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Copa do Mundo - Uma outra visão

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maugmat2012
Membro desde: 22.12.2011
PokerStrategist

eu também acho que essa copa tem muita coisa errada!!
Mas também acho que nós brasileiros somos acomodados.

Reclamamos de algo que não conhecemos. Economia ,politica são sistemas complexos que julgamos conhecer.Esse é um defeito do povo tupiniquim:

reclamamos e opinamos sobre áreas que nada sabemos.
Não sabemos se quer os projetos de leis votados e não lemos e informamos sobre a politica.

Ficamos no comodismo de falar : ii politica é tudo corrupção.
Mas se você for as ruas e perguntar qual a função de um vereador quase ninguém vai saber.

Os políticos não são de outro planeta.Eles vem do povo brasileiro e são exatamente como nós.


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fsfonseca
Membro desde: 25.07.2009
PokerStrategist

Pior, amigo, do que APOIAR: Marin era MEMBRO da ditadura, chegou a ser Governador nomeado.


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Original de maugmat2012
eu também acho que essa copa tem muita coisa errada!!
Mas também acho que nós brasileiros somos acomodados.

Reclamamos de algo que não conhecemos. Economia ,politica são sistemas complexos que julgamos conhecer.Esse é um defeito do povo tupiniquim:

reclamamos e opinamos sobre áreas que nada sabemos.
Não sabemos se quer os projetos de leis votados e não lemos e informamos sobre a politica.

Ficamos no comodismo de falar : ii politica é tudo corrupção.
Mas se você for as ruas e perguntar qual a função de um vereador quase ninguém vai saber.

Os políticos não são de outro planeta.Eles vem do povo brasileiro e são exatamente como nós.

Eu também acho isso. :)


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Casa caiu pro velho! Vai ficar escondido na Toca dos Ratos igual o Ricardão. Pena que isso não seja uma coisa ruim.

http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=358286

Fifa confirma corrupção no caso ISL e renúncia de João Havelange à presidência de honra da entidade

Spoiler

O Comitê de Ética da Fifa divulgou nesta terça-feira (30) o relatório final do caso ISL apontando que os brasileiros Ricardo Teixeira e João Havelange e o paraguaio Nicolás Leoz receberam propinas. João Havelange presidiu a Fifa de 1974 a 1998, estando como presidente de honra desde então Foto: Arquivo O relatório, assinado pelo alemão Hans-Joachim Eckert, uma espécie de juiz do comitê, revela ainda que Havelange renunciou no dia 18 de abril ao cargo de presidente de honra da Fifa. Ou seja, 12 dias antes da divulgação do resultado final da investigação interna. O documento isenta o atual presidente da entidade, Joseph Blatter, de responsabilidade no caso. Na sua conclusão, divulgada no site da Fifa, Eckert mantém a informação de que os cartolas receberam subornos da empresa de marketing ISL, entre 1992 e 2000, mas argumenta que, na época do episódio, não havia código de conduta dentro da Fifa. O primeiro código, explica, é de 2004, depois do escândalo. Por isso, ele diz que qualquer outra recomendação não teria efeito neste momento. Além disso, o juiz do comitê de ética alega que os três envolvidos, Teixeira, Havelange e Leoz, deixaram seus cargos na entidade. "O caso ISL está concluído pelo comitê de ética", informa. Conforme a Folha de S.Paulo informou no dia 24, Nicolás Leoz sabia que seria citado neste documento, o que o levou a anunciar na terça-feira passada a renúncia aos cargos de presidente da Conmebol e de membro do comitê executivo da Fifa. A renúncia de Havelange só foi revelada no documento divulgado hoje pela entidade que comanda o futebol no mundo. A falida ISL, empresa de marketing esportivo parceira da Fifa nos anos 90, foi investigada pela Justiça suíça por ter pago propina a dirigentes em troca de facilidades na obtenção de contratos. Em julho do ano passado, foi divulgado que os brasileiros João Havelange, então presidente honorário da Fifa, e Ricardo Teixeira, ex-mandatário da CBF, receberam R$ 45 milhões em subornos. Eles nunca comentaram o caso. Teixeira havia renunciado a seus cargos na CBF e na Fifa quatro meses antes. A Fifa criou em 2012 um comitê de ética e anunciou a abertura de uma investigação interna sobre o caso. Nomeou o americano Michael J. Garcia como chefe da apuração. Ele entrou seu relatório final ao juiz Hans-Joachim Eckert no dia 18 de março. Ao livrar Blatter, o juiz argumenta que não há elementos mostrando que o atual presidente da Fifa foi responsável ou esteve ligado aos pagamentos feitos aos três outros envolvidos -Teixeira, Havelange e Leoz.


