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Ultrapassado
Andre Jung
É duro admitir, mas o retorno de Michael Schumacher, uma das maiores expectativas para essa temporada, parece definitivamente malogrado.
Michael ainda estava em plena forma quando deixou a F1. Na sua última prova então, o GP do Brasil de 2006, ele foi espetacular, recuperando-se de forma avassaladora para chegar ao quarto lugar depois de uma sucessão de belas ultrapassagens.
Um piloto inacreditável, loucamente tenaz, veloz e resistente. No pódio, raros eram os pingos de suor em seu rosto, enquanto a concorrência parecia se esfalfar. Suas escorregadas eram logo substituídas por performances impressionantes. No seco ou na chuva, Schumacher dominava tudo e todos.
Na história da Ferrari, então, nem se fala. Bicampeão, o alemão transferiu-se para aquele time, que começava a superar anos de bagunça, guiado pelo intelecto de Jean Todt. Em 96 o carro era uma merda, mas ele ainda foi capaz de vencer. Aos poucos foi aprimorando o equipamento até que, na hora de ganhar seu primeiro título para os vermelhos em 1999, veio o acidente em Silverstone. Sobrou para o incompetente Irvine a oportunidade de trazer a Ferrari de volta ao topo de um campeonato. Para isso, Mika Salo e Schumacher, que voltou na Malásia, fizeram eficiente jogo de equipe, mas Hakkinen era muito mais piloto. E mesmo decidindo em Suzuka, circuito que Irvine conhecia como poucos, Mika não bobeou e faturou o caneco.
Justiça em dobro, o finlandês merecia ganhar, e se alguém tinha de vencer para a Ferrari, esse alguém era Schumacher.
E aí vieram os cinco títulos seguidos, uma coisa absolutamente impensável antes da chegada as pistas desse alemão de pé pesado, com sapateiro no sobrenome.
Na sua trajetória, esteve envolvido com os principais pilotos que nosso país já produziu (Emerson fora). Aposentou Piquet, atormentou Senna, engoliu Barrichello e ensinou Massa. Não é à toa que por aqui, seus críticos sejam mais ferozes.
Mas o mesmo tempo que sempre esteve ao seu favor na hora de cravar o cronômetro, agora o castiga sem dó. E os três anos parados parecem três décadas quando se trata de enfrentar uma nova geração de regras, carros e pilotos.
No início da temporada, parecia natural que Michael não andasse no mesmo nível. Estava se readaptando, o carro não tinha boa distribuição de peso, ninguém é perfeito, e por aí vai, entretanto, corrida após corrida, foi ficando claro que ele não tem mais fôlego para acompanhar Rosberg, que de preocupado no início, agora deve dar graças por ter um companheiro tão fácil de bater.
Parece perdido, andando para trás. No domingo foi desonesto, sim, não foram poucas as vezes nessa temporada que o vimos ser superado sem dificuldade alguma, e desde sua volta não houve lembrança de ter defendido posição de forma tão rude como contra Rubens.
Dizer que deixou claro que estava oferecendo a parte externa da pista é mentira. Revi diversas vezes a manobra, ele desceu a reta acompanhando Rubens pelo retrovisor, iria tentar bloqueá-lo para qualquer lado que a Williams fosse.
Para Rubens, o sucesso teve peso dois: passou de forma espetacular não só seu desafeto, mas também o carro de Ross Brawn, aquele que o dispensou sem maiores considerações.
Não demonizo Schumacher, e acho desproporcional todo o rancor exalado por Barrichello, mas acho que chegou a hora do alemão pendurar de vez o capacete.
Enquanto isso...
...para fazer o escriba morder a língua, Barrichello fez uma largada excelente na Hungria...
...mas incrível mesmo foi Kamui Kobayashi superar sete adversários na primeira volta...
...o japonês saiu em 23º e chegou em nono, e com De la Rosa em sétimo, fica claro que Peter Sauber agiu muito bem ao trocar Willy Rampf por James Key...
... e Sebastian Vettel conseguiu perder mais uma.