Jogando a Mesa Final
Introdução
Neste artigo
- Como se comportar na mesa final
- Como se comportar quando os jogadores vão deixando a mesa
- o Heads-up
A Motivação
A grande diferença da forma como jogas em uma mesa final é a tua motivação. Algumas pessoas simplesmente estão felizes por estarem na mesa final, enquanto outros querem realmente vencer todo o torneio.
Deste modo, quando tu queres realmente vencer o torneio, deves jogar agressivamente e com alguns riscos. Mas quando estás simplesmente feliz por jogares na mesa final deves então praticar um jogo mais tight e controlado.
Este artigo vai detalhar um modo de jogar mais moderado, visto que não deves ser agressivo de mais nem ser muito passivo devido aos ataques contra ti.
7-9 Jogadores (Ring Game)
Stack média
Quando tens uma stack média, quando comparada com os outros jogadores, é importante que só jogues as tuas cartas. Muitos jogadores querem ser muito habilidosos, tentando colocar os outros fora do pote com bluff-raise. Este é um dos erros comuns mais cometidos na mesa final numa situação destas. É importante que demonstremos alguma paciência e que esperemos pelo tempo certo e pelas cartas certas para agir.
É também importante que não tentemos atacar o chip leader ou outras big stacks na mesa. Lutar com as big stacks coloca-nos sempre em perigo de sermos eliminados. Em vez disso o nosso objetivo deve ser colocar as short stacks sob pressão.
Um exemplo onde todos tomam a decisão errada.
Estamos no botão com 16BB e temos 73s. A SB e a BB estão com uma short stack (abaixo de 8 BB).
O que fazemos?
Muitos jogadores diriam que temos de pressionar para ficar com as blinds, mas isso é errado.
Pensa simplesmente sobre quais as mãos que nos fariam call e que contra quase todas as mãos estamos underdog. É claro que colocar pressão sob as short stacks é importante, mas a frase-chave deve ser “agressividade seletiva”. Quando tivermos as cartas para jogar iremos colocá-las sob pressão. É também importante que tomemos as decisões e decidamos quando nos devemos envolver. Também os nossos futuros raises não terão muito respeito se mostrarmos este tipo de mãos de lixo. É a pior coisa que pode acontecer: perder metade das nossas fichas e ficar com uma imagem de maníaco.
Então é claro que a decisão correta no nosso exemplo deveria ser: FOLD!
Só devemos correr riscos maiores assim que as poucas short stacks estejam falidas e não estamos entre os TOP 4-5. Uma imagem tight com uma stack média é muito importante, caso contrário os nossos adversários não levarão os nossos raises a sério e frequentemente irão all-in contra nós. Então a regra é atacar as stacks médias e pequenas com as mãos certas. Quando existe uma big stack atrás de nós, geralmente faz sentido fazer um raise de all-in de 10-14 BB com Ax ou um pocket pair, porque senão terás um momento difícil quando colocado numa decisão se a big stack está a tentar re-roubar o pote com um raise.
Big stack
Ser a big stack em uma mesa final não é tão fácil como possa parecer. Muitos jogadores pensam que têm o controle sobre a mesa e que devem despachar para fora da mesa as short stacks uma atrás da outra. Mas controlar a mesa também significa colocar pressão com mãos médias, e esse é o tipo de plano de jogo errado para a big stack. Como big stack a nossa arma mais forte é … a nossa big stack, como é óbvio. Por isso não devemos desperdiçar as nossas fichas deitando-as fora com mãos médias. Nós não queremos … não, nós não temos de correr esses riscos. Iremos decidir quando é que queremos jogar. A pior coisa que pode suceder é que a short stack irá dobrar e nós perdemos a liderança de fichas.
Exemplo:
UTG 15 BB
...
BU 30 BB (Hero)
SB 12 BB
BB 25 BB
Preflop: UTG faz raise para 4 BB, Hero está no botão com AQo
O que fazemos?
UTG está aqui a fazer raise enquanto a big stack está sentado na BB, isto demonstra muita força. Não temos aqui muita fold equity se o pressionarmos com um all-in. Com AQ estamos ligeiramente favoritos, mas muitas vezes isto será uma autêntica moeda ao ar.
Temos então que fazer fold! É uma decisão difícil, mas nós é que decidimos quando jogar e quando não jogar. Decidiremos quando é vamos colocar a short stack sob pressão.