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Adriano87
Membro desde: 29.03.2008
PokerStrategist

Teve essa também: Após suspender pedido de compra de capas de chuva, governador do DF afasta chefe da PM.

R$5M pra comprar 17 mil capas de chuva. Detalhe: "no período da competição, não chove no DF". :ayfkm:


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Original de Adriano87
Teve essa também: Após suspender pedido de compra de capas de chuva, governador do DF afasta chefe da PM.

R$5M pra comprar 17 mil capas de chuva. Detalhe: "no período da competição, não chove no DF". :ayfkm:

Inverno não chove em Brasília. :ayfkm:


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Texto do Flávio Gomes sobre a inauguração do Maracanã e o BaVI que teve chuva de caricholas.

http://flaviogomes.warmup.com.br/2013/04/gira-mondo-gira-50/

Spoiler

Como triste demais está ficando o futebol brasileiro. Sábado inauguraram um estádio construído onde ficava o Maracanã. O mestre-de-cerimônias da entrega daquilo que um dia foi um dos maiores símbolos do Rio foi o carioca de Higienópolis Luciano Huck, usando uma camisa com o logotipo de seu programa e de um quadro em que ele reforma casas de gente miserável que escreve cartas para conseguir umas latas de tinta e uns móveis fajutos. Gastou-se 1 bilhão de dinheiro público para destruir o Maracanã e fazer outro estádio, e seu primeiro papel foi de cenário para o programa do Luciano Huck, que nunca deve ter entrado no Maraca para ver um jogo na vida. Como o Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, também vivi o Maracanã e jamais, jamais vou esquecer o que senti na primeira vez em que passei pelo túnel de acesso à arquibancada e me dei com aquela imensidão. Isso nunca mais vai acontecer com ninguém. Fizeram um estádio que simplesmente eliminou a mais doce característica do velho Maraca: sua alma, um palco de todos e para todos. Esse estádio novo não é mais o Maracanã, lamento. É uma arena, como gostam de dizer agora, feita no lugar onde ele ficava. Adeus, Maraca. Aí, ontem, chovem caxirolas na Fonte Nova. Uma bobagem inventada pelos organizadores da Copa que no fundo não passa de um grande negócio de 3 bilhões de reais que querem nos enfiar goela abaixo como símbolo da felicidade e da musicalidade do povo brasileiro. Bobagem aprovada pelo governo, encampada pela presidenta, que não entende picas de futebol, pelo ministro do Esporte, um deslumbrado, e, claro, pela Globo. Afinal, quem criou essa coisa patética foi um cara contratado da emissora, Carlinhos Brown, que participa de um programa de calouros. Globo que ficou indignada, oh!, com a chuva de caxirolas. E através de seu apresentador no “Fantástico” deu uma bronca no público, como se o ameaçasse com umas palmadinhas, porque as pessoas desrespeitaram as caxirolas. Como pode? Nã-nã-nã-nã-não. Feios. Comportem-se, meninos! Agora a Globo quer ensinar as pessoas a torcer e determinar como elas devem se comportar num estádio de futebol. É demais pra mim. A revolta das caxirolas foi uma ótima resposta a essa babaquização que está tomando conta do futebol, ainda que motivada pela raiva da torcida do Bahia com seu time, e não com as caxirolas propriamente ditas. Não acho que se deva jogar nada dentro de um campo de futebol. Pode machucar alguém e atrapalha o jogo. Mas adorei ver a chuva de caxirolas. Foi um ato de resistência, mesmo que simbólico. Todo desprezo do mundo às caxirolas, ao tatu Fuleco, à bola Cafusa, a essa mercantilização de uma paixão que foi trazido ao Brasil por uma elite europeia e que acabou sendo apropriada pelo povo deste país. Enfiem no rabo as caxirolas. Deixem-nos em paz.

