaCapital), Nando, Reinaldo, Sócrates e Vladimir sofreram com a repressão. “Marín (…) manteve, naquele período, alguma relação com os órgãos da repressão, como, por exemplo, o DOI-CODI”, afirmou Romário. “Será que merecemos ter à frente do nosso esporte mais querido, mais popular, um esporte que orgulha o nosso povo, uma pessoa suspeita de envolvimento, ainda que indireto, com tortura, assassinato e a supressão da democracia?”, questionou.
Romário lembrou do “duro pronunciamento contra a TV Cultura” feito pelo então deputado Marin em 9 de outubro de 1975, no qual “exigia que fossem tomadas providências, segundo ele, em nome da ‘tranquilidade dos lares paulistanos’”. “Não sei que providências ele tinha em mente. O que sei, e que todos nós sabemos, é que no dia 24 de outubro daquele mês, o diretor de Jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog, foi convocado para depor no DOI-CODI, e apareceu morto em sua cela, no dia seguinte”, afirmou Romário. O deputado lembrou que o Brasil vai organizar a Copa do Mundo de 2014, que Marin é presidente Comitê Organizador Local (COL) e não teria, segundo Romário, boas relações com a presidenta Dilma Rousseff e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. “Será que, como presidente do COL e da CBF, Marín terá tranquilidade para figurar ao lado da Presidente Dilma e do Ministro Aldo Rebelo na recepção às autoridades estrangeiras?”.
Desde terça-feira, Marin vem usando o site oficial da CBF para se defender das acusações. A página inicial do site responsável pelas notícias da seleção brasileira e do futebol brasileiro tem em sua abertura a inscrição “Desmascarando uma falsidade”. Ao clicar, o usuário é direcionado para textos em que Marin se defende. “Parece óbvio o intuito de constranger o Sr. José Maria Marin, conturbando as atividades do futebol brasileiro num momento de notória importância e delicadeza, quando se avizinha a realização, no Brasil, da Copa Mundial de 2014″, diz o texto. Segundo Marin, integrantes da imprensa estariam, de “ânimo criminoso”, empenhados na “desmoralização de pessoas de bem, para satisfazer maus instintos, entretendo-se em atirar, em quem os mira de cima, a lama em que chafurdam esses delinquentes”. No pronunciamento desta quinta, Romário disse acreditar que “Marin não tem o direito de chamar de ‘delinquentes’ aqueles que simplesmente buscam a transparência e a verdade”.


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Factcont05
Membro desde: 08.05.2011
PokerStrategist

Pegava esse dinheiro de olimpiadas, de copa, de estádio Corinthians fazia casas populares melhorava a saúde que nego morre na porta do hospital mais não deixa o povo se fude e ainda vamos falar que a economia... empregos e etc e vá p/....


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Fala serio

com o dinheiro que se ta gastando pra formalizar essa copa,se eu so presidente e tenho essa grana toda sobrando pa gasta, investiria tudo em saude e educação
assim seriamos um pais de 1 mundo,de imediato
é um absurdo chegar a um pronto socorro e ficar esperando 4 a 8 horas pa se atendido, e depois o medico te dizer k vai encaminhar pra outro especialista// que este só vai te atender após 3 a 6 meses

é o fim da picada

ter uma alegria sempre é bom/mais temos k avaliar o custo beneficio

neste caso comparando com a nessecidade brasileira é ,00000000000000000

e tenho dito


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

:fdrink


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Original de Risoflora

Essa foi foda. Depois querer reclamar de políticos corruptos... :facepalm:


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rafaelaugustop
Membro desde: 29.01.2008
Elite Grinder

Para os portugueses, falam algo aí na Europa sobre as fraudes do presidente do Barcelona no jogo Brasil e Portugal em 2008?


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Original de rafaelaugustop
Para os portugueses, falam algo aí na Europa sobre as fraudes do presidente do Barcelona no jogo Brasil e Portugal em 2008?

Refresca minha memória aí


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

http://www.lancenet.com.br/minuto/Romario-Marin-gravacao-bastidor-CBF_0_886111591.html#ixzz2O928Ejyn

Romário pede prisão de Marin após gravação de bastidor da CBF

Spoiler

Intervenção na CBF e dirigentes na cadeia. Esses foram os pedidos do deputado federal Romário, nesta quarta-feira, via Twitter, após a divulgação, no YouTube, de uma gravação que mostra o presidente da CBF, José Maria Marin, dando um esporro em duas pessoas, que estariam fazendo negócios com federações estaduais dizendo que são sócios do presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, e do deputadofederal Vicente Cândido(PT-SP).

O Baixinho citou nominalmente a presidente Dilma Rousseff exigindo alguma medida mais drástica na CBF. Ele também pediu ação do Ministério Público e de Aldo Rebelo, ministro do Esporte, citado por Marin em um outra gravação.

"Intervenham na CBF. As coisas estão cada vez piores. Este último vídeo do Marin comprova que a CBF está nas mãos de uma quadrilha. Prende (sic) esses caras, está na hora de dar um exemplo para o Brasil", escreveu Romário.

Na gravação, Marin proíbe os interlocutores de usarem seu nome, chama-os de "idiotas" e diz que a atitude pode levar Del Nero à cadeia. A gravação foi postada por pessoa apelidada de Justic Just. Além da gravação, o vídeo afirma que o esporro foi dado nos ir mãos Bruno e Walter Balsimelli, sócios da empresa BWA, que opera desde 95 com ingressos e controle de acessos em estádios, além de atuar na gestão do Independência, em Belo Horizonte.

Ouvidos, os presidentes das federações Evandro Carvalho (PE) e Mauro Carmélio (CE) negaram ter sido procurados por empresas usando o nome de Del Nero.Carvalho disse que Marin odeia o trabalho da BWA, chamando-os de incompetentes. Carmélio afirmou que a empresa quando atuou no Ceará fez um trabalho muito criticado e que hoje não atua mais lá.


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rafaelaugustop
Membro desde: 29.01.2008
Elite Grinder

Marin falando bobagem desde muito tem.

Reparem como a história se repete, todo mundo falando que não tem esperança, que o time tá acabado e que vamos perder. Que a comissão técnica é ruim, blá, blá, blá


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