Mas vamos agora alterar o exemplo um bocadinho:
MP3 15 BB
...
BU 30 BB (hero)
SB 12 BB
BB 9 BB
Preflop: MP3 faz raise para 3BB, Hero está no botão com AQ
A situação é idêntica, mas dois fatores importantes alteraram-se. MP3 faz um raise de somente 3 BB enquanto a short stack está sentada na big blind. Geralmente isto é um indicador de um roubo de blinds. A maior parte das vezes estaremos bem à frente contra o que ele possivelmente terá. Temos também alguma fold equity e por causa do raise pequeno dele, ele não terá boas odds para um call. Relembra como uma regra básica: quando fazes um re-raise ao teu adversário de 5 vezes do montante do raise que ele fez antes, então tens uma fold equity muito boa, pois estás a dar-lhe odds miseráveis para ele fazer call.
Re-steals (re-raise / a maior parte das vezes um movimento de all-in) com uma mão média, como A5s, após um raise do adversário, deve ser feito quando o seguinte for verdade:
- O raise do vilão pode ser uma tentativa de roubo.
- A stack original do vilão é 5 a 7 vezes o tamanho do seu raise.
- Tu és a big stack.
- A nossa mão tem boas hipóteses de ser a favorita contra o leque dele de raising / stealing. (exemplo: AQ+, A2s+, 45s-KQs, 22+).
É claro que não devemos jogar demais com estas mãos, mas estes re-steals são um arma importante para a big stack vencer o torneio.
Short stack
Estamos em situação de short stack quando temos menos de 10 big blinds. Temos então que iniciar alguma ação. Mas como é óbvio não podemos simplesmente ir all in com quaisquer duas cartas na esperança de conseguirmos dobrar as nossas fichas. Certamente devemos roubas as blinds. Mas tal como foi mencionado atrás, nós estamos na mesa com pelo menos 7 outros jogadores, por isso temos algum tempo para esperar pela posição certa para atacar as blinds.
Devemos então esperar por mãos fortes como Ases médios ou Reis fortes, tipo KQ ou KJ. Assim que tenhamos uma mão jogável devemos ir all-in diretamente e não fazer qualquer tipo de movimento como apostas de 3 BB. Quando investimos um terço da nossa stack em pré-flop estamos comprometidos com o pote de qualquer das formas, por isso a melhor opção é ir all-in no pré-flop e assim conseguimos que pocket pairs pequenos e médios sejam descartados. Quando somos alvo de call, a maior parte das vezes é uma decisão de moeda ao ar, e por vezes estamos ligeiramente underdog.
IMPORTANTE: Antes de ir all-in verifica se todos os outros desistiram da mão. Torna-se complicado contra limpers, e é claro que precisamos de uma mão forte contra um raise.
Fatos importantes a ter em conta quando queres ir all-in:
- As tuas cartas (toma cuidado com os leques de call: 78s é frequentemente uma melhor mão para ir all-in do que A3o, porque frente à um call a mão A3o está quase sempre dominada contra ases mais fortes).
- A tua posição (quantos jogadores PODEM ter na sua posse um potencial monstro).
- A tua imagem (Se fizeste raise 2 vezes seguidas deves então fazer fold com A8o, só para manteres uma imagem de jogador tight).
- As stacks das blinds (ataca os jogadores que podes ferir, ataca as stacks pequenas e médias).
Jogos com 4-6 jogadores (short handed)
Stack média
Com uma stack média contra 5 jogadores ou menos podemos começar a falar em vitória. No entanto, tomar decisões erradas aqui pode significar a eliminação. Como stack média existe um fator que é extremamente importante para nós: precisamos de posição tendo em conta as stacks pequenas, para as mãos que jogamos. Queremos jogar contra estes jogadores e evitar conflitos com jogadores que têm mais fichas do que nós. Assim como não queremos jogar um pote contra alguém com mais fichas, não teremos nunca necessidade de ir all-in e, por conseguinte, não perderemos todas as nossas fichas.
Agora um outro exemplo para tornar a nossa estratégia nesta fase do jogo mais clara.
Estamos com quatro jogadores. As blinds são 500/1000 com uma ante de 100. Estamos na SB com 28k fichas e temos A3o. O chip leader está na BB com 74k fichas. Todos antes de nós fizeram fold.