Outros links citados no texto:

http://impedimento.org/tadeu-schmidt-o-novo-arauto-da-honra-nacional/

http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/usar-o-amor-a-patria-para-defender-a-caxirola-e-pura-manipulacao-se-trata-na-verdade-de-um-excelente-negocio-de-r-3-bilhoes-envolvendo-a-fifa-o-col-e-a-multinacional-americana-dona-da-patente-d-29042013/


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Fotos de protesto contra José Maria Marin no Rio


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Tudazul
Membro desde: 09.03.2007
Elite Grinder

Vi agora o negócio das caxirolas


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Eu ia postar esse vídeo do Trajano agora. É bom Globo mesmo querer vender a ideia de algo que não existe ou que seja associado aos seus interesses. Se fosse nos anos 70 talvez não tivesse tanto questionamento.

O babaca do Tadeu Schmith foi fuzilado no Twitter depois da defesa que ele fez ao instrumento no Fantástico.

Só pra complementar, as "otoridades" estão preocupadas:

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,caxirola-podera-ter-bula-contra-a-violencia-nos-estadios-de-futebol,152343,0.htm

http://br.noticias.yahoo.com/lançamento-caxirolas-salvador-deixa-autoridades-preocupadas-222404250.html


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Adriano87
Membro desde: 29.03.2008
PokerStrategist

Muito bom o texto do Flávio Gomes.

BTW, mas era ÓBVIO que iam jogar esse chocalho do capiroto no campo ou nos outros. Não precisava ser nenhum gênio pra prever isso.

Ainda tô aqui perplexo por não terem invadido o campo ainda. :f_eek:


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Meu irmão tava falando aqui que a rede de 4G está pronta. Só que a velocidade será lame. :facepalm:

http://www.testosteronasports.blog.br/2013/04/01/as-10-mentiras-da-copa-do-mundo-de-2014/


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rafaelaugustop
Membro desde: 29.01.2008
Elite Grinder

Original de brunogalvao81
Texto do Flávio Gomes sobre a inauguração do Maracanã e o BaVI que teve chuva de caricholas.

http://flaviogomes.warmup.com.br/2013/04/gira-mondo-gira-50/

Spoiler

Como triste demais está ficando o futebol brasileiro. Sábado inauguraram um estádio construído onde ficava o Maracanã. O mestre-de-cerimônias da entrega daquilo que um dia foi um dos maiores símbolos do Rio foi o carioca de Higienópolis Luciano Huck, usando uma camisa com o logotipo de seu programa e de um quadro em que ele reforma casas de gente miserável que escreve cartas para conseguir umas latas de tinta e uns móveis fajutos. Gastou-se 1 bilhão de dinheiro público para destruir o Maracanã e fazer outro estádio, e seu primeiro papel foi de cenário para o programa do Luciano Huck, que nunca deve ter entrado no Maraca para ver um jogo na vida. Como o Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, também vivi o Maracanã e jamais, jamais vou esquecer o que senti na primeira vez em que passei pelo túnel de acesso à arquibancada e me dei com aquela imensidão. Isso nunca mais vai acontecer com ninguém. Fizeram um estádio que simplesmente eliminou a mais doce característica do velho Maraca: sua alma, um palco de todos e para todos. Esse estádio novo não é mais o Maracanã, lamento. É uma arena, como gostam de dizer agora, feita no lugar onde ele ficava. Adeus, Maraca. Aí, ontem, chovem caxirolas na Fonte Nova. Uma bobagem inventada pelos organizadores da Copa que no fundo não passa de um grande negócio de 3 bilhões de reais que querem nos enfiar goela abaixo como símbolo da felicidade e da musicalidade do povo brasileiro. Bobagem aprovada pelo governo, encampada pela presidenta, que não entende picas de futebol, pelo ministro do Esporte, um deslumbrado, e, claro, pela Globo. Afinal, quem criou essa coisa patética foi um cara contratado da emissora, Carlinhos Brown, que participa de um programa de calouros. Globo que ficou indignada, oh!, com a chuva de caxirolas. E através de seu apresentador no “Fantástico” deu uma bronca no público, como se o ameaçasse com umas palmadinhas, porque as pessoas desrespeitaram as caxirolas. Como pode? Nã-nã-nã-nã-não. Feios. Comportem-se, meninos! Agora a Globo quer ensinar as pessoas a torcer e determinar como elas devem se comportar num estádio de futebol. É demais pra mim. A revolta das caxirolas foi uma ótima resposta a essa babaquização que está tomando conta do futebol, ainda que motivada pela raiva da torcida do Bahia com seu time, e não com as caxirolas propriamente ditas. Não acho que se deva jogar nada dentro de um campo de futebol. Pode machucar alguém e atrapalha o jogo. Mas adorei ver a chuva de caxirolas. Foi um ato de resistência, mesmo que simbólico. Todo desprezo do mundo às caxirolas, ao tatu Fuleco, à bola Cafusa, a essa mercantilização de uma paixão que foi trazido ao Brasil por uma elite europeia e que acabou sendo apropriada pelo povo deste país. Enfiem no rabo as caxirolas. Deixem-nos em paz.

