Em função da questão que coloquei ao princípio e, sobretudo, por minha opinião expressa no post inicial, esperei que aqui pudesse encontrar respostas as muitas questões que tenho, depois de dois anos de poker, leitura de diversos livros e sites, mas em crise de confiança por não saber, ainda, o que podem ou não ser consideradas decisões corretas. Acredito que não haja ninguém aqui capacitado a avaliar se isto se passa por estupidez ou por prudência.
O factor da probabilidade matemática de vitória no poker baseada em habilidade, sempre foi pra mim um valor obscuro. Se, como citei, noutros esportes posso até avaliar as chances de cada interveniente baseado nos odds oferecidos pelas diversas casas de aposta, ou pela História, a ausência do poker nestas casas me levou a pensar que tenderia a 0 a razão da probabilidade de vitoria de determinado jogador dentro de um conjunto de mãos definidas e reduzidas, como acontecem nos torneios.
Procurei aqui algumas respostas mais claras a estas questões de iniciante que tenho, mas ou não as encontrei ou as encontrei em função de um conhecimento específico, individual.
Mas como quem procura sempre acha, acabei por encontrar uma resposta mais objetiva as minhas questões num estudo realizado em Junho de 2002, por três professores de matemática holandeses que estudaram especificamente a questão do poker e suas estratégias num estudo chamado On Strategy and Relative Skill in Poker, motivados por questões jurídicas que "julgam" o poker, a meu ver erroneamente, como jogo de azar na Holanda, Brasil e em alguns estados dos EUA.
Resumindo, no estudo de Marcel Dreef, Peter Borm e Ben van der Genugten, concluíram que na razão de 0 a 1 da medida probabilística (0 mera sorte, 1 pura habilidade) o poker encontra-se pouco abaixo do meio da escala com 0,4 de influência da habilidade (que é um valor elevado considerando-se que o o futebol ou o basquete classificam-se em torno dos 0,3, contra uns desprezíveis 0,05 do Blackjack que junto com a Roleta são eminentemente jogos de azar), mas ainda deixa um valor de 0,6 (60%) de margem de acaso probabilístico na conclusão das expetativas. O que se confirma com a leitura do The Mathematics of Poker do Bill Chen e Jerrod Ankenman.
Considero estes valores aceitáveis e compreendo, a partir do estudo, que ainda estou a ler, e de algumas opiniões aqui expressas, que a componente do acaso ainda é de um valor consideravelmente maior que o da habilidade, no curto prazo, o que me leva a concluir que a opinião que dei a princípio, com a qual alguns aqui concordaram, está em sua base correta, embora partisse de valores (100 mãos) irrelevantes no que diz respeito ao poker, mas válidos enquanto demostração da teoria.
O acesso ao estudo é livre e pode ser encontrado em inglês em http://arno.uvt.nl/show.cgi?fid=29695
E em relação a questão inicial do esporte onde utilizei o Usain Bolt e o Garry Kasparov como exemplos, continuo a acreditar no David Sklansky e no Ed Miller quando dizem: “In many endeavors the answer to the question, “What makes someone good?” is at least somewhat transparent. You have to have a quick reflexes to be a good baseball hitter ( o desportista ). You have to be a good logical thinker to be a scientist. (o enxadrista ). But what do you need to be a good no limit player? It's not as clear.” (No Limit Hold'em, Theory and Practice, pág. 11)
Espero ter contribuído de alguma forma para esta discussão, e ainda continuo a espera que estes valores sejam objetivamente informados aos iniciantes de forma a que eles não se coloquem em aventuras que podem ser bastante frustrantes para aqueles os quais o dinheiro faça falta.