Isto seria um raise fácil para nós num normal cash game, visto termos equidade. Mas isto é a mesa final e não um cash game, por isso temos de pensar estrategicamente. Vejamos as nossas opções.
Raise: muito arriscado, visto não sabermos em que ponto estamos, a não ser que apareça um AA3. Se um A aparece no flop e nós apostamos e a BB vai all-in, não saberemos o que fazer, visto tratar-se de um situação perfeita de Muito à frente / Muito atrás. Então um raise num board imperfeito com uma boa jogada da BB é muito arriscado para as nossas fichas.
Fold: um fold evita habilmente um confronto. Mas para ser honesto, um fold seria muito, mas muito fraco. Temos uma mão jogável e jogá-la tão timidamente muito dificilmente seria um hino á nossa perícia.
Limp: isto deixa-nos somente fazer limp. É frequentemente menosprezado, mas temos uma mão que é muito fraca para fazer um raise contra um chip leader e forte demais para fazer simplesmente fold. Por isso fazes um limp in. Desta forma mantemo-nos ativos e podemos ver o que sucede. Se acertarmos alguma coisa no flop apostaremos, e caso contrário tomaremos atenção ao que a BB faz e podemos reagir com um call (de acordo com as pot odds) ou podemos de uma forma barata despedirmos-nos da nossa mão.
Se alterarmos o exemplo, tendo a BB só com 8k fichas, o nosso jogo muda por completo.
Aqui não há qualquer dúvida; vamos all-in. Se ele não tiver ases, temos grandes hipóteses de ele ou fazer fold ou em pior dos casos estarmos ligeiramente underdog, senão ligeiramente favoritos com o nosso ás.
Em sumário, com uma stack média com 4-6 jogadores em jogo temos cuidado contra as big stacks e somos agressivos contra as short stacks.
Big stack
O nosso comportamento como big stack só altera um pouco. Evitamos situações de alto risco, visto que não nos preocupamos com as blinds. Os outros têm de atuar e tomar decisões questionáveis para deitarem a mão a algumas fichas. Nesta fase do jogo, o tempo está a trabalhar para nós. Temos de decidir realmente quando colocar a pressão.
É importante que não façamos call ao all-in de qualquer um com mãos marginais. Devemos pressioná-los a irem all-in e deixar a decisão com eles. Se um jogador vai all-in com certeza não tem 72o. Além disso, é importante evitar jogar potes enormes. Podemos diminuir a oposição jogando muitos potes pequenos. Potes grandes trazem o perigo de a oposição pressionar e assim perdermos a nossa vantagem de fichas.
Um exemplo:
O jogo tem 4 jogadores, as blinds são 500/1000 com uma ante de 100. Somos o chip leader com 52k e estamos na BB. O buton vai all-in com 11k fichas. A SB faz fold e nós temos T8s.
O maior erro que podemos fazer aqui seria fazer um call a este all-in. O button poderá estar a tentar roubar as blinds com uma mão marginal, mas nós só temos uma mão medíocre e estamos quase sempre underdog. Fazer raise aos outros nesta situação não é o nosso objetivo. Fazemos fold e esperamos por uma situação em que tenhamos uma boa mão e assim conseguimos colocar a pistola na cabeça da oposição.
Com boas mãos como AJo ou 88 deves fazer call a estes all-ins, mesmo que não estejas na BB, para aumentares a tua liderança em fichas com estas situações de baixo +EV.
Além disso, deves fazer re-steals nas situações certas. Por exemplo, quando uma stack média faz raise contra uma stack pequena, podes ocasionalmente fazer um re-raise com uma mão marginal desde que exista fold equity (faz raise de 5-7 vezes, no máximo).
Se notares que és respeitado deves, no entanto, tomar os raises seriamente. Por vezes os adversários atacam com tudo como QQ+, AK contra o chip leader.
Short stack
Se estamos short stack, podemos usar o jogo das stacks médias e da big stack para nossa vantagem. Eles estão à espera de cartas boas para nos colocarem sob pressão e nós temos de fazer alguma coisa ou somos comidos pelas blinds. Vamos nos tornar cada vez mais agressivos; acima de tudo, o que é que temos a perder?