Outros links citados no texto:

http://impedimento.org/tadeu-schmidt-o-novo-arauto-da-honra-nacional/

http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/usar-o-amor-a-patria-para-defender-a-caxirola-e-pura-manipulacao-se-trata-na-verdade-de-um-excelente-negocio-de-r-3-bilhoes-envolvendo-a-fifa-o-col-e-a-multinacional-americana-dona-da-patente-d-29042013/

A parte que ele fala de entrar pelo túnel da arquibancada e ver o estádio gigante pela primeira vez eu até arrepio, é sensacional mesmo.

Os absurdos não param, em Porto Alegre o bairro que tem o estádio, os moradores vão ter que avisar com antecedência se vão sair ou chegar em suas casas, na Bahia não pode acarajé nem festa junina, em Brasília querem gastar milhões em capa de chuva em um período que não tem chuva. Em Manaus a Arena Amazonas tem previsão de 500KK de custo para um público de 44K pessoas, serão 4 jogos apenas e o campeonato estadual local tem média de 600 pessoas por jogo enão tem nenhum time nem na 3ª divisão do campeonato brasileiro. No Rio o Maracanã vai ter que passar por outra reforma para 2016, como se 1KKK não fosse suficiente. OMG.


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Essa salsicha vai cair na mão dos contribuintes nas próximas décadas. :facepalm:


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Reformas transformam Maracanã em um dos estádios mais caros do mundo

http://www.espn.com.br/noticia/328196_reformas-transformam-maracana-em-um-dos-estadios-mais-caros-do-mundo?timestamp=1368119176322


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Confirmando que o Maracanã virou Arena Eike Baptista.

http://www.espn.com.br/noticia/328424_grupo-de-eike-confirma-favoritismo-ganha-licitacao-e-administrara-o-maracana


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brunomp
Membro desde: 17.07.2008
PokerStrategist

o Eike manda no RJ.


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

Original de brunomp
o Eike manda no RJ.


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brunogalvao81 Autor do tópico
brunogalvao81
Membro desde: 30.11.2008
Oldschool Grinder

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-rio-que-viola-os-direitos-humanos

O Rio que viola os direitos humanos

Spoiler

O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro lança nesta quarta-feira 15 a segunda edição do dossiê “Megaeventos e Violações dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro”. O dossiê será lançado em evento, a partir das 16h30, na sede da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), na Rua Araújo Porto Alegre, 71, no Centro do Rio. A Pública teve acesso ao documento e traz alguns dos principais pontos dele. A partir das 21h de hoje, conforme regras estipuladas pelo comitê, ele será disponibilizado para download neste post do Copa Pública.

O relatório das violações de direitos humanos divide-se em oito esferas ligadas ao interesse público: moradia, mobilidade, trabalho, esporte, meio ambiente, segurança pública, informação e participação e orçamento e finanças. Confira abaixo alguns pontos levantados pelo Comitê em cada uma delas.

Moradia
Nada menos do que 3 mil famílias residentes na cidade do Rio de Janeiro já foram removidas por conta da realização de projetos direta ou indiretamente ligados à Copa do Mundo e às Olimpíadas. O número pode chegar a quase 11 mil famílias expulsas, já que outras 7.800 famílias correm o risco de despejo. Em relação ao primeiro dossiê, nessa segunda versão foram reunidas informações mais específicas e atualizadas de modo a demonstrar detalhadamente as violações de direitos humanos ocorridas na cidade.

As comunidades envolvidas no processo de remoção foram divididas em quatro eixos específicos relacionados ao fator de risco: as obras viárias em curso no Rio de Janeiro; as obras de instalação e reforma de equipamentos esportivos; as obras de revitalização turística da zona portuária e as áreas de risco ou interesse ambiental.

Apesar da especificidade e das peculiaridades de cada região, o dossiê aponta padrões no trato do poder público, sobretudo o municipal, com as comunidades que se vêem envolvidas no contexto de remoção. Esses são seis, presentes na ação do poder público no trato com as comunidades atingidas, segundo o comitê:

“(i) Completa ausência, ou precariedade de informação para as comunidades, acompanhada de procedimentos de pressão e coação, forçando os moradores a aceitarem as ofertas da prefeitura do Rio. Cabe frisar que as comunidades visitadas, sem exceção, não tivera acesso aos projetos de urbanização em suas áreas de moradia.

(ii) Completa ausência, ou precariedade de envolvimento das comunidades na discussão dos projetos de reurbanização promovidos pela prefeitura, bem como das possíveis alternativas para os casos onde são indicadas remoções.

(iii) As indenizações oferecidas são incapazes de garantir o acesso a outro imóvel situado na vizinhança próxima, tendo em vista que a prefeitura só indeniza o valor das benfeitorias e não a posse da terra, fato em geral agravado pela valorização imobiliária decorrente dos investimentos realizados pelo poder público. Tal situação não é revertida nem mesmo com o instrumento da compra assistida, o que gera um aumento no valor pago pelas indenizações em torno de 40%., mesmo assim insuficiente para a aquisição de um imóvel na mesma localidade. Resta a opção de transferência para um imóvel distante, nos conjuntos habitacionais que estão sendo construídos em geral na zona oeste, no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida.

(iv) Deslegitimação das organizações comunitárias com agentes dos processos de negociação, sempre individualizados por famílias, buscando enfraquecer a capacidade de negociação dos atingidos com o poder público.

(v) Desrespeito à cidadania através de ameaças, pressão e coação.

(vi) Utilização da Justiça como ferramenta contra o cidadão. Nas ações judiciais promovidas pela procuradoria do município, o poder público tem sido “uma máquina irresponsável de despejos”, sem compromisso com a saúde e a vida das pessoas. “A prática da procuradoria do município parece ser a de castigar todos os cidadãos que recorrem à justiça para proteger os seus direitos.”

Uma comunidade que passou por um processo emblemático de remoção foi a Comunidade do Campinho. Segundo o Comitê, o primeiro contato da administração municipal com os moradores foi em janeiro de 2011. Cinco meses depois a comunidade já estava extinta. O motivo? A construção de um mergulhão do corredor Transcarioca de BRT. O dossiê afirma que houve pressão psicológica para que os moradores aceitassem um apartamento do Minha Casa Minha Vida em Cosmos, a 60 km do local. “Há relatos, com mais de uma testemunha, do recebimento de indenizações em sacos de dinheiro pagos em negociação direta com a empreiteira responsável pela obra”, diz o dossiê.

Mobilidade urbana para quem?
É essa pergunta que faz o dossiê ao tratar das intervenções de mobilidade urbana que estão em curso por conta dos megaeventos no Rio de Janeiro. “A análise dos investimentos na cidade do Rio de Janeiro indica que estes não estão voltados para o atendimento das áreas mais necessitadas e que apresentam os piores indicadores de mobilidade. Pior do que uma infraestrutura mal construída ou mal distribuída pelo território da cidade, constata-se que muitas comunidades têm sido removidas compulsoriamente ou sofrido ameaça de remoções por conta da construção da infraestrutura de transporte para Copa e Olimpíadas. Isto, por si só, constitui uma violação ao direito à moradia garantido em diversos tratados internacionais”, afirma.

Ou seja, além dos investimentos em mobilidade urbana beneficiarem as áreas que já contam com as melhores alternativas nesse aspecto, a população carente tem que lidar com o ônus das remoções.