- De qualquer das formas estamos perto da extinção, e se queres vencer o torneio tens de agir. Esperar que os outros se liquidem uns aos outros, até nos encontrarmos em heads up e dobrar a nossa stack 10 vezes até estarmos em pé de igualdade em fichas, é muito improvável. Então roubamos as blinds enquanto a oposição espera por cartas boas.
Um exemplo:
O jogo está mais uma vez com 4 jogadores com blinds de 500/1000 e uma ante de 100. Temos 13k fichas e estamos sentados na 1º posição.
Temos QTs, o que fazemos?
Pressionamos sem dúvida. Existem somente dois casos aqui.
Ou todos fazem fold e nós ganhamos as blinds, recebendo 2k fichas diretamente. Se conseguirmos fazer isto algumas vezes voltaremos à luta.
Ou alguém faz call. O panorama é uma moeda ao ar se a oposição tem um pequeno par na mão. Isto é bem bom para nós e é destas situações que temos de procurar.
Podemos ter também azar e ser alvo de um call por parte de um AA, KK ou QQ. Se isto acontecer estamos bem mortos. Em todas as outras situações estamos ligeiramente underdog ou ligeiramente favoritos, sem nenhuma sorte.
Quem atacamos é também importante. Se existe outra short stack, ele irá lucrar por termos sido alvo de call por outro jogador. Por esta razão, vale mais a pena atacar a short stack. Se não existe nenhuma short stack, então queremos atacar stacks médias pela mesma razão. Isto porque quando dobrarmos contra uma big stack não ganhamos tanto como contra uma stack média, que ficará então como short stack, colocando-nos assim uns furos acima.
Não deves em nenhum caso esperar por uma boa mão, devemos agir se estamos para ganhar, por isso não temos outra escolha. Quem sabe quando é que teremos uma mão comparável. Devemos ir all-in com 73o a determinado momento em que só temos uma stack de 4 BB, a nossa fold equity está-se desvanecendo. E quando existir um call podemos simplesmente levantarmos-nos da mesa e dirigirmos-nos pela porta fora.
Jogos com 3 Jogadores (3-Handed)
Certamente estarás a perguntar o porquê da existência de uma seção extra. A diferença entre isto e short handed é que fazemos sempre parte da ação. Quer estejamos nas blinds ou no button. Nestas condições não temos espaço para respirar.
Stack média
Quando temos a stack média e existe uma short stack, o nosso objetivo é que este jogador deixe a mesa primeiro. Não queremos ir antes dele. Isto não significa que nos coloquemos num estado de coma, fazendo fold com todas as mãos e esperando que a short stack seja comida pela big stack. Este é novamente uma caso em que queremos evitar conflitos com a big stack. Não queremos jogar potes grandes contra a big stack!
Queremos colocar pressão na short stack. Isto leva-nos mais uma vez à nossa maravilhosa frase chave “agressividade seletiva”
Um exemplo:
Estamos no button com K9o. A short stack está na SB e a big stack está na BB. Vamos ver as nossas opções outra vez.
Fold: é claro que não queremos jogar contra a big stack, mas como foi mencionado atrás também não queremos adormecer e jogar muito timidamente. Fazer fold seria muito fraco nesta situação.
Raise: objetivamente, este seria o melhor movimento aqui visto estar à frente vezes suficientes. Mas temos um problema. Se a big stack quiser jogar, estamos de certeza forçados a jogar um grande pote com um raise de pré-flop, e nós não queremos isso.
Limp: então fazemos limp outra vez. Mantemo-nos ativos e temos posição. Podemos ver o flop e ver o que sucede. Se não acertarmos em nada e a BB fizer raise, podemos facilmente fazer um fold. Se todos fizeram check até nós, podemos fazer uma aposta do tamanho de metade do pote e ver se é suficiente para segurar o pote. Se a BB continua em jogo e não temos nada na mão, devemos por travões no turn.
De notar que não devemos jogar desta forma contra big stacks muito agressivas, os quais poderão gritar “FRACO” a um limp do button, e que por vezes fazem raise com lixo. Aqui é melhor fazer raise e tentar manter o tamanho do pote baixo após o flop ou simplesmente ficar com ele diretamente.
Se alterarmos o exemplo e digamos que a SB é a big stack e a BB a short stack, então o nosso jogo teria de ser alterado também.
Aqui um raise é necessário para pressionar a BB. Se a SB joga e a BB faz fold, podemos pelo menos confiar na nossa posição. Visto que a SB geralmente irá passar a jogada, podemos fazer uma aposta para ver onde nos encontramos. Se a SB faz call outra vez, podemos desacelerar e ver se conseguimos um showdown barato com uma mão medíocre.
Deves recordar sempre que as fichas e a posição são a coisa mais importante nesta fase. Assim como é a short stack que ambos tentamos eliminar. Aqui também deves ir diretamente all-in com mãos como Ax ou pares em cerca de 10-14 BB, para não seres forçado pela big stack a um fold.
Big stack
Quando restam apenas três jogadores, é importante que tentemos manter a nossa vantagem de fichas, visto que isso será imensamente útil quando estivermos em heads-up, podendo sempre colocá-lo em all-in.
Além disso, deve ser notado que a estrutura de prêmios nestes torneios é muitas vezes especial e existem enormes diferenças nos prêmios após o 3º lugar. Podemos usar isto como vantagem nossa sendo a big stack, visto que ambos os nossos adversários muitas vezes fazem a coisa errada e entram em um semi-coma, tentando ganhar um lugar adicional e depois vencer o torneio com alguma sorte em heads-up.
Para nós isto simplesmente significa que devemos tentar deitar a mão a todos os potes nos quais nenhum adversário faz uma forte tentativa. Isto funciona particularmente bem em mãos contra a stack média, visto que ele terá a tendência de esperar pela short stack ser eliminada em vez de tentar ganhar as nossas fichas.
Short stack
Existe somente uma opção nesta situação: um apropriado jogo agressivo. A stack média normalmente irá esperar que sejamos eliminados primeiro e a big stack tem a sua vantagem de fichas, a qual quer manter. Por isso não existe nenhuma razão para que eles façam calls aos nossos all-ins com mãos marginais. Não tens nada a perder, pois se esperares as blinds só ficarão cada vez maiores. Isto é o que os outros querem, visto que nesta fase é normal o caso de os outros adversários se “juntarem” para eliminarem o competidor mais fraco em primeiro lugar.
Devemos fazer uso disto com as nossas investidas. É importante que nunca façamos call e all-in a não ser que tenhamos uma mão Premium. Colocamos os outros sob pressão para decidirem se fazem um call ao nosso all-in com as suas mãos marginais, onde os nossos all-ins podem ser dominados por uma pocket pair.
Heads-Up
Conseguimos fazê-lo e estamos agora em heads-up. Existe só um adversário entre nós e o maior dos sucessos de um torneio. Não queremos cometer nenhum erro e ficar “só” pelo segundo lugar. Existem dois fatores importantes em heads-up, dos quais devemos estar atentos. Primeiro, e mais importante, o adversário. E depois, como é claro, a divisão de fichas. Tendo por base estes dois fatores vamos agora aprofundar e demonstrar como retirar o melhor resultado desta situação.
O adversário
Em heads-up jogamos contra um só adversário. Aqui é muito vantajoso para nós que percebamos como é que ele compreende as nossas ações, o que pensa delas e como reage. Devemos tentar entrar na sua mente.
Este é o aspecto psicológico mais importante em heads-up; deves perceber o teu adversário e saber como melhor usar esta informação contra ele.
Se, por exemplo, o teu adversário é agressivo de mais, nós seremos mais reservados e esperamos pelo momento certo para o sugar em potes grandes.
Se, por outro lado, ele é passivo de mais e faz muito fold em pré-flop, então vamos colocar o nosso pé no acelerador e pô-lo sob pressão e demonstrar-lhe que ele não pode esperar até acertar o flop certo.
É muito importante analisar o jogo objetivamente em heads-up. Isto é o mais difícil. Tens de reconhecer quando é que o teu adversário é simplesmente melhor que tu. Este reconhecimento não significa, no entanto, que vamos desistir. Vamos usar isso como nossa vantagem. Se for o caso de sermos superiores ao nosso adversário e conseguirmos derrotá-lo em pós-flop, vamos então tentar tê-lo no máximo de potes pequenos possíveis para depená-lo ficha a ficha. Este jogo de bola baixa é muito intensivo, mas traz menos riscos. Tentamos evitar grandes confrontos e trazer o adversário ao ponto em que ele é engolido pelas blinds e nós temos tanto como dez vezes mais fichas. Podemos depois começar a colocá-lo em all-in pré-flop e esperar que as cartas certas apareçam devendo ele fazer call. Se ele fizer fold sempre, as blinds tornar-se-ão maiores relativamente ao seu monte de fichas e ele terá de fazer call com cartas cada vez piores.