“Através das propagandas oficiais e da mídia em geral, o poder público tem prometido uma ‘revolução nos transportes’, construindo as vias Transcarioca, Transolímpica e Transoeste (todas BRTs), e o metrô Lagoa-Barra (alongamento da linha 1) – todos ligados à realização da Copa e dos Jogos olímpicos. Por outro lado, a população clama por serviços de transporte de massa em outras direções e para outras regiões da cidade. Ou seja, enquanto hoje o serviço de transporte coletivo oferecido à população se configura como caro, precário e insuficiente para a demanda existente, o cenário que se desenha para o futuro é o de investimentos em transporte que, ao invés de atenderem à demanda existente, tornam possível a ocupação de áreas vazias ou pouco densas, visando e promovendo a valorização imobiliária e a expansão irracional da malha urbana”, analisa o documento do Comitê Popular. O dossiê também aponta para uma forte concentração dos investimentos na cidade do Rio de Janeiro, em detrimento das outras 20 cidades que compõe a área metropolitana da capital; dentro da capital, os investimentos estão maciçamente direcionados à Barra da Tijuca e à zona sul, as áreas mais nobres do Rio.

Destaca-se também os constantes aumentos das tarifas de transporte.

Trabalho
Tido como um dos grandes fatores legitimadores da realização dos megaeventos, o impacto da Copa e das Olimpíadas no trabalho é analisado pelo dossiê do Comitê Popular.

O primeiro aspecto apontado pelo comitê é que nas obras ligadas aos megaeventos é comum ocorrer a chamada precarização do trabalho. Prazos exíguos, omissão de fiscalização pelos órgãos públicos competentes, o contexto de exceção que permite licitações feitas a toque de caixa, além das pressões exercidas por órgãos como o COI e a FIFA ajudam a criar este cenário. Só o Maracanã, aponta o dossiê, já passou por duas paralisações relacionadas a condições de trabalho.

A repressão ao comércio informal também se agravou no contexto dos megaeventos, afirma o Comitê. Segundo documento da Streetnet International, articulação de coletivos de vendedores informais de todo o planeta, há 60 mil vendedores ambulantes trabalhando no Rio de Janeiro em risco por conta da realização dos jogos. Os ambulantes não poderão se beneficiar do contexto da Copa e das Olimpíadas, uma vez que estão proibidos de trabalharem próximos aos locais vinculados às competições. “Também está prevista a repressão, com prisão e apreensão de mercadorias, de qualquer pessoa que comercialize material que faça referência aos símbolos dos eventos e de seus patrocinadores. Nessa mesma direção, está proibida a venda de qualquer souvenir dos eventos aos turistas produzido pelos trabalhadores informais. Ou seja, só poderão vender mercadorias com símbolos dos eventos as empresas licenciadas pela FIFA e pelo COI”, diz o texto. Isto está inclusive garantido pelo artigo 11 da Lei Geral da Copa (12.663/2012).

Esporte
“O futebol no Brasil está vivendo um momento bastante complicado. Os estádios históricos estão sendo destruídos para renascer em forma de centros de consumo e turismo, por vezes com jeito de shopping-center. Os ingressos dos campeonatos nacionais e estaduais estão cada vez mais caros, fora do alcance do torcedor ‘tradicional’. A média de público nos estádios está em plena queda”, analisa o dossiê do Comitê Popular.

A concessão do Maracanã, com a consequente demolição de praças esportivas essenciais como o Parque Aquático Júlio Delamare, o Estádio de Atletismo Célio de Barros e a consolidação do projeto olímpico na Barra da Tijuca são os principais fatores contestados pelo dossiê.

A chamada elitização do público do futebol também é destacada pelo dossiê. “Percebe-se um decréscimo de 732.160 torcedores nos estádios da primeira divisão do campeonato brasileiro de futebol, entre 2011 e 2012, o que representa uma queda de 13%. Ao mesmo tempo, os custos dos ingressos subiram 9% e a arrecadação geral aumentou em 3%. Esses números podem indicar que menos brasileiros têm acesso aos estádios. Isso pode estar ocorrendo em função das obras, em andamento nos grandes estádios visando a Copa do mundo nas principais cidades do país, como é o caso do Rio de Janeiro”, aponta o documento.