Se, por outro lado, nos encontramos em situação contrária, e o nosso adversário é um jogador superior, devemos tomar a estratégia oposta. Supondo que o nosso adversário, digamos que é Phil Helmuth, joga sempre potes pequenos. Então ele irá pouco a pouco retirando-nos as fichas uma a uma do nosso monte. Então jogamos agora poker de aposta alta. Pressionamos onde podemos. Phil uma vez disse que nunca faria um call de all-in com damas. E assim ele também jogaria contra nós. Vamos all-in e ele diz que tem damas mas está à espera por uma situação melhor. Podemos então olhar para o nosso 76o e dizemos-lhe que ele deve continuar à espera.
Vamos tomar este exemplo extremo. Supõe que a tua mãe tem a hipótese de jogar heads-up contra Phil Ivey para um milhão de dólares. Ambos têm 10.000 fichas e o jogo é jogado normalmente. O problema é que a tua mãe não tem qualquer ideia do que é poker mas não pode perder esta oportunidade. Qual é a melhor forma de a preparar para o embate com Phil Ivey?
Dizemos-lhe:
“Mamã, joga os teus projetos sempre da mesma forma, ele faz muito bluff”
ou
“Tenta roubar as blinds caso notes que ele não tem boas cartas”
ou talvez
“Tenta jogar com a tua posição após o flop e deves estar OOP. Simplesmente coloca-o num check / raise aqui e acolá para veres onde estás”
A tua mãe simplesmente olharia para ti e pestanejava.
A única estratégia que lhe podias dar era jogar poker de aposta alta de uma forma extrema. As nossas instruções seriam algo como isto:
“Mamã, assim que tenhas duas cartas e desde que nenhuma delas seja um 2 ou 3, vai all-in. E faz isso sempre.”
Desta forma, ela teria uma pequena hipótese contra Phil Ivey. Os all-ins de pré-flop neutralizam as habilidades de pós-flop do adversário. Agora é com o Phil Ivey ter sorte e escolher a situação correta para fazer call.
A distribuição das fichas
Agora chegamos à divisão das fichas. Se estivermos bem à frente do nosso adversário, nós principalmente jogamos as cartas e tentamos de uma forma continuada entrar na sua cabeça e ajustar o nosso jogo com ele.
Mas se estamos atrás é importante saber a que distancia estamos e qual o aspecto das blinds. Isto irá determinar a nossa estratégia.
Alguns exemplos:
Temos 130k fichas e o nosso adversário tem 300k. As blinds são 2.000/4.000 com uma ante de 500. Temos A3o no button, o que é uma boa mão em heads-up por causa do ás. O que fazemos?
RAISE! Em contraste com o exemplo do short handed podemos jogar de acordo com o puro EV das fichas. E da SB podemos facilmente fazer check no turn após uma continuation bet alvo de um call, deste modo chegamos ao river com um ás superior. A3 tem pré-flop equity e má jogabilidade, e desta forma deve ser a maior parte das vezes alvo de um raise. Se o nosso adversário faz fold estará tudo bem com isso. Autenticamente de acordo com a equidade podemos ir all-in. As blinds são tão pequenas que não exigem muito de nós.
Outro exemplo:
Sentimos que estamos a ser manobrados
Mais uma vez temos 130k e ele tem 300k.
Ele faz um raise de 16k e nós temos ATo. O que fazemos?
O fator decisivo é que estamos derrotados. Por isso não temos outra escolha a não ser ir all-in e demonstrar-lhe que a decisão está agora do lado dele.
Estamos irremediavelmente atrás contra AA. Até temos uma hipótese contra KK se acertarmos um ás.
Ele irá fazer fold frequentemente contra o nosso all-in e nós ganhamos 16k fichas. Mesmo que ele pressinta que está melhor do que nós, ele muitas vezes vai fazer fold com mãos como pequenos pares.
Conclusão
Espero que este artigo te tenha demonstrado como estratégias particulares são necessárias para mesas finais, e que elas não podem ser jogadas como em mesas a dinheiro ou no resto do torneio. Muito dinheiro está por vezes em jogo, e espero que este artigo dê a alguém mais alguns trocos.
| LINKS | |