Segundo o Dossiê, é possível analisar esse contexto como o de imposição de um modelo de futebol empresarial. Nele “estimula-se a venda do espetáculo aos ‘clientes’, que vão aos estádios para ter uma experiência de entrenimento e não uma participação ativa, identitária e afetiva com o evento. Sem dúvida, os números indicam que os que frequentam os estádios desembolsam cada vez mais dinheiro”.

Além disto, destaca-se também a destruição do legado do Pan-2007 pelo projeto das Olimpíadas de 2016 como ocorreu com o Velódromo, o Parque Aquático Maria Lenk e, mais recentemente, o estádio do Engenhão.

Meio ambiente
O documento aponta que, apesar do discurso oficial afirmar veementemente a preocupação ambiental, na prática ocorre o inverso. A construção dos corredores viários Transcarioca, Transolímpica e Transoeste são alguns exemplos.

No caso do primeiro projeto, por exemplo, o dossiê critica o aterramento da lagoa de Jacarepaguá. Estavam previstos, para mitigar o efeito do aterramento, dois programas pelo estado do Rio: o Programa de Monitoramento da Fauna Existente e o Programa de Compensação Ambiental. Nenhum deles foi realizado.

Segurança pública
“No Rio de Janeiro, que vem servindo de laboratório no tema da segurança pública, defende-se a necessidade de medidas extraordinárias de segurança. Mas cabe perguntar o que está sendo segurado, como, onde, e quais serão os efeitos de curto, médio e largo prazo das medidas que estão sendo adotadas”, pontua o dossiê.

Os fatos de a segurança durante os jogos ser feita por agentes privados contratados pela FIFA, bancados com dinheiro público, de o governo brasileiro pretender investir R$ 80 milhões em câmeras de vigilância nos estádios e não haver garantias de que as imagens coletadas pela FIFA sejam apagadas depois do evento, são criticados. O dossiê também vê essas ações como pretexto para aprofundar a mudança do modelo de segurança pública para o predomínio da segurança privada.

“Como um experimento para controlar as massas e extirpar ameaças, os megaeventos deixarão um saber governamental sobre as novas configurações da cidade. Esse saber não é neutro ou despolitizado, mas contextualizado dentro de um complexo cultural que identifica ameaças particulares que são socialmente construídas. A montagem do aparelho para proteger os interesses associados aos megaeventos pode ser adotada e utilizada para proteger os mesmos interesses pós-evento”, afirma o Comitê.

Informação e participação
O Comitê destaca ainda a negligência com respeito ao direito à informação e participação popular nos assuntos de interesse público durante os preparativos da Copa. Como exemplo, cita as remoções ocorridas nas comunidades Vila Harmonia, Recreio II, Restinga, Sambódromo, Campinho e Metrô-Mangueira. Todas as comunidades foram avisadas das remoções de suas casas algumas horas antes do despejo. E diz que não houve apresentação de justificativas plausíveis em grande parte das remoções nem os detalhes dos projetos foram publicados.

No aspecto orçamentário aponta também falta de transparência. “A divulgação de aumento de gastos frequentemente ocorre muito tempo após ter sido efetuado e, mesmo assim, nem todos os valores são publicados. No caso da preparação para os Jogos Olímpicos, há apenas uma estimativa inicial de orçamento constando no dossiê de candidatura, mas os gastos poderiam efetivamente alcançar quase o dobro dessa estimativa, segundo depoimento do presidente da Autoridade Pública Olímpica, em 2012.”

Orçamentos e finanças
O dossiê chama atenção para o valor total de investimentos para a realização da Copa do Mundo no Rio de Janeiro, que já sofreu um aumento de 95% tendo como base os valores da Matriz de Responsabilidades. Os R$ 2,2 bilhões previstos inicialmente tornaram-se quase R$ 4,2 bilhões. E contesta a informação de que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro em 2016 custarão cerca de US$ 12,5 milhões, elencando 21 projetos municipais ligados, ao menos no discurso, às Olimpíadas cuja soma de orçamento alcança nada menos do que R$ 22,6 bilhões.

“Chama atenção o fato das decisões relativas a esses investimentos não passarem por uma ampla discussão democrática, envolvendo todos os segmentos sociais, colocando em pauta o projeto de cidade que está construído”, conclui o documento, criticando, mais uma vez, a concentração de investimento público em áreas nobres.

O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.


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Adriano87
Membro desde: 29.03.2008
PokerStrategist


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